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A bem da Nação

MAIS UM CASO DE UTILIZAÇÃO DO BIOGÁS

 

 

Ao longo de algumas décadas, tenho tentado chamar a atenção para o biogás, uma forma de energia renovável que Portugal tem negligenciado. Não sou especialista da matéria mas, alguns casos de que tenho notícia levam-me a pensar que poderia ser extensivamente usado em Portugal, no aproveitamento de estrume, lixos e esgotos.

 

Lixos e esgotos custam a Portugal muitos milhões de euros, para os armazenar em aterros ou lançar para o mar, depois de passarem por uma ETAR que não é barata. Através da decomposição anaeróbica (na ausência de ar) destes detritos, resulta um gás, metano, composto por um átomo de carbono e quatro de hidrogénio, que pode ser usado para produzir calor, ou em geradores de electricidade ou em motores de explosão usados em veículos. O que temos é muito pouco. Além dos estrumes e dos lixos urbanos, o problema da poluição nas zonas de criação de porcos talvez encontre no biogás uma boa solução.

 

Lixo transformado em energia_Esquema.gif

 

Nos cálculos do custo da produção do biogás, haverá que se contar sempre com o que se poupa nos custos de eliminar essa “poluição”.

 

No artigo “Energias renováveis negligenciadas”, no Linhas de Elvas de 8-4-2010, referi que os autocarros de transporte público, na cidade sueca de Helsinborg, utilizavam o biogás “produzido numa grande unidade. O líquido sobrante é levado para os campos por pipeline e utilizado pela agricultura, como um óptimo fertilizante.”

 

Recebo agora a notícia de os esgotos da cidade de Grand Junction, no estado americano do Colorado, serem usados da mesma forma, para produção de biogás, o combustível que alimenta a frota de autocarros e vários camiões.

 

Na Europa, é na Alemanha que o biogás está mais utilizado e esse país clama que as suas instalações para o produzir são as melhores.

 

Em Fevereiro de 2009 foi criada a Associação Europeia do Biogás (European Biogas Association, EBA, em inglês), com sede em Bruxelas. Portugal não é sócio.

 

Publicado no "Linhas de Elvas" de 28 de Janeiro de 2016

 

Prof. Miguel Mota

 

 

Miguel Mota

HÁ QUASE 70 ANOS

 

 

É um pouco estranho de repente virem à memória histórias passadas há... bem mais de meio século. Histórias que não foram notícia, não divulgadas, nem nos jornais nem na rádio, já que televisão, nesse tempo, felizmente não havia, o que nos permitia passar as horas de folga, os intervalos das aulas, a jogar o futebol, o pingue-pongue (ténis de mesa, em Terras de Ver a Cruz), conversar e mais tarde já homenzinhos, quando o tempo permitia, andar um pouco pelo campo, na conversa ou a rever alguma matéria!

 

É estranho, mas agradável porque conseguimos recordar colegas que perdemos de vista mas continuaram a ter o seu cantinho no nosso coração, a maioria deles que estará já “lá” em cima à nossa espera, e vai dar risada quando “se lembrar” de algumas aventuras que vivemos juntos.

 

Nós tínhamos um professor extraordinário. Um homem bom, inteligente, educado, simpático, dono de uma boa propriedade agrícola, engenheiro agrónomo, pesquisador, enfim, uma figura por quem todos tinham o maior respeito e simpatia.

 

Mas distraído como ele, não recordo ninguém; sempre aproveitámos para fazer alguma brincadeira. Por exemplo: ele via um de nós, alunos, a ler um livro, perguntava se era bom e se lho emprestávamos. Claro que sim. Mas a malandrice era fingir que tínhamos um livro bom mas que era uma porcaria qualquer, tipo romance barato! Ele pegava no livro, começava a ler, e logo via o logro. Deixava-o no primeiro lugar que calhasse, e depois ainda vinha perguntar porque nós líamos aquelas porcarias!

 

- Não lemos, senhor engenheiro. Foi uma brincadeira!

 

Lembro que fumava os cigarros mais baratos que havia naquele tempo – Definitivos – a que chamávamos, para dar um ar de importância “Definitaives”, à inglesa.

 

FGA-Definitivos.jpg

 

Durante as aulas, nunca deixava apagar um cigarro que estivesse a fumar; acendia um novo no que estava gasto, apagava este no cinzeiro e guardava a beata (as guimbas) numa das gavetas da mesa do professor. Nós tentávamos contar quantos cigarros fumava, mas para não perder a atenção à aula, perdíamos a contagem! Um dia, no fim da aula fui abrir a gaveta e contar as tais beatas! Não lembro quantas eram, mas muitas!

 

O professo viu-me a fazer aquilo e, antes de sair da sala, perguntou-me: “Já contaste? – Já. – Bem, da próxima vez, em vez de brincares com estas coisas, toma mais atenção na aula!”

 

­­O professor vivia na sua herdade em Monforte, também no Alentejo, a uns 75 quilómetros de Évora.

 

Ía para a Escola de Regentes Agrícolas, na Herdade da Mitra, às segundas-feiras à noite, e regressava a casa quinta, ao fim do dia.

 

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 O “Colégio Velho” – Uma jóia

Onde está a capela e o claustro do antigo Convento do Bom Jesus de Valverde

 

Sempre de autocarro entre as cidades, tomava o seu cafezinho da noite no vetusto Café Arcada, e depois ia procurar o taxista favorito, o Zigoni, que tinha, no final dos anos 40, um belo Plymouth cinza. Atencioso, levava-o à Mitra, mais 12 quilómetros, e como nem sempre o professor levava a esposa, sempre o Zigoni perguntava se a senhora estava bem. Aquelas amabilidades triviais.

 

- Ficou muito bem obrigado!

 

Alguns quilómetros andados...

 

- Pára aí, Zigoni. Volta atrás. Esqueci a minha mulher no Café!

 

Voltaram; a senhora, que conhecia bem o marido não estava preocupada!

 

Era professor de hidráulica, mecânica e máquinas agrícolas, três das disciplinas que eu mais gostava e, sem querer fazer figura, sempre tirava notas altas, e foi por aí que segui a minha vida profissional.

 

No último ano em que tínhamos simultaneamente “conhecimentos” gerais, como matemática, também era ele o professor.

 

Aproximava-se o fim do ano lectivo e, como sempre existe, alguns colegas estavam mancos nalguma disciplina e arriscavam-se a perder o ano. O José Carrilho era um deles. Um tio deste, irmão de sua mãe, de sobrenome Gueifão, também fazendeiro e amigo do professor, foi-lhe dizer que o sobrinho estava mal... e pedir uma mãozinha. O bondoso professor disse que ia fazer o que pudesse.

 

Quando chegou a Évora andou a procurar na caderneta e não encontrou nenhum Gueifão. Foi perguntar ao Director, com quem eu estava nesse momento.

 

­- Quem é o Gueifão? Um tio deste, e meu amigo veio pedir para ver dava uma mão ao sobrinho, mas não encontro nenhum Gueifão!

 

O Director riu-se, todos conheciam bem aquela figura simpática, e eu disse que devia ser o José Gueifão Carrilho, do meu ano.

 

- Parece que o rapaz está mal em matemática.

 

­Eu sabia que sim, que estava, e o Zé Carrilho que era todo “macho” já encarava o perder o ano com a mesma disposição com que encarava os touros que pegava, e era um grande pegador.

 

- O que podemos fazer por ele?

 

- O senhor engenheiro dá-me duas ou três questões que lhe queira pôr numa aula, para tentar levantar a nota, eu vou meter-lhe na cabeça que eu sei que é tradição o senhor sempre perguntar isso, vou pegar nele ensinar-lhe a solução dessas fórmulas, e daqui a uns dias eu lhe digo quando ele estiver pronto.

 

-Boa ideia; concordou o professor.

 

Meter isto na cabeça do colega Carrilho foi duro. Ele era macho e teimoso, e eu nem sequer tinha físico suficiente para lhe bater!!! Mas não o larguei. Ele dizia que não era capaz, eu dizia que sim, lutámos durante uns dias, convenci-o a não estudar outros programas da matemática, e quando vi que estava apto disse-o ao professor.

 

Na aula. O professor queria mesmo ajudá-lo mas, para variar, tinha já esquecido que o nome dele era Carrilho e não Gueifão. Abre a caderneta, vira umas páginas como quem procura um nome ao acaso para chamar ao quadro, sabendo que só tinha um objectivo, chama:

 

- Gueifão!

 

O Zé Carrilho, levanta-se, devagar, apavorado, como quem sai da tumba, e fica hirto.

 

- És tu, o Gueifão?

- Não... não! Falto.

 

Os colegas não aguentaram o riso. “Falto” jamais se tinha ouvido!

 

No fim da aula, todos tinham saído, fui falar com o professor. Eu tinha-me comprometido.

 

- Então o gajo faltou? (Usava muito o termo gajo, apesar de ser educadíssimo!)

- Não senhor engenheiro. Foi aquele que se levantou e disse “Falto”!

- E agora? Foi a última aula. Mas ao menos ele aprendeu o que lhe ensinaste.

- Aprendeu sim. Pode dar-lhe o 10 que ele precisa.

- Vou pensar nisso.

 

Deu-lhe o 10, o Carrilho passou de ano, e só uns 30 anos depois, quando juntámos os colegas do curso, é que eu lhe contei esta história! Creio que ele não acreditou muito nisto!

 

Já no fim do curso prova escrita de Hidráulica, uma das cadeiras minhas preferidas, e em que tinha sempre a melhor nota de todos (não é gabarolice; em Entomologia... eu tinha uma das piores!).

 

Faço a prova muito rapidamente e atrás de mim o José Ravasco cutucava-me para lhe passar o ponto porque ele estava quase a zero!

 

Consegui escrever tudo num pedaço de papel, passar-lhe para trás, sem o professor ver, o que é óbvio, entreguei a minha prova e saí.

 

Esperei pelo Zé Ravasco.

 

- Passaste tudo? Tiveste tempo?

- Tudo. Tens a certeza que estava tudo certo?

 

Tinha. Aguardámos as notas. Eu sempre tinha a melhor nota, estava mais do que tranquilo. Ele nervoso.

 

Para espanto de ambos o Zé Ravasco teve uma nota melhor do que a minha!

 

Muito rimos com esse desfecho. Pela vida fora, poucas vezes nos encontrámos mais, por causa da minha vida de imigrante constante. Mas sempre falámos nisto. E ele fazia questão me dizer:

- Eu era melhor do que tu em Hidráulica!

 

Saudade. Muita. Dos colegas e de praticamente todos os professores, neste caso do Engenheiro António José Sardinha de Oliveira de quem sempre lembro com saudade, admiração e carinho.

 

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A Página dedicada a este professor no livro de fim do Curso de 1951. Tinha o professor 39 anos!

 

27/01/2015

 

FGA-2OUT15.jpgFrancisco Gomes de Amorim

TRETAS # 16

 

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PARA MEMÓRIA FUTURA - II

 

  • Respaldado em normas comunitárias transpostas com pouco critério para o Direito Português, o BdP, no caso BES (e, mais recentemente, no caso BANIF), seguiu um caminho muito diferente daquele que, entre nós, está traçado para as empresas sem tesouraria - ou, mesmo, sem capital.

 

  • Adianto desde já que, até melhor prova, não vejo que, antes de 2014, BES ou BANIF se destacassem assim tanto, para pior, dos outros Bancos Comerciais por cá estabelecidos, quer quanto a níveis de liquidez, quer quanto a níveis de capitalização.

 

  • Na ausência de outras causas que só a divulgação pública da correspondência trocada entre BdP e BCE poderá revelar, o problema de fundo no BES era o BESA (solucionado às três pancadas) e a miríade de outras subsidiárias (que migraram quase todas para o NB). Em suma: era o “Grupo BES (GBES)”, não o restante GES, que lhe absorvia o melhor da liquidez e dos Capitais Próprios.

 

  • No caso do BANIF sabe-se, pela correspondência entretanto divulgada, que o facto de o Estado ser o accionista maioritário, ampliado pela extrema dificuldade em reembolsar os financiamentos públicos recebidos, não caía lá muito bem em Bruxelas.

 

  • Ponhamos de lado, por momentos, estes casos concretos. É muito provável que andem pelo ar, sem resposta, algumas perguntas pertinentes: Que mal tem um Banco Comercial falir? Porque é que o processo de liquidação dos Bancos Comerciais tem de ser diferente do de uma outra qualquer sociedade comercial? Como devem ser eles liquidados, então? O Mecanismo Único de Resolução, adoptado pela UE, serve?

 

  • Cada uma por sua vez.

 

  • Não me canso de repetir que as sociedades desenvolvidas se estruturam a partir de normas, contratos e liquidez (dinheiro). E a liquidez é, em larguíssima medida (à volta de 90%), passivo à vista dos Bancos Comerciais: são os Depósitos à Ordem (o restante é passivo à vista dos Bancos Centrais). A que há que adicionar aquele outro passivo dos Bancos Comerciais que pode ser convertido imediatamente em Depósitos à Ordem por simples vontade do respectivo credor, sem perda do capital investido (os Depósitos a Prazo).

 

  • Assim, se um Banco Comercial suspender pagamentos, os Depósitos à Ordem e os Depósitos a Prazo registados nos seus livros poderão não se esfumar de um momento para o outro, mas ficarão indisponíveis por longo tempo. Consequentemente, a liquidez que circula na economia diminuirá na exacta medida dos Depósitos Bancários que ficarem indisponíveis.

 

  • Uma quebra súbita, mais ou menos significativa (conforme a dimensão sistémica do Banco Comercial em crise), visível, mas não antecipada, da liquidez em circulação torna mais difícil manter o ritmo de concretização de contratos monetários (aqueles em que a contraprestação consiste na entrega de uma quantia em dinheiro). Falta dinheiro - e a rigidez de preços, salários e restante dívida complica tudo.

 

  • Ora, são precisamente os contratos monetários: (i) que animam a vida económica; (ii) que dão acesso à participação no processo produtivo; (iii) que sustentam a distribuição do rendimento; (iv) que orientam o investimento. Menos dinheiro em circulação, menos contratos monetários - logo, mais desemprego, mais insolvências e, no limite, recessão económica e crise social.

 

  • Para que a insolvência de uma empresa tenha efeitos comparáveis aos da suspensão de pagamentos de um Banco Comercial (mesmo de pequena dimensão) ela terá de ter um peso desmedido: (i) ou no emprego de uma dada região; (ii) ou nas exportações de um dado país; (iii) ou na trama das relações inter-industriais de uma dada economia.

 

  • E se a insolvência de uma grande empresa tende a afectar em maior ou menor medida outras empresas (e até os Bancos com os quais ela trabalhe), um Banco Comercial que suspende pagamentos vai contagiar todo sistema bancário através da densa rede de relações inter-bancárias.

 

  • É justamente por tudo isto que, perante um Banco Comercial em crise, há que acautelar, de imediato: (i) os Depósitos (para preservar a liquidez em circulação); (ii) as posições cruzadas com os restantes Bancos (para evitar o contágio, que a crise se propague ao sistema de pagamentos).

 

  • São estes os dois únicos pontos em que o regime aplicável à insolvência de Bancos Comerciais terá de se afastar daquele outro que estiver definido para as sociedades comerciais, em geral (a insolvência de Seguradoras e de Fundos de Pensões também exige regimes especiais, que não vêm aqui ao caso).

 

  • Em termos práticos, isto significa: (i) proceder, sem demora e antes do mais, à compensação automática entre créditos e débitos de que o Banco Comercial insolvente seja parte nos mercados interbancários; (ii) reconhecer, logo em seguida, que os créditos correspondentes aos Depósitos gozam de privilégio absoluto sobre a totalidade do seu património, sobrepondo-se mesmo aos créditos hipotecários (ou que beneficiem de outro qualquer tipo de garantia).

 

  • Infelizmente, aquele primeiro passo pode não ser suficiente para conter a propagação da crise a outros Bancos Comerciais (sobretudo, se o Banco Comercial insolvente estiver excessivamente endividado nos mercados interbancários). E o facto de os Depositantes serem reconhecidos como os credores mais graduados (serão pagos antes de todos os demais credores) não confere aos Depósitos a desejada disponibilidade imediata: haverá sempre que aguardar pela liquidação da massa falida.

 

  • A dura realidade é que não há solução satisfatória para os danos “macro” causados pela insolvência de um Banco Comercial se só se actuar quando a situação não puder mais ser ignorada.

 

  • Por isso, o endividamento líquido (e, bem assim, o desequilíbrio no perfil temporal das suas posições devedoras e credoras - o mismatch) de um Banco Comercial nos mercados interbancários tem de ser sujeito a limites prudenciais apertados e vigiado diligentemente (só recentemente os Reguladores se aperceberam de tal).

 

  • Por isso, também, os Depósitos Bancários têm de contar com esquemas que lhes permitam continuar plenamente disponíveis, caso o Banco depositário suspenda pagamentos (é essa a finalidade do Fundo de Garantia dos Depósitos - desde que não se confunda “ininterrupta disponibilidade” com “garantia”).

 

  • A grande questão é, pois, esta: como lidar com um Banco Comercial insolvente de forma a preservar intacta a liquidez em circulação e evitar que a crise se propague ao sistema bancário, inquinando o sistema de pagamentos?

 

  • Quanto aos accionistas e restantes credores dos Bancos Comerciais, nada justifica que eles tenham um tratamento diferente daquele que é reservado a sócios e credores de qualquer sociedade comercial.

 

  • Também eles têm de estar atentos à situação financeira das entidades que lhes causam risco. Afinal, não é outro o sentido da disciplina do mercado.

 

(cont.)

 

JANEIRO de 2016

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A. Palhinha Machado

CONVERSA DOMÉSTICA

 

 

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Pergunta – Será que esta gente que se candidata à Presidência da República fez algum estudo de mercado para saber com o que podia contar?

Resposta – Não.

Pergunta – Mas que ideia lhes passará pela cabeça?

Resposta – A certeza de que são o centro das atenções dos eleitores, que são os melhores da Nação, que os basbaques lhes rendem todas as homenagens.

Pergunta – E então são esses inconscientes que nos querem governar?

Resposta – Sim.

Pergunta – Então como é que eles se abalançam a despesas tão grandes?

Resposta – Porque contam com o ovo no «sim senhor» da galinha, ou seja, com o subsídio público.

Pergunta – E a Maria de Belém que fará agora, que o Estado nada lhe pagará?

Resposta – Vai mobilizar a pensão vitalícia que ajudou a repor.

Pergunta – E é isto que nós temos que aturar?

Resposta – Sim, é.

Pergunta – Até quando?

Resposta – Até que se reponha a ética e o sentido da responsabilidade e se combata o facilitismo, o «vale tudo», o hedonismo e a demagogia.

Pergunta – Volto a perguntar: até quando?

Resposta – Não durante a governação dos actuais usurpadores nem sequer durante a vigência de uma Constituição que permite a inversão da lógica democrática.

Pergunta – Então, que devemos fazer?

Resposta – Ter fé.

Comentário – Como escreveu o Steinbeck nas “Vinhas da ira”, «Não eleves a fé até à altura do vôo dos pássaros e não rastejarás depois como os vermes.»

Resposta ao comentário – Pois.

 

Lisboa, 26 de Janeiro de 2016

 

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Henrique Salles da Fonseca

REPÓRTER DE GUERRA

 

Os historiadores futuros respigarão dos jornais presentes estes artigos que nos elucidam sobre a época que vivemos, sobre as pessoas que somos, sobre as ignorâncias de que sofremos, que Vasco Pulido Valente se apressa em descrever, olho arguto, sentado na comodidade da sua cadeira, consultando os seus livros e os seus jornais e a sua traquinice retratista. Histórias das nossas guerras, afinal, histórias dos nossos tempos, histórias de todos os nossos tempos. Creio que já ouvi – ou li – a Clara Ferreira Alves, que só os jornalistas hoje em dia, e muito especialmente os repórteres de guerra são aptos a descrever a vida, a romancear as vidas. E a apimentá-las com o seu muito saber, que Camões também revelou, na sequência do seu muito saber, de Fernão Lopes aos historiadores da sua época, e às suas experiências de vida, e à sua leitura dos clássicos de outras eras.

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Clara Ferreira Alves sabe aplicar com muita arte essas suas experiências também, não se limitando às crónicas a que nos habituou, mas lançando-se na versatilidade do romance, através da sua experiência de repórter de guerra, no palco do oeste asiático, e do seu conhecimento do mundo e da psicologia, com originalidade e sem inibições. Leio o seu “Pai Nosso” com um prazer religioso, mais uma prenda de Natal de que a vida não permite a leitura rápida que o espírito apetece. Há muito já que um livro não me seduzia tanto, de escritores portugueses actuais.

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Lembro um livro de Lídia Jorge que logo pus de parte, tão tenebroso é o desejo dos considerados escritores de criar originalidade através da obscuridade e da sofisticação. Clara Ferreira Alves é clara e rica de saber e arte, ao revisitar os lugares do oriente, que Eça já tinha romanceado com a sua graça e o seu realismo, lugares que o olhar atento de Clara desmonta nas incomodidades e medos da sua guerra, actual e mais antiga, documento original de beleza, psicologia, contraste do saber bíblico caseiro e a realidade do palco desses conflitos desmistificados dos nossos tempos, de terror e incomodidade e maus cheiros e destruição e separação de famílias que não se reconhecem mais, na distância e hábitos de outros espaços e costumes. E da responsabilidade de americanos e outros na sua “ajuda” interesseira, apontada aqui e ali, pela voz submissamente revoltada dos naturais, despojados do seu mundo antigo, e sem mais esperança.

 

Por isso me sinto feliz lendo esses escritores das nossas realidades, como a da Pluma Caprichosa, na sua clareza e riqueza, sem pedantismo ou sofisma, mas com uma constante ironia, em frase breve, de anotação e paradoxo, que se casa com a seriedade que as tragédias reais merecem.

 

Assim também Vasco Pulido Valente, capaz de nos dar da nossa realidade caseira, o retrato cruel e sem ilusões, síntese perfeita de banalidades e misérias, que apetece guardar. Em desesperança sempre.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

 

Posições

Vasco Pulido Valente.png Vasco Pulido Valente

Público, 23/01/2016

 

Durante a campanha eleitoral os comentaristas não pararam de falar da “esquerda”, da “direita” e do “centro” e das combinações que se podiam fazer entre estes “conceitos” sem sentido. O vocabulário disfarça a ignorância, parece rigoroso e facilita a vida a quem escreve. Mas não quer dizer nada. Comecemos pela “direita”. Por causa do exacerbamento ideológico do PREC, ainda hoje ninguém se atreve a reconhecer que é de “direita” (com a excepção de Paulo Portas). Ser de “direita” ainda hoje serve de insulto e convoca o desprezo. Pior do que isso, cobre tendências diferentes de um grande bloco de opinião, que só se define pelo facto de não ser de “esquerda”. Autoritários, democráticos, liberais, dirigistas cabem todos nesse grande cesto de opróbrio.

 

Os políticos portugueses preferem assim proclamar que pertencem ao “centro” ou mesmo ao “centro-direita” e, por cerimónia, os jornalistas aceitam submissamente esta descrição. O ponto fraco desta tese está em que o “centro” não existe, excepto como noção geométrica ou lugar de compromisso; e oscila para um lado ou o outro conforme as circunstâncias do momento. É a razão porque em épocas de tensão e de crise também a “esquerda” gosta de se declarar “centro-esquerda”. Ali naquele lugar vazio fica mais protegida e menos responsável pelo que der e vier. Claro que esta brincadeira com as posições de cada um não tem um fim visível ou lógico. Nada impede uma criatura de se definir como da “extrema-esquerda da direita” ou como a “extrema-direita da esquerda”. A asneira é livre.

 

De resto, nunca houve na verdade uma “esquerda”. Houve desde o princípio facções, com uma caracterização teórica miudinha, separadas por um odium theologicum, difícil de imaginar para quem não leu Marx ou Lenine e o rebanho dos seus seguidores. Quem é capaz de explicar o que separa, por exemplo, o Bloco e o PC? Ninguém; nem sequer, desconfio, os desmiolados que por lá andam. Ou as divisões do PS não directamente relacionadas com a carreira e as promoções da militância mais zelosa do seu próprio interesse? E, no entanto, o sopro romântico da “esquerda” continua eficaz na sociedade romântica em que vivemos. É essa a sua força essencial, que se distribuiu ao acaso pelos “corações sensíveis”. Politicamente quase nunca faz sentido ou é seguramente classificável. Mas persiste na sua barafunda. Ser de “esquerda” não deixou de ser um certificado de virtude.

 

Hélas...

Vasco Pulido Valente

Público, 22/01/2016

 

Depois de meses a ouvir falar as dez criaturas que se resolveram candidatar à Presidência da República continua a não haver uma campanha à Presidência da República, excepto aquela que os jornalistas se esforçaram por inventar. Na televisão dúzias de entrevistadores, comentadores e uns tantos políticos quase anónimos não se calam com a “táctica”, com o “posicionamento” e o “carácter” dos candidatos. Vivemos dois meses numa ilusão ou, se preferem, numa falsificação. E hoje continuamos a não saber nada sobre eles. Para dar uma ajuda ao cidadão perplexo aqui vai uma pequena lista:

 

Henrique Neto – Industrial da Marinha Grande. Escreveu um livro sobre a maneira infalível de salvar a Pátria, que não pára de exibir (fechado) a benefício do cidadão comum.

Sampaio da Nóvoa – É e não é o candidato da esquerda do PS. Repete, sem se rir, os mesmos lugares-comuns desde o princípio da campanha. Dado a voos líricos, lembra um baladeiro sem capa e sem guitarra.

Marisa Matias – Uma senhora excitável que grita, a propósito e a despropósito, contra a injustiça do mundo como se estivesse numa religião evangélica. Jura Pablo Iglésias que ela “avança” para o Céu.

Edgar Silva – Outro padre laico. Este recita com unção o catecismo do PC, com os maneirismos da Santa Madre Igreja.

Jorge Sequeira – Parece um vendedor de automóveis, que se enganou na porta e se recusa a sair.

Vitorino Silva (o Tino de Rans) – É o intermédio cómico; e não percebeu. A seguir ao colega Sequeira, o maior exibicionista do rancho.

Maria de Belém – É e não é a candidata da direita do PS. Obcecada por se fazer valer, chega constantemente ao patético, sem passar pelo grave.

Paulo de Morais – Quer varrer a corrupção da política portuguesa. Vamos conversar sobre isso em 3016.

Cândido Ferreira – Muito conhecido nos cafés de Leiria e da Nazaré, queria uma atenção proporcional à sua importância e dignidade. Como não a teve, amuou.

E falta alguém? Falta o Prof. Marcelo, que Portugal inteiro conhece e não é preciso descrever, hélas.

ÚLTIMO DESABAFO ELEITORAL

 

Onde esteve até agora o respeito pela Constituição?

 

A evolução da dívida pública portuguesa revela ter sido superior a 60% do PIB até cerca de 1930, portanto início do Estado Novo e atingiu o valor mínimo em 1975 de cerca de 14% tendo a partir desta data subido nos dez anos seguintes para 60%.

 

Até 2000 oscilou abaixo dos 60% atingindo então o valor de 50% do PIB, mas daí em diante foi subindo até atingir 90% no ano 2000, e continuou a subir até hoje.

 

No entanto o valor do PIB pouco variou.

 

Duas perguntas surgem de imediato:

 

1ª Para onde foi o dinheiro que entrou no País, não esquecendo que além da dívida publica havia e há dívidas privadas e estatais quase da mesma ordem de grandeza?

 

divida-publica-portuguesa-1850-2010 (O Insurgente)

 (in O Insurgente)

 

2ª Como grande parte das decisões políticas que originaram estas dívidas estavam expressas nos orçamentos do Estado anualmente aprovados na AR e promulgados pelo PR e o aumento excessivo da dívida pública põe sempre em risco a independência financeira do País, era dever constitucional dos Órgãos de Soberania evitar tal risco. Como não foi assim que aconteceu, isso significa que todos esses orçamentos foram inconstitucionais. E no entanto nenhum dos Presidentes durante este período deu qualquer sinal quanto a esta infracção da Constituição. Porquê?

 

As respostas a estas perguntas podem ser várias desde ignorância, distracção, desinteresse, interesses conflituantes, falta de tempo, leitura diferente da Constituição, ou outra qualquer que o leitor consiga descobrir mas em que é interessante meditar em plena campanha eleitoral.

 

Lisboa, 21 de Janeiro de 2016

Eng. J.C. Gonçalves VianaJosé Carlos Gonçalves Viana

TRAGO AQUI UMAS CODINHAS

 

«Seis notas sobre as eleições», as notas que João Miguel Tavares estabeleceu para o nosso “Bailinho” de Portugal inteiro. Notas pessoais de apreço, dum modo geral, finalizando com uma de desprezo relativamente à saliência alcançada por Tino de Rans nessa eleição, desprezo pela “brincadeira” e total ausência de seriedade e civismo que constituiu não só a admissão de um tal candidato, como os votos que mereceu, que o encorajarão sem dúvida a outras proezas futuras de igual calibre. Quando se exigem competências nas diversas profissões e até se submetem os profissionais a exames de aferição, parece pura estultícia e desvergonha tal brincadeira infamante para a pátria, mesmo que o não seja para a nação, que carece de civismo, dada a percentagem de abstenções a um acto eleitoral pelo qual tanto se bradou. É certo que somos um povo com propensão para a anedota, e nos resultados de Tino de Rans eu só posso ver, ou a parlapatice do povo ignorante e amistoso com o seu patrício, ou o desprezo – e esse bem mais desprezível que o primeiro – pela noção de pátria, votando javardamente em Tino.

 

Por isso, às notas do comentário de João Miguel Tavares, eu acrescento, como meio de evasão pela beleza simples e melodia, as do “Bailinho da Madeira”, de Max, que a Internet me deixou escutar nas vozes de Amália, Linda de Susa e outras versões, lembrando quem somos, afáveis e coloridos como as saias das dançarinas do tal Bailinho.

 

Seis notas sobre as eleições

 

João Miguel Tavares.jpgJoão Miguel Tavares

 

24/01/2016

  1. Marcelo Rebelo de Sousa andou a fazer de morto durante meses e conseguiu ser eleito sem nunca dizer uma palavra de direita. Está de parabéns. As sondagens finais ajudaram: com os números em queda e a possibilidade de uma segunda volta no horizonte, os votantes de PSD e CDS lá se deram ao trabalho de sair de casa, temendo que o fígado de Marcelo não aguentasse mais três semanas a frequentar tascas.
  2. Vera Jardim considerou que a candidatura de Maria de Belém foi prejudicada por uma “vaga de populismo demagógico”. Na verdade, foi prejudicada por uma vaga de incompetência antológica, para grande felicidade de António Costa, que se está a especializar em grandes derrotas extremamente saborosas. Maria de Belém vingou-se decidindo dar em directo, e em primeira mão (20h41), a notícia da eleição de Marcelo Rebelo de Sousa.
  3. Sampaio da Nóvoa não chegou lá mas é um dos vencedores da noite. Apresentou a campanha mais profissional, esteve bem nos debates, cortou no açúcar e nas metáforas, e obteve um resultado ao nível de Manuel Alegre em 2006. Tal como Manuel Alegre, não lhe vai servir para nada.
  4. O Bloco de Esquerda descobriu uma Santíssima Trindade Feminina (Catarina, Mariana e Marisa) à qual os portugueses estão a dedicar assinalável devoção. O resultado de Marisa Matias é, de longe, o melhor resultado de sempre do Bloco em presidenciais, vários pontos acima de São Francisco Louçã em 2006.
  5. Edgar Silva está em luta cerrada com Maria de Belém pelo galardão de Maior Derrotado da Noite. Levar uma dobradinha de Bloco de Esquerda e acabar a competir taco a taco com Tino de Rans é uma humilhação que não será facilmente esquecida na Soeiro Pereira Gomes.
  6. Tino de Rans venceu o campeonato dos pequeninos. O problema é que não era só o campeonato dos pequeninos – era o campeonato da sociedade civil e dos candidatos sem suporte dos partidos. Quando a grande figura a emergir da sociedade civil é Tino de Rans, percebemos porque é que os partidos portugueses podem continuar a dormir em paz.

 

Carnaval Funchal.jpg

 

O bailinho da Madeira

 

Eu venho de lá tão longe

Eu venho de lá tão longe

Venho sempre à beira mar

Venho sempre à beira mar

Trago aqui estas codinhas

Trago aqui estas codinhas

Pr'á manhã o seu jantar

Pr'á manhã o seu jantar

Deixem passar esta linda brincadeira

Qu'a gente vamos bailar

Pr'á gentinha da Madeira

Deixem passar esta linda brincadeira

Qu'a gente vamos bailar

Pr'á gentinha da Madeira

A Madeira é um jardim

A Madeira é um jardim

No mundo não há igual

No mundo não há igual

Seu encanto não tem fim

Seu encanto não tem fim

É filha de Portugal

É filha de Portugal

Deixem passar esta nossa brincadeira

Qu'a gente vamos bailar

Pr'á gentinha da Madeira

Deixem passar esta linda brincadeira

Qu'a gente vamos bailar

O bailinho da Madeira.

 

E continuemos, deste modo, com os nossos jantares de codinhas…

 

Berta Brás.jpg

 

 

 

 

 

 

 Berta Brás

O GOVERNO DA TURQUIA “NÃO OFERECE CONFIANÇA”

 

Erdogan.jpg

 

Ancara faz chantagem instrumentalizando o fluxo dos refugiados para a Europa

 

A Turquia, como se vê no ataque terrorista em Istambul a turistas e na guerrilha curda está a colher os frutos de uma política de confrontação e oportunismo que tem seguido especialmente desde que o partido de Erdogan orienta os destinos do país. A Turquia causou, em parte, o afluxo incontrolado de refugiados, tornando a Europa vulnerável e sujeita a chantagem. Também por isso conseguiu receber 3 mil milhões de euros da UE para ter mão nos refugiados.

 

O especialista alemão em Médio Oriente e em terrorismo, Doutor Guido Steinberg, afirma em entrevista ao HNA 14.01.2016: “O afluxo de refugiados, do ano passado (2015), devemo-lo, pelo menos em parte, a uma decisão consciente do governo turco, de abrir as fronteiras para a Grécia para criar problemas aos europeus”

 

A Turquia tolera o ISIS prestando-lhe “apoio passivo” desde 2013 permitindo que use o seu território como região de retiro: "não só todos os combatentes estrangeiros do mundo árabe, mas também os da Europa e do resto do Ocidente, usaram a Turquia como área de preparação... A Turquia não é de confiança, como mostra o seu comportamento em relação ao ISIS e a outros jiahdistas… A Frente Nusra e Ahrar al-Scham (uma espécie de Talibans) recebem apoio da Turquia”, afirma o especialista. Além disso os seus ataques às zonas curdas da Síria e do Iraque, sob o subterfúgio de atacar o ISIS, são situações que apontam para o uso impróprio dos bombardeamentos.

 

Deste modo a Turquia age contra os interesses da NATO, de que é membro e mina também os interesses da UE. Naturalmente, o quase milhão e meio de refugiados que entraram na Alemanha em 2015 provocam tantos problemas à Alemanha que esta terá de implementar estratégias efectivas, a nível internacional, que fomentem a riqueza nos países produtores de emigração e não se reduza à acumulação de problemas, estabelecendo quotas de refugiados para os diferentes países da UE.

 

A UE precisa da Turquia devido à sua posição geográfico-estratégica, à quantidade de turcos na Alemanha, e também para o combate ao terrorismo e para a regulação do fluxo de refugiados. A Turquia tem um grande potencial de chantagem em relação à Europa (sua presença migratória e refugiados) e à NATO (instrumentalizando-a indirecta e militarmente também contra os Curdos). Também é facto que os Curdos refugiados especialmente na Alemanha, França e Holanda apoiam economicamente os seus irmãos de luta na defesa da liberdade e da independência. Enquanto não for organizado um Estado curdo resultante dos curdos a viver nas regiões fronteiriças de alguns países, não haverá paz na região. As potências têm sacrificado o povo curdo a interesses nacionais e estratégicos.

 

Agora com o atentado de Istambul, por razões económicas, o governo turco ver-se-á obrigado a agir mais decisivamente contra o ISIS: o turismo turco recebe da Alemanha dez milhões de turistas por ano.

 

O presidente Recep Erdogan tem feito tudo pela islamização da Turquia (continuando também a discriminar os cristãos) e contra o projecto de secularização do Estado iniciado por Atatürk fundador do Estado turco. Erdogan tirou o poder aos militares, impediu o movimento democrático no país, rescindiu o contrato de tréguas com os curdos, fomentando assim a guerra civil e prosseguindo uma política externa pró-árabe e anti-israelita.

 

A Turquia quer fazer história com o “Estado Islâmico” (ISIS)!

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António da Cunha Duarte Justo

 

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