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A bem da Nação

CARTA A RAQUEL

 

Faz hoje 41 anos que fui Mãe pela segunda vez. Como há "tanto mar" a separar-nos, deixo-te aqui um poema já antigo, mas que continua actual...

 https://www.youtube.com/watch?v=hdvheuHhF2U

 

mae-avo-filha.jpg

 

Filha,

Este ano, estão tão doces

As romãs!

Que pena esta distância

A separar-nos;

Seria bem mais fácil

Conversarmos

Do amor, da vida

E das romãs…

E apesar de seres Verão

‘inda começo

E eu este Outono

Onde tropeço

E caio, em queda lenta

No Inverno

Ele teria para mim

Um doce encanto

De seio, de colo, de acalanto

Se este longe

Não doesse tanto

E pudéssemos conversar

Sobre as romãs!...

 

Maria Mamede.jpg Maria Mamede

MAS JÁ NÃO HÁ GENERAIS

 

O jogo do ganha-perde era um jogo de damas que jogávamos com o meu pai, em que ele nos punha a comer todas as pedras enquanto o diabo esfrega um olho, fazendo-nos perder imediatamente o jogo, apesar da aparente vitória, estatuída como derrota, segundo as regras previamente determinadas – tal como era a vitória resultante de as pedras serem comidas, no jogo do comer vitorioso. É claro que perdíamos sempre, quer o comer significasse derrota ou vitória, e breve deixámos de jogar com o nosso implacável pai, procurando brinquedos menos humilhantes, tais o paulito, o berlinde, a bola, o ring, com parceiros da mesma competência e alegria na agilidade.

 

Foi o que me lembrou este artigo de Henrique Monteiro, do Expresso de 17/10, “Manual de Ética Política”, o jogo do ganha-perde da minha infância, na determinação abusiva estatuída por um pensamento pretensamente adulto, de António Costa e camarilha, que viram na jogada (sugerida anteriormente por mentores da nossa inteligência nacional, excluído o status ético pessoal), um meio de projecção e de autêntico furo para Costa e camarilha, à falta do resultado arrasador que prometera, quando expulsara Seguro, e igualmente para o PS, desejoso de recuperar o protagonismo do comando, embora contrariado por alguns adeptos moralmente mais escrupulosos ou pelo menos aparentando isso. Quanto à camarilha da esquerda, os sonhos são naturalmente radiosos, pelo inesperado do maná no seu deserto de destruição assumida sempre com gozo.

 

O artigo de Henrique Monteiro aponta igual estratagema de quem ganhou perdeu, sem que, todavia, tais regras fossem previamente estabelecidas, mas antes forjadas, no acaso de conjunturas favoráveis e aliciantes, que duas jovens ardilosas resolveram impor a um povo aparentemente subdesenvolvido que as alcandorou a um lugar de bastante relevo, para massagem do seu ego fascinado por inesperada glória política, novas padeiras para ficar na história das nossas batalhas. Felizmente, por enquanto, o subdesenvolvimento não é tão manifesto como elas e os seus companheiros de rua o supunham, embora isso seja por escassos dias, caso Costa continue a fazer finca-pé no seu capricho sem escrúpulo. (De facto, assim acontece).

 

O texto de Henrique Monteiro, é taxativo, o que demonstra quanto de vilania cresceu entre nós, trazido também por um 25 de Abril liberalizador de preconceito e sentido de vergonha, no vale tudo da vaidade cega e do ódio invejoso que irá, certamente, cilindrar direitos e haveres. Como na velha China de Mao, para não falar em outras revoluções passadas e presentes, ditadas por extremismos predadores, neste jogo do ganha-perde, do vale-tudo que já se viveu por cá.

 

Mas nessa altura houve um general para repor o equilíbrio. Agora, também isso foi ao ar.

 

BB-General côr de rosa.jpg

 General côr de rosa ou tropa fandanga

Pode, é certo, voltar, a tropa fandanga – (permito-me a expressão, enquanto ainda reina a tal democracia) – numa reorganização de apoio às forças da usurpação, munidas dos conceitos democráticos só para enganar os tolos que os alcandoraram ao poder.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

 

Manual de ética política

 Henrique Monteiro

Expresso, 17/10/15

 

Os dias que se seguiram às eleições de 4 de Outubro não foram bonitos de se ver, depois de uma noite que augurava uma normalidade e elevação considerável, com Passos a reconhecer que sem maioria teria de negociar e Costa a assegurar que não faria coligações negativas.

 

Os dias seguintes trouxeram, porém, uma surpresa: Costa e os seus apoiantes transformaram, sem aviso prévio, as eleições parlamentares num plebiscito esquerda/direita. E descobriram que, apesar de a coligação ter ganho as eleições, afinal as tinha perdido.

 

Não conheço quem goste de votar sem saber para que o faz. Por mim gostaria de ter sido avisado com o mínimo de ética que se espera de toda a gente. Mas logo dizem que em muitos países é assim: não é quem ganha que governa, mas sim blocos de partidos que conseguem maiorias. Eu sei, mas recordo que esses países são estritamente parlamentares e não semi presidenciais, o que torna as coisas diferentes. Porém, estou convicto de que um acordo entre PS/BE/PCP é legítimo.

 

Não apenas do PS, mas também da esquerda radical. Se o país já era manco, por a esquerda não se unir, mais manco ficará quando se sabe ter sido transposto o muro, que Costa se orgulha de ter derrubado, no sentido errado. Ou seja, no essencial, o derrube não se seguiu a uma viragem do PCP e do BE no sentido democrático, europeu e ocidental, mas a uma necessidade do PS (ou melhor, do seu líder) em salvar a pele.

 

Apesar dos erros de Passos (e também tem vários) o que sobressai é a clara falta de ética republicana de quem, depois do assalto ao partido, quer agora assaltar o país sem querer saber de convenções e tradições. Como se antes dele nada houvesse e depois nada ficasse.

 

E AGORA?

parlamento-Portugal.jpg

 

Mesmo sem o lerem, tudo se encaminha para que o Programa de Governo não passe na Assembleia da República e, portanto, que o Governo presidido por Pedro Passos Coelho caia.

 

Pelo discurso de Cavaco Silva, desacreditando qualquer solução de esquerda, não é crível que, na queda do Governo da Coligação, o Presidente encarregue alguém daquela área ideológica para formar Governo.

 

Restam duas hipóteses: o Governo da Coligação ficar em gestão até às próximas eleições; o Presidente encarregar algum independente de formar Governo (ao género do que fez Ramalho Eanes com os chamados Governos Presidenciais).

 

Rezo a todos os santinhos para que fiquemos com o nosso Governo em gestão pois as Portarias, os Despachos Normativos e os Despachos simples serão suficientes para garantir a ordem legislativa herdada do Governo anterior e os duodécimos do OE15 serão um modo pragmático de gastarmos menos dinheiro enquanto não houver OE16.

 

Se Pedro Passos Coelho não aceitar ficar em gestão, isso significará um período muito conturbado pois nenhum Governo da não esquerda passará, as tentativas governativas suceder-se-ão com grande desgaste político e maior prejuizo económico (a instabilidade é horrível).

 

Servirá esta instabilidade para efectivamente desgastar a esquerda? Não faço a menor ideia mas gostava de não passar por esse cenário de um Governo cada mês até à marcação de eleições.

 

Eis por que peço a Pedro Passos Coelho que preste mais este serviço ao país sacrificando-se a presidir a um Governo de gestão durante mais uns meses. Mais uma vez, os sensatos agradecer-lhe-ão.

 

Henrique Salles da Fonseca-Viena-2JAN14-2.jpg 

Henrique Salles da Fonseca

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