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A bem da Nação

EU, PECADOR, ME CONFESSO

 

 

É certo que me confesso em vão.

Nem ele quer saber do meu pecado,

Habituado

Que está às zoeiras no passado

Que são

As muitas que teve em seu redor.

Por tal motivo melhor seria

Que eu deixasse incógnita esta alegria

De reconhecer que pequei,

Por ter imaginado sequer que ele iria

Ser diferente do que tantas vezes foi,

Solitário, indiferente, superior,

Um tanto ridículo, com o ar simplório,

Mas pacientemente consciente

De que algo construíra

A favor da multidão reclamadora,

E de uma pátria que amou e segurou por várias vezes,

Por cima do barulho e da cegueira

Dos que, depois de bem servidos,

Com muitos pruridos,

Só viam nele mal, ingratamente.

“Gigante”, como lhe chamei um dia

Em “Figuras de papelão”, num cenário de cartão

Com que foi perfidamente entrevistado

Por Margarida Marante e companhia,

Tal como hoje, pretensiosamente,

Ululando displicências pela frente,

Hoje, todavia, antes pelas costas,

Por ser mais difícil de apanhar,

Ao ruído indiferente.

Eu própria distribuí por ele a ironia,

Achando que ele deveria actualmente

Ser mais rápido em execução,

Não deixando que o país sofresse

Tanta angústia por desconhecer

O seu pensamento no cenário humano

Tingido de sorrisos amarelos

Entre os quais os dele,

E de certezas dos que viravam

O país do avesso e se deliciavam

Na perspectiva da transformação.

Cavaco.jpg

Cavaco Silva respondeu

Como sempre, à multidão,

Com dignidade e a mesma chama

De cavaleiro andante com a cruz à frente,

Mau grado a idade da fragilidade.

Perdão!

Eu, pecador, me confesso,

Mesmo em vão.

Ainda que a resposta parlamentar

Deite tudo a perder.

Para Cavaco Silva

A minha muita gratidão

Por continuar a ser.

 

 

Berta Brás 2.jpg Berta Brás

PELA MORTE

 

ceu-azul.jpg

 

 Pela morte, a família não se destrói, ela transforma-se, uma parte dela passa a invisível. Cremos que a morte é uma ausência, quando ela é uma presença discreta. Cremos que ela cria uma distância infinita, quando ela suprime todas as distâncias, trazendo ao espírito o que se localizava na cadeira.

 

Que laços ela renova, que barreiras ela quebra, que muros derruba, que nevoeiro dissipa, se nós verdadeiramente o quisermos.

 

Viver, é muitas vezes, abandonar; morrer é juntar. Não é um paradoxo afirmá-lo. Para os que foram até ao fundo do amor: a morte é uma consagração, não um castigo…

 

No fundo, ninguém morre, porque não sai de Deus.

 

Aquele que parece ter-se parado bruscamente na estrada, escrivão da sua vida, apenas virou uma página.

 

Quando mais seres abandonaram o lar, tanto mais os sobreviventes têm laços celestes.

 

O Céu não é mais apenas povoado de anjos, de santos conhecidos e desconhecidos e do Deus misterioso. Torna-se familiar, é a casa de família, o andar superior da casa, se assim o posso dizer, de alto a baixo, a recordação, os apoios, os apelos têm resposta. Assim seja.

PAPINTO-Antonin Sertillanges.png

Père Antonin Sertillanges

Dominicano francês

(1863-1948)

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