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A bem da Nação

«COM QUE ENTÃO CAIU NA ASNEIRA»

 

 

O Artur e a Beatriz fazem anos neste dia:

Comprei na papelaria

Um postal para escrever

Uns dizeres a condizer

Com o desenho requintado

Que em cada um havia.

O postal da Beatriz

Continha uma princesinha

Numa torre bela e esguia

E enigmática;

O do Artur uma mota azul

Bem bonita por sinal,

E carismática,

Que foi tema doutra escrita

Na rima tão corriqueira

Da brincadeira,

Que termina num abraço

A festejar este dia

De estardalhaço -

- Pelo menos na escola

Onde cada aniversário

É festejado

Com um bolo no recreio

Que sou eu que faço

Porque a mãe da Beatriz

Diz

Que não tem jeito

E é meu o feito

Do bolo de laranja

Sem defeito

Que nem canja.

No postal do Artur

Com a tal mota azul

Foi escrito com calor:

BB-moto azul.png

Que o motor da tua mota

Seja um motor a valer

Na estrada por vezes torta

Que a vida nem sempre atenta

Se lembra de desdobrar

Para nós sem muito tento,

Dentro do nosso parecer.

Mas tudo será melhor

Se soubermos bem olhar

E admirar

O que a vida oferecer

Em todo o seu pormenor…

Com um beijinho de amor

Da tua mãe e do teu pai

Sem mota mas com motor.

No postal da Beatriz

Uma menina feliz:

BB-Princeza na torre do castelo.jpg

Uma década passou

E tanto que aconteceu!!!

Nem sei como isto conte!

E a princesa de dez anos

Na torre do seu castelo

Perscruta o horizonte

Com um óculo semelhante

Ao dum pirata assaltante

De uma nau do Oriente.

E eis que vê lá adiante

Subindo por trás dum monte

Um belo balão vermelho

Que a faz ficar radiante,

A pensar que o ano à frente

Vai ser de sucesso igual

Ao que passou, afinal,

Pois não há razão para crer

Que ele seja diferente.

Parabéns com muito amor

À princesa Beatriz

Do Vitorino e da avó Berta

Neste dia de um natal

Especial…

Berta Brás 2.jpg Berta Brás

UM ELEVADOR TRANSFORMADO EM FERRADURAS

 

Da Revista OLISIPO de Outubro – 1943

 

O Diário Ilustrado, jornal da velha Lisboa, datado de 10 de Abril de 1896, entre muitas notícias, como uma “de um tal sr. Décio que dizia: “só os cretinos podem afrontar o génio poético do sr. Guerra Junqueiro”, também relata largamente o lançamento da ponte do ascensor da Biblioteca, que teve lugar dois dias antes, obra da extinta Empresa Industrial Portuguesa dirigida então pelos Eng. Baerleim, Lacombe e Rolim Júnior, na qual trabalhou Raul Mesnier de Ponsard e Stuart Mac-Nair, que é hoje missionário evangélico no Brasil e onde também exerceram enorme acti­vidade três homens ainda de grande nomeada no círculo metalúrgico nacional: Lambert Dargent e os já falecidos Manuel Cardoso e Silvério Vieira que mais tarde uniram os esforços na firma Cardoso, Dargent & Ciª., de que são actualmente sucessores José Marques Cardoso, Tomás de Azevedo e Silva, Eng. Martinho, João Matos e Manuel Hipólito, sob a firma L. Dargent, Ldª.

 

A ponte do elevador, que há poucos anos ainda cruzava a Calçada de S. Francisco, tinha dezasseis metros e foi corrida, desde o jardim do Visconde de Coruche até à coluna do ascensor. «O hábil assentador, sr. António Silvério Vieira, – dizia o Diário Illustrado – com os seus operários a postos, podendo transmitir do cimo da torre, por meio de porta-voz, para os guinchos, as suas ordens, colocou à boca do porta-voz, ao cimo das torres, para maior confiança, o mestre Joaquim Silvério Ferreira, seu irmão, duplamente irmão pelo sangue e pelo merecimento”. Estava-se então em 8 de Abril de 1896.

 

O objectivo do Dr. Aires de Campos, animador da iniciativa e seu financiador, não teve o êxito de ordem material que se esperava. O elevador sempre deu pouco. Em 1915 foi doado à Câmara, que poucos anos decorridos, acabou com a exploração. Os portões do Largo de S. Julião e do da Biblioteca (ambos com o N.º 13) foram encerrados.

 

FGA-elevador.jpg

Calçada de São Francisco ainda sem os famosos eléctricos “28”

 

O óxido de ferro começou então, qual sarampelo, a atacar a coluna e a ponte do elevador e, já quando o mal alastrava em demasia, a Câmara resolveu desmon­tá-las. Da primeira destas tentativas já fizemos referência no Diário de Notícias, de 14 de Outubro de 1937, ao relatar o convite feito pelo construtor José Maria Simões Júnior ao técnico montador António Silvério Vieira para dirigir a desmon­tagem. Era tarde demais. A avançada velhice já lhe tinha feito estragos tão grandes que a empresa era-lhe impossível. A Câmara Municipal pôs então o ascensor em praça em Dezembro de 1926, e a União de Sucatas, Ldª, ou mais popularmente, o Nobre das Sucatas, rematara-o por cinco mil escudos, desmontagem de sua conta e com isenção de licenças camarárias. Na Imprensa, porém, houve quem se insurgisse contra o desaparecimento do elevador, pelo que a arrematação foi invalidada. Passados tempos, contudo, a Câmara tornou a pô-lo em hasta pública e, como ninguém aparecesse para licitar, o ascensor foi a leilão pela terceira vez, tendo sido novamente arrematado pela União de Sucatas, Ldª, mas, então, só por 1.209$00, ficando, todavia, pertença da C.M. L. a cadeira e o maquinismo.

 

Ainda não há muito vimos num dos armazéns do Nobre a lápida de bronze, com o brasão da cidade, que esteve afixada à entrada do elevador, desde que o antigo proprietário o doara à Câmara:

 

FGA-Conde do Ameal.jpg

 

Um belo dia, porém, entrou na União das Sucatas um ferrador de Bucelas – o Artur Felisberto – que viu no ferro todos os requisitos para o poder transformar em ferraduras. Associou à compra um ferreiro da localidade, Manuel Maurício, hoje já falecido, e o velho ascensor da Biblioteca desceu então – desceu pela última vez – desceu ingloriamente à categoria de ferraduras das alimárias que calcorreiam os povoados dos vales pingues dos rios Trancão e Arranhó *.

 

* O rio Trancão nasce em Póvoa da Galega e entra no Tejo perto de Sacavém, e o Arranhó... devia ter existido entre Arruda dos Vinhos, Bucelas e Arranhó!

 

Vale a pena, a quem se interessar, ver o blog

http://historiaschistoria.blogspot.com.br

de onde se tiraram estas informações complementares

 

 

 

Francisco Gomes de Amorim, Junho 2013, Lisboa.jpg Francisco Gomes de Amorim

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