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A bem da Nação

SE A MINHA ILHA SOUBESSE…

 

 

dalias-vermelhas-2.jpg

 

 

No jardim da entrada

Ainda resiste um canteiro

De dálias cor de fogo

Plantadas pela Madalena

A nossa ama-de-leite, lembras-te?!

Por onde andará ela?

Será que já partiu

Para o céu da gente?

Será que teve filhos?!

Amanhã, quando descer à vila

Vou perguntar ao caseiro!

 

***

 

Hoje, logo de manhã

Toquei à sineta da casita pequena

Agora pintada de amarelo vivo…

É lá que mora o Jeremias

O novo caseiro;

Ninguém atendeu.

Soube no caminho

Que anda lá mais acima

Na encosta a poente

A cuidar do rebanho;

Logo, no regresso, farei as perguntas…

Queima-me a curiosidade!

 

***

 

Cheguei cansada

Demasiado cansada como vem

Sendo costume.

O tempo começa a pesar

Nos ossos e nos dias

Mesmo que eles sejam

Maravilhosos de frescura

E esperança…

O leite cá de casa continua espesso

Com aquele branco opaco

De sempre

E um gosto a pasto livre

De gado feliz…

Ah, é verdade

O Jeremias, infelizmente

Também não sabe

Nada da Madalena!

 

Maria Mamede - 3.jpgMaria Mamede

A FATALIDADE GREGO-EUROPEIA

 

JCGV-divida grega.jpg

 

A forma como tem evoluído esta crise europeia, alguns artigos publicados em jornais e muitas declarações a que assisti na TV provocaram a necessidade de eu também participar nesta espécie de circo.

 

Para começar, recordo-me de nas duas vezes que precisei de recorrer a crédito, além de pouca utilização de compras a prestações, tive que provar ter condições de pagar a curto prazo o empréstimo realizado. O que aconteceu.

 

Agora, nesta dita crise europeia “de repente” aparece a Grécia com uma dívida enorme e simultaneamente também enorme descrição de desvarios da gestão deste país que originaram esta trágica situação que logo várias sumidades da economia previram poder causar grande perturbação na Comunidade Europeia e até provocar a saída deste país dado o seu comportamento, dos políticos aos cidadãos, ser incompatível com as normas rigorosas seguidas por esta comunidade.

 

No entanto, analisando os acontecimentos ocorridos nestes últimos vinte anos, podemos recordar os volumes elevados de fundos que foram enviados por ela para os países agora mais afligidos pela crise para ajudar o seu esforço para se reorganizarem de forma a se aproximarem dos níveis dos outros mais avançados e os elevados empréstimos com que esses mesmos países se iam comprometendo teoricamente com esse mesmo objectivo.

 

No entanto, verificava-se ano a ano que o seu PIB não melhorava, as tais reformas não se faziam e os défices cresciam sistematicamente. Em Portugal, por exemplo, se a Constituição fosse cumprida no que respeita à obrigação dos Órgãos de Soberania zelarem pela soberania e pela independência do País, os Orçamentos do Estado deste período não deveriam ter sido considerados constitucionais pois a evolução da nossa economia ia declaradamente contra aquela obrigação constitucional.

 

Mas os actuais credores, agora tão zelosos no cumprimento das regras, foram emprestando sempre mais e obviamente também cobrando os respetivos juros que entretanto os tais países mal governados iam pagando, com a natural satisfação das entidades credoras onde parece terem os seus responsáveis tido boas recompensas pelos lucros obtidos.

 

Entretanto, em 2008 rebenta uma crise, não só europeia mas mundial, em grande parte consequência de todo este ambiente desregulado e à mercê dos grandes especuladores que acelera a queda fatal daqueles que tinham perdido o rumo correcto da sua vida económica e se tinham deixado embalar pelo dinheiro fácil.

 

Portanto, esta fatalidade neste momento dita grega e que se for mal resolvida poderá ser seguida por uma fatalidade portuguesa, e eventualmente outras mais, é principalmente também europeia porque a responsabilidade dela ter acontecido é da Europa que não foi capaz de assumir eficazmente a sua existência como comunidade e não apenas como uma colecção de países com alguns acordos entre si.

 

Lisboa, 27 de Junho de 2015

 

Eng. J.C. Gonçalves Viana

José Carlos Gonçalves Viana

BOUQUINER (1)

 

 

1 – Qualquer escolha implica sempre uma renúncia. Que pode ser, ou não, temporária. No caso é. Esclarecendo. Que título daria agora a uma possível pequena série de crónicas, ou minicrónicas que, com tempo, quero “escrevinhar”? Publicar é outra coisa. Já não depende da minha vontade, mas depende da boa vontade e da paciência com que um amigo me atura. Mas pronto, escolhi “BOUQUINER”. Mas na manga tinha mais duas. Uma era “TRESVALIAR” e outra “O MEU MUNDO”. Por partes. Venha a explicação e a fundamentação.

 

2 - “O MEU MUNDO” foi sugerido pelo DDB (dono do blogue) e AMIGO Henrique, quando lhe dei “notícia” sobre determinadas questões do nosso passado ultramarino. Mas guardo para trabalho, que gostaria de fazer sobre A QUESTÃO COLONIAL, sobre a qual me debruço cada vez mais. “TRESVALIAR” é do Dr. José Pacheco Pereira, que no dicionário tem determinados significados, mas em que JPP atribui e bem outra significação, como seja “navegar sobre as coisas ou palavras” (Público,13.06.2015). Pronto. Estraguei já tudo. Falei em JPP e tenho a certeza que já criei por aí alguma “urticária”. Mas lá irei por partes. E era esta que escolheria, se não viesse à memória, e ao papel, o Professor Doutor José-Augusto França com “BOUQUINER”. Bouquiner, como ele refere, porque “há uma palavra francesa, muito bonita: bouquiner, ler uma coisa aqui e ali” (Expresso, Revista, 01.02.2014). E “prontos”. Foi por isso que, desta vez, aquilo que escrevo vai assim titulado. Mas que guardo os outros dois títulos, ninguém tenha dúvidas.

 

3 – E escrevo, hoje, porque se acumulam textos que considero de uma FRESCURA e de um sentido de CIDADANIA ACTIVA que já vão rareando. “E tudo são recordações” de BB, “Lusitânia Armilar” de HSF, “Quod Sensus” de BB, “Um Papa sem filtro” de ACDJ e de novo” Saco Cheio” de BB, e fazendo sobre os mesmos o tal BOUQUINER. É evidente que poderia mencionar outros, mas estes tocaram-me mais, e de forma geral vou debruçar-me do muito que ali está, mas sem comentar os mesmos. Até porque num caso ou noutro já o fiz.

 

4 – Lusitânia Armilar. O nosso passado global. Que por vezes parece que andamos envergonhados de o referir. E que merece atenção, em especial para os mais novos. Porque ao contrário do que se diz, quem nos vai continuar, gosta mesmo de saber o que fomos e o que somos. É evidente que nem tudo foi feito com lisura, mas hoje também não se faz, que o diga o Iraque e o actual estado em que está. Isto, porque o Dr. Nuno Rogeiro escreve “em 2009 passou, quase envergonhado, o meio milénio da batalha de Diu em que uma pequena, mas moderna e bem treinada armada portuguesa derrotou uma muito maior força otomana, árabe, indiana, veneziana e croata” (Sábado,18.06.2015). Certo. Mas julgo, que talvez, tal feito, não foi comemorado mais efusivamente, porque um dos nossos grandes historiadores António Borges Coelho refere que “isso faz-se com uma coragem fantástica, com domínio da navegação e dos meios marítimos, mas simultaneamente com uma violência brutal. O tal povo pacífico de brandos costumes é irreal. A batalha de Diu foi terrível, não só a batalha em si, mas o que nós fizemos em Diu” (António Borges Coelho, Expresso – ATUAL – 08.03.2014). Pois. E por isso não comemoramos.

 

5 – E tudo são recordações. Que às vezes nos entristecem. Até por colegas com os quais convivemos e de repente parece que nem os conhecemos. Embora, por vezes, existam razões que desconhecemos. Como alguns “capitães” que a “24” mandavam atirar ao “turra” e a “25” fora com o “colono”. Assim mesmo friamente. E, infelizmente, nalguns desses “capitães” estavam oficiais de alta patente, que de um dia para o outro quiseram certificado de democratas. Ou será que alguns ARQUIVOS foram parar a mãos erradas? Mas veja-se, que hoje, é a mesma coisa. Muitos que disseram “nem mais um soldado para África” e que ajudaram ao estado em que o País se encontra, estão hoje bem instalados no “centrão” e a dar-nos grandes lições de moral e de patriotismo. E nós quedamo-nos na nossa zona de conforto.

 

6 – Saco Cheio. José Pacheco Pereira. Não o conheço. Mas considero-o um dos grandes intelectuais portugueses. E um dos nossos mais brilhantes investigadores universitários. Concorde-se ou não com ele. Mas também dizer, que muitas das “bicadas” que ele dá em alguns políticos da sua área, têm um passado. Porque “o doutor Pacheco Pereira tem sido, ao longo dos últimos anos, um elemento que não vê, nunca em qualquer circunstância, qualquer benefício na acção que o PSD possa desenvolver e, portanto, é um adversário, assume-se como um adversário do PSD”. Quem escreveu isto? Foi o Dr. Pedro Passos Coelho (Expresso, Revista Única, 28.05.2011). E assim sendo, arranjou mesmo um adversário. Mas não o PSD. E o Dr. Pedro Passos Coelho sabe que tem gente que não gostou de algumas das suas atitudes. Lembro o tenente-coronel João J. Brandão Ferreira, brilhante investigador de questões militares, autor de “Em nome da Pátria”, que escreve: Na altura, o jotinha-mor das “forças laranja” dava pelo nome de Pedro Passos Coelho, o qual não descansou enquanto não acabou com o SMO (Serviço Militar Obrigatório) – um erro estúpido, escusado e caro” (Público, 23.01.2014). Pois. E caro. Como se está a ver agora. Claro que depois com a idade vamo-nos modificando. Mas lá que houve estragos, também é verdade.

 

7 – Quod Sensus e Um Papa sem Filtro. O que dizer? Em primeiro que há católicos que, por vezes, parecem pouco de acordo com os ensinamentos que dizem defender. E mesmo assim, merecem a nossa estima. Mas confundir a História de um País segundo a bitola dos últimos 40 anos, parece-me curto. Para quem tem mais de 800 anos. Quanto a Francisco I está a olhar e de que maneira para o seu povo que se espalha pelo Mundo. Mas também aqui, há quem não goste. Comentários. Peço-os emprestados. A Vittorio Messori, teólogo próximo do Opus Dei, em que “é melhor um putanheiro que faz boas leis, que um bom católico que promulga normas contrárias à Igreja” (VISÃO, 27.01.2011). Assino por baixo. E já agora ao

JAF-Ercole Consalvi, Cardeal.jpgCardeal Ercole Consalvi, secretário de Estado de PIO VII, quando Napoleão ameaçou destruir a Igreja ao dizer: “Não o conseguirá, majestade. Nós próprios nunca a conseguimos destruir” (Público,02.06.2012).E sobre isto, nada mais. Está tudo dito.

 

8 – E sobre o estado do Mundo. Aqui recorro a

JAF-Jacques Attali.pngJacques Attali, economista, conselheiro do Presidente François Mitterrand, e fundador do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), quando defende que “A Terceira Guerra Mundial já começou”. Attali em 2014, em Milão, no World Business Forum, começa por referir que “as surpresas de hoje são apenas consequências da falta de acção há duas ou três décadas”. Sobre as Migrações refere que “nem todos serão migrantes do sul para norte. Um terço irá no sentido contrário. A humanidade está on the road” e quanto a uma possível perda de influência da actual potência hegemónica então “os EUA não serão substituídos pela China e um Mundo sem líder será um Mundo perigoso”. Sobre as finanças mundiais o economista pronuncia-se sobre a “força crescente dos Mercados Financeiros entidades sem governo e com frágeis fronteiras entre o que é legal e criminal”. E termina: Com o crescimento do terrorismo e dos fundamentalismos por todo o Mundo, pode-se dizer que a terceira guerra mundial já começou (Expresso,08.11.2014). E só aqui estou em desacordo com Jacques Attali. A Terceira Guerra Mundial foi ganha pelo Ocidente, com a Queda do Muro de Berlim. Ocidente que ultimamente só tem feito ASNEIRAS. Mas estou de acordo com o Subcomandante Marcos do Exército Zapatista do Estado de Chiapas no México, quando assume que está em marcha a Quarta Guerra Mundial, de que não se sabe qual será o desfecho, mas em que começam a aparecer sinais muito preocupantes. E que nos deixam preocupados com as actuais lideranças ocidentais.

 

9 – E deixo para um possível BOUQUINER (2) algumas “interrogações” mais caseiras e ligadas ao nosso passado, desde Mr. Ken Flower chefe da secreta de Ian Smith, passando por possíveis negociações tardias de Marcello Caetano com os nossos adversários de então, o leste europeu que equipava os Movimentos de Libertação, mas que não tinha problemas em dar-nos também uma “ajudinha” desde que tudo fosse feito com a maior discrição. E lembrei-me agora. Marcello Caetano lá fazia as suas “Conversas em Família” na televisão. Certo. O Presidente Roosevelt iniciava a partir de 12.03.1933 as suas famosas “Conversas à Lareira” na rádio. Coincidências. Mas vamos aguardar o que se arranja para próxima vez. O que não é fácil. Isto A Bem da Nação. Julgo que hoje apenas nadei em águas límpidas, e apenas à superfície. Prometo (?) que para a próxima andarei por águas “turvas” e “mergulhando” fundo. E mais uma vez a cumprimentar o Henrique por comemoração aniversariante.

 

José Augusto Fonseca José Augusto Fonseca

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