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A bem da Nação

MES FILS

 

estrela azul.png

 

Vous êtes nés aux plaines de mon âme

Avant d'être conçus aux lacs profonds de mon ventre…

Vous êtes nés

Œillets rouges de victoire,

Coquelicots de ma jeunesse

Iris blancs de mon amour…

Vous êtes nés de moi

Âmes de mon âme

Et je vous ai donné l'étoile bleue de l'espoir;

Mais la vie,

La vie vous à donné

Deux ailes de bois

Pour la liberté …

 

Maria Mamede.jpg Maria Mamede

A FORÇA DA TINA

 

 

Convém começar por aceitar o que não podemos mudar, para depois mudar aquilo que podemos.

 

Margareth Thatcher.png TINA, que é como quem diz, “There Is No Alternative”, é um acrónimo que teve grande popularidade durante os anos de Margaret Thatcher à frente do governo britânico, e foi depois recuperado no decorrer da crise de 2010 para sublinhar algo tão simples quanto isto: não há uma verdadeira alternativa ao caminho de austeridade em países profundamente endividados como o nosso, totalmente dependentes de financiamento exterior para fazer face às obrigações mais elementares. Estando o país nas mãos dos credores, a margem de manobra para lutar contra as políticas que nos são impostas de fora é pouco mais do que nula. Daí o TINA. Ou, na língua de Camões, o NHA – Não Há Alternativa.

 

No entanto, os críticos das políticas da austeridade esforçaram-se ao longo dos últimos anos para transformar o TINA numa espécie de grau zero do pensamento político – invocar a ausência de alternativas seria equivalente a uma suspensão da democracia, seria um acomodamento derrotista aos ditames da troika, seria uma rendição inaceitável à ideologia neoliberal. Embora tenha sido por causa da troika que o país não faliu, e sendo bastante óbvio que sem o auxílio de um programa de resgate a inevitável bancarrota teria arrasado toda a economia, muito boa gente parece, ainda assim, não se ter dado conta deste óbvio paradoxo: as almofadas internacionais que hoje impedem a falência de um país e os efeitos dramáticos de uma Grande Depressão são as mesmas que possibilitam aos partidos políticos mais extremados acharem que elas são dispensáveis e opressoras.

 

Para me queixar de um corte numa mão é preciso que o braço ainda lá esteja, mas quando estamos perante uma mão que sangra, dizer ao seu dono “repara na sorte que tiveste em não ter ficado sem o braço” é um discurso insensível e pouco eficaz. Daí as dificuldades mediáticas e políticas do TINA. Mas, claro está: não é por um discurso ser difícil que o seu conteúdo deixa de ser verdadeiro, e a melhor forma de nos apercebermos disso é quando um partido como o Syriza faz o favor de chegar ao governo e embater com a realidade – aí, o TINA volta a mostrar toda a sua força, e o NHA de “Não Há Alternativa” transforma-se num néon piscante por cima da cabeça de todos os países com as contas públicas em desordem.

 

NHA, NHA, NHA seria, aliás, um bom resumo das negociações da Grécia com os seus parceiros europeus. Por um lado, porque o senhor Varoufakis parece ter muito mais estilo do que substância, sendo acusado de se limitar a arrastar as negociações e a esgotar a paciência dos seus colegas, um dos quais já o classificou como “gastador de tempo, jogador e amador”. Por outro, porque aquilo que o Syriza tem ouvido dos parceiros é a necessidade de continuar a impor a austeridade, o que implica atirar com as suas promessas eleitorais para o fundo do mar Egeu. Não, não há alternativa – a não ser, claro, sair do euro, algo que a esmagadora maioria dos gregos recusa de forma peremptória.

 

O mal que isto faz à Grécia está na proporção do bem que faz a Portugal. Não espanta, aliás, que o entusiasmo do PS com o Syriza se tenha evaporado, e o programa económico de Mário Centeno e companhia esteja dois metros à esquerda do PSD e dois quilómetros à direita do Bloco e do PCP. Quem ainda sonha com amanhãs que cantam não deve ter ilusões: atinar com o TINA é tão-só abandonar o estado de negação e dar um passo para sair do buraco. Convém começar por aceitar o que não podemos mudar, para depois mudar aquilo que podemos.

 

 

João Miguel Tavares.jpg JOÃO MIGUEL TAVARES

JÁ FOSTE

 

Por qualquer motivo que transcende as minhas competências, e, olhando-me por olhos alheios – desses muitos Pulidos Valentes da nossa praça – (ressalvadas as eméritas virtudes de escritor e analista satírico, deste que é Vasco) – todos eles enfiados no mesmo saco da indiferença pela pátria antiga que Salazar prezou – olhando-me pelos olhos desses, repito, atribuo o motivo da minha incompreensão a uma burrice congénita, sem desejar com isso ofender o bendito animal que docilmente conduziu a Família Sagrada para o Egipto, para salvar o Menino das mãos assassinas de Herodes, permitindo que uma religião se fundasse posteriormente, alastrando pelo mundo, graças também à sua divulgação por tantos missionários viajando nas naus que abriram os tais caminhos desconhecidos. Tudo isso feito com muita miséria à mistura, que a História Trágico-Marítima relata e a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto descreve de forma bem picaresca, sem cuidar de heroísmos nem de orgulhos, mas que documentos como a Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil confirmam sobre o valor dos feitos. Feitos com esses tais resultados de formação de colónias, ou mais elegantemente províncias ultramarinas, de que os Pulidos Valentes da nossa praça se desfizeram esfuziantemente, progressistas ferrenhos na compreensão dos outros, somente dos donos desses continentes, jamais dos que pertenciam à raça dos navegadores e que não tiveram tempo, nem desejo de se libertarem da mãe-pátria, como outros mais espertos tinham feito, das Américas à Oceania.

 

Águas passadas, mas que voltam à baila em afirmações que revelam bem o total desprezo pela pátria pluricontinental, na ironia de ditos como “atracção pela falsa grandeza que as colónias nos davam”, o respeito pela história pátria e pelo povo que trabalhava nessas colónias perfeitamente soterrado no ódio contra o “ditador” e na cobardia própria, como factor fisiológico capital nas nossas decisões de timoratos compulsivos. Refiro, é claro, os que tomaram as decisões, as classes da inteligência, porque muitos jovens conheci que “cumpriram”, como homens, o dever que lhes fora pedido: “A TAP é um produto do Império: Sem o império e a guerra colonial não existiria”. Um bom slogan para a TAP, criado por Vasco Pulido Valente e que confirma os meus dizeres sobre a “valentia” da tal inteligência.

 

Quanto à “falsa grandeza” que as colónias nos davam, penso que mais do que grandeza foi, naturalmente, uma certa riqueza que serviu algum tempo ainda, julgo, depois das descolonizações, para o “rectângulo” poder sobreviver. Acabada a “mama”, veio o recurso ao empréstimo do exterior, e para pagar tudo isso, vamos continuar a vender, como se tem feito. Os pilotos da TAP não têm razão nas suas greves, nisso dou toda a razão a Vasco Pulido Valente, mas acho que não é por patriotismo que fazem greve, bem pelo contrário. O sindicato deles manda e os sindicatos nunca se revelaram especialmente patriotas, pois fazem os possíveis por destruir a pátria, nem sei bem se às ordens de qualquer outro mandatário, mas sempre a coberto de uma bondade enternecedora.

 

Money.jpg

 

Mas nada disto tem grande relevância, por muito que Vasco Pulido Valente se esforce por nos elucidar. Brilhantemente, sempre, por vezes com ressalvas:

 

As cenas da TAP

Vasco Pulido Valente

02/05/2015

 

A TAP é um produto do império. Sem o império e a guerra colonial não existiria. O amor que os portugueses supostamente têm à TAP não passa de uma atracção pela falsa grandeza que as colónias nos davam e que gerações de portugueses partilharam, mesmo depois do “25 de Abril”.

É por isso, e só por isso, que a “privatização” provoca sempre uma certa exaltação nacionalista, muito próxima da idiotia. A conversa sobre o “valor estratégico” da TAP assenta na fantástica premissa de que Portugal é uma potência com um papel no mundo; e a “lusofonia” em interesses de algumas empresas sem um mercado decente, na emigração para África de alguns portugueses e numa língua, alegadamente comum, que se vai degradando a cada tentativa para a tornar oficial (como sucedeu com o acordo ortográfico).

O turismo em constante crescimento ajudou a manter a companhia durante as parcas décadas da II República (ou III, se quiserem), mas não chega para a manter contra a concorrência do low cost e dos grandes conglomerados que cobrem o mundo. Não chegou na Suíça, não chegou em Itália, não chegou em Espanha e por aí fora. Mas, desgraçadamente, este simples facto não entrou na cabeça dos governantes, nem na da gentinha que se exalta com as “vitórias” do futebol ou do sr. João Santos que ganhou o campeonato da Europa de caligrafia. Para esses representantes do amolecimento cerebral da Pátria, a TAP é um bocadinho de Portugal no estrangeiro e, não se percebe porquê, uma ajuda para extorquir dinheiro ao Brasil, a Angola ou até a Moçambique. Com um balcão da TAP e uma hospedeira portuguesa, a saloiice indígena rejubila.

Foi neste ambiente que os srs. pilotos resolveram exigir o que em circunstâncias de tranquilidade e realismo nunca ocorreria àquelas duríssimas cabeças: 20 por cento do capital da companhia e o pagamento das “diuturnidades” que em princípio lhes deviam. Não interessa discutir aqui os méritos da reivindicação dos pilotos, nem as formidáveis perdas que uma greve de 10 dias nesta altura do ano irá trazer à TAP e à economia do país. Claro que os pilotos levarão a companhia à ruína e à sua venda por um preço vil. Mas se é esse o sacrifício que temos de fazer para curar a megalomania doméstica (pelo menos, neste capítulo), o sacrifício vale a pena. Também saímos de África e não ficámos pior. As cenas da TAP ou por causa da TAP acabam por nos prejudicar muito mais do que depender de um serviço estrangeiro organizado e fiável. E os srs. pilotos que depois tratem de si como puderem. Nós já estamos fartos do assunto e dos penduras patrióticos que nos querem meter a mão na algibeira.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

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