Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

CITAÇÃO

 

173527253_1280x640_acf_cropped1.jpg

 

 

Troque-se o “Se conduzir, não beba” por “Se quer mandar, não deva”, e pode ser que a ideia entre finalmente na cabeça dos gregos — e de muitos portugueses.

 

João Miguel Tavares.jpgJoão Miguel Tavares

In Público, 25JUN15

A ALEMANHA COMO TOURO DA “VACA EUROPA”…

 

… e seu Bode expiatório

 

Europa_auf_dem_Stier.jpg

Europa auf dem Stier

 

Germanofobia encoberta em afirmações generalizadoras e argumentação do preto ou branco

 

 

O Frankfurter Allgemeine de hoje diz: "A peça teatral ateniense é altamente medíocre". Medíocre é também uma imprensa que tendenciosamente demoniza a Alemanha como sendo a responsável pela crise da Grécia que junta em si os sintomas do seu sistema corrupto aos de uma Zona Euro desorganizada e mal ajustada.

 

Fala-se muito do Diktat alemão e da sua prepotência económica. Argumenta-se com as suas atrocidades da História especialmente numa imprensa que antes se virava contra o imperialismo americano e agora acha como suficiente reduzir os problemas da Europa e do globalismo à agressão económica da Alemanha. Acho graça que num país como Portugal, num jornal como o Público, um jornalista como Boaventura Sousa Santos, no artigo “A Alemanha como problema” se socorra da pedrada “nazista” para fomentar sentimentos antigermânicos em vez de colocar a problemática em termos do liberalismo económico liberalista e no contexto de uma Europa feita de nações e de mentalidades extremamente divididas.

 

Do colonialismo para o imperialismo económico

 

Não há que definir uma Alemanha como o touro da vaca Europa nem tão-pouco como seu bode expiatório! O facto é que nos encontramos num mudo extremamente complicado e em plena guerra económica. O problema da Alemanha é produzir demais e o dos outros países é produzirem de menos e consumirem demais. Numa economia meramente mercantilista querer comparar exigências de nações com 80 milhões de cidadãos e de alta tecnologia e produtividade a outras com uma dezena de milhões e pretender colocá-las em igualdade de decisão seria ingénuo ou mera ideologia que, contra a realidade, querer tornar igual o que é desigual.

 

Vassalos da economia ou/e vassalos das ideologias?

 

Aos colonialismos europeus sucederam os imperialismos dos USA e russo e agora encontramo-nos em pleno imperialismo económico selvagem. Esta é a realidade a enfrentar que tem andado pelos países em desenvolvimento e agora atinge os europeus e em especial os seus vindouros. Os tempos mudaram, antigamente havia guerras hoje há guerrilhas; ontem dominava a arrogância bélica hoje a arrogância económica; ontem prestávamos vassalagem à França e à Inglaterra, hoje prestámo-la a Bruxelas. Sejamos realistas, procuremos é reduzir o nível da vassalagem com propostas económicas sem nos tornarmos também vassalos de ideologias.

 

A queda do Muro de Berlim (1989) e a correspondente reunificação tiveram como consequência a fortaleza da Alemanha. Que esta tente disciplinar os países europeus como se disciplina a si é uma questão discutível tal como a das diferentes mentalidades na maneira de encarar e resolver os problemas.

 

Com a criação do euro é consequente a concorrência económica desigual porque se dá entre sistemas económicos e de finanças diferentes; há que corrigir o sistema e canalizar as energias para se não ser vítima delas.

 

No altar da democracia, os sacerdotes da crise simplificam a questão; para explicarem as desigualdades de um sistema desigual, precisam de uma vítima e de um pecador: da vítima Grécia e do pecador Alemanha. O problema não está tanto no sermos alemães, portugueses ou gregos mas no facto de nos encontrarmos todos no redemoinho financeiro que, através das dívidas, quer a subjugação das soberanias nacionais a uma soberania hegemónica económico-financeira.

 

Não chega defender o soberanismo dos fracos contra o soberanismo dos fortes; a discussão terá de ser no sentido da inclusão económica e cultural de uns em relação aos outros. Na época do globalismo e da reorganização das nações em zonas de influência económica, o mito de soberanismos iguais distrai-nos da ocupação no essencial, não passando de ecos da revolução marxista cultural. Partir de que “no contexto europeu, o soberanismo ou o nacionalismo entre desiguais é um convite à guerra„ é não querer compreender que o preço da União Europeia será bem caro e terá de ser pago com facturas de soberania. Como se pode construir uma Europa de bases democráticas quando a economia em todos os países europeus não se submete à democracia e, na realidade, todas as democracias pretensiosamente soberanas se submeteram à economia? Importa será como resolver o dilema.

 

Trabalhar mais e viver menos ou vice-versa?

 

Também a mim me agradaria mais o estilo da forma de viver à maneira Sul, uma maneira mais católica; só que agora que o Sul professa os mesmos actos de fé dos benefícios do capitalismo protestante não é justo que se condenem estes, porque então o problema passaria a ser a inveja.

 

O tão desgastado argumento do respeito pela diversidade implicaria consequentemente o reconhecimento de que o desigual para viver mais trabalhará menos e consequentemente terá de deixar o alemão trabalhar mais para que consiga poder mais à custa do seu viver menos. Não seria correcto querer comer a fatia do bolo e exigir, ao mesmo tempo, que ele fique inteiro! O espírito pacífico da convivência em dignidade democrática e o respeito pela diversidade implicaria então o aceitar a prepotência, a nível económico do irmão mais forte e tentar arranjar-se com ele na consciência de preservar a irmandade e de uma concorrência humana. O facto é que toda a Europa se encontra endividada, toda ela se tornou refém da guerra fria entre política e economia.

 

Os argumentos baseados num saudosismo dos tempos da guerra fria e de um mundo bipolar correspondem ao mundo de ontem. Quem não reconhece isto terá de perder as energias a mostrar os podres da Alemanha e a esconder os seus. Por vezes tem-se a impressão que a Alemanha é responsabilizada pela falta de inteligência de quem assina contratos, não aplica eficientemente os fundos ou vende a sua soberania em troca de postos a nível europeu e mundial. O que está a acontecer não é bom para a Europa nem para nenhum país europeu. A Europa para arrepiar caminho terá de moderar o turbo-capitalismo e o marxismo cultural.

 

O sadismo de lamber o sofrimento das próprias feridas com o sofrimento desejável para os outros nunca será bom conselheiro e não ajuda ninguém. Se não queremos continuar todos a jogar ao faz-de-conta e ao esconde-esconde das mentalidades, se queremos contribuir para um desenvolvimento humano da sociedade europeia, haverá que purgar os vícios que herdamos do tempo das invasões francesas e corrigi-los com uma aproximação comedida à Europa nórdica ou renunciar ao consumismo de que tudo, e em especial a cultura, é vítima. A germanofobia é tão grave como a xenofobia alemã; uma implementa a outra.

 

Concluindo

 

Uma Zona Euro sem um sistema económico e de finanças aferido torna-se em ilusão e engano e dará razão à nossa sabedoria popular que diz “casa onde não há pão todos berram e ninguém tem razão”.

 

Se nos encontramos em tempos da guerra económica haverá que conter a Alemanha levando-a a investir os seus lucros na periferia. Combater o nacionalismo económico alemão com o nacionalismo político das nações torna-se desadequado em termos de objecto e de tempo… A receita para a Europa não pode pressupor a contenção económica alemã.

 

Antes de acções precipitadas de um discurso sobre a saída do euro, Portugal e os países mais débeis deveriam pedir um ajusto de contas quanto à distribuição de investimentos e implementar com o tempo a criação de um imposto de solidariedade em todos os países da Zona Euro que seria investido nos países da periferia económica. Durante uma certa fase o pagamento dos juros aos credores deveria, também ele, estar condicionado ao correspondente investimento nos países onde é quebrado.

 

Torna-se cada vez mais corrosivo o espírito xeno-fóbico popular que se manifesta até em cabeças bem pensantes. Se se é pela reintrodução do Escudo seria importante uma discussão de base económica mas que, querendo ou não, tem que contar com a maior potência económica que é a Alemanha e, de uma maneira ou de outra, condicionará os hábitos de produção e concorrência de mercado.

  

Conheço um pouco a mentalidade dos povos do sul e a mentalidade da Alemanha; por isso sofro dos dois lados, por isso me custa ouvir os de uma mentalidade contra os da mentalidade dos outros, sem perceber que por trás de uma mentalidade se revela uma maneira de ser e estar com um determinado agir.

 

O povo alemão pode ter os defeitos que tiver mas é um povo consciente, trabalhador, disciplinado, bem estruturado, corajoso, altruísta, honesto e leal. Se trabalha mais não os devemos invejar por também comer mais mas também ele não nos deve invejar nem ter pena por vivermos mais e comermos menos.

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

BOUQUINER (3)

 

 

1 – E cá vou para o tal BOUQUINER (3) que devia ter sido o (2) mas que a Grécia, e bem, impediu que fosse.

 

Mas existem causas pelas quais nos devemos debruçar, sob pena de outros se debruçarem, vendo que só se fala em euros, contribuintes, eleitorado, poder e que todos os gregos são uns marotos e mais qualquer coisa.

 

É curioso que no governo da senhora Merkel já dois Ministros foram à sua “vidinha” porque andavam encartados com as suas teses de doutoramento e…a senhora Ministra da Educação alemã (não grega) teve de renunciar ao lugar por plágio da sua tese. O Ministro da Defesa alemão (não grego) apresentou logo a sua demissão, quando um curioso foi ler também a sua tese e…verificou que tinha sido plagiada. E o senhor do EUROGRUPO sempre tão criterioso, e colocou como habilitação um Mestrado que Universidade Inglesa veio desmentir, e que o dito cujo senhor depois afirmou que tinha sido descuido da sua parte, e que apenas tinha uma pequena frequência de dois ou três meses. Portanto, seriedade, cada um, toma a que quer. E já agora andam para aí uns indignados com o Tsipras só porque o homem fez aliança com um partido da extrema-direita. E assim…

 

2 – Armas. Que eu me lembre o Doutor Salazar e o Doutor Marcello Caetano não tinham embaixadores no leste europeu. E o leste europeu foi de uma ajuda internacionalista aos Movimentos de Libertação. Certo. Mas nós tínhamos unidades que deviam ser equipadas com armamento “made in” leste. E, agora, já se pode dizer com à vontade, que sempre que eram precisas, o leste europeu, desde que fosse em “contado” forte, não se fazia rogado e… vendia. Quem o diz? O general Costa Gomes em livro já publicado afirma-o com toda a clareza, esclarecendo que da Checoslováquia vinha o material que necessitávamos. E da URSS não vinha nada? É claro que vinha. Quem o diz? Diz o general Carlos Fabião em depoimento publicado, que sempre que era necessário determinado armamento para as Milícias que Comandava (vários milhares de elementos. Sim, vários milhares, um autêntico exército africano), o armamento era fornecido, desde que quem pagava o fizesse em “trocos” fortes. E digo eu agora. Até a Bulgária não se fazia de rogada, quando o negócio fosse atractivo. Quando determinados documentos passam por nós, deixamos de ficar espantados, quando se observam determinadas alianças, hoje. O Alexis Tsipras lá deve ter visto, logo que chegou ao poder, determinadas “coisas” e agora, mais esclarecido sobre a natureza do que é o verdadeiro poder, não se fez rogado nas suas alianças.

 

3 – Negociações. Sou franco. Custam-me certas declarações, a jornais, de colaboradores muito próximos do professor Marcello Caetano. Como que Marcello Caetano era mais “um intelectual do que um político” e que portanto não soube lidar com o poder que tinha. Essa é boa. Então Marcello Caetano não foi um dos homens da União Nacional com mais poder, até na distribuição e equilíbrio do mesmo, e de acordo com Salazar? Não foi ele Ministro das Colónias tendo até levado com ele como seu secretário o na altura muito novo Doutor Silva Cunha? Silva Cunha que depois fez um estudo aprofundado sobre a realidade angolana, onde na década de 40, segundo ele, africanos organizados em associações secretas desejavam a expulsão dos portugueses. Não foi Marcello Caetano ministro da Presidência de Salazar? Dizer que era intelectual e não político, não faz sentido. Agora o que alguns colaboradores deviam dizer, e isso é outra coisa, é que Salazar tinha as suas “velhas” cumplicidades internacionais, fosse o duríssimo Franz Joseph Strauss, o chamado touro da Baviera e líder da CSU alemã, o general De Gaulle que nunca lhe faltou com apoio e, quanto a americanos e ingleses, nem vale a pena fazer uma lista. Marcello Caetano, aí sim, quando chega ao poder, as suas cumplicidades dentro e fora do País também já têm idade avançada e estão arredadas do mesmo. E como dizia De Gaulle “a velhice é um naufrágio”. Espero que no caso dos colaboradores do “A Bem da Nação”, sejam elas ou eles, De Gaulle não tenha razão.

 

4 – Negociações. Outra vez. E os colaboradores próximos de Caetano também vão dizendo que ele até estava disponível para conversar, ou negociar, mas já em 74. Em 74? Então quem é que começou por fazer encontros exploratórios em 1971, repito em 1971, para resolver a questão da Guiné? Marcello Caetano nesse ano mandou ao Senegal o Dr. Alexandre Ribeiro da Cunha, Director do Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, para se avistar com ministros senegaleses, para conversações que depois teriam seguimento em Lisboa. E Marcello Caetano, como oferta pessoal para o Presidente Senghor, mandou-lhe um exemplar encadernado das obras completas de Fernando Pessoa. Até porque Marcello conhecia pessoalmente o Presidente do Senegal que, além de político, era um intelectual da mais fina água. E também quando se diz que era para encetar conversas com alguns dissidentes da FRELIMO, nomeadamente com o

Miguel MurupaDr. Miguel Murupa em 73 ou 74, é com espanto que leio isso. Porque sou testemunha pessoal, repito pessoal, de conversas ao mais alto nível no Comando da Região Militar de Moçambique com o Dr. Miguel Murupa em 1972. No segredo do gabinete não sei o que se passou. Mas não deve ter corrido mal a conversa ou conversas, porque passados dois ou três dias, fui incumbido de ir ao aeroporto de Nampula apresentar cumprimentos de despedida ao Dr. Murupa (não convinha dar nas vistas, a entidade muito acima na hierarquia militar), e levar mensagem, mais uma vez, de confiança e estima pessoal. Agora o que me fica de certas afirmações ou actuações, é que quem rodeava Caetano era gente muito nova na altura, que já se estava a “marimbar” para África e estava a pensar substitui-la pelo “sonho” de entrar na CEE, depois concretizado após Abril. Pois se até conhecidos financeiros e políticos da nossa esquerda actual também rodeavam e estavam com Caetano. E agora venham-me com Tsipras.

 

machel-plane.jpg

5 – Acidente com o Presidente Machel. Que mergulho agora. De que só há pouco tempo tive conhecimento. O tenente-general Jacinto Veloso foi desertor, como tenente piloto-aviador da Força Aérea Portuguesa em Moçambique. E aterrou na Tanzânia para estar ao lado da FRELIMO. Não faço, nem julgo, esta atitude. Tomou a sua decisão, foi responsável pela mesma, e a partir daqui, às claras combateu o Ultramar Português. Fê-lo às claras, quando outros bem dissimulados, combatiam-nos infiltrados. E outros ainda que sem fugirem, pagaram o preço de dizer não. O Aljube, Caxias e Peniche são disso testemunha. Mas vamos ao que interessa. Com o andar dos tempos Jacinto Veloso tornou-se um dos homens de confiança de Samora Machel, e quando da independência nomeado ministro da Segurança, logo principal responsável do temível SNASP (Serviço Nacional de Segurança Popular). Ou seja, a PIDE/DGS lá do sítio. Mas como disseram que era para a segurança popular, as nossas almas caridosas cá do nosso sítio berravam contra a PIDE/DGS, mas em relação ao SNASP nada aos costumes. Agora o tenente-general Jacinto Veloso em livro que, julgo eu, passou muito despercebido, vem explicar o acidente que vitimou o Presidente Machel. O livro titula-se “Memórias em Voo Rasante” e nele, Jacinto Veloso, conta que um dia o embaixador russo quis ser recebido pelo presidente moçambicano, para lhe confessar o seu desagrado em relação à deslocação de Moçambique para arranjar amizades a Ocidente. Samora Machel que não esteve para “aturar” os portugueses ficou irritado com o russo, que o estava a tratar, a ele Presidente, de uma forma que mais ninguém ousava. E Machel não esteve com meias medidas e mandou um sonoro “vai à merda” ao embaixador russo e virou-lhe as costas mandando-o sair do gabinete. E foi aqui que estranhas alianças aconteceram. Os sul-africanos estavam fartos do Presidente Machel, e os russos agora, idem aspas. E o acidente aconteceu como maquinação conjunta da secreta sul-africana com a secreta russa. Coisas

 

6 – … Secretas. Que podem acontecer. Porque Ian Smith, Primeiro-Ministro da Rodésia do Sul que liderou a Declaração Unilateral de Independência deste território à revelia da Inglaterra, nomeou como chefe da sua secreta, o poderoso CIO (Central Intelligence Office),

ken_flower.jpgMr. Ken Flower. Que desempenhou o cargo de forma exemplar na defesa dos interesses do território que era todos os dias atacado na ONU, e que muitas dores de cabeça deu à diplomacia portuguesa. Com o passar dos anos, o governo de minoria branca, não teve outro remédio que ceder às pressões internacionais, dando lugar agora a um governo de maioria negra chefiado por Robert Mugabe, que aos 90 anos ainda está no poder. Mas o curioso disto tudo, quando Mugabe toma conta do poder, tem de escolher um chefe para a sua polícia secreta, e vai escolher…bingo… nada mais que Mr. Ken Flower que tinha chefiado a secreta de Smith. O que é certo, é que conservou o lugar até muito velhinho e não me devo enganar se afirmar que treinou como devia ser quem lhe sucedeu. Porque Mugabe ainda está no poder e qualquer um dos novos que lho disputa é um azarado de primeira porque perde sempre.

 

domingos_arouca.png

7 – Audiência. Preso há quase oito anos, o político moçambicano Dr. Domingos Arouca, ilustre advogado natural de Inhambane (Moçambique) desabafou que um dia até gostava de se encontrar com Salazar para lhe dizer e esclarecer algumas coisas. Era membro da FRELIMO e um activista da causa da independência de Moçambique. Foi aluno na Faculdade do Professor Marcello Caetano e primeiro africano a licenciar-se em Direito. E nunca pensou que o seu desabafo fosse ouvido em São Bento. E ficou siderado, porque Salazar não só o recebeu, como lhe deu 45 (quarenta e cinco) minutos para uma conversa a dois. E no seu depoimento, o Dr. Domingos Arouca confessa que esteve perante um homem sereno e inteligente, seguro das suas convicções e de um patriota. E acrescenta: “por muito que o seu Regime me tenha feito sofrer ao longo de oito penosos anos de prisão, o meu sofrimento nunca toldará o respeito que a sua personalidade me infundiu”. E quando se despede de Salazar fica ainda mais reconhecido, porque o Chefe do Governo diz-lhe que está um pouco de frio, e convém vestir o sobretudo. Domingos Arouca assim faz e é Salazar que lhe ajeita o mesmo e, despedindo-se, diz-lhe que não esteja preocupado com a família porque a mesma se encontra bem. Passado dias o Dr. Domingos Arouca regressava a Moçambique, onde sem armas estava ao lado da FRELIMO na luta pela independência. E com Moçambique independente, chegou o dia em que feliz pela independência, mas revoltado pela maneira como era dirigido o País, deixou a militância partidária. Malhas que o Império tece e teceu…

 

8 – E como vês, Amigo Henrique, não é fácil, pelo menos da minha parte, escrever, e com muito gosto o faço, para o “A Bem da Nação”. Mas gosto de partilhar, com os muitos que te visitam, algumas das memórias que me vão surgindo porque as vivi, ou então pelo que vou tomando conhecimento. E agora, hibernar mais uns tempos, apesar do Verão, olhando para a invernia que lenta mas seguramente se vai aproximando. Mas ao contrário de alguns que só têm 40 anos à sua frente, eu estou seguro da sabedoria de um Povo com 900 anos de história.

 

Abraço de muita Consideração.

 

José Augusto FonsecaJosé Augusto Fonseca

 

Apoio Documental: Costa Gomes – O Último Marechal – Maria Manuela Cruzeiro; Depoimento – Marcello Caetano; Memórias em Voo Rasante – Tenente-General Jacinto Veloso; A Guerra de África1971/1974 (vol. I-II) – José Freire Antunes; Jornal Público; outros documentos.              

POTÊNCIAS

 rotated_map_of_europe.jpg

Sempre houve potências, em todos os tempos se falou em impérios – o império persa, o de Alexandre, o romano, os grandes do mundo ambicionando abarcar mais mundo. O maior de todos foi o britânico, por isso o Inglês é hoje a língua universal por excelência, e os Ingleses o povo de grande relevo, na sua educação e na sua pose. Um dia, talvez isso acabe, como acabou o latim, disseminado, contudo, em outras línguas da evolução social e cultural. Nas “Cartas de Inglaterra”, Eça, que foi cônsul em Newcastle e Bristol, muito escreveu sobre os Ingleses, por vezes com ironia, mas sem dúvida com admiração, que provinha do reconhecimento de quanto pode a cultura na construção do comportamento humano e das nações, que ele sintetizou na personagem Craft, o inglês fleumático e culto, amigo de Carlos da Maia e de João da Ega, personagens de elegante recorte, mau grado as ligeirezas de carácter específicas de qualquer humano ser que se preze.

 

As “Cartas de Inglaterra” são pródigas em descritivo magistral do poderio e ambição ingleses, que não pouparam os povos da Irlanda, do Afeganistão, do Egipto, que permitiram a sua arrogante ocupação e destruição insensata, e que, no retrato de Lord Beaconsfield, Benjamin Disraeli, conservador e primeiro-ministro, sintetiza, como protagonista da extraordinária ênfase desse poderio segregacionista inglês:

 

A sua assombrosa popularidade parece-me provir de duas causas: a primeira é a sua ideia (que inspirou toda a sua política) de que a Inglaterra deveria ser a potência dominante do mundo, uma espécie de Império Romano, alargando constantemente as suas colónias, apossando-se dos continentes bárbaros e britanizando-os, reinando em todos os mercados, decidindo com o peso da sua espada a paz ou a guerra do mundo, impondo as suas instituições, a sua língua, as suas maneiras, a sua arte, tendo por sonho um orbe terráqueo que fosse todo ele um império britânico, rolando em ritmo através dos espaços.

Este ideal, que tomou o nome de imperialismo, nos dias de glória de Lord Beaconsfield, é uma ideia querida a todo o inglês; os mesmos jornais liberais que, com tanto furor, denunciavam os perigos desta política romana, no fundo gozavam uma imensa satisfação de orgulho em proclamarem a sua inconveniência. Havia tanta prosápia britânica em conceber um tal Império, como em o condenar, e em dizer, com ar de nobre renunciamento: “Não nos convém a responsabilidade de governar o mundo”. (in “Cartas de Inglaterra”, VIII - Lord Beaconsfield)

 

Este domínio do mundo foi, assim, aliado a um consenso generalizado de arrogância e ambição de poder, que, se partiu de uma cabeça de judeu inteligente e célebre, teve, todavia o apoio da monarquia britânica e o apreço da rainha Vitória que o nomeou Lord. Não têm o mesmo carisma, as conquistas de Napoleão como as invasões europeias de Hitler no seu quê de sinistro e de loucura desses chefes, sobretudo do último, conquistas que naturalmente seriam fracassadas, embora não efémeras e necessariamente criminosas. O povo francês, como o alemão, se submeteram a esses chefes, talvez por manipulação ideológica ou naturalmente acobardada.

 

O certo é que os povos do centro e do norte europeus têm um poder de organização e de trabalho superiores aos do sul, talvez por factores climáticos, talvez porque assim teve que ser, é dos fados.

 

A Alemanha defendeu-se dos “castigos” impostos pelos povos vencedores, continuando a trabalhar em ordem e progresso e coesão e participou na aliança aparentemente generosa e táctica de união económica de povos europeus destinada a uma melhor autodefesa. A Banca distribuidora dos fundos monetários cobra taxas miseravelmente esbulhadoras, segundo se diz, donde, a impossibilidade de ressarcimento das dívidas nos povos endividados, destruída a economia também por excesso de falcatrua de muitos dos encarregados das empresas nesses países.

 

O Império que se segue é, pois, favorecido pelos Bancos, como exércitos avançados dessas potências.

 

Berta Brás.jpgBerta Brás

 

NB: O presente texto é comentário a «OS BANCOS SÃO OS EXÉRCITOS AVANÇADOS DAS POTÊNCIAS» do Professor António da Cunha Duarte Justo

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D