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A bem da Nação

AOS CANALHAS QUE QUEREM DESTRUIR A PETROBRAS

FGA-Mauro Santayanna.jpg

 

O jornalista Mauro Santayanna, um dos mais experientes do País, publicou um importante artigo sobre a campanha de desmoralização da Petrobras: "É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas económica, mas também política", alerta; "A Petrobras não é apenas uma empresa. Ela é uma Nação. Um conceito. Uma bandeira. E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível", afirma; "Esta é a crença que impulsiona os que a defendem. E, sem dúvida alguma, também, a abjecta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la"; leia a íntegra de um texto antológico

 

Francisco Gomes de Amorim, Junho 2013, Lisboa.jpg

 Francisco Gomes de Amorim

 

3 DE FEVEREIRO DE 2015 ÀS 08:00

 

Por Mauro Santayanna

 

O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, seu apuramento concluída, com o avanço das investigações.

 

A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das acções.

 

E, naturalmente, a novas reacções iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjectivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

 

O que importa mais na Petrobras?

 

O valor das acções, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?

 

Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, reflectida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da Internet.

 

Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.

 

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de casse tête e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas económicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?

 

Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da actuação humana?

 

Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilómetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?

 

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?

 

Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?

 

Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?

 

Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da Internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?

 

Por que em Novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, a Siemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?

 

Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?

 

Quanto vale o facto de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?

 

É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas económica, mas também política.

 

A PETROBRAS teve um facturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilómetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.

 

É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termo electricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.

 

As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efectivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.

 

Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.

 

Em Dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.

 

Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores actualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.

 

E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.

 

Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afectam igualmente suas principais concorrentes.

 

Eles advêm da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extracção de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.

 

Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.

 

A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.

 

E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extracção de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das actividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.

 

A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior actuação, como é o caso do Rio de Janeiro.

 

Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.

 

É necessário punir os ladrões que a assaltaram?

 

Ninguém duvida disso.

 

Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina: a Petrobras não é apenas uma empresa; ela é uma Nação; um conceito; uma bandeira.

 

E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.

 

Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.

 

E, sem dúvida alguma, também, a abjecta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destrui-la.

 

PROSA EM POEMA

 

Em resposta a uma proposta da Chiado Editora para colaborar na sua Antologia Poética deste ano de 2015, enviando um “poema” que não excedesse 30 versos, entretive-me a compor um “poema” na minha prosa destemida, que parece que foi selecionado. Foi hoje, 21/3/15 o lançamento da Antologia, a que faltei, no receio de que algum verdadeiro poeta se indispusesse contra poemas do tipo do meu, pura prosa em versos maus, que o não pretendiam ser, no seu significado de mero entretenimento de resposta a um desafio, espécie de palavras cruzadas do meu carpe diem possível, para a pacificação interior. Fica no meu blog, todavia, e se o Dr. Salles achar que não destoa no seu, por não ter pretensões a antologia, talvez também no “A Bem da Nação”:

 

BB-sonho.jpg

«Entre o sono e o sonho»

Sono de apatia, sonho esperançoso

Que logo se desfaz em desespero,

Assim vivemos o nosso dia-a-dia

Na penúria de um constante matutar,

A ilusão perdidamente a descambar

Sem calçada de Carriche onde lancemos

Passadas de trupe-trupe ruidoso

E firme na rotina de um trabalho

Agora inexistente em muito lar,

Onde se dormita sem futuro à vista.

Ambições perdidas de um tempo incerto

Em que se mata a descoberto,

Crime contínuo de torpeza impune,

O mundo estrebuchando na loucura

Dum falso fanatismo de pretexto

Que esconde só maldade e muito medo,

Terra descomandada que virou tortura

De autofagia, de mitomania,

De melancolia sem lugar ao sonho,

Na sonolência que dão as vozes

Investigando, acusando, algozes,

Neste desconcerto sem acerto

Neste rodopiar de um destino incerto,

Nesta maldição de tropelia

Sem magia

Em que vivemos e nos debatemos,

Sem ar,

Quais peixes contorcendo-se fora da água

Prestes a morrer

Sem o saber.

 

21/3/15

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

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