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A bem da Nação

ENTRE NÓS VAI COMEÇAR

 

Agora é que vamos repor a justiça, por que sempre ansiámos, acho que Vasco Pulido Valente não tem razão nos seus esclarecimentos sobre o fim da tal época da social democracia, que para todos os efeitos é uma doutrina da esquerda.

 

Entre os povos mais maduros em capacidade e trabalho, talvez tenha acabado, mas a nossa social-democracia, mais recente e de apoio externo colaborante, só falhada porque distorcida pelos individualismos gerais, vai certamente dar todos os frutos agora, no estabelecimento escrupuloso das igualdades sociais. Começa por uma extorsão, é certo, com manigâncias de promessas e salamaleques de conluio, há muito que Costa age com risos de herói, na subversão que pretende estabelecer.

 

E agora é que a justiça vai reinar, o novo PREC se avizinha, de um “salve-se quem puder” de precipitação, mal a Europa nos retire a passadeira, o que não vai tardar.

Berta Brás.jpg Berta Brás

 

O fim de uma época

Vasco Pulido Valente.png Vasco Pulido Valente

Público, 09/10/2015

 

A “social-democracia” acabou na maior parte da Europa por volta de 1970. Depois da guerra, a grande força igualitária, quem tinha combatido e sofrido queria dos políticos duas coisas básicas. Primeiro, o pleno emprego e salários crescentes. Segundo, um Estado Social mínimo: pensões de velhice, saúde gratuita, educação para todos.

 

Pouco a pouco, os partidos da esquerda e alguns da direita foram dando à massa da população o que ela pedia. Isto durou quando muito vinte anos. Só que a supremacia da Europa (e da América) a partir de 1965-1968 já não permitia este confortável arranjo. Começaram por desaparecer o pleno emprego e os salários crescentes. A seguir, a educação do Estado voltou pouco a pouco a beneficiar os filhos da alta classe média. A sociedade estagnou nas velhas formas de uma desigualdade inamovível.

 

O breve regresso da “social-democracia” acabou por ser uma batalha defensiva, que nunca conseguiu restabelecer a situação do passado. Os partidos do socialismo fizeram um esforço para recomeçar o caminho de 1948-1949. Não conseguiram; até a Inglaterra teve de pedir ajuda ao FMI; e os “trabalhistas”, que suspiravam pelo radical Tony Benn, entregaram o governo à Sra. Thatcher. Dali em diante, excepto em economias particularmente prósperas, a “social-democracia” passou a viver do imposto (cada vez mais pesado) e das dívidas que se iam acumulando à conta de um passado glorioso. Claro que, nesta queda, Espanha, Portugal e a Grécia, que precisavam de recuperar anos de miséria e de paralisia, caíram primeiro e desceram mais baixo.

 

Hoje há uma pergunta: que fazer dos partidos socialistas ou, se quiserem, social-democratas (no sentido próprio da palavra)? Quase nenhum pode continuar o programa tradicional de aperfeiçoamento e extensão do Estado Social (e o nosso PS menos do que outro). Emigrar para as simplicidades do século XX como o comunismo (na verdade, o estalinismo) ou qualquer outra espécie de seita revolucionária levaria directamente à mais desoladora pobreza. Ficar no sítio que sempre ocuparam, fingindo que o mundo não mudou, seria a receita para a divisão e para uma absorção lenta de cada uma das partes pela esquerda ou pela direita. O socialismo e a social-democracia chegaram ao fim do seu tempo. Só que a sua morte vai inevitavelmente provocar um abalo, e um abalo sério, no frágil edifício da democracia europeia.

 

 

OS MADEIRENSES NO BRASIL

 

 

Um breve resumo histórico do açúcar e a sua importância na ocupação madeirense das terras brasileiras

 

MADUFA-pães de açúcar.jpg

Formas de pão-de-açúcar madeirenses

Fonte: Wikipédia livre

 

Desde a antiguidade a cana-de-açúcar (saccharum oficcinarum L.) é cultivada na China e na Índia, de onde é originária. Chegou ao Ocidente com o regresso dos Cruzados do Oriente e com a invasão dos mouros na Espanha. Na Europa, principalmente em Veneza, ganhou fama e importância comercial com o seu produto principal, o açúcar.

 

Considerado uma especiaria com qualidades medicinais, conservante e adoçante, o açúcar foi tão valorizado no passado que provocou disputas entre reinos, enriqueceu Estados, estimulou a escravidão, propiciou o descobrimento e ocupação de novas terras, entrou em dotes de princesas e até como herança, em testamento de reis.

 

O lucro que advinha da produção açucareira estimulou o cultivo da cana na região mediterrânea e nas ilhas atlânticas, principalmente na Madeira, onde se iniciou e serviu de teste para outras possessões ultramarinas portuguesas. Com a descoberta do caminho marítimo para as Índias, e com o inicial sucesso do cultivo e produção da cana na Ilha, em pouco tempo, Portugal desbancava a rica Veneza, até então a maior comerciante e distribuidora de açúcar da Europa.

 

A política reinol que incentivou a monocultura da cana (vinda da Sicília) e a exportação de açúcar levou a Pérola do Atlântico à diminuição da produção cerealífera e o arquipélago a crises periódicas de fome e violência. O Brasil passou então a ser visto como uma outra oportunidade de desenvolvimento e riqueza pelos ilhéus. Candidataram-se à emigração pobres lavradores sem terras (pelas divisões sucessivas das glebas entre os descendentes, que recebiam nacos de terreno cada vez menores, inviáveis para assegurar a subsistência), os filhos segundos da nobreza (deserdados pelo regime de morgadio), os clandestinos e homiziados, e os mercadores cristãos-novos, na busca de liberdade religiosa no novo mundo, longe da Inquisição Portuguesa.

 

Na América Espanhola (São Domingos) as primeiras mudas chegaram com Colombo e no Brasil com os portugueses, no início de século XVI, a maioria oriundos da Madeira e de São Tomé .

 

Em diáspora, os madeirenses incorporaram armadas da Índia e depois do Brasil. Atingiram a embocadura do Senegal, o norte da África, levaram a sua tecnologia açucareira para os Açores, São Tomé, Cabo Verde e América portuguesa. No Brasil chegaram para colonizar, gerenciar e defender interesses e fronteiras. Com a cana, sem a mão-de-obra do índio, trouxeram os primeiros escravos negros para as plantações do nordeste e São Vicente.

 

Embora já houvesse em Itamaracá uma plantação de cana (1515/1519) de Pedro Capico, com produção de açúcar ( 1526), documentos dizem que D. João III mandou em 1530 uma forte armada comandada por Martin Afonso de Souza para o Brasil, onde numa das naus havia mudas de cana-de-açúcar. Nessa armada vinha o inglês Thomas Cresley que afirma, em carta enviada a um mercador londrino, que em passando pela Ilha da Madeira, a pedido de um cristão-novo, o capitão permitiu que o homem, a mulher e os 4 filhos embarcassem rumo ao Brasil.

 

Segundo historiadores, como curiosidade, é bem possível que o nome do morro carioca “Pão de Açúcar” venha deles, os madeirenses, pois era em formas cónicas, furadas na extremidade (pão-de-açúcar) que produto tratado da cana era drenado e os cristais de açúcar formados.

 

Com o grande crescimento da produção da cana em terras brasileiras, as dificuldades ilhoas se acentuaram. Sem condições de disputar com vantagem o mercado, os madeirenses passaram a negociar também o açúcar brasileiro. Apesar das leis do reino, que protegiam os interesses dos engenhos da ilha, o açúcar americano continuava a chegar. Diversificou-se então a economia com produtos para exportar: doces, confeitos, roupa e vinho madeirenses eram trocados pelo açúcar, tabaco, pau-brasil brasileiros e escravos angolanos. Um comércio triangular entre Angola-Madeira e Brasil se desenvolveu, o cobiçado açúcar era ainda a moeda circulante.

 

Na América portuguesa , onde o clima não ajudava, não se plantava, investia-se na criação de gado para alimento, transporte, vestuário, força motriz dos engenhos. Documentos relatam que o madeirense Gabriel Cristóvão de Menezes, aos 29 anos, já era um abastado criador de gado (Devassa de 6/12/1728).

 

A presença madeirense não só se fez presente nos primeiros séculos de ocupação e produção económica, como também na defesa do espaço territorial e marítimo contra corsários, piratas e principalmente armadores franceses.

 

Para ilustração, alguns ilhéus madeirenses de destaque na formação do Brasil:

 

Francisco de Aguiar (Capitão do Espírito Santo)

Vasco Fernandes Coutinho (Capitão do Espírito Santo)

Antonio Teixeira de Melo (Capitão do Pará)

Pedro Vogado (Governador de Itamaracá, na ausência de João Gonçalves)

Luis de Melo da Silva, Bartolomeu de Melo Berenguer (Capitães do Maranhão)

Tristão de França (combateu os franceses)

Catarina Ferreira (porto santense, mãe de André Vidal de Negreiros)

Manuel Dias de Andrade (actuou na Bahia)

E outros mais como Antonio Freitas da Silva, Fernão Dias de Andrade, Antonio Freitas da Silva...

 

Homiziados da Ilha da Madeira:

 

Nicolau de Brito de Oliveira e seu filho Nicolau de Brito (responsáveis por mortes de parentes em disputa de terras)

Rafael Accioli de Vasconcelos (degredado com hábito de Cristo e tença)

João Vieira Pita, Egas Moniz (cristão-novo), Manuel Leme (bígamo).

 

Mercadores:

 

Diogo Aragão Pereira, Baltasar Aragão Ayala

João Fernandes Vieira

Diogo Fernandes Branco (negociava marmelada)

Colonizadores Pioneiros

Domingos de Góis e sua mulher Catarina de Mendonça (S. Vicente)

Manuel Escórcio Drumond e família

João de Souza Botafogo (Rio)

Família Lira (Pernambuco) Gonçalo Novo e a esposa Isabel de Lira

Salvador Taveira

Família Mendonça de Vasconcelos (Gaspar Mendonça de Vasconcelos)

Família Cunha (Pedro da Cunha Andrade)

Família Madeira (Gaspar Lopes Madeira casado com D. Luísa Ferreira)

Família Montes Barreto (Duarte Moniz Barreto, Diogo Moniz casado com D. Felipa Mendonça)

Família Furna (Antonio Fernandes Furna)

Família Carvalho (Bernardino Carvalho, irmão de Sebastião Carvalho)

Família Aguiar (Francisco Aguiar donatário do Espírito Santo)

Outras Famílias: Berenguer, Câmara, Accioli, Gadelha, Aragão, Faria, Bulhões, Aranha, Regueira, Saldanha, ... chegaram nos primeiros tempos da construção do país, principalmente , no nordeste e no sudeste para colonizar e cultivar a cana–de-açúcar. Deixaram raízes na incipiente sociedade brasileira.

 

Uberaba, 21/10/15

 

Maria Eduarda Fagundes Maria Eduarda Fagundes

 

Resumo e dados compilados de

- «Os Madeirenses na Colonização do Brasil» (Maria Licínia Fernandes dos Santos) Edição: Centro de Estudos de História do Atlântico CEHA. Secretaria Regional do Turismo e Cultura.

- Delta Universal

- Wikipédia

 

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