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A bem da Nação

ERA PARA SER COMENTÁRIO

“QUOD SENSUS”?

 

O artigo de João César das Neves, Terra de Ninguém, constitui análise serena, embora um tanto ambígua da história  do “nosso Portugal” que para o narrador apenas nasceu em 25 de Abril de 74, o que me deixou melindrada e direi mesmo humilhada, por ignorar o país a que de facto pertenci antes dessa data, chegando ao ponto de me definir como apátrida, e na mesma os filhos que me nasceram todos também anteriormente, é certo que em terras que agora são definitivamente alheias, mas que estavam dadas como nossas, desde os finais do século XV. Mas a ambiguidade de César das Neves não se centra só no nosso Portugal recente, jovem de 41 anos, riscando  todo  Portugal passado – ancião de 831 anos vividos em esforço vário -  da nossa posse, atribuindo-o a uma posse incógnita que deveria esclarecer.  Para além do mais, a expressão “Terra de Ninguém” do seu zelo esclarecedor também se me afigura altamente ambígua e mesmo vexatória. É certo que o Ulisses também se identificou como “Ninguém”, perante Polifemo, mas por malandrice, para não se ver em assados, à bulha  com os mais ciclopes,  caso Polifemo lhe chamasse outro nome quando gritou por socorro. Também o Romeiro se afirmou «Ninguém» ao Frei Jorge que lhe adivinhou o nome, mas foi por um misto de orgulho, desprezo, raiva e humilhação, é mais que sabido, e o caso não era para menos. Embora D. Madalena de Vilhena tivesse todas as razões e mais algumas para refazer a sua vida jovem, tanto mais que era mais que certo que o D. Sebastião não escapara em Alcácer Quibir, e os seus acólitos com ele.

 

Todos nos sentimos muitas vezes uns “Zés-Ninguém” na fossa, mas não é caso para um tal descalabro de uma designação tão vilipendiosa - “Terra de Ninguém” - que não percebemos se se trata do Portugal de antes, ou do Portugal de depois da data baliza. Pobre país ambíguo, tanto relativamente ao espaço “Terra” como relativamente às Gentes inexistentes ou desvalorizados num “Ninguém” sem safa de uma realidade puramente virtual.

 

Parece-me muito rebuscado. Afinal, eu sinto orgulho em muitos desses “Ninguéns”, dos de outrora como dos de agora. Em que posição se define César das Neves?

Berta Brás 2.jpgBerta Brás

SE NÃO GOSTAM COMAM MENOS

 

Foi-me mandado por e-mail. Quem mo mandou gostou dele, talvez. Foi Alegre um dos cantores da liberdade em rubros cravos de Abril, tinha sido um dos cantores da rebeldia às imposições da ordem pelos “vampiros dos pés de veludo”. A verdade é que são tristemente saudosistas as suas velhas “trovas do vento que passa” que não resisto a transcrever e de reescutar na voz embaladora de Adriano Correia de Oliveira:

 

Adriano Correia de Oliveira.png

 

https://www.youtube.com/watch?v=ZX5SKWHHIHo

 

Pergunto ao vento que passa

Notícias do meu país

E o vento cala a desgraça

O vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia

Dentro da própria desgraça

Há sempre alguém que semeia

Canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste

Em tempo de servidão

Há sempre alguém que resiste

Há sempre alguém que diz não.

 

A noite triste virou alegre, mas julgo que Alegre se não satisfez completamente. E, talvez desgostoso com o rumo do seu país, que já não precisa de conhecer pelo vento, (aliás mudo, já no tempo do seu desterro) - porque Alegre, como semeador de canções no vento, passou a engrossar a fileira dos que as bem sorveram -  Alegre continuou a compor. Mas  virou as setas para o estrangeiro trocista e comilão. Com menos melodia, é certo, que a balada do vento. Talvez por lhe faltar o Adriano e o Zeca Afonso já “libertos da lei da morte”, mas ainda em companhia dos mais companheiros que foram engrossando as fileiras dos heróis “encravados”, querendo significar com a expressão entre comas o facto de se cobrirem de cravos, sobretudo por altura dos festejos libertadores. Não, não está feliz Alegre, no seu país “encravado”, no bom sentido libertador. Até mesmo parece um pouco irado contra esses da estranja que falam em números e esbanjamentos incriminatórios, embora na sua - de Alegre – inocência afirme ignorar o motivo da troça, justificando-a como mera inveja – a inveja desses por nós outros que temos sol e amamos o riso, e o sol, o mar e o vinho - sem consentir, todavia, democraticamente, que outros prefiram a coca-cola, arredia do seu poema.

Leiamos então o poema em prosa de Manuel Alegre, e achemos para ele o ritmo das canções pop. A menos que prefiramos adaptar-lhe o som triste das mornas da Cesária Évora de pé descalço dos tempos colonialistas fascistas, de pé calçado no tempo da independência da sua terra, despovoada, ao que parece, quando os portugueses a descobriram e habitaram, ainda em tempo do Infante D. Henrique, por muito pouca importância que tal facto represente para o autor das “Trovas do vento que passa” ou do poema “Resgate” enviado por email, extraído de “Bairro Ocidental” – (D. Quixote, 2015). Título, certamente, alusivo à redução do país, que fora já império, a um simples “bairro”, nem sei bem se lhe terá passado pela cabeça, da lata. Embora Camões, é certo, também lhe tenha aplicado a modesta e carinhosa metonímia “praia” - “Ocidental praia lusitana”- mas também a metáfora enobrecedora “Reino Lusitano”, limítrofe entre terra e mar, e para mais com um Febo deitado à larga, num Atlântico de vasta rota:

 

Eis aqui, quase cume da cabeça

De Europa toda, o Reino Lusitano,

Onde a terra se acaba e o mar começa

E onde Febo repousa no Oceano.

 

Leiamos, então, Alegre e as penas de consciência – ou talvez antes a nobre satisfação - do seu / nosso auto-retrato patrioticamente orgulhoso, segundo a tradição do nosso saudosismo, que o hino nacional das festas futebolísticas também comprova, quase diariamente. Somos como somos, e os tais que nos abafam com números não passam de vampiros de uma nova actualidade, deviam ter vergonha:

 

 "Resgate"

Há qualquer coisa aqui de que não gostam

da terra das pessoas ou talvez

deles próprios

cortam isto e aquilo e sobretudo

cortam em nós

culpados sem sabermos de quê

transformados em números e estatística

défices de vida e de sonho

dívida pública dívida

de alma

há qualquer coisa em nós de que não gostam

talvez riso esse desperdício.

Trazem palavras de outra língua

e quando falam a boca não tem lábios

trazem sermões e regras e dias sem futuro

nós pecadores do sul nos confessamos

amamos a terra o vinho sol o mar

amamos o amor e não pedimos desculpa.

Por isso podem cortar

punir

tirar a música às vogais

recrutar quem os sirva

não podem cortar o Verão

nem o azul que mora aqui

não podem cortar quem somos.  

 

Manuel Alegre - "Resgate" - in "Bairro Ocidental" - D. Quixote 2015

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

TERRA DE NINGUÉM

 

Realidade virtual.png

Para sentirmos a realidade virtual? 

 

 

Sampaio da Nóvoa não existe politicamente e provavelmente terminará a sua candidatura presidencial sem ter chegado a existir.

 

Alguns, por lealdade ideológica, fingirão acreditar que o estimável professor de História da Educação tem alguma coisa que ver com os problemas do país, mas é claro que não tem e, pior, nem sequer parece ter.

 

Candidaturas há muitas, mas poucas manifestam tal distância entre realidade e aparato. Como pode o Partido Socialista considerar seriamente um candidato assim? No século do Twitter e Syriza, nem a esquerda mais romântica se compadece com ingenuidades destas. Mas a escolha não foi por engano, incúria ou falta de alternativas. Constitui uma consequência lateral da estranha situação de impasse nacional que se vive há anos. A decadência já é antiga, mas dois mandatos de captura de 2014 proclamaram inequivocamente o fim definitivo do segundo Portugal europeu.

 

A esquerda tinha um líder natural, que dominou a cena durante mais de dez anos. Por isso a detenção de José Sócrates, a 21 de Novembro de 2014, um dos maiores choques políticos da história recente, criou um vazio esmagador, anulando não apenas o próprio mas outros pretendentes plausíveis. A grande vantagem de Sampaio da Nóvoa é precisamente nada ter que ver com a governação dos últimos anos, agora salpicada pelos milhões do Grupo Lena. Este episódio pessoal e partidário estão ligados à questão mais decisiva da sociedade portuguesa contemporânea: vivemos nos escombros do segundo modelo europeu.

 

O nosso Portugal nasceu a 25 de Abril de 1974 e teve de encontrar uma identidade num mundo em intensa mudança. Passados os furores revolucionários, a resposta surgiu evidente: o país precisava de ser membro da Europa. Este foi o teorema formulado por Mário Soares em 1976 e concretizado por Cavaco a partir de 1986. Assim nasceu o primeiro Portugal europeu, conhecido como «bom aluno», atento, humilde e cumpridor. Falava-se muito de desafios e da necessidade de trabalhar. O resultado surpreendeu todos: a democracia foi estabilizada, a economia cresceu e a integração europeia concretizou-se. No início da década de 1990, quando em Maastricht nascia a União, o país já se sentia à vontade como membro: a Europa deixara de meter respeito inquieto.

 

Daqui surgiu o segundo Portugal europeu, atrevido, ambicioso e perdulário. Debaixo das facilidades financeiras permitidas pela participação no euro, iniciou-se um crescimento baseado em dívida externa. Foram os tempos de vida fácil, obras públicas e planos tecnológicos que levaram o endividamento bruto a explodir de 28% do PIB em 1992 para 253% em 2012. O delírio foi nacional e todos os sectores e classes nele participámos alegremente; mas alguns estiveram mais ligados à orientação do processo.

 

Dos vinte anos que medeiam entre as assinaturas do Tratado de Maastricht, a 7 de Fevereiro de 1992, e da carta de intenções à troika, a 17 de Maio de 2011, o PS governou 66% do tempo, atingindo com Sócrates a maioria absoluta. Essa foi precisamente a época em que Ricardo Salgado se tornava o «dono disto tudo». Por isso as duas detenções de 2014, de Salgado, a 24 de Julho, e de Sócrates em Novembro, simbolizam a derrocada final do modelo. Falhada a proposta, Portugal vive o impasse. Demorará anos até conhecer o seu futuro na evolução mundial, o terceiro modelo de participação credível e sustentada como país comunitário. Até lá, vivemos na terra de ninguém, indefinida e desolada, nas ruínas do paradigma anterior e sob a ameaça de réplicas que atinjam antigos dirigentes e das sequelas que condicionam o futuro.

 

Hesitante no caminho a tomar, a cena política pós-Sócrates é dominado por duas propostas principais. A primeira, do campo anti austeridade onde se move Sampaio da Nóvoa, propõe o recuo para o segundo Portugal europeu. A hipótese implícita é que os credores não só aceitam a anulação da dívida gigantesca, mas continuam a emprestar. Paradoxalmente, reúne consensos do Bloco de Esquerda às ex-administrações do BES e PT.

 

A alternativa, esboçada no Programa de Estabilidade 2015-2019 do governo e no relatório "Uma Década para Portugal" do PS, assume a travessia do deserto. A austeridade continua em anos de esforço, dureza e ajustamento. A dívida deve ser digerida e os destroços precisam de ser removidos, antes de se começar a construir o terceiro Portugal europeu, provavelmente nos finais da década. Por muito realista que seja esta avaliação, não admira que alguns prefiram a ficção política da generosa candidatura do professor Sampaio da Nóvoa.

 

13 de Maio de 2015

 

João César das Neves.png

JOÃO CÉSAR DAS NEVES

AS NOSSAS COISAS

 

Ontem vi parte de uma reportagem na TV5 sobre a reacção do povo nicaraguense à abertura de um canal unindo Atlântico e Pacífico, (tal como fora o do Panamá), empreendimento entregue a uma empresa chinesa e que, ao que parece, traz imensos danos ambientais, apesar do fortalecimento económico previsto para o país. Uma reportagem em grande, com fotografias dos espaços, entrevistas com tradução imediata, os pontos de vista normais de quem se sente incomodado na sua estabilidade e na destruição da fauna e flora ou poluição das águas do seu maior lago de água doce que tal empreendimento vai certamente proporcionar, atravessado pelo tal canal. Uma reportagem como tantas que a TV5 apresenta diariamente sobre os vários espaços do mundo, nos seus costumes, nas suas vidas, nos seus sentimentos. Assim se vai viajando pelo mundo, e conhecendo os hábitos da Gronelândia, da Patagónia, como da Mauritânia ou do Brasil, ou mesmo os empreendimentos agrícolas de famílias francesas, como a da família que trabalha no cultivo e comercialização da couve-flor. Assim se educa um povo, alargando os horizontes geográficos e culturais em suma, pois que de conhecimento se trata, a televisão não utilizada apenas para distrair ou divertir. Reportagens certamente que dispendiosas, exigindo deslocações, estudos prévios, material logístico, dedicação, e, enfim, equipas de investigadores que estão, a maior parte das vezes, invisíveis ou apagados, ou modestamente intervenientes.

 

Não assim por cá, limitados que somos às exposições pessoais, algumas bem interessantes, das pessoas entrevistadas, cada uma debitando os seus conhecimentos, numa arte exibicionista em que se cultiva a atitude, com maior ou menor relevo, as figuras femininas expondo, além dos ademanes mimosos, as vestes do nosso regalo visual. As reportagens sobre o mundo que roda, de povos alheios e acontecimentos civilizacionais, são dispendiosas e exigentes de capacidades que talvez não possuamos, habituados ao nosso mundo de exaltação das nossas misérias ou das nossas glórias, das nossas “saias de Elvira” que mais uma vez transcrevemos de Eça e do seu “Fradique”:

 Eça de Queiroz.png

Era o tempo em que eu e os meus camaradas de Cenáculo, deslumbrados pelo Lirismo Épico da Légende des Siècles, «o livro que um grande vento nos trouxera de Guernesey» — decidíramos abominar e combater a rijos brados o Lirismo íntimo, que, enclausurado nas duas polegadas do coração, não compreendendo dentre todos os rumores do Universo senão o rumor das saias de Elvira, tornava a Poesia, sobretudo em Portugal, uma monótona e interminável confidência de glórias e martírios de amor.

 

Não se trata agora, como no caso de Eça, de atacar a nossa poesia lírica, de cunho exclusivamente sentimental. Mas esta ficou-nos no goto, não exigindo muito conhecimento geográfico ou científico, favorecendo, pois a nossa apatia cultural. Os tempos mudaram, a idiossincrasia da indolência e da sentimentalidade permaneceu, o progresso trazendo algumas mudanças, naturalmente. Mas a tendência para o encarecimento dos casos que privilegiam as nossas disponibilidades afectivas, verifica-se ao nível dos media, e especialmente das televisões. Não, a televisão não favorece grandemente a nossa ânsia de saber, vocacionada que é para o espectáculo e o sensacionalismo.

 

Para além do mais, a televisão tem um papel fundamental na difusão dos casos de violência, nas escolas e ailleurs. Como diz o meu filho João, sempre houve violência entre os moços nas escolas, casos resolvidos entre eles. Agora, a televisão informa, quase em simultâneo. Agora os pais estão de prevenção para participarem dos professores, caso “maltratem” os filhos mal educados. É o que diz a minha filha Paula. Bola de neve em crescendo, gelo polar derretendo e engolindo o mundo da solidez.

 

Di-lo Vasco Pulido Valente, no seu retrato. Inutilmente, como já Eça em vão o disse:

 

O lixo

Vasco Pulido Valente

Público, 22/05/2015

faca e alguidar.png

Há anos que a televisão (pública e privada) nos dá uma dieta diária de toda a espécie de crimes. Não há limite à violência que se julga própria para o nosso aprimoramento moral: de novos sobre velhos, de velhos sobre novos, de velhos sobre velhos, de novos sobre novos. A conversa sobre a necessária defesa das mulheres, sobre o “bullying” ou outras formas de barbaridade — uma conversa que nunca é coerente e nunca leva a nada — só serve para explicar que a televisão se tenha ultimamente convertido num emissor de lixo sem desculpa, nem sentido. De resto, além do crime, existe ainda o acidente, qualquer acidente, desde que apareçam imagens de sangue, desespero e destruição. E, quando não se encontram em Portugal, não faltam por esse mundo calamidades para encher o tempo.

Isto sucede em parte por duas razões. Primeira, porque as “notícias” são comparativamente baratas: um automóvel, câmara e um “repórter” e está o caso resolvido. O câmara regista — normalmente — os locais, que 99 por cento das vezes não põem ou tiram nada à história que se vai contar. O repórter faz meia dúzia de perguntas à família (quando ela não foge) e aos conhecimentos das vítimas. Tanto as perguntas como as respostas são sempre as mesmas e não esclarecem (nem podem esclarecer) coisa nenhuma. Segunda, o público parece que gosta: um gosto que vem da literatura popular do século XVIII e do inevitável “folhetim” dos jornais do século XIX. Olhando para a televisão, não melhorámos muito no nosso gosto pelo melodrama e pela história crapulosa do dia. Hoje, ilustres comentadores políticos escrevem seriamente sobre o “amor de mãe”.

Mas, no meio disto, a televisão reserva para si um espaço privilegiado em que se encarrega de promover a rivalidade e o ódio e, sobretudo, a agressão física sistemática: o futebol, bem entendido. Os treinadores de futebol (especialmente o do FC Porto e o do Benfica) devem ser com certeza as duas personagens mais longa e assiduamente ouvidas da vida pública portuguesa. Como o dr. Cavaco Silva, repetem sem excepção trivialidades do mais sólido optimismo e prometem, sem prometer, o mais glorioso futuro para amanhã. Durante meses, a televisão cria um clima de guerra e de tragédia e, quando chega a resolução, é inevitavelmente a violência que vem à superfície. Nessa altura, a autoridade lamenta e sacode a água do capote. E a roda recomeça. Não temos conserto.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

AS PEDRAS DOS “SARRACENOS”

 

 

Esta coisa de ser curioso, de ir atrás do que se apresenta um tanto nebuloso, é uma “actividade” que me dá prazer e por vezes muita luta.

 

Uma delas, como já tenho mostrado é o “porquê” das palavras significarem “o quê”, isto é cutucar na etimologia até encontrar o que procuro ou... ficar por isso mesmo.

 

A propósito, “curioso” vem do latim, com base em cura, atenção, cuidado. E depois vem curiosidade, misericórdia, saúde (cura), o padre cura da aldeia, etc. Que dá muito gozo, a mim, dá.

 

Há uns anos ao ler uns livros da história antiga das Ilhas Britânicas, deparei com algo que me cutucou (desta vez, cutucar é uma palavra brasileira, do tupi cotuca, picada, ferroada).

 

Em Avebury, Wiltshire, há um sítio arqueológico sensacional, cuja “construção” se situa em cerca de 3.000 anos a.C., com uma elevada quantidade de blocos de pedra, pesando por vezes dezenas de toneladas, dispostas em circunferência por dentro de um henge.

 

Henge a Neolithic or Bronze Age structure found in British Isles, consisting of a large circular earthwork often enclosing an arrangement of standing stones, wooden posts, mounds or buri at pils.

 

Uma vala de três ou mais metros de profundidade, normalmente circular, por vezes oblonga, em que a terra dela retirada foi colocada na parte exterior da vala.

 

FGA-Sarracenos 1.jpg

Avebury, Wiltshire

 

Nesta foto vê-se bem a vala (henge) e os blocos de pedra que permanecem no local, uma vez que se sabe que ao longo de tantos milénios muitas foram dali retiradas para... Compare-se o tamanho de algumas pedras com as pessoas que lhes estão ao lado!

 

A estas pedras, lá em Avebury chamam-lhes sarcens: Only twenty seven of the original stones now remain. These stones, called “sarsens” (meaning “saracen” or foreign to the indigenous chalk), o que será sarracenos no dialeto local.

 

Sarracenos? Para pedras que ali foram colocadas há uns 5.000 anos? Não pode ser. E comecei a perguntar a alguns ingleses, sem que algum fosse capaz sequer de me responder.

 

Há pouco tempo, noutro livro sobre o mesmo período aparece Stonehenge, mais do que famoso, mas com uma nota que me veio inflamar outra vez a curiosidade: “Os sarcens, do anel exterior pesam cerca de 25 toneladas cada.”

 

FGA-Sarracenos 2.jpg

 

Tu quoque, Stonehenge? Volta à baila o porquê dos sarracenos!

 

“Histórias” de sarracenos só poderiam ter chegado à Britânia, por volta do ano 1000, possivelmente depois que se tomou conhecimento dos desaforos que o tal Al-Hakim fez em Jerusalém em 1009.

 

Aqueles pedregulhos eram, mais para trás, conhecidos por heaten stones, o que significa pedras dos pagãos, idólatras, selvagens.

 

Os historiadores são unânimes em afirmar que estes henge (chamado ao conjunto do local) não teriam finalidades cerimoniais, apesar de encontrarem evidências que mostram preciso conhecimento, por exemplo, de solstícios. Mas atribuir a culto de druidas, quando os druidas foram parar às Ilhas Britânicas com os celtas, cerca de cinco séculos antes da nossa era, é demais. Ninguém sabe para que serviriam estes monumentos, mas atendendo a que têm no máximo três entradas, normalmente uma e mais raro duas, pode-se imaginar que seriam praças para mercados, por exemplo, até pelas largas centenas que se encontram espalhadas pelas ilhas.

 

Pergunta, pesquisa, diversos prestimosos colaboradores dando dicas, até que um dia chegou a resposta.

 

No final encontramos, por indicação de um clever inglês, Philip Masheter, em www.sarsen.org:

The country folk, always picturesquely minded, call them "Grey Wethers," and indeed in North Wilts, it is not hard to conjure up their poetic resemblance to a flock of titanic sheep, reclining at ease upon the pasturage of the Downs. The alternative name Sarsen, has an interesting derivation. It is a corruption of the word "Saracen." But what have Saracens to do with Wiltshire? Frankly nothing. The name has come to the stones from Stonehenge itself, and is a part of that ever interesting confusion of ideas, which has been bequeathed to us by our ancestors of the Middle Ages. To them all stone circles and megalithic monuments were the work of heathens, if not of the devil himself. Heathenism and all its works was roundly condemned, whether it be Celtic, Mahomedan, or Pagan; and the condemnation was as concise and universal as the phrase "Jews, Turks, Infidels, and Heretics" of the Christian Prayer Book to-day. In the early days of the Moyen Age, the Saracen stood for all that was antagonistic to Christianity. Consequently the stones of Stonehenge were Saracen or heathen stones, which the Wiltshire tongue has shortened in due time to Sarsen.

 

Traduzindo:

A gente do campo, na sua mentalidade pitoresca chamava-as de Grey Wethers, “Carneiros Cinzentos” e não é difícil imaginar a sua semelhança “poética” com um rebanho de ovelhas titânicas, descansando à vontade nas pastagens das terras planas do Norte de Wilt. A alternativa para “sarcens” é uma corruptela da palavra Saracen. Mas o que tem sarracenos a ver com Wiltshire? Francamente, nada. O nome veio para as pedras de Stonehenge, e é parte dessa confusão já interessante de ideias, que tem sido legada pelos nossos antepassados da Idade Média. Para eles todos os círculos de pedra e monumentos megalíticos foram obra de pagãos, se não do próprio diabo. Paganismo, e todas as suas obras, foi severamente condenado, seja celta, maometano ou pagão; e a condenação foi tão concisa e universal, como a frase judeus, turcos, infiéis e hereges do livro cristão de orações de hoje. Nos primórdios da Idade Média, o sarraceno ficou por tudo o que era antagónico ao cristianismo. Consequentemente as pedras de Stonehenge passaram de “pedras de pagãos” a “sarracenos”, que na língua de Wiltshire se encurtou para sarcens.

 

Não admira que lhes chamassem pedras do diabo. Pode-se imaginar o trabalho que deu para as colocarem onde estão. Milhares de trabalhadores, milhares de horas, dias e anos, só obra dos demónios. Algumas das pedras de Stonehenge foram levadas de Wales a mais de 240 quilómetros de distância.

 

São obras da grandeza das pirâmides, pela sua monumentalidade.

 

E assim finalmente “descoberto” o mistério dos sarcens, numa altura em que os tais fundamentalistas sarracenos estão a dar tanto que falar, e até de chorar.

 

Pena não se poder pô-los a carregar “pedrinhas” daquelas nas costas!

 

28/04/2015

Francisco Gomes de Amorim, Junho 2013, Lisboa.jpg 

Francisco Gomes de Amorim

O QUE RESTA DO MEU PAÍS

 

Bandeira humana portuguesa.jpg 

É proibido ficarmos tristes!

Mesmo que nos tenham vendido as nossas joias da coroa.

É proibido ficarmos tristes!

Mesmo que nos tenham vendido a nossa língua.

Aquela que nos foi ensinada por antepassados ancestrais,

E por velhas professoras de aldeia…

É proibido ficarmos tristes!

Por Abril.

Por terem posto o Povo à míngua.

Por nem sequer restar um caldo verde com broa,

Para mitigar a fome que grassa como erva daninha.

É proibido ficarmos tristes!

Por não termos resistido a uma alcateia

De animais famintos. Lobos.

A Corrupção é Rainha.

Vivemos uma clara Epopeia,

De miséria Moral e Cívica,

Que não é Epopeia,

Porque as Epopeias são cantadas em Glória.

Não há actos gloriosos na ganancia.

Nas mentiras criminosas e subtis.

Há crimes de usurpação do direito a uma vida digna.

Esse direito foi-nos roubado, por actos vis.

Só nos resta a proibição de ficarmos tristes…

E revoltados, podemos?

 

Luís Santiago.jpgLuís Santiago

CSIO DE LISBOA 2015

CSIOLx15.jpg

Concurso de Saltos Internacional Oficial de Lisboa – 2015

HOMENAGEM AO BRIGADEIRO HENRIQUE CALLADO

 

 

 

Henrique Alves Callado – de Cadete a Brigadeiro, sempre vencedor.

 

Natural de Alcochete onde nasceu a 12 de Junho de 1920, iniciou-se aos 13 anos em provas de obstáculos e a sua primeira internacionalização foi em Madrid no ano de 1943 aí ganhando o respectivo Grande Prémio no ano seguinte. Em 1958, sagra-se Campeão Nacional de Hipismo.

 

Integrado na equipa nacional, Henrique Calado disputou 22 Taças de Ouro da Península, com vitórias em 16 edições e 13 Taças das Nações, sendo por dez vezes o melhor cavaleiro em prova: três em Lisboa, três em Madrid, duas em Nice, uma em Roma e outra em Aachen. Foi cinco vezes Olímpico nos Jogos de Londres, Helsínquia, Estocolmo (7o lugar), Roma (10o lugar) e Tóquio.

 

Em concursos internacionais obteve 134 vitórias em competições realizadas um pouco por toda a Europa e não esqueçamos que durante quase toda a sua vida a Europa era o hipismo mundial. Do seu palmarés salientam-se também os triunfos em 62 Grandes Prémios, em três Taças do Generalíssimo, nas Potências de Madrid (duas vezes) e de Nice, nos Prémios Campidogllo, em Roma, no prémio do Principado do Mónaco, no Grande Prémio de França e, por três vezes, no Prémio Bucephale, do Concurso de Nice, e ainda em dois Prémios do Concurso de Dublin.

 

Entre os galardões que lhe foram atribuídos contam-se as medalhas de mérito desportivo, quer em Portugal quer em Espanha, a medalha de bronze da Ordem Olímpica do Comité Internacional, a medalha Nobre Guedes do Comité Olímpico Português e o emblema de ouro da Federação Equestre Internacional.

 

Morreu a 12 de Novembro de 2001 e deixou muitas saudades a quem com ele conviveu e a quem teve a honra de servir Portugal sob o seu superior comando. E por tantas vezes ter feito subir no mastro de honra a Bandeira Nacional dando-nos orgulho de sermos portugueses, lhe dizemos OBRIGADO!

 

Lisboa, 31 de Maio de 2015

 

Eu e «Uruguai» - início de appuyer a trote para Henrique Salles da Fonseca

AVISO À NAVEGAÇÃO

 

O artigo “Uma tragédia evitável” de Alberto Gonçalves (Notícias, 24/5/2015) é cheio de pormenores críticos sobre a actuação de António Costa na pré-chefia que se propõe em campanha, como preparação para a sua chefia futura, definitiva para muitos portugueses que até se sentem honrados com a sua postura, ora de meias tintas ora de tintas fortes, tergiversações só sensíveis às pessoas que não se deixam manipular por demagogias que há muito deixaram de fazer sentido, num panorama de insensatez instituída, onde os consertos prometidos não passam de palavras ocas, furtando-se à responsabilidade de um país que deve.

 

Para Alberto Gonçalves a governança futura de Costa, de ideologia leviana “à Syriza”, será uma tragédia. A análise que faz das acções de Costa - a sua mansidão apelativa de votos, relativizando comportamentos degradantes dos portugueses com a justificação, deseducativa, de uma generalidade mundial, o seu extenso projecto de programa eleitoral” como meio para aplicar terminologias em moda das mentiras linguísticas destes tempos, iludindo os leitores, «Em suma, pacotes, iniciativas, medidas, apostas, comissões, siglas e delírios, muitos delírios, as coordenadas exactas do embuste», um artigo de ironia feroz de Alberto Gonçalves, que só penetrará, naturalmente, nas mentes do costume.

 

Também o artigo «O jornalismo no museu» é uma sátira “desesperada” à parlapatice ou má fé jornalística noticiarística, tanto no uso de expressões bombásticas para manifestação de orgulhos nacionalistas despudorados na sua vanidade, como na expressão da criminologia e sentimentalidade actuais, como no exibicionismo perverso de uma ideologia de apoio ao crime no caso do crime antigo, o regicídio verificável num coche do Museu dos Coches, a memória do regicida Buíça acarinhada por José Alberto Carvalho.

 

O que não é evitável é a tragédia da mal formação mental.

Alberto Gonçalves.png

Uma tragédia evitável

por ALBERTO GONÇALVES 24 maio 2015

 

Apesar de lamentar a balbúrdia cometida por adeptos da bola no centro de Lisboa, António Costa lembrou, a título de consolo, que actividades semelhantes também acontecem "noutros locais". Para mim, que moro a centenas de quilómetros do Marquês de Pombal, chega. Para os lisboetas, sobra. Para todos os portugueses, eis uma amostra da liderança serena que o Dr. Costa se prepara para aplicar ao país em peso, logo que as sondagens comecem a traduzir a real vontade do eleitorado e retirem o PS de fundilhos anes justificáveis pela brandura de António José Seguro: qualquer maçada, problema ou cataclismo devem ser relativizados sob o imbatível argumento de que, algures, já houve igual ou pior.

 

Se, por exemplo, um dia funesto Condeixa-a-Nova for bombardeada pelo inimigo, o Dr. Costa recordará Dresden e Pearl Harbor. Se três quartos do Alto Minho desaparecerem graças a um vírus maligno, o Dr. Costa não demorará a evocar a sida em África e a gripe espanhola. Se um surto de canibalismo irromper no Barlavento algarvio, o Dr. Costa acalmará as hostes mediante comparações com o Donner Party e a fome soviética de 1932. É para isto que serve um líder.

 

Quanto a um candidato a líder, serve para apresentar um "projecto de programa eleitoral". Dividido em quatro capítulos, 21 pontos e incontáveis alíneas, o projecto de programa é um sítio tão bom quanto outro qualquer para o PS semear palavras que acha cativantes (flexibilidade, proximidade, agilidade, qualidade, sustentabilidade, valências, alavancagem, dicotomia, etc.). Ao longo de 134 páginas que se lêem com o prazer com que se arranca um dente, oscila-se sem surpresas entre os grandes conceitos (a liberdade, a democracia, o sol, o vento e a água) e o detalhe maníaco (melhorar a "qualidade das emissões da RTP Internacional"). Ou entre promessas lindas (a "eficiência do Estado") e a sua contradição imediata (a criação da essencial "Unidade de missão para a valorização do Interior"). Ou entre promessas esquisitas (os direitos de "reserva da intimidade da vida privada e do bom nome") e a sua contradição imediata (a "conciliação dos mecanismos da vigilância electrónica com os de teleassistência no apoio a vítimas de violência doméstica"). Ou entre o ocultismo ("construção de equipamento e navios de suporte para O&G e Mining Offshore") e, literalmente, a arte de encher chouriços (há um "programa integrado de certificação e promoção de produtos regionais"). Ou entre a comédia farta (um "Programa subtemático para o setor [sic] do leite") e a retórica vazia ("Um mundo que nos devolva o lugar da comunidade, valorizando a vida quotidiana"). Ou entre os sintomas de amnésia (a "consolidação das contas públicas") e o orgulho no currículo (as garantias de apoios a tudo o que mexa - e principalmente não mexa - são infinitas). Por pudor, não desenvolvo "o equilíbrio de género no patamar dos 33% nos cargos de direção para as empresas cotadas em bolsa". Por estupefacção, não comento a abolição da austeridade através de decreto.

 

Em suma, pacotes, iniciativas, medidas, apostas, comissões, siglas e delírios, muitos delírios, as coordenadas exactas do embuste. Pura política? Sem dúvida, e sobretudo puro PS. Corre por aí que o Dr. Costa contratou especialistas de marketing para perceber o que vai na cabeça dos portugueses. A vantagem dos portugueses é saberem de antemão o que vai na cabeça do Dr. Costa, um seguidor confesso do interessante Syriza. Se depois elegerem o PS pode sempre dizer-se que, de Mário Soares a José Sócrates, já houve desastres iguais. Duvido que tenham sido piores: a luz ao fundo do túnel é o TGV.

 

O jornalismo no museu

 

Peço desculpa pela terminologia, mas a homepage do meu browser é o Google News. Foi aí que nos últimos dias e em diversos sites informativos li: "Cláudia Vieira arrasa em Cannes"; "Sara Sampaio arrasa em Cannes"; "Cristina Ferreira arrasa em Cannes", "Irina Shayk arrasa em Cannes". Não sei se devemos celebrar o sucesso de tantas concidadãs (ou ex-namoradas de concidadãos, o que para efeitos nacionalistas vai dar ao mesmo) ou lamentar que a passadeira onde em tempos desfilaram Anna Karina e Brigitte Bardot seja hoje tão impressionável por pessoas que nem eu sei bem quem são ou o que fazem.

 

Certo é que Cannes está arrasada, e é entre as suas ruínas metafóricas que medito naquilo que agora passa por notícia. E concluo que, apesar de tudo, antes este patriotismo apatetado do que os telejornais cheios de sangue e sentimentalismo, que a cada dois dias agitam uma indignação ou uma polémica para animar o povo.

 

E mesmo a exploração de crimes recentes é preferível à exaltação de crimes remotos, ou a José Alberto Carvalho, em directo do Museu dos Coches, a lembrar o regicídio ("uma data considerada funesta para os monárquicos"), a evocar com carinho a memória do Buíça e a constatar, com certo pasmo, que "mais de um século depois estes princípios republicanos ou de humanidade são ainda objecto de debate". Se os princípios eram a herança francesa do terror, é melhor não conhecer os fins. Já o fim do jornalismo, pelo andar da carruagem (ou do coche, caso apreciem trocadilhos), não deverá andar longe disto.

 

Berta Brás.jpgBerta Brás

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