Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

REFUGIADOS DA VIOLÊNCIA E DA POBREZA

ACDJ-Refugiados na Alemanha.jpg

 Quanto recebe do Estado um Refugiado na Alemanha

 

A distinção entre “refugiados” da pobreza e refugiados da perseguição ou da discriminação é mais uma questão burocrática. Com a discussão na Alemanha sobre a diferenciação entre quem tem direito ou não a estatuto de refugiado político só se espalha ainda mais a confusão e torna-se num motivo de desculpa para políticos que se surpreendem dos resultados da sua acção política ou para conversas de café. Muitos dos refugiados do Kosovo e da Albânia e muitos outros da África fogem à pobreza ou à dureza da lei islâmica. De facto a Lei alemã, de benefícios mensais para requerentes de asilo corresponde ao ordenado mensal de um polícia no Kosovo e na Albânia: 359 euros.

 

Segundo a lei alemão cada exilado tem direito a habitação gratuita, apoio em caso de doença e a 359 euros por mês para viver enquanto residirem em instalações de recepção inicial do Estado. Neste caso, da quantia 359 euros, 143 têm de ser dados em dinheiro (dinheiro de bolso para as necessidades pessoais) ao requerente de asilo, o respo pode ser entregue em dinheiro, em géneros ou em senhas. No caso de casais, cada parceiro recebe 129 euros mensais e se tiver outros familiares a viver com eles, recebe cada um deles 113€, se forem crianças recebem entre 85 e 92 euros. Quando deixam de viver nas instalações de recepção do Estado as entidades locais assumem os custos de habitação e pagam 216 euros para agregados com uma só pessoa; crianças e outros membros do agregado familiar recebem entre 133 € e 194 € cada.

 

Os refugiados que se encontrem na Alemanha passam depois de 15 meses a receber 392 €, isto é o correspondente aos benefícios sociais ao nível da assistência social, dos alemães.

 

Segundo as estatísticas alemãs, de Janeiro até 30 de Junho de 2015, foram feitos 159.927 pedidos iniciais de asilo que se distribuem pelos seguintes países de origem: 32.472 (o que corresponde a 20,3%) da Síria e da República Árabe, 28.672 (17,9%) vêm do Kosovo, 21.806 (13,6%) da Albânia, 10.126 (6,3%) da Sérvia, 8.331 (5,r%) do Iraque, 7.932 (5,0%) do Afeganistão, 4.182 (2,6%) da Macedónia, 3.582 (2,2%) da Eritreia, 2.805 (1,8%) da Nigéria, 2.701 (1,7%) do Paquistão e 37.318 (23,4%) de outros países. (Cf: https://www.bamf.de/SharedDocs/Anlagen/DE/Downloads/Infothek/Statistik/Asyl/statistik-anlage-teil-4-aktuelle-zahlen-zu-asyl.pdf?__blob=publicationFile)

 

Atendendo ao agravar-se da situação, os estados alemães avaliam, até ao final de 2015, entre 300.000 e 550.000 o número de requerentes a asilo na Alemanha.

 

Um refugiado do Kosovo ou da Síria não pode ser discriminado, devido à dignidade humana, independentemente se o movem motivos de ser perseguido ou de mera pobreza.

 

Como se vê os pretendentes ao direito de refugiados têm, a nível económico, no máximo o estatuto de pobres na Alemanha. Muitos deles para poderem chegar até cá, têm de pagar vários milhares de euros a transportadores ilegais, pondo a sua vista em risco como se constata pelas mortes no Mediterrâneo.

 

Na verdade o nosso bem-estar na Europa e na América do Norte começa a ter o seu preço directo pois tem havido muita gente que se priva para que possamos viver melhor.

 

A ajuda aos refugiados é uma correspondente compensação ao que ontem aconteceu e hoje acontece nas regiões da sua proveniência. Como o euro não chega a eles então eles têm de se chegar a ele. Atrás de si ficam cidades e aldeias onde o bem-estar não chegou.

 

Os políticos europeus chegaram ao fim do seu latim depois de tanta guerra-guerrilha que, directa ou indirectamente, fizeram ou apoiaram com os Americanos, desde o Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, até à Sérvia e à Ucrânia e o povo sente-se agora desconsolado. Agora já é tarde para se queixarem da chegada de tantos refugiados da barbaridade e da miséria.

 

O facto é que quem faz o negócio com as armas não pode ficar ileso; porém para fugirem com o rabo à seringa, falam da necessidade de uma distribuição “solidária” dos que procuram asilo por toda a Europa, quando apenas alguns países espalham a miséria naquelas regiões através das armas que vendem e do dinheiro que suas firmas ganham depois com a reconstrução dos países destruídos.

 

Com a vinda de tanta gente jovem para a Europa com a população tão envelhecida, o dinheiro que agora emprega nos refugiados é um empreendimento de rejuvenescimento. O único problema virá dos muçulmanos, não como indivíduos mas como grupo que, de uma maneira geral, não se tem integrado, tendo marcado a sua presença mais pela contra-afirmação em relação à cultura acolhedora. Só na Alemanha foram presos 1.500 traficantes de refugiados em 2015.

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

MANIFESTO ANTI-BOMBA

BB-bomba atómica.png

 

Diário de Notícias, Agosto, dia 9 de 2015

 

Escreveu Hans Blix,

«Chegou a hora de banir a bomba”,

E historiou,

De forma não cómica,

O ex-director da AIEA - Agência Internacional da Energia Atómica:

«Chegou a hora de banir a bomba”. Pim!

 

Mas a bomba prolifera, a nuclear,

Sem parar.

Não, não se trata do Big-Bang inicial,

Capital, segundo consta

Na explicação da Criação.

Era ainda o Nada

Que ninguém define.

Depois foi a explosão

E o chuto e a irradiação.

E a vida surgiu, em beleza e perversão.

E a Razão povoou o mundo

- Pelo menos este nosso –

De explicação,

E incompreensão,

No meio das maravilhas

E das tristezas em profusão.

Mas a Bomba tombou

Em Hiroshima e Nagasaki

Da nossa estupidificação.

E a Bomba irá tombar

Sem mais paixão,

Quando o Homem insaciável,

Igual a Deus na Criação,

Não tiver mais mão

Na arrogância do seu poder,

Na demonstração de que é o melhor

Na ambição de dominar,

Embrutecido de a si se crer

A todos tão superior

Que não se importa de cair

Na armadilha do seu tolo ardor.

 

 

«Chegou a hora de banir a bomba”: PIM!

 

Mas ninguém vai crer.

Porque a Bomba que tomba e reduz a tumba

O mundo criado de um Big-Bang Inicial

De violência tamanha mas sem artimanha,

Ninguém crê que reflua

Pelo mundo fora

Como onda do mar que se desfaça

Bem longe da hora

De generalizar

Em bomba que tomba sem se anunciar,

Mais todos os advérbios de lugar,

AQUI, ALI, ACOLÁ, ALGURES,

Ou os de tempo:

HOJE, AMANHÃ, JÁ, AGORA

Sem os de dúvida: TALVEZ…

Ou os de negação: NÃO!

Mas os de Afirmação, SIM!

 

Chegou a Hora de banir a Bomba, PIM

 

Que faz de nós tumba,

Neste samba

De um destino de sombra,

De um triste fim

Que definitivamente

É indecente.

 

Morra a BOMBA! PUM!

 

Vejamos o texto deste contexto:

«Chegou a hora de banir a bomba»

Hans Blix.pngHANS BLIX

ex-Diretor Geral da Agência Internacional de Energia Atómica, 9 Agosto 2015

 

«O acordo nuclear entre o Irão, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e a UE vem no momento histórico certo.Faz setenta anos que as bombas atómicas lançadas sobre Hiroxima e Nagasaki abriram o capítulo mais negro da longa história de horrores de guerra da humanidade. Ao fogo, às balas e às baionetas juntava-se agora a radiação nuclear - um assassino silencioso e invisível como o gás e os agentes biológicos.

Após a Primeira Guerra Mundial, a comunidade internacional adotou o chamado Protocolo do Gás, para proibir o uso de armas químicas e bacteriológicas. Da mesma forma, a insistência na proibição de qualquer uso de armas nucleares tem sido forte e persistente desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Mas os Estados que possuem armas nucleares sempre se opuseram a essa proibição, argumentando que não seria credível. Em vez disso recomendaram uma abordagem passo a passo que acabaria por levar a uma proibição da posse e produção de armas nucleares. Afinal, a mesma abordagem levou a que existam hoje limites rigorosos no que respeita a armas biológicas e químicas.

No entanto, 70 anos depois de Hiroxima e Nagasaki, a abordagem gradual falhou claramente. Durante a Guerra Fria, o número total de armas nucleares no mundo subiu para mais de 50 mil. Muitas, incluindo as bombas de hidrogénio, tinham uma potência explosiva de uma ordem de magnitude superior às bombas lançadas sobre o Japão.

Foram acordadas algumas medidas para reduzir o perigo nuclear: acordos bilaterais de controlo de armas entre os Estados Unidos e a União Soviética, restrições ao teste de novas armas e, acima de tudo, o Tratado de Não-Proliferação. O objetivo do TNP, assinado em 1968, é a eliminação universal das armas nucleares: os Estados sem armamento nuclear comprometem-se a não o adquirir e os cinco Estados que o possuem oficialmente (EUA, Reino Unido, França, China e Rússia) comprometem-se a levar a cabo negociações sobre desarmamento.

Mas a ameaça global nunca diminuiu muito. Na verdade, a primeira parte do TNP tem tido algum sucesso: desde que o tratado entrou em vigor, apenas quatro Estados - Índia, Israel, Coreia do Norte e Paquistão - desenvolveram armas nucleares. A África do Sul eliminou as suas armas nucleares e tornou-se um dos parceiros do TNP, enquanto a Ucrânia, a Bielorrússia e o Cazaquistão transferiram os seus arsenais nucleares para a Rússia. Dois Estados - Iraque e Líbia - foram impedidos de desenvolver armas nucleares e agora o Irão, um dos parceiros do tratado, comprometeu-se a respeitar as restrições significativas ao seu programa nuclear.

E, contudo, o compromisso relativo ao desarmamento dos cinco Estados com armas nucleares teve resultados muito limitados. Os arsenais nucleares foram reduzidos - principalmente por razões económicas - após a Guerra Fria, para menos de 20 mil armas nucleares no mundo (ainda o suficiente para destruir a humanidade várias vezes). E o novo acordo START de 2010 trouxe maiores e bem-vindos limites para o número de armas nucleares desenvolvidas pelos EUA e pela Rússia. Mas, desde então, não foram feitas quaisquer negociações sérias sobre desarmamento.

Além disso, esperava-se que o pequeno número de armas nucleares não estratégicas da NATO localizadas na Europa pudesse ser retirado para os EUA, pois o consenso geral dizia que elas eram militarmente inúteis. A sugestão era que, ao fazê-lo, a Rússia poderia ser levada a retirar as suas próprias armas nucleares táticas. Nenhuma das coisas foi feita.

Da mesma forma, a esperança de que o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares (TICEN), aceite em 1996, se tornasse vinculativo não se concretizou. Existe uma moratória sobre tais testes e foi criado um impressionante mecanismo de monitorização, capaz de registar não só testes de armas, mas também terramotos e tsunamis. Contudo, e porque oito países, incluindo os EUA e a China, não o ratificaram, o TICEN ocupa um submundo jurídico: pode dizer-se que está operacional, mas não em vigor.

Em vez de assistir ao desarmamento nuclear, o mundo está a testemunhar uma renovação e, em alguns casos, a expansão dos arsenais nucleares. Há pouca esperança de alguma mudança para melhor, a menos que os membros permanentes do Conselho de Segurança concluam que a sua própria segurança requer o retomar do desanuviamento entre si e o lançamento de negociações sérias sobre o desarmamento, tal como prometido. Eles mostraram a sua vontade de agir para restringir a aquisição de armas de destruição em massa por outros países. Agora é tempo de se restringirem a eles próprios.

Claro que, assim como alguns países se recusam a aderir às convenções que proíbem bombas de fragmentação e minas terrestres, os Estados dotados de armas nucleares não irão aderir a uma convenção que proíbe os seus arsenais. Contudo, a existência de um tal tratado pode servir como um lembrete constante do que é esperado deles. Só por essa razão, ele deve tornar-se uma prioridade internacional.

Durante a Guerra Fria, muitas pessoas temiam que a humanidade pudesse cometer suicídio abruptamente, ao desencadear uma guerra nuclear. Hoje, possivelmente existem mais pessoas preocupadas com o facto de a humanidade poder sofrer uma morte mais prolongada através do aquecimento global. Mas o perigo nuclear continua a estar presente e grupos como o Global Zero merecem o nosso apoio aos seus esforços para sensibilizar a opinião pública.

Tem sido dito que Hiroxima e Nagasaki criaram um tabu contra qualquer uso de armas nucleares. Esperemos que sim, mas vamos exigir também que o tabu seja juridicamente vinculativo.

Artigo Parcial

Berta Brás 2.jpgBerta Brás

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D