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A bem da Nação

PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO

  

Comentário do Professor Miguel Mota ao texto

“Há quase 70 anos”

de Francisco Gomes de Amorim

 

Eng. Sardinha de Oliveira.png 

Nós tínhamos um professor extraordinário

 

Esta frase é perfeita para definir a pessoa do meu saudoso colega e grande amigo António José Sardinha de Oliveira. Foi um prazer ler esta prosa e recordar pessoas, locais e episódios que me foram familiares, em duas épocas diferentes. Primeiro, com o Sardinha de Oliveira; mais tarde com os locais que tinham sido a Escola de Regentes Agrícolas de Évora, depois entregues à Universidade de Évora. Quando, na década de 1950, trabalhei em Elvas, como Chefe do Laboratório de Citogenética da Estação de Melhoramento de Plantas, muitas vezes fui a Monforte visitar esse colega. Depois do jantar a conversa, sempre interessantíssima, prologava-se até à meia-noite ou uma hora. Numa dessas vezes, em que não estava a mulher do Sardinha e eu dormi lá, a conversa foi, sem darmos por isso, até às cinco da manhã. Técnico de muito elevada craveira e um apaixonado pelas máquinas agrícolas, inventou uma, que patenteou e construía, que substituía, com grande vantagem, o charrueco americano, então muito usado no Alentejo, para a armação do solo em espigoado . Quando deixou de se usar a tracção por muares e vieram os tractores, a máquina deixou de ter interesse. Um outro assunto a que dedicou excelente trabalho foi relacionar a meteorologia com a produção de trigo no Alentejo, que lhe permitia fazer, em Fevereiro, uma estimativa de como seria a produção de trigo, no Alentejo, nesse ano. Já depois da sua morte, várias vezes usei esses dados, em artigos para a agricultura, sobre a produção de trigo no Alentejo. E deram sempre certo. No “A bem da Nação” de Dezembro de 2013 relatei vários casos da acção do Eng.º Sardinha de Oliveira.  

 

Passemos para um período mais recente. As instalações da extinta Escola de Regentes Agrícolas, em Valverde, foram entregues à Universidade de Évora, para os seus cursos de Engenharia Agronómica. O edifício que se mostra na figura, antiga residência do bispo, que estava em mau estado, foi recuperado e transformado em residência, muito usado no período, em que a universidade tinha vários professores que vinham de fora, como foi o meu caso. É nas instalações da antiga Escola de Regentes Agrícolas que meu filho, também Professor, tem o seu laboratório de Nematologia. Recentemente, a Casa Sardinha de Oliveira, onde ele ficava durante os dias da semana, foi completamente remodelada, para melhoria dos serviços ali instalados.

 

Prof. Miguel Mota 

Miguel Mota

O NOSSO PÉ FROUXO

 

Hoje o Jorge Coelho não apareceu na Quadratura do Círculo, substituído por José Magalhães, lá terá os seus afazeres, não com certeza como o pobre do Onzeneiro vicentino a quem Saturno deu quebranto na safra do apanhar, pois nestes tempos irrequietos esses papéis de absorção pecuniária vão sendo encaminhados para as Bancas, de colheita desumanizada, embora muitos rostos depois saltem à vista, ainda sem barqueiros a conduzi-los ao porto de abrigo final, lá nos fundos, inferno se chama, em derivação substantiva imprópria, sendo ele o superlativo absoluto sintético do adjectivo “baixo”, juntamente com o seu parceiro “ínfimo”, coisas do arco da velha de somenos importância, é certo, como tudo o resto, de resto. Estava lá José Magalhães, esplêndido de loquacidade brilhante, a fazer pendant com Pacheco Pereira, qual deles o mais sabedor. E indignado, também. Porque, mais cedo do que julgavam, aquela aliança de esquerdas, usurpadora da governação, parece insegura, caso o Orçamento do Estado, que favorece a nossa auto-estima e a nossa sobrevivência, seja mesmo chumbado em Bruxelas, o que para todos os efeitos porá de rastos a muitos de nós, que vivemos do empréstimo e morremos do imposto, como sempre se fez para nos modernizarmos e não só. Que também gostamos de nos divertir, o que é natural, tanto tempo na penúria!

 

Eu repito o que mais ou menos se passou com o governo anterior, que se comprometeu a pagar um empréstimo necessário para a nossa auto-estima e foi assim equilibrando a orçamento, que bem sentimos na pele, mas que nos deu a satisfação do dever cumprido. Lobo Xavier, equilibrado que é, sempre defendeu esse governo da austeridade, mas os outros não, espumando condenações, achando, certamente, que o dinheiro dos outros não precisava de regressar à origem, os verdadeiros princípios democráticos da União Europeia deviam estender-se esmolermente sobre os países em risco, como crianças em risco, e ajudá-los a voar, ou sequer a esvoaçar, usufruindo livremente dos bens materiais, como tantos de nós, afinal, fizemos. Assim o entendeu também a tal esquerda usurpadora da governança da nação, e a Troika voltou a penetrar no nosso espaço rectangular, e Bruxelas a pedir explicações sobre a nossa proposta de Orçamento, parece que pouco explícita e com mazelas.

 

Foi a desordem. Mesas redondas se formaram na TV, o PS indignado, os outros questionando, no fundo todos muito preocupados.

 

E José Magalhães a falar de patriotismo, e Pacheco Pereira a secundá-lo, achando que PSD e CDS se rebolam de gozo, porque previram o desastre e foram troçados, sempre atacados nas medidas de empobrecimento tomadas então, prevendo que esse empobrecimento terá que continuar, mau grado as medidas que o novo governo está a tomar, para comprazimento da aliança, despreocupada em pagar, caras bonitas e donairosas do atrevimento ignaro e iterativo, ou velhas e rancorosas do discurso demagógico obsoleto.

 

Um espectáculo verdadeiramente chocante, dois homens espumando as barbaridades da humilhação, falando das nações que bateram o pé ao FMI (que Lobo Xavier justificou pelo poder económico, contrário à nossa fragilidade) e falseando os seus argumentos, não só condenando o espírito não democrático de Bruxelas, (que Lobo Xavier mostrou cordatamente não se tratar de um problema de usurpação de soberania a imposição do Tratado, mas de “regras desde sempre plasmadas na lei”), mas também em fúria contra a “alegria” dos actuais opositores, pela desgraça que nos vai cair em cima, como o céu sobre Abrabacourcix e a sua aldeia gaulesa. Mas este nunca chegou mesmo a cair.

 

BB-Abraracourcix.png

 

Como se não estivéssemos todos ansiosos por que António Costa consiga realizar o milagre que prometeu de reposição em fartura do que nos foi tirado! É preciso ser-se mauzinho! Ou então sentir-se mesmo humilhado, para assim apedrejar!

 

Mas então não foi Passos Coelho e o seu grupo que viabilizaram o Orçamento de Estado de António Costa?

 

Berta Brás.jpgBerta Brás

MAIS UM CASO DE UTILIZAÇÃO DO BIOGÁS

 

 

Ao longo de algumas décadas, tenho tentado chamar a atenção para o biogás, uma forma de energia renovável que Portugal tem negligenciado. Não sou especialista da matéria mas, alguns casos de que tenho notícia levam-me a pensar que poderia ser extensivamente usado em Portugal, no aproveitamento de estrume, lixos e esgotos.

 

Lixos e esgotos custam a Portugal muitos milhões de euros, para os armazenar em aterros ou lançar para o mar, depois de passarem por uma ETAR que não é barata. Através da decomposição anaeróbica (na ausência de ar) destes detritos, resulta um gás, metano, composto por um átomo de carbono e quatro de hidrogénio, que pode ser usado para produzir calor, ou em geradores de electricidade ou em motores de explosão usados em veículos. O que temos é muito pouco. Além dos estrumes e dos lixos urbanos, o problema da poluição nas zonas de criação de porcos talvez encontre no biogás uma boa solução.

 

Lixo transformado em energia_Esquema.gif

 

Nos cálculos do custo da produção do biogás, haverá que se contar sempre com o que se poupa nos custos de eliminar essa “poluição”.

 

No artigo “Energias renováveis negligenciadas”, no Linhas de Elvas de 8-4-2010, referi que os autocarros de transporte público, na cidade sueca de Helsinborg, utilizavam o biogás “produzido numa grande unidade. O líquido sobrante é levado para os campos por pipeline e utilizado pela agricultura, como um óptimo fertilizante.”

 

Recebo agora a notícia de os esgotos da cidade de Grand Junction, no estado americano do Colorado, serem usados da mesma forma, para produção de biogás, o combustível que alimenta a frota de autocarros e vários camiões.

 

Na Europa, é na Alemanha que o biogás está mais utilizado e esse país clama que as suas instalações para o produzir são as melhores.

 

Em Fevereiro de 2009 foi criada a Associação Europeia do Biogás (European Biogas Association, EBA, em inglês), com sede em Bruxelas. Portugal não é sócio.

 

Publicado no "Linhas de Elvas" de 28 de Janeiro de 2016

 

Prof. Miguel Mota

 

 

Miguel Mota

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