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A bem da Nação

O GOVERNO DE PASSOS

 

Cobertura das Balanças de Bens e de Serviços (%)

 

Passos Coelho pegou num país falido, sem acesso a financiamento e comprometido com um programa de ajustamento violentíssimo e conduziu-o, durante três anos, para fora do resgate, voltando a financiar-se nos mercados a taxas de juro mais baixas de sempre, pôs a economia a crescer, o desemprego a baixar e o emprego a aumentar.

 

A primeira etapa, tirar o país da assistência financeira, foi ultrapassada e a segunda, fazer de Portugal um país com futuro, semeada durante a primeira, está a ser vencida. O País tem confiado.

 

Nestes quatro anos o Governo reformou de tal maneira a economia que alterou o seu perfil estrutural com consequências a todos os níveis: o sector exportador está a ser o motor de saída da crise. Aumentou o investimento (o público está em queda). A prioridade é agora a industrialização. Na banca mudaram todos os protagonistas. Na classe política virou a geração, na empresarial está a virar. Saíram 60 mil pessoas do Estado que funciona.

 

Na educação saíram cerca de 30 mil professores e ninguém ficou sem aulas; na saúde a factura com medicamentos e as rendas aos laboratórios caíram centenas de milhões de euros; na justiça foi feita uma reforma sem precedentes; na defesa, a reforma 2020; na energia e obras públicas (PPP) foram cortadas rendas com poupanças, presentes e futuras, de milhões de euros ao contribuinte; o Estado manteve e reforçou a rede de segurança para os mais vulneráveis à crise. Pelo caminho, o Governo enfrentou a oposição do Constitucional que boicotou a reforma do aparelho do Estado e a não comparência do PS para um acordo inadiável de reforma da segurança social.

 

Não são queixas, são factos, e os factos criaram impossibilidades. O alerta do FMI para que as reformas estruturais não parem terá muito de pressão para o Governo mas chama sobretudo a atenção para o retrocesso que significam Costa e 'entourage', membros dos governos de Sócrates que faliram o país, que continuam a prometer o que nos faliu e tudo o que o Governo Grego foi obrigado a congelar há duas semanas para obter financiamento: aumento de salários públicos, pensões e investimento público (tudo sem planeamento, sem gerar valor acrescentado, apenas dívida), travar privatizações. Já ultrapassamos esta fase, o Governo precisa de mais quatro anos para a modernidade do país se solidificar.

 

23 de Março de 2015

 

Sandra_Clemente.png SANDRA CLEMENTE

A GRÉCIA, A ALEMANHA E A UE

 

merkel_and_tsipras.jpg

 

Contrariando anteriores posições que defendi nesta página (só não muda de opinião quem não reconhece a evolução natural do status quo e os elementos novos de análise introduzidos recentemente no debate), creio que haverá um entendimento difícil, complexo, e em certos aspectos pouco linear, mas, sem embargo, de algum modo, consistente entre Atenas e Bruxelas. Sucede que a Grécia ao brandir a arma do “incumprimento” (default) assusta a Alemanha e coloca em risco toda a zona Euro, muito embora existam, hoje, diferentemente de 2011, todas as almofadas financeiras possíveis para enfrentar uma tal situação. A questão, porém, é política como se procurará demonstrar.

 

Atenas vai prometer vender algumas empresas públicas, encetará uma batalha contra a evasão fiscal, mais uma disseminação de impostos, aqui e além e a garantia de que irá cumprir fica atestada. Os credores podem considerar-se parcialmente satisfeitos – é um exercício do possível. Resta saber como Tsipras vai vender essas promessas em casa perante um eleitorado descontente e um partido no Poder que ameaça cindir-se. Com efeito, a resistência principal parece provir do próprio Syriza, uma vez que toda a campanha eleitoral se baseou no termo da austeridade, na renegociação da dívida e na manutenção da Grécia na Eurozona. Todos estes objectivos são, à partida, inexequíveis, porque contraditórios nos seus próprios termos e toda a gente tem plena consciência disso. Mas...aguardemos para ver.

 

Nesta matéria, as perguntas que se impõem são estas: Que estratégia vai ser adoptada por Alexis Tsipras, uma vez que à medida em que as negociações avançam o funil vai inevitavelmente apertar-se? Estaremos perante um hipotético referendo à presença da Grécia no Euro? Ou a eleições antecipadas, porque não existem condições para o Syriza se manter no poder, nem cumprir o seu programa? Estas questões são essencialmente intra-helénicas, com repercussões além fronteiras, bem entendido, mas são de pura gestão doméstica.

 

Estou em crer que o Syriza conta, no essencial, com a vontade da Alemanha em manter a Grécia na Eurozona. O Grexit (evicção da Grécia da moeda única) se, como dissemos, pode ser viável do ponto de vista financeiro, não o é do ponto de vista político. E o busílis da questão está precisamente aqui. A Alemanha, principal Estado da Eurozona e da UE não pode admitir a implosão do sistema que ela própria ajudou a criar em Maastricht. A saída de Estados da moeda única e, a prazo, da própria União, é uma questão politicamente impensável e redundaria, em última análise, no desprestígio total da própria Alemanha. Assim, Berlim necessita de um compromisso e Alexis Tsipras joga com isso. A jogada de póquer está aqui. Pode-se, pois, arriscar uma previsão: Atenas vai cumprir minimamente o programa de resgate, com este nome ou com outro qualquer, até Junho e veremos internamente como se vai comportar a ala mais à esquerda do Syriza. A contestação pode ser muito aguda e tal será visível principalmente na segunda metade do ano.

 

Dou a mão à palmatória. Estas análises terão de ser reformuladas em tempo, porque estamos num cenário de mutação permanente.

 

30 de Março de 2015

Francisco Henriques da Silva.jpg 

Francisco Henriques da Silva

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