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A bem da Nação

NECESSIDADE DE UMA CONFERÊNCIA DA DÍVIDA

 

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Temos países mas faltam-nos nações

 

UM FACTO QUASE ANEDÓTICO

 

Em Dusseldórfia, uma mulher de 56 anos foi condenada a pagar uma multa de 200 euros por difamação, por ter dito “Tu garota” (Du Mädchen) a um polícia. Ela acompanhava o marido no carro quando este teve um controlo de trafego da polícia.

Na sala de tribunal a mulher procura defender-se afirmando que não tinha dito „Tu garota” (Du Mädchen) mas sim “um conto de fadas” (n’Märchen). Três testemunhas polícias contradisseram-na e o marido dela, vendo o caso mal parado, disse: “Ela nunca diria uma coisa dessas a um touro”. Então houve grande alvoroço na sala!

A mulher teve que pagar a multa mas o homem foi consolado para casa.

PS: Devo esclarecer que na Alemanha os jovens costumam apelidar os polícias de “touros”!

 

A CRISE DA GRÉCIA CASTIGA FORTEMENTE OS PORTUGUESES

 

A crise castiga as economias fracas obrigando-as a pagar juros mais altos pelos empréstimos e ajuda a economias fortes baixando-lhes os juros das suas dívidas.

Com a crise da Grécia dos últimos dias os juros da dívida a 10 anos de Portugal subiram em 30 pontos para 3,0380% enquanto os juros a 10 anos da Alemanha desceram 15 pontos para 0,74% e para a França desceram 9 pontos para 1,1880%. A Espanha paga pelas suas dívidas 2,3450% de juro e a Itália 2,3920%.

A Crise da Grécia é o barómetro da crise europeia. A UE apoia o negócio dos bancos e castiga os cidadãos.

Portugal tinha, no final de 2014, uma dívida pública de 225,28 mil milhões de euros o que corresponde a um endividamento de 21.604 euros por cidadão. Em 2014, Portugal teve de pagar aos credores perto de 7,2 mil milhões de euros de juros da dívida pública. Esse valor representa cerca de 4,3% do PIB. (Este ano terá de pagar mais ou menos a mesma quantia)

A Alemanha tinha 2.170 mil milhões de euros de dívida, o que corresponde a 26.867,26 euros por cidadão.

 

PROTECÇÃO DE FALÊNCIAS BANCÁRIAS NOS 28 PAÍSES DA UNIÃO EUROPEIA

 

Na Alemanha e na UE a partir de 3.07 tem vigor a proteção contra falências bancárias. Cada cliente bancário tem a sua conta bancária protegida até 100.000 Euros por cliente e por banco.

 

DESPESAS COM O ORÇAMENTO DE DEFESA NA ALEMANHA E EM PORTUGAL

 

As Forças Armadas Alemãs dispõem de um orçamento anual de trinta e três mil milhões de euros. O correspondente orçamento das Forças Armadas de Portugal é de 2.216,1 milhões de euros (Cf. orçamento do Estado 2015: http://www.jn.pt/infos/pdf/relOE2015.pdf)

A despesa militar da Grécia é de 3,3 mil milhões de euros. (A Troika exigia da Grécia que poupasse 5 mil milhões de euros no seu orçamento geral).

A Alemanha gasta por ano 1,2% do Produto Interno Bruto no orçamento de defesa. Os EUA gastam 4%.

 

TEMOS PAÍSES MAS FALTAM-NOS NAÇÕES – NECESSIDADE DE UMA CONFERÊNCIA DA DÍVIDA

 

O que está em causa é o neoliberalismo globalista e a carruagem dos estados a ele atrelados que abdicam da própria soberania.

Os políticos, para melhor sobreviverem depois de cada legislatura, exportam sistematicamente a dívida e o sistema financeiro serve-se da dívida permitida pelas classes políticas atreladas ao Estado para impor a austeridade interna e viver das desigualdades dos países; cada vez se pode falar menos de nações!

Para se resolverem os problemas da Europa a sério, teria de ser convocada uma Conferência da dívida de todos os países da UE. Uma resolução dessa conferência teria de anular grande parte das dívidas dos países em situação mais frágil. Há já precedentes como no caso da Alemanha depois das duas grandes guerras pelo facto de se encontrar arruinada e destruída. O sistema neoliberalista destrói sistematicamente as economias nacionais frágeis. São movimentados dinheiros para servir credores do mundo financeiro que levam à bancarrota do Estado e serve somente o mundo financeiro. Desde 2008 (crise dos bancos) o PIB da Grécia desceu 27%; a taxa de desemprego atingiu os 28% (da juventude 50%. A Troika deveria perdoar metade das dívidas de países em situação como Portugal e Grécia. Fazê-lo para com a Grécia e não para com outros seria uma imposição injusta. Doutro modo os lobos continuarão a uivar e o povo d correr descalço para casa.

A crise da dívida na Grécia é a crise da dívida da União Europeia. O referendo da Grécia embora malfeito terá bons resultados: no caso do sim à austeridade teria de haver eleições antecipadas.

 

PERÍODO DE CARÊNCIA PARA POLÍTICOS

 

O parlamento alemão acaba de aprovar uma lei que estabelece um período de espera para mudanças de emprego, no caso de cargos públicos relevantes. Ministros, membros do governo e secretários de estado não podem passar directamente da sua ocupação política para empregos na economia. São obrigados a observar um período de carência que vai de um ano até ano e meio. Uma boa medida no sentido de dificultar o suborno e o tráfico lobista entre política e economia.

 

SUBSÍDIO DE HABITAÇÃO NA ALEMANHA

 

A partir de 2016 o subsídio de habitação para pessoas com baixos rendimentos será aumentado para os 870.000 domicílios carenciados da Alemanha. Assim, um agregado familiar de duas pessoas, em vez de 115 Euros, passa a receber um apoio de 186 € mensais para a renda de casa.

 

O DESEMPREGO

 

O desemprego na Alemanha atingiu agora o número mais baixo de desempregados desde 1991, segundo revelam os Média alemães. Actualmente encontram-se 2,711 milhões de pessoas desempregadas.

 

AUMENTO DAS REFORMAS

 

As reformas tiveram um aumento de 2,1% na Alemanha ocidental e 2,5% na Alemanha oriental.

 

TSIPRAS QUER O LEITE E CONTINUAR A TURRAR A VACA

 

Tsipras começou por tentar que a Troika renunciasse aos 240 mil milhões de dívida sem se comprometer sequer em reorganizar o país sem se importar com as consequências para os países da zona euro em situação semelhante. Agora apela ao não no referendo e ao mesmo tempo defende um perdão de 30% da dívida. Faz um referendo demagogo e não apresenta plano para o dia a seguir! Tem-lhe chegado a ideologia

A Grécia teve a primeira bancarrota em Março de 2012. Os credores perderam mais de 100 mil milhões de Euros (a quota que Portugal teve de perdoar na altura foi superior a 600 milhões de euros). Actualmente a Grécia encontra-se de novo em situação de insolvência. No fim de Junho não conseguiram pagar a parcela de crédito no valor de 1,6 mil milhões de euros. Em Julho e Agosto teriam de reembolsar o BCE em 6,7 mil milhões de euros de títulos governamentais. No caso de não pagarem o BCE terá de parar o auxílio de crédito de emergência. Neste caso os bancos gregos cairiam imediatamente na bancarrota. Tsipras tem conseguido trazer os políticos europeus presos pela argola de nariz porque sabe da fragilidade do sistema e sabe que não há regulamentação para o caso de uma saída do euro.

No caso de a Grécia voltar à Dracma podia desvalorizar os próprios produtos e encarecer as importações. Uma medida destas poderia levar a economia grega a produzir produtos antes importados.

Teria a vantagem de ganhar a soberania sobre a própria moeda e de poder chantagear a UE com a sua posição estratégica entre interesses americanos, europeus, russos e muçulmanos.

A Alemanha poderia perder entre 60 e 85 mil milhões de euros no caso de a Grécia ir à insolvência e sair do euro. No Tratado de Maastricht, está escrito que nenhum país se responsabiliza pelas dívidas do outro.

 

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António da Cunha Duarte Justo

O QUE DIZ A MINHA BOLA DE CRISTAL – 2

 

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UMA VEZ O «OXI» DADO…

 

Tendo os gregos «oxi» dado de modo inequívoco, como vamos nós, os credores, lidar agora com a situação?

 

Não nos cumpre duvidar da decisão democraticamente tomada; podemos, contudo, duvidar do acerto da decisão. Eis por que me lembro de que, perguntados, os «eleitores» de há cerca de 2000 anos optaram pelo indulto a Barrabás.

 

E achei «graça» a um grego que apareceu há dias num telejornal por que passei enviando um recado a Mário Draghi em que lhe dizia qualquer coisa como: - O Senhor Draghi ouça o povo grego e não falte com dinheiro aos nossos Bancos pois nós precisamos de continuar a comprar coisas.

 

Eu julgo que qualquer cidadão do Burkina Faso seria perfeitamente capaz de enviar o mesmo recado com igual legitimidade, idêntica veemência e exactamente pelas mesmas razões.

 

Então, o raciocínio do entrevistado grego deve ter sido assim: - Eu não pago os empréstimos que me fizeram mas quero que continuem a mandar-me dinheiro para eu comprar umas coisas.

 

E o Senhor Mário Draghi, extremosamente magnânimo, até tem por mandato esbanjar o dinheiro que uns pândegos ricaços por lá lhe puseram nos cofres do BCE.

 

Nonsense – e não me apetece dizer isto em grego.

 

De tão absurdo, copio o humor que circula na nossa Internet:

 

«Querida Caixa Geral de Depósitos,

Tem sido muito complicado pagar os empréstimos que eu pedi. Ontem, durante o jantar, falei do assunto com a família e sufraguei a coisa. Só o mais novo votou a favor do pagamento da dívida. A esmagadora maioria votou contra qualquer tipo de penhora sobre os bens que comprei com o vosso dinheiro. Posto isto, espero que a vossa Administração tenha em conta a votação lá de casa e se acalmem com essa coisa das cobranças. Afinal, somos uma democracia.

Cordialmente,

Rodrigo Moita de Deus

PS: Este mês estou um pouco apertado por causa das férias. Queiram por favor transferir algum para o NIB do costume. Obrigado.»

 

Como já ficou provado na crónica anterior, não tenho qualquer razão para confiar na minha bola de cristal que previra um «vai» (sim) e saiu um «oxi» (não) mas como o novo Varoufakis se chama Euclides Tsakalotos, tenho todos os motivos para acreditar que o futuro grego seja risonho.

 

Non sense? Que ideia mais absurda! São apenas os meus neurónios que estão oxidados.

 

Perguntada, a minha bola de cristal nada me diz sobre se dentro de dias não serei surpreendido ao acordar com alguma notícia que me diga que em Atenas os militares tomaram o Poder numa nova «pinochada». E também lhe perguntei se depois não teremos o Baltazar Garçon a enviar mandatos de captura - mas aos costumes a bola disse nada.

 

Perguntei-lhe também como hei-de encarar tudo isto sem ser pela via do absurdo mas aí a bola foi peremptória: na situação grega não há alternativa ao absurdo. E, pior, diz-me que o absurdo já vem de longuíssima data, desde a queda do Império Otomano.

 

7 de Julho de 2015

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Henrique Salles da Fonseca

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