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A bem da Nação

IDIOSSINCRASIAS

 

Somos bons. Verifica-se até nas anedotas que fulguram nos e-mails. O meu filho Ricardo, que sempre teve um humor malandro, tem o condão de as encontrar e muitas vezes mas envia, anedotas que chegam até ele através da rede sacrossanta da Internet, cheia de pequenos elfos da sua floresta mirabolante em luz e cor, com muita escuridão de mistura.

Acabo de ler  a sua anedota e logo pensei nestes portugueses bonzinhos, sem coragem para matar o bicho, embora usando truques para se livrarem dele e acabando por se saírem mal na história, necessitando de recorrer aos serviços do bicho esperto. Quem diz portugueses, diz os alentejanos da história, que, porque vivem no calor e na amplidão do espaço, têm de ser forçosamente lerdos, o que não é verdade, por muito que as suas canções nos revelem essa sua faceta da cálida lentidão.

Mais uma anedota, pois, como contributo para as nossas hormonas da felicidade:

 

O GATO DO ALENTEJANO

Um alentejano queria livrar-se de um gato. Levou-o até uma esquina distante e voltou para a casa. Quando chegou a casa, o gato já lá estava. Levou-o novamente, agora para mais longe. No regresso, encontrou o gato novamente em casa. Fez isso mais umas três vezes e o gato voltava sempre para casa.

Furioso, pensou: 'Vou lixar este gato!'

Pôs-lhe uma venda nos olhos, amarrou-o, meteu-o num saco opaco e colocou-o na mala do carro. Subiu à serra mais distante, entrou e saiu de diversas estradinhas. Deu mil voltas... e acabou por soltar o gato  no meio do mato. Passadas umas horas, o alentejano liga para casa pelo telemóvel...

 - Tá, Maria, o gato já chegou? - Sim...

 - Ainda bem, deixa-me falar com ele porque eu estou perdido.

gato.jpg

 

 

Berta Brás 2.jpgBerta Brás

OS CEREAIS NO ALENTEJO - 1

 

 

O programa “Olhos nos olhos”, na TV, em 6 de Abril de 2015, teve como convidado o ex-ministro da Agricultura Capoulas Santos, que fez uma equilibrada apreciação da agricultura portuguesa, focando o desenvolvimento dado nos últimos anos e salientando a grande importância do Alqueva.

 

Referiu a recente diminuição do défice comercial agrícola, pois agora exportamos mais e importamos menos produtos agrícolas. Lembrou que a importação de cereais pesa muito no défice, pois a nossa produção de trigo, foi diminuída.

 

O Dr. Medina Carreira perguntou  “e não tem solução?” Na sua resposta, o Dr. Capoulas Santos não indicou qualquer forma de reduzir o défice em cereais, mas disse que a ideia será compensar esse défice com as exportações de produtos que mais facilmente podemos produzir, como vinho, azeite, hortícolas e frutas.

 

O problema do défice do trigo, é grave, não só pelo custo das importações mas porque é um bem essencial. Se ficarmos sem a importação, por motivo de guerra, por exemplo, as privações serão muito grandes. Lembro sempre que os povos são mais facilmente derrotados pela fome do que pelos canhões. Na Idade Média, a menos custosa forma de conquistar uma cidade era cercá-la e esperar que a comida acabasse.


 

Admito que, mesmo no sequeiro alentejano, possa vir a ser viável a cultura do trigo. Para além de novas e melhores variedades, que a investigação agronómica portuguesa produzia com regularidade, antes da destruição a que foi submetida e de que ainda não recuperou, considero particularmente importante duas práticas agrícolas bem conhecidas: a drenagem dos solos e as rotações das culturas. Sobre esses dois temas tenho publicado muitos artigos, vários deles neste jornal, o mais recente “A drenagem” (24 de Abril de 2013), mas também noutras revistas e jornais para agricultores.

 

Correndo o risco de me repetir, irei desenvolver mais os dois temas porque a resposta do ex-ministro Capoulas Santos à pergunta do Dr. Medina Carreira sugere não acreditar nessa possibilidade. O leitor pode pensar que sou eu que estou errado, que esses dois temas não têm a importância que lhes atribuo, e poderá concluir que o Alentejo terá mesmo que deixar de cultivar trigo ou, como actualmente, em área muito limitada, longe da produção necessária e obrigando a avultadas importações. Isso seria extremamente grave para o país, pelas razões indicadas, o que torna importante envidar todos os esforços para que tal não aconteça ou sejam reduzidas as quantidades a importar.

Os elementos em que me baseio são suficientemente evidentes para manter a minha opinião. Para os transmitir aos leitores será necessário um desenvolvimento, que apresentarei em próximos artigos. Mas vi recentemente que, no último meio século, enquanto Portugal reduziu a sua produção de trigo, a Espanha triplicou-a.

 

Publicado no “Linhas de Elvas" de 21 de Maio de 2015

 

Miguel Mota.jpg Miguel Mota

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