Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

ASSIM DANÇA ZORBA - 4

 greece_bailout.jpg

 

Grandes vergonhas que a Europa deixou a Grécia alcançar e que esta se recusa a reconhecer.

 

  1. A vida à “tripa-forra”, mas com o dinheiro dos outros

 

Durante a “bolha”, a Grécia viveu bem acima de suas reais possibilidades, usando uma enorme dívida para financiar a insustentável despesas. Mais de metade da economia grega dependia, de uma forma ou de outra, do “maná-Estado”, criando uma estrutura de clientelas com base em pedidos de “patronagem”, na corrupção e em subsídios.

 

Alguns exemplos:

  • Durante anos - e apesar de ter um muito menor PIB per capita que Espanha (p. ex.) - o salário mínimo grego era 50% superior ao homólogo espanhol.

     Durante décadas, quando um Partido chegava ao poder, dava à sua gente, em troca do seu voto, emprego no sector público, aumentando de forma insustentável a lista de funcionários estatais.

     O Hospital Evangeleos, um dos principais de Atenas, chegou a ter uma folha de pagamentos que ostentava 45 jardineiros para apenas cuidar dos quatro vasos da entrada; alguns órgãos públicos tinham 50 motoristas por automóvel;   um ex-ministro da Agricultura criou uma unidade “fantasma” que empregava 270 pessoas para digitalização das fotografias das propriedades (terras) públicas gregas, nenhum dos quais tinha alguma experiência em fotografia digital (pois eram carteiros, cabeleireiros e agricultores), mas, em geral, sempre membros do Partido!...

     As despesas com educação, saúde e política social foram, de longe, as que mais aumentaram até à eclosão da crise da dívida, superando, em 2012, 31% do PIB.

     Antes da crise, a Grécia (apesar da já então grande referência da esquerda radical), foi o país da UE em que mais dinheiro se destinou a despesas militares, com uma média superior a 4% do PIB.

 

(continua)

 

Recebido por e-mail; Autor não identificado

O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 – 8

 Letras.jpg

 

 

Qualquer crítica – e qualquer defesa – que se baseie sobretudo em chamar nomes aos defensores e aos críticos, não é crítica nem defesa: é mero desabafo, auto- regozijo pela certeza que transborda da alma de cada um. Não vale nada.

 

Por isso não me atrevo a ser contra a adopção do Acordo Ortográfico de 1990 sem

apresentar as razões em que me baseio.

 

Os argumentos que se seguem são de ordem operatória, fonológica, morfológica, de linguística histórica, sociológica, diplomática, económica e de preservação histórica.

 

Há mais, porém fico por aqui.

 

  1. Argumento económico

 

O que será economicamente mais recomendável?

 

- Adoptar como obrigatório o AO 90 em nome de futuras vendas de futuros livros, eliminando as bibliotecas existentes?

 

ou

 

- Manter a escrita de 1945, com todo o enorme acervo literário e científico que produziu?

 

Leiamos as palavras da escritora moçambicana Paulina Chiziene:

 

“Quantos dicionários Moçambique terá de comprar de novo?

Quantos livros terá de mandar reescrever?

Quantos livros de escola terão de ser refeitos, em nome de um acordo ortográfico?

Será que vale a pena sacrificar tanto dinheiro dos pobres só para tirar um “c” e um “p” do que está escrito?

[...]

Penso que é um capricho tão desnecessário quanto caro”.

 

in Jornal Público, 19.01.2013. Retomado em

 

https://ciberduvidas.iscteiul.pt/artigos/categorias/acordo/afalsa‐unidade‐ortografica/2772

 

(continua)

 

Manuela Barros Ferreira, Mértola.jpg

Manuela Barros Ferreira

Campo Arqueológico de Mértola

QUESTÃO ALEMÃ

 

Teresa de Sousa no seu Comentário - como sempre  brilhante - no PUBLICO de hoje, pergunta "Como conter o poder alemão?" Procurando ajudar a encontrar solução relembro algumas das propostas  históricas  para resolução deste problema, flagelo europeu há mais de XX séculos

  • Júlio César.png Júlio César - Cerco militar combinado com frequentes expedições punitivas. Duração da validade do modelo: 6 séculos. Em 445, as tribos germânicas dos Vândalos, originários da Magna Germania atravessaram o Danúbio  e saquearam Roma. Mais tarde atravessaram o Reno e em 498 acabaram com o Império Romano Ocidental.

  • Cardinal_Richelieu.jpg Richelieu  - Paz de Westefália (1648). Divisão interna da Alemanha em principados, reinos, grã-ducados e  eleitorados. O regime vigorou durante 2 séculos. No ínterim, conheceu algumas variantes. Sob Luís XV - Choiseul a França uniu-se à Prússia contra a Áustria e depois à Áustria contra Prússia (1740/1748). Napoleão optou outra vez pela guerra à Áustria assim abriu caminho ao triunfo do prussianismo. A Guerra franco-prussiana de 1870 viria a pôr fim definitivo ao regime de Richelieu.

    • Delcassé.png Delcassé - Triplice Aliança. Tratado com a Rússia (1893) reforçada pela Entente Cordiale com Inglaterra (1904). Provocou a I Guerra Mundial (1914-18).

      • Chamberlain.png Chamberlain - Appeasement (1937). Levou á invasão e repartição germano-russa da Polónia, em 1939.

      • Islão-Churchill.png Churchill - Aliança com os EUA. (Carta do Atlântico, 1941). Ajudou a vencer militarmente a Alemanha (1945
      • Stalin 1943.jpg Estaline - Esmagamento pela força (1941-45). Acabou com o nazismo e com o prussianismo.

      • Truman.png Truman - divisão territorial e ocupação militar. (Potsdam, 1945). Em 1953, os aliados atlânticos perdoaram as dívidas de guerra alemãs e, em 1955, a Alemanha Ocidental foi integrada na NATO. Embora nunca tenha sido celebrado qualquer  tratado de Paz, o regime instituído em Potsdam foi considerado extinto em 3 de Outubro de 1990.

Como se vê, modelos não faltam.

***

Para entender melhor esta questão na sua forma presente precisamos ter consciência de que, para os alemães de hoje, assumir o comando da Europa não é ambição e é visto como obrigação. Não se trata do non ducor ou do duco. Tratar-se-ia sim da obrigação de conduzir o rebanho que cabe ao membro do grupo mais  preparado. 

 

Luís Soares de Oliveira.jpg

Luís Soares de Oliveira

FILOSOFIA MACABRA DA VIDA

 

Chien de Printemps.jpg

O livro foi-me emprestado pela minha nora Paula. É de Patrick Modiano, chama-se “Chien de Printemps”, galardoado com o prémio Nobel de Literatura de 2014. Éditions du Seuil, texto integral de cerca de 120 páginas. A primeira reacção foi de espanto: livro tão minúsculo merecedor do Nobel! O José Saramago daria pulos na tumba, embora outros “Nobel” se irmanariam em comunhão de tamanhos. Um escritor nascido em 1945, autor já de várias obras e vários prémios, um livrinho que corre mundo, transportando o seu Nobel, numa escrita simples, num entrecho quase diria nulo, de vidas que se confundem na distância do tempo, nos encontros do acaso, um livro de charada que nada pretende esclarecer porque não é seguro de verdade alguma, a insignificância do viver humano, como simples passagem, em divergências dos seres e simultaneamente nas suas equivalências ou afectos, histórias de vidas subentendidas nos próprios silêncios, a memória recuperando, a espaços, a maior ou menor relevância dos encontros, ou das situações.

 

Francis Jansen, a personagem central de quem se vão contar coisas, nos solavancos da vida, de quem pouco se sabe mas que deixou marcas, talvez em mulheres que o amaram, talvez no amigo que morrera, sem dúvida no narrador por ele retratado, quando tinha dezanove anos – “au printemps de 1964, et je veux dire aujourd’hui le peu de choses que je sais de lui.” – é parte do primeiro período e parágrafo. Outras fotografias serão tiradas, com uma Rolleiflex, a este e à namorada, “deux adolescents anonymes et perdus dans Paris”. A visita ao atelier de Jansen, uma breve abordagem do seu mundo de três malas e duas fotos – uma de Colette Laurent, outra dos dois amigos Jansen e Roberto Capra na Alemanha de 1945, Capra que o narrador conhecia pela referência à sua morte na Indochina. A sugestão de partida eminente que as malas denunciavam, o espaço de trinta anos para o retomar das referências, sugeridas pelo repegar na foto de 1964. A perseguição da lembrança, a busca de dados sobre Jansen, a lembrança do seu dito ao saber que o rapaz da sua foto pretendia vir a ser escritor, actividade que ele considerou a “quadratura do círculo”, visto que ele, com a sua de fotógrafo, pretendia apenas o silêncio. E pôs-lhe o desafio de recriar o silêncio com as palavras, os sinais de pontuação mais expressivos sendo para ele as reticências.

 

E foi assim que o jovem se tornou uma espécie de arquivista das fotos das três malas, que testemunhavam “gentes e coisas desaparecidas”. As gentes presentes, “une certaine Nicole”, Jansen não desejava encontrar, talvez no acabrunhamento da morte de Capra e de Colette Laurent, esta última conhecida do narrador, nos seus dez anos, quando passeava com a mãe, desaparecida no espaço, retomada ainda no tempo, alguns anos após.

 

E a narrativa vai rodando, em descritivos e referências, nos desenhos das fotos de Jansen, avolumando o mundo das coisas pequenas – plantas, uma teia de aranha, a concha de um caracol, pequenas ervas onde corriam formigas, a bota do fotógrafo. Ou os espaços amplos dos contrastes de cores, o branco da neve com o azul do céu, os prédios desertos, em que Paris parece abandonada, a busca de uma felicidade perdida para sempre… Mas os ruídos voltam de repente, casos são contados pela multidão, de histórias da vida, as palavras tornam-se puras onomatopeias, do narrador não restará senão “l’imperméable que je portais, roulé en boule, sur le banc”, o nada, a náusea de tudo o que se é ou supõe ser. O próprio Jansen poderia ser outro que, segundo os arquivos da sua terra natal já estava morto e tinha outra história. Et l’ombre de ce double, conclui Jansen, finit par se confondre avec nous.

 

Uma história simples, um pensamento de tragédia nele implícito, o macabro da condição humana. Chien de Printemps, expressão de Jansen, o título do livro de Patrick Modiano, Nobel de Literatura de 2014.

 

Berta Brás.jpgBerta Brás

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D