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A bem da Nação

O ECLIPSE

 

eclipse.png

 

Capitão ao 1º Sargento: - Como deve saber, amanhã há um eclipse de Sol, o que não acontece todos os dias. Mande formar os homens na parada, em uniforme de passeio. Eles poderão observar este raro fenómeno e eu lhes darei as explicações necessárias. Se chover, não há nada que ver e então os homens deverão formar na caserna para o exercício.

 

1º Sargento ao 2º Sargento – Por ordem do nosso Capitão há amanhã um eclipse de Sol às 8 horas, em uniforme de passeio com demonstrações do nosso Capitão, o que não acontece todos os dias. Se o tempo estiver chuvoso, não há nada para ver no exterior e então o eclipse terá lugar na caserna.

 

2º Sargento ao Cabo – Amanhã muito cedo, às 8 horas, abertura do eclipse aos homens em uniforme de passeio. O nosso Capitão dará na caserna as ordens necessárias, se por acaso chover, o que não acontece todos os dias.

 

Cabo aos soldados – Amanhã às 8 horas, o Sol em uniforme de passeio fará eclipses ao Capitão, o que não acontece todos os dias!

QUANDO AS AMIGAS CONVERSAM...

 

O QUE VALE É QUE A GENTE NÃO EXPORTA

 

Desta vez fui eu que estranhei que a minha amiga, que tudo mostra saber de notícias e de escândalos – termos que neste momento passaram a ser sinónimos – não tivesse ouvido a trágica notícia da morte de catorze alemães causada pela ingestão de pepinos espanhóis.

 

Eu vira as imagens e notara que os pepinos eram muito compridos e estreitos, pendurados nos pepineiros espanhóis. Comentei que achava os nossos pepinos mais normais, pequenos, à medida das nossas posses, e a minha amiga, impressionada com as mortes germânicas, acrescentou: - Olha, o que vale é que a gente não exporta!

 

Eu defendi patrioticamente os nossos pepinos, como produto sem bactérias venenosas, tratadas no rico Sol nacional, que, mesmo que os exportássemos, eu tinha a certeza de que não causariam mossa na saúde de nenhum alemão. E fora, provavelmente, porque a UE nos impedira de os exportarmos por falta de tamanho e trato adequados, por meio de pesticidas, de preço incomportável nas nossas pepineiras, que usamos os nossos pepinos só para consumo nacional e sem percalços para a nossa saúde, apesar das ditas pepineiras, que até temos em excesso, dentre as diversas coisas em excesso que produzimos, no nosso fértil solo nacional, banhado de luz e cor.

 

Mas a minha amiga observou amedrontada: - Olha, está uma pessoa muito bem a conversar e daqui a pouco está morta, porque comeu pepinos espanhóis!

 

E prosseguiu muito derrotista: - Eu estou convencida é que a gente não come nada que nos faça bem!

 

Eu vi naquilo a mania dela das elegâncias e censurei-a com preceito, não direi que sem algum despeito, por não lhe chegar aos calcanhares na silhueta, mas ela concluiu melancólica: - Eu tenho um medo da salada! É tudo perigoso.

 

Não percebi bem a que salada se referia. Que a minha amiga às vezes baralha.

Berta Brás.jpg Berta Brás

A GRAVATA

gravata vistosa.jpg

 

Alto, penteado, sempre chiquemente vestido, usa umas gravatas vistosas e com um nó que também ele dá nas vistas.

 

Profissional de mérito, ganha a vida honestamente, chefia família cordata e vive confortavelmente. Faz-se transportar em carros que fazem lembrar os nós das suas gravatas.

 

Sim, já deu para perceber que tem o defeito da vaidade. Mas não só: gosta de ensinar os outros a viver mesmo que os putativos alunos não lho peçam nem sequer se ponham a jeito de lhe escutarem as lições.

 

Até que um baixote insignificante mas sem paciência para lhe aturar os ensinamentos, o interpelou com bonomia: - Diga-me cá, amigo, como é o mundo visto por cima dessa gravata?

 

O vaidoso não achou graça e a conversa morreu ali. Resta saber se a vaidade foi ou não substituída por alguma ponta de humildade.

 

 

Março de 2015

 

C-HSF-Mékong.jpg

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

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