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A bem da Nação

ASSIM DANÇA ZORBA - 10

Grécia e UE.jpg

 

Grandes vergonhas que a Europa deixou a Grécia alcançar e que esta se recusa a reconhecer.

 

  1. Podem pagar, mas, simplesmente, não o querem fazer

 

O “Syriza” (e outros partidos europeus do mesmo calibre, tal como o vizinho “Podemos” e o nosso «BE») reclama agora uma nova negociação da dívida soberana, ainda que tenha sido o Estado Grego a endividar-se voluntariamente para conseguir cometer todos os excessos e os desleixos descritos até agora; em vez disso, devia começar por se mostrar responsável e ir pagando o que deve.

 

Embora muitos afirmem que o pagamento da dívida é impossível, a verdade é que, de acordo com o BCE, o Estado Grego tem uma enorme carteira de activos cujos montantes (de valor estimado em mais de 300.000 M€) incluem empresas, infra-estruturas, propriedades, acções, participações, terrenos e todo o tipo de imóveis. Além disso, para satisfazer os seus compromissos e evitar o estigma da falência e uma dolorosa possível saída do euro, a Grécia também poderia vender, se necessário, ouro.

 

Mas nem sequer faz falta chegar tão longe: se Atenas reduzir o peso do Estado para metade (cerca de 60.000 M€), com a consequente moderação das pensões, das reformas na saúde e na educação e vender 50% dos seus activos públicos (outros 100.000 M€, pelo menos), a dívida será reduzida para 70% do PIB.    Isso, juntamente com um compromisso sério para o equilíbrio orçamental (défice zero) e um plano ambicioso de reformas, liberalizando a economia e reduzindo os impostos, permitiria reduzir ainda mais a sua dívida a médio prazo por meio do crescimento económico.

 

A Grécia pode, assim, pagar aos seus credores!  

 

O que acontece é que, simplesmente, não quer e, portanto, tudo aponta para que não o vai fazer…

 

FIM

 

Recebido por e-mail; Autor não identificado

 

 

O ESTRANHO CASO DO IVA DOS RESTAURANTES

 

IVA restauração

 

 

Nunca se abriram tantos negócios e tão inovadores na restauração. Afinal, o tal sector esmagado pelo IVA a 23% e pelo aperto do cinto mostra, paradoxalmente, uma vitalidade nunca antes vista.

 

O IVA da restauração deve baixar? Claro que deve. Tal como o da electricidade. E o da roupa e calçado. E também o dos iogurtes e dos concentrados de fruta. Para não falar do das conservas e sem esquecer o dos ginásios. A carga fiscal é sufocante e tudo o que se possa fazer para a aliviar é bem vindo. No IVA, no IRS ou no IRC. No IMI e no IUC. E no imposto sobre os combustíveis. Vá lá, mantenham-se impostos elevados sobre o tabaco e o álcool que quem quer vícios deve pagá-los – aos vícios e às externalidades sociais e económicas que eles provocam. E, se quiserem, mantenha-se também a nova taxa sobre os sacos de plástico que só nos faz bem reutilizá-los.

 

Então coloquemos a questão de outra maneira. O sector da restauração deve ser positivamente discriminado e beneficiar de uma baixa do IVA? Claro que os empresários do sector defendem que sim. Mas quem é que não gostava de ter um IVA de 13% em vez de 23% nos produtos e serviços que vende? Todos, verdade? Eu também gostava que os serviços de criação e produção de conteúdos e as colaborações com os media – como este texto que estão a ler – tivesse um IVA mais baixo. O ideal é que estivesse mesmo isento. Já viram o desemprego que por aí anda entre os jornalistas e licenciados em comunicação? Já repararam na dificuldade que as empresas de comunicação social têm tido na última década para equilibrar as contas?

 

Mas interesses próprios à parte, não vejo qualquer racionalidade económica e fiscal em fazer dos restaurantes e cafés uma excepção. O sufoco tributário é generalizado, a crise afectou de forma idêntica ou muito superior vários outros sectores – basta pensar na construção ou na venda de automóveis, por exemplo – e o desemprego involuntário também se distribuiu pela economia – excepção feita ao Estado, claro, e daí também esta carga fiscal pornográfica.

 

Mas é certo e sabido que até às eleições este vai ser um dos temas em discussão, já que está transformado numa “bandeira” de querela partidária e de diferenciação de promessas eleitorais. É apenas por isso – e pela capacidade reivindicativa do sector – que ele é discutido e não pela relevância económica do IVA da restauração que não é diferente da fiscalidade de outras indústrias. Infelizmente, o destino do país não muda se tributarmos o bitoque ou a francesinha a 13% em vez de 23%. Era bom que este fosse o grande assunto que temos para resolver.

 

Eleições rima com mistificações e este caso não é excepção.

 

Dificilmente o nível do IVA é para este sector um drama maior do que para outros. O problema é que a restauração – como, de resto, outras áreas do comércio e serviços – sofreu outro impacto maior. Foi aquele que resultou do combate à fuga ao fisco, com os novos sistemas electrónicos de facturação e com o incentivo dado aos consumidores para exigirem factura. A “gestão” da facturação declarada ao fisco e do IVA a entregar ao Estado – fosse ele de 13% ou de 23% – deixou de poder ser feita com a mesma amplitude e a rentabilidade do sector ressentiu-se. Mas esse é um problema criado por más praticas dos empresários que tinham que acabar por um imperativo de justiça tributária. Ou vamos defender a fuga ao fisco como meio legítimo de sobrevivência das empresas?

Outro impacto importante para muitos restaurantes foi o corte nos rendimentos das famílias, que as levaram a reduzir drasticamente as refeições fora. Muita gente deixou de almoçar e jantar no restaurante com a mesma frequência porque deixou de ter dinheiro para pagar 10 ou 20 euros por uma refeição e não porque a mesma passou a custar 11 ou 22 euros, respectivamente, por efeito (aproximado) do IVA.

 

Mas apesar de tudo isto este é um sector em crise? O que vejo olhando à volta é que nunca como agora se abriram tantos negócios e tão inovadores na restauração. Não passa uma semana sem que veja nos jornais várias páginas de sugestões de novos sítios para ir comer e beber. São hamburgueres de todas as formas e feitios, francesinhas do Porto a invadir Lisboa, tapas e copos de vinho, padarias reinventadas, sushi tradicional ou de fusão, mexilhões com cerveja ou com gin, pregos e bifanas gourmet, iogurtes naturais ou em gelado, novos negócios de “street food” que aparecem todos os dias, chefs famosos que não param de abrir novos espaços para todas as bolsas e paladares, esplanadas e terraços para aproveitar o bom tempo, bolos de chocolate ditos os melhores do mundo e tartes com amêndoa verdadeira. E os “brunchs” e as ceias. Com muito ou pouco colesterol. Uns baratos, outros caros. Para comer em pé ou sentado. No centro comercial ou em mercados de bairro reinventados.

 

O tal sector esmagado pelo IVA a 23% e pelo aperto do cinto mostra, paradoxalmente, uma vitalidade nunca antes vista.

 

Parecem, de facto, dois países diferentes. Estarão os milhares de empresários que têm lançado estes novos negócios todos enganados? Não saberão fazer contas ao IVA e às margens de lucro? Não ouviram falar da crise no país e no sector? Ou, pelo contrário, acreditam na inovação, na diversificação da oferta, na qualidade dos produtos e do serviço que prestam para atrair clientes?

Nestas discussões sobre o IVA da restauração não me esqueço de como tudo começou. Estámos a meio da década de 90 e António Guterres decidiu dar um bónus ao sector em nome de um alegado problema de competitividade – não fossemos todos começar a ir almoçar e jantar a Espanha. Criou a taxa intermédia de 12% para os restaurantes e cafés numa altura em que a taxa máxima de IVA era de 17% (que saudades). Os preços não mexeram e as margens aumentaram cerca de 5%. Na altura ninguém se preocupou com o pobre do cliente. A vida é difícil. Mas é difícil para todos.

24/7/2015

 

Paulo Ferreira, Observador.jpgPaulo Ferreira

NOVA UNIÃO MONETÁRIA DO EURO NA MESA DA AGENDA POLÍTICA

 

Desunião Europeia.jpg

 

Agora parece virar-se o Feitiço contra o Feiticeiro!

 

“O que ameaça a Europa não é um demais mas sim um demasiado pouco” disse Francois Hollande! Procura com isto colocar-se na vanguarda da Europa para com a Alemanha colocar a Zona Euro na carruagem nobre da UE. Quer para isso uma Zona Euro com um governo, com um orçamento próprio e um parlamento que o legitime. Este governo ditaria as normas dos estados membros. Hollande e Merkel querem marchar à frente com um núcleo de estados a que se poderiam juntar países dispostos a integrar-se. A este grupo poderiam pertencer, também a Bélgica, Países Baixos, Itália e Luxemburgo, assim como Portugal e Espanha, segundo refere a imprensa alemã.

 

Já em 1994, Wolfgang Schäuble tinha elaborado uma proposta juntamente com Karl Lamer para a Comissão Parlamentar da Política Externa (HNA 22.07) em que propunham a criação de uma Europa de duas velocidades. Está prevista para o outono uma reunião em Bruxelas sobre o desenvolvimento da União Económica e Monetária. Até lá, a Grécia já terá, com toda a certeza, iniciado o recuo do Euro.

 

No Princípio a Grécia impedia outros Países de entrar no Club CEE e agora queixa-se

 

No contencioso entre o grupo Euro e a Grécia afirma-se a consciência de que o dinheiro é poder (se não o poder) e este determina (infelizmente) a realidade embora muitos vivessem melhor com um outro credo em que interesses encobertos não determinassem a realidade. Não é fácil a coordenação das leis fundamentais da economia com as da política numa Europa em que a intenção subjacente é fazer da “Europa um continente competitivo”.

 

Uma bagunça para a economia e para todos e em especial para a esquerda que via na Grécia o espírito de luta a activar contra os governos; uma bagunça porque a afirmação do status quo não oferece perspectivas de futuro nem para uns nem para outros!

 

Cada Estado, cada ideologia procura servir-se sem pensar nos custos do serviço. A Grécia já em 1985 sabia tirar proveito da sua situação usando do direito a veto para bloquear a entrada de Portugal e Espanha na CEE. Em 1985 o governo grego era contra o acordo que regularia a entrada de Portugal e Espanha para a CEE. A entrada só foi possível em 1986 depois de a Grécia ter recebido como contrapartida da retirada do seu veto “um auxílio adicional no quadro das verbas para os PIM: dois mil milhões de dólares “ da CEE (Diário de Lisboa/Fundação Mário Soares).

 

Portugal tem muito boa reputação em toda a Europa. Mas só um governo, uma oposição e uma opinião pública orientada pela solução de problemas na base de factos concretos e de dados económicos (e não de intrigas a entre pessoas de partidos rivais) poderá fazer o país progredir!

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

SOLTAS (3) E (MUITO) DISPERSAS

 

5.- Um dos melhores e mais extraordinários monumentos caligráficos de todo o mundo e o maior que Portugal possui é a Bíblia dos Jerónimos, manuscrita, em sete volumes, com iluminuras para além de magníficas. Nesta obra participou o grande artista António de Holanda.

Feita entre 1495 e 1514, dizem que foi presente da corte de Roma ao Rei Dom Manuel, ou de... quem?

Quando das invasões francesas o senhor Junot ROUBOU esta maravilha e levou-a para sua casa em Paris.

 

FGA-Bíblia dos Jerónimos.jpg

 

Depois que se estabeleceu novamente um governo em Portugal, o Duque de Palmela multiplicou enérgicas reclamações junto do Gabinete Francês. Finalmente, em 1815, o rei de França Luis XVIII, querendo fortalecer a sua delicada situação, entremeada com o pavor do regresso de Napoleão, meteu a mão no bolso e indenizou ele mesmo a viúva do ladrão Junot em 50.000 francos.

A maravilhosa Bíblia dos Jerónimos voltou então para sua casa e descansa, esperamos que per omnia saecula saeculorum, na Biblioteca Nacional.  

 

6.-  António de Holanda, depois de terminar os seus trabalhos na obra Bíblia dos Jerónimos, escolheu Évora para continuar os seus trabalhos. Foi investido no ofício de Arauto d’Armas de Portugal, o que lhe permitiu mandar ir para sua casa os livros magnos de Tomar que, dizem, ornou com suma habilidade. Apesar da avançada idade o grande miniaturista deixou a sua vivenda em Évora e foi estabelecer-se no Castelo de Tomar na antiga residência do Grã-Mestrado da Ordem de Cristo. 

Aqui, cercado de obras primas, que melhor do que ninguém sabia o valor, continuou o seu trabalho.

Infelizmente os livros magnos de Tomar “sumiram” no final do séc. XIX. Coisas da República!

Garcia de Resende, também grande desenhista e arquiteto – é dele o projeto da Torre de Belém – foi um dos artistas que executaram uma preciosidade, em que terá também trabalhado António de Holanda, a Árvore Genealógica dos Reis de Portugal, levada aos tempos mais afastados, como a Magg, filho de Japhet e neto de Noé.

Uma obra excelente dos miniaturistas portugueses do século XV, hoje estão... no Museu Britânico! Ainda se encontrava em Lisboa, mas em 1843, servindo o então adido à Legação da Inglaterra em Portugal, o sr. Newton Smith, Portugal vendeu a obra aos ingleses!

São onze folhas de pergaminho de não menos de um pé e dez polegadas de alto sobre dez polegadas de largo cada folha, estendidas todas sobre outras tantas lâminas de chumbo e protegidas por vidraças contra as injúrias do tempo!

Talvez tivesse sido bom irem para Londres. Lá estão bem entregues com o título de Portuguese Drawings.

Portugal já tinha abandonado o Mosteiro dos Jerónimos que estava em ruinas, e se o rei Dom Fernando não tivesse chegado a tempo para o salvar, assim como o Mosteiro da Batalha, vendido a um comerciante, que estava a ser desmontado para se venderem as suas pedras, o que seria feito dele? 

 

7.- Houve um período em que pela Coudelaria de Alter do Chão aparecia um “velho e rabugento” coronel, alentejano de todos os costados, cujo nome, por não ter já a certeza, não menciono. Aquela figura de coronel, empertigada, bigodes frondosos e revirados nas pontas!

Chefe de família grande, um dia alguém o foi cumprimentar e dar-lhe os parabéns porque ia casar mais uma neta.

O velho coronel, voz rouca, desdenhou:

- Ora, ora, pu* as as mesmas, cab** ões mais um!

Como o bom coronel previa o futuro e compreendia a família!

 

8.- Existem duas prováveis justificativas para explicar a origem da expressão "pagar o pato", sendo a primeira a referência a uma história do século XV e outra uma antiga brincadeira portuguesa. 

De acordo com a história, um camponês passava pela rua com um pato, quando foi abordado por uma senhora que queria comprar o animal, mas não tinha dinheiro e por isso propôs pagar com "favores sexuais". 

Passado algum tempo, a mulher alegava que já tinha feito sexo suficiente para pagar o valor do pato, mas o camponês exigia mais... pelo bicho. O marido da mulher chega à casa e encontra os dois discutindo e pergunta o motivo da briga. A esposa explica que o camponês queria mais dinheiro pelo pato que ela havia comprado. O marido, para evitar mais discussões, oferece dinheiro para o camponês, literalmente pagando pelo pato.

 

9.- Norte de Moçambique. Reza a tradição e narram na bula-bula escutada atentamente pelos mais novos, que quando o primeiro macua foi gerado de um caniço, e logo depois surgiu a primeira mulher, ambos começaram a conviver, comportando-se como macho e fêmea. Viram que era bom fornicar, ignorando que aquilo que lhes dava tanto gozo, pudesse resultar em procriação. Quando a mulher embarrigou e depois, surpreendida, viu sair de dentro de si uma criança, não relacionou o fato com o que fazia com o homem quando o corpo lho pedia. O nascituro era parte de la e exclusivamente sua. O macho nem deu conta de poder ter interferido no evento. A mulher atribuiu a natalidade, que ignorava poder ser fenómeno biologicamente simples, a forças que excediam o seu entendimento. Sem perceber o mistério, julgou trata-se de magia sobrenatural que a excedia. Refletindo depois, eventualmente, sobre o mistério, pode ter interiorizado, sem disso se aperceber, um incipiente conceito de religiosidade.

(Tabus e Vivências em Moçambique – Edgar Nasi Pereira)

 

06/2015

 

Francisco G. Amorim-IRA.bmpFrancisco Gomes de Amorim

BOUQUINER (2)

 

 

1 – Se BOUQUINER (1) era andar em águas límpidas e transparentes, o BOUQUINER (2) é já um “quase” mergulho em águas mais turvas e quanto a transparência, só aquela que cada um pode encontrar. Quando pensei escrever mais umas “linhas” no seguimento de outras, a rádio (telefonia) traz-me a boa notícia. Há acordo para a Grécia. Razão tinha o Presidente Cavaco Silva, quando dizia, que na 25ª hora tudo se havia de compor. Ainda bem. Isto para quem (como eu) acredita que é melhor a UE (com todos os defeitos) a regressarmos a um passado de egoísmos que nos levou a duas guerras civis no século XX e poderia levar-nos a uma terceira, embora noutros moldes. Mas, pelo sim, pelo não, embora entusiasta de Povos dentro do Povo Europeu, sempre de mão “avisada” com o UK e EUA. Somos mais potência atlântica, do que potência continental. O castelhano assim o ditou. E continuarei sempre a dizer, que Portugal é um porta-aviões atracado à Europa. E o Grande Irmão (EUA) tem de saber, sempre, que pode contar connosco, mesmo que o preço a pagar (por eles e por nós) seja elevado.

 

2 – E, sinceramente, espero que a Alemanha perceba, de uma vez por todas que, quem quer liderar, ou pode liderar tem sempre um preço a pagar. E às vezes bem elevado. É só olhar para os gastos que os EUA gastam no sector da defesa, e na ajuda internacional que vão proporcionando a um elevado grupo de países. Dir-me-ão: são os interesses que estão subjacentes. Concordo. Mas os interesses, por vezes, têm uma factura bem elevada. E a Alemanha sabe que a sua dinâmica económica também se deve ao gastar muito pouco no sector da defesa, o que lhe proporcionou desviar grandes quantias para a reunificação e para uma economia mais pujante. Agora se os alemães (certos alemães) ao quererem liderar fazem afirmações concretas, em vez de as fazerem discretas, aí, quer queiram quer não queiram, entornam o caldo, e depois dele entornado, para limpar a sujidade é bem mais difícil, porque os velhos “demónios” foram de novo ressuscitados. A invasão alemã e os desmandos alemães na Grécia e no “velho” CONTINENTE foram factos, e contra factos (ou fatos?) não há argumentos. E se muitos se esquecem, outros bem se recordam.        

 

3 – E a França percebeu de imediato o que estava em jogo. A Alemanha (mesmo o SPD, da Grande Coligação) teve, e tem, grandes dificuldades para o entender. E a Alemanha tem de pensar só isto: é grande no contexto Europeu, mas pequena no contexto Mundial. Mesmo comparando-a até com Portugal. A França, não é só a França, é também a Comunidade Francófona. A Inglaterra, não é só a Inglaterra, é também a Commonwealth. E Portugal? Até Portugal não é só Portugal, é também (apesar dos detractores) a CPLP e os PALOP. A França, a Inglaterra e Portugal, para não falar da Holanda e da Bélgica, são mais do que o seu Espaço Europeu. Vivemos para além da Europa. Vivemos para lá do nosso horizonte. A Alemanha, não. A Alemanha, se quer ser a Alemanha, tem de ser também a Europa, e se for Europa, então tem voz para além do Continente Europeu. E tem de pagar o preço dessa ousadia. Caso contrário pode numa primeira fase pensar que é vencedora como em 14 e 39, mas depois teve Versalhes e a “foice e o martelo” no edifício do Reichstag. E a Alemanha não merece esse padecimento, provocado por alguns “alemães”, que nada descortinam para além da sua portada. E, se assim for, paciência. Mas que é pena, disso não tenho dúvidas.

 

Alemanhas.jpg

 

4 – Porque também em 1972, outro País, teve os generais que contavam na altura, e comandantes dos seus Exércitos para além da sua Fronteira Europeia, para meditarem sobre quem devia suceder ao almirante Américo Tomás nas presidenciais de 72, e como não se entenderam, o velho Almirante aceitou continuar. E como foi triste ver que o egoísmo e calculismo de alguns, se sobrepôs ao interesse de todos. E o resultado foi o que depois se viu. Um dos generais, o que praticamente caucionou Abril 74, nem sequer o lugar aqueceu e em democracia só lhe restou a fuga para o estrangeiro. Outro, esteve detido e recusou fugir. O outro lá foi Presidente até 76, mas presidiu a um País que no espaço de um ano perdeu 95% do território que tinha, o que era previsível, mas sem honra nem proveito. E, lembro estes factos, para equacionar que os egoísmos levam a que se perca muito mais do que se ganha. E quando se lia a correspondência (por dever de ofício) que acompanhava os desabafos de quem mandava na altura, começava a ver que algo de errado estava para acontecer. E aconteceu. Não, não me venham dizer que tudo correu como devia correr. O que ainda nos valeu foi o Grupo dos 9 e a sua acção em Novembro de 75 (faz este ano 40 anos), e quer se queira, quer não se queira, com possível governo no norte e com grave confronto, num país dividido em Rio Maior. Mas lá nos safámos. Penso que o “espírito” de Helsínquia prevaleceu no senhor Brejnev que mandou regressar à calma os seus discípulos portugueses. Afinal, Angola e Moçambique já estavam ganhos. Por agora bastava. E quem não acautela o presente olhando para o passado, sofre as consequências. E quem diz 72 diz 2015. Tínhamos, penso eu, o pássaro na mão, difícil de ser atacado pela esquerda, ou pela direita, e deixámo-lo fugir para junto do senhor Juncker. E agora vamos levar, penso eu também, com quem não se queria. Mas os egoísmos e calculismos de uns tantos vão tramar outra vez os muitos que somos. Mas é a vida.

 

5 – Dir-me-ão: então onde estão as águas turvas? Pois. Também me esqueci de escrever, de imediato, que a GRÉCIA, me iria obrigar a um BOUQUINER (3). Complicações, de quem, lendo, ou ouvindo, aqui e o acolá, tem de enfrentar. Mas outro BOUQUINER chegará breve. Prometo aos poucos que me lêem, e têm paciência para me aturarem e … publicarem. Só mesmo por bondade. Que agradeço.

 

Ao Henrique, com forte Abraço.              

 

José Augusto FonsecaJosé Augusto Fonseca

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