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A bem da Nação

DUPLA MORAL INCONTESTADA

 

Armamento.png

 

Por um lado, fornecem-se armas,

por outro, enviam-se embaixadores da paz


2016 começa mal. As duas potências do Islão, Arábia Saudita e Irão, conduzem uma guerra por procuração na Síria, Iémen, Iraque e Líbia apoiando cada uma a sua facção do Islão, sunita e xiita. O preço do óleo subirá e o das armas também.

 

A Alemanha exportou para armas no valor de 387,7 milhões de euros (em 2014+2015) a Arábia Saudita (exportadora de guerrilhas) Verificamos nações que fornecem armas a apregoar a paz. Por um lado queixam-se da guerra e por outro dos refugiados. Por um lado, fornecem-se armas, por outro, enviam-se embaixadores da paz!

 

O Papa Francisco apela ”Mercadores da Morte... Guerra à guerra, paz na terra!”

 

ACDJ-Prof. Justo-3.jpg

António da Cunha Duarte Justo

A FORÇA DAS COISAS (comentário alargado)

 

Uma mão cheia de questões, trazidas por textos ricos como o de António da Cunha Duarte Justo sobre as políticas dos países a anos-luz do nosso, relativamente aos países da periferia e do nosso, em especial, muito específico na tal distância, para ficarem sempre a ganhar, aproveitando-se da sua superioridade espacial no brilho e eficácia das suas armas de todas as espécies. Não podemos ser ingratos, todavia, e reconheçamos que a ajuda, ao que parece não tanto de carácter altruísta e sim egoísta, nos libertou em grande parte da camada de sarro que se nos ficou colado aos pés desde as peixeiras descalças nas descargas do carvão, vindas dos nossos confins e que Cesário Verde poetizou, mas que Simone de Beauvoir também notou sem poesia e com desprezo, noutros nossos pés, não apenas de peixeiras, quando cá veio depois da guerra nazi, como conta nas suas memórias “La force des choses I. Porém, sabemos que a CEE nos foi emprestando as massas poderosas, para cobrirmos os nossos pés, construirmos as nossas auto estradas e destruirmos simultaneamente a nossa economia mais os nossos costumes de povo honrado que chegámos a ser, e de que se conta, como exemplo de peso, o caso das barbas que D. João de Castro empenhou, como garante da sua palavra, cuja referência não resisto a transcrever desta maravilhosa auto-estrada da Net:

 

D. João de Castro.png

 

Foi um dos primeiros cientistas navegadores a pôr em prática os conhecimentos. Autor de três roteiros marítimos e o primeiro a descobrir a razão da coloração das águas do chamado Mar Vermelho. Nos seus roteiros e estudos desenvolveu a Oceanografia e a Geografia. Mandou ampliar e reconstruir de total ruína a Fortaleza de Diu que, sendo já Património Mundial classificado pela UNESCO, acabou recentemente de ver o seu valor reconfirmado com a eleição como uma das 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. Para a sua construção pedira D. João de Castro verbas emprestadas à Câmara de Goa. Como penhora da sua palavra pensou primeiro em dar como garantia os restos mortais do seu próprio filho que falecera em batalha na Índia. Como o corpo se encontrava em avançado estado de decomposição empenhou as suas próprias barbas que a própria Câmara de Goa lhe devolveu, alegando confiar na palavra do Governador.

 

Transcrevo o discurso que pronunciou, doente, perante entidades que, como vice-rei da Índia, mandou chamar, e que atesta tanto da nossa nacional idiossincrasia miserabilista de pé descalço, no meio da qual vão vicejando flores de primor, pormenor que igualmente Camões exemplificou:

 

Não terei, senhores, pejo de vos dizer, que ao vice-rei da Índia faltam nesta doença as comodidades que acha nos hospitais o mais pobre soldado. Vim a servir, não vim a comerciar ao Oriente; a vós mesmo quis empenhar os ossos de meu filho, e empenhei os cabelos da barba, porque para vos assegurar, não tinha outras tapeçarias nem baixelas. Hoje não houve nesta casa dinheiro, com que se me comprasse uma galinha; porque nas armadas que fiz, primeiro comiam os soldados os salários do governador, que os soldos de seu rei; e não é de espantar que esteja pobre um pai de tantos filhos. Peço-vos, que enquanto durar esta doença me ordeneis da fazenda real uma honesta despesa, e pessoa por vós determinada, que com modesta taxa me alimente.

 

Mas leiamos o esclarecedor artigo de António da Cunha Duarte Justo a respeito das manobras unionistas dos países que as criaram:

 

«UM PROJECTO DOS PAÍSES GRANDES PARA OS GRANDES»

In A Bem da Nação, 6/1/16

http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/uniao-europeia-1555468

 

O certo é que o parágrafo final do texto de Duarte Justo, - Uma sociedade não pode ser governada apenas por interesses económicos; uma UE que se preocupa apenas com os interesses imediatos das suas potências fortes não é digna da cultura europeia donde nasceu; precisa de voltar a uma ética de base cristã que defenda o amor ao próximo, ao estrangeiro e a misericórdia para com todos. Uma política imposta, de cima para baixo, por interesses estratégicos de algumas potências europeias fomenta o cepticismo e ameaça a coesão dos 28 países. - pura conclusão moralista, escusara de existir. Os países a anos-luz do nosso, de que a Alemanha é cabeça, como se notou ao longo da sua história, embora espaço de muitos pensadores, são também espaço de gente valente e trabalhadora destemida. Quando lhes falta essa – que naturalmente não falta nos cargos de maior intelectualidade – usam a da imigração, de maior alombamento, e até, no tempo da guerra nazi, souberam utilizar os estrangeiros da sua Ocupação, no STO, para as fábricas das bombas e doutros artifícios da sua conveniência. Não iam agora incomodar-se com esses pruridos de consciência de que trata Duarte Justo no seu parágrafo conclusivo.

 

Mas outros artigos tenho lido de grande gabarito, e tal foi o de Clara Ferreira Alves de 31/12/15 – «A CAMARILHA» que o Expresso não me deixa transcrever, muito forreta, mas de que não resisto a copiar alguns dados, próprios de uma pena forte e inteligentemente observadora, sobre as nossas tais idiossincrasias, não de gente que empenha as barbas, aliás inexistentes, hoje, e que a ninguém apeteceriam como penhor, mas de gente sintomática dos novos tempos, que se aproveitou dos tais dinheiros injectados pela aparente generosidade da União Europeia para formar um “sistema financeiro” que “é uma porta rotativa e cobre-se de um manto de silêncio que nunca ninguém tentou destapar». … “Alguns destes fundaram bancos e modernizaram a banca portuguesa, outros foram donos disto tudo e durante anos glorificados por jornalistas e analistas, até serem atirados para sarjeta e culpados disto tudo. Estes tubarões, pelo menos, contribuíram para a economia portuguesa e, com ilícitos penais à mistura e abusos do poder, criaram riqueza. São as cabeças deles que aparecem no cepo, mas não são eles os autores da destruição do sistema financeiro. Esses são os políticos e politiqueiros que eles recrutaram e que abancaram no regime, são os empresários ligados ao ventilador do Estado, são os empregados do partido, são os ministros desempregados, são os confidentes dos reis, são as legiões de assessores e advogados e conselheiros, são os argutos analistas que nunca repararam em nada e que almoçam com eles. São as rémoras que têm as ventosas cravadas no dorso dos tubarões e que se deixam transportar e alimentar dos restos que lhes caem na boca. Chama-se isto, na natureza, “comensalismo”. Chamamos na ditosa pátria, sistema financeiro. Porque o comensalismo é parte substantiva da democracia e a sua teia de alianças é parte constitutiva do sistema partidário, nenhuma agremiação o põe em causa. Seria antidemocrático.….»

 

Quais barbas de molho?

 

Houve um governo que foi atamancando o seu penhor de devolução a uma Europa falsamente generosa, por imposição dessa mesma Europa rígida ante os devedores periféricos, mas não pôde continuar o seu trabalho de resgate, mesmo sem as ditas barbas da nossa honradez pelintra, graças ao desvirtuamento fraudulento dos resultados eleitorais a que nos conduziu a nossa actual constituição física e moral imberbe, que o artigo de Clara Ferreira Alves tão primorosamente analisa, aliás sem a preocupação do tal resgate da dívida, mas a todos incriminando, gente enfiada no mesmo saco, todos fazendo parte da camarilha, o que, todavia, não será muito justo para os pategos do “Cá por aqui é honra” que D. Gil, futuro S. Frei Gil, encontraria próximo do castelo de Lanhoso, quando procurava a desaparecida sua muito amada Soleima.

 

Berta Brás.jpgBerta Brás

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