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A bem da Nação

COMENTÁRIO AO TEXTO DE AMORIM SOBRE UBERABA

A vocação uberabense para a pecuária deu-se desde os primórdios da ocupação da região pelos colonos brancos. Saint Hilaire em 1819, ao passar pela região já dizia: “... devido a existência de bons pastos, vão se dedicar à criação de gado lanígero, porcos e principalmente gado vacum,...”

 

O comércio de Uberaba começou através das rotas salineiras com Formiga e São João Del Rei. Mais tarde com a produção de cana e café, a chegada dos imigrantes (portugueses, italianos, espanhóis), da estrada de ferro (Mogiana), e o aumento populacional provocado pela circulação dos militares que vieram de passagem para a guerra do Paraguai, houve um incremento notório dos negócios. Porém, quando a estrada fez novos trajetos e desviou o comercio, Uberaba, abandonada, perdeu a hegemonia comercial da região e voltou-se novamente para as origens, a pecuária.

 

A introdução do gado zebu (com corcova) no Brasil se deu inicialmente na Bahia (1813) e depois no Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX (GIR, CANCREJ/GUZERA e ONGOLE/NELORE. O gado misturou-se ao trazido de cabo Verde, no século XVI(dito na região “curaleiro”), e se espalhou principalmente Minas Gerais, sul Goiás, Mato Grosso.

 

Com a mudança dos rumos da economia na região, os cafeicultores aos poucos tornaram-se criadores de gado e muitos assumiram as duas atividades. Adquiriram reprodutores bovinos principalmente com pecuaristas do Rio de Janeiro. Mais tarde alguns fazendeiros foram buscar pessoalmente, com muitas dificuldades, até morte (João Martins Borges), no inicio do século passado exemplares zebuínos na Índia. Animais estes e seus descendentes que fizeram a riqueza da região do Triangulo Mineiro no século XX.

 

Quanto às plantas o mineiro gosta bastante de cambiá-las e experimentar os plantios. Em Minas pode-se encontrar espécies vegetais de várias partes do mundo ( herança portuguesa?)

 

É fato e seu primo bem o sabe, as famílias ricas da região enviavam os filhos para estudar fora, viajavam para o exterior e de lá traziam novidades que maravilhavam e despertavam inveja. Fazendas e casas havia que tinham na sua bela arquitetura e mobiliário mármore de Carrara, pinturas em trompe l’oeil, louça inglesa, indiana, chinesa, porcelana germânica (Rosenthal), magníficos relógios de carrilhão alemães, assoalhos e tetos em madeira trabalhados( marchetados), toalhas bordadas da Ilha da Madeira, cristais da Boemia,... até carro importado(Cadilac). Mas hoje tudo isso mudou, as grandes empresas é que dominam a economia, embora ainda se possa ver bonitas propriedades antigas preservadas que guardam a história de Uberaba.

 

Gostei muito da dissertação de Francisco Amorim , mostrou conhecimento e Sensibilidade.

 

Uma pequena observação; a Igreja da foto é de São Domingos, um dos primeiros templos dominicanos construídos no Brasil. As freiras dominicanas foram no inicio do século passado as responsáveis pela instrução das jovens uberabenses.

 

O “causo minero”, adorei, hilário!

 

Maria Eduarda Fagundes.jpg Maria Eduarda Fagundes

BEM-HAJA A EUROPA FONTE

 

estante de livros.png

 

Nos meus tempos de “menina e moça” havia, entre os livros da estante do meu pai que a curiosidade me fazia vasculhar, como tesouros de uma caverna de Ali-Babá que fui gradualmente penetrando, alguns deles – tirante os de Júlio Dinis, de Eça, o “Camilo Alcoforado “ e a “Miss Esfinge” de Campos Monteiro, e mesmo Raul Brandão ou Fialho de Almeida e um ou outro mais levezinho, estando longe de entreter uma adolescência que se comprazia nas novelas cor-de-rosa que andavam de mão em mão – alguns, pois, de carácter mais descritivo, histórico ou mesmo filosófico, como “Palavras cínicas”, de Albino Forjaz Sampaio, que quadravam à natureza observadora e crítica do meu pai. Foi também lá que encontrei o “D. Jaime” de Tomás Ribeiro, livro que reencontrei, na estante mais enriquecida, com Jorge Amado, Aquilino, e tantos outros da colecção Unibolso, contendo obras-primas, que a espaços vou espreitando, o tempo não dando tempo para absorver tudo o que se quer, na vida, os meios de dispersão mediática fornecendo outros tantos programinhas para o far niente da vida no seu poente.

 

Serve o intróito para referir um artigo de Alberto Gonçalves «A crise explicada pelas criancinhas» (Notícias, 21/6/15) – por me ter lembrado de dedicar um dos muitos poemas do “D. Jaime”, que as antologias escolares da época publicavam, pelos sentimentos pátrios e caritativos que difundiam e a gente decorava, tal a melodia e os bons sentimentos que tão bem quadravam à nossa maneira de ser acarinhadora dos pobrezinhos. Dedicar pois, o poema de sentimentos devotos e generosos a jovens como Isabel Moreira e outras doutoras da nossa praça que como ela exprimem os seus ideais de bondade para com os oprimidos. É este um poema lírico contido no Canto IV do D. Jaime – espécie de “epopeia” sui generis, de muitos ritmos e expressão sentimental, explosiva ou mesmo piegas, ao modo ultra romântico, em torno de uma história de patriotismo em tempo de domínio castelhano em Portugal:

 

Bem-hajas, oh luz do sol,

Dos órfãos agasalho e manto,

Imenso, eterno farol

Deste mar largo de pranto!

Bem-hajas, água da fonte,

Que não desprezas ninguém!

Bem-haja a urze do monte,

Que é lenha de quem não tem!

Bem-hajam rios e relvas,

Paraíso dos pastores!

Bem hajam aves das selvas,

Música dos lavradores!

Bem-haja o reino dos céus,

Que aos pobres dá graça e luz!

Bem-haja o templo de Deus,

Que tem sacramento e cruz!

Bem-haja o cheiro da flor,

Que alegra o lidar campestre;

E o regalo do pastor,

A negra amora silvestre!

Bem-haja o repouso à sesta

Do lavrador e da enxada;

E a madressilva modesta,

Que espreita à beira da estrada!

Triste de quem der um ai

Sem achar eco em ninguém!

Felizes os que têm pai,

Mimosos os que têm mãe!

Tomás Ribeiro.png TOMÁS RIBEIRO

 

Desta vez os pobrezinhos são, para Isabel Moreira e todas as outras nossas doutoras habituais do companheirismo defensor dos lesados – sempre ilibados de responsabilidades – não os nossos da austeridade, mas os da Grécia, que preferem, na voz dos seus condottieri, não mexer nos encargos financeiros tomados anteriormente, e continuar na sua dança de avanços e recuos brincalhões com a velha Europa rezingona mas que vai cedendo e ajudando – para satisfação da maioria de nós, é certo, embora na indignação perante o desplante helénico:

 

A crise explicada pelas criancinhas

por

Alberto Gonçalves.png 21 Junho 2015

 

Sem a densidade intelectual que me permitisse decifrar a erudição económica de um, ou de dois, Varoufakis, o meu instinto primário levava-me a ver a crise grega com o olhar dos simplórios. Desde logo, achei que a crise era sobretudo um problema dos gregos. E que os gregos recorriam a dinheiro principalmente alemão para patrocinar os vícios de um Estado tresloucado. E que quando os alemães se cansaram do arranjinho a Grécia escolheu uma agremiação de patetas para a representar. E que os patetas andaram uma eternidade a fingir que cumpriam as condições dos novos empréstimos que livrariam a Grécia da bancarrota enquanto tencionavam cumprir nada e pagar nenhum. E que as belíssimas invocações da soberania local se esqueciam de invocar as soberanias dos países pouco dispostos a financiar as bravatas. E que, por incrível que pareça, uma sessão fotográfica na Paris Match, a ausência de gravata e a camisa de fora não garantia o futuro da esquerda europeia. E que o ministro desengravatado se convencera de que o medo da Europa seria sempre superior aos desvarios do seu governo. E que a estratégia do "agarrem-me, senão eles batem-me" tinha tudo para terminar num enternecedor fiasco. E que hoje, junto à porta da saída, o fiasco se traduz no desespero com que os patetas alternam ameaças e súplicas. E que isto tem alguma graça.

Não podia estar mais errado. Por sorte, um texto da deputada socialista Isabel Moreira abriu-me a coração para a Verdade. Publicado no recomendável blogue Aspirina B, em que convivem viúvas de José Sócrates, o texto começa por aludir ao "ultrajante dilema europeu", e por declarar "aviltante" não sei o quê. De seguida, a Dra. Isabel saltita pelo "cuspo da psicopatia estratégica" para concluir que, além de opcional, a austeridade é "fome, confisco, é emigração". E "crueldade". E "malvadez", que fez a economia portuguesa, nas contas da Dra. Isabel, recuar 20 anos (ah, as saudades das trevas "cavaquistas").

Quanto aos gregos, sentencia a Dra. Isabel, "atreveram-se a fazer uma escolha que não agrada à Alemanha". A de viver à custa dos alemães?, perguntaria um ignorante. Também, mas não é esse o ponto. O ponto é a heróica recusa da "austeridade selvagem", com que a "direita fanática" deseja humilhar, só por pirraça, os "povos do Sul". Infelizmente, a "dignidade" não basta, pelo que "as medidas de desastre social impostas" puseram a Grécia "a sangrar" e visam impedir qualquer acordo. Avisada, a Dra. Isabel prevê que os efeitos da saída grega do euro serão "devastadores" para Portugal. E "a direita com as mãos sujas vai culpar quem, quando se colocar a questão de um novo resgate?" O PS, claro. Toda a crise europeia é um plano para retirar mérito às extraordinárias e hipotéticas conquistas do Dr. Costa, quando, ou se, tamanho portento chegar ao poder.

Berta Brás.jpg Berta Brás

UBERABA – MINAS GERAIS

 

Dizem os uberabenses e o dicionário que Uberaba, palavra de origem tupi, significa "água brilhante", de y, "água, rio" e berab, "brilhante". Para quem não tem ideia onde fica esta cidade o melhor é procurar na Internet para não estar aqui a fazer descrições geográficas que poderiam parecer pretensiosas.

 

Há uns anos descobri lá em Uberaba, por intermédio de uma amiga comum, um primo, afastado, da grande família brasileira La Rocque, sobrenome da minha avó. Aliás descobrimo-nos um ao outro e não foi difícil estabelecermos amizade.

 

Jovem (71 anos) da geração La Rocque abaixo da minha, vive nessa cidade e há tempos insistia para eu lá ir.

 

Fui. Passei quase uma semana e fui encontrar outros parentes, mas sobretudo fui encontrar gente simpática, acolhedora e... minêra, UAI!

 

Acolhimento simples, amável, descontraído, em todo o lugar que o primo me levou, e olha que aquela região tem muito para ver.

 

Uberaba é o centro brasileiro do gado Zebu, um bovino da sub-espécie Bos taurus indicus. Como se sabe, na Índia o bovino é um animal sagrado, de preço barato. Segundo a história destes animais no Brasil, em 1874, um dos muitos barões do II Império, daqueles, milionários que adoravam ir gastar dinheiro na França e Inglaterra, adquiriu, como novidade, em um zoológico de Londres, um casal do gado Ongole repetindo a compra em 1877. Em 1878, um outro uberabense comprou um lote no jardim zoológico de Hamburgo. A adaptação desses animais foi muito boa, e a seguir passaram a encomendar animais directamente da Índia por empresas especializadas no fornecimento de animais para circos e zoológicos. Dessa maneira, o Ongole foi descoberto pelos brasileiros e migrou para sua nova pátria, onde ocuparia um lugar de destaque no cenário e, partindo dali, chegaria ao mercado mundial. Mais tarde, entre 1900 e 1920, os próprios brasileiros começaram a buscar Ongole na Índia, escolhendo os melhores e reservando-os na província de Nelore, antes do embarque. Dai surgiu o nome "Nelore" para esse gado.

 

Estes animais adaptaram-se perfeitamente às condições do país; mais tarde começaram os cruzamentos e o aperfeiçoamento da raça e o Brasil hoje conta com mais de 200 milhões de cabeças de gado, sendo 90% de origem zebu.

 

Em Uberaba está a ABCZ – Associação Brasileira de Criadores de Zebu – com as raças brahman, cangaim, gir, guzerá, indubrasil, nelore, sindi e tabapuã e mais de 12 milhões zebus registados, com as folhas da genética, etc. Muito interessante.

 

Surpresa grande foi ter encontrado no terreno desta ABCZ umas árvores que jamais tinha visto e por coincidência também originárias da Índia. Akosha – Polyalthia pendula longifolia – todos os seus braços, ao nascerem do tronco principal viram para baixo, a árvore cresce, imenso, e fica sempre verde e estreita.

 

Veja-se na foto abaixo a sua altura. Para referência, em baixo, tem um carro estacionado. Atrás, um imponente Pau-brasilCaesalpinia leiostachya, árvore que ultrapassa facilmente os 12 metros. Este deve ter 20 metros e a Akosha uns 18! Uma maravilha.

FGA-AKOSHA.jpg

E esta foi a “minha paixão à primeira vista”, a Akosha! Como as famílias ricas daquela região gostam muito de ir a Paris, este foi o meu “coup de foudre”! O meu hospedeiro e simpático parente andou comigo quase um dia inteiro, andando de Heródes para Pilatos até conseguirmos duas mudas que não tarda vão embelezar a entrada do nosso palácio aqui no Rio de Janeiro.

 

Depois ao visitarmos um amigo em seu magnífico jardim-sítio-fazenda, dei de caras com um fruto que igualmente jamais tinha visto. As opiniões divergiam sobre o seu nome e origem; houve quem dissesse que era uma espécie de maçã de Portugal – Portugal jamais viu tal fruto, nem maçã era – depois que a sua origem seria do Oriente, mas a teimosia levou-me a desvendar o mistério: Caimito – Chrysophyllum cainito L. – da família das saponáceas e originária das Antilhas e América Central.

 

Uma frutinha redonda, como uma cereja, roxa, com uns 2 cm. de diâmetro e sabor agradável. Há quem lhe chame, no Brasil Abiu roxo! Qualquer dia virá uma ou duas mudas para o Rio! Deve dar uma compota agradável e tem muito passarinho que vai adorar.

 

FGA-FRUTA ROXA.jpg

 

Outra novidade para um ignorante itinerante foram as pedras, rochas, muito abundantes naquela região: Tapiocanga. Nome genérico Limonita, conhecida por Tapiocanga, é um óxido de ferro hidratado (ferro pardo), sem estrutura cristalina interna, amorfo. A limonita não é um mineral, mas uma mistura de diversos óxidos de ferro. Por esta razão a limonita é considerada uma rocha. Vermelha.

 

É usada na construção, pavimentação de ruas (paralelepípedos) e escultura. Interessante.

 

FGA-LIMONITA.jpg

 

FGA-TAPIOCANGA.jpg

 

A 20 quilómetros da cidade tem uma pequena povoação ao lado de um sensacional sítio paleontológico: montes de dinossauros têm sido ali encontrados, alguns com mais de 80 milhões de anos e foi recentemente encontrado o Uberabatitan ribeiroi, exclusivo brasileiro, bichinho com 15 metros de comprimento, cerca de 4 a 6 de altura e um peso estimado entre 15 a 18 toneladas. Sugeri que o elegessem presidente!

 

E como Uberaba está em Minas Gerais, há que saber e sobretudo ouvir algumas histórias contadas na linguagem do povo simples, a que chamam Mineirês!

 

Aqui vai uma para terminar:

Odmilson trabalhava sol a sol na sua roça, lá bem no interiô caipira. Um dia ouvirudizer que ia haver um baile numa povoação “logo ali (para o minêro tudo é logo ali), veste uma roupinha meio nova, camisa quase fechada até ao pescoço, elegante e, a pé, mato fora, enfrenta a jornada de mais dez quilómetros para chegar “logo ali”! Um sol escaldante, lá vai Odmilson a suar que nem cavalo de corrido no Verão!

Ao chegá procura uma moça prá dançá e lá desencanta uma. Dança de pular, Odmilson sua muito mais. Terminada a dança, a moça, vozinha meiga e olhos de gazela ferida diz-lhe:

- Voucê sua, hein!

E ele, encantado:

- Eu tamém voucê todjinho seu!

 

Foi uma bela semana passada em Uberaba.

 

23/06/2015

 

Francisco Gomes de Amorim, Junho 2013, Lisboa.jpg

Francisco Gomes de Amorim

IMPARIDADES DA MÃO INVSÍVEL

 

LS-Imparidade 1.jpg Fiz, há uns dias, dois Sonetos sobre a Mão Invisível e recebi correio electrónico, com surpresas. Nunca pensei que daria polémica, ainda bem, porque polémica é luz e Luz é Conhecimento.

 

A maior parte destas, foi porque misturei Deus, Dinheiro e Amor.

 

Fi-lo, como escrevi ao meu Amigo Dr. Henrique Salles da Fonseca, com o coração.

 

Enquadrando, de cor, Fernando Pessoa, não tenho medo dos sentimentos. Aliás, um ser humano que tem medo dos sentimentos não pode ser feliz. Onde há dinheiro envolvido não há Amor. Escrevi eu. Estava errado porque não é real.

 

Os avarentos amam o Dinheiro, portanto, onde há dinheiro também há Amor. Só que não era a esse Amor que me referia. Todos os que têm lido os meus textos, ao longo dos anos que tenho escrito no “A Bem da Nação”, descortinam, em mim, um conservador moderado e crítico dos excessos. Nada de ultra direita, nem ultra esquerda, mas centro. Não é uma posição para estar confortável, é porque penso assim mesmo.

 

Falei de Deus? Falei! Não é o Grande Arquitecto da Humanidade? Não nos legou o Livre Arbítrio, em cuja cama nos deitamos todos os dias?

 

Porque é que não assumimos que alguns de nós têm fome de Poder e depois criamos a outra Fome, desumana e terrível, que tem efeitos marginais nos mais indefesos? Está à vista de todos, todos os dias, na imprensa escrita e falada. Aceito os conceitos do liberalismo económico, mas, repudio, veemente e totalmente o capitalismo selvagem.

 

O capitalismo selvagem é forma mais desumana e implacável de liderar os interesses do dinheiro. Mas, não nos iludamos, o Dinheiro é uma obra de Deus. Assim como de todas as outras coisas. E, nós, simples mortais humanos, temos de saber navegar nestas águas, lutar contra as marés, desviarmo-nos dos escolhos, para sobrevivermos.

 

E porque, o faremos pisando os outros? Ora, erráticos e humanos.

 

Uma vez, então jovem licenciado, escrevi um parecer para o meu Chefe, em que, afirmava, com todas as certezas da juventude, que a Economia Pura de Mercado jamais regressaria. O meu Chefe, em despacho seco e peremptório escreveu no campo superior direito da primeira folha, como lhe competia: Prove!

 

Já se falava, em computação e robótica, apareciam os primeiros jornais especializados em economia e finanças, os computadores eram enormes e tinham ainda funções pouco abrangentes, mas, já dava para perceber que se desenvolviam em velocidade de cruzeiro. Não tinha intenções de lhe provar o que quer que fosse. O meu atrevimento não chegava a tanto. Escrevi, timidamente, mas, com uma frase previsível: O progresso e o desenvolvimento tecnológico acarretarão a manipulação das Leis da Oferta e da Procura… Ao outro dia, entrando-me pela Sala dentro, disse-me “Concordo!”, mas, vamos assentar as ideias ao almoço. O combate foi duro. Não houve vencidos, nem vencedores e construímos uma bela Amizade que durou até ao fim da sua vida e quem o Dr. Henrique Salles da Fonseca conhece. Chefe que foi meu Mestre, com quem aprendi diariamente e que tive honra de substituir. Em sua homenagem recordo o ser humano mais impecável, competente e honesto que conheci. Trata-se do Dr. Victor Manuel da Silva Vieira.

 

Nos nossos debates, ao almoço, que era, temperado com as deliciosas conversas que tínhamos sobre tudo – o meu Chefe era Licenciado em Economia e Finanças, gostava de almoçar com os seus colaboradores e os almoços eram sempre agradáveis.

 

Uma vez, uma das nossas conclusões, que ainda hoje partilho, foi esta: A pureza da Economia de Mercado, nascida do pensamento clássico, quanto às Leis da Oferta e Procura, vai acabar por ser condicionada pela rapidez da informação global. Cada vez haverá mais gigantes empresariais, transformados em monopólios. Os Donos disto tudo e a livre concorrência, a tal, gerida pela mão invisível, cada vez será menos livre.

 

LS-Imparidade 2.jpg E, hoje, acrescento eu, na palma da mão invisível cairão umas borboletinhas a que daremos o nome de imparidades… postas pela mão humana.

 

Luís Santiago.jpg Luís Santiago

NOTÍCIAS PARA LEITORES COM PRESSA

 

PARABÉNS À TURQUIA

 

ANKARA - Parlamento.jpg

 

Os resultados das votações na Turquia depois de terem sido contados quase todos os votos revelam a perda da maioria absoluta do presidente islamita Erdogan (AKP) que esperava atingir 330 deputados e conseguiu apenas 41%/259 deputados, (para atingir a maioria absoluta seriam necessários 276 assentos) revelam. Em segundo lugar ficou a esquerda CHP com 25,2"%/131 deputados; a ultra-direita MHP atingiu 16,9%/84 deputados; a HDP pró-curda alcançou cerca de 13% (79 deputados).

 

O sistema eleitoral turco não permite grande variedade de partidos no ciclo parlamentar, pois para um partido ter assento no Parlamento tem de superar os 10% dos votantes. A oposição conseguiu 291 deputados.

 

Erdogan queria mudar a Constituição para consolidar os seus poderes presidenciais à maneira de "sultão". Para tal precisaria de 330 deputados. 56,6 milhões de turcos estavam chamados a votar. A participação nas eleições foi de 85,4%. Da Alemanha houve 480.000 turcos que votaram.

 

Tudo isto revela que o povo turco é distinto e mais democrata do que queriam fazer dele. Felizmente a Turquia está mais moderna que a maioria dos seus chefes.

 

ESCRAVIZAÇÃO DE MULHERES POR UM MAÇO DE CIGARROS

 

escravas-do-estado-islamico.jpg

 

Segundo informações da enviada da ONU, Sainab Bangura, os jiahdistas do “Estado Islâmico” vendem mulheres e meninas” pelo preço de um maço de cigarros”. A escravização de mulheres em massa é um factor decisivo para o recrutamento de combatentes estrangeiros.

 

PRISÕES NO ESTADO DO HESSE NA ALEMANHA

 

Prisioneiro.jpg

 

O Estado do Hesse tem 21 114,9 Kms quadrados e 6 045.000 habitantes. De momento encontram-se detidos um total de 4.500 prisioneiros. Destes 8% são mulheres.

 

Ultimamente tem-se assistido a uma diminuição de prisioneiros. Em Kassel há uma prisão com três prisioneiras e 18 funcionário do Estado que se revezam em três turnos. Um escândalo por tanto desperdício por falta de quórum.

 

Segundo o Ministério do Interior, a causa da diminuição deve-se à mudança demográfica que cada vez produz mais idosos e pessoas idosas não cometem tantas infracções à lei. Uma outra causa apresentada para a calmaria nas prisões é a boa situação económica do país!

 

G7 COM RESULTADOS PROMETEDORES

 

Geradores eólicos.png

 

O G7 mostra o cunho de Merkel que se empenha por palavras e obras na defesa da energia limpa. Na cimeira foi decidido durante o séc. XXI organizar a economia de tal modo que deixe de usar se energias fósseis. Até 2050 a redução do carvão e do petróleo deve ser de 40 a 70%. Propõem-se que o aquecimento da Terra não supere os dois graus em relação ao período anterior à industrialização. Até 2030 propõem-se tirar 500 milhões de pessoas da fome e da subnutrição. Greenpeace louvou os resultados da Cimeira.

 

REFUGIADOS: CARTA DE CONDUÇÃO POSSÍVEL SEM DOCUMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO

 

Carta de condução alemã.jpg

 

Um candidato a asilo na Alemanha, proveniente do Afeganistão (2009), não tinha cartão do cidadão nem outros documentos que o identificassem mas queria tirar a carta de condução na Alemanha mas as autoridades distritais de Main-Kinziga negaram-lhe o direito pelo facto de não possuir nenhuns documentos afegãos que o identifiquem ou refiram o lugar e data de nascimento; o Tribunal Administrativo considera a exigência dos documentos como não necessária porque o Registo Federal Central para Refugiados e a carta de Condução tornam possível a pessoa identificável. Assim o afegão recebeu luz verde para tirar a carta de condução.

 

REFORMADOS NA GRÉCIA E NA ALEMANHA - DIFERENÇAS NA JUSTIÇA E NA INJUSTIÇA

 

Reformados gregos.jpg

 

Para uma análise mais objectiva na discussão com menos generalizações refiro alguns dados de fundo para que se possa comparar a realidade entre a rica Alemanha e a pobre Grécia.

 

Segundo refere o Bildzeitung, na Grécia as reformas são gordas porque consomem 17% do produto económico do país, o que significa ocupar o segundo lugar na europa, depois da Itália, na generosidade de um pai estado que para outros se revela padrasto. A maior parte das reformas gregas são financiadas pelo Estado e não por contribuições.

 

Segundo o Frankfurter Allgemein a pensão média na Grécia é de 960 euros e na Alemanha 792 euros. Segundo a dpa, a idade da reforma na Grécia é, em média, 56,3 anos e na Alemanha 64 anos. Na Alemanha quando se entra na reforma passa-se a receber cerca de 68% do que se recebia em tempo activo.

 

O tribunal constitucional grego chumbou as imposições da Troika de reforma das pensões.

 

Mesmo estas diferenças e outras, que levam os alemães a serem renitentes em relação à Grécia, não desarmam o argumento da Grécia de que as economias do Sul devem ser defendidas da avalanche dos países ricos do norte que atacam desmedidamente os fracos de modo a torna-los eternos dependentes, além de lhe destruírem a dignidade individual e nacional com o seu moderno colonialismo. De facto, a mudança social adquirida a nível cultural através da geração 68 (expressão das grandes guerras) com a campanha de destruição de valores como família, tradição e não distinção entre liberdade e libertinagem, em nome dum progresso necessário mas que não deveria ser devastador, está agora a continuar-se com o colonialismo económico por parte de um globalismo económico das potências economicamente fortes que destrói tudo o que é mais fraco sem consideração do legado cultural e civilizacional ocidental. Neste sentido a resistência da Gécia e de outros grupos sociais torna-se muito oportuna.

 

António Justo.jpg 

António da Cunha Duarte Justo

                     Jornalista

PREVISÕES

 

«Todos os homens têm os seus lamentos secretos que o mundo desconhece; e muitas vezes dizemos que ele é frio quando é apenas triste», lê-se em epígrafe, na última página do Público, frase do poeta estadunidense Henry Wadsworth Longfellow (1807-1882), que bem regista os desesperos solitários das almas, resultantes da incompreensão, da dúvida, do medo, do remorso, da cobardia, do sentir-se injustiçado, que o mundo secreto de cada um traz à tona em momentos de solidão e confronto isolado com os porquês sem resposta. Momentos que por vezes desabam em textos traduzindo esses estados de alma, quer em discursos líricos ou em prosa mordaz, quando não de uma serenidade esclarecedora.

Victor Hugo.png Victor Hugo, melhor que ninguém traduziu o amarfanhamento maior do homem, numa aparente submissão que não é mais que incapacidade de contrariar o destino. A morte – por afogamento – da sua filha Léopoldine, mereceu-lhe versos de uma expressão trágica, de aparente resignação que para sempre restarão como expressão da maior dor humana, de que ”À Villequier”, (recitado no YouTube), constitui exemplo que ninguém pode ler serenamente.

 

 https://www.youtube.com/watch?v=NWvMxzSbvmk

 

Maintenant, ô mon Dieu! que j'ai ce calme sombre

De pouvoir désormais

Voir de mes yeux la pierre où je sais que dans l'ombre

Elle dort pour jamais;

Maintenant qu'attendri par ces divins spectacles,

Plaines, forêts, rochers, vallons, fleuve argenté,

Voyant ma petitesse et voyant vos miracles,

Je reprends ma raison devant l'immensité;

Je viens à vous, Seigneur, père auquel il faut croire;

Je vous porte, apaisé,

Les morceaux de ce cœur tout plein de votre gloire

Que vous avez brisé;

Je viens à vous, Seigneur! confessant que vous êtes

Bon, clément, indulgent et doux, ô Dieu vivant!

Je conviens que vous seul savez ce que vous faites,

Et que l'homme n'est rien qu'un jonc qui tremble au vent;

Je sais que vous avez bien autre chose à faire

Que de nous plaindre tous,

Et qu'un enfant qui meurt, désespoir de sa mère,

Ne vous fait rien, à vous !

Voyez-vous, nos enfants nous sont bien nécessaires,

Seigneur quand on a vu dans sa vie, un matin,

Au milieu des ennuis, des peines, des misères,

Et de l'ombre que fait sur nous notre destin,

Apparaître un enfant, tête chère et sacrée,

Petit être joyeux,

Si beau, qu'on a cru voir s'ouvrir à son entrée

Une porte des cieux; 

Quand on a vu, seize ans, de cet autre soi-même

Croître la grâce aimable et la douce raison,

Lorsqu'on a reconnu que cet enfant qu'on aime

Fait le jour dans notre âme et dans notre maison,

Que c'est la seule joie ici-bas qui persiste

De tout ce qu'on rêva,

Considérez que c'est une chose bien triste

De le voir qui s'en va!

 

(in « LES CONTEMPLATIONS»)

 

Traduzo, embora ciente da desvalorização rítmica:

 

Agora, ó meu Deus! Que tenho esta calma sombria

De poder de hoje em diante

Olhar com os meus próprios olhos a pedra a cuja sombra

Sei que ela dorme para sempre;

Agora que enternecido por estes divinos espectáculos,

Planícies, florestas, rochedos, vales, rio prateado,

Olhando a minha pequenez e vendo os vossos milagres

Retomo a racionalidade perante a imensidão;

Venho junto de vós, Senhor, pai em quem se deve crer;

Trago-vos, apaziguado,

Os pedaços deste coração cheio da vossa glória

Que vós haveis quebrado;

Venho junto de vós, Senhor! Confessando que vós sois

Bom, clemente, indulgente e doce, ó Deus vivo!

Convenho que só vós sabeis o que fazeis,

E que o homem não é mais que um junco que treme ao vento;

Sei que vós tendes mais para fazer

Do que a todos lamentar

E que uma criança que morre, desespero da sua mãe,

Para vós nada pode querer dizer!

Olhai, os nossos filhos são-nos bem necessários,

Senhor; quando se teve na vida, uma manhã,

No meio dos males, das tristezas, das misérias

E da sombra que sobre nós faz o destino

Aparecer um filho, cabeça estremecida e sagrada,

Pequenino ser alegre,

Tão belo que se julgou entrever à sua entrada

Uma porta dos céus;

Quando se viu, dezasseis anos, desse outro nós-mesmos

Crescer a graça amável e a doce razão,

Quando se reconheceu que essa criança que se ama

É a luz da nossa alma e da nossa casa,

Que é a única alegria na Terra que persiste

De tudo o que se sonhou,

Considerai que é uma coisa bem triste,

Vê-la que partiu!

 

Tratava-se de uma dor pessoal, a dor que já Job exprimiu, a dor do ser humano, secreta, que ninguém pode desvanecer, salvo o tempo, no seu rolar e o despojamento humilde dos egoísmos próprios, pelo confronto com os males alheios.

 

Mas também nesse sentido trágico, embora global, aponta o artigo de João Miguel Tavares, publicado na mesma página – “Prosperidade sem crescimento” – parafraseando o livro de Tim Jackson com esse título, pondo a tónica sobre a frase assustadora aí citada «num mundo de recursos finitos, constrangido por limites ambientais rígidos ainda caracterizado por ilhas de prosperidade no meio de oceanos de pobreza, será legítimo que o crescimento perpétuo dos rendimentos daqueles que já são ricos sirva de apoio às nossas esperanças e expectativas?» Tal tese condena um mundo em que os recursos do planeta, que são finitos – a continuar a agir-se como se o não fossem, o capitalismo gerando uma riqueza cada vez mais em desproporção com os “oceanos de pobreza”, e contribuindo cada vez mais para a degradação do ambiente – só a catástrofe ecológica têm por horizonte, a não se arrepiar caminho, delimitando ecologicamente as actividades económicas.

 

Tal intróito de João Miguel Tavares serve para apontar severamente a inverdade dos cenários macroeconómicos optimistas propostos pelo PS, no documento “Uma década para Portugal” feitos num objectivo eleitoral que, a acontecerem, levarão o país definitivamente ao descalabro da bancarrota. Para mais, os crescimentos económicos prometidos não podem nem devem ser verdadeiros, os objectivos primordiais na nova disciplina económica devendo ser comedidos para evitar o desastre ecológico. Um texto para se reflectir no significado de genocídio que se pratica nos países industrializados:

 

Prosperidade sem crescimento

João Miguel Tavares.png João Miguel Tavares

Público, 26/5/15

O título desta crónica não é meu, mas de um livro de Tim Jackson, lançado pela editora Tinta da China há dois anos. Jackson é professor de Desenvolvimento Sustentável e o seu livro parte de uma tese que convém começarmos a levar a sério — a de que o crescimento não pode continuar a ser uma obsessão das sociedades ricas: “Num mundo de recursos finitos, constrangido por limites ambientais rígidos, ainda caracterizado por ilhas de prosperidade no meio de oceanos de pobreza, será legítimo que o crescimento perpétuo dos rendimentos daqueles que já são ricos sirva de apoio às nossas esperanças e expectativas?”

Aquele “será legítimo” coloca a questão no domínio moral — é como se “crescer” ou “não crescer” fossem duas opções possíveis, e estivesse nas nossas mãos escolher uma delas. Contudo, essa dimensão moral interessa já muito pouco em 2015, por uma razão simples: a gigantesca crise em que estamos mergulhados está a tratar de impor uma travagem no crescimento nos países do Primeiro Mundo, quer os seus povos e os seus governos a queiram, quer não. Os furiosos opositores do TINA (“There Is No Alternative”) têm aqui mais um motivo para rasgar as vestes: “prosperidade sem crescimento” pode estar a deixar de ser uma de entre várias opções, para passar a ser a única opção possível.

Há no livro de Jackson uma frase do economista Kenneth Boulding que resume muito bem aquilo que está em causa: “Alguém que acredite que o crescimento exponencial pode continuar infinitamente num mundo finito ou é louco ou é economista.” Na verdade, há uma terceira hipótese: pode ser louco, pode ser economista ou pode ser um autor de cenários macroeconómicos do Partido Socialista. Recordem-se os números pressupostos pelo grupo de Mário Centeno no seu documento Uma década para Portugal: crescimento de 2,4% em 2016 e de 3,1% em 2017 (ano em que Bruxelas prevê um crescimento de 1,7% do PIB); desemprego a baixar em 2016 para 12,2%, até chegar aos 7,4% em 2019. Os números do Governo são muito mais modestos e — temo bem — mais realistas: 11,1% de desemprego em 2019 e crescimentos nunca acima de 2,4% (ainda assim, bem mais generosos do que as projecções da Comissão Europeia). Ou seja, é graças a estes números espantosamente optimistas que o PS arranja folga para voltar a aumentar a despesa do Estado nas áreas que considera estratégicas.

Copo meio cheio: que bom que é estarmos a discutir estratégias e programas a quatro meses das eleições. Copo meio vazio: que mau que é continuarmos a discutir estratégias e programas a partir de cenários irrealistas, só para fingir que o país pode voltar ao que já foi. Não pode. Como escrevia recentemente José Carlos Fernandes num ensaio para o Observador sobre o capitalismo, “entre a Antiguidade e a Idade Média, estima-se que as taxas de crescimento tivessem rondado 0,05 a 0,1% ao ano. Durante milénios, o destino mais provável de cada novo ser humano vindo ao mundo seria viver exactamente como viveram os seus pais.” O desenvolvimento do comércio e a revolução industrial vieram mudar tudo isto, e o progresso tecnológico, felizmente, continua. Mas os crescimentos hercúleos no Primeiro Mundo já eram. Dêem-me programas de governo com crescimentos anémicos e as contas a baterem certo, se faz favor: não quero que metade das promessas eleitorais tenha de ir borda fora assim que a realidade começar a desmentir o optimismo destes números. Porque vai desmentir. E toda a gente o sabe.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

 

 

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