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A bem da Nação

JUDEUS SECRETOS E O APERTO DE MÃO

 

Cumprimento.jpg

 

Os portugueses têm o estranho costume de não “cruzar” apertos de mão. Isto é, quando quatro pessoas se cumprimentam simultaneamente, tenta evitar-se que os braços se intersectem durante o aperto de mão, formando uma cruz. Quando confrontados por estrangeiros perplexos, desconhecedores do costume, em regra, os portugueses não sabem explicar a razão de ser desta tradição, relegando-a para a vasta categoria das “superstições populares”.

 

Na verdade, a origem do estranho gesto remonta aos finais do século XV, altura em que os judeus portugueses foram forçados a converter-se ao catolicismo sob pena de morte. Para muitos, a conversão assumiu apenas um aspecto exterior, continuando o judaísmo a ser praticado dentro de casa, de forma secreta e escondida. Vários historiadores compilaram listas de orações criptojudaicas quinhentistas – algumas sobreviveram até aos nossos dias na comunidade de Belmonte – que denotam uma tentativa de manter viva a ligação ao judaísmo. A mais conhecida será a oração dita pelos cristão-novos/cripto judeus ao entrar numa igreja: “Nesta casa entro mas não adoro pau nem pedra mas sim o Deus que tudo governa, Adonai, Deus de Israel” (in Os Cripto judeus da Faixa Fronteiriça Portuguesa, Eduardo Mayone Dias, 1997).

 

Da mesma forma, outros gestos quotidianos seriam influenciados por esta necessidade de manter afastados os símbolos da religião que lhes fora imposta à força. A cruz (e os crucifixos) era vista pelos cristãos-novos portugueses como um símbolo aziago e, como tal, a evitar a todo o custo. Segundo David M. Gitlitz, professor da University of Rhode Island, no seu livro Secrecy & Deceit: The Religion of the Crypto-Jews, é neste contexto que judeus portugueses forçados ao catolicismo começam a evitar cruzar braços quando apertam a mão a alguém, afirmando que o gesto “dá azar”. O mesmo costume alargou-se também à representação acidental da cruz à mesa, evitando cruzar facas e garfos.

 

A assimilação dos judeus forçados à conversão, que ocorreu nos séculos posteriores, levou à propagação da prática, tornando-a parte do subconsciente colectivo nacional – chegando mesmo a implantar-se também em algumas regiões do Brasil, onde durante o período colonial existiram comunidades significativas de cripto-judeus, nomeadamente no Recife e na Bahia.

 

Hoje, ironicamente, o mais católico dos católicos continua a evitar “fazer cruzes” quando aperta mãos, desconhecendo que o gesto surgiu como resistência, e mesmo rejeição, ao catolicismo imposto à força aos judeus portugueses no século XV.

 

Nuno Guerreiro Josué.png Nuno Guerreiro Josué

 

http://ruadajudiaria.com/?p=208

HORROR: NAQUELES TEMPOS E NESTES

 

Uma Revista Expresso, de 1 de Maio de 2015, plena de informação e crítica, a começar na “Pluma Caprichosa” de tanto saber e sabor, sobre os casos dramáticos da África e do ocidente asiático, entregues aos bichos, que é como quem diz aos peixes mediterrânicos, depois dos traficantes “negreiros” lhes terem marcado a rota e bebido o sangue do moderno auxílio humanitário contra a demais barbárie perpetrada entre os seus povos, com a conivência do mundo ocidental que, depois da liberdade que magnanimamente lhes concedeu – no caso africano - em vez de os amparar, semeando entre eles os instrumentos e a educação para o progresso, os abandona à selvajaria dos seus novos ditadores – não mais exploradores, como foram os primitivos colonizadores – aos quais fornecem as armas – e, nos casos de mais esplendor e cultura, a modernidade e o luxo asiático de cortar a respiração. E sempre em benefício próprio, a troco do “ouro negro” necessário à manutenção do seu poderio no mundo. Um cinismo efectivo nas relações do Ocidente ou do Norte, com esses povos - as ajudas humanitárias por um lado, o fornecimento de armas cauteloso, por outro – e, como resultado, as hordas de desgraçados em busca de sossego, milhares deles encontrando-o nos pélagos profundos do “mare nostrum”, para horror universal.

 

Outro texto de uma “literatura” sombria, porque eivada de preconceito antigovernamental, é o do comendador Marques Correia, uma cena de auto “vicentino”, com o Anjo Santana tentando proteger os dois governantes Passos e Portas, caídos de borco em devassidão etílica, humor destrutivo, de mensagem não superior à dos homens e mulheres que na “Opinião Pública” da Sic Notícias exprimem os seus saberes e as suas iras, industriados pelo verbo altissonante dos seus chefes do discurso unilateral.

 

“Atrás das Grades” fez-me ler o texto sobre Carlos Cruz, as informações sobre a forma como ele passa os dias, sobretudo escrevendo e longe da filha, no impasse de ganhar a liberdade se reconhecer a culpa, sujeito a tratamento hospitalar, ou continuar preso. Como a não reconhece, ali se mantém, na sua prisão, quem sabe se em auto expiação cujo mérito aceita. A extraordinária vida de um homem inteligente, sardónico, talvez devasso, que nos habituámos a admirar, antes do “escândalo” que ensombrou este país, e a que seguiriam tantos mais de calibre vário!

 

E novamente os “Migrantes”, em reportagem de Cristina Pombo e Luís Barra, plenos de informações e de revolta piedosa.

 

E “Os últimos dias de Hitler”, de vastos dados sobre as monstruosidades vividas na altura.

 

Retomo, a propósito, Vasco Pulido Valente, no Público, resumindo o tema (em efeméride de suicídio que não possibilitou a punição vingativa dos homens), no artigo “A morte de Hitler”, com a dimensão esclarecedora de sempre:

 

Queda de Berlim 1945.jpg

 

A morte de Hitler

3 de Maio de 2015

 

Hitler não morreu em Maio; morreu no dia 30 de Abril, antes da rendição. Não o mataram, ele próprio se matou com um tiro na cabeça e, para segurança, com uma cápsula de cianeto.

O último ano da guerra, quando o Reich já não tinha salvação, foi o ano da guerra em que mais pessoas morreram e foram expulsas mais pessoas dos sítios onde tinham nascido e vivido durante séculos. À volta de 5000 maiorais do nazismo também se mataram para escapar às mãos do exército aliado, que sabiam determinado a fazer alguma justiça. Os “notáveis” conseguiram escapar e uma dúzia acabou em Nuremberga, onde a julgaram e acabaram por enforcar. Entretanto, e para bem da humanidade inteira, desabava um mundo, que felizmente jamais será possível reconstituir.

Em 1943, em Kursk, os russos liquidaram a força e a organização da maioria dos corpos blindados de Hitler e começou a ofensiva aérea da América e da Inglaterra que iria destruir a aviação alemã (e não simplesmente, como hoje às vezes se alega, bombardear civis). No meio desta radical revolta, Hitler resolveu passar à ofensiva contra a opinião maciça do Estado-Maior. Não queria esperar passivamente a sua derrota e não lhe interessava poupar a Alemanha a mais sofrimentos. Já sem a mais ténue ligação com a realidade, desguarneceu a frente oriental para atacar Eisenhower e Montgomery no preciso ponto em que ganhara em 1940. Mas perdeu, e perdendo, desperdiçou também o resto do seu melhor armamento e o resto dos militares ainda capazes de lutar.

Daí em diante, a guerra passou a ser uma carnificina, em que a Hitler assassinou sistematicamente qualquer homem ou criança a que arranjou maneira de deitar a mão. Cercado em Berlim, no “bunker” da Chancelaria, não deixou por isso de dirigir exércitos que só existiam na sua imaginação e executar as personagens por quem ele se achava traído. Milhares morreram assim, dentro e fora dos campos de concentração, enquanto o Exército Vermelho entregava a Prússia Oriental e uma parte da Silésia aos polacos e a Checoslováquia expulsava os “sudetas” para a Alemanha: 11 milhões de alemães apareceram subitamente nas zonas de ocupação inglesa e americana. Deste apocalipse Hitler concluiu, num testamento sentimental e mentiroso, que a culpa era da conjuração judeu-bolchevique, que nunca existira, excepto como pretexto para ele matar 55 milhões de pessoas. A presunção de progresso e o primado da vida humana acabaram assim e, mesmo hoje, tremem a cada assalto.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

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