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A bem da Nação

AXIOMA

 

 

À custa de tudo vermos, acabamos por aturar tudo.

À custa de tudo aturarmos, acabamos por tolerar tudo.

À custa de tudo tolerarmos, acabamos por aceitar tudo.

À custa de tudo aceitarmos, acabamos por aprovar tudo.

 

Santo Agostinho.pngAgostinho de Hipona (Aurelius Augustinus Hipponensis), viveu entre 354 e 430 da era cristã e ficou universalmente conhecido como Santo Agostinho. Foi um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do cristianismo sendo as suas obras muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e da filosofia ocidental. Foi bispo de Hipona, cidade na província romana de África (actual Tunísia), escreveu na era patrística e é amplamente considerado o mais importante dos Padres da Igreja no ocidente. As suas obras-prima são "A Cidade de Deus" e "Confissões", ambas ainda muito estudadas actualmente.

in Wikipédia

 

"A CLARA CERTIDOM DA VERDADE"

 

Aínda as "MUITAS E DESVAIRADAS GENTES"

 

E em agradecimento por estas crónicas ditadas pelo prazer de viajar, colhendo e transmitindo, a referência ao adjectivo “desvairadas”, no sentido de diversas, que respigo da Crónica de D. João I de Fernão Lopes (Textos Literários), o primeiro na demonstração da sua probidade de historiador, que tanto se debruçou na consulta de livros em busca da “clara certidom da verdade”, o segundo na defesa do Mestre de Avis, quando o povo acode aos paços para libertar o Mestre, que julgavam entregue às malhas maquiavélicas de D. Leonor Teles:

 

Ó! com quanto cuidado e deligencia vimos grandes volumes de livros, de desvairadas liguageês e terras; e isso mesmo pubricas escripturas de muitos cartarios e outros logares nas quaes depois de longas vegilias e grandes trabalhos, mais certidom aver nom podemos da conteúda em esta obra.

 

Ali eram ouvidos braados de desvairadas maneiras.

 

Henrique à porta do Seminário de Rachol, Goa.JPG

 Henrique Salles da Fonseca à porta do Seminário jesuíta de Rachol, Goa 

 

Assim deve ter sido o vasto passeio pelas desvairadas gentes com quem se cruzou o Dr. Salles no longo passeio cansativo, mas feito num propósito de igual cuidado e diligência de colher mais “clara certidom da verdade”, e de a transmitir com graça e a necessária crítica, em meio de fotos sugestivas dos espaços retratados.

 

Berta Brás.jpgBerta Brás

MUITAS E DESVAIRADAS GENTES – 17

 

 

 

«Não há bem que não acabe nem mal que sempre dure» – assim reza o ditado. E a viagem tinha mesmo que chegar ao fim. Eis-nos, pois, na última etapa, a de Bombaim a que agora está na moda chamar Mumbai.

 

Meia dúzia de horas, apenas, o suficiente para uma volta pela cidade. Guia turística castelhanófona, ao que já nos vimos habituando apesar de Espanha nada ter a ver com a Índia e nós, Portugal, sim, termos muito. Mas é claro que a culpa é das nossas Agências de Viagens que nada fazem para dar emprego a tanta gente que na Índia (ainda e já) fala português.

 

Um guia turístico é, por definição, um Embaixador do país em que reside e que o exibe a forasteiros. É, portanto, um agente cultural da maior importância que se deve adaptar aos interesses dos clientes, esses tais forasteiros, turistas.

 

No caso particular de Bombaim, aos turistas portugueses poderiam os guias turísticos apresentar locais e factos históricos que tivessem algo a ver com os tantos anos que por lá andámos mas, na realidade, passamos ao largo de toda essa temática e só por acaso nos apontam um ou outro edifício com características especiais a que chamam «estilo colonial» ou qualquer outra designação a atirar para o imbecil.

 

Por exemplo, a nossa guia local, que não deve sequer saber quem foi Garcia de Orta nem Catarina de Bragança, dissertou longamente sobre os lavadores de roupa, a «Porta do Oriente» por onde entraram e saíram os ingleses, os edifícios de estilo gótico, as praias ao pôr-do-sol e... mais não sei pois desliguei-me da conversa.

 

Mas Bombaim deve ser uma cidade bem boa para se viver, sobretudo se se puder ter um daqueles apartamentos miríficos numa das avenidas marginais com o Mar Arábico a dançar ali à frente.

 

Contudo, numa panorâmica geral, a Índia ainda tem os seus quês...

 

Índia-defecação na rua.png

 

A fechar esta série de crónicas, resta a certeza de que muito ficou por referir mas também não era minha intenção escrever algum «Colóquio da Índia e do Sri Lanka». Até porque sempre esteve longe de mim a ideia de fazer sombra ao «Colóquio dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia».

 

Finalmente, uma curiosidade: na Índia, os motoristas conduzem descalços mantendo as chanatas ali ao lado dos pedais para a eventualidade de terem que se apear sobre alguma cama de picos à moda dos faquires. Então, foi em Madurai, no Tamil Nadu, que a certa altura vimos o Director do hotel vir todo engravatado e pressuroso até ao hall receber um importantão (parece que era o Chefe da Polícia do Estado que se fazia acompanhar de dois polícias paralelipipédicos empunhando metralhadoras e de duas mulheres-polícia de beleza quase deslumbrante) cujo motorista, “vestido de ponto em branco” como soe dizer-se, se apresentava descalço no que, para todos eles, era a coisa mais natural da vida.

 

Aqui fica uma sugestão aos nossos industriais de calçado: não percam muito tempo com os motoristas na Índia.

 

De Bombaim voámos até ao Dubai e daí a Lisboa onde chegámos em condições de curar a constipação que o ar condicionado do autocarro nos pregou na viagem entre o Tamil Nadu e o Kerala. E os micróbios indianos devem estar cheios de piri-piri pelo que foi difícil dar-lhes cabo.

 

E não esquecer que o título desta série de crónicas é de inspiração medieval no sentido de que então se considerava desvairado todo aquele que agia segundo padrões diferentes dos do observador. E nesta viagem, para além de muita, vi gentes desvairadas.

 

E pronto, até à próxima que, parece, vai ser navegando pelo Amazonas...

 

Lisboa, 15 de Dezembro de 2015

 

Bombaim-2008.JPG

Henrique Salles da Fonseca

            (Bombaim, 28JAN08)

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