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A bem da Nação

ASSIM DANÇA ZORBA – 2

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Grandes vergonhas que a Europa deixou a Grécia alcançar e que esta se recusa a reconhecer.

  1. Atenas recorreu à banca de investimento

A esquerda – não só a grega mas também alguma visionária esquerda europeia – ataca constantemente o mercado em geral (e, em particular, a “malvada banca de investimento”), mas esquecem-se de que a sua admirada Grécia teve que recorrer aos financeiros de Wall Street para esconder as suas desastrosas finanças públicas.

Um anterior Governo, liderado por George Papandreou, reconheceu que a Grécia mentiu sobre o valor do défice e da dívida para poder entrar no euro e, portanto, deu informações falsas em 2009, utilizando, entre outros, os serviços da Goldman Sachs[1].

(continua)

Recebido por e-mail; Autor não identificado

 

 

[1] - O actual Presidente do BCE, Mário Draghi, era quem dirigia, na Europa de 2002, as operações da Goldman, quando a Grécia começou a sua fraudulenta engenharia financeira.

O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 – 6

 

 Letras.jpg

 

Qualquer crítica – e qualquer defesa – que se baseie sobretudo em chamar nomes aos defensores e aos críticos, não é crítica nem defesa: é mero desabafo, auto- regozijo pela certeza que transborda da alma de cada um. Não vale nada.

 

Por isso não me atrevo a ser contra a adopção do Acordo Ortográfico de 1990 sem

apresentar as razões em que me baseio.

 

Os argumentos que se seguem são de ordem operatória, fonológica, morfológica, de linguística histórica, sociológica, diplomática, económica e de preservação histórica.

 

Há mais, porém fico por aqui.

 

 

  1. Argumento sociológico

 

Por volta de 1990 já existiam duas principais formas de escrever em Portugal: a norma de 1945, muito bem destrinçada e explicada em Prontuários Ortográficos; e uma “norma” difusa, sempre em reconstrução e evolução – a das mensagens juvenis – caracterizada pela simplicidade extrema, minimalista, com consoantes isoladas representando palavras, sem pontuação, nem cedilhas, nem tiles. Esta tendência não fez senão acentuar-se com a generalização do uso electrónico.

 

É nesta escrita dicotómica que se insere uma terceira norma, a do AO 90.

 

Os defensores da norma de 45 agridem verbalmente os defensoras da 90 e vice-versa.

 

E os jovens?

 

Alguns são prejudicados nas notas por escreverem à antiga algumas palavras-ratoeira; outros são menosprezados porque escrevem à sua, deles, moda; e os que escrevem “à moderna” deixam de respeitar as edições existentes na biblioteca da sua Escola e inclusive invocam o pretexto da “confusão gráfica” para deixarem completamente de ler.

 

Se o AO 90 não é um erro sociológico, não sei o que será.

 

(continua)

 

Manuela Barros Ferreira, Mértola.jpg

Manuela Barros Ferreira, Mértola.jpg

Manuela Barros Ferreira

Campo Arqueológico de Mértola

HERESIAS - XXIII

 

ENCURRALADOS!

 

  • Na “Heresia” anterior afirmei que os Tratados Europeus não prevêem a possibilidade de uma qualquer maioría de Estados Membros votar a expulsão de um outro Estado Membro. Penalidades para quem se portar mal (na UE), sim. Despedimentos com justa causa (na Zona Euro), nem pensar.

 

  • Contudo, à luz dos acontecimentos mais recentes, não creio que tal tenha sido fruto de uma lamentável distracção. Tivesse uma cláusula deste teor sido proposta e, suspeito, a Zona Euro não teria visto a luz do dia - mesmo que os Membros dominantes se assegurassem de que nenhuma maioría poderia, alguma vez, formar-se contra eles. Só um Governo completamente inepto colocaria o seu país, assim, às claras, totalmente nas mãos de Governos terceiros que sabem muito bem o que lhes interessa e o que têm de fazer para lá chegar.

 

  • A UE fica-se por penalidades de natureza monetária que podem ir da redução ou, mesmo, suspensão de transferências comunitárias até multas algo pesadotas (fixadas em % do PIB). Mas bulir com o direito de voto está fora de causa. E, por outro lado, ninguém sabe muito bem que consequências terá o país que recusar o pagamento de uma multa, falhar a entrega da sua contribuição nacional ou, mesmo, retiver receitas que são próprias da UE (uma parcela do IVA cobrado). O episódio Thatcher deixa entrever que, se for “grande”, sairá a ganhar. Os países “não grandes” nunca se atreveram.

 

  • Na Zona Euro não há contribuições específicas, nem transferências compensatórias, nem receitas próprias, nem sequer multas. Numa primeira leitura, dir-se-ia que a Zona Euro não dispõe de meios coercivos com expressão pecuniária (isto é, que entrem no bolso do Estado Membro faltoso) - muito embora, a possível suspensão do direito de voto no Sistema Europeu de Bancos Centrais não esteja liminarmente afastada (é um ponto em aberto…). Mas a regra que impõe a rotação dos Estados Membros “não grandes” no órgão de decisão do BCE retira alcance prático a esta questão.

 

  • Dir-se-ia, então, que a Zona Euro é uma União Monetária “branda” - onde o incumpridor nunca conhecerá punição (salvo ser submetido a tortura psicológica durante as longas e penosas reuniões do Eurogrupo).

 

  • Puro engano. País que adira à Zona Euro renuncia à soberania monetária. Não é só deixar de ter moeda própria. É, acima de tudo, escaparem-lhe as condições de emissão dessa moeda (que é também a sua) - e, por isso, fica totalmente vulnerável.

 

  • Se se mantiver um país “certinho” (isto é, se cumprir à risca o Tratado Orçamental), tudo parecerá correr pelo melhor. Mas a vulnerabilidade está lá - e far-se-á sentir mal comece a ter sérias dificuldades para se financiar nos mercados internacionais: (i) ou porque regista um deficit orçamental que os seus parceiros reprovem (acima de 3%/PIB); (ii) ou porque a sua dívida pública é considerada excessiva (bem para lá de 60%/PIB); (ii) ou porque o seu sistema bancário é visto como frágil, já por estar excessivamente endividado nos mercados interbancários, já por se encontrar insuficientemente capitalizado.

 

  • Em tais circunstâncias, o país em causa terá de tomar medidas destinadas a corrigir os desequilíbrios que apresente - é inevitável, ainda que não integrasse a Zona Euro. E, muito provavelmente, terá de receber assistência financeira, já para atenuar as agruras do processo de ajustamento, já para o encurtar. Tudo está em saber: que processo de ajustamento?

 

  • Pelo facto de integrar a Zona Euro, a desvalorização cambial não é, para ele, uma opção. Mas, mesmo assim, haverá caminhos diferentes para o reequilíbrio. E, provavelmente, a cada um desses caminhos corresponderão diferentes efeitos, já internamente (no nível e composição da actividade económica, no emprego e na distribuição do rendimento), já nos países parceiros. Dito de outro modo, a escolha do caminho para o equilíbrio é tanto um acto de política externa como de política interna.

 

  • E é aqui que entra o BCE - ao assegurar o volume (mas não a distribuição) da liquidez em qualquer economia da Zona Euro. E o BCE faz isso de diversas maneiras:
  • Mantendo a funcionar em condições o sistema de pagamentos transfronteiriços no interior da Zona Euro (TARGET 2);
  • Cedendo regularmente liquidez aos sistemas bancários nacionais, através de operações de mercado livre (e absorvendo, também) com e sem garantia;
  • Escolhendo os títulos que aceita como garantia nas operações de cedência de liquidez;

Greek haircut.jpg

  •  Fixando, para cada um desses títulos, quanta liquidez é possível obter dando-o em garantia (rácio que é conhecido na gíria por haircut);
  • Autorizando a emissão de notas (que não são mais que títulos de dívida emitidos pelos Bancos Centrais dos países que integram a Zona Euro);
  • Enfim, agindo como mutuante (ou contraparte) de último recurso para aqueles Bancos que atravessem graves dificuldades de tesouraria (através de ELA/Emergency Liquidity Assistance);
  • Como é evidente, os Bancos Centrais dos países da Zona Euro são “Bancos Centrais” apenas de nome - sendo, na verdade, dependências do BCE, deste recebendo por delegação uns quantos poderes.

 

  • Para perceber bem a importância fulcral do BCE, imagine-se o que aconteceria mal a Grécia abandonasse aos trambolhões a Zona Euro. Nesse exacto instante, os Bancos gregos:
  • Deixariam de ter acesso ao TARGET 2 - e o Banco Central da Grécia (BCG) teria de negociar à pressa com os Bancos Centrais dos ainda Estados Membros protocolos sobre a regularização de pagamentos recíprocos (negociações que nunca se fazem de um dia para o outro);
  • Não mais contariam com um Banco Central que lhes cedesse directamente liquidez numa moeda internacionalmente aceite - ficando na inteira dependência das Reservas Externas que existissem no BCG, em cada momento;
  • Teriam de reforçar substancialmente os saldos (em EUR, em USD, etc.) junto dos seus Bancos correspondentes no estrangeiro - o que só agravaria os custos das operações financeiras transfronteiriças (é o que se passa hoje em dia com os Bancos angolanos, por exemplo).

 

  • Por sua vez, o BCG teria de emitir, o mais rapidamente possível, notas denominadas na nova moeda nacional, já que aquelas denominadas em Euros que havia emitido (e até então em circulação) deixariam de ter poder liberatório fora da Grécia (há dúvida sobre se teriam de ser recolhidas, ou se poderiam permancer em circulação como passivo não remível do BCG, mas só na Grécia; pois é, Leitor, as notas de Euro não são todas iguais).

 

  • Enfim, a procura por investidores estrangeiros de títulos de dívida emitidos por instituições gregas (Dívida Pública, dívida dos Bancos gregos, etc.) diminuiria abruptamente, uma vez que esses títulos, ou deixariam de ser aceites pelo BCE como garantia das operações de cedência de liquidez (é o que se passa com a dívida angolana, após o repúdio da garantia prestada ao BES/BESA), ou talvez continuassem a ser aceites, mas sujeitos a um haircut tal que os tornaria pouco interessantes.

 

  • As consequências de tudo isto para economia grega resumem-se numa única palavra: colapso. Colapso do sistema de pagamentos que suporta a economia grega. Colapso da procura interna - e, em particular, das importações de bens e serviços. Colapso no relacionamento económico com o exterior. Quanto tempo duraria uma situação assim? Ninguém pode prever, com segurança. Mas a ajuizar pelo default da Argentina em 2001 - muito tempo, não menos de 2 anos.

 

  • Foi para tornar bem evidente este cenário catastrófico que o BCE, no final de Junho, “congelou” as medidas de apoio de liquidez (a tal ELA) aos Bancos gregos. Agiu como um Banco Central, preocupado com a estabilidade financeira que tem por missão preservar? Não. Agiu, sim, a mando de credores que queriam encurralar um devedor teimoso. Afinal, uma versão, mesmo assim soft, dos shark loans que inspiram tantos filmes “negros” norte-americanos.

 

  • Para cada um dos Estados Membros “não grandes” da Zona Euro fica o aviso: “certinhos” or else

 

  • Mas fica também no ar uma pergunta: interessa ser membro de um clube assim?

 

  • O facto de a Alemanha (em 2002 e 2003), a França (por diversas vezes e ainda hoje), tal como a Itália (desde sempre), terem infringido o Pacto Orçamental sem consequências de maior só prova duas coisas: (i) que na Zona Euro há dois pesos e duas medidas; (ii) que os Estados Membros “não grandes” servem, apenas, para dar lastro ao Euro nos mercados financeiros internacionais - lastro de que os Estados Membros dominantes são os  primeiros e principais beneficiários.

Julho de 2015

António Palhinha Machado A. Palhinha Machado

 

 

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