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A bem da Nação

MUITAS E DESVAIRADAS GENTES – 6

 

 

 

Entrámos no Kerala por Kumily, no alto duma estrada de montanha que nos levou da planície tamil a um planalto que só lá mais para a frente se desfaz na planície keraliana, já na Costa do Malabar.

 

Uma mulher que fuja com o amante não abandona o marido, livra-o de uma mulher infiel.

 

Diz-se que o dinheiro não faz a felicidade: evidentemente alude-se ao dinheiro dos outros.

 

Sacha Guitry.png

 

Sim, foi preciso chegar a Cochim para me lembrar de Sacha Guitry. Como assim? Pois pelo simples facto de este actor francês ter sido uma das raras expressões de humor durante o regime pró germânico de Vichy.

 

E isto porque os indianos não emigrados, à semelhança dos alemães, não têm sentido de humor: os alemães, certamente inspirados pelos seus sorumbáticos deuses do Walhala numa missão moralizadora de povos menos carrancudos, os hilários; os indianos, no seu esgravatar constante pela sobrevivência física, apesar da inspiração de Ganesh, o deus da felicidade, bonomia, humor.

 

Ganesh.png

 

É que em Cochim assisti a uma representação teatral muito bem-humorada levando-me a reconhecer que o erotismo védico não é humorístico e que «primum vivere, deinde philosophare». Esta prioridade não deixa, pois, tempo para chalaças. Como na Vichy de Pétain e de Laval. Malgré tout, Guitry fazia humor. E por isso me lembrei dele.

 

Teatro em Cochim-NOV15.jpg

 

Palco totalmente despido de cenários, só as paredes, um narrador munido de um tamborim, uma personagem principal (à direita, na foto) e uma outra personagem que só entra na última cena de um espectáculo de mímica e som perfeitamente inesquecível pela subtileza alcançada.

 

Na primeira parte do espectáculo, a mímica de todas as expressões humanas desde a alegria à tristeza e ao rancor passando pelo espanto, pela sedução, pelo medo, pela coragem... Sem uma palavra, apenas o tamborim do narrador que só falou no início e se calou durante o resto do espectáculo. Na segunda parte, a sedução da personagem principal, pretensamente feminina, à secundária, obviamente masculina. Troca de razões, rejeição da abordagem, ira desbragada e revelação de que, afinal, a sedutora era um demónio assoberbando o inocente deus.

 

A eterna luta entre o bem e o seu contrário, entre deuses e demónios.

 

E por que é que o mal há-de ser sempre personificado no feminino? Cada vez mais me convenço de que os autores (não os fundadores mas talvez os discípulos escritores) de muitas das religiões que por aí pululam não gostavam de mulheres.

 

Até porque, como Guitry, sou a favor do costume de se beijar as mãos de uma mulher quando somos apresentados pois, afinal, é preciso começar por algum lado.

 

 

Lisboa, 4 de Dezembro de 2015

 

 

Henrique, navegando na baía de Cochim-NOV15.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(navegando na baía de Cochim, NOV15)

PUTIN ACERTOU – O PRESIDENTE ASSAD FAZ PARTE DA SOLUÇÃO

 

Assad.png

 

A História do Iraque e da Líbia deu-lhe razão. O resultado da intervenção americana na região foi catastrófico. Apoiaram os rebeldes contra regimes autoritários estabelecidos, intervieram militarmente e depois abandonaram o terreno às feras. O mesmo está a dar-se no Afeganistão. Derrubaram o presidente Saddam no Iraque sem qualquer plano para o futuro. Agora reina o terror do ISIS. O Ocidente interveio na Líbia derrubando o presidente Gaddafi e o resultado foi ficar tudo mil vezes pior que antes e agora reina o caos. Parece que não percebem um mínimo da sociologia e antropologia árabe-muçulmana; ou será, a esperança da reconstrução, um programa para a conjuntura económica do ocidente?

 

Já por tudo isto Putin parece ter razão ao apoiar o presidente Assad. Assim pode assegurar um mínimo de segurança na região. Foi preciso chegar Putin para as potências europeias chegarem à conclusão que afinal Baschar al-Assad é parte da solução.

 

Putin tem experiência: sabe que uma sociedade autoritária com um fascismo ideológico de base só pode ser governada por regimes autoritários com força suficiente para manter uma certa ordem a desordem ordenada.

 

GUIA ONLINE PARA REFUGIADOS

 

Atendendo ao impacto das diferentes maneiras de comportamento entre os refugiados e as pessoas do país acolhedor, alguns municípios e organizações organizaram guias de bom comportamento para os refugiados. Guia em alemão, árabe, francês, inglês: http://www.refugeeguide.de/

 

A junta de freguesia de Hardheim, na Alemanha, publicou um aviso ainda mais concreto sobre regras de etiqueta para refugiados. Por exemplo: a fazerem as necessidades nas toiletes e não em jardins nem parques, as embalagens nos supermercados não devem ser abertas antes de se pagar, na Alemanha não se deve fazer barulho a partir das 22 horas para não perturbar os vizinhos; o lixo coloca-se nos caixotes do lixo; é considerado assédio, um homem pedir, sem mais, o número de telemóvel ou o contacto de Facebook a uma jovem e que também não querem casar. Isto provocou crítica. À primeira vista parece um acto arrogante e até discriminador, se não fossem muitos os casos na realidade do dia-a-dia. Em Julho, em Colónia um imame (orientador muçulmano) recusou-se a apertar a mão a uma representante da cidade alegando que ela era uma mulher.

 

FIM À FORMAÇÃO DOS REBELDES ISLÂMICOS DA SÍRIA PELOS USA

 

Em lugares discretos dos jornais dá-se magro espaço à notícia do New York Times de que os USA acabam com o treino e formação de rebeldes sírios. Segundo informações governamentais, o programa de 500 milhões de dólares, para treinar os rebeldes, não teve efeito no sentido de melhorar o seu poder combativo pelo que não será prolongado. Foi preciso a Rússia intervir para chegarem a tal conclusão!

 

A guerra na Síria não é querida pela Síria, é obra e negócio resultante do conflito entre xiitas e sunitas em que se envolvem os USA (Nato) e da Rússia. no apoio ao conflito entre os muçulmanos Sunitas (Arábia Saudita, Turquia…) e os muçulmanos xiitas (Irão e o Presidente sírio). Os USA fazem o seu negócio com o conflito dos sunitas contra os xiitas (a Turquia aproveita a boleia no seu conflito contra os curdos querendo ver o conflito escalado a nível de toda a Nato) e a Rússia faz o seu contra os sunitas apoiando o presidente Sírio e o Irão que quer desestabilizar ainda mais a região para melhor atingir o seu fim de aniquilar Israel e se instalar na região como super potência também ela com a bomba atómica. Este negócio diabólico será bem pago com a aniquilação da Síria (depois a ser reconstruída pelas firmas russas, americanas e europeias) com a factura já a ser paga nos refugiados e no fomento do terrorismo pelo Irão e pela Arábia Saudita e correspondentes aliados.

ACDJ-Prof. Justo-3.jpg

António da Cunha Duarte Justo

UM SORRISO DE TURBANTE

 

 

Não sei bem porquê, o sorriso de entendido de António Costa tem-me trazido à mente, ultimamente, a figura espectacular de Joana Simeão, uma activista que surgiu logo após o 25 de Abril, lá por Moçambique, assim que foi mandatado o processo da independência, pelos zeladores portugueses dos destinos pátrios, tendo ela chefiado um dos bandos interessados no poder. Mais tarde seria presa por outro bando e acabaria morta, leio que queimada viva, regada com gasolina, na pressa, compreensível, de decidir dos destinos de uma nação a desabrochar, eliminando os empecilhos, nada parecido com o caso de Joana d’Arc dos tempos recuados da história anglo-francesa, onde também havia – houve sempre – despiques de governação, até assentarem, e as cremações eram mais sentidamente devotas, ainda não poluídas com gasolina, combustível desconhecido nesses tempos de atraso, mas igualmente de empecilhos.

 

Joana Simeão, lembro-me bem da sua voz sonora, aconselhando o seu povo a não se exaltar contra os brancos, maneira cavilosa de os incitar a isso, como escrevi nesses tempos, em “Pedras de Sal”, figura que desenhei, no mesmo livro, da seguinte maneira:

 

Joana Simeão Assim é Joana…

 

Itinerante. Revolucionária. Espaventosa e de gracioso turbante.

Cem por cento militante,

-Ela o diz, a gente o crê, pelo que ouve e o que vê -

Vai em frente, sempre avante,

Cheia de força e de fé,

No ardor da sua palavra

Convincente e operante.

Gira que gira, torna que torna,

Põe, depõe, repõe, compõe,

Sempre com garra, sempre com alma.

Assim é Joana,

Itinerante e de gracioso turbante.

Espírito gritante, diz verdades convincentes

Que andam na boca das gentes.

Insulta e recebe insultos

Não se rala e vai avante

Devolvendo, veemente,

Olho por olho, dente por dente.

Assim é Joana.

Graciosa, em turbilhão,

Saltando ágil na ampla arena

Do terreno cobiçado

- Moçambique, sua terra –

Onde julga vir a ter

Papel preponderante.

Mas sempre na augusta cabeça

Um majestoso turbante.

 

Deve ter sido o sorriso rasgado de António Costa, ao longo das suas exposições junto dos parceiros sociais da esquerda, nas mesas a que a televisão tinha acesso, que me trouxe à memória o tal turbante da Joana Simeão, o qual a demarcava do vulgar lenço que outras suas conterrâneas usavam. Tal se me revelou o sorriso demarcador de Costa ante os parceiros e a televisão, mostrando que tudo ia bem no melhor dos mundos, tipo cocorocó ou gluglu de galináceo, e que a seres rancorosos como eu, consciente de que a situação não é de rir mas de chorar, produziu o tal efeito inesquecível do turbante.

 

Costa de turbante.jpgAssim é Costa...

 

De sorriso contundente

Que hoje se revelou mais discreto

Para convencer um país obsoleto

Sempre pronto a aceitar quaisquer migalhas

Da mesa das vitualhas

Que ele promete impante

Com o desplante

De alguém mais que indiferente

Àquilo que vai destruir

Só para ter o poder

De, do governo, usufruir,

Sem ouvir outra razão

Que não seja a ambição

De governar,

Fingindo que o que quer

É dar oportunidade à esquerda,

Condenada ao triste fado

De estar longe do poder

No papel de boicotar

E de exigir

Obtido na vilania

Do ódio e da aleivosia

De atacar porque sim,

Ou porque não,

Em babugem de virtude

Ou bondade como fim

Que não são senão pretexto

Para obter a simpatia

Desse povo só coeso

No pedir.

Pobre país atraído

Por promessas de sorriso

Sem turbante mas impante,

Dando oportunidade ao partido

Que os marretas de agora,

Bem desprezavam outrora!

Pobre país traído,

Mais uma vez adiado,

Nosso fado!

 

Berta Brás 2.jpg Berta Brás

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