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A bem da Nação

A MULTIPLICIDADE DAS LÓGICAS

 

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A LÓGICA DA GADANHA E A DA BATATA... – Um estranho texto de alguém que, dialogando com Nietzsche, ora se pronuncia por lógicas de bom senso ora, como no caso, parece pronunciar-se por lógicas de altivez e de inesperado desprezo por tudo e todos, mais parecendo, todavia, uma lógica específica de mudança de cor, em saldo, ao que parece, no preciso momento – já vivido há 40 e poucos anos, em que tal mudança irrompeu poderosa, na voz dos auto-declarados sacrificados no regime anterior, pretendendo abarcar um novo mundo de facilidade e razia sobre os anteriores afortunados – no momento de nova instabilidade governativa.

 

De facto, um texto que não corresponde minimamente à doutrinação equilibrada anterior do seu autor, que sabe perfeitamente que no trabalho e não no parasitismo reside a felicidade da realização humana.

 

Quando um governo se propôs pagar uma dívida – à custa de muitos sacrifícios, é certo, parece que estava a cumprir um dever. E de deveres é o que Duarte Justo deve estar habituado a discursar e a cumprir, lá no país onde se encontra fixado, deveres que anteriormente mostrara prezar.

 

Agora, numa conjuntura de mudança, o discurso surge bem outro, não de arco-íris mas de furta-cores, sobre uma direita que não é só formada por exploradores, sabe-o bem e em favor de uma esquerda que expele igualmente ódios, tal como este texto parece expeli-los. Com imagens sofisticadas, do foro agrícola, a gadanha em grande plano, um pouco ambígua a questão da batata. Uma lógica sem bom senso, em nome de vagos sentimentos misericordiosos em favor dos humildes. Se é que os encontra ainda.

 

Volto-me de novo para Vasco Pulido Valente, com a sua lógica de clara percepção da realidade previsível em “O assalto da realidade” (v. http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/a-grande-duvida-1510455).

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

PERGUNTAR A EVANS

 

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“Uma alternativa cheia de potencialidades”, é o que Almeida Santos explica, falando da Europa, relativamente ao nosso governo de esquerda, os três partidos dessa coligação de usurpação, em conivência de pretensões, defendendo uma nova democracia, polarizada em torno do conceito de uma real solidariedade ao nível da Europa. Aliás, já o Syriza o tentara antes, que assim conseguiu obter, após muita resistência dos donos europeus da banca, parte do perdão da sua dívida, que é o que também desejamos na tal questão das potencialidades de que fala Almeida Santos, pois temos os mesmos direitos que os gregos que, se foram berço esplendoroso da civilização europeia, também nós nos podemos gabar de termos sido amplo tálamo de alargamento civilizacional em várias frentes, pese embora a eliminação enjoada desses acidentes históricos mais trabalhosos, pelos Almeida Santos dos acidentes floridos eliminatórios mais recentes.

 

São, pois, naturalmente, também, estas as pretensões da nossa esquerda governativa no que concerne as potencialidades europeias de que fala Santos - o perdão total ou parcial da dívida, certamente. Para continuarmos não só com as nossas potencialidades de nos passearmos de férias pelo mundo inteiro ou de espadas céleres por esta nossa pátria de curtição, mas também com as nossas potencialidades de enriquecimento normais. Desta vez, claro, mais viradas ao centro-esquerda, embora os dizeres deste sejam outros, até na boca de Almeida Santos, que nunca se exime aos bons dizeres para alcançar os seus fins tão profissionais de abnegação e sacerdócio.

 

Creio que tanto Santos como Costa como os outros elementos necessários para o ministério socialista têm toda a razão na questão das potencialidades. Os chefes supremos da Europa só estão à espera das lições de Costa, Catarina e Jerónimo para mudarem o seu rumo tão parcamente abnegado. O Syriza só não o conseguiu muito bem porque apenas foi berço. As nossas potencialidades são-lhe inquestionavelmente superiores, tálamo que fomos da civilização mundial. Ou sequer enxerga. A Europa conta com o trio Costa, Catarina, Jerónimo, para se orientar melhor na solidariedade, em que eles dão cartas.

 

E o PS, que precisa de Catarina e de Jerónimo e se desloca às respectivas sedes para poder governar de facto – embora não de direito - recebe na sua sede, em ademanes já ministeriais, os que, tendo embora ganho, têm que se rebaixar, cortesãos deslocando-se com a necessária humildade ao antro do futuro ministro, sorridente e despiciendo, muito cheio de pruridos relativamente às propostas governativas desses, sem dar chance a convénios de espécie alguma. Porque as dele, para já, é que contam, no compadrio da sua desonestidade, melifluamente sorridente.

 

E os pobres da Coligação contam ainda com Cavaco? Porque não perguntam a Cavaco?

 

Berta Brás 2.jpg Berta Brás

CONTA E TEMPO

 

tempo.jpg

 

 

Deus pede estrita conta de meu tempo.

E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.

Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,

Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

 

Para dar minha conta feita a tempo,

O tempo me foi dado e não fiz conta.

Não quis, sobrando tempo, fazer conta.

Hoje, quero fazer conta e não há tempo.

 

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,

Não gasteis vosso tempo em passatempo.

Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

 

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,

Quando o tempo chegar, de prestar conta

Chorarão, como eu, o não ter tempo...

 

Frei António das Chagas

Frei António das Chagas

 

De seu nome António Fonseca Soares, franciscano, nascido na Vidigueira em 25 de Junho de 1631 e falecido no Varatojo, Torres Vedras, em 20 de Outubro de 1682.

 

A LÓGICA DA GADANHA E A DA BATATA...

... LEVAM À INCAPACIDADE DO COMPROMISSO PARA O BEM-COMUM

 

 

A INCLUSÃO CONTINUA A SER UM ESTRANGEIRISMO NO DISCURSO POLÍTICO PORTUGUÊS

 

“Seria uma obscenidade política o próximo governo ser liderado por quem perdeu as eleições” disse um Pires de Lima que, em vez de limar as arestas dos partidos no sentido de um compromisso de coligação útil para Portugal, aposta na conversa barata apoiante do tipo de discurso com que se tem estabilizado a corrupção, o compadrio e o sistema partidarista português.

 

Segundo as eleições não houve propriamente nenhum partido vencedor por muito que o gostássemos da cor do sangue ou da cor do bronzeado das praias. O compromisso de PS e PSD com a Zona Euro impede-os de serem de esquerda ou de direita em matéria de confissão nacional. Muito do povo contundente ainda não percebeu isso limitando-se a desviar a água de Portugal para o seu moinho e a urinar só para o rio. Nesta situação quereríamos continuar a ser um “jardim à beira-mar plantado” a trabalhar só para o bronze (de alguns)!

 

Pelos resultados das eleições o povo queria a formação de um governo de grande coligação com os partidos mais votados porque sabia que o PS defende a política de Bruxelas (da Zona Euro). O que interessa ao povo são soluções para Portugal. O sistema partidário português prefere conversa fiada a tomadas de medidas realistas de compromisso que beneficiariam o povo de Portugal.

 

De um lado, uns com o rei na barriga e do outro, outros com a rainha na barriga. Assim se mantem um Portugal sempre pobre, por tanto amor dos partidários da cor da camisola! Como cada partido e cada adepto só conta com a sua barriga e tê-la cheia de razão (dogmática) com curvaturas de tipo leguminista ou carnista, não se vê hipótese para soluções equilibradas e úteis; cada qual só avista o Portugal das suas cearas ou das suas manadas pretendendo encurralar um Portugal plural e rico não numa só gamela. A história é às vezes mestra da vida mas o país recusa-se a evoluir porque rejeita reconhecer a variedade e a beleza dos seus diferentes biótopos.

 

Da Verdade das Cores do Arco-íris

 

A realidade, tal como a lógica, tem muitas perspectivas. De um lado, os do carpe diem com a ideia do não é para se fazer mas para se ir fazendo e do outro, os que gozam o dia porque sabem que o povo não exige o tal querer para poder e assim vão podendo e querendo à medida que o pasto rico vai chegando para a sua manjedoura. Portugal precisaria certamente de mudar mas, como vai tendo para ir sobrevivendo, evita a dor do pensar e o consequente incómodo de mudar. Por isso basta-lhe o equilíbrio das suas energias entre o seu génio temperado e a sua expressão de revoltado.

 

Ainda não descobrimos que o problema não está nos outros mas em nós (indivíduo, partido ou país), nem que a razão de ser portuguesa está na diferença geografia diferenciada, na diferença de ideias e temperamentos que precisariam, para se tornarem efectivos, do espírito de iniciativa inovadora, da tolerância e do compromisso. A verdade é como o arco-íris, tem muitas cores não o podendo ninguém agarrar só para si. Este é o dilema de Portugal com elites que cochicham e berram ao povo afirmando que o arco-íris é seu quando, na realidade, nem o ser da própria cor conhecem. O grande problema não vem tanto de todos termos razão ou do espírito de cumplicidade mas da incapacidade de sermos pessoas de compromisso e nos deixarmos embalar pela sereia do amanhã com os seus acordes de fatalidade do destino.

 

Do Povo de Mouras encantadas a adiar a Vida e a Verdade

 

Na realidade se prestarmos atenção ao testemunho dos nossos grandes escritores de todos os tempos constatamos que o retrato do povo e suas elites, feito por eles, se repete. É um problema crónico de cumplicidade entre governantes e governados. E o fado entoa em nós sempre a mesma entoação: o acorde da queixa. Num meio assim não há culpados nem desculpados, somos como somos e por isso o génio da cultura teima em desculpar a falta do agir com a ideia de "a culpa morreu solteira" ou ainda "casa em que não há pão todos ralham e ninguém tem razão" e para completar a ladainha dos nossos actos de fé desculpamo-nos com o argumento que impede a mudança da situação, pois, de facto se constata que "ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão”. O cinismo do problema vem do facto de todos nós sermos povo e ninguém conseguir ultrapassar o tempo da responsabilidade que começaria a partir dos cem anos.

 

Da Lógica da Gadanha e da Batata

 

A lógica da gadanha é presunçosa, confunde a norma com a própria opinião; fala de cima para baixo; prejudica pessoas inocentes ou indefesas usando para a sua argumentação generalizações, ataques baixos, mal-interpretação dos factos ou usa ainda citações fora do contexto. Usa uma lógica perversa justificando as barbaridades do presente com as barbaridades já passadas. Engana-se a si mesmo julgando-se num reino isento, no reino de uma verdade mesquinha que só encontra relva para a sua gadanha.

 

Em Tempos de Mentiras e Meias-verdades

 

Num passeio que hoje fiz com Nietsche discutimos muito sobre o “Homem-Superior” e a "vontade de poder", sobre a verdade e a mentira; a conversa não foi fácil mas, finalmente, chegou-se a acordo quando Nietsche disse: "A principal mentira é a que contamos a nós mesmos."

 

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António da Cunha Duarte Justo

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