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A bem da Nação

DO TEMPO QUE NOS É DADO

 

 

O tempo que vivemos é um tempo conturbado, a que alguns chamam histórico, em que muitas regras de convivência social e parlamentar foram quebradas, o que tem necessariamente a consequência de um ambiente de permanente quezília, conduzindo o debate de ideias sobre o nosso futuro comum ao nível da discussão futebolística que, ignorando totalmente o desempenho desportivo das equipas em campo, resume a contenda a apreciações subjectivas e emotivas de árbitros, treinadores e presidentes. O resultado é um ambiente conflituoso e agressivo.

 

PAPINTO-Gandalph.png Recordo uma frase de Gandalph, o cinzento, o feiticeiro de “O Senhor dos Anéis”, de Tolkien, dirigindo-se a Frodo, em tempos também difíceis:

- A nós não nos cabe decidir o que acontece. Tudo o que nos cabe decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.

 

 

PAPINTO.png Pedro Aguiar Pinto

MAS SE ELES GRITAM “NO PASARÁN”!

 

Enviei o seguinte curto comentário ao texto intitulado «Mensagem aos estrategas», destinado a manifestar a minha compreensão pelo Governo minoritário, caso este desista, rogando, entretanto, intimamente e egoisticamente para que não o faça, na linha do caprichoso e desinibido texto do Dr. Salles, do tipo de “pão pão, queijo queijo”, sem se impressionar pelas nossas naturais sensibilidades do “coitadinho”: «Mas será que se pode exigir que esse governo aguente os enxovalhos de gente que está ali apenas para boicotar? Até Cristo desistiu.»

 

Mas encontro, entre os Públicos que a minha irmã me traz, o seguinte artigo de Vasco Pulido Valente, que parece responder cabalmente ao desafio de Salles da Fonseca, (desafio que deve acudir a muitos de nós, sempre pendentes de um Dom Sebastião, mesmo envolto em neblina matinal), analisando a questão na sua dimensão específica, incriminando Cavaco e Costa, e aconselhando Passos e Portas, na medida do possível, para que se “descontraiam”. No fundo, na mesma linha de egoísmo a seguir exposta.

Berta Brás.jpg Berta Brás

 

Eles que se arranjem

Vasco Pulido Valente.png Vasco Pulido Valente

24/10/2015 - 05:09

Cavaco, apesar de quatro maiorias, nunca foi um bom político. Agora, por exemplo, começou por não antecipar as legislativas para Junho, com o propósito presumível de dar uma ajudinha a Passos. Não deu uma ajudinha que chegasse: Passos ficou em minoria e não pode governar. E Cavaco, que se paralisou a si próprio, tem de aturar a Assembleia que saiu do 4 de Outubro, por muito que ela o desgoste e meta medo. Pior: o Presidente pediu incessantemente uma aliança estável e duradoura entre o PS e o PSD e só há 15 dias percebeu que o ódio que pouco a pouco ia crescendo entre a esquerda e a direita impedia o mais vago compromisso ao centro. O que lhe apareceu no fim acabou por ser uma coligação do PS, do Bloco e do PC, que ele amplamente mereceu.

Anteontem indigitou Passos Coelho para primeiro-ministro, seguindo uma velha tradição do regime. Infelizmente, não ficou por aí. Já ganhara o que devia ganhar, transferindo para a Assembleia da República o odioso de afastar a direita. Não era preciso mais nada. Só que o Dr. Cavaco resolveu fazer uma cena de irritação e despeito: insultou a esquerda, tentou dividir o PS (uma ideia ridícula) e deu a entender que, se as coisas se estragassem, não se importava por aí além de deixar Passos Coelho nove meses pendurado num Governo de gestão. Doesse a quem doesse, evidentemente. Se Passos aceitar esta extravagância, comete um suicídio grotesco e parte o PSD aos bocadinhos. O que lhe convém é isolar Costa e a sua gente e assistir com tranquilidade ao desastre que eles vão criar. Nem bom dia, nem boa tarde, eles que se arranjem.

A solidão do bravo e coleante secretário-geral do PS e das magníficas criaturas que o empurram talvez não impressionem o português comum. Mas, sem dúvida, aquilo que faz falta ao português comum é conhecer à sua custa a nossa querida “esquerda” e a maneira como ela funciona. Os sound bites da televisão e a gritaria dos debates não chegam para conhecer em profundidade a natureza e a beleza de tão extraordinário bicho. Se conseguirem não se dirigir a esse bicho durante a oposição (que já começou), Passos Coelho e Paulo Portas irão inevitavelmente ganhar, quando o próximo Presidente da República acabar com a farsa que António Costa montou e que, no fundo, mais de metade dos portugueses desprezam.

MENSAGEM AOS ESTRATEGAS

 

 

Em 4 de Outubro, o meu voto na Coligação foi claro e positivo para confirmar as políticas em curso de redução do défice das contas públicas, de reequilíbrio das relações com o exterior, de substituição do modelo gastador que nos conduziu à ruína por um modelo de verdadeiro desenvolvimento assente na produção de bens e serviços transaccionáveis.

 

O meu voto foi sempre – e em 4 de Outubro também – contra a demagogia, o hedonismo, os jogos de bastidores e a superficialidade. O meu voto foi e continuará a ser a favor de políticas transparentes com efeitos na afirmação da nossa autonomia em relação a dependências externas e na dignidade individual em contraponto com o paternalismo estatal.

 

Se uma maioria espúria de votos parlamentares impedir agora a existência de um nosso Governo pleno, os estrategas da minha Coligação que preconizam a desistência da governação em gestão correm o risco de eu me sentir traído e abandonado a experiências esquerdistas que muito provavelmente serão fracturantes. E, então, se eu perder a confiança nos dirigentes da minha Coligação, muito provavelmente sentirei necessidade de mudar de estrategas, não de políticas.

 

Não votei para agora estar submetido a jogos de bastidores nem a amuos.

 

A Coligação em que votei ganhou inequivocamente as eleições de 4 de Outubro, a Coligação tem a obrigação de governar.

 

Lisboa, 28 de Outubro de 2015

 

De Denang para Hué.JPG

Henrique Salles da Fonseca

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