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A bem da Nação

TRÊS PRECONCEITOS...

 

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... que não permitem a Portugal recuperar a independência e pagar a dívida

 

Introdução:

 

Para ser possível um País ser independente é indispensável o seu domínio em algumas actividades em que seja competitivo e assim poder colocar-se em posição forte financeira e económica no contexto internacional.

 

Esta situação implica haver empresas nacionais capazes de dominar essas actividades o que significa dimensão e qualidade e os seus proprietários serem portugueses ou interessados em residir em Portugal e portanto se comportarem como tal.

 

Assim é forçoso haver condições para a formação de capital residente em empresas nas ditas actividades essenciais à nossa independência.

 

Por outro lado recordemos o significado de preconceito: ideia, sentimento ou opinião formado de forma deficiente e aceite como verdade indiscutível e assim passar a orientar decisões não permitindo a sua análise mais correcta.

 

Em versão mais ligeira poderá dizer-se de quem tem preconceitos: tenho a minha ideia feita, não me confundam com factos.

 

Aliás a nossa história, desde que bem contada, é clara quanto a este assunto e aos enormes prejuízos que sofremos porque quem nos governava não foi capaz de os evitar.

 

1º preconceito desenvolvido, tal como os outros dois, depois de Abril de 74:

 

Ódio ao capital

 

Esta revolução foi fortemente influenciada por forças da esquerda em geral e em particular pelo Partido Comunista cuja orientação natural era instalar em Portugal uma República Popular tipo RDA, e portanto a destruição do capital privado era um objectivo que muito pesou nos acontecimentos então em curso (o tristemente célebre PREC) e que inclusive influenciou a própria Constituição a ponto de ainda hoje esta se referir preferencialmente a PMEs e pouco a empresas de maior dimensão.

 

Ora algumas das actividades essenciais à independência do País, como a energia, a água, os transportes aéreos, ferroviários e marítimos, a exploração de minérios quer em terra quer nos fundos oceânicos, a metalomecânica pesada e/ou especializada, a indústria química, etc. exigem capitais avultados que sejam pertencentes a cidadãos nacionais ou pelo menos aqui residentes e assim directamente interessados no País e não apenas no dinheiro em jogo.

 

Porque se a maioria das empresas de um País pertencer a estrangeiros esse País é certamente uma colónia doutro ou doutros.

 

A experiência vivida no século XX particularmente durante a guerra mundial 39-45 devia ser aproveitada pelos actuais responsáveis pelos destinos do País, sem esquecer que ao contrário do que sucedia durante a ditadura em que pouca ou nenhuma participação popular havia, agora todos temos alguma responsabilidade pois os Órgãos de Soberania são eleitos para fazerem o que prometeram na campanha eleitoral e de acordo com a Constituição.

 

É certo que tem havido, ao longo dos tempos e por todo este mundo, muitos casos de capitalistas fraudulentos tal como maus médicos, maus árbitros, maus pais e por aí fora sem que se ponha em causa a actividade mas apenas a pessoa responsável em cada caso.

 

A questão de fundo foi criada primeiro pelo anonimato do detentor do capital, pela indefinição de regras tendentes a motivar maior participação de pequenos accionistas e acrescentado pela ausência de regulação internacional das movimentações de capitais.

 

Em resumo se quisermos ter desenvolvimento e independência temos de motivar a proliferação de capitais nacionais residentes e distribuídos, pois a situação atual de entregar as actividades essenciais a entidades estrangeiras é suicida e inconstitucional.

 

2º preconceito:

 

A Marinha mercante é colonialista, logo deve ser eliminada

 

A Marinha Portuguesa entrou em declínio no início do século XIX donde só saiu após 1945 e atingindo uma dimensão que lhe conferiu figurar entre as principais no período 50-60.

 

No entanto a frota desenvolveu-se baseada no tráfego com as nossas colónias, obviamente protegido e portanto com fretes muito favoráveis aos armadores o que de início facilitou os elevados investimentos, mas que posteriormente provocou nos armadores alguma quebra na sua capacidade de inovação, como se verificou na ausência de aproveitamento dos navios de passageiros para cruzeiros. Só o Funchal foi transformado e isso porque o Presidente da República de então se opôs à sua alienação.

 

Apesar disto em 1974 a E. Nacional de Navegação e a E. Insulana de Navegação já estavam a operar como terceira bandeira, mas o mercado internacional implicava termos condições de enquadramento desde o registo aos tribunais especializados, passando pelos sindicatos, que dificultava qualquer adaptação rápida á nova realidade.

 

Ainda por cima as mal denominadas nacionalizações acabaram com as empresas privadas com dimensão e desenvolveu-se o preconceito de que a nossa Marinha era cara e colonialista e podia e devia ser eliminada pois era mais barato ir ao mercado internacional quando era preciso. Esta evolução prolongou-se até ao Governo de Cavaco Silva onde se processou a destruição final, não por conceitos esquerdistas prequianos mas por novos rumos neoliberais cujos resultados estão bem à vista.

 

Os efeitos deste preconceito chegaram ao ponto de até influenciarem historiadores a desprezar o papel da Marinha na formação de Portugal e dos próprios descobrimentos marítimos que foram bem portugueses.

 

3º preconceito:

 

A Marinha de recreio é fascista, logo deve ser combatida

 

Antes de entrar no tema em título convém ter uma ideia do que se passava quanto à participação da população em actividades marítimas.

 

Além das frotas constituídas por navios de maior porte para o transporte de pessoas e bens para todos os locais onde havia portos, e das frotas de pesca, havia inúmeras embarcações de menor porte a remos e/ou à vela que permitiam a deslocação entre os locais ribeirinhos porque as estradas eram poucas ou nenhumas e portanto navegar era a única solução. E onde muitas vezes também era praticado algum recreio.

 

Assim só no estuário do Tejo por volta de 1950 haveria algumas dezenas de milhar de embarcações destas o que significa que o contacto da população com embarcações era normal e profundo.

 

Por outro lado a náutica de recreio tal como agora se entende, que teria começado alguns séculos atrás em Inglaterra e na Holanda, era praticada apenas por pessoas abastadas, em alguns casos mesmo muito como aconteceu com a taça da América há mais de um século, e em Portugal havia poucos praticantes, embora houvesse centros de formação náutica ligados à Mocidade Portuguesa onde quem não tinha meios para ser proprietário de um barco podia praticar. Como aconteceu comigo em 1946-48.

 

No entanto após a guerra mundial 39-45 os novos materiais e a melhoria do nível de vida proporcionaram enorme desenvolvimento da navegação de recreio particularmente na Europa e nos EU, com excepção de Portugal onde as autoridades responsáveis pela infraestruturas portuárias não se modernizaram, só tendo sido construídas instalações das mais caras que obviamente não permitem aos candidatos a praticantes se desenvolverem, nem proliferarem centros de formação acessíveis a qualquer bolsa.

 

Dada esta situação em 74 as forças esquerdistas apelidavam de fascista quem praticava desportos náuticos mesmo que fossem usadas embarcações modestíssimas e este preconceito entranhou-se de tal forma que hoje é espantoso o que se passa, como os exemplos que vos darei a seguir demonstram claramente.

 

Em 1997 a propósito da preparação das comemorações da 1ª viagem de Vasco da Gama à Índia numa sessão da Academia de Marinha dadas as ligações importantes desta cidade com esta viagem (construção das naus no estaleiro da Azinheira Velha, roteiro de Álvaro Velho do Barreiro e sua ligação com os Lusíadas, a existência de muitos trabalhadores que se adaptariam facilmente a novas actividades, etc.…) foi apresentada à Câmara Municipal um projecto de desenvolvimento que, tendo em consideração as condições naturais excepcionais do rio Coina para actividades náuticas, aliás onde durante séculos a nossa Armada tinha a sua base até se mudar para o Alfeite no século XX, proporcionaria a criação de muitas centenas de postos de trabalho com investimentos diminutos e quase totalmente cobertos com fundos externos ao município. Até hoje, embora várias tentativas posteriores tivessem sido feitas nada aconteceu.

 

O estuário do Tejo, pelo menos desde a Azambuja até ao Bugio tem capacidade para instalar actividades náuticas de recreio, grande parte delas com carácter exportador, e de produção de pescado do tipo idêntico ao da Flórida (com as adaptações inerentes às diferenças existentes) mas com o mesmo cuidado na preservação ambiental de alto nível. Há projectos concretos que criariam milhares de postos de trabalho, mas embora se sucedam as reuniões e os encontros em que se insiste na importância do mar mas nunca se fala em Marinha, continuam a faltar decisões.

 

Exactamente o contrário do que aconteceu com D. João II que nada escreveu mas em 20 anos colocou Portugal como a primeira potência marítima mundial.

 

Aliás passa-se o mesmo com o Sotavento Algarvio, com o Alqueva e outros mais desaproveitamentos certamente menores mas sempre importantes para quem vive lá.

 

Portugal com Marinha é um estado central (vide mapa do Atlântico),

 

Portugal sem Marinha é um estado periférico (vide mapa da Europa)

 

Para Portugal o mar sem Marinha não é mais do que paisagem

 

Estamos em plena campanha eleitoral: será que alguém se vai lembrar de agitar estas oportunidades, a começar pela comunicação social que tão mal tem tratado a nossa Marinha (entenda-se composta pela Armada e as Marinhas Comercial, de Pesca e de Recreio)?

 

Lisboa, 22 de Março de 2015

Eng. J.C. Gonçalves Viana José Carlos Gonçalves Viana

VULCANO

 

Vulcano.png

 

Em apoio a algumas curtas mas certeiras análises de Vasco Pulido Valente, que sempre encantam pelo sabor epigramático das suas definições, este artigo de Teresa de Sousa (Público, 19/3/15), artigo sério, de aluna aplicada, que nos alerta para a eminência de um conflito entre as forças de leste e as de oeste, caso a Grécia saia do Euro e procure o seu Padrinho do leste, esgotados os apoios do seu Padrinho do oeste, que parece não aceitar mais as árias das suas artimanhas para protelar o cumprimento das suas promessas de pagamento. Escudados com o exemplo da digna Penélope, que desfazia de noite o manto que fabricava de dia, para não se comprometer com nenhum pretendente, os representantes do governo grego assim vão jogando às escondidas, entalados em compromissos que não pensam assumir, dando uma laçada e logo a desfazendo. ratos esquivando-se para outros terrenos onde poderão roer até ver.

 

Diz-se que Putin esteve desaparecido. Quem sabe se para combinar melhor com Tsipras os próximos passos da futura aliança salvadora da Grécia e ateadora da destruição no mundo para cá dos Urais?

 

Creio que os representantes do povo grego se não ralarão muito com isso, brincando também com o seu fogo próprio, Hefaísto empunhando as suas armas, no fulgor fátuo do fogo de que ele é o deus!

 

A Europa brinca com o fogo?

Teresa de Sousa.png Teresa de Sousa

 

  1. Jogo de poker? Berlim faz bluff? Ou é Atenas? As respostas ainda estão à espera de alguns esclarecimentos adicionais.

 

A primeira, que diz respeito a Berlim, é fundamental. Angela Merkel entregou a gestão da crise grega ao seu ministro das Finanças, através do Eurogrupo. Não quer a Grécia na agenda oficial da cimeira que hoje começa em Bruxelas, mas parece estar disposta a falar com o seu homólogo grego, Alexis Tsipras, à margem da reunião, por forte insistência deste último, e na companhia do Presidente francês e dos presidentes da Comissão e do BCE. Antes tinha confirmado que receberia o seu homólogo grego na segunda-feira em Berlim. Reserva totalmente o jogo. Entretanto, Wolfgang Schäuble eleva a parada, aproximando-se de um ponto de não retorno. Não é apenas a inflexibilidade quanto às reformas. O ministro voltou a colocar o cenário da saída do euro em cima da mesa e acrescentou-lhe outro, ainda mais preocupante: o chamado Grexident (a Grécia pode entrar em default por acidente, tornando a sua saída irreversível).

 

As interpretações do seu jogo não são unânimes. Para alguns analistas, trata-se de exercer a pressão máxima sobre Atenas para que mantenha os compromissos com as reformas e as metas definidas pelos credores. Para outros, Berlim chegou à conclusão de que uma saída da Grécia não teria um custo demasiado elevado, como teria tido em 2010, graças à menor exposição da banca europeia à dívida grega e à panóplia de novos instrumentos que a zona euro entretanto criou para limitar um contágio. Muitos governos europeus discordam, como discorda totalmente a Comissão Europeia. Aceitam-se apostas

 

  1. Do outro lado, surgem sinais contraditórios que dificultam o entendimento sobre o que tenciona fazer o governo grego. O Syriza encontra-se na posição “insustentável” de ter de “adiar” as promessas que fez aos gregos nas eleições de Janeiro. Calculou mal os apoios europeus e avaliou ainda pior a sua capacidade de pressão sobre Berlim, convencido que o risco de saída assustaria toda a gente. A posição de Alexis Tsipras é extremamente difícil. Continua a insistir que a Grécia não se deixará chantagear. Mas, ao mesmo tempo, move-se quase desesperadamente para encontrar uma solução, indo ao ponto de avisar que os cofres gregos estão perigosamente vazios. Aparentemente, Atenas tem uma escolha difícil: ou paga a dívida que vence este mês ou as pensões e os salários da Função Pública. Nesta situação, Tsipras tem de calcular muito bem os passos que dá sob pena de realizar a profecia da saída “acidental” de Schäuble. Por enquanto, continua a jogar com um pau de dois bicos. No dia em que a chanceler aceitou recebê-lo em Berlim no dia 23, o Governo grego anunciou a sua deslocação a Moscovo no dia 8 de Abril. É, mais uma vez, uma jogada arriscada que surge numa altura em que o efeito “Varoufakis” já não faz rir ninguém e o ar cordato de bom rapaz que Tsipras exibe em Bruxelas também já não conta para muito. Ontem, os únicos aliados de que dispõe, Juncker e Pierre Moscovici, o comissário responsável pelos assuntos económicos e monetários, revelaram o seu desânimo quanto às negociações, aumentando também eles a pressão sobre Atenas.
  2. Se era preciso mais algum sinal de que a questão grega envolve riscos enorme, mesmo que de outra natureza, ele veio de Washington. O Presidente Obama tem pressionado os responsáveis europeus para que resolvam rapidamente e a bem o problema grego. Decidiu enviar a Atenas Vitoria Nuland, subsecretária de Estado para a Europa e a Eurásia, para avaliar in loco a situação. Para Washington, a questão é fundamentalmente geopolítica. Deixada à sua sorte, a Grécia poderia inclinar-se cada vez mais para Moscovo, quebrando os laços com o Ocidente que a União Europeia garante. “A Rússia tem um grande interesse em ver a crise grega agravar-se”, diz ao Guardian Dimitris Keridis, professor de ciência política na Universidade de Atenas. “Precisamente porque [uma saída] afectaria a zona euro, enfraqueceria a Europa e afastaria a Grécia do Ocidente”. O diário britânico lembra que poucos sítios são tão importantes na região como a ilha de Creta, “onde estão instaladas capacidades de comando e controlo e apoio logístico aos Estados Unidos e à NATO”. “Se a Grécia saísse, a Turquia poderia ir a seguir”.

 

Pelo menos publicamente, esta preocupação não parece incomodar os europeus, mesmo se a questão mais séria que Merkel quer discutir no Conselho Europeu seja a relação com a Rússia. Há, todavia, entre os europeus outro debate que é mantido quase em surdina e que diz respeito a um outro contágio, mas de natureza política. Muita gente defende que é preciso mostrar que o Syriza acabará por fracassar no seu objectivo de mudar as regras do jogo. O cenário contrário seria uma oferta ao Podemos e ao Cidadãos em Espanha, dando aos movimentos populistas mais um bom argumento para conquistar votos.

 

O problema é que há coisas “impossíveis” que rapidamente se tornam possíveis. Já ninguém fala da Crimeia, ocupada e anexada pela Rússia, porque uma coisa impossível aconteceu. A saída “impossível” da Grécia pode rapidamente tornar-se possível. Claramente, a Europa não está a conseguir definir aquilo que é o seu interesse fundamental, que permita ver os vários desafios que enfrenta num contexto global. Também não se espera que haja esse debate no Conselho Europeu. As decisões tomam-se cada vez mais à margem das cimeiras por um núcleo reduzido de protagonistas. É também por isso que os extremos ganham força política.

Berta Brás.jpg Berta Brás

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