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A bem da Nação

O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 – 4

 

 Letras.jpg

 

Qualquer crítica – e qualquer defesa – que se baseie sobretudo em chamar nomes aos defensores e aos críticos, não é crítica nem defesa: é mero desabafo, auto- regozijo pela certeza que transborda da alma de cada um. Não vale nada.

 

Por isso não me atrevo a ser contra a adopção do Acordo Ortográfico de 1990 sem

apresentar as razões em que me baseio.

 

Os argumentos que se seguem são de ordem operatória, fonológica, morfológica, de linguística histórica, sociológica, diplomática, económica e de preservação histórica.

 

Há mais, porém fico por aqui.

 

  1. Argumento de linguística histórica

 

A língua portuguesa é, como todas as línguas naturais, um produto da História. A nossa, maioritariamente originária do latim, para além de uma gramática própria

Construída in loco, em muitas raízes gregas, muitas achegas vocabulares árabes, remodelações renascentistas, neologismos oriundos de todas as nações por onde

Passou e dos variadíssimos povos, objectos e ideias que aqui foram chegando através dos séculos.

 

A escrita reflecte essa riqueza. Sobretudo com o Renascimento, “a nossa linguagem” sofreu um impulso extraordinário.

 

A partir dessa altura foram criadas ou recuperadas numerosas palavras com base no grego e latim.

 

Não falemos nos termos da Botânica, Medicina, Biologia, Química, que não há lugar nem tempo para tamanha empresa. Falemos apenas de um processo: o da criação de palavras derivadas.

 

Se repararem bem, a coerência morfológica que mencionei acima, é coisa que aparentemente falha: as palavras derivadas muitas vezes diferem daquela que lhes deram origem. Por exemplo, “lunar” e “luneta” não derivam de “lua”; “pedal” não deriva de “pé”; “lacticínio” não deriva de “leite”; “nocturno” não deriva de “noite”.

Todas estas (e tantas, tantas outras...) palavras foram criadas, não a partir da palavra portuguesa (que sofreu todas as evoluções que o uso, desde os romanos, imprimiu à raiz latina), mas sim directamente a partir do étimo latino, recuperado por pessoas eruditas: “luna‐”, “pede-“, “lacte‐“, “nocte-“.

 

Uma coisa é o ter‐se a pronúncia do latim transformado por via popular, através dos séculos (perdendo o “–n‐“ e outras consoantes sonoras intervocálicas, transformando “–ct” em “-it”, etc.) outra coisa é criar‐se uma palavra nova, aproveitando, reciclando um étimo já longínquo para fazer frente às novas necessidades de Informação.

As nossas palavras derivadas, na sua grande maioria, relacionam-se directamente com o étimo latino da palavra de base. Elas fazem parte, tal como as demais, do

Património da língua, pois trazem uma dupla marca de origem: social (erudita) e temporal (tardia). Essas marcas não nos ligam apenas ao passado, mas também ao circuito internacional das línguas: basta comparar algumas destas palavras com os seus correspondentes espanhóis, franceses, romenos e mesmo ingleses para se ver como essa ligação a um longínquo étimo tem sido conservada:

 

esp. Actividad,

fran. Activité,

rom. Activitate,

ing. Activity.

 

(continua)

 

Manuela Barros Ferreira, Mértola.jpg

 Manuela Barros Ferreira

Campo Arqueológico de Mértola

INTELIGÊNCIA MILITAR

 

“Malandro é malandro, Mané é Mané...”

Bezerra da Silva

 

FGA-ratazanas brasileiras

 

 

Nenhum país do mundo que se preze tem menos de dois serviços secretos. Israel tem cinco e os Estados Unidos o mesmo número, distinguindo-se a ultrassecreta Nasa militar, repartição oculta da Nasa civil, tão admirada no mundo inteiro por suas proezas espaciais. Foi essa agência encarregada do famoso projeto “Guerra nas Estrelas”, escudo antimísseis continentais que pôs a pique a União Soviética e todo o sistema comunista então vigente no Leste Europeu, até 1989.

 

O sempre desmoralizado pela esquerda internacional, o presidente Ronald Reagan liquidou o muro de Berlim e precipitou a queda do regime soviético então dirigido por Mikhail Gorbachev (1992).

 

A KGB, polícia secreta soviética aparentemente dissolveu-se e resgatando seus fundos secretos na Suíça montou as máfias econômicas e oligarquias que hoje comandam a Rússia e são simbolizadas pelo ex-chefe dessa mesma agência, o eterno “czar” Alexander Putin.

 

É assim, em rápidas pinceladas que o mundo funciona. Mesmo nos Estados Unidos, há uma escala de informações secretas dos níveis 1 a 17 e o próprio presidente só é cientificado até o nível cinco, porque os serviços secretos sustentam sempre a possibilidade de que um homem, mesmo no comando de uma Nação de força global, possa enlouquecer...

 

No Brasil, porém, temos uma agência que tenta copiar os serviços secretos do resto do mundo, mas é uma caricatura grotesca, constituída por servidores públicos a ela alçada por concurso e arapongas de ocasião. Ambos os grupos fazem clipes de notícias velhas de jornal e grampeiam telefones. Servem apenas informes à presidência no café-da-manhã, trazendo relatórios que nem sempre antecipam acontecimentos, como os das últimas semanas, que deixaram o governo perplexo e o poder vigente com a cara no chão.

 

Nossa presidenta “incompetenta” gelou com a queda vertiginosa de sua popularidade, após tantos meses de governo mentindo sistematicamente para o povo, tal como o seu antecessor, o Sr. Lula da Silva Rosa Diamante.

 

Apesar disso tudo, porém, o Brasil ainda tem Forças Armadas, embora dirigidas por “machões” do Itamaraty que cuidam diligentemente de assegurar os parâmetros do revanchismo petista contra os militares, chamando pomposamente a estratégia de pôr sobre controle civil as instituições militares através de um pretensioso  ministério da Defesa.

 

Examinando-se bem, entretanto, os organogramas dessas Forças, descobriremos que estão intactas as estruturas afirmativas de seus comandos e estados-maiores. E aí surge um fenômeno subterrâneo, embora não oculto, que são os serviços secretos e reservados das Forças Armadas, subdivididos em graus, funções e missões.

 

Nossa inteligência militar não foi – graças a Deus – destruída, invadida ou desmantelada pela máquina de corrupção petista, que não conseguiu  romper ou dividir os militares, em nenhum de seus escalões. Nem a tal “Comissão da Verdade”, uma pantomima macabra que apura só um lado do passado entre 1964 e 1985[1][1] pôde intimidar a atividade castrense que se manteve altiva e independente, apesar de todos os descalabros e a montanha de irregularidades que temos assistido, praticados pela administração há dez anos.

 

Aliás, como uma ex-guerrilheira poderia fazer de outro modo? Guerrilheiros e terroristas, que se especializaram em destruir, como é que por milagre haveriam de construir alguma coisa? Como um governo com 39 ministérios e 23 mil cargos em comissão poderia não produzir um rombo imenso nas contas públicas e fazer retornar a malsinada inflação, de cuja lembrança os mais velhos têm as piores e dantescas recordações?

 

Pois a voz das ruas fez-se pesar e o governo petista, na sua malandragem típica, tentou forçar as Forças Armadas a entrar na briga, gerar mais insegurança interna e, a posteriori, os malandros de alto escalão iriam chamar de fascistas os dois grupos, os arruaceiros reivindicadores das ruas e os militares que os venceriam por gravidade...

 

Ora, a inteligência militar, ou seja, gente especializada, criteriosa e discreta, que sabe distinguir informe de informação, avisou ao governo de que não iria embarcar nessa canoa furada. O petismo não iria se escorar em quem sempre desprezou e de quem no fundo tem medo atávico. Afinal de contas, ex-terrorista, mesmo no governo, tem medo da polícia e dos militares. Sempre acha que poderá ser enquadrado, como em épocas pretéritas.

 

Cumpra-se a lei” – oferece ao governo o conselho da inteligência militar. A Aeronáutica sabe muito bem das viagens “imprecisas” da dona Rose Diamante no Aerolula. Dos movimentos dos mensaleiros e até ofereceu proteção especial ao ministro Joaquim Barbosa, à revelia da cúpula governamental.

 

Os mesmos que mataram o prefeito Celso Daniel já não podem fazer o mesmo contra o ministro Joaquim Barbosa. Os falcatrueiros que querem se manter no poder a qualquer preço vão ter que seguir os trâmites da democracia em que eles fingem acreditar.

 

A inteligência militar está intacta, assim como a base da Polícia Federal, que tem um contingente enorme de gente ousada e bem-intencionada.  Sem falar nos jovens procuradores do Ministério Público que eles tentaram amordaçar a qualquer preço.  Com esses grupos o petismo não poderá contar, porque os malandros foram adivinhados.

 

E malandro adivinhado vira Mané. As estratégias estão se esgotando e a nossa incompetenta presidenta e seu arsenal de prestidigitações está praticamente liquidado. Se eles contavam com o povo das ruas – mesmo aquele encabrestado pelo famigerado e ridículo programa bolsa-família – já não contam mais, diante da realidade dantesca da saúde, da educação e da segurança nas cidades brasileiras. Rodovias e circulação urbanas nem se fale, vez que a realidade está clamando e a corda em constrição pesa no pescoço do governo.

 

Se os malandros não podem contar com as Forças Armadas, cujos oficiais-generais foram alertados pela inteligência do perigo iminente, vai perceber em breve a debandada dos malandros do Congresso, principalmente os do PMDB, que não querem também ser Manés. E plebiscito e referendo são coisas de Manés...

 

Parece que o país está mudando mesmo. O povo não acredita mais em balelas porque já sofreu muito; os militares vão ficar fora do processo, alertados a tempo dos vícios do governo; os juízes, se puderem, vão pôr mesmo os mensaleiros na cadeia, inclusive o ideólogo-mor da tentativa de recubanização do Brasil, malograda em 1964 e 1970. Sem falar no ex-presidente, cujos crimes e desvios vão produzir um novo Mané...

 

O grupo que desejava se eternizar no poder, embora cheio de recursos dentro da Nação e no exterior,  parece que não conseguirá mais lograr os seus intentos sobre as esperanças de milhares de brasileiros.

 

Nós temos uma Pátria e por ela seremos capazes de morrer. Não gosto de lemas, mas agora fica adequado aquele, cantado com vigor e firmeza por nossos militares: “Brasil acima de tudo!”

 

E para nós civis também...

 

E nem precisamos de cinco serviços secretos para ver o que é translúcido aos olhos dos homens de bem...

 

Teresópolis, 4 de julho de 2013

 

Waldo Luís Viana.jpg(economista)

 

 

POR ANTÍFRASE

Prise_de_la_Bastille.jpg

 

Ouvi ontem e leio hoje, na Internet, que Alberto João Jardim chamará ao seu programa de concorrente provável à presidência da República ,«Tomada da Bastilha”:

«Alberto João Jardim ainda não anunciou se é ou não candidato à Presidência da República, mas já tem um programa para a corrida a Belém, a que deu o nome de "Tomada da Bastilha". No documento a que a SIC teve acesso, Jardim defende uma revisão da Constituição. Numa das alterações que propõe, o Presidente da República passa a ser o chefe do Governo e é eleito para um mandato de sete anos. O programa prevê também a proibição do direito à greve em quatro setores.»

Donde se segue que Alberto João Jardim, figura que confina em si o Zé Povinho da revolta contra as distinções entre as classes, ao arrasar a sua Bastilha, num simbolismo de sociedade igualitária, por outro lado aspira às altas categorias sociais, ao pretender comandar ditatorialmente todas essas classes, já liquidadas na amálgama que outros ditadores semearam, chefe supremo no cimo do triângulo distintivo, igual a Deus, igual a si próprio, omnipotente, omnisciente, omnipresente, homem modesto, vindo de baixo, chegando ao topo, os outros que sejam iguais, ele será diferente, a cereja cimeira na massa indistinta do bolo.

Figura caricata que provavelmente foi dos que condenaram os longos anos de governo de Salazar, não se importando, contudo, de lhe seguir as pisadas de veterania governativa, tal como, aliás, muitos sequazes das tradições imaculadas de Abril, apoderou-se da sua ilha por longos anos, a reboque dos dinheiros que lhe foram distribuídos, sem ter que prestar grandes contas aos Quixotes duma pátria que desprezou, Sancho Pança ambicioso da sua ilha da Barataria, onde aquele julgou salomonicamente, onde este revela a sua altaneira ausência de educação numa despudorada arrogância.

“Tomada da Bastilha?” Só por antífrase.

Berta Brás.jpgBerta Brás

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