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A bem da Nação

A SAGA DO DENTE DE BUDA

 

 

Saga – Conjunto de narrações verdadeiras ou lendárias que ilustram a cultura ou a religião.

 

Sidharta Gautama, Buda, terá vivido entre 563 a.C. e 483 a.C. (80 anos) pelo que, na infância, Péricles (que viveu 66 anos de 495 a.C. a 429 a.C.), foi seu contemporâneo.

 

Segundo a tradição, o dente canino esquerdo do maxilar inferior de Buda começou por ser roubado da pira funerária por um dos seus seguidores e guardado durante cerca de oito séculos em Kalinga, actual Orissa, nordeste da Índia. As constantes violências dos reis circundantes no sentido de se apropriarem da relíquia, fizeram com que Guhasiva, rei de Kalinga, decidisse enviar o dente para o então recatado Sri Lanka (“a ilha do Senhor”) disso encarregando sua filha Hemamala que, sob a protecção do marido, Danta, viajou até à foz do Ganges disfarçada de peregrina com a relíquia escondida no cabelo. Essa viagem terá decorrido durante o séc. IV da nossa era.

 

danta-e-hemamala.jpg

 

Embarcados, atingiram a costa do Sri Lanka perto de Trincomalee, na costa leste da ilha. Ainda durante a viagem, os crentes budistas atribuíram vários milagres à relíquia a qual chegou finalmente à capital do Sri Lanka que então era em Anuradhapura, onde o rei Kirti Sri Meghavanna, que era um budista devoto, a colocou no seu próprio trono com muita veneração.

 

Desde que a relíquia chegou no séc. IV até aos finais do séc. X, poucas são as referências conhecidas mas é sabido que a procissão instaurada pelo rei Kirti se manteve durante esses seis séculos com grandiosidade ficando anualmente em exibição durante três meses rodeada de permanentes rituais e orações.

 

A relevância transcendental do dente foi de tal modo assumida que passou a ser considerado fundamental na legitimação do poder temporal a tal ponto que diversos reis acrescentaram o prefixo ‘Datha’ (Dente) aos seus nomes: Dathopatissa, Dathappabhuti, Dathamugalan, etc.

 

As permanentes incursões dos reis da dinastia Chola do sul da Índia fizeram com que o rei Vijayabahu I (1070-1110) mudasse a capital do Sri Lanka de Anuradhapura para Polonnaruva. Corria o séc. XI da nossa era e novamente a relíquia budista mudou de local, agora para um templo chamado Atadage e cujas ruínas são actualmente visitadas por multidões de turistas.

 

Conforme as crónicas Maha Vamsa[1], o rei Vijayabahu I mantinha relações de amizade com Anuruddha, rei da Birmânia, que pediu que lhe enviasse o dente para que os birmaneses o pudessem adorar. Sabiamente, o rei cingalês enviou uma réplica que passou a ser adorada na Birmânia. Aqui começa a história das réplicas do dente de Buda.

 

Em 1110 da nossa era, com a morte de Vijayabahu I, a situação política cingalesa degradou-se iniciando-se um período de confrontos entre vários líderes locais. A instabilidade fez com que os guardiães da relíquia temessem pela sua segurança e trataram, tão secretamente quanto possível, de a levar para local que consideraram seguro, Rohana, no sul da ilha.

 

Foi só em 1153, com a subida ao trono de Parakramabahu I, que a situação política voltou a acalmar e, então, o novo rei tratou de fazer o dente de Buda regressar a Polonnaruva.

 

Século XIII entrado e eis que a guerra regressa e a glória de Polonnaruva recomeça a decrescer com as constantes incursões de Kalinga Magha, primeiro rei de Jafanapatão (reinado 1215–1236), que é recordado pela agressividade na conquista e pelo fanatismo hindu. E mais uma vez os monges budistas se viram na necessidade de encontrar novo local para guardar a relíquia. Desta vez, o lugar escolhido foi Kotmale, a sul de Kandy, na região sul do maciço montanhoso central do Sri Lanka, porque se tratava de lugar quase inacessível e, portanto, seguro. Contudo, passados cerca de 50 anos, o rei Vijayabahu III transferiu a relíquia para um novo templo que fez construir em Beligala, a poente de Kandy. Mas o seu filho primogénito e sucessor no trono, Parakramabahu II (1236 – 1270), decidiu-se por nova localização e aí vai a relíquia em faustosa procissão até à rocha Dambadeniya, monólito imponente de acesso quase impossível por longuíssimas escadas (cerca de 1200 degraus) com perfil inapropriado ao comum dos mortais[2].

 

O pacífico e próspero reinado de Parakramabahu II foi, contudo, perturbado por uma invasão de javaneses oportunamente repelida e por uma grande seca. Mas o rei dedicou o seu reino à relíquia e diz a lenda que a seca cessou. E foi daqui que nasceu a crença de que o poder temporal dependia da posse da relíquia passando esta a ser o símbolo mais importante do reino merecendo mesmo uma cerimónia de entronização (abhiseka). Mas Bhuvanekabahu, irmão de Parakramabahu II e vencedor dos javaneses, edificou um santuário para o Dente Sagrado em Yapahuva, bem a norte da localização anterior, ou seja, o mais distante possível da costa leste por onde chegava o invasor javanês. E mais uma vez a relíquia mudou de localização.

 

Pouco depois deste reinado, o Sri Lanka foi novamente vítima de grande seca e invadida pelas tropas do rei Maravarman Kulasekaran I de Pandyan no sul da Índia que roubaram tudo aquilo a que conseguiram deitar mão, nomeadamente o Dente Sagrado. Corria o ano de 1280. Foi necessário esperar por Parakkamabahu III que foi pessoalmente à corte do seu suserano e rei indiano Kulasekaran persuadindo-o a devolver a relíquia. Isto, porque o Sri Lanka se encontrava sob a hegemonia do reino de Pandyan e assim continuaria por mais uma vintena de anos. A retoma da independência só foi conseguida durante a guerra civil que assolou o reino indiano entre 1308 e 1323 mas nessa época estava o Dente em Polonnaruva e, portanto, a recato das apetências indianas.

 

De acordo com Marco Pólo, Kublai Khan, então Imperador da China, enviou um mensageiro a Polonnaruva para que lhe enviassem a relíquia mas Parakkamabahu III enviou uma réplica que foi faustosamente recebida na corte chinesa. E assim se regista uma segunda réplica.

 

Contudo, mais uma vez foi decidido mudar a capital, desta vez para Kurunegala, a mais de 100 kms a sudoeste de Polonnaruva e lá vai o Dente Sagrado em solene procissão até novo templo para ele edificado especialmente onde, aliás, não ficou muito tempo uma vez que nos finais desse séc. XIV se regista mais uma mudança, desta feita para Gampola, a nova capital do país a sul de Kandy.

 

Só que a capital mudou-se para Jayawardenapura Kotte[3] e o rei Vira Bahu decidiu fazer-se acompanhar da relíquia. Foi aí que os invasores chineses a foram encontrar exigindo a sua entrega para ser adorada na China. Contudo, segundo a tradição, terá sido uma réplica (a terceira) que seguiu viagem ficando o dente verdadeiro no Sri Lanka guardado em lugar seguro.

 

E foram diversas as razões que fizeram com que o nomadismo da relíquia continuasse: de Ratnapura para Mulgirigala Vihara e depois para Ridivihara até que finalmente foi levada para Kandy.

 

templo-do-dente-kandy-sri-lanka.jpg

 

E foi em Kandy que os portugueses encontraram o Dente de Buda quando em 1505 chegaram ao Sri Lanka.

 

Com quase dois metros de altura, D. Lourenço de Almeida, filho do vice-rei da Índia D. Francisco de Almeida, sempre dando mostras de grande bravura, era conhecido como o "diabo louro". Apesar das iniciais relações amistosas, uma das suas façanhas foi a tomada do reino de Kandy pela força assim ficando a tutelar a segurança da relíquia budista.

 

A administração portuguesa prolongou-se no tempo até que em 1560 o dente é roubado do templo por quem achava que o budismo impedia a implantação do cristianismo e é levado para Jaffna a fim de embarcar para Goa onde deveria ser destruído. Essa seria a forma então considerada mais pragmática de levar à destruição do budismo.

 

E aqui entram em cena três personagens importantes, a saber: D. Constantino de Bragança, então Vice-rei da Índia e, portanto, do Ceilão também; D. Gaspar Leão Pereira, então Arcebispo de Goa também ele com jurisdição sobre o Ceilão; Martim Afonso de Mello, comerciante, que na sua rota entre Pegu (Birmânia, hoje Myanmar) e Goa, estava de passagem por Jaffna. E nesse ano de 1561, coube-lhe trazer o recado dos príncipes de Pegu que estavam dispostos a pagar tudo o que os portugueses quisessem para entrarem na posse da relíquia.

 

Consta que as finanças públicas do Estado Português da Índia não estavam naquela época em grande euforia e o mandato de D. Constantino de Bragança seria precisamente o de tentar repor alguma solidez nessa matéria mesmo que isso significasse um vice-reinado vitalício.

 

O que é claramente sabido é que a relíquia foi enviada para Goa e que o Arcebispo a submeteu a julgamento pela Inquisição. A sentença foi a da destruição em almofariz seguida de lançamento do pó em água corrente.

 

Mas também se diz que D. Constantino de Bragança, não se conformando com a situação financeira do seu Estado, terá conseguido por meios mais ou menos drásticos entrar na posse do dente que era então tido como o verdadeiro, de Buda, substituindo-o por réplica que, essa sim, foi publicamente destruída em almofariz por ordem de D. Gaspar e o pó resultante lançado às águas do Mandovi.

 

Terá sido em grande segredo que a relíquia regressou a Kandy (e não a Pegu) com os crentes budistas a afirmarem que miraculosamente o dente sagrado se materializou no seu templo depois de ter sido destruído em Goa.

 

Também não está totalmente explicada a razão pela qual D. Constantino de Bragança regressou ao reino nesse mesmo ano de 1561 em vez de prolongar vitaliciamente a sua comissão de serviço. Como ficaram, entretanto, as finanças públicas de Goa? Terá seguido mais alguma réplica para Pegu?

 

Lisboa, Janeiro de 2016

 

Henrique-piscina dos monges em Kandy, Sri Lanka.JP

Henrique Salles da Fonseca

(junto da piscina dos monges em Polonnaruva, Sri Lanka)

 

BIBLIOGRAFIA:

The history of the Sri Dalada wa – Government of Sri Lanka

 

(texto destinado à revista BROTÉRIA da Província Portuguesa da Companhia de Jesus)

 

[1] - Relatos históricos sobre os reis do Sri Lanka escritos pelos monges sedeados em Anuradhapura.

[2] - Fala aqui a minha experiência pessoal

[3] - Esta é a actual capital administrativa do Sri Lanka, próxima de Colombo.

SÍNTESE DE ORIENTAÇÃO COM RANS

 

Rãs.jpg

 

1ª vinheta: O estalajadeiro, por trás do seu balcão e do jornal veiculador do seu saber actualizado, apenas um olho e um nariz salientes, mais três cabelos por cima do jornal, as mãos de cada lado, segurando-o com firmeza, informa suavemente:

- MARCELO REBELO DE SOUSA DIZ QUE VEM DA ESQUERDA DA DIREITA.

 

2ª vinheta: O freguês, à frente do balcão e da sua caneca de cerveja, costas alquebradas, bem curvas dos esforços de uma vida em repouso passageiro, vê-se que também diário, ao balcão da cervejaria, interroga curioso:

- E OS OUTROS?

 

3ª vinheta: O cervejeiro, já de jornal fechado, rosto destapado, o gesto dos dedos a frisar os dados informativos da sua astúcia rezingona:

- SAMPAIO DA NÓVOA VEM DA ESQUERDA, MARISA E EDGAR DA ESQUERDA DA ESQUERDA E MARIA DE BELÉM DA DIREITA DA ESQUERDA.

 

4ª vinheta: (mesmas imagens da 3ª), a natural conclusão, após o suspense:

-AH! E TINO VEM DA FREGUESIA DE RANS.

 

Um bravo à graça caricatural de Luís Afonso, no seu BARTOOM do Público, de 12/1/16.

 

Berta Brás 2.jpgBerta Brás

 

REFORMAR A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA?

 

Tachos.png

 

ANTES PROCEDA-SE À DIVISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DE PORTUGAL

Do Pensar jacobino ao pensamento europeu aberto

 

Acabei de ler em

http://www.publico.pt/economia/noticia/reformar-a-administracao-publica-1719478?page=-1

um artigo sobre ”Reformar a Administração Pública”! Tem ideias muito interessantes! Demasiado genérico, sem uma filosofia de Estado que a fundamente e justifique e, por isso mesmo, sem objectivos concretos!

 

Uma reforma digna do nome teria de fortalecer mais a Administração precavendo-a contra a demasiada intervenção política e contra o espírito carreirista que a domina. Portugal, que se encontra em grande subserviência ao sistema francês, deveria, na tentativa de encontrar uma maneira própria de estar, só deveria meter mãos à obra depois de feita uma sinopse dos diferentes modelos político-administrativos e dar grande relevância aos modelos nórdicos. Isto implicaria o estabelecimento de uma comissão a trabalhar para tal durante anos. A política que se tem revelado mais eficiente para o povo e a nível internacional tem sido a nórdica (e a economia mais adequada à Europa seria a reposição do modelo de economia renana). Se se querem medidas orientadas para o futuro haverá de se abrir um pouco à mentalidade nórdica. Doutro modo continuaremos a seguir de modo escravo a França, quando esta se entusiasma com a alemã embora num sentimento entremeado de inveja! Temos de superar o facilitismo e a zona do pensamento meramente confortável.

 

Uma reforma administrativa deveria reencontrar o espírito de onde vem a palavra administrar, isto é: servir o povo, servir o Estado de maneira a o funcionário embora servindo a política do governo poder manter uma certa independência partidária para melhor servir o todo e menos a parte. A Reforma administrativa deveria ser acompanhada de uma reforma/reorganização regional de Portugal em 3 zonas. Doutro modo continuará a servir o espírito distante de actores que se sentem em Lisboa como nos cornos da lua! Uma reforma administrativa sem uma reorganização de um Portugal das regiões significa mais uma tentativa ad hoc para um Portugal persistente em viver com ideários feitos em cima dos joelhos!

 

A Reforma da Administração Pública pressupõe, primeiro que tudo, uma nova Divisão Político-administrativa de Portugal, certamente em três regiões. Este seria o primeiro passo para o reencontro de Lisboa com o povo e com as regiões. Enquanto não se tomarem medidas em favor do regionalismo continuaremos a contribuir para uma política portuguesa de uns tantos dançarinos do poder que confundem as regiões de Portugal com as ideologias partidárias repercutindo-se isso no sistema administrativo.

 

Aos deputados não deveria ser estranho o bom exemplo do espírito concreto dos "Homens Bons” e da „A Casa dos Vinte e Quatro” dos inícios da nacionalidade; estes reuniam-se para resolver assuntos referentes à vida política económica e social das suas regiões, numa perspectiva inclusiva e concreta: a defesa dos interesses concretos das regiões é a base da preparação para a peritagem em questões nacionais e internacionais; hoje os deputados parecem limpar o pó das sandálias que traziam na província para se submeterem às obediências ideológicas e partidárias confundindo os interesses das regiões de Portugal com os interesses dos partidos. Portugal precisa de tempo para pensar sobre si, sobre o Estado e sobre a sua maneira de Estar; nada seria mais urgente do que deixar de continuar a pensar pela cabeça dos outros. Doutro modo corremos o perigo de passar o tempo, com iniciativas mal concebidas, a colocar o carro à frente dos bois! Vai sendo tempo de deixaremos de confundir o interesse da parte sem contemplar o todo.

 

A iniciativa de uma reforma da administração pública não pode ser deixada apenas à iniciativa de uma elite subterrânea (esquerda radical e maçonaria) que desde a implantação da República tem minado a maneira de estar política do país no sentido do radicalismo ideológico. Portugal que antes tinha um pensar mais global europeu, desde as invasões francesas, parece ter-se tornado demasiado latino.

 

Torna-se urgente para Portugal a ultrapassagem de um pensar e de uma prática demasiado caracterizados pelo espírito francês e implementado por uma maçonaria demasiado jacobina a operar enquanto a nação dorme.

 

ACDJ-Prof. Justo-3.jpg

 António da Cunha Duarte Justo

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