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A bem da Nação

POR TERRAS DO GALAICO-DURIENSE AO SISTEMA TOLEDANO

 

Um provérbio optimista encima a última página do Público de 4 de Setembro. É de Cervantes e garante que «Um dos efeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer com que as coisas não pareçam o que são».

 

Mas tal não se comprova com o D. Quixote, que era valente, e se arriscou contra o que, sem medo, lhe pareciam ser gigantes sequestradores, quando não passavam de moinhos de vento – que, aliás, logo o derrubaram, tal como o fariam quaisquer gigantes que prezassem a sua reputação de derrubadores. O medo faz que as coisas não pareçam o que são, mas outros motivos estão também na origem desse preconceito: em D. Quixote, o excesso de leituras fantasiosas de cavalaria justificou a perda de noção da realidade, como se sabe, daí esse caso dos gigantes que, na realidade, não passavam de moinhos.

 

BB-Medo.jpg O medo está na origem dos presságios, cuido eu, que agora mal guio, quando já fui arriscada, a guiar sem travões, devagarinho, agarrada ao travão de mão nas descidas, ou a entrar pela serra de Sintra pelo lado do Guincho, com a minha mãe apavorada em avisos, no banco da frente, e o meu pai e a minha sogra caladinhos, atrás, mais contidos, no Peugeot de volante à direita, que o meu marido me mandara de África, para mais com um buraco de bala que nunca soubemos donde proveio… Isso foi quando chegámos de África e eu quis conhecer a serra de Sintra que tinha na memória como pertencente ao sistema Lusitano–Castelhano (Estrela, Lousã, Aire, Candeeiros, Montejunto, Sintra, Buçaco, Caramulo, Montemuro e Gardunha), mas estas devem ser as mais conhecidas, tantas são as serras que nos encerram. Sintra de Lorde Byron, a Sintra d’«Os Maias», a do complicado folhetim policial «O Mistério da Estrada de Sintra», também da écloga «Crisfal» - «Antre Sintra, a mui prezada, e serra de Ribatejo que Arrábida é chamada, perto donde o rio Tejo se mete n'água salgada, houve um pastor e pastora, que com tanto amor se amaram como males lhes causaram este bem, que nunca fora, pois foi o que não cuidaram.…» Mas a minha mãe passou o tempo a lembrar salteadores de estrada provavelmente das histórias de outrora, à lareira, e difícil se tornou a travessia, feita sem propósitos cavaleirescos de libertação de donzelas, nem rocambolescos de investigação criminal, e apenas no prazer da curiosidade e atrevimento também, não nego. Agora tenho medo de guiar, mas ainda vou conduzindo, para chegar mais depressa, embora já não a Sintra, pois me limito às periferias.

 

Tal é o tema também do artigo de Vasco Pulido Valente, da mesma página: “O MEDO”, sobre o estado de espírito não só dele mas das pessoas com quem contactou lá no norte, as quais se abstêm de falar em política, tendo aparentemente isso proporcionado umas férias tranquilas a Vasco Pulido Valente. Paradoxalmente, todavia, informa que tudo anda cheio de medo, medo do governo que se vai seguir, medo do futuro que parece encrencado com o governo que está, talvez medo de que não ganhe o partido de quem se gosta, ou que ganhe o de quem se não gosta, o que para Pulido Valente nada significa de relevante… Por outro lado, o regresso de férias leva-o sem medo à frontalidade dos seus ataques, contra os caciques e o caciquismo, que não sei se provém antes da irreverência habitual de quem não quer ver as dificuldades de uma governação que pretende ser honrada, e de quem aponta apenas a inépcia, tentando, desta forma, orientar a opinião dos muitos leitores que lhe admiram o estilo e o saber, embora sem confiança também na do partido rival desse, no fundo porque reconhece que era preciso fazer o que foi feito, por muito odioso que pareça em resultados.

 

Mas bastaria olhar para as enchentes dos concertos, de bilhetes bem caros, para pensar que o reino da Dinamarca não está tão putrefacto assim, ou olhar para os que se arriscam, no Mediterrâneos, e que tentam atravessar fronteiras de sobrevivência, admirando-os, na coesão e coragem que mostram, coesão que a nós falta, povo pacífico e passivo só aparentemente, encardido em ódio e mesquinhez.

 

Por mim, o meu medo é o de que não ganhe a coligação, mas mesmo que perca, admirarei sempre Pedro Passos Coelho e a extraordinária coragem que revelou e revela, não só tentando erguer o país do buraco, como enfrentando todos os auto denominados “bem formados” que investigam muito, para liquidar governo e país, cegos a tudo o que pareça ser positivo nessa governação, para cuja conquista se não importam de adulterar argumentos, por só quererem analisar uma das faces da realidade – a da austeridade em si – no desprezo do que a motivou. E de contribuírem para o arruinar, com as manifestações constantes impeditivas de seriedade no trabalho, além de que também não têm medo de não pagar a dívida do empréstimo, nem de mudar de moeda, ao que afirmam, tão doutores. Medo de votar? Mas os da esquerda não têm esse medo, e votam sempre, em consciência de classe. Os do tanto faz preferem o futebol. Não compromete tanto e poderão sempre informar, gloriosos, que não votaram neles, nos que governam deficientemente.

O texto de Vasco Pulido Valente:

O medo

Público, 4/9/15

 

Fui ao norte passar as férias, mais precisamente ao Minho e a Trás-os-Montes. Pelo caminho só havia um cartaz abandonado e sujo na Mealhada. Começou ali uma nova educação: entrei num país sem campanha e sem eleições.

Vi amigos meus, vi amigos da minha mulher; falei com o pessoal de hotéis, de restaurantes, de bares. Ninguém, como se fosse de comum acordo, me disse uma palavra sobre política. Não ouvi sequer uma alusão às trapalhadas do dia ou à situação, um pouco mais grave, do país. Nada. Fiquei sem saber como é que os fabricantes de sondagens conseguem extrair uma opinião ao português comum. Ou se o português comum os vai aturando contraidamente por pena ou comodismo. Mas não me pareceu que ninguém lhes respondesse por gosto.

O descrédito da política não explica esta abstenção. Nem explica a tristeza que encontrei por quase toda a parte. As pessoas andam inquietas. Pior do que isso andam com medo. Medo do que lhes poderá suceder com António Costa ou com Passos Coelho. Costa pede por aí “confiança”, ou seja, que não tenham medo dele. E Passos finge que as coisas voltaram, ou estão a voltar, a uma normalidade que as pessoas não reconhecem e não sentem. Calar a boca é o mais recomendável nestas circunstâncias. A não ser com turistas. Os turistas não relembram desgraças. Uma conversa com nativos corre imediatamente o risco de resvalar para a gritaria ou, nos piores casos, para o insulto e a calúnia. A discrição do país é com certeza a melhor maneira de atravessar o mau tempo com uma certa paz.

Não quer isto dizer que o medo se transforme em abstencionismo. Quer dizer que a maneira como o medo irá votar não é calculável. Não me admirava nada que desse uma maioria à coligação, ao PS ou a nenhum deles. Com os sarilhos que se acumulam sobre a nossa cabeça, o medo cresce mas não pensa. E, não pensando, talvez produza um desastre maior do que o que precisamente tentou evitar. Os jornais de Lisboa chegam tarde ao norte, os noticiários da televisão despejam dia a dia uma enxurrada de calamidades. Como acreditar, fora do jornalismo e dos partidos, que meia dúzia de caciques nos proteja e defenda? Estes quinze dias fora do circuito normal da minha vida e longe dos produtores de propaganda mostraram bem a futilidade do formigueiro a que hoje voltei.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

PENSAMENTO DO COMANDANTE DO EXÉRCITO BRASILEIRO

FGA-Gen. Villas-Bôas.jpg O GENERAL EDUARDO DIAS DA COSTA VILLAS BOAS, Comandante do Exército Brasileiro enviou a seguinte carta ao Cor. Inf. Ref. WALCYR MONTEIRO DA MOTTA.

 

"Caro Coronel Walcyr Monteiro da Motta, do Exército Brasileiro. Considerei a sua carta excelente, oportuna e uma boa e sucinta radiografia da grave e crítica situação que se encontra o nosso Brasil, em fase terminal em um hospital de segunda categoria. Porém, acredito que nada aconteceu de melhor do que O SILÊNCIO DE NOSSAS FORÇAS ARMADAS!

 

A experiência e o bom senso nos leva a defender a união, a hierarquia e a disciplina de nossas Forças Armadas, preceitos que creio, do fundo de minha alma, ser o caminho e a única esperança para a VOLTA DA DEMOCRACIA e do ESTADO DE DIREITO ao Brasil. As FORÇAS ARMADAS estão CUMPRINDO sua MISSÃO CONSTITUCIONAL - estão sempre em treinamento e estudos - e preparadas para defender a PÁTRIA e o POVO BRASILEIRO!

 

E o POVO, o que está FAZENDO??? É o POVO que deveria CONVOCAR as suas FFAA para AGIR dentro da CONSTITUIÇÃO e INTERVIR no BRASIL! Essa é a LEI NATURAL do Estado, da Política, pois todas AS LEIS EMANAM DO POVO – o Povo é o Soberano do Estado nas momodernas democracias! A Sociedade é que institui o Governo e ela tem o direito de CORRIGIR seus defeitos e vícios!

 

Não se trata de uma Intervenção Militar, mas sim de uma Intervenção Constitucional do POVO, da Sociedade brasileira! Os Militares são o instrumento, previsto na Constituição, para INTERVIR, em nome do POVO, quando as Instituições estão CORROMPIDAS. Não será fácil, eles não sairão na boa e nós não podemos mais admitir essa facção criminosa de todos os políticos e partidos, desgovernando nosso país!

 

O Povo ainda não entendeu! Apesar da grande maioria hoje acreditar novamente em suas Forças Armadas e defender e pedir a Intervenção Constitucional, convocando nossas Forças Armadas para retirar os USURPADORES do Poder no Brasil, o Povo ainda não tornou essa vontade muito clara, um grande consenso brasileiro!

 

Por isso, considero que o silêncio, a preparação e os estudos das Forças Armadas para actuar no momento decisivo, em que a situação do Brasil estiver totalmente comprometida, como o actual momento económico da fuga e desvio de mais um trilhão de reais de nossas receitas, acrescido de endividamento público e previdenciário gigantesco, que certamente já ultrapassa os 5 trilhões de reais, somado ao já previsto risco de invasão e de accionamento das tropas paramilitares dos movimentos sociais, podendo mesmo chegar a uma guerra civil, foi a decisão mais acertada dos Comandos de nossas Forças Armadas. Porém, falta pouco tempo, muito pouco, mesmo, ou perderemos mais um dos bondes da História... e este será o definitivo para a existência do Brasil como o conhecemos hoje.

 

Em um país vivendo com normalidade política e de funcionamento dos poderes de acordo com a sua constituição, a defesa de grandes mudanças em suas leis e seu sistema político seria perfeito. Porém, todos nós sabemos muito bem e nem sempre temos a coragem de dizer e defender, QUE O BRASIL NÃO É MAIS UMA DEMOCRACIA HÁ MUITOS ANOS, situação comprovada por actos e fatos expostos e documentados:

 

*NÃO EXISTE MAIS O EQUILÍBRIO E A INDEPENDÊNCIA DOS 3 PODERES;

*As Instituições Públicas foram tomadas e administradas por INTERESSES REVANCHISTAS, PARTIDÁRIOS E PARTICULARES, de seus ocupantes;

*O GOVERNO É COMANDADO DE FORA das instituições legais, por organizações secretas ou por partidos políticos;

*A prestação de serviços aos cidadãos foi transformada em um gigantesco curral eleitoral, alimentado de milhões de bolsas esmolas, relegando-se o investimento em melhorias destinadas a evolução dos cidadãos, como educação, cultura, saúde e segurança, À MERA ESPECULAÇÃO POLÍTICA E POPULISTA;

*A legislação brasileira foi sendo MODIFICADA CONSTANTEMENTE ao longo dos últimos governos, DE MANEIRA CORRUPTA, DESONESTA E IMORAL, PELA COMPRA de nossos parlamentares e juízes, NÃO REPRESENTANDO a tradição e a ideologia, os costumes, a ética e a moral da maioria do povo brasileiro;

Daí para a frente, tudo que aqui se realiza NADA TEM A VER com Democracia e os crimes contra o Estado e os cidadãos, complementados por uma violência pública jamais vista na nossa História, nos transformaram em País de robôs, de covardes, de medrosos, que aceitam tudo em nome do medo de agir, de defender seu país e seus filhos, sem querer abrir os olhos para ver o caos do COMUNISMO se implantando dia a dia e acabando com o futuro de nossos filhos e netos.

 

Ruy Barbosa afirmava que “a chave misteriosa DAS DESGRAÇAS que nos afligem é esta e apenas esta: a IGNORÂNCIA POPULAR, mãe da SERVILIDADE E DA MISÉRIA.”

 

E principalmente nas últimas décadas, quase 130 anos depois, a nossa desgraça é a mesma, talvez até muito maior e perniciosa, pois provocada por interesses escusos e intenções malévolas, da manutenção eterna de um grupo déspota, criminoso e antipatriota, no poder.

 

Não resta nenhuma dúvida, que se existe uma FORÇA CIVIL que realmente representa o POVO brasileiro e que realmente possui capacidade e poder de MUDAR OS RUMOS do Brasil, essa é composta dos MILITARES, que não passam de CIDADÃOS-SOLDADOS, segundo um dos maiores heróis da Proclamação da República do Brasil, BENJAMIN CONSTANT, que difundiu suas ideias entre a jovem oficialidade do Exército Brasileiro, e criou a doutrina do "Soldado-Cidadão", onde todos os membros das Forças Armadas são, antes de tudo, Cidadãos de um Regime Republicano.

 

EXIGIR MUDANÇAS é questão de HONRA, dizem... Mas não é assim tão simples! Com TODOS OS PODERES DO GOVERNO TOTALMENTE DOMINADOS, torna-se IMPOSSÍVEL a elaboração e votação de qualquer Lei, Emenda ou Constituição, que não seja para ATENDER A IDEOLOGIA e os INTERESSES PESSOAIS dos políticos actuais e dos grupos que os apoiam e sustentam.

 

O SISTEMA POLÍTICO E ELEITORAL BRASILEIRO não possibilita a menor chance de confiabilidade ou de mudanças, no atual ESTADO CRIMINOSO DE GOVERNO e dos Poderes Legislativo e Judiciário, responsáveis pela lisura da elaboração e do cumprimento das Leis, pois também fazem parte da MESMA QUADRILHA que domina todo o Estado, o que não dá a menor oportunidade ao povo brasileiro.

 

Os cidadãos brasileiros nunca encontrarão uma saída para a sua actual exploração, o seu sofrimento, e a sua condenação ao atraso e ao subdesenvolvimento, ocupando posições no Índice de Desenvolvimento Humano, muito mais abaixo do que um País rico, como o Brasil (segundo o governo petista, a 7ª ou 8ª economia mundial), deveria ocupar, SEM A PROMOÇÃO, antes de mais nada, de uma REVOLUÇÃO CIDADÃ, aos moldes do que tem ocorrido em vários países que foram manietados por governos déspotas e absolutistas. “Quando a ditadura é um fato, a revolução é um dever. ” Do filme: “Trem nocturno para Lisboa”.

 

O Brasil não tem um rei – o Povo “é o Rei” – o Soberano do Estado Republicano. O Povo tem o direito e o dever de convocar suas Forças Armadas para restabelecer o Estado de Direito, a Ordem e a Segurança. O Povo tem o direito e o dever de propor e ratificar a criação de um Novo Sistema Político, para se estabelecer um Novo Brasil”. Isso porque SERÃO SEMPRE OS MESMOS POLÍTICOS CRIMINOSOS que farão as leis.

 

E vocês acham que poderemos perder tempo e esperar alguma mudança em benefício do País e da população, oriunda desse lado? Nunca! Mas uma acção dessa magnitude, também não seria ilegal e inconstitucional? Seria uma AÇÃO POPULAR E DA SOCIEDADE, com apoio total das Forças Armadas, e baseada na CONSTITUIÇÃO, com o propósito de RESTABELECER O IMPÉRIO DA LEI (rule of law), o qual está sendo violentado consistentemente, pelo próprio Presidente do Poder Executivo, ao desconsiderar as disposições da Constituição do País, exercendo um domínio ilegal, corrupto e imoral sobre os Poderes Legislativo e Judiciário.

 

Esse domínio se traduziu em alterações criminosas, injustas e antidemocráticas na Carta Magna e nas Leis brasileiras que conduzem o actual poder a um Golpe de Estado e eliminação do Estado de Direito.

 

Somente assim existirá alguma possibilidade de se CRIAR UM NOVO SISTEMA POLÍTICO. De SE CRIAR UM NOVO BRASIL. Tudo dependerá sempre dos únicos responsáveis pela existência da nossa sociedade, de nosso País, de nossa Nação: os CIDADÃOS BRASILEIROS UNIDOS em sociedade. Vamos construir juntos um novo Brasil?

“Precisamos aprender para evoluir. A evolução é inteligente. A mudança é traumática na História do mundo. Quase sempre, os que QUEREM MUDANÇAS, querem o poder para eles. Mas os que QUEREM EVOLUÇÃO amam a democracia. Hitler – Estaline – Mao – Castro são MUDANÇAS (MORTE). Rui Barbosa, Castelo Branco – Médici – Geisel – Figueiredo são EVOLUÇÃO (PROGRESSO).”

*************************************************************************

A CARTA ACIMA FOI ENVIADA EM RESPOSTA À CARTA ABAIXO, DO

FGA-Cor. Walcir Monteiro da Motta.jpg

COR. INF. REF. WALCYR MONTEIRO DA MOTTA

 

Exmo. Sr. General Exército

EDUARDO DIAS DA COSTA VILLAS BÔAS COMANDANTE DO EXÉRCITO BRASILEIRO

 

Sr. General.

Preliminarmente, solicito a V. Exa que aceite minha apresentação: Cel Int Ref WALCYR MONTEIRO DA MOTTA (AMAN Tu69, vinculado ao Cmdo 1ª RM) Encheu-nos de esperança a nomeação de V. Exa. para o comando da Força; afinal, seu antecessor era homem de apenas duas expressões: “sim senhora” e “permissão para me retirar". Subserviência total. Esqueceu-se de uma das máximas do General Manuel Luís Osório, o patrono da Cavalaria: “o soldado é obediente mas não é servil”.

 

Todavia, General, estas esperanças começam a esmorecer. O 31 de Março passou e V. Exa. nada disse. Ordens de cima?

 

Medalhas continuam a reluzir no peito de marginais condenados à prisão pela Justiça, com sentença transitada em julgado, e providências visando sua cassação não são tomadas, mesmo amparadas e, até, determinadas pela legislação em vigor; sua ordem do dia no Dia do Exército foi, usando nosso jargão castrense, uma ordem do dia M1. Esperávamos General, algo mais, uma observação, um recado velado, uma insinuação de que o Exército, o Exército Brasileiro, o Exército de Caxias não aguenta mais ser enxovalhado, achincalhado, vilipendiado, recebendo missões de polícia, sofrendo um revanchismo injustificável, um revanchismo torpe, por aqueles que não se conformam terem sido derrotados na luta armada, tratado pior que os triários, a última linha das legiões romanas depois das quais a História nada mais fala.

 

Esperávamos, General, algo como a circular do Gen. Castello Branco em 1964. E note-se que, quando a escreveu, o General Castello era oficial general da activa, Chefe do Estado-maior do Exército. Recordemos alguns trechos: “Os meios militares nacionais e permanentes não são propriamente para defender programas de Governo, muito menos a sua propaganda, mas para garantir os poderes constitucionais, o seu funcionamento e a aplicação da lei... Não sendo milícia, as Forças Armadas não são armas para empreendimentos antidemocráticos. Destinam-se a garantir os poderes constitucionais e a sua existência”.

 

Embora, à época, V. Exa. provavelmente cursasse o ginasial (eu era aluno do 2° ano colegial do Colégio Militar do Rio de Janeiro) aposto ter tomado conhecimento deste texto. O General Paulo Chagas, em seu artigo “O 'Exército de Sempre’ e o Caminho do Dever, publicado no site “Ternuma” (www.ternuma.com.br/…/2499-o-exercito-de-sempre-e-o-caminho-…) tece comentários sobre o silêncio das Forças Armadas. Um trecho merece transcrição:

“ Infelizmente entendo que, se as Forças Armadas continuarem silenciosas em relação aos actos e fatos que interferem em sua missão constitucional, ocorridos interna ou externamente, mantendo-se, por inacção, coniventes com os projectos de poder do governo da ocasião, elas verão surgir, rapidamente, a cizânia e a quebra de coesão entre seus quadros e se transformarão (...) em milícias manipuladas pelo interesse corrupto dos políticos, mal equipadas, despreparadas e, principalmente, mais preocupadas em sobreviver do que em servir! Considero que a omissão é a mais destrutiva das atitudes de um soldado, e que será tanto mais destrutiva quanto mais alto seja seu posto ou graduação. ”

 

Durante a luta armada (da qual não participei – as unidades em que servi não foram engajadas naquele combate) companheiros nossos receberam a missão de exterminá-la. Cumpriram a missão! De armas nas mãos, com risco da própria vida e, pior, com risco de suas mulheres e filhos que ficavam expostos à sanha dos terroristas. General, o que o nosso Exército faz, hoje, por estes homens? Nada, General! São xingados, chamados de assassinos, torturadores, denunciados por comissões da verdade totalmente espúrias e revanchistas. Sofrem processos judiciais absurdos. Tem que custear advogados para a sua defesa com seus próprios recursos; ainda bem que o nosso excelente nível remuneratório permite que tais despesas sejam suportadas.

 

O que fizeram para merecer tal tratamento? Cumpriram a missão! Os terroristas, como já disse, não se conformam de terem sido derrotados e, mesmo amnistiados, fazem de tudo para infernizar a vida daqueles que os derrotaram e, pior, com o beneplácito, a conivência, a cumplicidade, o incentivo do governo constituído que, “mutatis mutandis”, é terrorista. E, tal qual o poema de Maiakowski, não dizemos nada! E não fazemos nada!

 

Preocupa-nos ainda, General, o actual estado de penúria da Força. Circula na Internet boatos de que o combustível do Exército esgotar-se-ia em Julho; que a munição estocada seria suficiente para uma hora de combate; que seria adoptado o regime de meio expediente nos quartéis em virtude de restrições de rancho. Consta que no PDC (Palácio Duque de Caxias), no Rio de Janeiro, torneiras teriam sido retiradas dos banheiros para economizar água e que não se estaria ligando os aparelhos de ar condicionado para economizar energia. A maior preocupação, General, consiste em, num quadro desses, como barrar forças e situações adversas caso venham a ocorrer (e, com certeza, ocorrerão).

 

Vivemos dias preocupantes e sombrios. A tentativa de tomada do poder (tal qual em 1964 eles já têm o governo) desta vez, não será, numa primeira etapa, pela força. Basta ler Gramsci. O General Coutinho, Sérgio Augusto de Avellar Coutinho, recentemente falecido, brindou-nos com “A Revolução Gramscista no Ocidente”, onde, num fantástico poder de síntese, conseguiu resumir os não sei quantos volumes dos “Cadernos do Cárcere”, de Antonio Gramsci, em um pequeno livro de 135 páginas. Lê-lo (acredito que V. Exa. já o tenha feito), fazendo um paralelo do que ali está escrito com o que acontece actualmente no Brasil, é mergulhar fundo na situação do Brasil de hoje, é muito mais que uma radiografia do momento nacional, é uma verdadeira ressonância magnética deste momento. Iniciamos a “fase estatal”, a transição para o socialismo. E o que fazemos? Nada!

 

E o decálogo? V. Exa. se lembra do decálogo? Decálogo para tomada do poder pela via pacífica? Tomei conhecimento do decálogo quando cadete, quando na AMAN estudávamos Guerra Revolucionária. Acredito que V. Exa. também o tenha feito embora não sejamos contemporâneos na Academia. Recordemos:

- Controlar politicamente o Judiciário;

- Desmoralizar o Congresso Nacional;

- Amordaçar o Ministério Público;

- Arrochar a colecta de impostos;

- Valer-se de dossiers para impor a vontade a banqueiros, empresários e adversários políticos; - Direccionar a produção artística e cultural e controlar a imprensa (e, hoje, a INTERNET);

- Instalar núcleos de activistas em todos os órgãos da administração pública;

- Promover a instabilidade no campo;

- Desmoralizar e desmantelar as Forças Armadas, inclusive com a criação de forças paralelas; e – Desarmar a população.

 

Como V. Exa. pode notar, o que acontece hoje, no Brasil, não é mera coincidência; é um processo pensado, planejado, com execução acompanhada em seus mínimos detalhes.

 

Ademais, o que vemos no nosso dia a dia? Vemos uma incitação à luta de classes, quando se joga brancos contra pretos, patrões contra empregados, ricos contra pobres. Vemos uma total degradação moral com a televisão mostrando comportamentos sexuais esdrúxulos, principalmente se levarmos em consideração a hora em que são apresentados, quando as crianças ainda estão acordadas, tudo de acordo com a doutrina marxista-leninista; vemos um ex-presidente da república (sem erro de ortografia, com minúsculas mesmo) conclamar milícias ilegais e assassinas para uma guerra civil, vemos o líder dessas milícias, nada mais que um bandido, solicitar apoio a governos estrangeiros, parceiros no Foro de São Paulo, para combater nessa guerra civil; vemos organizações narco-terroristas estrangeiras treinando e instruindo gente dos chamados movimentos sociais para o combate. E que faz o nosso Exército, o que fazem as nossas Forças Armadas para neutralizar este quadro? Nada!

 

E que vemos mais, General? Vemos um quadro de corrupção institucionalizada. O mensalão foi um escândalo. Resultou na cúpula do partido do governo condenada a prisão, com sentença transitada em julgado, ou seja, sem mais possibilidade de recurso. O mensalão, porém, comparado ao PTrolão, deveria ser julgado num Juizado Especial de Pequenas Causas. Imagine V. Exa. quando abrirem a caixa preta do BNDES. Por muito menos, Getúlio suicidou-se. Por uma Fiat Elba Collor renunciou para não sofrer impeachment. O povo, General, já percebeu e já disse “não” a esta situação com marchas que lotaram as principais cidades brasileiras. A presidente está acuada. Não aparece em público, se o fizer, sabe que receberá uma uníssona, estrondosa e retumbante vaia. A Nação, bem como o Estado, está à deriva.

 

Constituímos, nós, Exército Brasileiro, nós Forças Armadas, a “Grande Barreira”, a última ratio regis”. O povo brasileiro confia em nós e nós, ainda, confiamos em nossos comandantes. Não nos decepcionem.

 

Antes de encerrar, General, um facto novo. Leio no blog Alerta Total carta de uma mãe de aluna do CMRJ. Narra aquela senhora que, os livros de História e Geografia adoptados no Colégio, antes escritos por historiadores militares e publicados pela BIBLIEX estão sendo substituídos, por pressão do governo, por outros, de cunho marxista leninista. Isto é fato General? V. Exa. tinha conhecimento disto? Estamos “jogando a toalha”? Estamos sucumbindo à sanha vermelha? Estamos permitindo que nossas crianças, nossos “curumins”, sejam “catequizados” por esta corja? Leia o artigo “Colégio Militar do RJ com orientação comunista?”, de Percival Puggina. Como já disse foi publicado no blog “Alerta Total”, neste domingo, 10/05/2015. Finalmente, deixo a V. Exa uma expressão do Mal Deodoro da Fonseca que, mesmo sendo amigo do Imperador e apesar da crise de asma e dos 39° de febre, montou em seu cavalo baio para dar vivas à República: “o Exército é um leão que dorme e que um dia pode acordar raivoso.”

 

Queira aceitar Gen. Villas Bôas (e merecer) a nossa admiração, os nossos respeitos e a nossa continência.

 

SELVA!

BRASIL ACIMA DE TUDO!

 

Carta escrita e enviada em 10 de Maio de 2015

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