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A bem da Nação

AINDA A SEXALESCÊNCIA

 

Adenauer

 Konrad Adenauer entrou na alta política aos 70 anos

 

Meu Caro HENRIQUE,

 

Belo texto, este, SEXALESCENTES. E, como sempre, BELÍSSIMA Ilustração. E como faço já parte desta TRIBO, socorro-me de outra para a reforçar. A tribo dos MASAI ou MASSAI. Dizem eles: "Os Jovens são mais Velozes, mas os Velhos já conhecem a Estrada". Sempre e sempre a minha paixão por ÁFRICA.

 

E, é claro, os e as "sexalescentes" conhecem bem a estrada, os e as "juvelescentes" ainda têm muito que aprender.

 

Mas, a seguir ao texto, vem uma frase tua: "Sim, tenho mais que fazer do que carpir". Aqui, Caro Henrique, permite-me que lhe ponha a carga que, com certeza, não lhe querias dar, mas que eu dou. É carga POLÍTICA pura e dura. E gosto da carga que lhe dou, sem pedir a tua autorização. Porque saturado de choradinhos. E ver onde se errou. Ou seja, em vez de nos limparmos ao lenço, vamos é fazer uma fábrica dos ditos, para outros, na devida altura.

 

E já agora permite-me citar PAUL AUSTER (Escritor) quando fez 65 anos. Aí vai: "Mas agora sou um homem mais velho, os meus dias estão contados, e não sei quantos é que me restam. Certamente menos do que aqueles que já vivi. Estou literalmente no inverno da minha vida. Se dividirmos a vida em quatro estações, eu cheguei à quarta estação. A porta da juventude fechou-se e abriu-se a porta da terceira idade. Talvez seja o período mais interessante de todos, quem sabe? Ainda não estive lá, apenas dei alguns passos. Fisicamente não vai ter graça nenhuma, mas mentalmente pode vir a ser uma grande aventura. Estou cheio de ideias, não quero parar, quero continuar até ser física e mentalmente capaz de o fazer. Até lá, continuarei a caminhar".

 

E, é aqui, que penso que a nossa TRIBO deve estar. E sempre, mas sempre, bem acompanhado por uma belíssima "sexalescente". Para o que me havia de dar. E deste texto, faz o que entenderes.

 

Forte Abraço. E sempre atento ao A BEM DA NAÇÃO.

 

José Augusto FonsecaJosé Augusto Fonseca

 

HÁ AINDA O «AVANTE»

 

Vasco Pulido Valente, sabedor que é de história universal e outras, explica-nos que o PCP há muito que perdeu relevância, surgida com ênfase na época do nacional-socialismo alemão, com as suas maldades e orientação capitalista e depuradora de raças pelo extermínio, além de ocupadora danosa de nações submetidas, que foi um autêntico regabofe para a raça eleita. E isso fez que as gentes da cultura enfileirassem em doutrinas que pareciam mais humanitárias, as tais do marxismo que atribuía igualdades e os mesmos direitos a toda a gente, sem distinções, e até recordo uma peça do Sartre – “La P. respectueuse” – sobre uma mulher da vida, mulher generosa que escondeu um preto perseguido pela polícia – aliás inutilmente, pois o cinismo dos poderosos prevaleceu, o que me impressionou muito, na altura. A aura marxista era, pois, valiosa no tempo da guerra, em oposição ao fascismo, e também nós tivemos o nosso Álvaro Cunhal que partiu para a Rússia, ido de Peniche, que é o sítio dos bons camaradas segundo o nosso aforisma. Na Rússia ele aprendeu melhor como era o humanitarismo comunista, embora houvesse sempre uma grande má vontade contra os russos, do lado de cá, e sobretudo contra Estaline, e a mim, que realmente os não amava, em obediência às normas do respeito pelos ditames que seguíamos (e que mantenho, velha anquilosada que me sinto), até me perguntaram, já depois do 25 de Abril se eu também era das que acreditava que os comunistas comiam meninos ao pequeno-almoço e eu confirmei. Mas foi porque estava danada com aquela movimentação tosca das nossas tropas de cravos nos canos que deitaram o governo e o país às urtigas, o que muito feriu o meu conceito de amor pátrio, embora agora já não saiba muito bem o que isso significa, depois de ter ouvido na Quadratura do Círculo desta semana José Magalhães e Pacheco Pereira apelidarem de ausência de patriotismo a satisfação dos ganha-perde eleitorais por o OE de A. Costa ter sido sujeito a questionário de explicitação por parte de Bruxelas.

 

Mas é bonita a valer essa defesa constante do PC e também do Bloco de Esquerda - que o exigem igualmente do PS - dos direitos dos trabalhadores com reposição de tudo o que lhes foi tirado e até me sinto aliviada agora, pensando que vou ter direito novamente ao meu vencimento antigo, embora já tenha ouvido que só será reposto um euro, não sei se é ironia, pois gostamos sempre das boas anedotas, valha-nos isso.

 

O certo é que Vasco Pulido Valente afirma que o PC perdeu dimensão e agora percebo porque é que o fosso – “décalage” é mais sofisticado, mas sou modesta no escrever - entre os ricos e os pobres, os com todos os direitos e os sem nenhuns, vai alargando mais e mais, que não há meio de chegarmos a um consenso de equilíbrio.

 

Não sei se isso acontece –“e isso acontece a tanta gente que não vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece”, diria Álvaro de Campos mas por diferentes ambições de prestígio, não sei, pois, se isso do fosso entre pobres e ricos acontece pela diminuição do prestígio do PC que refere Pulido Valente. O certo é que não penso isso, dada a influência inquisitorial com que os três partidos à esquerda do PS manietam António Costa no Parlamento, não só exigindo que ele cumpra o que lhes prometeu de reposição de fundos e normas antigas ao Zé Povo, que é hábil a mandar manguitos, como – e esta é da verde Heloísa Apolónia – exigindo que ele não seja subserviente para com a UE, como foi Passos Coelho, ou seja, que não tenha pressa de pagar a dívida que o Estado Português contraiu com Bruxelas, coisa pouca.

 

Contrariamente, pois, ao que Vasco Pulido Valente define como perda de relevo do PC, eu diria que cada vez este tem mais, pelo menos cá no país, sobretudo se se tiver em conta a tripla aliança Verdes, PC e BE, juntamente com os sindicatos das reivindicações, por via da governabilidade do PS.

 

Eu até dou uma forcinha, extraindo da Internet o Hino do PC que estive a escutar, não para libertar os antigos heróis das masmorras, mas para erradicar a fome do mundo. Ou pelo menos do nosso país. Que as promessas são para se cumprir. E a um euro – valemos pouco - Bruxelas não vai negar o Orçamento, ora essa!.

 

As desgraças do PCP

Vasco Pulido Valente.pngVasco Pulido Valente

Público, 29/01/2016

 

 

O prestígio do Partido Comunista Português começou a diminuir depois da guerra, com as purgas de Estaline aos judeus da Rússia e aos “desviacionistas” da Hungria a da Checoslováquia. Sem a ameaça de Hitler, as barbaridades do Generalíssimo já não eram engolidas com a mesma credulidade. O PCP não percebeu isto e nem sequer seriamente notou como estava a ser tratado pelos seus próprios “simpatizantes”, que desprezavam a orientação dos funcionários e lhes chamavam batatulinas*. Claro que o “Partido” (só havia aquele) ainda exercia uma considerável influência sobre a vida cultural do país (pelo que ela valia) e pouco a pouco ia infiltrando e dominando o movimento estudantil. Mas já Cunhal tinha de protestar contra os movimentos “pequeno-burgueses” de “fachada socialista”, que apareciam na Universidade e um pouco fora dela.

 

O “25 de Abril” permitiu que o PC se apoderasse de umas dúzias de oficiais, que ele catequizara a tempo na clandestinidade ou que genuinamente se julgavam “revolucionários”. Isto que naquele tempo serviu para envolver o país numa aventura sem sentido, no fim não chegou para mais do que para legar à democracia uma constituição programática e absurda. De 1975 em diante o PC arrastou uma existência mesquinha e acabou reduzido a umas Câmaras no Alentejo, com uma população envelhecida e sem qualquer importância estratégica e a uma dúzia de sindicatos do funcionalismo público e de companhias do Estado. A sua morte natural parecia próxima.

 

Só que o PCP é uma máquina financeiramente pesada e, para se sustentar, precisou de uma aliança tácita com o PS. Suponho que entre os velhos militantes ninguém desculpará a Jerónimo de Sousa essa cedência ao inimigo histórico do Partido e que a gente mais nova deixou de ter qualquer razão ideológica ou sentimental para morrer agarrada a um cadáver. Chamar, como Jerónimo, uma “rapariga engraçadinha” a uma adulta de 40 anos mostra que ele passou para lá da mais modesta compreensão do mundo real. Se o PC se vai esfumar sossegadinho no seu canto ou se vai arrastar o PS na sua queda (como os “duros” querem) é o que resta apurar. Seja como for, a agonia do comunismo irá com certeza produzir uma guerra na esquerda, que pode levar o regime à ruína.

 

* Infelizmente, não sei a origem desta palavra, mas sei que significava “fanático burro”.

 

Festa com Avante

 

PCP-AVANTE.png

 

https://www.youtube.com/watch?v=90TJ6geLBlY

 

Refrão:
Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz!
Avante, camarada, avante, camarada
E o sol brilhará para todos nós!

 

Ergue da noite, clandestino,
À luz do dia a felicidade,
Que o novo sol vai nascendo
Em nossas vozes vai crescendo
Um novo hino à liberdade
Que o novo sol vai nascendo
Em nossas vozes vai crescendo
Um novo hino à liberdade

 

Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz!
Avante, camarada, avante, camarada
E o sol brilhará para todos nós!

 

Cerrem os punhos, companheiros,
Já vai tombando a muralha.
Libertemos sem demora
Os companheiros da masmorra
Heróis supremos da batalha
Libertemos sem demora
Os companheiros da masmorra
Heróis supremos da batalha

 

Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz!
Avante, camarada, avante, camarada
E o sol brilhará para todos nós!

 

Para um novo alvorecer
Junta-te a nós, companheira,
Que comigo vais levar
A cada canto, a cada lar
A nossa rubra bandeira
Que comigo vais levar
A cada canto, a cada lar
A nossa rubra bandeira

 

Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz!
Avante, camarada, avante, camarada
E o sol brilhará para todos nós!

 

A propósito de tão vasta dimensão do PC português e satélites, extraio a seguinte notícia da Internet:

 

A Festa do Avante! é uma festa cultural e musical com a duração de 3 dias, realizada pelo Partido Comunista Português. É o maior evento político-cultural realizado em Portugal. Wikipédia

Datas: 4 de Set. – 6 de Set. de 2015

Local: Quinta da Atalaia

 

Devemos sentir orgulho patriótico, por muito que outros só encontrem gorgulho no evento cultural de três dias. Faz-me cá uma raiva! - expressão de Solnado, que também era a favor.

 

 

Berta Brás.jpg

Berta Brás

O VALE DO SILÍCIO E A ESCOLA DE SAGRES

Silicon Valley.jpg

 

MITOS DA SUSTENTABILIDADE!

 

 

A nova economia da rede digital e o correspondente pensar comercial

 

 

Cada civilização e cada época precisam dos seus mitos que lhe possibilitam a sustentabilidade de futuro. Em Torno do infante D. Henrique congregaram-se os mestres das artes e das ciências ligadas à navegação; a concentração dos sábios da época num determinado lugar possibilitou o mito de Sagres que se tornou na expressão motivadora do começo de uma nova era mundial.

 

 

Também agora, no seguimento dos líderes da Universidade de Stanford ligados ao Venture Capital (1), se acentua o mito do Vale do Silício (Silicon Valley Califórnia) que parece inaugurar, como Sagres, uma nova era. Vale do Silício é a capital do mundo da indústria de TI (tecnologia da informação) e da alta tecnologia. Aí se juntam ideias arriscadas com o capital de risco (2).

 

 

O génio ocidental sempre soube juntar o saber (a verdade) à dúvida que se revela como a incrementadora de desenvolvimento e futuro (a característica da civilização ocidental). Esta mensagem original encontra-se já na alegoria bíblica de “Adão e Eva” onde se junta o saber divino à dúvida humana na pessoa de Eva que inicia assim o desenvolvimento humano e a cultura civilizacional.

 

 

Numa dinâmica de tentativa e erro o ser humano tem encontrado maneira de dar forma ao seu desenvolvimento. Neste sentido tal como na relação do dia-noite se expressam, tal como na Bíblia, duas dinâmicas de pensamento complementares: o pensar optimista e o pensar pessimista.

 

 

Em relação ao novo mito da economia virtual, o publicista alemão Christoph Keese, que creio nas pegadas do Adão e Eva dos nossos dias, faz uma análise do Silicon Valley no sentido de se fazer uma ideia do que se pode esperar do vale mais poderoso do mundo. Keese, no seu livro “Silicon Valley”, movimenta-se entre medo e admiração na análise que faz da Economia de Rede Digital cada vez mais orientada para o mercado e cada vez mais fomentadora de uma nova maneira de pensar: o pensar comercial (3).

 

 

 

A Ideologia eclética do Risco

 

 

O empreendimento digital possibilita novas conquistas da realidade e do globo, transformando a práxis das antigas empresas em movimentos empresariais. Der Spiegel n°10,2015, refere que a capitalização bolsista das 30 empresas mais valiosas do mercado Silicon-Valley já é mais do dobro da capitalização das 30 empresas de Dax. Grande parte das empresas mundiais actuais nasceu no Vale do Silício (4). Por aqui se nota que o futuro irá, em parte ou em grande parte, no sentido da filosofia das empresas “Vale do Silício” que têm como credo a inovação cientes de que “quem não arrisca não petisca”.

 

 

A mesma revista faz referência aos quatro líderes do pensamento da elite tecnológica Vale do Silício: Ray Kurzweil chefe de Google, intitulado de “o profeta”, prevê que os computadores em 2029 conseguirão fazer tudo o que o Homem faz hoje mas ainda melhor.

 

 

Para Sebastian Thurn, o “engenheiro alemão”, o optimista é quem muda o mundo, não o pessimista. De facto o optimismo baseia-se na esperança e na realização de um mundo melhor. O optimismo assemelha-se à água que não destrói mas apenas se desvia deixando com o tempo as marcas da sua presença. Trata-se de um optimismo humilde por não ter a certeza de saber para onde vai nem saber onde termina a viagem.

 

 

 

Joe Gebbia (o conquistador), criador de Airbnb, pensou revolucionar o turismo e fazer concorrência a actores financeiros internacionais que manobram a indústria hoteleira. Gebbia possibilita, como monopolista, uma certa democratização da economia. Estão presentes em 190 países ou seja em 34.000 cidades. Por um lado os novos monopolistas cibernéticos fomentam mais transparência concorrendo com os chefes locais a nível de economia e de política, por outro lado despersonalizam o indivíduo tornando-o objecto transparente.

 

 

Peter Thiel, “o ideólogo”, defende o princípio liberalista: Prosperidade e felicidade querem-se para todos através de tanta autonomia quanta possível e de tão pouco estado quanto necessário. Para o alemão, Peter Thiel, o mundo dos Bits conquistou o mundo por ser isento de regras retardantes, ao contrário do mundo dos átomos, como medicina e transportes, que devido à regulamentação estatal não se desenvolve tanto. Thiel defende os monopólios e quer a construção de cidades navegantes em águas internacionais (Já serão de prever as contendas que surgirão na luta pela ocupação das águas marítimas internacionais, isto certamente na lógica da Conferência de Berlim de 1815!). Thiel justifica os monopólios: “Monopólios criativos possibilitam novos produtos, dos quais todos têm proveito”.

 

 

Para os cientistas do Google a política, com as suas regulamentações, desacelera o progresso porque “tudo acontece globalmente mas as leis são locais. Isto já não se enquadra no nosso tempo”.

 

 

O novo tipo de empresas tenta reunir em si a economia, o pensar esotérico, o socialismo cultural e o capitalismo liberal. Os impérios digitais parecem interessados apenas na prosperidade e na satisfação individual; a manutenção da multiplicidade dos biótopos culturais não lhes interessa. Um dos preços a pagar começa pela perda da esfera privada e pela renúncia à protecção de dados, como todos já sentimos no Google, Facebook, Yahoo, etc. O preço da própria satisfação é desnudarmo-nos.

 

 

Da Era dos Coches e dos Cavalos para a Era dos Automóveis e da Internet

 

 

O movimento de autonomia individual vê, na Elite tecnológica, a possibilidade da sua maior extensão; por outro lado o movimento tecnológico globalista e a economia virtual em via esvaziam as autonomias regionais, porque tentam ordenar a sociedade numa perspectiva de cima para baixo ao contrário de uma natureza que se desenvolvia de baixo para cima. A realidade global determina contínuos desafios. A política e a pastoral dos temos da era da velocidade do coche puxado a cavalo terão de ser aferidas à era dos aviões e dos computadores. Num mundo da eficiência para quem quer ser eficiente, a estratégia de Gebbia é “pensar como a pessoa que vai utilizar a tua ideia”.

 

 

A “ideologia califórnica” pretende a felicidade e a autodeterminação do indivíduo. Vale do Silício prossegue essa ideologia no sentido de “tornar o mundo um melhor lugar”.

 

 

As boas intenções do Vale do Silício esbarram com a dúvida, ao serem confrontadas com a verdade dos Goldman Sachs, Stanley, Lehman, etc, instituições sem alma, onde o proveito e a ganância são lei.

 

 

Para se não ser prisioneiro do tempo é preciso compreender o tempo. De facto, o que provocou os Descobrimentos foi a dedicação ao saber científico e tecnológico da altura, o saber e a vontade concentrados em Sagres e tudo iluminado pela fé numa missão ambiciosa; esta fé tinha porém uma componente religiosa de humanismo global bem determinado e arreigado no coração de um povo inteiro que afirmava ao mesmo tempo o valor da pessoa e o valor da comunidade.

 

 

No tempo dos coches, quando apareceu o automóvel, os pessimistas condenavam os carros por assustarem os cavalos, hoje condenam a internet por prender as pessoas. Não há que parar o tempo nem o desenvolvimento; a função do Homem será acompanhá-los e dar-lhes sentido a função do Homem será acompanhá-los e dar-lhes sentido à imagem do que aconteceu em torno de Sagres.

 

 

Se observamos o desenvolvimento da sociedade e da História verificamos uma constante mudança a nível exterior; uma mudança que vem servindo um satus quo sustentável pela ilusão da mudança que, de facto, não muda a essência das relações sociais e humanas porque a mudança adquirida é provocada pelos detentores do poder e seus herdeiros que reduzem a mudança à mera adaptação às circunstâncias e às necessidades do tempo. A política fracassada afirma-se no mesmo erro aceite que lhe dá continuidade. O Homem muda para não se mudar.

 

A reflexão continua no próximo artigo sob o título: “OS RISCOS DO CRENTE AD HOC COM UMA IDENTIDADE INTERNET”

 

ACDJ-Prof. Justo-2.jpg

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e pedagogo

 

 

  1. Venture Capital = capital de risco; em 2014, os investidores aplicaram no Vale do Silício, em cerca de 1.700 negócios, um total de 26 bilhões de dólares, o que corresponde a 30% do capital de risco mundial, http://blog.wiwo.de/look-at-it/2015/01/14/venture-capital-2014-silicon-valley-26-milliarden-dollar-deutschland-3-milliarden-dollar/

  2. No “Silicon Valley” trabalham as pessoas mais qualificadas do mundo, entre elas 20.000 alemães (cf. http://www.capital.de/dasmagazin/silicon-valley-nicht-nur-was-fuer-milliardaere-4457.html).

  3. Com o tempo nas escolas as aulas de programação farão parte da aprendizagem regular tal como ler, escrever e fazer contas.

  4. No Vale do Silicon nasceram, entre outras, as empresas mundiais: Apple Inc., Altera, Google, Facebook, NVIDIA Corporation, Electronic Arts, Symantec, Advanced Micro Devices (AMD), eBay, Maxtor, Yahoo!, Hewlett-Packard (HP), Intel, Foursys, Microsoft etc.

 

 

TURISMO DE SAÚDE, ECONOMIA E SABER

 

Hotel Forte Aguada.png

 

Há abordagens inteligentes que mostram o profundo entendimento das realidades humanas. A Gilead Sciences Inc descobriu um remédio eficaz e curativo em 90% dos casos da hepatite C. O seu custo para um tratamento completo de 12 semanas à razão de um comprimido diário ronda os 94 500 dólares.

 

Cerca de 54% dos que têm este tipo de hepatite vivem nos países pobres com um rendimento per capita de 1900 dólares. Só na Índia, cerca de 4,5 milhões estão infectados com a hepatite C, genotipo 1, para o qual aquele remédio é indicado.

 

Laboratórios indianos recorrem às cláusulas da OMC (Organização Mundial do Comércio) para terem autorização de fabricar produtos genéricos com os mesmos princípios activos a um custo muito baixo, acessível aos utilizadores locais. Antes da adesão à OMC, a cópia só se podia fazer ao expirar a patente. Antes disso, parte dos doentes pobres estaria condenada sem esperança de cura a não ser que algum laboratório não respeitasse a patente por respeito aos doentes.

 

Em 2001 Yussuf Hamied presidente da CIPLA, laboratório indiano de grande prestígio, convocou uma conferência de imprensa em Londres para anunciar que o seu laboratório iria vender o genérico para o HIV por 350 dólares a dose para o ano

Inteiro. Só ouviu protestos dos laboratórios ocidentais que tinham descoberto o remédio pois eles vendiam-no por 10 000 dólares a dose para um ano. Hamied foi para a frente com a sua pois eram muitos os doentes dos países pobres que poderiam sucumbir a breve trecho sem o remédio.

 

A decisão da Gilead foi de dar licença de fabricação não exclusiva a mais de dez laboratórios indianos pagando estes um royalty de 7% das vendas podendo distribui-lo na Índia e em mais 91 países pobres especificados.

 

É uma decisão muito esclarecida e felicito o seu presidente. Não cria atritos nem uma detestação por parte dos pobres e ao mesmo tempo revela um grande sentido de justiça.

 

Não vai agradar o que digo mas pense-se quais são os países pobres. São quase toda a Ásia espoliada pelos colonizadores ingleses, franceses e holandeses, a África despedaçada pela colonização europeia e a América Latina e do Sul, colónias sempre pobres. Daí que os países ricos, em geral colonizadores com meios para investigar, devam no mínimo ter em conta o passado para actuarem como o fez agora a Gilead. Esta abriu um novo caminho cooperante e de compreensão que espero venha a ter seguidores. Merecerá o reconhecimento de todos os pobres e pode ser que a desconfiança gananciosa dos laboratórios ocidentais face aos indianos venha a esbater-se, confrontados com a generosidade da Gilead.

 

O preço de venda do genérico desse produto na Índia é de 1000 dólares. É muito tentador mesmo nos países com um Sistema Nacional de Saúde que paga parte dos custos mas não tudo ou nos países ricos onde há uma faixa de pessoas sem cobertura dos custos de saúde nem seguros à altura e mesmo havendo se eles têm um tecto muito baixo para ir à Índia comprar ou tratar-se localmente.

 

Na pior hipótese de ter de passar as 12 semanas na Índia confirmado que os genéricos são de alta qualidade e eficácia, as pessoas de reduzidos rendimentos dos países ricos poderão ter os custos totais abaixo de 12 000 dólares incluindo viagens para o próprio doente e cônjuge, estadia e alimentação num bom hotel de três ou quatro estrelas e o custo dos remédios.

 

Se a escolha for Goa, terá ainda vantagens adicionais de estar num local paradisíaco onde cada recanto recorda factos históricos, um destino privilegiado de turistas indianos e ocidentais, de ocupar o tempo em algo interessante como aperfeiçoar o inglês, recordar a história de Goa e em especial aprender o manejo de computadores e da Internet. Tudo isso com lições particulares a bons preços.

 

Um complemento à estadia pode ser um check up completo nos modernos hospitais de Goa e eventualmente adquirir óculos novos com lentes das melhores marcas e tratar dos dentes ou pôr implantes, tudo a preços muito bons - menos de 50% dos

Europeus.

 

27JAN16

Eugénio Viassa Monteiro

Eugénio Viassa Monteiro

Professor da AESE – Business School

Dirigente da AAPI-Associação de Amizade Portugal-Índia

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