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A bem da Nação

INFLAÇÃO

 

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Inflação é fogo! E arde sem se ver;

É ferida que dói e bem se sente;

É um descontentamento permanente;

É dor que desatina e faz doer.

 

É aumentar serviços públicos p’ra valer

É andar a enganar a toda a gente

É um nunca para, tão indecente

É só político a ganhar, povo a perder.

 

É inflacionar tudo por vontade

De servir-se e nunca ser servidor

É p'ró povo covarde deslealdade

 

Mas como podem ter nosso favor

Se em nossos bolsos a iniquidade

Nos faz sentir que deles só vem horror?

 

Francisco G. Amorim-IRA.bmp

Francisco Gomes de Amorim

A EUTANÁSIA E A MORTE ORGANIZADA

 

caixões.jpg

 

Ponderações sobre o Suicídio assistido

 

Fala-se da "eutanásia activa" e da „eutanásia passiva". A "eutanásia ativa" implica a opção pela morte individualmente deliberada por um enfermo incurável e assistida pelo médico que, a pedido do paciente, lhe prepara um cocktail mortal ("suicídio assistido").

 

Na "eutanásia passiva" são interrompidas as acções que tenham por fim prolongar a vida. O paciente pode determinar não querer a utilização de instrumentos nem medidas de prolongação da vida Este prática já é muito comum em pacientes de estado terminal. O alívio do sofrimento torna-se prevenção contra suicídio e ajuda a evitar o desespero da vida e possibilita a assistência espiritual. No processo da morte, moribundos chegam a ter momentos de alegria e felicidade e momentos de desespero.

 

Os defensores do "suicídio assistido" costumam argumentar com o direito do indivíduo à autodeterminação e alegam querer evitar situações “sem qualidade de vida”.

 

Na Alemanha é proibido o suicídio assistido. A maioria dos filiados nos partidos da União CDU/CSU é contra o suicídio assistido; defende a medicina paliativa em que se receitem analgésicos (contra a dor) mesmo que indirectamente encurtem a vida. O SPD, partido da coligação, expressou a opinião de deixar espaço livre aos médicos em questões terminais (situações limite). O partido Os Verdes protagoniza a liberdade de decisão e em casos especiais estende-a também a familiares e pessoas mais próximas. Muitos parlamentares dos vários partidos são de opinião que é suficiente a melhoria dos cuidados paliativos no hospício.

 

O Porquê do não à Eutanásia

 

A liberdade de autodeterminação no suicídio (porque só no fim da vida) não parece ter lógica. A razão não pode justificar o direito de matar ou de morrer. Além disso, o ser humano é ele e as suas circunstâncias e estas podem conduzi-lo ao medo de ficar só, de se tornar num fardo para outros, de se encontrar num momento depressivo e deste modo ser motivado a desejar a morte, num determinado momento. É problemático argumentar, em nome da autodeterminação, porque esta tem sempre a ver com as circunstâncias... Os momentos de dificuldades não são os melhores conselheiros para se tomarem decisões irrevogáveis.

 

A ajuda ao suicídio não pode ser uma missão do médico nem é uma questão a ser organizada a nível de negócio. A ética médica tem em conta o juramento de Hipócrates, que se compromete a defender e preservar a vida; eutanásia é homicídio e como tal fora do âmbito da ordem dos médicos. A Ordem dos Médicos alemã, numa tomada de posição a 12.12.2104 declarou repudiar veementemente o suicídio assistido por médicos. A sua conduta é a orientação pela “ regulamentação profissional dos médicos que diz que é dever dos médicos preservar a vida”. Só a vida, a saúde tem de ser protegida e restaurada, o sofrimento deve ser aliviado e praticada a assistência aos moribundos.

 

Há casos de consciência em que o médico se pode encontrar num dilema mas que não pode ser solucionado com uma lei porque uma “excepção normalizada” poderia tornar-se regra, como advoga o actual ministro da saúde na Alemanha.

 

A religião é contra o suicídio assistido porque considera a vida como um dom sagrado. Para o cristianismo o ser humano não se deixa reduzir à biologia nem a sua vida pode ser deliberada pelo Estado nem por qualquer instituição. De facto a eutanásia é um acto contra a natureza e inclui também o perigo da industrialização da morte e do distanciamento familiar. A mentalidade economicista em via e a maneira como já se tratam os reformados não deixa pressupor o melhor desenvolvimento no sentido humano.

 

Nenhuma diagnose é segura, há sempre pessoas que apesar de diagnosticadas de doença mortal se restabeleceram. A eutanásia é decisiva e não deixa lugar para rever a decisão tomada no caso de condições mudarem.

 

As pessoas são manipuláveis pelo ambiente e pelo espírito do tempo. Vivemos numa sociedade utilitária que cada vez mais avalia tudo em relação aos custos. No nacional-socialismo tornou-se comum a destruição de “vida inútil”. Pessoas deficientes, operações a partir dos 70 passam a ser encaradas sob a perspectiva utilitária. O nacional-socialismo de Hitler determinava o que era digno de vida e o que não.

 

Morrer é um processo natural. Morrer dignamente não precisa de suicídio assistido.

 

Já o Antigo Testamento considerava a vida como oferta de Deus (Gen 2,7) e recomenda: “não deves matar (Ex 20,13). A maneira como se tratam doentes e moribundos é um indicador do grau da civilização de um povo. "Nunca é lícito matar o outro: ainda que ele o quisesse, mesmo se ele o pedisse (…) nem é lícito sequer quando o doente já não estivesse em condições de sobreviver" (Santo Agostinho in Epístola).

 

Não se tem o direito de decidir sobre vida ou morte. O tabu da morte serve o respeito e a protecção da vida como um direito fundamental das pessoas. A licença para matar viria da barbaridade que veria a morte como último remédio.

 

Há pessoas habituadas a mestrear toda a sua vida e querem determinar também o seu momento de morrer. Muitos defendem que uma motivação religiosa não dever ser alargada a toda a população. A decisão sobre a vida não é da competência de nenhuma instância humana, pelo que não deveria ser legalmente privatizada nem deixada a nenhuma instituição.

 

Quem assiste pacientes terminais de casos muito difíceis, sente-se, muitas vezes, desafiado e indefinido. Por trás de cada posição encontra-se um juízo de valor. Não há soluções definitivas, há que viver com a morte...

 

Um Testemunho pessoal

 

O teólogo Hans Küng, que sofre de Parkinson, defende o direito à eutanásia no fim da sua vida. "Eu assumo a minha responsabilidade para o meu morrer na devida altura, uma responsabilidade que ninguém me pode tirar... Deus oferece-me a graça, assim espero eu, de reconhecer o verdadeiro momento; o mais tardar seria para mim, certamente o início duma demência”. Küng considera a vida como um dom de Deus mas ao mesmo tempo, segundo a vontade de Deus, a vida é uma missão do Homem e, como tal, também na sua última etapa. “Ninguém deve ser incitado a morrer mas também não deve ser obrigado a viver” (Hanns Küng em “Menschenwürdig sterben von 2009”). É uma questão reservada à consciência da pessoa. A crença na vida eterna para lá do espaço e do tempo não precisa de se preocupar com o prolongamento da vida temporal.

 

O médico e o padre podem acompanhar o desejo de morrer. Não é sua missão julgar nem condenar mas assistir. Temos que viver com a incerteza. Informação venha ela de onde vier é também manipulação.

 

O Negócio com a Morte

 

Países baixos, Bélgica, Suíça tornaram-se em países do turismo da morte. Forças económicas dos países vizinhos olham com inveja para estes países.

 

Há grupos que fazem negócio com a vida prolongando-a e outros encurtando-a.

É perverso, querer fazer-se um negócio sob o desígnio da humanidade e de defender a dignidade humana. A propaganda vem mais de organizadores da eutanásia que ganham dinheiro com ela. Se o seu motivo não é económico mas humanista então porque o não fazem gratuitamente.

 

A meta não deveria ser uma morte humana mas uma vida humana. Numa época em que a eutanásia é idealizada, a organização do suicídio assistido torna-se trágico.

 

Conclusão

 

O teólogo Küng não defende o suicídio assistido mas reserva-se para si o direito de assumir a responsabilidade da sua morte no momento oportuno. É contra a recusa absoluta de toda a eutanásia e contra a arbitrariedade do morrer; opta por um meio-termo que segundo ele se funda na fé pessoal. Küng, como cristão responsável, fala por si e não em nome da instituição.

 

A Igreja petrina, pelo seu carácter constitucional, não pode ser pela eutanásia. A nível pastoral, sabe que a vida é oferta, uma dádiva a ser cuidada e desenvolvida e não encurtada nem reduzida a uma simples ideia sobre ela, mas conhece também o princípio da ética cristã: o último juiz em questões de decisão na terra é a consciência individual da pessoa.

 

Os textos sagrados não se perdem na lógica; permitem a contradição. Se fossem lógicos limitar-se-iam ao caminho da ciência. Assim podem-se dedicar às verdades eternas através da fé. Esta é dom que permite navegar noutras esferas que não as do dia-a-dia demasiadamente determinadas pelo utilitário.

 

Não é fácil nascer nem é fácil morrer; nos segredos da existência só Deus e a própria consciência!

 

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António da Cunha Duarte Justo

Teólogo

PODEMOS Ó NO PODEMOS?

 

 

O bipartidarismo espanhol parece estar a evoluir para um sistema quadri-partidário, a julgar pelas sondagens mais recentes. Assim, o aparecimento de um partido populista de extrema-esquerda (Podemos) cuja ascensão fulgurante parecia imparável, apresentando-se, mesmo, há relativamente pouco tempo como a primeira força em termos das prováveis intenções de voto, é contrariado pela emergência de uma nova força nascida na Catalunha, mas anti-independentista “Ciutadans/Ciudadanos”, recentrada em torno de propostas mais moderadas, mas sem deixar cair as bandeiras da luta contra a desigualdade, a pobreza e a exclusão social. Surpreendentemente, obtém 12,2% em eleições regionais e a partir daí anuncia a sua intenção de se transformar em partido nacional, o que conseguiu de forma espectacular.

 

Os partidos que tradicionalmente têm dominado a cena política espanhola desde a morte de Franco, ou seja o PP e o PSOE, incapazes de, por um lado, facultar respostas adequadas e coerentes à crise, por outro, sacudidos por escândalos internos e, finalmente, sem capacidade de reacção à investida do Podemos e de outras forças centrífugas, começaram a erodir as respectivas bases sociais de apoio. Por estas e por outras razões, em Novembro, o Podemos, para surpresa geral, estava na “pole position”.

 

Todavia, o alinhamento do Podemos com a Grécia de Tsipras, a sua indefinição quanto aos “nacionalismos” – uma questão de primeira grandeza e de enorme sensibilidade na vida política da Espanha –, agravada, igualmente, por alguns escândalos políticos e financeiros e pela ambivalência no jogo tradicional entre esquerda e direita, acabaram por não lhe ser totalmente favoráveis e o entusiasmo inicial esmoreceu.

 

Numa fase recente, a mensagem anti-austeridade do Podemos, a defesa da renegociação da dívida, por conseguinte, a proximidade com as teses do Syriza, adornada por alguns toques latino-americanos (Chavistas) fez ganhar dividendos a Pablo Iglesias e à sua gente. Mas o terreno da política é movediço: as teses de Tsipras não têm consistência (e começamos a estar conscientes disso mesmo, dia após dia) e, por outro lado, a inspiração bolivariana acaba por não ser muito apelativa para o eleitorado espanhol.

 

Por isso, dizia-me um amigo catalão pró-independentista: “Se estes avançam no terreno, é certo e sabido que a Catalunha declara unilateralmente a independência”. Ao que eu acrescentaria: e logo a seguir os bascos e provavelmente outros que estão na fila de espera. Isto num quadro hipotético de uma vitória de Iglésias em Dezembro, que é duvidoso que se concretize.

 

Em suma bem vistos todos os lados da questão, perante um quadro actual de empate técnico a 4, todas as combinações passam a ser possíveis, mas, principalmente, 2: PP-Ciudadanos ou PSOE-Ciudadanos. A chave parece, pois, estar nos Ciudadanos e não no Podemos. Mas outros arranjos são conjecturáveis, bem entendido.

 

Por isso, há dois dias, na conferência que proferiu na Sociedade de Geografia, a que estive presente, o Prof. Adriano Moreira não se mostrou particularmente preocupado com a situação espanhola. A meu ver, está-se, de facto, perante uma mudança de cenário, agora a 4, e perante a formação inevitável de coligações. Mas muito água há-de ainda correr pela nora. Os jogos ainda não estão feitos.

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Francisco Henriques da Silva

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