Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

O CAVALO TROIANO DE ATENAS E O CAVALO TROIANO DE BRUXELAS

 

 

Sexo e Poder a servir a Excitação – Diferença entre Gregos e Germanos

 

 

Os gregos embrulham o poder com papel couché de sexo enquanto os germanos embrulham o poder com a serapilheira do trabalho! Isto provoca excitação numa sociedade sem capacidade de interpretação mas em que o escândalo é negócio.

 

A Alemanha e a Grécia encontram-se em luta justa mas parcial porque cada uma aposta na sua razão esquecendo que a solução viria de uma recíproca complementação.

 

varoufakis_lagarde.jpg

 

Dinheiro, poder e sexo prometem o que não podem dar mas lisonjeiam a liberdade que, à sombra deles, perde a dignidade/virgindade.

 

A ambição do poder e o desejo sexual movem homens e mulheres dando-lhes uma áurea acrescentada pela prostração das massas. O poder sexy dos Varoufakis, dos Sócrates e até dos Berlusconi torna-se num elixir irresistível que move admiradoras e admiradores pelo facto de unirem o poder ao sexo e deixarem um cheirinho a dinheiro.

 

O poder corrompe, mas vestido de eros adquire um brilho inocente que atrai a alma e ilude o desejo de liberdade. À sombra dos poderosos, a cimentar o seu desejo de conquista, abunda também a fantasia de Cinderelas que, para subirem a escada do poder, fazem uso da sua força erótica. Ao seu desejo corresponde, por vezes, a necessidade dos poderosos solitários que, na aridez da sua ocupação, procuram, também eles, a suavidade da fêmea que lhes dá brilho e gera autoconfiança.

 

Sexo e poder dão brilho à tentação e movem as massas, porque garantem a contínua excitação, especialmente, se não vestidos nos fatos engravatados da tradição que dessexualizam o desejo.

 

O inocente sexo ajuda a vender o produto, ao mover a tentação. Na vida pública e na fachada do poder, a mistura de sexo e autoridade ainda se torna mais atractiva e deslumbrante quando a ela se junta o rastilho da esquerda. O ingrediente esquerdo torna a coisa mais atractiva porque ao sexy acrescenta a ideia da fecundidade que promete dar sustentabilidade ao progresso.

 

Por estas e por outras, o génio grego sente-se melindrado e o espírito protestante engravatado sente-se agravado; ao alemão frontal habituado a andar por caminhos direitos e bem rasgados custa-lhe a entender a mistura que o pacote grego encobre e porque teima tanto em andar por curvas e atalhos.

 

Tal disparidade de formatos leva o germano a concluir que o que o grego tem para oferecer é lábia erótica quando o germano só negoceia com produtos. Para o germano o eros não vai para a rua nem faz parte da exortação à guerra, para ele a rua é batalha e o sexo é sigilo que reforça, mas fica em casa.

 

Por isso a dança de gregos e germanos se torna monótona e repetitiva porque toda ela se dá em torno do cavalo troiano: uns em torno do cavalo de Atenas, outros em torno do cavalo de Bruxelas.

 

Todo o alarido e discórdia vêm de diferentes performances. O poder torna os instintos educados mas o sexo dá-lhe o brilho que não se quer disciplinado. O nosso mundo é todo assim, feito de políticos e poderosos que atraem mulheres e seguidores; tudo pronto a dar cambalhotas como gatos aos pés dos donos, num bulício à volta do bezerro de ouro. O dinheiro tem em si algo oculto que faz brilhar os olhos mas apaga a mente.

 

Também é de reconhecer que uma vida sem tentação seria vida chata e abafada em mel a que faltariam as maviosas modulações dos cânticos da cigarra.

 

Para não ser injusto e à maneira de conclusão, cito o sociólogo Johan der Dennen que constata: ”Também mulheres poderosas têm um apetite sexual acima da média”. Se observarmos Ângela Merkel vemos como é verdadeira e forte a excepção à regra.

 

O problema na UE não vem do papel couché nem da serapilheira, o problema vem do que embrulham e o que embrulham é poder a encobrir o poder!

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

Pedagogo e Teólogo

 

A MATÉRIA DA EUROPA

 

 

A União Europeia nasceu da solidariedade e está em risco por falta de solidariedade. Esta parte é evidente; as dificuldades vêm das estranhas propriedades desta diáfana substância que une e anima a Europa.

 

A solidariedade é muito especial: só funciona em ambos os sentidos e quando todos participam. Assim é fácil pedir solidariedade, exigir solidariedade; difícil mesmo é ser solidário. Isso leva a mal-entendidos, como reclamar solidariedade esquecendo o próprio contributo ou pretender promovê-la ralhando com os parceiros não solidários.

 

Pior, a Europa enfrenta uma das doenças mais terríveis da solidariedade: o proverbial problema da "ovelha ronhosa". O futuro da unidade depende de todos os membros confiarem naquele que mais violou a confiança. Este facto simples, evidente, gritante até, anda muito omisso das conversas sobre o longo drama que devasta o sacrificado povo grego e ameaça a unidade europeia.

 

A União exige que Estados membros e autoridades comunitárias emprestem mais uns largos milhões ao governo grego, para lá de todos aqueles que ele não pagou. Isto apesar de tudo o que os sucessivos governos desse país fizeram para minar a confiança dos parceiros, e de o actual levar o desafio e atrevimento a níveis inauditos. A verdade é que ninguém mostrou menos solidariedade comunitária do que a Grécia, a mesma que agora reclama solidariedade dos parceiros.

 

JCN-derrocada grega.jpg

 

Por outro lado, esta compreensível desconfiança conduziu a Grécia a uma situação incrível, o único país desenvolvido a sofrer uma grande depressão desde os anos 1930. Com economia devastada e desemprego explosivo, o sofrimento atingiu níveis inaceitáveis, o que torna compreensíveis a insolência e a rebeldia do governo grego. Assim o resultado é o impasse.

 

A Grécia é horrivelmente mal gerida há décadas, com uma recorrente subversão do interesse público, sempre capturado por inúmeras formas de corrupção, aproveitamento e oportunismo de grupos instalados. As disfunções sociais do país são evidentes para quem quiser abandonar os mitos e olhar para a realidade.

 

Esta constatação não nos deve levar a uma forma de racismo, atribuindo o problema ao carácter grego. Não é preciso ir à Antiguidade para ver realizações espantosas desse povo. Quando em 1981 o país aderiu à Comunidade, o mais pobre que até então o conseguira, fê-lo de pleno direito, devido às excelentes prestações económica e financeira das décadas anteriores. Tal como Portugal anos depois, a adesão pretendia assegurar a democracia num país com conturbada experiência política mas impressionantes realizações produtivas.

 

O mal não está nos gregos, mas nos hábitos políticos que a integração trouxe consigo. Desde cedo que os ministros helénicos se habituaram a aproveitar todos os ganhos que a Europa concedia, evitando as exigências que a integração trazia consigo. O mal da Grécia é a sua recorrente falta de solidariedade europeia.

 

É inegável que o país se tornou o protótipo do oportunista endividado e abusador, mas também que a Europa tolerou os atropelos e alimentou os abusos. Esta é a razão por que os credores em geral, e a Alemanha em particular, apesar do horror dos últimos anos, não conseguem confiar na Grécia, por ela não mostrar a mais elementar das solidariedades: cumprir regras. E a história não começou ontem; foram quase 35 anos de recorrentes transgressões e esbanjamentos.

 

A crise desde 2008 atingiu o limite e, mesmo aí, confirmaram-se as desconfianças. Enquanto o país se arruinava, muitos grupos conseguiram defender privilégios pagos com dinheiro alheio. É verdade que também noutros Estados as reformas ficaram aquém do planeado; mas ali, ao contrário de parceiros como Portugal, não se cumpriram os mínimos que permitissem às autoridades europeias mostrar benevolência, apesar de o povo sofrer horrores.

 

A recente arrogância do Syriza, por muito compreensível que seja, aumentou a dificuldade. Negar o problema e ralhar com os credores não é forma razoável de ganhar a sua indispensável confiança. Afinal esta última colheita de dirigentes, apesar de livre dos vícios das anteriores e com orientação política radicalmente diferente, mantém a atitude de fundo: o governo grego está menos preocupado com o interesse nacional do que com a satisfação de certos grupos ou princípios ideológicos.

 

Décadas de erros mútuos trouxeram a situação ao ponto limite. Mas a Europa e a Grécia têm de se lembrar de que a matéria de que é feita a Europa é a solidariedade. Se a conseguirem reencontrar, a União não só ultrapassa a crise, como fica mais forte.

 

17 de Junho de 2015

 

Joao César das Neves.jpg JOÃO CÉSAR DAS NEVES

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D