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A bem da Nação

IRENA SENDLER

 

Irena Sendlrer 1.png 

 

Enviou-me a Conceição Sarmento, minha colega de outrora, um e-mail sobre esta heroína polaca da Segunda Guerra, – Irena Sendler (1910/2008) – cuja vida e acção heróicas, já transpostas em filme, a Internet também descreve. O apelo é para que não se quebre esta cadeia da mensagem e julgo não a quebrar transportando-a para o meu blog. Não necessita de comentários e penso que ninguém a lerá impassível. A própria ajuda do soldado alemão, que lhe disse “Corra!” em polaco, para ela escapar à morte, nos deixa comovidos, a pensar no que esses próprios alemães sofreriam, apanhados nos tentáculos da política demente do seu chefe, e arriscando-se eles próprios com acções de solidariedade transgressora, tal como as famílias polacas que recebiam as crianças judias salvas por Irena. Sempre o Bem em confronto com o Mal, sempre uma flor crescendo, no meio do lixo…

 

O email:

Zegota (Resgate)

 

Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações. Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã!).

 

Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de sarapilheira na parte de trás da sua camioneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da camioneta um cão, a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto. Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.

 

Enquanto pôde manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças. Por fim os nazis apanharam-na. Souberam dessas atividades e em 20 de Outubro de 1943 Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infame prisão de Pawiak, onde foi brutalmente torturada. Num colchão de palha, encontrou uma pequena estampa de Jesus com a inscrição: “Jesus, em Vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II.

 

Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou trair os seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Já recuperada foi, no entanto, condenada à morte. Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um "interrogatório adicional". Ao sair, ele gritou-lhe em polaco: "Corra!"

 

Esperando ser baleada pelas costas, Irena, contudo, correu por uma porta lateral e fugiu, escondendo-se nos becos cobertos de neve até ter a certeza de que não fora seguida. No dia seguinte, já abrigada entre amigos, Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados que os alemães publicavam nos jornais. Os membros da organização Żegota ("Resgate") tinham conseguido deter a execução de Irena, subornando os alemães e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa. Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, guardadas num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim. Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família. A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais, ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adoptivos.

 

Em 2006 foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz... mas não foi selecionada. Quem o recebeu foi Al Gore pela sua campanha sobre o Aquecimento Global.

 

Não permitamos que alguma vez esta Senhora seja esquecida!!

 

Passaram já mais de 60 anos desde que terminou a 2ª Guerra Mundial na Europa. Este e-mail será reenviado como uma cadeia comemorativa, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos (inclusive 1.900 sacerdotes católicos ), 500 mil ciganos, centenas de milhares de socialistas, comunistas e democratas e milhares de deficientes físicos e mentais e que foram assassinados, massacrados, violados, mortos à fome e humilhados, com os povos do mundo muitas vezes olhando para o outro lado...

 

Agora, mais do que nunca, com o recrudescimento do racismo, da discriminação e os massacres de milhões de civis em conflitos e guerras sem fim em todos os continentes, é imperativo assegurar que o Mundo nunca esqueça. Gente como Irena Sendler, que salvou milhares de vidas praticamente sozinha, é extremamente necessária.

 

 Irena Sendler 2.jpg A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade. - Irena Sendler

 

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

FORA DA CURVA NO DIA DAS MÃES

  

Será isto o Islão do entendimento?

O ensino nas mesquitas?

 

FGA-Farkhunda.jpg

 

Farkhunda. Não é preciso saber pronunciar correctamente o prenome dessa afegã de 27 anos para embarcar na corren­te de indignação. Adesões têm-se mul­tiplicado há dois meses, atravessaram fronteiras e percorrem as redes sociais em todas as línguas imagináveis. Para a histórica revista feminista "Ms.”, co-fundada por Gloria Steinem nos anos 1970, o caso da jovem merece ser cha­mado de crime contra a humanidade.

 

Filha de pai engenheiro e mãe com ensino médio completo, Farkhunda cursara a faculdade de Matemática antes de optar pelos estudos do Direi­to Islâmico numa madrassa. Nascera, portanto, numa família de formação excepcional para um país que há qua­tro décadas está em guerra ou foi go­vernado por extremistas do Talibã que proibiam meninas de estudar.

 

Na manhã de 19 de Março passado, a jovem decidiu enfrentar o bando de ambulantes que vendia amuletos para mulheres numa mesquita adjacente a um famoso santuário de Cabul. Fark­hunda considerava imprópria a atividade mercantil naquele local de oração, e também criticava a actuação de videntes que apelavam à superstição de fiéis. Pretendia convencê-los a sair dali.

 

O que se seguiu à luz do dia no pátio de uma mesquita a poucos metros do palácio presidencial, numa cidade que é a 64a maior do mundo, foi selvagem.

 

Diálogo não houve e a discussão, breve, logo atropelada pela acusação fatal, em voz alta, de um funcionário do santuário: "Essa mulher é uma in­fiel. Ela queimou páginas do Corão." De imediato o esparso aglomerado inicial de gente adensou-se e virou multidão, com centenas de homens fechando um cerco em torno de Fark­hunda e passando a xingá-la.

 

De um dos muitos punhos veio o primeiro soco, seguido de pedras e paralelepípedos. Um dos golpes com tábua de madeira a fez voar. O véu lhe foi arrancado como blasfémia. Nem quando ela já estava abatida no chão a selvajaria diminuiu: houve homen­zarrões que deram pulos de vitória em cima do corpo estendido.

 

Essas e outras tantas sequências fo­ram sendo captadas pelos celulares em mãos das crianças e adolescentes que iam se esgueirando em busca do melhor ângulo. Horror maior do que o close do rosto desfigurado da jovem talvez seja a imagem da mão infantil que segura o celular e busca esse close do rosto desfigurado.

 

Ao final, um dos perpetradores ainda passou o automóvel por cima do corpo de Farkhunda, que é arrastado por algu­mas ruas de Cabul e incendiado numa das margens do rio poluído da capital.

 

Em momento algum um só polici­al presente interveio ou fez menção de intervir.

O sinal de que tudo isso poderia não ser totalmente em vão ocorreu no momento do enterro, quando o país que assistia à transmissão viu o cai­xão ser carregado só por mulheres, ao arrepio da milenar tradição de om­bros masculinos. Um solitário pinhei­ro também havia sido plantado por activistas de um pequeno partido de oposição no local em que o corpo da jovem fora incendiado. "Se não levan­tarmos a voz, mais Farkhundas have­rão de ser incineradas no inferno do islamismo”, explicara o líder do grupo.

Entidades feministas mundiais decretaram uma espécie de estado de alerta enquanto no Afeganistão a pa­lavra de ordem, abraçada por homens e mulheres, passou a ser "Somos to­dos Farkhunda. Queremos justiça"

 

Não teve outro jeito. As autoridades afegãs tiveram de admitir que a jovem vivera como muçulmana devota e que era falsa a acusação da queima de páginas do Corão feita pelo funci­onário do santuário.

 

Assim, Farkhunda passou de pária a mártir e começa a ser vista como heroína por ter desafiado um homem na defesa do Islão.

 

Esta semana, um tribunal de primei­ra instância de Cabul anunciou as sen­tenças para 30 dos 49 acusados pela morte da jovem: quatro condenações à morte, oito condenados a 16 anos de prisão e 18 absolvidos, entre eles o que achou necessário passar com o carro por cima do corpo inerte. Os 19 restan­tes são todos policiais acusados de ne­gligência, cujas sentenças devem ser anunciadas ainda hoje.

 

É possível celebrar o fato de a famí­lia de Farkhunda ter decidido adoptar orgulhosamente o nome da filha co­mo sobrenome, quando é comum afegãos se identificarem a vida inteira apenas pelo prenome. Ademais, con­trariamente à insistência da polícia para que saíssem da capital, todos continuam morando em Cabul.

 

Outros aplaudem o compromisso assumido pelo Ministério de Ques­tões Religiosas de banir tanto vende­dores de amuletos quanto videntes em santuários. Fala-se até mesmo em renomear uma rua em homenagem à jovem.

 

Ainda assim, a reabilitação de Karkhunda através de sua morte não elimina a distorção principal de que foi alvo em vida. Farkhunda morreu aba­tida como animal por ser mulher.

 

In “O Globo”, 10/05/2015

 

FGA-Dorrit Harazim.png Dorrit Harazim

 

N.- Se alguém tiver coragem que veja na Internet (procure Farkhunda) a bestialidade de fotos e de vídeos.

 

São um horror. Só isto já justificaria tudo quanto os americanos lá andam a fazer. Infelizmente mal feito, como é hábito deles.

 

Os homens, em bando, são uns covardes fdp! Riem olhando para a mártir enquanto a arrastam, morta, e continuam a apedrejá-la! Como se fosse um joguinho! Infâmia.

 

Um clérigo ainda levantou a voz para dizer que ela "tinha merecido o que lhe fizeram!"

 

Um drone que “cumprimentasse” aquela mesquita seria um bem para a humanidade!

 

A nossa capacidade criativa jamais poderia pensar que tal bestialidade pudesse existir. COVARDES!

 

10/05/2015

 

Francisco Gomes de Amorim

Francisco Gomes de Amorim

TRETAS #05

 

BES, UMA HISTÓRIA MAL CONTADA (IV)

Papel de fantasia.jpg

 

PAPEL DE FANTASIA (2)

 

  • “Como é que foi possível?” pergunta mesmo quem não tenha um cêntimo em risco no papel comercial do GES. Foram leis demasiado permissivas? Foi o Supervisor que não soube, ou não quis, agir? Foi gente especialmente astuta que encontrou maneira de contornar a lei e fintar o Supervisor? De facto, foi tudo isto - e algo mais.
  • E esse algo mais é algo de genético, muito nosso. Por cá, o rigor conceptual na lei e na norma é uma flor rara, o desenho legal dos mercados financeiros (e de tantos instrumentos financeiros), um quebra-cabeças que uma linguagem pretensamente técnica ainda mais complica - e nada disto contribui para a segurança jurídica que, neles, é o bem mais precioso. Entre nós, as leis e as normas, redigidas por juristas e para advogados, parecem feitas à medida de serem espezinhadas pela astúcia sem ficar rasto de culpado.
  • Eu explico-me, começando pela notória imprecisão de conceitos que arrasta tudo o resto.
  • Nas audições parlamentares sobre o caso BES/GES, interrogadores e interrogados referiam, ora regulação/reguladores, ora supervisão/supervisores, com o maior à vontade, indiferentemente, como se fosse tudo a mesma coisa - e não é.
  • A regulação fixa o que as entidades sujeitas a regime prudencial devem fazer, ou abster-se de fazer, para que os mercados financeiros sejam juridicamente seguros, funcionem com eficiência, neles prevaleça uma sã concorrência e os investidores não sejam levados ao engano. A supervisão vigia para que, no dia a dia, seja mesmo assim. Se o que estava em causa era apurar o que tinha falhado e quem tinha falhado, havia que distinguir, com meridiana clareza, as falhas de regulação das falhas de supervisão. Tal não aconteceu.
  • “Intermediários financeiros”. Eis o termo com que legislador, reguladores e práticos designam correntemente as Instituições Financeiras (IF), em geral. Não lhes ocorre que o termo aponta, não para uma dada categoria de pessoa jurídica (as IF), como pretendem, mas para o tipo de operação em que a IF seja parte.
  • Intermediação financeira (pedir emprestado para emprestar) é, apenas, uma das formas de intermediação que caracterizam as economias de base contratual. As outras são: (i) a intermediação comercial (comprar para revender) - o que as IF fazem com valores mobiliários (Acções, Obrigações, papel comercial, etc.), por exemplo; (ii) a intermediação fiscal (tributar, extorquir, para despender) - que as IF não fazem porque não as deixam, mas talvez gostassem de fazer; (iii) a intermediação monetária, que só os Bancos Comerciais podem exercer - e que não vem aqui ao caso.
  • Contudo, basta olhar com olhos de ver para um qualquer mercado financeiro, por mais rudimentar que seja, para constatar que as IF intervêm também como simples prestadoras de serviços (serviços financeiros, obviamente).
  • No caso do papel comercial do GES, seria essencial trazer à luz do dia em que qualidade interveio o BES: (i) se como intermediário financeiro, subscrevendo (ou comprando a quem subscreveu) para revender aos seus Balcões; (ii) se como prestador de serviços que pôs em contacto, já emitentes e investidores, já investidores entre eles.
  • É que os deveres (e as correlatas responsabilidades) que impendem sobre uma IF que actua como intermediário financeiro (ou seja, que envolve o seu Balanço na operação) pouco têm em comum com aqueles outros deveres (e responsabilidades) que a atingem enquanto prestador deste ou daquele serviço financeiro.
  • O facto de, durante as audições parlamentares, todos, na esteira da CMVM e do BdP, falarem só em “intermediários financeiros” fez com que passasse despercebido este ponto essencial: em que qualidade agiu o BES, neste caso do papel comercial do GES? Dito de outro modo: (i) que operações tiveram lugar? (ii) que deveres contratuais e prudenciais violou o BES nessas operações? (iii) que responsabilidades assacar-lhe?
  • Vem na lei pertinente que o papel comercial é um instrumento “monetário” - o que deixa entrever que se trata de um instrumento de dívida com funções monetárias (isto é, que pode ser entregue em pagamento de dívida, sem que o respectivo credor a tal possa validamente opor-se) ou, no mínimo, com apreciável liquidez. Qual quê!
  • Trata-se apenas de um arcaísmo, a reminiscência do tempo em que o investidor tinha de manter em carteira, até ao respectivo vencimento, todo e qualquer instrumento de dívida que adquirisse, posto que mercados secundários (onde esses instrumentos pudessem ser - e fossem, de facto - livremente transaccionados entre investidores) eram a raríssima excepção.
  • Por esses dias, mandava a tradição que o mercado financeiro como um todo fosse compartimentado em função do prazo inicial (que coincidia com o prazo da permanência na carteira do investidor): (i) mercado monetário (prazos até 1 ano); (ii) mercado do dinheiro (prazos entre 1 e 3 anos); (iii) mercado de médio prazo (prazos superiores a 3 anos, mas inferiores a 5 anos, segundo uns, ou a 7 anos, segundo outros); (iv) mercado de capitais (prazos daí em diante).
  • Com a crescente peso dos mercados secundários na vida financeira, esta compartimentação, que se destinava a veícular informação relevante para os investidores, perdeu muita razão de ser. Actualmente, quem investe em instrumentos de dívida quer saber, antes do mais: (i) se são, ou não, livremente transmissíveis (e o papel comercial é); (ii) se são negociáveis em mercado regulamentado (e o papel comercial pode ser); (iii) se o respectivo mercado secundário é suficientemente líquido (e isso só dia a dia se poderá saber).
  • O prazo inicial (e o correspondente qualificativo) só é determinante para as decisões de investimento quando não exista mercado secundário - ou, existindo, não tenha liquidez. Mas, quando assim é, o investidor prudente manter-se-á à distância.
  • Pelos vistos, o legislador português (e também o comunitário) continua parado no tempo em que não existiam mercados secundários dignos do nome - e o qualificativo, se não fosse enganador (ao sugerir que o papel comercial, por ser de prazo inferior a 1 ano, terá sempre apreciável liquidez e não oferecerá um risco de crédito por aí além), seria inútil.
  • Mais revelador da iliteracia financeira de quem, por cá, se põe a fazer leis é o facto de se admitir, sem corar, a possibilidade de o papel comercial ser do tipo “ao portador registado”. Tal qual as Acções. Sendo o papel comercial, por definição, um registo (junto de uma IF independente do emitente) - só poderá ser nominativo. Ponto final.
  • Rating (notação de risco) do emitente” - é isto que se lê adrede nas normas que disciplinam os mercados financeiros e, por consequência, o mercado do papel comercial. O busilis está em que não há “rating de emitente” - há, sim, “rating desta ou daquela emissão de dívida”, à luz da situação financeira do respectivo emitente (a qual vai variando com o correr do tempo, nunca é de mais recordar).
  • Para se ver que assim é, basta considerar o seguinte exemplo:
    • Uma empresa que, em circunstâncias normais, gera recorrentemente um saldo de tesouraria de € 10 milhões propõe-se, num primeiro momento, emitir dívida de € 5 milhões. Se nada de anormal acontecer, a probabilidade de a empresa servir (isto é, pagar os cupões de juros e o cupão de capital) pontualmente tal dívida é elevada - sempre que o prazo inicial da emissão não seja de tal modo alongado que torne pouco provável a continuidade das circunstâncias actuais.
    • Imagine-se agora que esta mesma empresa, desafiada por um consultor financeiro pago à comissão, pretende emitir, não os tais € 5 milhões, mas € 200 milhões de dívida. As circunstâncias actuais já pouco ajudam a atribuir uma notação de risco a esta última emissão. Mais importante é saber que destino dará a empresa a esses € 200 milhões (menos a comissão do dito consultor, naturalmente) e que efeito terão eles na sua tesouraria futura. É uma emissão, com o mesmo emitente, mas com muito maior risco.
  • Pensar em termos de “rating do emitente” é um manifesto disparate. De mais para mais, um disparate perigoso, pois sugere a ideia de que emita o emitente “notado” a dívida que emitir, o risco oferecido será sempre o mesmo. Nada mais longe da verdade.
  • Enfim, a treta dos “produtos financeiros”. Expressão que se torna ainda mais absurda quando na boca de quem defende a literacia financeira e a qualidade da informação proporcionada aos investidores - sobretudo, àqueles menos preparados para avaliar riscos.
  • Um produto (uma casa, por exemplo) pode estar sujeito a toda a especie de riscos, dos riscos seguráveis aos riscos de mercado. Mas, a dois riscos financeiros o seu legítimo possuidor não estará exposto certamente: o risco de contraparte e o risco de crédito. Quem possuir legitimamente um produto, qualquer que ele seja, pode frui-lo sem necessitar do concurso, ou da acção, de quem quer que seja - e ninguém tem dúvidas quanto a isso.
  • Não é isso que acontece nos instrumentos financeiros (como, aliás, nos serviços) que são direitos (e nada mais que direitos) com origem em determinados contratos. Direitos que só serão satisfeitos se a contraparte cumprir com aquilo a que contratualmente se obrigou.
  • Os instrumentos financeiros, em geral - e os serviços - expõem ao risco de contraparte. E os instrumentos de dívida (como o papel comercial) expõem também ao risco de crédito.
  • Por isso, não tem pés nem cabeça estar a discutir um caso que gira em torno, justamente, do risco de crédito e do risco de contraparte (como é o caso do papel comercial do GES), continuando a falar despreocupadamente de “produtos financeiros” - o que só confunde.
  • Nenhuma das imprecisões conceptuais aqui referidas ajuda a formular perguntas consequentes. Mas servem às mil maravilhas para disfarçar respostas evasivas.

 

(cont.)

 

MAIO de 2015

António Palhinha Machado A. PALHINHA MACHADO

 

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