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A bem da Nação

A EUROPA INVERTE A MARCHA

 

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Finlândia, Dinamarca e Suécia fecham as fronteiras a refugiados

 

A Alemanha abriu as fronteiras, sem controlo, aos refugiados da guerra e da pobreza. Muitos refugiados usavam a Alemanha como país de passagem para outros países. Na convenção europeia de Dublin o país de entrada do refugiado é o responsável pela organização do processo de asilo. Como nas fronteiras alemãs deixou de haver controlo e grande parte dos refugiados entrados não era registada, países como a Polónia e a Hungria começaram a protestar estando dispostos a receber apenas perseguidos cristãos uma vez que eram perseguidos por regimes muçulmanos e, na sua lógica, os muçulmanos xiitas e sunitas deverem encontrar refúgio nos seus correspondentes países muçulmanos, coisa que estes não fazem.

 

A Dinamarca, a Finlândia e a Suécia introduziram controlo nas suas fronteiras para impedirem o acesso a refugiados vindos da Alemanha. Os países nórdicos agravam as leis de asilo condicionando a concessão de benefícios sociais aos refugiados que frequentem cursos de língua e dificultando o reagrupamento familiar.

 

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António da Cunha Duarte Justo

QUANDO AS AMIGAS CONVERSAM...

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Enquanto o pau…

 

Já a minha irmã e a minha amiga tinham falado do DDT do Sábado à noite, que eu falhara, gabando os actores como dos melhores – a Ana Bola, o Joaquim Monchique, o Eduardo Madeira, o Manuel Marques e Joana Pais de Brito, como revelação que todas apreciamos. Vi o programa no Domingo à tarde e confirmei o meu comentário ao café: são bons como histriões, como caricaturas das figuras políticas que encarnam, mas não passam de bons farsantes, fabricantes de figuras sociais, ou antes, de tipos conhecidos, os mais altamente posicionados, sobretudo, como já Gil Vicente fizera no seu tempo. Um teatro humorístico de troça atrevida e galhofeira, que, porque directo e facilmente identificável se torna aprazível e sempre actual, como é, aliás, o seu objectivo. Não temos, de resto, a veia dramática de outros povos, ficando-nos definitivamente pelo género revisteiro que nos mantém na infância da projecção teatral. Mas a nossa amiga discorda, e há dias, num outro Domingo em que o Eduardo Madeira apareceu ao balcão do café, ela dirigiu-lhe umas palavras de apreço, como eu, aliás, já também fizera, num outro café, dirigindo-me à Maria Luís Albuquerque, sossegada, na esplanada, com seu marido, que deve ter apanhado um susto quando viu uma desconhecida, dirigindo-se-lhe muito rápida, para largar uma frase e voltando as costas de seguida: - Gosto muito de si. A minha amiga troçara do meu arrebatamento, mas o dela foi até mais glamouroso, no seu donaire que lhe vem dos tempos da Zambézia e do convívio social que ainda hoje mantém com as suas amigas.

 

Mas as conversas são como as cerejas, ao que se diz e que foi verdade nos meus tempos de criança por cá, em que comíamos glutonamente as cerejas das pernadas de uma cerejeira que havia no quintal e que um vizinho nos atirava de cima dela, eu própria também o fazendo, por essa altura boa trepadora. E digo isto porque me espantei com o súbito arreganho eloquente com que desatámos a falar dos actuais políticos, a minha amiga em voz macia, coisa que logo lhe fiz sentir:

-Realmente é preciso ter muito juízo para conseguir que tudo se resolva. É tudo o que se pede.

 

Eu, que ultimamente ando muito enervada, atirei que nunca ela dissera o mesmo do governo anterior, tão docemente, lembrando as desgraças sempre, indiferente aos condicionalismos. A minha amiga voltou a referir o desemprego e a emigração, e a minha irmã tirou-me as palavras da boca:

-Sempre houve emigração no nosso país, não se percebe por que tanto se condena uma coisa que só nos tem beneficiado.

 

Mas a nossa amiga não se desmanchou, segura das suas opiniões e concordou com a minha irmã sobre o Costa:

-Agora que o Costa está metido numa grande embrulhada, isso está.

-Sim, vai ter um grande problema pela frente.

 

Falámos no conjunto de pessoas do novo governo, a maior parte desconhecida, é claro, mas com um João Soares lá metido, filho de papai, e sem as garantias de que se cumprirão todas as propostas de governo minoritário que conseguiu fazer-se eleger apesar da resistência de Cavaco que a minha irmã condenou, e que eu hoje também condeno, por ter sido de pura exibição pessoal e sem justificações nem explicações finais ao país, sobre o porquê da aceitação de um PS a governar, no vago das definições dos partidos apoiantes, que apenas matraqueiam as suas imposições de rápida reposição de salários etc., na ameaça das pressões arruaceiras ou parlamentares.

 

Em casa, já em conversa com o meu marido, ao ouvir das arruaças organizadas pela CGTP, comentei que o povo e os seus orientadores de opinião eram estúpidos em provocar já manifestações, se queriam governo de esquerda, e o meu marido explicou:

- O povo não quer trabalhar, quer ganhar já, pressionando, para o dinheiro ser reposto, não importa como. Enquanto o pau vai e vem folguem as costas.

 

Berta Brás 2.jpgBerta Brás

A DANÇA DA POUPANÇA

 

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As recentes derrocadas bancárias têm compreensivelmente assustado a população. Muitos viram as poupanças evaporar-se; muitos mais temem pelas suas. Que se passa? Que há a fazer? As respostas são simples, mesmo se debates e controvérsias baralham tudo.

 

Portugal sofre uma forte crise financeira. Com os bancos na base do sistema creditício, um colapso destes coloca-os no centro das dificuldades. Défice público, endividamento das famílias ou descapitalização das empresas, tudo envolve sempre a banca. Esta limita-se a ser o bengaleiro dessas dívidas, desmoronando quando elas explodem.

 

Esta explicação, pacífica até há semanas, é hoje oficialmente recusada pelos actuais dirigentes. O governo rejeita que o país tenha "vivido acima das suas posses", atribuindo a crise ao cavaquismo e à austeridade. Por isso, apesar de óbvio, é preciso repetir que défices e consequente aumento de dívidas, que ninguém pode negar, significam apenas que se gasta mais do que se recebe. Isso na expressão popular é viver acima das posses. Foi essa a condição global do país de 1994 a 2012, visível na balança externa, e ainda é a situação do Estado.

 

Claro que houve roubos, desvios e má gestão política e empresarial, mas esses percalços, mesmo dominando a atenção mediática, são laterais ao assunto. O país todo está há 20 anos a reduzir a poupança, e isso chega para explicar a situação. A maior factura não foi em luxos e loucuras, mas salários, pensões, infraestruturas e serviços públicos, de que todos beneficiámos. A crise é nossa, não há volta a dar-lhe.

 

Que fazer quando as dívidas pesam? As respostas são variadas. Às vezes, sentar-se e esperar que passe funciona bem. Aliás foi isso que nos livrou do sarilho anterior. Após 1974 as dificuldades bancárias também eram enormes. Só que em vez de repudiar dívidas, resolver bancos ou vender ao estrangeiro preferiu disfarçar-se e dar tempo ao tempo. Dessa vez tivemos sorte: o grande crescimento após a entrada na CEE foi suficiente para tapar os buracos e acabou tudo bem.

 

Seguindo essa lição, desta vez as autoridades também adoptaram uma estratégia paciente. Pelo menos do nosso lado do Atlântico. Nos EUA, após a crise, fez-se uma auditoria rigorosa (stress-test) em 2009 que pôs a nu as dificuldades. Foi muito caro, mas a confiança recuperou e, embora combalida pela dimensão do choque, a economia retomou a dinâmica. Na Europa preferiu-se a ambiguidade e a tolerância. As sucessivas auditorias só recentemente começaram a convencer e por isso as más surpresas continuam a rebentar, sete anos após o colapso.

 

O caso português é paradigmático. É espantoso que seja depois da suposta "saída limpa" do programa de ajustamento que se sucedam as derrocadas bancárias. Pior, a situação parece envolvida num surdo mas implacável deslize. Sem crescimento sólido, as empresas recuperam mal ou tarde. As dívidas, sempre adiadas, agravam-se em vez de melhorar. As veementes garantias dos responsáveis perdem credibilidade.

 

Esperar que os problemas se resolvam funciona às vezes, mas negar as dificuldades é sempre um disparate. O actual governo anda apostado em propor exactamente o contrário do que devia. Claro que não o poderá cumprir, mas mesmo assim os estragos serão consideráveis.

 

Sugerir estimular o consumo para obter crescimento é uma ideia de quem não conhece a situação nacional. Com a taxa de poupança das famílias em 4% e o investimento em 15% do produto, os registos mais baixos da história de Portugal, o mal do consumo é excesso, não falta de estímulo. Logo que a economia começou a tímida recuperação os portugueses voltaram ao despesismo improdutivo. Assim, as políticas de aumentos de rendimentos, pensões e salários só servirão para subir impostos, reduzir lucros e, portanto, atrasar o crescimento.

 

Também reverter privatizações ou concessões e castigar os aforradores institucionais significa atacar os poucos incautos, nacionais ou estrangeiros, que decidem investir em Portugal. Esta é a melhor forma de assinalar ao mundo que não somos um país de futuro. Costa tem menos condições do que Barroso ou Sócrates, que prometeram mas não conseguiram crescimento.

 

Durante anos as nossas poupanças dançaram à volta das cadeiras, que eram poucas. Em 2008 a música parou e desde então muitos se têm encontrado sem assento, simplesmente porque não há. Agora, a orientação antiausteridade do governo promete uma nova fase. Por enquanto a única novidade foi convidar à dança, mas sem mais cadeiras. Isso só nos aproxima do próximo colapso.

 

7 de Janeiro de 2016

 

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João César das Neves

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