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A bem da Nação

ECCE HOMO

 

E ele aqui está, contando como tudo foi, como tudo é, diferente do que foi. Começou com o estabelecimento do conceito de “soberania limitada” por conta dos países do Pacto de Varsóvia, exemplificada com a invasão da Checoslováquia em 1968 por quem se achava no direito de impor as suas normas de força bélica. A Guerra Fria resultou daí, mas o grande Gorbachev livrou-nos desses muros e pôde construir-se uma Europa de solidariedade económica, fundamento de uma democracia de grande solidariedade, que, segundo José Pacheco Pereira não passa de mascarada, já que tal democracia se baseia puramente em dinheiro jorrando, no sentido inverso ao daquele que jorrou à partida, pelo pagamento, ao que parece, supérfluo, das dívidas. Daí que democracia não há por cá, já que a “direita” destruiu a economia – (que, ao que se diz, nunca houve, e muito menos após as destruições dela durante o PREC) – e ao insistir no seu direito de governar, já que ganhou as eleições, embora Pacheco Pereira tenha sido o primeiro a alvitrar que não ganhou.

 

Este seu historial do que foi e do que é o definem, na sua estrutura mental de muito saber e na sua estrutura moral de muito pecar. Porque é pecado tanto ódio, tanta malvadez para com essa direita que não lhe fez mal a ele, uma direita que entendeu justamente ser necessário redimir uma dívida e tudo fazer para resolver um problema de débito, ainda que momentaneamente o país empobrecesse a vários níveis. Mas era preciso acreditar nos indicadores positivos de recuperação, e isso é que os Pachecos Pereiras da nossa praça não querer enxergar.

 

Ele aí está o Pacheco Pereira em toda a sua dimensão. Ilimitada.

 

Berta Brás.jpgBerta Brás

 

Teoria da democracia limitada

 Pacheco.jpg

1. Em 1968, a URSS e um grupo de países do Pacto de Varsóvia invadiram a Checoslováquia em nome da teoria da soberania limitada. Frente aos interesses prioritários do “campo socialista”, a independência da Checoslováquia era secundária. Hoje, a teoria da soberania limitada é a essência daquilo que se chama a “Europa”, ou as “regras europeias”, que nada tem que ver com a intenção original dos fundadores da União Europeia. Não se faz com as lagartas dos tanques, mas com a torneira do dinheiro.

 

2. Todos os fundamentos do processo de integração europeia estão de há muito abandonados, e o que existe é uma coisa muito diferente e contrária ao projecto inicial dos fundadores que veio com as tropas americanas para a parte da Europa que ficou fora da ocupação soviética e que foi consolidado com o gigantesco esforço de solidariedade do Plano Marshall. A Guerra Fria ajudou a consolidar a vontade de construção de uma outra Europa, de democracia, paz e cooperação, mas estes fundamentos não existem na “Europa” que hoje se invoca para pôr na ordem os países mal comportados. E esses princípios originais eram claros: a “comunidade” era em primeiro lugar uma construção política para acabar a guerra na Europa; todos os membros da “união” eram iguais em poderes e direitos, mesmo que cada um soubesse que era desigual; nunca se dava um passo sem que isso correspondesse à vontade colectiva de povos e governos; esses passos eram “pequenos” e prudentes, porque havia a consciência de que na Europa as nações têm muita história e interesses diversos, e, também por isso, deixavam-se de fora políticas de defesa e segurança (que ficavam para a NATO), e negócios estrangeiros que deviam ser minimalistas. A “alma” da “comunidade” era a Comissão e não o Parlamento, e muito menos o Conselho.

 

3. O outro aspecto essencial era o de que a política da “comunidade” era solidária, como tinham sido os americanos com o Plano Marshall e, com Delors, instituía-se a ideia da “coesão social”, ou seja, uma deslocação de recursos dos países mais ricos para os menos desenvolvidos. Sendo assim, com os “pequenos passos” de Jean Monnet, a “comunidade” deu grandes passos.

 

4. O que aconteceu depois foi que tudo isto foi mudado: o experimentalismo político vanguardista substituiu os “pequenos passos”; à medida que as coisas falhavam em baixo, acelerava-se em cima; o medo ao voto foi crescendo à medida que “projectos europeístas”, como a Constituição Europeia, caíram aos pés do “canalizador polaco”; o receio de que os países do centro e do Leste na Europa pusessem em causa o poder do “motor franco-alemão” (e que os agricultores polacos quisessem receber o mesmo que os agricultores franceses…) foi criando uma hierarquia, depois um directório e depois um poder solitário da Alemanha; o crescimento do poder da burocracia de Bruxelas, que acha que sabe melhor como governar os países do que os parlamentos e governos; as divisões sobre o Iraque; o cepticismo inglês que cresceu com a ideia de que “um buldogue inglês é melhor do que uma couve-de-bruxelas”; e uma patética e perigosa política externa que destruiu a Líbia ajudou ao incêndio sírio e gerou a guerra civil da Ucrânia. Chega?

 

5. Não chega. Há mais e, agora, cada vez mais é no cerne da soberania e da democracia que a “Europa” suga como um vácuo. Deu-se então a tempestade perfeita, a crise bancária de 2008, chocando com uma Europa dominada pelos partidos conservadores do PPE, a começar por esse tandem altamente capaz Merkel-Schäuble, acolitado pelos anões em que se tornaram os partidos socialistas europeus. A resposta à crise financeira foi transformá-la artificialmente numa crise de outra natureza, a das dívidas soberanas, e tornar essa crise num poder sólido dos alemães que se exerceu sempre como poder político. Tudo começou com a punição à Grécia, que o PPE, aliás, governava com a Nova Democracia e o Pasok, e depois Sócrates, mais a “coligação negativa” que o derrubou, entregou-lhe, com regozijo do PSD e do CDS, Portugal numa bandeja.

 

6. Depois é que se sabe: da troika ao Governo dos não “piegas”, a utilização de uma ideologia da austeridade e do “não há alternativa” para proceder a uma engenharia social que destruiu uma parte da classe média, desequilibrou as relações laborais, transformou o desemprego num meio de baixar salários e acelerar a precariedade, tornou os velhos um fardo e violou todos os contratos com os mais fracos para manter aqueles que eram sacrossantos com os mais fortes. Portugal retrocedeu dezenas de anos, sem que haja uma única mudança estrutural que possa ser creditada a esta governação. E, pior que tudo, disseminou com sucesso, mas como um veneno, uma concepção egoísta entre os portugueses, que passaram a olhar para o vizinho do lado com ressentimento e inveja, ou porque tinha emprego, ou porque tinha direitos e força para os manter, ou porque tem uma pensão “milionária” de mil euros, em vez de olharem para cima. Pergunta-se “quem paga” a quem é aumentado 1,80 euros na sua reforma de 600 euros, e não a quem meteu milhares de milhões para salvar um banco ou para comprar um parecer a um escritório de advogados, ou a uma consultora financeira, depois de ter atirado para fora da função pública os funcionários competentes que o podiam fazer. Quem paga? Nós. Mas a pergunta certa devia ser: quem é que não paga e devia pagar?

 

7. Daqui resulta que, na Europa de hoje, apenas no espaço da soberania é que ainda há uma possibilidade de democracia. Quanto mais soberania, mais democracia. Daí a pressão contínua, nunca sufragada pelos povos, para tornar a “Europa” e “Bruxelas” numa sede de poder que obedece à sua burocracia e aos partidos do PPE, para retirar aos parlamentos nacionais e aos governos qualquer poder de decidir sobre o destino dos povos e das nações. O meu voto vale quase nada e, quando o uso para valer alguma coisa, há que pedir novas eleições. Tantas quantas forem precisas para haver um resultado “europeu”, amigo dos negócios, amigo do “não há alternativa”, amigo de colocar na ordem sindicatos e partidos desalinhados.

 

8. É essa possibilidade que hoje está a ser atacada com aquilo a que chamo "a teoria da democracia limitada", forma de interiorizar e materializar a soberania limitada. Com mais ou menos sofisticação, significa que votem os povos como quiserem, quem manda são os mercados. Na verdade, a frase mais correcta é “mandam os partidos dos mercados”. E os “partidos dos mercados” são a expressão orgânica dos grandes interesses financeiros – o eufemismo é “os nossos credores” –e representam a desaparição do primado do poder político sobre o poder económico, ou seja, da autonomia do poder político assente no voto numa democracia.

 

9. Portugal está nessa encruzilhada. O governo do PSD-CDS é o que a “Europa” do PPE quer e precisa para não haver contágio em Espanha. O governo do centro-esquerda do PS, com apoio do PCP e do BE, não só não pode ter sucesso, como nem sequer pode existir como possibilidade, para o caso miraculoso de mostrar que “há alternativa”. Não é um jogo a feijões – é um jogo, se se pode chamar assim, em que estão todos os grandes interesses europeus e nacionais que agitam fantasmas, que vão da CGTP ao PREC, para gerar o medo e impor o monopólio político da direita. É verdade que o mecanismo ideal da teoria da democracia limitada é ver os partidos socialistas a fazerem a política da direita e com a direita. Mas isso parece falhar em Portugal, como já falhou no Partido Trabalhista inglês. Não é porque Costa seja um Corbyn – não é certamente –, mas porque a recusa visceral de que “os mesmos” continuem a governar, traduzida em 62% dos votos, mudou as regras do jogo e levou o PCP a abrir uma porta que nunca tinha sido aberta e pela qual entraram o PS e o BE.

 

10. Não sei se vão falhar, tudo aponta para que as dificuldades sejam imensas. Mas há quem deseje ardentemente que falhem, mesmo que isso signifique dar cabo da economia que resta, criar um sério conflito institucional entre um governo em gestão a testar sempre os seus limites (como fez com a TAP), um Presidente que será pressionado para meter na gaveta tudo o que uma Assembleia hostil decidir e uma Assembleia a ter de “governar”, sem ter o governo que apoia em funções. Isto, sim, é o PREC. Aliás, nada é mais parecido com a linguagem e as atitudes do PREC do que o que diz e o que faz a direita radicalizada que hoje temos. Obra da “Europa” da soberania limitada, a querer impor à força uma democracia limitada. E não é com “eles” – é connosco.

A TURQUIA, O PETRÓLEO E O ESTADO ISLÂMICO

 

Russia's air force destroyed 500 ISIS tanker truck

 

O jogo duplo de grandes e pequenas potências é desmascarado neste artigo. Não parece tratar-se de propaganda sectária ou de desinformação mas sim de leitura prioritária!!!

http://www.zerohedge.com/news/2015-11-27/how-turkey-exports-isis-oil-world-scientific-evidence


How Turkey Exports ISIS Oil To The World: The Scientific Evidence

Submitted by Tyler Durden on 11/28/2015

Over the course of the last four or so weeks, the media has paid quite a bit of attention to Islamic State’s lucrative trade in “stolen” crude.

On November 16, in a highly publicized effort, US warplanes destroyed 116 ISIS oil trucks in Syria. 45 minutes prior, leaflets were dropped advising drivers (who Washington is absolutely sure are not ISIS members themselves) to “get out of [their] trucks and run away.”

FHS-Leaflet.png

The peculiar thing about the US strikes is that it took The Pentagon nearly 14 months to figure out that the most effective way to cripple Islamic State’s oil trade is to bomb... the oil.

Prior to November, the US “strategy” revolved around bombing the group’s oil infrastructure. As it turns out, that strategy was minimally effective at best and it’s not entirely clear that an effort was made to inform The White House, Congress, and/or the public about just how little damage the airstrikes were actually inflicting. There are two possible explanations as to why Centcom may have sought to make it sound as though the campaign was going better than it actually was, i) national intelligence director James Clapper pulled a Dick Cheney and pressured Maj. Gen. Steven Grove into delivering upbeat assessments, or ii) The Pentagon and the CIA were content with ineffectual bombing runs because intelligence officials were keen on keeping Islamic State’s oil revenue flowing so the group could continue to operate as a major destabilizing element vis-a-vis the Assad regime.

Ultimately, Russia cried foul at the perceived ease with which ISIS transported its illegal oil and once it became clear that Moscow was set to hit the group’s oil convoys, the US was left with virtually no choice but to go along for the ride. Washington’s warplanes destroyed another 280 trucks earlier this week. Russia claims to have vaporized more than 1,000 transport vehicles in November.

Of course the most intriguing questions when it comes to Islamic State’s $400 million+ per year oil business, are: where does this oil end up and who is facilitating delivery? In an effort to begin answering those questions we wrote:

Turkey's role in facilitating the sale of Islamic State oil has been the subject of some debate for quite a while. From "NATO is harbouring the Islamic State: Why France’s brave new war on ISIS is a sick joke, and an insult to the victims of the Paris attacks", by Nafeez Ahmed:

"Turkey has played a key role in facilitating the life-blood of ISIS’ expansion: black market oil sales. Senior political and intelligence sources in Turkey and Iraq confirm that Turkish authorities have actively facilitated ISIS oil sales through the country. Last summer, Mehmet Ali Ediboglu, an MP from the main opposition, the Republican People’s Party, estimated the quantity of ISIS oil sales in Turkey at about $800 million—that was over a year ago. By now, this implies that Turkey has facilitated over $1 billion worth of black market ISIS oil sales to date."

Here's what former CHP lawmaker Ali Ediboglu said last year:

“$800 million worth of oil that ISIS obtained from regions it occupied this year [the Rumeilan oil fields in northern Syria — and most recently Mosul] is being sold in Turkey. They have laid pipes from villages near the Turkish border at Hatay. Similar pipes exist also at [the Turkish border regions of] Kilis, Urfa and Gaziantep. They transfer the oil to Turkey and parlay it into cash. They take the oil from the refineries at zero cost. Using primitive means, they refine the oil in areas close to the Turkish border and then sell it via Turkey. This is worth $800 million.”

Earlier this month, Ediboglu told Russian media that "ISIL holds the key to these deposits and together with a certain group of persons, consisting of those close to Barzani and some Turkish businessmen, they are engaged in selling this oil" ("Barzani" is a reference to Masoud Barzani, President of the Iraqi Kurdistan Region).

But even as Turkey's ties to the ISIS oil trade have been hiding in plain sight for the better part of two years, the Western media largely ignores the issue (or at least the scope of it and the possible complicity of the Erdogan government) because after all, Turkey is a NATO member.

Unfortunately for Ankara, Erdogan's move to shoot down a Russian Su-24 near the Syrian border on Tuesday prompted an angry Vladimir Putin to throw Turkey under the ISIS oil bus for the entire world to see. Here's what Putin said yesterday after a meeting in Moscow with French President Francois Hollande:

"Vehicles, carrying oil, lined up in a chain going beyond the horizon. The views resemble a living oil pipe stretched from ISIS and rebel controlled areas of Syria into Turkey. Day and night they are going to Turkey. Trucks always go there loaded, and back from there – empty. We are talking about a commercial-scale supply of oil from the occupied Syrian territories seized by terrorists. It is from these areas [that oil comes from], and not with any others. And we can see it from the air, where these vehicles are going."

“We assume that the top political leadership of Turkey might not know anything about this [illegal oil trade although that's] hard to believe," Putin continued, adding that “if the top political leadership doesn’t know anything about this, let them find out."

 

FHS-ISISErdogan.png

 

Obviously, Putin is being sarcastic. He very clearly believes that the Erdogan government is heavily involved in the transport and sale of ISIS crude. In the immediate aftermath of the Su-24 incident, Putin said the following about Ankara:

  • PUTIN: OIL FROM ISLAMIC STATE IS BEING SHIPPED TO TURKEY
  • PUTIN SAYS ISLAMIC STATE GETS CASH BY SELLING OIL TO TURKEY

As part of our continuing effort to track and document the ISIS oil trade, we present the following excerpts from a study by George Kiourktsoglou, Visiting Lecturer, University of Greenwich, London and Dr Alec D Coutroubis, Principal Lecturer, University of Greenwich, London. The paper, entitled "ISIS Gateway To Global Crude Oil Markets," looks at tanker charter rates from the port of Ceyhan in an effort to determine if Islamic State crude is being shipped from Southeast Turkey.

* * *

From "ISIS Gateway To Global Crude Oil Markets"

The tradesmen/smugglers responsible for the transportation and sale of the black gold send convoys of up to thirty trucks to the extraction sites of the commodity. They settle their trades with ISIS on site, encouraged by customer friendly discounts and deferred payment schemes. In this way, crude leaves Islamic State-run wells promptly and travels through insurgent-held parts of Syria, Iraq and Turkey.

Since allied U.S. air-raids do not target the truck lorries out of fear of provoking a backlash from locals, the transport operations are being run efficiently, taking place most of times in broad daylight. Traders lured by high profits are active in Syria (even in government-held territories), Iraq and south-east Turkey.

The supply chain comprises the following localities: Sanliura, Urfa, Hakkari, Siirt, Batman, Osmaniya, Gaziantep, Sirnak, Adana, Kahramarmaras, Adiyaman and Mardin. The string of trading hubs ends up in Adana, home to the major tanker shipping port of Ceyhan.

 

FHS-TradingHubsISIS.png

Ceyhan is a city in south-eastern Turkey, with a population of 110,000 inhabitants, of whom 105,000 live in the major metropolitan area. It is the second most developed and most populous city of Adana Province, after the capital Adana with a population of 1,700,000. It is situated on the Ceyhan River which runs through the city and it is located 43 km east of Adana. Ceyhan is the transportation hub for Middle Eastern, Central Asian and Russian oil and natural gas (Municipality of Ceyhan 2015).

 

FHS-Ceyhan_0.png

The port of Ceyhan plays host to a marine oil terminal that is situated in the Turkish Mediterranean and has been operating since 2006. It receives hydrocarbons for further loading in tankers, which carry the commodity to world markets.

Additionally, the port features a cargo pier and an oil-terminal, both of 23.2m depth that can load tankers of more than 500 feet in length (Ports.com 2015). The annual export capacity of the terminal runs as high as 50 million tonnes of oil. The terminal is operated by Botas International Limited (BIL), a Turkish state company that also operates the Baku-Tbilisi-Ceyhan pipeline on the territory of Turkey.

The quantities of crude oil that are being exported to the terminal in Ceyhan, exceed the mark of one million barrels per day. Putting this number into context and given that ISIS has never been able to trade daily more than 45,000 barrels of oil (see Section 2, ‘The Upstream Oil Business of ISIS’, page 2), it becomes evident that the detection of similar quantities of smuggled crude cannot take place through stock-accounting methods. However, the authors of the present paper believe that there is another proxy-indicator, far more sensitive to quantities of ultracheap smuggled crude. This is the charter rates for tankers loading at Ceyhan.

The Baltic Exchange (2015 a) tracks the charter rates on major seaborne trading routes of crude oil. To render its service more efficient and easily understood, it uses the system of Baltic Dirty Tanker Indices (Baltic Exchange 2015 b). One of these indices used to be the BDTI TD 11, 80,000 Cross Mediterranean from Baniyas, Syria to Laveras, France (see Map VI). Route 11 was discontinued in September 2011, due to Syria’s civil war and soon thereafter, it was replaced by BDTI TD 19 (TD19-TCE_Calculation 2015), of exactly the same technical specifications as BDTI TD 11, with the exception of the loading port of Ceyhan instead of Baniyas.

From July 2014 until February 2015, the curve of TD 19 features three unusual spikes that do not match the trends featured by the rest of the Middle East trade-routes (see Graph IV):

  1. The first spike develops from the 10th of July 2014 until the 21st, lasting approximately ten days. It coincides with the fall of Syria’s largest oil field, the AlOmar, in the hands of ISIS (Reuters 2014);
  2. The second spike takes place from the end of October until the end of November 2014, lasting one month. It happens at the same time with fierce fighting between fundamentalists and the Syrian army over the control of the Jhar and Mahr gas fields, as well as the Hayyan gas company in the east of Homs province (International Business Times 2014; Albawada News 214);
  3. The third spike lasts from the end of January 2015 until the 10th of February, stretching roughly ten days. It happens simultaneously with a sustained US-led campaign of airstrikes pounding ISIS strongholds in and around the town of Hawija east of the oil-rich Kirkuk (Rudaw 2015);

FHS-TankerRates_0.png

The authors of this paper would like to make it clear from the very beginning that this has not been the case of a ‘smoking gun’. The evidence has been inconclusive. But even if volumes of ISIS crude found their way, beyond any reasonable doubt, to the international crude oil markets via the Ceyhan terminal, this fact would not conclusively point to collusion between the Turkish authorities and the shadow network of smugglers, let alone ISIS operatives.

However, having clarified such a politically sensitive issue, the authors believe that there are strong hints to an illicit supply chain that ships ISIS crude from Ceyhan. Primary research points to a considerably active shadow network of crude oil smugglers and traders (see section 2.1, page 3), who channel ISIS crude to southeast Turkey from northeast Syria and northwest Iraq. Given the existence of Route E 90, the corresponding transportation of oil poses no unsurmountable geographic and topological challenges.

An additional manifestation of the invisible nexus between Ceyhan and ISIS became evident through the concurrent study of the tanker charter rates from the port and the timeline of the terrorists’ military engagements (see section 3.4 on this page). It seems that whenever the Islamic State is fighting in the vicinity of an area hosting oil assets, the 13 exports from Ceyhan promptly spike. This may be attributed to an extra boost given to crude oil smuggling with the aim of immediately generating additional funds, badly needed for the supply of ammunition and military equipment. Unfortunately, in this case too, the authors cannot be categorical.

 

* * *

 

No, it can't be categorical and frankly, if the authors claimed to have discovered indisputable proof, we would be immediately skeptical. What they have done however, is identify a statistical anomaly and develop a plausible theory to explain it.

The key thing to note, is that this is a state-run terminal and it certainly seems as though charter rates spike around significant oil-related events involving Islamic State. Indeed, the fact that the authors mention collusion between Turkish authorities and ISIS operatives (even if they do so on the way to hedging their conclusions) indicates that the researchers think such a partnership is possible.

 

FHS-ErdoganISIS2_0.png

Finally, note that Ceyhan is less than two hours by car from Incirlik air base from which the US is flying anti-ISIS sorties. In other words, ISIS oil is being shipped to the world right down the road from Washington's preferred Mid-East forward operating base.

Now that we can add what looks like quantitative evidence that ISIS oil is shipped from Turkey to the voluminous qualitative evidence supplied by ex-Turkish lawmakers, investigative reporters, and the Russian government (to name just a few sources), we can now proceed to consider one final question: where does the crude that helps to fund Bakr al-Baghdadi's caliphate ultimately end up? More on that over the weekend.

 

 * * *

É preciso salientar dois ou 3 pontos fundamentais:


a) As hesitações hamletianas de Washington, como revela o autor:
"...it took The Pentagon nearly 14 months to figure out that the most effective way to cripple Islamic State’s oil trade is to bomb... the oil.”

b) Segundo Vladimir Putin – e faz todo o sentido – o petróleo do Estado Islâmico é exportado para a Turquia para benefício, muito lucrativo, diga-se de passagem, do Estado Islâmico.

c) O terminal petrolífero de Ceyhan, na costa turca, perto da zona de fronteira regista anomalias, no sentido da alta, que não se registam nas demais regiões produtoras do Médio Oriente e que coincidem com períodos de maior actividade bélica no terreno (vizinho, entenda-se), o que pode traduzir-se na necessidade de "cash" por parte do Daesh (acrónimo do Estado Islâmico, segundo designação árabe) para a compra de armamento. O envolvimento do governo turco fica por demonstrar, mas é certo e sabido que a Turquia tem lucrado com o negócio e o Estado Islâmico tem escoado a sua produção através do contrabando transfronteiriço.

 

É extremamente interessante, elucidativo e, além disso, bastante objectivo este artigo de que recomendo adequada leitura e reflexão. Que se extraiam as conclusões que se impõem!

 

Lisboa, Dezembro de 2015

 

Francisco Henriques da Silva.jpgFrancisco Henriques da Silva

MUITAS E DESVAIRADAS GENTES – 13

 

Quando há oito anos estive em Goa pela primeira vez, não consegui visitar o meu amigo mais antigo naquelas paragens – e certamente dos mais ilustres – o Padre Joaquim Loiola Pereira, Secretário do Patriarca do Oriente e Arcebispo de Goa, mas desta vez não me permitiria nova falta e, portanto, troquei as voltas ao guia turístico e fui mesmo ao Paço Patriarcal.

 

P. Joaquim Loiola Pereira.jpg

 P. Joaquim Loiola Pereira

 

Sem aviso prévio, apresentei-me no hall de entrada e o porteiro, amável mas sem saber quem eu era nem ao que ia, indicou-me prontamente a sala no primeiro andar e apontou-me a escadaria como se eu fosse o enviado de algum Arcanjo. Evidente falta de segurança. Fiquei depois a pensar que o dito porteiro, algo idoso, já tinha poderes especiais depois de tanto tempo próximo da espiritualidade conseguindo distinguir os bons dos malandros só olhando para a cara de cada um. Ou será que me viu a aura e que ela é azul?

Paço patriarcal de Goa.jpg

 Paço patriarcal de Goa

 

Subi as escadas, virei no sentido indicado pelo porteiro e a porta do gabinete do meu amigo estava aberta e ele sentado à secretária ao lado da janela. Anunciei-me com um toque na dita porta aberta e logo o Padre Loiola, de sotaina branca, me reconheceu e me abraçou. Parecia que tínhamos acabado de conversar na semana anterior e que retomávamos a conversa com o entusiasmo em que a deixáramos antes. E falámos de tantas coisas e não falámos de tantas outras que, não há dúvida, teremos conversa para os próximos decénios...

 

Contei-lhe da visita que acabara de fazer ao Sri Lanka e da minha tentativa de localização do túmulo de S. José Vaz. Busca infrutífera, aliás. Então, o Padre Loiola contou-me que ele próprio e um colega tinham sido encarregues pelo seu Patriarca de irem a Kandy para tentarem identificar o túmulo do primeiro Santo genuinamente goês.

 

Deslocando-se num carro com motorista da Diocese de Colombo e acompanhados de um Padre diocesano cingalês, lá foram até Kandy onde pararam em frente do Templo do Dente de Buda, local onde consta que S. José Vaz foi enterrado. Mas o Governo cingalês decidira demolir a igreja que ali se situava (e onde estaria a sepultura do Santo) para construir uma Esquadra de Polícia e qual não foi o espanto quando foi descoberta uma sepultura e um esqueleto. Foi então com enorme entusiasmo tanto das Autoridades civis como religiosas (católicas, claro!) que se procedeu a tudo o que era possível para identificar o esqueleto. E qual não foi o desânimo quando se concluiu que aquele esqueleto não era o do Santo.

 

História interessante, sem dúvida e que não se conclui enquanto não for descoberto o esqueleto que todos procuram afanosamente. Mas o mais curioso está no que o Padre Loiola contou de seguida: tanto o motorista como o Padre, ambos cingaleses, mesmo dentro do carro, falavam em surdina nas cercanias do local em que a tradição aponta como o da sepultura para não afligirem os espíritos que por ali possam vaguear. É fantástico como dois católicos militantes, um deles Padre, possam estar imbuídos de crenças tão sentidas sobre a presença de espíritos vagantes que se possam afligir com alguma voz mais sonante que ande em busca dos restos físicos de outro espírito, amigo dos potencialmente aflitos.

 

A busca continua mas, pela graça divina, sem ofensa para os espíritos vagantes.

 

E a conversa continuaria se os meus companheiros de viagem não tivessem telefonado lá de baixo, do hall do Patriarcado, a dizer que estavam fartos de esperar.

 

Logo o Padre Loiola me acompanhou até junto do autocarro e, na pressa das despedidas, esqueci-me de fazer a foto que aqui falta.

 

Lisboa, 11 de Dezembro de 2015

 

Henrique num templo indú em Goa.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(num templo indú algures em Goa, NOV15)

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