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A bem da Nação

À MINHA MULHER

 

Nirvana.jpg

 

 

Sou!

Uma Obra de Deus!

Sou o Livre Arbítrio de mim mesmo.

Sou aquele que ousou querer que lhe chamassem Poeta!

Que se atreveu a escrever uns versitos com aparência de petição judicial.

A quem colocaram a coleira dos Poetas menores,

Que arrastaram até à praça onde foi vaiado por uma multidão ululante, só porque não era um verdadeiro Poeta.

Apenas um pretensioso ser humano.

Assim como existem humanos desumanos.

Mas, ainda há verdadeiros Poetas.

Sou aquele que subiu e desceu, saltou redis, sempre consciente que o abismo estava próximo…

Sou uma antítese hegeliana.

Nem Deus, nem Nirvana.

Não estou cá, mas estou aqui.

Existo,

Pertenço ao clube dos patetas,

Que sobrevive espiritualmente das palavras que escreve.

Sou um eterno reencontro das minhas contradições, mas AMO-TE.

E é por isso que respiro…

 

Sintra, 26 de Abril de 2015

 

Luís Santiago.jpg Luís Santiago

GUNDEMARO

 

GUNDEMARO.png

 

Lembro perfeitamente. Era mesmo Gundemaro o nome dele. Eu não teria nem dez anos e volta e meia um homem, bem velhote, cabelinho todo muito branco, andar um pouco curvado, ar humilde, aparecia lá em Sintra, em casa de meu avô. Era o Gundemaro. Quando ouvíamos o nome dele, todos nós, irmãos, tínhamos que sair de perto, para rir.

 

Aos nossos olhos de crianças, era bem velho. Bem como o nosso avô que naquela ocasião teria quase oitenta anos, e ele passava-lhe uns quantos.

 

Não sabíamos sobre o que o tal Gundemaro ia falar com o avô, nem ficávamos por perto, até que um dia, estimulado pelos irmãos, que me cutucavam – vai perguntar ao avô se ele é alemão; não vou nada, vai sim – enchi o peito de vento e de coragem e fui perguntar como era mesmo o nome dele, porque jamais aos nossos ouvidos havia chegado tal nome, nem éramos capazes de o pronunciar correctamente.

 

- O nome deste senhor é mesmo Gundemaro, porquê?

- Que nome tão esquisito. Ele é alemão?

- Conheço-o há muitos anos, mas creio que nem ele sabe bem onde nasceu. Mas deve ter nascido em Portugal. Foi criado num orfanato, lá se fez homem e um óptimo marceneiro. A verdade é que Gundemaro é o nome dum rei visigodo de há mais de 1300 anos.

- Ó avô, quem eram os visigodos?

- Foi um povo que veio lá dos lados da Alemanha, a seguir aos romanos e governaram toda a península, o que hoje é Portugal e Espanha.

- ?!?!?! Foi o pai dele que lhe pôs esse nome?

- Deve ter sido, mas nunca lho perguntei. É o melhor marceneiro que eu conheci.

 

Levei a conclusão das minhas investigações para os irmãos e ficámos todos admirados sobre os conhecimentos do avô, nós que nunca tínhamos ouvido falar em visigodos, nem romanos, e mil e trezentos anos era coisa que as nossas cabeças não tinham capacidade para imaginar o tanto que seria, e muito mais curiosos ainda a pensar que o senhor Gundemaro poderia ser um príncipe. Afinal tinha nome de rei.

 

Aquilo era um mistério, e crianças adoram mistérios, reis, príncipes, guerras, selva com Tarzan, caubóis, polícias e ladrões, essas “aventuras” que vivíamos no nosso tempo da quase pedra lascada sem Internet e joguinhos nos telefones.

 

Telefones? Lá na Quinta em Sintra tinha telefone, sim. Número: Sintra 98. Levantava-se o auscultador, rodava-se uma manivela, atendia uma simpática voz feminina e nós dizíamos (nós não, porque criança não falava no telefone):

- Menina, liga-me a Oeiras 20

– Pode desligar que eu chamo quando completar a ligação.

Maravilha de tecnologia.

 

- Quando ele voltar aqui nós vamos-lhe perguntar onde nasceu e quem lhe pôs o nome, mas sem o avô perceber, porque se não vamos todos de castigo. Ainda por cima o senhor está muito velhinho. E temos que decorar o nome dele e dos avós, os visigodos. VI–SI–GO–DOS! Não esqueçam

 

Passam alguns dias, ou semanas, nós sempre a repetirmos – Gundemaro, visigodos, Gundemaro, visigodos – lá aparece ao portão da quinta aquela figura simpática. Um de nós correu para o abrir. Antes de irmos avisar o avô que ele tinha chegado, convidámo-lo a sentar-se numa das cadeiras que sempre ficavam na entrada, fora de casa:

 

- Sente-se um pouco, o senhor deve estar cansado.

- Muito obrigado. Os meninos são muito simpáticos.

 

Nós, meio envergonhados, não queríamos perder a ocasião de fazer as nossas pesquisas.

 

- Sabe que nós temos dificuldade em dizer o seu nome? – atrevi-me.

Sorriu e respondeu

- É um pouco estranho, mas foi assim que meu pai me chamou. GUNDEMARO. A minha mãe morreu logo a seguir a eu ter nascido, e o pai que trabalhava numa mina morreu também tinha eu só quatro anos e mais nenhuma família. Como não tinha mais ninguém, puseram-me num orfanato, de modo que nunca cheguei a poder perguntar a origem do meu nome. Dizem que tem origem alemã, mas nada sei.

- O avô diz que é nome dum rei dos visigodos. – e olhei de lado para os irmãos para me certificar de que tinha dito tudo certo.

- É sim, mas foi coisa que só vim a saber era já homem feito.

- Mas se tem o nome dum rei o senhor devia ser um príncipe.

Riu com gosto o simpático velhinho.

- Nada disso. Sou um homem simples, do povo. Mais nada.

- Eu bem dizia aos meus irmãos que devia ser um nome alemão! Deve ter sido muito triste para o senhor, não ter família nenhuma, não foi?

- Foi sim. Mas sempre me trataram muito bem. Lá cresci, depois mandaram-me estudar e aprender marcenaria nas Oficinas de São José, onde com o curso feito fiquei muitos anos como professor. Um dia juntei um dinheirinho, abri a minha marcenaria, pequenina, e pronto, fui marceneiro toda a vida. E abri a marcenaria aqui em Sintra, por isso conheço o vosso avô há muitos anos.

- E o senhor ainda trabalha?

- Já não posso. Não tenho mais forças. Mas fiz muitos trabalhos para o senhor Amorim, que me apresentou muitos clientes e sempre me tratou muito bem e de quem eu tenho muita satisfação e orgulho que ele me considere seu amigo.

- Por isso o avô tem móveis bonitos. Sabe que eu acho muito bonito o trabalho de marceneiro.

- Só nesta casa são uns cinco ou seis feitos por mim. Eu não venho aqui ver os móveis. Como o vosso avô me recebe sempre com muito carinho, cada vez que surge uma oportunidade e as pernas, já fracas, m’o consentem, venho vê-lo, e conversamos um pouco sobre o que calha. Não tenho mais ninguém com quem conversar.

 

Neste momento da conversa aparece o avô.

 

- Ó senhor Gundemaro, porque não entrou?

- Sentei aqui um pouco a conversar com os seus netos que queriam saber coisas da minha vida! E eu tive muito gosto em lhes responder.

- Estiveram a importuná-lo?

- Não. Foram muito simpáticos. Este pequenito até me disse que gosta muito do trabalho de marcenaria. Mesmo que ele venha a fazer um curso superior, marcenaria é muito bom para as horas de lazer.

 

O avô olhou para mim com ar meio sério meio de dúvida, e eu confirmei.

 

- Gostaria muito, sim avô.

- Um dia falaremos sobre isso.

 

Nunca calhou falarmos sobre isso. As férias terminaram. No ano seguinte Gundemaro não apareceu.

 

Perguntámos ao avô. Tinha morrido nesse Inverno, com noventa e cinco anos.

 

Um a dois anos depois, no Liceu, tínhamos aulas de “Trabalhos Manuais” e era brincando com madeiras que eu mais gostava dessa aula. Fazíamos barcos de guerra, raquetes de ping-pong e outras coisas simples, mas o suficiente para aguçar o meu gosto para mexer com madeira, reparar uns móveis, etc. o que fiz toda a vida. Ainda hoje!

 

E sempre lembro o príncipe dos marceneiros, Gundemaro.

 

24/04/2014

 

Francisco Gomes de Amorim

Francisco Gomes de Amorim

APERTEM OS CINTOS

Dilma em Lisboa.png

O PILOTO DO BRASIL SUMIU!!!

 

A situação é de descontrole na cabine de comando do Planalto, com queda abrupta em todos os níveis

 

Não há antídoto contra a loucura de quem pilota um avião ou um país. Podemos submeter um piloto de Airbus ou o Presidente de uma nação a avaliações psicológicas e físicas periódicas para tentar assegurar um certo equilíbrio e coerência nas decisões tomadas na cabine de comando. Mas nada é 100% garantido. Crises de depressão ou egocentrismo são especialmente perigosas para quem controla a vida de centenas de passageiros ou milhões de habitantes.

 

Vivemos uma situação de descontrole total na cabine de comando do Planalto. A queda do país é abrupta em todos os níveis – e já era esperada por quem não se deixou iludir em 2014. Está claro que a recessão começou no ano das mentiras. Desemprego sobe, renda tem a maior queda em dez anos, preços aumentam 7,9%. Trabalhadores são assaltados nos metrôs, nos pontos de ónibus, nas vias expressas congestionadas, nos túneis. Os Estados estão quebrados, os aliados voam como baratas tontas e moscas azuis, a "comandanta" é chamada de agiota por prefeitos muy amigos.

 

Só não sabemos ainda quem são hoje o piloto e o co-piloto do Brasil – e qual deles é mais propenso a ataques de pânico ou de autoritarismo. Temos apenas duas certezas: uma é que tem gente demais empoleirada no comando, posando de bonzinho, mas querendo derrubar o Brasil de encontro às montanhas, estilhaçar qualquer possibilidade de ajuste de expectativas. A outra certeza é que nós somos os trancados do lado de fora, reféns de um bando de loucos mal-intencionados.

 

Quem são o piloto e os co-pilotos hoje responsáveis por nossa vida e a de nossos filhos e netos? Está difícil enxergar Dilma Rousseff sentada na poltrona de quem aperta os botões e define a direcção e a velocidade do jumbo Brasil. Se traçarmos um paralelo com a tragédia do Airbus que provocou luto e estupor no mundo, Dilma hoje parece-se mais com aquele que foi ao banheiro em hora imprópria e não conseguiu retornar.

 

Ninguém escuta mais as broncas de Dilma, que estão virando sussurros. Ela pegou o machado para decepar a lei de Novembro passado que aliviava as dívidas dos prefeitos. O machado voltou como bumerangue. Não importa mais o partido político na hora em que o bolso aperta. Pode ser Eduardo Paes (PMDB-RJ) ou Fernando Haddad (PT-SP). Paes já entrou com acção contra Dilma. Haddad já disse que não vai deixar barato. Os calotes se ampliam nos Estados. A irresponsabilidade fiscal compromete o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Trocando em miúdos, os únicos que precisam pagar as contas em dia somos nós, os contribuintes.

 

Ao enfrentar um clima adverso, nuvens negras e trovoadas, o pior conselheiro é a solidão – por isso, é tão crucial ter "alguém" com experiência, honestidade e credibilidade ao lado do comandante. Quem será?

 

O jumbo Brasil precisa do tecnocrata Levy como co-piloto. Mas faltam-lhe experiência e autoridade políticas para lidar com os abutres ou aplacar disputas. Quem teria de enfrentar as rebeliões dos aliados seria a "presidenta". Não foi ela quem ganhou nas urnas? Só que Dilma foi ao banheiro e não conseguiu voltar, não abrem a porta para ela, não há mais cavalheiros, só cavaleiros do apocalipse, até em seu próprio partido, o PT.

 

O que parecia inacreditável aconteceu. Quem apoia hoje medidas de austeridade da presidente, quem é contra o impeachment, quem é a favor da governabilidade para não espatifar o Brasil no Planalto Central é uma das instituições mais criticadas por Lula, Dilma e sua turma: a imprensa.

 

O jumbo Brasil está sem rumo. E quem está aboletado na cabine de comando são os amotinados do PMDB, a dupla caipira Renan Calheiros e Eduardo Cunha, um alagoa­no e um carioca com milhares de fios de cabelos implantados e muitos delírios de Poder na cabeça. Ambos odeiam um tripulante da nave Brasil com fama de oportunista, Gilberto Kassab. A manobra de Kassab para criar mais um partido, o PL, é chamada por Renan de "molecagem" e por Cunha de "alopragem".

 

Sob a pressão de moleques, aloprados e loucos, Dilma é a primeira refém da armadilha que Lula e ela criaram. Já não lhe compete demitir ou nomear. Dilma hoje é torpedeada até quando tenta acertar. Mas é impossível ter pena. Se a hora é de arrocho, Dilma dê o exemplo, ceda à jogada do novo PMDB e comece a cortar seus 39 ministérios e seus 22 mil cargos de confiança. Porque é imoral o tamanho dessa máquina e das boquinhas públicas.

 

Confiança ganha-se devagar e perde-se muito rápido. Poucos de seus eleitores embarcariam hoje num avião pilotado pela senhora. Os maiores reféns somos nós.

 

APERTEM OS CINTOS!!!

 

Ruth de Aquino.jpg

  

 

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