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A bem da Nação

DE GRITOS!

 

Transcrevo da Internet:

O espaço público é considerado como aquele que seja de uso comum e posse de todos. Entendendo-se a cidade como local de encontros e relações, o espaço público apresenta, em seu ambiente, papel determinante. É nele que se desenvolvem atividades colectivas, com convívio e trocas entre os grupos diversos que compõem a heterogénea sociedade urbana. A existência do espaço público, portanto, está relacionada directamente com a formação de uma cultura agregadora e compartilhada entre os cidadãos.

A rua é considerada o espaço público, sendo o elemento articulador das localidades e da mobilidade, pode ser considerada a formadora da estrutura urbana e da sua representação. De acordo com Kevin Lynch (Lynch, Kevin. A imagem da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1988). Também é o local principal em que se forma a imagem da cidade, já que é por ela que os habitantes transitam e tem a oportunidade de observá-la e entendê-la.

Alamedas, praças e parques têm ainda a função de prover, aos espaços urbanizados e edificados, áreas verdes e de lazer.

 

Benfica no Marquês.jpg

 

Vasco Pulido Valente agarra politicamente no tema, a propósito dos distúrbios aquando da “festa benfiquista” que redundou nas “rapaziadas” próprias dos nossos hábitos de estragação, forma por excelência de ocupar o nosso tempo de desconcentração e spleen. Dantes falava-se em “fado, futebol e Fátima” das nossas predilecções culturais, hoje podemos afirmar que evoluímos nisso à grande, como povo de grande força anímica, tanto para fazer como para desfazer, e o futebol é disso prova. Nada melhor que o “espaço público”, como pertencente à colectividade, para darmos vazão ao nosso espírito gritante, por muito que na Grécia e na Roma Antigas já se usasse civilizadamente recurso a licenças e controles, para a necessária ordem. Mas o tempo é de intifadas. Na falta de pedras, servem os cacos das garrafas bebidas.

 

O espaço público

Vasco Pulido Valente

Público, 23/05/2015

Os clubes de futebol gastam do seu próprio bolso 2,5 milhões de euros por ano para manter a ordem antes, durante e depois dos jogos. Parece muito, mas também o Estado contribui com 3,5 milhões para ajudar a que o cidadão se possa divertir em sossego. Os distúrbios no Marquês de Pombal foram provocados por uma mistura de oportunismo político e de inconsciência. A PSP fez saber à Câmara Municipal de Lisboa que se opunha à “festa” do Benfica e, sobretudo, à criação de um palco circular e à venda de bebidas.

A câmara alegadamente não se ralou. Como negou que a Associação de Bombeiros Profissionais de Lisboa acusasse o Benfica de não ter garantido as “condições de segurança” a um “evento” para que se esperavam entre cem a duzentas mil pessoas. Pior ainda o comando de intervenção não mandou fardar as suas tropas, prevendo qualquer possibilidade de violência; 16 polícias ficaram feridos, e cento e tal civis, porque da câmara ao corpo de intervenção ninguém quis desgostar os benfiquistas em véspera de eleições.

No meio desta desgraça, um ou outro político levantou a questão do “espaço público”. Para meu espanto, Pedro Santana Lopes foi o primeiro e o mais taxativo. Disse ele: “Celebrações de futebol, cada uma no seu estádio.” “Se querem fazer mal”, acrescentou, que o façam em casa. A ideia de que o espaço público de uma cidade serve para uso privado de qualquer cidadão é aberrativa. O “espaço público”, como o nome indica, serve por natureza para o uso e a conveniência da colectividade. Ninguém pode pedir a ninguém que o evite, ou mesmo que “lhe fuja”, em nome de fins particulares (desportivos, musicais, políticos, religiosos) sem a licença da polícia, o estabelecimento de alternativas e a vigilância da autoridade. A isto se chama “civilização”, já conhecida na Grécia e em Roma.

O eng. Nuno Abecassis mandou pôr um muro à volta de uma parte de Belém para alugar lotes a tabernas que vendiam sardinhas. Sá Carneiro mandou remover essa cangalhada pseudopopular. Hoje não há cão nem gato que não se sinta no direito de ocupar as ruas e as praças de qualquer cidade para ouvir um cantor ou um “grupo”, ou comer numa “feira gastronómica” sem vestígio de sentido, ou celebrar um aniversário obscuro. Esta excitação acabou por ser uma actividade normal que o Estado protege e subsidia. Mas, muito enfaticamente, não é.

Berta Brás.jpgBerta Brás

OS CEREAIS NO ALENTEJO – 2

 Trigo no Alentejo.jpg

 

Continuando a explicação, iniciada no Linhas de Elvas de 21-5-2015, das razões porque considero importantes a drenagem dos solos e as rotações das culturas, para aumentar a produção de trigo em condições económicas no Alentejo, tratarei hoje da drenagem. Baseio-me nas observações do Eng.º Agrónomo Sardinha de Oliveira, em relação à meteorologia, e nalguns casos posteriores que as confirmam.

 

O Eng.º Sardinha de Oliveira mostrou que, nos anos de Inverno chuvoso, a produção de trigo era baixa, por muitas terras ficarem alagadas e as raízes não poderem crescer em profundidade. Como no Alentejo se passa muito rapidamente de um Inverno frio e chuvoso para um Verão quente e seco, as raízes superficiais não dão defesa contra a seca. Se o Inverno foi pouco chuvoso e o campo não ficou saturado de água, as raízes não sofreram asfixia, cresceram em profundidade e, chegado o tempo quente, puderam aproveitar a água que ainda se conservava nas camadas inferiores do solo. Alguns anos de seca levaram pessoas experientes a declarar que, nas searas, se iria colher gelha. Os resultados, não sendo os de um ano bom, foram muito melhores do que muitos esperavam.

 

Do artigo “A drenagem das terras e a produção de cereais” ("Linhas de Elvas" de 27 de Maio de 1994), transcrevo:

“No ano agrícola 1988-1989, que se seguiu a anos de Inverno chuvoso, as condições meteorológicas nesse período crítico invernal foram muito favoráveis e, num artigo (Drenagem e Rotações. Dois temas de grande importância para a agricultura do Alentejo. DIAgrícola, Suplemento do “Jornal de O DIA”, Nº 14, de 20 de Junho de 1989) escrito em princípios de Maio de 1989, previa que fosse ‘um ano bom de trigo – talvez mesmo um ano excepcionalmente bom.

 

Algumas chuvas no período primaveril vieram ajudar. As minhas previsões confirmaram-se e a produção de trigo em Portugal, foi, nesse ano, cerca de 50% superior à média do decénio, o que vem reforçar a ideia da grande importância da drenagem dos solos, como chamei a atenção noutro artigo no mesmo jornal.”

Também tratei de drenagem e rotações no artigo "Que fazer com 900 mil hectares de sequeiro no Alentejo" ("Correio Agrícola" nº 164, Outubro de 2002), em resposta ao artigo "Que fazer com 900 mil hectares de sequeiro no Alentejo?", no jornal "Público" de 14-6-2002.

 

Destes factos podemos concluir que a solução é conseguir que nunca a água se acumule de forma a saturar o solo, ou seja, instalar um bom sistema de drenagem, pelo processo mais adequado ao local. Quando isso se generalizar, desaparecem os anos maus causados por um Inverno muito chuvoso.

 

Publicado no "Linhas de Elvas" de 4 de Junho de 2015

 

Prof. Miguel Mota Miguel Mota

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