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A bem da Nação

A FESTA DA VIDA

 

Um artigo muito curioso - CULTURA DA MUDANÇA ENTRE SONHO E LIBERDADE - de António da Cunha Duarte Justo e realmente assustador.

 

De muitas dessas realidades nos vamos apercebendo diariamente, delas aproveitando – quantos benefícios provoca a tecnologia a tantos níveis, de que a medicina é uma das principais usufrutuárias, ao serviço do bem-estar humano! Assustadora a alienação das crianças e muitos adultos, é certo, nos seus jogos de destreza digital nos tais aparelhos que as desviam de outros jogos de natureza física ou mesmo de interesse mental e social, mas que indiscutivelmente contribuem para uma ginástica manual e por consequência também mental que a mim, leiga, me deixam maravilhada. E o Estado fornece os campos para a ginástica e a natação, além de que as escolas também vão providenciando, e os pais atentos colaborando.

 

Apesar, pois, de um futuro previsível de terror pela alienação humana invadida pelas realizações e fantasias do progresso, os genes que formaram os primitivos seres e os tornaram mais e mais desenvoltos, vão-se mantendo em equilíbrio de forças, a liberdade e a democracia permitindo a coexistência das variantes, os alertadores de opinião contribuindo para o equilíbrio, os conceitos bíblicos e outros sobre o Bem e o Mal continuando a vigorar com maior ou menor solidez, as divergências e as similitudes entre uns e outros tornando mais viva a festa da vida, permitindo mesmo que o passado retorne nos seus escritos que a própria internet faculta e a televisão e outros meios de comunicação propiciam. Quanto à mudança, é tema antigo, por tantos apontado, que Camões estilizou:

 

Camões (Júlio Pomar).jpg

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o Mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

 


Continuamente vemos novidades,

Diferentes em tudo da esperança;

Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem, se algum houve, as saudades.

 


O tempo cobre o chão de verde manto,

Que já coberto foi de neve fria,

E em mim converte em choro o doce canto.

 


E, afora este mudar-se cada dia,

Outra mudança faz de mor espanto:

Que não se muda já como soía.

 

 

Berta Brás 2.jpgBerta Brás

CULTURA DA MUDANÇA ENTRE SONHO E LIBERDADE

 

 

ficção científica.png

 

 A alta tecnologia promete sonho mas consome liberdade

Tudo e todos têm de mudar

 

 

Encontramo-nos num processo de desenvolvimento em que o pensar linear será substituído pelo global e em que consequentemente as visões da realidade a-perspectiva substituirão paulatinamente as actuais visões e equacionamentos lineares da realidade.

 

Passaremos do tenho razão para o temos razão, atendendo à consciencialização da complementaridade dos diferentes biótopos da natureza, da complementaridade dos diferentes biótopos culturais e da complementaridade dos diferentes sistemas de pensamento e à fragilidade da formação da opinião regulada por monopólios globais. A estratégia que se encontra por trás desta mundivisão aproxima também a linguagem e metáforas de mitos e religiões às expressões e concepções científicas.

 

Iphone, automóveis com propulsão própria, drones usados no comércio como serviço de entrega, robôs inteligentes, etc. parecem substituir cada vez mais o Homem reduzindo-o ao papel de espectador. A alta tecnologia promete o sonho à custa da liberdade. O exercício do pensamento passa para os computadores e a força revolucionária parece ter passado para a técnica e o trabalho manual é cada vez mais substituído pela produção mecânica. Tudo isto está a provocar uma mudança radical das nossas impostações éticas, da nossa maneira de pensar e agir. É o que se observa e sente hoje que nos encontramos em pleno epicentro da revolução Vale do Cilício: uma revolução que quer tornar possível a felicidade individual realizada através dos padrões de grandes monopólios anónimos à margem de democracias, das culturas e das religiões. Aristóteles diria hoje em termos portugueses: ”nem tanto ao mar nem tanto à terra”.

 

Aos industriais e aos barões do petróleo sucederam-se os Bancos e os Gestores de fundos Hedge. Actualmente encontra-se em via de realização a era da revolução digital – com os génios dos computadores e das altas tecnologias.

 

Antes os líderes contentavam-se com o poder da riqueza depois passou-se ao poder do dinheiro. Hoje os líderes do mundo (protótipo Silicon Valley na Califórnia) querem mais; aspiram a determinar não só o que consumimos mas também a maneira como consumismos e como vivemos juntando na mesma mão (ou organização) o ideário, a economia, a ideologia e a produção numa Agenda bem definida. A nova ideologia-praxia é tentadora porque sabe empregar também a linguagem e as metáforas das religiões e das literaturas.

 

Religiões e outras instituições abertas aos sinais dos tempos terão de estar atentas às suas estratégias! Delas poderão aprender muito em termos de resposta ao globalismo.

 

No princípio era a fé em Deus, depois veio a fé no dinheiro e agora experimenta-se a fé na mensagem da Alta Tecnologia como doutrina de salvação, que transfere a esperança para a perspectiva das possibilidades infinitas da tecnologia! (Já há pessoas que se deixam congelar para serem descongeladas na altura em que a técnica tenha descoberto soluções para a morte – uma ilusão que desconhece a realidade do ser criado ou da matéria mas que como utopia dá resposta, à sua maneira, a necessidades do ser humano). Para os apóstolos da nova mensagem, os estados, as religiões, as filosofias tornam-se em empecilhos de progresso. Fixados na sua filosofia que de forma eclética se serve da ciência e da religião como expressão da necessidade humana, elaboram um sistema de ortodoxo-praxia orientada pelo desejo criativo que se realiza na inovação. Reduz-se o ser a uma determinada forma de estar na vida. A ideologia substitui cada vez mais as soluções práticas passando muitos projectos a ser efectuados segundo os óculos da ideologia e do momento.

 

No princípio era a fé em Deus que se encontrava no âmago do Homem. Hoje é a fé na tecnologia que já não se encontra dentro do homem, dependendo só dele e ao não fazer parte do seu centro corre perigo de o alienar totalmente.

 

A filosofia da alta tecnologia (economia digital) incorpora nela também Marx e Engels definindo o alienante como aquilo que nos tira do tempo, do concreto; assim se reduz a pessoa à materialidade que se esgota na actividade produtiva que é ao mesmo tempo fonte da consciência; por outro lado considera a religião, Deus e o dinheiro como factores alienantes que nos desviam da realidade material. A nova fé encontra no Joga e em exercícios semelhantes uma maneira de estar prática e de subjugar instâncias metafísicas.

 

A nova alienação prende a consciência humana à sua mera actividade. O produto é a luz da vela que resulta da energia do trabalho e o indivíduo esvai-se nela. A ideologia moderna, que a todos parece iluminar, aliena-nos com produtos conseguidos à custa da desumanização das pessoas reduzidas a mercadoria numa “metafísica” bruta construída, como no caso da vela, a partir da relação produto-consumidor. Aqui dá-se a identificação do indivíduo com o seu destino; tudo é reduzido a indivíduo saído da materialidade para se consumir na materialidade. A promessa do desenvolvimento infinito alimenta a nova alienação do indivíduo que ao ser reduzido a produto passa a ser consumido na ilusão do que consome. A relação entre produtor-produto e consumidor passa a ser a utilização, o imediato. A teoria da alienação em Marx, para ser consequente reduziria o Homem a mera biologia animal irracional. De facto, o pensamento, na sua qualidade de abstracto, seria na sua essência uma alienação. Para ser consequente o pensamento marxista e da aliança capitalismo-marxismo teriam então de declarar o fim do pensamento.

 

Continua no próximo artigo sob o título “O VALE DO SILÍCIO (Silicon Valley) E A ESCOLA DE SAGRES – MITOS DA SUSTENTABILIDADE”

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

O TÚNEL DA MANCHA

 

Calais-refugiados.jpg 

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia

Tinha não sei qual guerra,

Quando a invasão ardia na Cidade

E as mulheres gritavam,

Dois jogadores de xadrez jogavam

O seu jogo contínuo.

À sombra de ampla árvore fitavam

O tabuleiro antigo,

E, ao lado de cada um, esperando os seus

Momentos mais folgados,

Quando havia movido a pedra, e agora

Esperava o adversário,

Um púcaro com vinho refrescava

Sobriamente a sua sede.

Ardiam casas, saqueadas eram

As arcas e as paredes,

Violadas, as mulheres eram postas

Contra os muros caídos,

Traspassadas de lanças, as crianças

Eram sangue nas ruas...

Mas onde estavam, perto da cidade,

E longe do seu ruído,

Os jogadores de xadrez jogavam

O jogo do xadrez.

Inda que nas mensagens do ermo vento

Lhes viessem os gritos,

E, ao reflectir, soubessem desde a alma

Que por certo as mulheres

E as tenras filhas violadas eram

Nessa distância próxima,

Inda que, no momento que o pensavam,

Uma sombra ligeira

Lhes passasse na fronte alheada e vaga,

Breve seus olhos calmos

Volviam sua atenta confiança

Ao tabuleiro velho.

Quando o rei de marfim está em perigo,

Que importa a carne e o osso

Das irmãs e das mães e das crianças?

Quando a torre não cobre

A retirada da rainha branca,

O saque pouco importa.

E quando a mão confiada leva o xeque

Ao rei do adversário,

Pouco pesa na alma que lá longe

Estejam morrendo filhos.

Mesmo que, de repente, sobre o muro

Surja a sanhuda face

Dum guerreiro invasor, e breve deva

Em sangue ali cair

O jogador solene de xadrez,

O momento antes desse

(É ainda dado ao cálculo dum lance

Pra a efeito horas depois)

É ainda entregue ao jogo predilecto

Dos grandes indiferentes.

Caiam cidades, sofram povos, cesse

A liberdade e a vida,

Os haveres tranquilos e avitos

Ardem e que se arranquem,

Mas quando a guerra os jogos interrompa,

Esteja o rei sem xeque,

E o de marfim peão mais avançado

Pronto a comprar a torre.

Meus irmãos em amarmos Epicuro

E o entendermos mais

De acordo com nós-próprios que com ele,

Aprendamos na história

Dos calmos jogadores de xadrez

Como passar a vida.

Tudo o que é sério pouco nos importe,

O grave pouco pese,

O natural impulso dos instintos

Que ceda ao inútil gozo

(Sob a sombra tranquila do arvoredo)

De jogar um bom jogo.

O que levamos desta vida inútil

Tanto vale se é

A glória; a fama, o amor, a ciência, a vida,

Como se fosse apenas

A memória de um jogo bem jogado

E uma partida ganha

A um jogador melhor.

A glória pesa como um fardo rico,

A fama como a febre,

O amor cansa, porque é a sério e busca,

A ciência nunca encontra,

E a vida passa e dói porque o conhece...

O jogo do xadrez

Prende a alma toda, mas, perdido, pouco

Pesa, pois não é nada.

Ah! sob as sombras que sem querer nos amam,

Com um púcaro de vinho

Ao lado, e atentos só à inútil faina

Do jogo do xadrez,

Mesmo que o jogo seja apenas sonho

E não haja parceiro,

Imitemos os persas desta história,

E, enquanto lá por fora,

Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida

Chamam por nós, deixemos

Que em vão nos chamem, cada um de nós

Sob as sombras amigas

Sonhando, ele os parceiros, e o xadrez

A sua indiferença.

 

Ricardo Reis.pngVem a ode de Ricardo Reis a propósito do artigo de António da Cunha Duarte Justo que corrobora a notícia do Público de 25/7/15 «Turquia promete combater jihadistas e rebeldes curdos “sem distinção» de Clara Barata e Sofia Lorenzo e que o noticiário das 20h deste dia 3/8 reforça falando de atentado suicida na Turquia, atribuído por Ancara a rebeldes curdos, que entraram numa esquadra de polícia perto da fronteira com o Irão com um camião com toneladas de explosivos acrescentando que o Governo turco tem enfrentado uma onda de violência depois de ter bombardeado as bases do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKP).

 

Americanos, russos e tutti quanti é que entendem das suas razões ao ajudarem ou não os povos a libertar-se, conforme as suas próprias conveniências. Já o fizeram antes, a Europa aqui está para lhes sofrer as consequências.

Berta Brás.jpgBerta Brás

PORTUGUESES QUASE ESQUECIDOS

 

 

Jerónimo Lobo nasceu em Lisboa na primeira metade de 1595 no seio de família nobre. Admite-se que tenha frequentado o Colégio de Santo Antão, em Lisboa, que era então o maior estabelecimento de ensino jesuíta em Portugal; em Coimbra frequentou o Colégio das Artes; frequentava a quinta classe de Humanidades quando, com 14 anos de idade, entrou para a Companhia de Jesus; de 1613 a 1617 faz o curso de Filosofia; concluída a formação, foi colocado em Braga ministrando Gramática (latim) no Colégio de São Paulo durante dois anos; regressado a Coimbra, recebeu ordem em Abril de 1621 para ir trabalhar nas Missões do Oriente.

 

Foi por esta época que começou a redigir a sua obra Itinerário, espécie de diário que continuará nas duas décadas seguintes. Depois duma tentativa gorada, parte para o Oriente em Março de 1622 acompanhando D. Francisco da Gama que ia tomar posse do cargo de Vice-rei da Índia chegando ao destino, Goa, apenas em Dezembro desse ano.

 

Mas seria na Etiópia e na costa leste africana que o Padre Jerónimo Lobo se aplicaria como cientista, nomeadamente na Botânica.

 

Integrado num grupo de missionários que em Goa recebeu ordem de marcha para a Etiópia, desembarcou em Ampaza (Pate), ilha que se situa nas proximidades da actual fronteira entre o Quénia e a Somália mas, concluindo que o itinerário desse ponto da costa africana até ao destino etíope era muito difícil, navegou de regresso a Diu para, acompanhando o novo Patriarca Católico da Etiópia Afonso Mendes, tomar a rota do Mar Vermelho e aportar a Bailul. Foi por aí que se fizeram ao deserto salgado eritreu para alcançarem finalmente a corte abexim em Fremona, relativamente próxima do Lago Tana, nascente do Nilo Azul.

Jesuítas na Etiópia.jpg

 Chegada do Patriarca Afonso Mendes à côrte do Imperador etíope

(ilustração da capa da edição francesa do «Discurso das Palmeiras»)

 

Uma das primeiras missões do Padre Jerónimo Lobo foi a de recolher os restos mortais de D. Cristóvão da Gama, filho de Vasco da Gama, assunto que lhe fora encomendado pelo próprio Conde da Vidigueira. Escoltado militarmente por tropas do Vice-rei do Tigré, Tecla Georgis, em Outubro de 1626 dirigiu-se para Ofla, onde se dera a batalha em que Gama fora morto[1], [2]. Identificadas as relíquias, foram as mesmas trasladadas para Goa em Maio de 1627.

 

De todas estas viagens foi o Padre Jerónimo fazendo relato no seu quase-diário Itinerário donde resultaram o registo e a transmissão de um conhecimento inédito para a época de vastíssimas regiões africanas e asiáticas, das suas faunas, floras e gentes.

 

Tão missionário como os seus companheiros, o Padre Jerónimo pregava, confessava, celebrava, ungia e fazia todos os trabalhos inerentes a um sacerdote católico desde os baptismos aos casamentos e funerais mas na escrita a que metodicamente se dedicava, destacou-se como botânico com a sua obra Discurso das Palmeiras cuja redacção concluiu já em Lisboa onde regressou em 1657. Ali dá especial destaque à morfologia de cada espécie e também às múltiplas utilizações de todas as que encontrou nas suas deambulações pela Somália, Eritreia e Etiópia entre 1623 e 1634 e nos restantes anos da sua actividade missionária em diversas regiões da Índia. Desta obra constam também as principais patologias e pragas que observou. Por exemplo, o «escaravelho do Nilo» (bizouro negro, como lhe chama) de que só recentemente nós, comuns mortais portugueses destes inícios do século XXI, conhecemos como causador da morte de tantas das nossas palmeiras. E julgávamos nós que se tratava de moléstia dos nossos tempos.

 

Esta obra foi rapidamente traduzida para inglês e publicada em 1669 pela Royal Society ocultando o nome do verdadeiro autor apesar de o manuscrito em português se encontrar ainda hoje na posse daquela instituição.

 

Seria interessante esclarecer se esse manuscrito não está ainda hoje na posse da Royal Society por obra e graça de algum acto de gatunagem; é para mim óbvio que deveria estar na nossa Torre do Tombo, na Biblioteca Nacional, nos Arquivos Ultramarinos, nalguma outra instituição pública portuguesa ou, no mínimo, na posse da Província Portuguesa da Companhia de Jesus. Contudo, ainda posso admitir que estivesse à guarda da Academia das Ciências ou da Sociedade de Geografia.

 

Independentemente da conclusão da investigação que sugiro, fique aqui o registo de que essa tradução provém de um original em português da inequívoca autoria de Jerónimo Lobo, Padre jesuíta que viveu entre 1595 e 1678 tendo nascido e morrido em Lisboa e que toda essa investigação não é da autoria do impostor inglês que omitiu o nome do verdadeiro Autor.

 

Cumprindo o princípio ético e até moral de «o seu a seu dono», está na hora de os países europeus – oficialmente solidários – devolverem aquilo com que ao longo da História se abotoaram durante guerras e invasões.

 

Agosto de 2015

 

C-HSF-Mékong.jpg

Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA:

  • «Padre Jerónimo Lobo, SJ – um missionário e um naturalista no Índico», João Paulo Cabral e João Manuel da Silva Martins, BROTÉRIA, Maio/Junho de 2015, pág. 465 e seg.
  • Wikipédia

 

[1] - Na saída voluntária dos portugueses que anos antes tinham ido em missão de apoio ao Preste João e que este não queria que saíssem. Era norma que nenhum estrangeiro que visitasse a Etiópia pudesse abandonar o país, a menos que fosse expulso pelo próprio Imperador, o que aconteceu mais tarde com os jesuítas.

[2] - Companheiro de fuga de D. Cristóvão da Gama, o médico D. João Bermudes conseguiu chegar a Portugal e escreveu sobre a grande expedição portuguesa à Etiópia. Ver por exemplo em: http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/562346.html

 

ADEUS, Ó FAROL DA BARRA

 

Farol da Barra de Aveiro.jpg

 

Revi Aveiro, com certa minúcia, num programa da TV5 Monde, com turistas passeando-se pelos canais da ria, pelas praias da Barra e da Costa Nova, pela Vista Alegre e a sua fábrica de louça… Revi as salinas a perder de vista, entre as quais se passava na estrada que conduzia à Barra e que passava também pela Gafanha. Em Aveiro nasceu o meu filho mais velho, vivi ali dois anos, foi no liceu de Aveiro que iniciei o meu percurso profissional, numa casa que alugámos perto do liceu, novinha em folha, mas que mal reconheci, quase vinte anos depois, no emaranhado de uma cidade em desenvolvimento.

 

O programa francês pormenoriza os dados, passeámos na ria com os turistas, vimos a fabricação dos ovos moles, com o rodo juntámos sal – turismo é também prática – só não visitámos o museu de Santa Joana, onde encontrei pela primeira vez uma encadernação em pergaminho, montada num cavalete, como mais tarde, na Biblioteca da Ajuda, encontraria o Cancioneiro medieval da Ajuda, que tanto me maravilhou, igualmente posto num cavalete, coisas primárias a quem pouco viajou na vida e que gravei com encanto na memória.

 

Mas o que mais me encantou foi o farol da Barra que tantas vezes vi de fora, mas que a mira do repórter fotográfico me levou a visitar por dentro, um farol cujos 271 degraus da escada em caracol foram subidos a pé por alguns dos turistas, embora já exista elevador que a câmara nos mostrou em projecção ascendente, além do vasto panorama da praia a perder de vista, que do cimo se avista.

 

É pois, em lembrança de um outrora de juventude ainda, em que, não sobrecarregada com os afazeres maternos, embora já com as canseiras da sua preparação, nos passeávamos por vezes até à Barra e Costa Nova, admirando o mais alto farol português, apenas do exterior, a inexistência de elevador impedindo uma subida a dois, o meu Ricardo acompanhando por dentro ambições de viagens e passeios que felizmente ele vai concretizando modestamente mas com o encanto da sua liberdade – é, pois em lembrança desse passado, que revejo num programa da televisão francesa, que transcrevo da Internet os dados sobre o Farol da Barra, embora tenha lido noutro texto que é o segundo maior da Península Ibérica, ao contrário do que vem neste, que o aponta como primeiro:

 

Farol de Aveiro na praia da Barra

 

O Farol da Barra é o mais alto de Portugal e da Península Ibérica.

 

Construído entre 1885 – 1893, foi projectado por um autodidacta que levou de vencida os onze engenheiros que apresentaram plantas e maquetas.  

 

O farol da Barra, custou na altura, a quantia de 51 contos aos cofres do estado.

 

A escadaria é composta por dois sectores: o primeiro, com 271 degraus, é uma escada em pedra, em forma de caracol; o segundo, é uma escada metálica, com 20 degraus (actualmente com elevador).

 

O cilindro tem de altura 44,5 metros, situando-se o foco luminoso a 62 metros, permitindo-lhe projectar os raios de luz a cerca de 60 quilómetros de distância, interceptando os faróis da Figueira da Foz e de Leça da Palmeira.

 

A sua inauguração foi levada a cabo por Bernardino Machado em 1893, então ministro das Obras Públicas, quando este visitou demoradamente a região.

 

Esta notável obra do século passado, erguida à entrada da barra, passou a velar pela segurança da navegação que até aí não dispunha de um ponto de orientação. Sem o farol, as embarcações da época eram frequentemente atraídas para terra, devido à ilusão de afastamento, provocada por uma porção de costa muito plana com as primeiras elevações a grande distância do mar.  

 

A principal fonte luminosa era obtida por incandescência do vapor do petróleo. Só em 1950 o sistema iluminante passou a ser alimentado a energia eléctrica.

 

A principal componente do farol é a potente lâmpada, que projecta um feixe luminoso visível a 22 milhas náuticas de distância (cerca de 40 quilómetros).

 

 

 

 

Berta Brás 2.jpgBerta Brás

O FENÓMENO VAROUFAKIS

 

Varoufakis.jpg

 

O mundo da política orçamental é vasto e complexo, incluindo muitos casos estranhos e aberrantes. Mas, até nessa companhia bizarra, o grego Yanis Varoufakis, no cargo de 27 de Janeiro a 6 de Julho, destaca-se como o pior e o mais bem-sucedido ministro das Finanças da história mundial recente. Em menos de seis meses conseguiu transformar uma situação desesperada numa catástrofe, enquanto se promovia da obscuridade ao estrelato.

 

Antes de mais, foi um ministro das Finanças muito popular, o que é inaudito. A função, nas suas características próprias, impõe incómodos e gera ódios. Quem se encarrega de nos tributar pode ser respeitado, temido, admirado, mas raramente é amado e celebrado. Varoufakis, mais conhecido pelo cachecol do que pelo défice, povoou magazines e revistas de moda.

 

Além disso era um académico numa função política, situação comum mas sempre ambígua. Recorrentemente tentada, costuma ser um fiasco por razões óbvias: os universitários tendem a ser tecnicamente bons mas politicamente inaptos, produzindo soluções elegantes mas impopulares. Neste caso, porém, a situação foi paradoxalmente inversa.

 

Yanis Varoufakis, doutorado em 1987 em Essex, na Grã-Bretanha, é professor catedrático na Universidade de Atenas desde 2006. Só que, especializado em Teoria dos Jogos, não domina as delicadas questões de finanças públicas e política orçamental. Aliás, não se lhe viu qualquer contributo, original ou outro. Desde o início, porém, revelou uma intensa atitude política, sentindo-se à vontade nas elaborações retóricas e nos debates parlamentares. Parecia um antipolítico-académico. No fim, o que o destruiu não foi qualquer destas duas dimensões, mas uma falha no elementar bom senso.

 

Tomou posse numa das mais terríveis crises que o mundo desenvolvido assistiu. Se isso impõe brutais sacrifícios, na população tem, ao menos, a vantagem de ser uma doença simples e elementar, com tratamento evidente. Havia alternativas limitadas e o essencial era óbvio para qualquer pessoa medianamente inteligente. Evitar a ruptura financeira, que geraria um colapso bancário e as consequentes derrocada produtiva e calamidade social, ainda piores do que as já verificadas, exigia garantir financiamento exterior. Só assim o país poderia estancar o pânico dos agentes económicos internos e externos, para depois começar o longo caminho de recuperação da confiança.

 

A tarefa era hercúlea, mas o Syriza tinha também condições únicas para a realizar: forte apoio popular nacional e internacional e os parceiros da União numa posição defensiva, devido à evidente desgraça já infligida à Grécia. Era patente que toda a gente desejava o maior sucesso ao rebelde governo helénico.

 

Nesta circunstância-limite havia algo a evitar a todo o custo: arrogância, pedantismo e dissipação. Insulto e desafio em condições assim, por muito que apeteça, são atitudes estúpidas. Quando se vai pedir muitos milhares de milhões a outros países, aliás também em crise, convém mostrar solidariedade, empenho, compreensão. Varoufakis fez exactamente o oposto do que devia: desdenhou negociações, iludiu propostas concretas e construtivas, limitando-se a barafustar.

É verdade que ele tinha bastante razão. A Europa cometera erros graves na Grécia, e sabia-o. Ao fim de tantos anos, o horror a que os gregos tinham chegado enfraquecia a posição dos duros, que exigiam a continuação da austeridade. Também para a União a atitude mais inteligente era benevolência, cooperação e apoio. Este ambiente favorável foi totalmente subvertido pela atitude tola, pretensiosa e ridícula do ministro grego, que legitimou os críticos enquanto debilitava os argumentos dos defensores de um alívio. No final, tendo prometido que se demitiria se perdesse o referendo de 5 de Julho, acabou por ser forçado a abdicar apesar de ter ganho.

 

O balanço do episódio é deplorável. Para o povo grego, o mandato de Varoufakis significou a explosão de uma situação já terrível. Bancos fechados, limites de pagamentos, ausência de crédito e bloqueios nas importações, além de tumulto e vexame logo na abertura da decisiva época turística. O governo do Syriza tem agora a missão impossível de aplicar um acordo pior do que aquele que recebeu mandato para rejeitar. Na Europa, o resultado foi devastador, com ruptura da confiança, acordos ilusórios e falta de perspectivas credíveis de união. Uma só pessoa beneficiou com tudo isto: Yanis Varoufakis, coqueluche mediática global que, agora sem responsabilidades, pontifica como guru da esquerda internacional. Parabéns!

29 de Julho de 2015

 

João César das Neves.png

João César das Neves

«ESTA MODA DO PEZINHO…»

Amália, o pezinho.png

  https://www.youtube.com/watch?v=YQ57oUBuQ58 

 

É o registo que me acode, pela imortal voz de Amália, ao ler o artigo «O mito do colesterol» de Manuel Pinto Coelho, (Médico, doutorado em Ciências da Educação e diplomado em medicina anti-envelhecimento), artigo publicado no PÚBLICO 26/7/2015, pois que a questão do perigo do colesterol virou mito, segundo ele, tal como em tempos o do azeite de oliveira a ser ultrapassado pelos óleos vegetais doutras proveniências, (entre as quais o girassol), mais saudáveis estes, para retomar hoje a sua posição anterior, que Pinto Coelho também aconselha para a redução dos riscos cardiovasculares:

 

Esta moda do pezinho

É bem boa de dançar

Dá-se um jeitinho ao pé

E um saltinho para o ar

Toma lá, Chiquita

Toma lá e leva

Esta linda moda para a tua terra

Vira pra direita, vira para a esquerda

Vira pra direita, muchacha galega!

 

Carlos Pinto Coelho informa, apoiado em estudos, que não é o colesterol o responsável-mor das doenças cardiovasculares, segundo as prescrições actuais, mas muitas vezes os tratamentos delas, com fármacos como as “estatinas”, ressalvando, todavia, essa medicação: As únicas pessoas que podem tirar partido das estatinas são as que sofrem de hipercolesterolémia familiar, uma doença rara que dá uma taxa elevada de colesterol (para cima de 330) qualquer que seja a alimentação e o modo de vida.

 

O artigo, embora longo, é claro e útil, e aponta não só efeitos benéficos da existência do colesterol nos organismos, como os meios dietistas para o controlar:

 

colesterol.png

 

«O mito do colesterol»

Manuel Pinto Coelho

 

Na luta contra as doenças cardiovasculares, sempre que se pensa em arteriosclerose é admitido, desde há muito tempo, que o culpado é o colesterol que se vai depositando nas artérias, entupindo-as progressivamente a uma velocidade proporcional ao seu nível no sangue. Ora a verdade é que esta teoria não repousa em nenhum dado científico bem sustentado.

 

Na realidade, não só a investigação comprova que três quartos das pessoas que têm o primeiro ataque cardíaco têm níveis normais de colesterol, como estudos recentes indicam que os tratamentos, em muitas situações, acabam por ser bem mais nocivos.

 

Reportando-nos exclusivamente aos problemas cardiovasculares, têm-se negligenciado muitas vezes a importância dos numerosos efeitos secundários provocados pelos tratamentos para baixar o colesterol, essencialmente perda de memória, fraqueza muscular e ligamentosa, impotência sexual e diabetes tipo2, alterações digestivas e hepáticas, dores de cabeça, edemas, vertigens, alterações cognitivas e alergias cutâneas.

 

No caso das estatinas, drogas que bloqueiam, no fígado, a enzima responsável pela produção do colesterol, essencial para a nossa sobrevivência, talvez nos dias que correm os medicamentos que mais se vendem em todo o mundo, utilizadas para baixar o colesterol total e a fracção LDL do colesterol, (sendo que este último, embora não seja mais que um transportador do colesterol do fígado, onde ele é fabricado, para os tecidos que dele têm necessidade é considerado ridiculamente “mau colesterol”, em contraponto com a fracção HDL, considerada “bom colesterol”, outro mero transportador do mesmo colesterol, dos tecidos que o utilizaram, para o fígado - a sua central de fabrico e reciclagem), o risco de diabetes e obesidade resultante da sua toma foi ainda há pouco tempo denunciado pela comunidade científica.

 

Assim, em Março de 2012 a Agência Europeia do Medicamentos (EMA) reconheceu a gravidade do efeito diabetogénico das estatinas e recomendou aos laboratórios que os seus efeitos secundários passem a ser claramente anotados nas normas de utilização, norma que, parece, nem sempre cumprida.

 

Mas não é tudo. Começa a aparecer cada vez mais evidência mostrando que as estatinas pioram também a saúde cardíaca, revelando não só que não seguras como também não são muito eficazes. Um estudo recentemente publicado, revelou, em contraste com o aquilo que é hoje comummente aceite (a redução do colesterol com estatinas diminuem a arterioesclerose), que estas drogas podem, pelo contrário, estimular a arteriosclerose e a insuficiência cardíaca (Expert Review of Clinical Pharmacology.2015 Mar;8(2):189-99).

 

Alguns mecanismos fisiológicos discutidos no estudo mostraram que as estatinas podem piorar a saúde do coração de várias formas:

- Inibindo a função da vitamina K2, necessária para proteger as artérias da calcificação;

- Danificando a mitocôndria, prejudicando a produção de ATP (responsável pela energia do músculo cardíaco).

- interferindo com a produção de CoQ10, como se referirá mais adiante;

- O mesmo com proteínas contendo selénium, tais como a glutationa peroxidase, cruciais para prevenir o dano oxidativo do tecido muscular.

 

Considerando todos estes riscos, os autores concluíram que “as epidemias da insuficiência cardíaca e arteriosclerose, quais pragas do mundo moderno, podem ser paradoxalmente agravadas pelo uso difuso de estatinas. Nós propomos que os correntes manuais de tratamento com estatinas sejam criticamente reavaliados”.

 

No que diz respeito às doenças cardiovasculares, em que o colesterol teima em aparecer como o mau da fita, há uma grande incerteza sobre as suas causas e têm surgido as teorias mais contraditórias.

 

Sabe-se que aquilo a que se chama “placa” ateromatosa, que reduz o diâmetro das artérias, é principalmente constituída por células compostas pelo tecido muscular liso das artérias (proliferarando anormalmente), cálcio, ferro e colesterol, sendo este minoritário, funcionando como um curativo qual penso reparador do desgaste provocado pela inflamação da parede das artérias, esta sim a verdadeira má da fita nesta questão da formação da placa ateromatosa e da consequente arteriosclerose. Daí a importância do seu biomarcador – a PCR (Proteína C Reativa) – estar abaixo de 0,5. Quem o tem abaixo deste valor pode comer gorduras à vontade.

 

Sendo assim, se o aumento da taxa de colesterol é um meio que o organismo encontra para se proteger, então baixar a sua taxa com medicamentos, estatinas ou quaisquer outros, não parece boa ideia.

 

Se as taxas estiverem elevadas, tal deverá ser sempre considerado como um problema essencialmente de estilo de vida, que se corrigirá, prioritariamente, modificando o comportamento e a alimentação (de relevar a toma diária de 3 gramas diários de Ómega 3).

 

As únicas pessoas que podem tirar partido das estatinas são as que sofrem de hipercolesterolémia familiar, uma doença rara que dá uma taxa elevada de colesterol (para cima de 330) qualquer que seja a alimentação e o modo de vida. Se se tiver que as tomar, dever-se-á tomar também CoQ10 ou ubiquinol, co-enzimas também anti-oxidantes cuja produção está igualmente bloqueada pelas estatinas.

 

Para reduzir o risco cardiovascular, as melhores medidas a tomar são:

- Substituir a alimentação industrial, transformada e artificial, por alimentos frescos pouco cozinhados, se possível biológicos, cultivados localmente;

- Aumentar o consumo de gorduras boas para a saúde como o abacate, peixes gordos, ovos biológicos inteiros, gordura de noz de coco, nozes, amêndoas, avelãs e azeite, de forma que o rácio entre o ómega 3 e o ómega 6 ande entre 1/1 e 1/5 (e não 1/20 como acontece com a actual alimentação ocidental);

- Optimizar a ingestão de cálcio, magnésio, sódio e potássio, optando sempre que possível por legumes biológicos;  

- Monitorar a taxa de vitamina D optando pela exposição ao sol – conseguir-se-ão níveis óptimos com uma exposição de 20 minutos em pelo menos ¾ partes do corpo -, acompanhada de vitamina K2 para evitar a calcificação das artérias;

- Restaurar os níveis hormonais, principalmente da testosterona, com hormonas bio-idênticas;

- Parar de fumar e não beber mais de um copo de vinho tinto por dia;

- Fazer exercício físico regularmente;

- Cuidar da higiene bucal e dentária – as pessoas com má higiene da sua boca têm 70% de risco de desenvolver uma doença cardíaca em contraponto com as pessoas que lavam os dentes pelo menos duas vezes por dia;

-Evitar as estatinas (salvo no caso da hipercolesterolémia familiar), que fazem baixar as taxas de colesterol artificialmente, sem esforço, mas com o risco de numerosos efeitos indesejáveis, como se referiu.

 

- Melhorar a sensibilidade à insulina – para tal optar por um regime com índice glicémico baixo como a batata-doce (melhor que a batata), o mel (melhor que o açúcar), as leguminosas como as ervilhas, os feijões e as favas (melhor que os cereais).

 

Com esta finalidade, considerar também o ácido alfa-lipóico (400 mg/dia). 

 

O colesterol é uma molécula natural produzida 70% pelo organismo, principalmente pelo fígado, (os restantes 30% provêm dos alimentos), que o utiliza como um verdadeiro cimento: ao nível dos músculos, para os reparar quando estão fragilizados depois dum exercício físico; ao nível do cérebro, para ajudar os neurónios a melhor comunicar entre si; ao nível das artérias, para as reparar quando são lesadas.

 

Ele é uma das substâncias mais importantes, não só indispensável à regeneração das células e à formação das suas membranas, à metabolização de vitaminas como a A, D, E e K, à produção de ácidos biliares importantes na digestão das gorduras, essencial, como se disse, para o cérebro (contém cerca de 25 % de todo o colesterol do corpo, sendo critico na formação das sinapses que permitem o pensamento, a aprendizagem e a formação da memória) como à síntese de hormonas tão vitais para a nossa existência como as hormonas sexuais – testosterona, progesterona e estrogéneo (há quem considere que ter taxas de colesterol elevado a partir dos 65 anos é sinal de longa vida e de virilidade...), as hormonas do stress – glucocorticóides como o cortisol, e à mais importante de todas – a vitamina D, como as hormonas sexuais ela também uma hormona esteróide, sendo que uma pele com níveis insuficientes de colesterol não é capaz de a produzir.

 

Médico, doutorado em Ciências da Educação e diplomado em medicina anti-envelhecimento

 

Sendo, pois, o tratamento do colesterol responsável pela perda de memória, como informa o artigo do Dr. Manuel Pinto Coelho sobre os benefícios do colesterol e os malefícios do seu tratamento – e esperemos que tal opinião não vire pura moda efémera, como as mais - concluo com a seguinte anedota bem humorada que o meu filho Ricardo me enviou, ele próprio a caminho dessas patologias enervantes, ou desejoso de precaver a mãe, que já há muito se queixa, hiperbolizando, como é seu costume, embora não lhe pertença o conto burlesco. Um bom dito é meio caminho para a saúde, pelo menos mental:

 

«Wanda, Wilma e Waneide»

Três irmãs, Wanda, de 90, Wilma, 88 e Waneide, 86 aninhos de idade, viviam na mesma casa. Uma noite, Wanda, a de 90, começa a encher a banheira para tomar banho; põe um pé dentro da banheira, faz uma pausa e grita:

- Alguém sabe se eu estava entrando ou saindo da banheira?

A irmã, Wilma, de 88, responde:

- Não sei, já subo aí para ver!

Começa a subir as escadas, faz uma pausa, e grita:

- Eu estava subindo ou descendo as escadas?

A irmã caçula, Waneide, a de 86, estava na cozinha tomando chá e escutando suas irmãs. Balança a cabeça e pensa:

- Que coisa mais triste! Espero nunca ficar assim tão esquecida...

Prevenida, bate três vezes na madeira da mesa, e logo responde:

- Já vou ajudá-las, mas antes vou ver quem está batendo na porta!

Pessoal, agora fiquei com medo.....

Eu estou enviando ou recebendo este e-mail ?

Acho que as duas coisas. Ainda me sinto capaz de ponderar

Berta Brás.jpgBerta Brás

A SENHORA

Grácia Nasi.png

 

Gracia Há-Nassi, também conhecida como Grazi Nasi, Gracia Nasi, Gracia Mendes, Gracia Mendes Benveniste, Gracia Miguez, nasceu em Portugal, possivelmente em Lisboa em 10/06/1510 no seio de uma família de judeus conversos, originária de Aragão, sob o nome cristão de Beatriz de Luna. Era filha de Álvaro de Luna de Aragão e de Philipa Benveniste. Segundo Cecil Roth, casou em 1528, em rito católico em sociedade, e provavelmente em rito cripto-judaico em ambiente familiar, reservado, com um rico comerciante e banqueiro, Francisco Mendes Benveniste (Tezmah Benveniste), que na época dos descobrimentos marítimos, também se tornou grande negociante de especiarias. Em 1536, com a morte de seu marido, pouco tempo após o nascimento de sua filha, Ana Mendes (Reyna), Beatriz de Luna torna-se uma das personalidades femininas mais importantes do seu tempo. Empresária, rica, filantropa, culta e bonita tinha prerrogativas desconhecidas à maioria das mulheres do século XVI.  Mas a cobiça de D. João III logo se estendeu ao seu grande património. Mesmo com os protestos da viúva, o inventário foi levantado por ordem do rei que tenta também levar-lhe a filha, uma das herdeiras da família, para a corte da rainha, D. Catarina, visando um casamento futuro com alguém da realeza.  Com a Inquisição se instalando no mesmo ano, Beatriz decide estrategicamente partir para Antuérpia onde seu cunhado e sócio, Diogo Mendes, abrira uma filial bancária da família com outro parente.

 

Apesar de alguns percalços e até prisão, livre e enobrecido por Carlos V, Diogo torna-se banqueiro de vários reis europeus. Com ele, Beatriz passa a gerir os negócios e estrutura uma rede secreta de ajuda aos judeus fugidos da Inquisição. Quando a irmã, Brianda de Luna, casa com seu cunhado Diogo em 1539, as relações familiares e económicas tornam-se ainda mais estreitas. Mas os anos de 1539 e 1540 ficam difíceis para as comunidades cristãs-novas de Antuérpia, delações e interrogatórios surgem. Morre Diogo Mendes e pelas suas disposições testamentárias Beatriz torna-se administradora da Casa Mendes (com auxílio de Guilherme Fernandes e João Micas) e da herança da sobrinha na menoridade desta, facto que criou uma situação de intolerância e desconforto entre as irmãs, até ao fim de suas vidas. Caso houvesse alguma coisa com Beatriz o património seria gerido por Agostinho Henriques (Abraão Benveniste), parente deles.   

 

Mais uma vez é a cobiça que leva o Imperador de Antuérpia a exigir o inventário dos bens do falecido banqueiro. Acusam Diogo de ter mantido práticas judaicas e a hipótese de confisco aguça o interesse da Coroa. Beatriz tenta salvar a situação, paga 40 mil ducados para retirar a acusação sobre a reputação judia de Diogo e 200 mil, em dois anos, à Rainha Maria da Hungria para evitar que outros membros da família fossem também acusados. O dinheiro ajudava mais uma vez a salvaguardar o relativo sossego que perseguia. Com o Papa, Beatriz consegue um  salvo-conduto que lhe permitia ficar em Roma. Não o usa, mas tem-no como estratégia para uma possível fuga. Porém, mais uma vez a Coroa resolve oferecer um partido dentro da realeza paras se casar com  a filha, D. Francisco de Aragão ou Gaspar Ducchio. Beatriz recusa tal oferta. Então, cristão-novos são presos, entre eles gente da família. Beatriz interfere pagando avultadas quantias em dinheiro e consegue libertá-los. A situação torna-se insustentável, prepara nova fuga.

 

Em 1545 pede a Maria da Hungria permissão para ir às famosas termas de Aix-la-Chapelle. Viaja com a parte feminina da família, mas encaminha-se para Lyon onde tinha vários interesses e depois para Veneza; não volta a Antuérpia. Tem como objectivo um dia chegar a Constantinopla. Envia João Micas para acertar negociações com a Regente. Em Veneza, Beatriz faz importantes contactos e negócios. Mas também tem aborrecimentos com a irmã que leva ao tribunal veneziano encarregado de causas estrangeiras, o processo da herança, em 1547. Porém, em 1548 chega o Santo Ofício e mais uma vez se vê na contingência de fugir, sem a deliberação do tribunal. Atinge Ferrara e fica na casa do cristão-novo português Sebastião Pinto, que a ajudou na passagem por Londres anos atrás. Porém, por questões financeiras, o Duque Hercules II oferece-lhe o aluguel de um palacete (Palácio Magnanini) por dois anos, de 1549 a 1551, por 200mil ducados/ano. Aí se estabelece e tenta anular o resultado favorável do processo de Veneza, que se decidira por Brianda. Dedica-se também a patrocinar artistas e trabalhos literários, como os de Samuel Usque (literato português, sefardita), Alonso Nuñez Reinoso (poeta espanhol de origem judia), Bernardim Ribeiro (romancista) e de alguns italianos, Ortensio Lando e Girolamo Ruscelli. Também financiou e apoiou os estudos científicos do médico judeu português Amato Lusitano (Dr. João Rodrigues de Castelo Branco) que descreveu pela primeira vez o sistema circulatório e suas válvulas, e escreveu tratados médicos, dos mais importantes do século XVI. Sua casa recebia intelectuais e  pessoas ilustres do seu tempo. Mas apesar de toda essa vida de brilho, ao final do contracto, Beatriz vê-se diante da possibilidade de abandonar Ferrara, já sugerida pelo Duque. E assim, em 1551, encontra-se novamente em Veneza e faz um acordo final com a irmã. Após resolver alguns negócios, vai para Ragusa, onde sua Casa tinha interesses. Dali, atinge finalmente Constantinopla. Em 1553 está livre para assumir seu nome hebraico e sua verdadeira religião. Daí em diante passa a ser Gracia Nasi. Sua filha Ana, agora Reyna, casa-se em 1554 com o primo João Micas (Joseph Nasi)  que ao que parece faz parte de uma rede de informações sobre as movimentações turcas no Golfo Pérsico. Preocupa um eventual ataque do sultão às possessões portuguesas na Índia. Os interesses são provavelmente comerciais. Gracia Nasi exerce intensamente sua religiosidade. Constrói Sinagogas e Escolas para os estudos do Talmude. Torna-se mediadora entre as comunidades judaicas em Constantinopla. Amplia a rede de apoio aos cristãos-novos que começara em Antuérpia. Recebe então a alcunha de a “Senhora” e outras como a “Coroada”, a “Hagevirá” (a herdeira da realeza).

 

Em 1555 sobe ao papado Paulo IV e recrudesce a perseguição aos cripto-judeus. Muitos dos seus contactos e conhecidos são encarcerados ou têm seus haveres confiscados. Tenta então desviar o comércio de sua Casa para Pesaro. O Porto de Ancona não é mais seguro.  Consolida, no entanto, a sua posição junto à corte turca.

 

Depois de conseguir junto ao governador de Damasco a administração de um sub-distrito, implanta um local de acolhimento aos judeus da diáspora (Tiberíades).

 

Morre em 1569 sem notórias notícias, após anos de mobilizações constantes e muitas acções de ajuda a comunidades sefarditas.

Gracia Nasi é considerada como iniciadora da primeira onda sionista de retorno à terra prometida. Suas acções corajosas, políticas e económicas deixaram marcas indeléveis na história do mundo ocidental e judaico.   

 

Uberaba, 02/08/15

 

Maria Eduarda Fagundes.jpgMaria Eduarda Fagundes

 

Resumo e compilação das fontes:

- Os judeus, o dinheiro e o mundo (Jacques Attali)

- Mercadores e Gente de Trato (Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses) Direção científica de A.A. Marques de Almeida

- Wikipédia, enciclopédia livre

LEMBRANDO NATÁLIA CORREIA

 

Natália Correia.png

 

Conheci-a através de um livro – «O Vinho e a Lira» - que a minha irmã me mandou para África, pelos anos 60, juntamente com o de Ari dos Santos – «Insofrimento in sofrimento». Preferi-lhe este último, cuja escrita mais simples, embora de pensamento explosivo de revolta e violência, quadrava melhor com a minha capacidade perceptiva, educada segundo os padrões reflexivos mas claros dos estilos clássicos, passados e mesmo presentes - como os de Simone de Beauvoir e de Sartre, então na berra, no seu papel contestatário que alargou os horizontes ideológicos da sua época, na criação de personagens modelados em rebeldia ou contestação a uma sociedade burguesa de modelo convencional, embora de uma elegância natural, de expressão séria ou irónica, sem ornatos.

 

Natália Correia era toda ela artifício verbal, de ninfa oceânica em torrentes de palavras fugidias mas poderosas, de uma complexidade surrealística, de pontilhismo inegavelmente engenhoso no rebuscamento da imagem precisa para um discurso de estilhaços verbais em insinuações descritivas, caso do poema introdutório justificativo do título: “O vinho e a lira”, que faz evocar o universo imaginário de “Invitation au voyage” de Baudelaire, onde

Là, tout n’est qu’ordre et beauté

Luxe, calme et volupté,

mas com a vaga pretensão a um desenho de «compasso e esquadro» à Cesário Verde, emaranhado em molezas surrealistas deformadoras:

 

A oriente sou toda lira  

Exacta dérmica solar  

Biografo-me a desenho à pena  

Com a tinta da estrela polar.

 

À maternidade da pedra  

Restituo a casa a levante  

E o teu sorriso é navegável  

Sem rápidos de ciúme e sangue.

 

Por esse lado tive infância  

E derreto a neve das fotografias  

Destapando o quebra-luz  

De uma tépida estampa de tias.

 

A meu oriente de polido mogno  

Meu verso tem cadeiras e o habito  

Com amigos e respiram os móveis  

Um sossego de folhas de eucalipto.

 

Conheci Natália Correia depois, nas proeminências intelectuais que o 25 de Abril projectou para a ribalta das notoriedades contestatárias do antigamente. A televisão deu-nos a imagem de uma mulher esplendorosa, fascinante de beleza e audácia verbal, retorcida nos seus ademanes, de uma inteligência sem tabus, que ficou para sempre gravada na minha memória, pelos seus comentários irónicos e ousados no Parlamento ou em programas televisivos como “Mátria”, em que ficava presa mais à sua mímica engenhosamente voluptuosa do que à sua oratória, embora esclarecida e de uma dicção perfeita.

 

Na Internet descubro os dados biográficos da vida desta açoriana que viveu 70 anos (13/9/23 – 16/3/93), que foi escritora polígrafa - novelista, dramaturga, poeta e ensaísta - além de outros pormenores de um viver de muitos amigos e suponho que admiradores. 70 anos vividos, pois, em pujança e glória, com, certamente, os dissabores naturais a todas as vidas e muito mais a quem enfrentou corajosamente e provocadoramente políticas de que discordava e de que alguns poemas são testemunho, entre outros de cariz mais pessoal, em que a sensualidade é traço dominante, mas também a originalidade das imagens está em harmonia com a intelectualidade rebuscada do pensamento. Cito, de dezoito poemas da Internet, como exemplo dessa originalidade o poema I de O Livro dos Amantes

 

 

Glorifiquei-te no eterno.

Eterno dentro de mim

Fora de mim perecível.

Para que desses um sentido

A uma sede indefinível.

 

Para que desses um nome

À exactidão do instante

Do fruto que cai na terra

Sempre perpendicular

À humidade onde fica.

 

E o que acontece durante

Na rapidez da descida

É a explicação da vida.

 

Como exemplo da sua ideologia pacifista e do seu amor à vida consciencializada em vasta amplitude de afirmações, o poema «Ode à Paz»:

 

 Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,

Pelas aves que voam no olhar de uma criança,

Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,

Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,

Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,

Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,

Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,

Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,

Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,

Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,

Pelos aromas maduros de suaves outonos,

Pela futura manhã dos grandes transparentes,

Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,

Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas

Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,

Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,

Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.

Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,

Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,

Abre as portas da História,                               

                     deixa passar a Vida!

 

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"

Berta Brás.jpg Berta Brás

A TURQUIA USA A NATO PARA IMPEDIR A FORMAÇÃO DO CURDISTÃO

 

Território sírio e iraquiano à Disposição da Cobiça ideológica e internacional

 

Erdogan.jpg

 

Mais uma vez a Europa ajoelha perante os interesses dos USA. A NATO na reunião de 28.07 conseguiu, mais uma vez, iludir as massas europeias dando indirectamente carta-branca às aspirações de Erdogan que se quer aproveitar da situação para se vingar na etnia curda que aspira à formação de um Estado próprio.

 

Por interesse próprio os USA fecham os olhos a isto, embora o governo turco tenha sido conivente com as milícias rebeldes jihadistas sunitas do EI (“Estado Islâmico”). De facto a Turquia tem servido de país de trânsito do terrorismo jhiadista internacional para a Síria e Iraque. A Turquia não permitiu que as bases da NATO no seu país fossem utilizadas para ataques ao terrorismo do EI. O presidente Erdogan anunciou pôr termo ao processo de paz com os curdos precisamente no dia da reunião com os países da NATO. A Turquia não quer negociações de paz com os curdos, prefere o uso da força e a conivência da NATO sob a salvaguarda dos USA. A estratégia da Turquia é enfraquecer os curdos que se têm distinguido na luta contra o Terror do EI e com isto ganhado trunfos políticos internacionais para a causa da formação de um Estado curdo.

 

Os países da NATO ao dizerem-se em “estrita solidariedade com a Turquia” apoiam indirectamente a política de opressão turca contra os curdos e seguem a política hipócrita no Iraque e Síria ao serviço das grandes potências e dos potentados locais que aspiram ao domínio sobre a zona; uma forma para legitimar uma nova divisão do território.

 

A criação de uma “zona de segurança” (90 km de comprimento por quarenta de largura) no terreno sírio fronteiriço com a Turquia favorece sobretudo as intenções nacionais turcas de retalhar a zona onde vivem os curdos e assim criar já obstáculos à união curda do lado da Síria; além disso, mediante a transferência de refugiados acampados na Turquia para a “zona de segurança” enfraquece o papel dos Curdos e cria, com a ajuda internacional, situações factuais que impedem a posterior formação de um estado curdo com território ininterrupto. (As potências internacionais comportam-se, fechando os olhos, à semelhança do que fizeram em 1915 para que a Turquia pudesse perpetrar, à vontade, o genocídio aos arménios). A Turquia não tem interesse que as milícias curdas (YPG), aliadas da coligação internacional na luta contra as milícias terroristas EI, conquistem mais território às milícias do EI. A pretexto de se defender contra o EI, as tropas turcas bombardeiam posições do PKK até em terreno turco enfraquecendo também os curdos do Iraque e da Síria. Segundo relatórios de observadores internacionais, as forças aéreas turcas atacam mais os activistas curdos do PKK do que os terroristas do EI.

 

Nos últimos dias a Turquia aprisionou 1.3000 suspeitos de terrorismo de grupos de esquerda, de curdos e das milícias “Estado Islâmico”. Os USA designaram os ataques contra o partido dos trabalhadores curdos (PKK) como ofensivas de autodefesa. A Turquia tem 15 milhões de curdos, o que corresponde a 19% do total da população. Os curdos, na Turquia não têm direito ao ensino oficial da própria língua. O território correspondente à etnia curda espalha-se por vários estados sob ocupação de potências que não respeitam a sua autonomia.

 

Conclusão

 

A Turquia está interessada na destruição do governo Sírio e na separação das organizações curdas YPG e PKK para inviabilizar a concretização da velha exigência da formação de um Estado curdo. A NATO é usada como cortina de fumo para que a Turquia vá criando situações de facto que a favoreçam nas conversações do período pós-guerra. Os USA não abdicam da série de erros iniciados no Afeganistão, Iraque e continuados no norte de África. Destrói-se uma das nações mais desenvolvidas, a Síria, em favor de interesses e intrigas religiosas entre a força sunita (turca) e xiita (iraniana) e a favor dos interesses americanos e aliados contra os interesses russos na região.

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

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