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A bem da Nação

ISTO VAI MAL...

 

ISTO VAI MAL....jpg

 

Os padres já não comem como abades.

Os padeiros têm falta de massa

Os relojoeiros andam com a barriga a dar horas.

Os talhantes estão feitos ao bife.

Os criadores de galinhas estão depenados.

Os pescadores andam a ver navios.

Os vendedores de carapau estão tesos.

Os apanhadores de caranguejos vêem a vida a andar para trás.

Os desinfestadores estão piores que uma barata.

Os fabricantes de cerveja perderam o seu ar imperial.

Os cabeleireiros arrancam os cabelos.

Os jardineiros engolem sapos.

Os cardiologistas estão num aperto.

Os coveiros vivem pela hora da morte.

Os sapateiros estão com a pedra no sapato.

As sapatarias não conseguem descalçar a bota.

Os sinaleiros estão de mãos a abanar.

Os golfistas não batem bem da bola.

Os fabricantes de fios estão de mãos atadas.

Os coxos já não vivem com uma perna às costas.

Os cavaleiros perdem as estribeiras.

Os pedreiros trepam pelas paredes.

Os alfaiates viram as casacas.

Os almocreves prendem o burro.

Os pianistas batem na mesma tecla.

Os pastores procuram o bode expiatório.

Os pintores carregam nas tintas.

Os agricultores confundem alhos com bugalhos.

Os lenhadores não dão galho.

Os domadores andam maus como as cobras.

As costureiras não acertam as agulhas.

Os barbeiros põem as barbas de molho.

Os aviadores caem das nuvens.

Os bebés choram sobre o leite derramado.

Os olivicultores andam com os azeites.

Os oftalmologistas fazem vista grossa.

Os veterinários protestam até que a vaca tussa.

Os criadores de gado pensam na morte da bezerra.

As cozinheiras não têm papas na língua.

Os trefiladores vão aos arames.

Os sobrinhos andam "Ó tio, ó tio".

Os elefantes andam de trombas.

 

Recebido por e-mail, Autor não identificado

SEPARAÇÃO DE PODERES

 

 

Ministra da Justiça.jpg

 

A antecipação que o «i» fez da entrevista que hoje (7FEV15) à Ministra da Justiça causou grande alarido.

 

Em causa, uma crítica à forma como o PS tem gerido o processo Sócrates com a frase: “Temo pela separação de poderes se o PS ganhar as eleições.”

 

Os socialistas ficaram indignados e, pasme-se, um comentador chegou a pedir a demissão de Teixeira da Cruz.

 

Estados de alma à parte, tentemos analisar a questão de forma objectiva.

 

Comecemos pelo historial recente dos socialistas em matéria de justiça.

 

Caso Casa Pia

 

Prisão preventiva de Paulo Pedroso, ex-ministro, alto dirigente do PS e braço-direito do então secretário-geral, Ferro Rodrigues.

 

O que fez o PS?

 

Ferro falou numa tentativa de decapitação política da direcção do partido e pediu a intervenção do Presidente da República (o também socialista Jorge Sampaio, que chamou o Procurador Geral da República Souto Moura a Belém).

 

António Costa, então líder parlamentar e ex-ministro da Justiça, falou com Souto Moura e negociou a entrega de Pedroso.

 

E todos os socialistas com contactos na justiça activaram os seus canais de comunicação.

 

Descobriram que Paulo Pedroso tinha estado sob escuta – legitimamente, refira-se, já que as escutas foram validadas por um juiz de instrução criminal.

 

O que fez o PS de José Sócrates quando chegou ao governo em 2005?

 

Criou uma Unidade de Missão liderada por Rui Pereira (o PGR favorito de José

Sócrates para substituir Souto Moura) e fez uma reforma penal em 2007 marcada descaradamente pelo caso Casa Pia.

 

Entre outras alterações, passou a ser expressamente proibido a comunicação social divulgar escutas telefónicas sem autorização dos visados.

 

Mais:

 

- Quaisquer escutas telefónicas ao Presidente da República e ao primeiro-ministro teriam de ser autorizadas e validadas pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

 

Processo Face Oculta

 

Recordemos agora o que aconteceu no processo Face Oculta.

 

O primeiro-ministro, José Sócrates, foi alvo de escutas telefónicas fortuitas e considerado suspeito de crimes graves por um procurador da República.

 

Como manda a lei feita pelo governo Sócrates, enviou uma certidão para o então Procurador Geral, Pinto Monteiro, para abertura de um inquérito e solicitou a validação das respectivas escutas telefónicas junto do Presidente do STJ.

 

O que aconteceu?

 

Não houve inquérito, Pinto Monteiro e Noronha de Nascimento destruíram as escutas, esconderam o processo administrativo que abriram e impediram qualquer tipo de escrutínio das suas decisões.

 

Ainda hoje não sabemos o que aconteceu.

 

Processo Sócrates

 

Falemos agora do Processo Sócrates.

 

Praticamente em todas as cartas da prisão, José Sócrates ameaça deliberadamente, como sempre fez com tudo e com todos (é o seu modo de vida, aliás), vingar-se do juiz que o mandou prender, do procurador que o investiga e da comunicação social que faz notícias sobre o caso.

 

Mário Soares, autêntico porta-voz de Sócrates, faz muito mais.

 

Depois de várias ameaças veladas, afirmou: - “O juiz Carlos Alexandre que se cuide.”

 

Eis uma frase que faz sentido na boca de um personagem do filme “O Padrinho” mas não na boca do fundador de um partido como o PS e do nosso primeiro Presidente da República civil.

 

O que fez ontem o PS pela voz do deputado Jorge Lacão?

 

Defendeu a liberdade de expressão de Mário Soares em vez de, como partido democrata que é, se afastar claramente de afirmações que podem configurar a prática de um crime de coação de um juiz de direito, isto é, de um titular de órgão de soberania.

 

As declarações de Lacão são vergonhosas para um partido hoje liderado por um político que foi ministro da Justiça.

 

António Costa tem a obrigação de ordenar ao PS o afastamento claro das declarações de Mário Soares. Não por Soares, que está altamente descredibilizado, mas sim para mostrar que o futuro governo do PS respeitará sempre a separação de poderes.

 

Voltemos ao início.

 

O PS tem uma relação saudável com a separação de poderes?

 

Sim, se as investigações não recaírem sobre dirigentes socialistas.

 

luis_rosa.png Luís Rosa

 

A DERROTA DO SYRIZA

Syriza.jpg

 

NÃO HÁ REVOLUÇÕES GRÁTIS

 

Quem derrotou o Syriza não foi a pressão da Alemanha, foi o medo que o Syriza tem dos gregos, a quem mentiu e enganou para ganhar as eleições.

 

Já todos sabemos o que conseguiu o Syriza: em vez da troika, passou a haver "instituições"; em vez do programa, "acordo"; em vez de credores, "parceiros"; em vez de austeridade, "condições".

 

Enfim, a transfiguração semântica servirá para muita coisa, mas não chega para esconder que o Syriza enganou os gregos, quando, para ganhar as eleições, prometeu que bastava dar dois berros à Merkel para tudo se tornar fácil. Agora, como todos os mentirosos, resta-lhe continuar a mentir, recorrendo ao delírio verbal consentido pelos seus parceiros europeus para inventar "batalhas ganhas" em guerras perdidas.

 

Na Grécia, à esquerda e à direita, já muita gente percebeu a "ilusão" encenada por Tsipras e Varoufakis. Manolis Glezos, o patriarca do Syriza, com um sentido da decência que os seus correligionários mais novos não têm, pediu entretanto as devidas desculpas ao povo grego. Há quem diga que ficou tudo na mesma. Não, tudo ficou muito pior, porque o circo do Syriza deixou a Grécia mais isolada, mais desacreditada, mais fraca, e mais longe da recuperação económica. O saldo orçamental primário, por exemplo, já desapareceu. Com inimigos destes, a troika não precisa de amigos.

 

No exterior, o clube de fãs do Syriza vai tentar fingir que este foi apenas mais um caso de prepotência alemã. Não foi nada disso. A Grécia não é um país ocupado e não estamos no século XIX. Ninguém iria bombardear Atenas para forçar o pagamento da dívida, como aconteceu ao Egipto em 1882. Então, porque é que o Syriza não ousou romper as negociações, renegar a dívida, sair do euro, afirmar a soberania, e em vez disso se submeteu a um acordo duríssimo? Não foi por causa da "pressão europeia", mas porque teve de reconhecer que não existe na Grécia uma maioria para romper com a União Europeia, o euro, o "capitalismo" e a "democracia burguesa", como desejariam os revolucionários da extrema-esquerda.

 

Na Europa do sul, os que têm imediatamente a perder com uma revolução são a maioria, ao contrário do que acontece, por exemplo, na Venezuela, o país-modelo do Syriza. A hemorragia de dinheiro dos bancos foi um sinal da pouca inclinação da Grécia para sacrificar as suas poupanças e patrimónios numa aventura fora da União Europeia (desde o começo da crise, os depósitos em relação ao PIB já caíram de 131% para 77%). O Syriza cedeu porque teve medo do que lhe fariam os gregos se por acaso Varoufakis voltasse a casa para anunciar uma desvalorização de 50% sob a forma de um novo dracma. A alternativa foi chamar "instituições" à troika.

 

O truque dos contestatários do ajustamento e das reformas na Europa do sul tem sido o de fingir que toda a população está com eles. Não está. É óbvio que ninguém gosta de cortes e pouca gente está entusiasmada com mudanças. Mas também é óbvio que quase toda a gente sabe que as alternativas são piores. Os programas de assistência evitaram bancarrotas e pouparam os vários países a tormentos muito maiores do que os que infligiram. É por isso que, apesar de todas as dificuldades, a Grécia aguentou cinco anos de troika, e agora, com o Syriza, preferiu continuar sob as "instituições" (para usar o novo vocabulário grego).

 

No passado, ajustamentos do tipo que a Grécia experimentou deram resultados rapidamente, como sucedeu em Portugal a partir de 1985. Agora, não. Há quem explique a dificuldade pelo modo como a zona euro funciona, impedindo desvalorizações e não prevendo transferências entre países. Com todo o respeito, parece-me que não é bem essa a questão: transferências há, o que não há é muita vontade de efectuar o equivalente interno das antigas desvalorizações da moeda e muito menos ânimo para sanear e modernizar administrações, ou abrir e flexibilizar mercados. Por isso, a inflação, com a sua "ilusão monetária", continua a parecer a muitos especialistas indispensável para restaurar a competitividade de países como a Grécia.

 

O problema da Grécia é que não deseja voltar à desvalorização e à inflação, mas não conseguiu ainda organizar-se para existir de outra maneira. A questão é fundamentalmente política: não há, na classe dirigente, muita gente disponível para se comprometer num projecto reformista. Em França, Hollande teve de recorrer ao poder presidencial para fazer passar a lei Macron, de modo a dispensar os deputados socialista de sujarem as mãos em reformas.

 

As classes dirigentes falharam, mas o seu falhanço serviu mais uma vez, no caso da Grécia, para tornar manifesta a insustentável irrelevância da chamada "esquerda radical", a quem a crise emprestou um simulacro de vida. Não há revoluções grátis. Por isso, no mundo actual, onde não há petróleo, não há revolução. Até o Podemos, em Espanha, parece não dispensar o dinheiro venezuelano. Sem rendimentos petrolíferos, a "esquerda radical" não é mais do que retórica, colarinhos abertos, cachecóis – e mentiras.

 

23/2/2015

 

Rui-Ramos.jpg Rui Ramos

 

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