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A bem da Nação

PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS - LISBOA

 

Padrão Descobrimentos-leste.jpg

 Lado de nascente

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Lado de poente

 

O edifício primitivo do Padrão dos Descobrimentos que Cottinelli Telmo esboçou e a que Leitão de Barros e Leopoldo de Almeida deram forma mental e plástica, foi erguido em 1940 por ocasião da Exposição do Mundo Português.

 

Originalmente, era constituído, na sua parte arquitectónica, por uma leve estrutura de ferro e cimento sendo em estafe a composição escultórica formada por 33 figuras, tendo como figura máxima o Infante D. Henrique. Em Belém, reergueu-se o Padrão dos Descobrimentos em betão revestido de pedra rosal de Leiria no decorrer das Comemorações do 5º Centenário da Morte do Infante D. Henrique. O monumento foi inaugurado a 9 de Agosto de 1960.

 

Posteriormente, a República da África do Sul ofereceu para decoração do terreiro de acesso, uma Rosa-dos-Ventos com 50 metros de diâmetro, executada em mármores de vários tipos, contendo um planisfério de 14 metros. Naus e caravelas embutidas marcam as principais rotas dos Descobrimentos.

 

 

VENTOS DE TODOS OS QUADRANTES

 

vento.jpg

 

Público, Domingo, 31 de Maio, “Escrito na Pedra”: “A inconstância deita tudo a perder, na medida em que não deixa germinar nenhuma semente” (Henri Frédéric Amiel , 1821-1881, escritor e filósofo suíço).

 

Serve a citação da epígrafe do Público para corroborar a mensagem de Vasco Pulido Valente do seu artigo saído na mesma página final do Público: “Salvadores”. Com efeito, tanta é a crispação opiniática neste país, tanto o bombardeio sobre um Governo - que, apesar das asneiras que lhe apontam, pretende ir singrando dentro de critérios ponderosos, os quais, se causaram danos fortes, não deixam de ser os necessários para um semear de grãos indispensáveis a uma colheita cada vez mais possível – que, contra o seu propósito que ele pretende certo, os ventos da vozearia e do obstáculo soprando em fúria, impedem o germinar da semente.

 

Vasco Pulido Valente faz o seu retrato duro e certeiro sobre todos eles, incluindo os da governação, revelando a multiplicidade dos palradores e dos candidatos a um desempenho salvador, todos eles franco-atiradores - não é só Passos Coelho - todos eles ansiosos por mergulhar no saco do prestígio pessoal, nenhum deles interessado num comportamento de entreajuda para salvação da pátria, todos eles ditando sentenças de uma miséria intelectual tristemente inócua, “Eolos” da inconstância, dispersando as sementinhas que os que estão agora vão pretendendo fazer germinar…

 

Salvadores

Vasco Pulido Valente

Público, 31/05/2015

O PS prestou um grande serviço aos portugueses quando varreu o Rato do bando de pretendentes que no tempo de Seguro andavam por toda a parte. Agora ficou António Costa sozinho ou, pelo menos, com uma chusma de conselheiros que publicamente não contam nada, nem incomodam a cabeça das pessoas. Claro que António Costa recua e avança, conforme lhe dá na gana, e já ninguém sabe o que ele quer ou para onde vai. Mas tem o benefício de ser o último abencerragem e de comandar um exército com alguma disciplina e um certo senso do disparate. O PS é mais fácil de seguir e de perceber, embora haja demais para seguir e perceber. Basta comparar com a canzoada, que enche a televisão e os jornais com a sua cuisine d’auteur e o seu fervor.

A coligação, à parte a querela de origem entre Passos Coelho e Paulo Portas, não passa de um grupo de franco-atiradores, que ataca quando lhe apetece e se cala quando não lhe apetece, desdiz na terça o que disse na segunda e precisa sempre de um pronto-socorro para os desastres do dia-a-dia. Passos Coelho está sempre de mangueira na mão para apagar o último fogo, que muitas vezes foi ele próprio que ateou. O contorcionismo a que isto obriga deixa invariavelmente o público entontecido e desconfiado. Junto aos vários candidatos à presidência do partido e do Estado cria uma embrulhada que ninguém consegue desatar. Com Marcelo, Rui Rio e Santana Lopes, olhando gulosamente para Belém ou para o PSD, não há maneira de prever um futuro claro e razoável, ou “estratégia” (eles gostam de usar a palavra) que anule a “estratégia” do lado.

Mesmo o CDS, uma agremiação de hábitos mais brandos, resolveu recentemente produzir uma ninhada de substitutos de Paulo Portas, para o caso de ele perder: Assunção Cristas (suponho que pelo novo acordo ortográfico), Mota Soares, João Almeida, Cecília Meireles e Nuno Melo. O que estas personagens pretendem permanece um mistério. Nas franjas da extrema-esquerda, além das caras do costume (do Bloco e do PC), emergiram de repente, sob o patrocínio do Livre, uma dezena de messias (acabados de comprar ou recauchutados) cujo destino é obscuro: Ana Drago, Ricardo Sá Fernandes, Isabel do Carmo, Rui Tavares, André Nóvoa (filho do outro), São José Lapa e criaturas semelhantes. Vêm por um quarto de hora de celebridade ou suspiram de facto por salvar a Pátria. Uma conclusão não deixa dúvidas: com tantos salvadores, a Pátria irá fatalmente ao fundo.

Berta Brás.jpg Berta Brás

MAOMÉ PROFETA EM MECA E GUERREIRO EM MEDINA

 Islão.png

Uma Solução para o Futuro: Identificar os dois Rostos do Corão

 

Para tentar resolver o conflito inerente ao Corão (1) e às Hadith (1) e possibilitar a sua interpretação pacífica no Islão, peritos da religião muçulmana defendem que será indispensável conhecer e reconhecer os dois rostos de Maomé: o do seu período de profeta e o do seu período de guerreiro (chefe de estado), ambos incluídos no Corão. Só assim se poderá ordenar e compreender as revelações ocasionadas pelo arcanjo Gabriel que Maomé teve durante 23 anos e que se dividem nas suras de Meca e nas suras de Medina. Em Meca, Maomé acreditava poder convencer as tribos árabes que praticavam o politeísmo em torno da Caaba e poder reuni-las sob a religião do seu livro em elaboração para o povo Árabe, um livro à semelhança da Bíblia do povo judeu e do povo cristão. Os mequenses não aceitaram a sua mensagem, obrigando-o a abandonar Meca com os seus sequazes. Depois da Hégira para Medina, (Hégira = fuga de Maomé de Meca para Medina, que marca o início (622) do calendário islâmico). Em Medina, Maomé organizou-se como homem de Estado conseguindo subjugar Meca e alargar o islão. Serve-se das revelações de Medina para vincular no Corão a união de Estado e Religião. Esta estratégia revelou-se muito profícua para a época, contribuindo para a expansão do Islão em períodos posteriores.

 

Os Conteúdos das Suras do Corão nas Épocas de Meca e de Medina

 

O Corão é formado por Suras/versos que se dividem em revelações do tempo de Meca e em revelações do tempo de Medina. As suras de Meca eram curtas e dirigidas principalmente aos mequenses; as suras de Medina eram longas e dirigidas principalmente aos habitantes de Medina. Há critérios que os imames usam para distinguir umas das outras. As de Meca ocupam-se com a reverência, o temor de Deus, o castigo de Deus para os pecadores, as provas da existência de Deus, a vida depois da morte, as histórias de Maomé e eventos de gerações passadas e as suras de Medina tratam das normas da sharia, direito civil e de culto, de assuntos de governo/estado, da adesão ao Corão e da luta por Alá (jihad) e da lida com a guerra e seus despojos.

 

Segundo a análise da maioria dos estudiosos muçulmanos as suras de Medina são as seguintes: 2, 3, 4, 5, 8, 9, 24, 33, 47, 48, 49, 57, 58, 59, 60, 62, 63, 65, 66, 110. As restantes 82 suras são as revelações de Meca com excepção de 9:42 revelada em Tabuk e de 43:42, revelada em Jerusalém. Quanto às suras 1, 13, 55, 61, 64, 83, 97, 98, 99, 112, 113, 114 os peritos do Islão não estão certos se são suras das revelações de Meca ou de Medina.

 

O conteúdo entre as suras (revelações) de uma época e da outra são tão contraditórias que literatos chegam a afirmar que Deus mudou de opinião.

 

O antigo imame e professor de história islâmica da Universidade do Cairo Al-Azhar, no seu livro “Islam and Terrorism” adverte, sob o pseudónimo Mark A. Gabriel, que os imames recebem instruções para, na apresentação do Corão, darem mais relevo às suras de Maomé como guerreiro (as suras de Medina).

 

O Islão com a sua reivindicação de validade universal atrai intolerância fomentando a radicalidade dentro da comunidade islâmica em relação aos de fora do islão e, como reacção, a intolerância dos de fora em relação ao Islão. O perito em estudos islâmicos DR. Abdel-Hakim Ourghi apela aos muçulmanos para não esconderem os aspectos violentos de Maomé (Corão). Segundo refere ele, no Bonner General-Anzeiger, Maomé podia ser considerado profeta fundador de uma religião na sua fase de Meca, entre 610 e 622. "Após a sua emigração de Meca para Medina, temos a ver com um estadista que repetidamente tomou medidas violentas contra outras religiões, contra judeus e cristãos".

 

De facto, o Corão e a Sharia precisam de ser submetidos a uma análise histórico-crítica para possibilitar nele um rosto mais pacífico, a valorização do indivíduo e o reconhecimento do próximo (não muçulmano) como ser com igual dignidade. Uma cultura que subjugue o indivíduo e não reconheça a igualdade da dignidade de homem e mulher, está condenada a ficar presa em estruturas sociológicas do passado, tendo de empregar a violência ad intra et ad extra para poder subsistir. Tudo o que não serve o Homem e a Humanidade tornar-se-á supérfluo. O desenvolvimento e a excelência de uma sociedade pode ser comprovado através da maneira como tratam a mulher e o indivíduo.

 

O mundo islâmico, principalmente através de emigração de seus fiéis em massa para a Europa, experimenta um choque de culturas, que vai, pouco a pouco, provocando, no seu meio, a autorreflexão do Islão e o surgir de pessoas como o DR. Ourghi que conseguem elevar a discussão do Corão e da Sharia a um nível filosófico, antropológico e sociológico abertos. Muitos estudiosos do Islão na Europa procuram ultrapassar uma interpretação, até agora limitada à jurisprudência e à história, para possibilitarem a criação de uma ciência teológica no sentido de iniciarem uma teologia muçulmana baseada numa abordagem científica histórico-crítica possibilitadora do seu desenvolvimento no sentido de um Islão com um novo rosto adaptado à realidade circundante e ao tempo e que possibilite uma imagem de Deus/Alá não só ligado a uma cultura mas aberto à globalidade e à multiplicidade das culturas. Para o cientista islâmico DR. Ourghi, uma renovação só poderá ser conseguida "quando o Islão não se compreender como comunidade militante que luta pelo domínio sobre todo o mundo" como apregoam as revelações e os ditos de Maomé de Medina.

 

O permanecer na insistência e alegação de o Islão ser o possuidor e senhor da verdade universal, (e até legitimar com ela a violência contra outras crenças) além de fomentar a intolerância, dá perenidade à perseguição e à guerrilha islâmica impedindo um diálogo aberto e não fingido com outras religiões. De facto, a grande maioria dos peritos e representantes do Islão entrincheiram-se em citações de lindas e poéticas revelações do Corão, calando a verdadeira realidade de uma estratégia baseada no Maomé de Medina. A secundar esta ideia está a prática islâmica de que uma mentira em benefício do Islão é considerada uma verdade ao serviço de Alá.

 

O muçulmano Ourghi critica também a hipocrisia reinante em sociedades islâmicas, atestando de moral dupla estados que têm o Islão como religião de estado, dizendo: “O 'Islão cruel' e a Sharia são válidos apenas para a população pobre, os dominantes não se comportam segundo o Islão.

 

No terceiro „Phil.Cologne“ da cidade de Bona na Alemanha, Ourghi também se expressou criticamente, sobre os organismos de tutela muçulmana na Alemanha. Segundo testemunhou as organizações coordenadoras dos diferentes grupos islâmicos, tal como a União Turco-Islâmica, são controladas por órgãos governamentais dos países de origem.

 

De facto, tabém isto constitui um grande problema porque impede a capacidade de integração de muçulmanos noutros países que se sentem obrigados a terem de se afirmar em contraposição às culturas de acolhimento. A abundância de dinheiro concedida por países islâmicos e magnates para a construção de mesquitas e instituições fomentadoras do islão no estrangeiro torna os países de acolhimento cegos na concessão de direitos para tais planos. Catar e a Arábia Saudita investem centenas de milhões na implantação do islão mais radical na Europa.

 

A ambivalência de Maomé de ser profeta para os de dentro e guerrilheiro para os de fora, possibilitou-lhe a conquista e consequente construção de um grande império muçulmano, vendo-se este hoje obrigado a procurar as melhores suras do Corão para demonstrar o seu espírito pacífico. Esta estratégia torna-se ineficiente num tempo em que cada pessoa passa a ter acesso à formação, à informação e à cultura. A evolução dos povos e das armas de combate na disputa entre religiões e culturas já não é a mesma que no passado, o que pressupõe uma mudança de estratégia. A expansão do Islão no mundo ocidental revelar-se-á como precário dado combater o saber global e, de momento, contar apenas com o apoio de forças políticas e económicas europeias que se vêem obrigadas a engolir cobras e lagartos para poderem captar o capital árabe, mas, numa outra conjuntura, facilmente mudarão de estratégia. As resoluções da Cimeira G7, na sua decisão de até ao fim do século reduzir as energias fósseis determinarão o total enfraquecimento económico dos países produtores de petróleo e de carvão.

 

Em tempos de globalização, manter-se preso no tempo e na cultura árabe impossibilita o desenvolvimento e a adaptação ao Homem e ao tempo; a cultura árabe, para poder acompanhar a mudança de paradigma da sociedade ocidental terá de submeter a sua religião a um aferimento científico que a torne capaz de dar resposta ao desenvolvimento do cidadão e poder viabilizar o seu contributo indispensável para a sociedade ocidental que precisa urgentemente de correcções que a civilização árabe poderia ajudar a efectivar.

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António da Cunha Duarte Justo

Teólogo

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