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A bem da Nação

SE A MINHA ILHA SOUBESSE…

  

Cão de fila de S. Miguel.jpg

 

Há passeios inesquecíveis

Pelas encostas do tempo

E pelos atalhos da alma;

Uns e outros

Têm a sua função imprescindível

Dentro de nós…

Embevecida na minha

Meditação

Não dei pela presença

Do “Ginjas”

O velho cão de fila

Da nossa infância

Que cansado do céu dos bichos

Resolveu voltar

Por algumas horas

E veio lamber-me as mãos

Como antes!...

 

Maria Mamede.jpg Maria Mamede

PRIMEIRO A DIGNIDADE HUMANA, DEPOIS A INSTITUIÇÃO

 

Islão.png

 

Terror de ideologias camufladas sob o pretexto da religião e da liberdade quando a estratégia é dominar o outro.

 

Com o atentado de Paris, o Islão não foi insultado, quem foi insultada foi a humanidade, a dignidade e a liberdade humana. A instituição não sofre, quem sofre são as pessoas sejam elas islâmicas ou não. Neste atentado há vítimas humanas e elas é que se devem recordar e defender. Ao defendermos o Islão ou Charlie estamos a esquecer as vítimas de um lado ou do outro. A vida e a dignidade humana é que devem estar no centro da discussão e acima de cada instituição seja ela religiosa ou secular.

 

Se libertarmos o homem libertamos a religião, se defendermos a dignidade individual deste modo está defendida a liberdade religiosa. Ao defender-se a dignidade humana como bem superior a tradições e instituições, contribuiremos para um diálogo construtor de paz, solidariedade e libertação humana e com esta para a disciplinação das instituições.

 

Somos uma sociedade com pessoas e grupos a andar a diferentes velocidades e cada um construindo a sua felicidade na demarcação de tempos e regiões como forma de sentir o próprio existir; é isto que provoca detritos e desgastes… o problema vem da afirmação de um em relação ao outro, de se procurar construir uma identidade baseada na diferenciação cultural e ideológica.

 

Foi atacado um grande símbolo da liberdade duma França não só laica mas também jacobina. Foi também atacada a liberdade universal, um direito humano fundamental muito embora fosse, também ela, símbolo de um tempo ideológico parado que legitima a própria posição no poder atacar a outra. Na discussão é manifestamente calada a luta provocante de um radicalismo esquerdista contra a religião. Se antes o Estado (para desenvolver a própria identidade se serviu da religião, hoje o estado laico procura afirmar a sua servindo-se da ideologia materialista ateia) antes era aliado da Igreja hoje tornou-se em seu contraente aliando-se à ideologia esquerdista secular ateia. A guerra destes contra tradições religiosas observa-se não só depois da república mas ganhou força com a centralização do poder em Bruxelas (UE). A Europa precisa naturalmente do vitalismo religioso e secular mas não na contraposição de uns contra os outros. A “César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, não podendo a ideologia secular açambarcar para si também o lugar de Deus.

 

No atentado de Paris, temos aqui dois agressores ociosos cada um defendendo o seu tempo e a sua geografia, não notando que o espírito motivador é o mesmo e o dilema está nas diferentes velocidades do mesmo veículo. Uns foram vítimas do fanatismo religioso, por vezes, encoberto por representantes e defensores da instituição religião e outros foram mortos em nome de uma liberdade defensora do regime secular que não para de provocar os muçulmanos como se viu no Iraque, Afeganistão e norte de África. Violência em diferentes nomes e com diferentes graus de gravidade encobre a violência escondida entre exploradores e explorados.

 

Este atentado irá fanatizar, amedrontar e legitimar medidas mais controladoras da autoridade estatal em relação aos cidadãos; irá prolongar o abuso e exagero do mundo secularista contra os heterodoxos do seu sistema; isto pretendem os extremistas por trás de Charlie, de al Qaida e as elites de uma preponderância americana, todos interessados em dividir para mandar. A estratégia é a mesma: numa massa anónima à disposição, uns combatem em nome de Deus, outros em nome da liberdade ou de interesses económicos.

 

As leis do Ocidente cada vez se tornam mais apertadas e, assim, a nossa sociedade se torna cada vez mais igual à deles e protela a consciência de uma subtil exploração. Enquanto nos distraímos com palavras e não agimos com boas obras vale tudo usando, uns e outros, como seu melhor meio de auto afirmação, o ataque.

 

No meio de tudo isto, o cristão sente-se chamado à liberdade e à paz, mesmo contra o próprio ponto de vista, mas por outro lado sofre ao constatar que quem ganha é o violento, porque as massas são conduzidas por estes.

 

Portugal terá de estar atento para se não tornar em lugar de trânsito para extremistas. Importante será observar os movimentos salafistas e grupos apoiados pela Arábia Saudita (construção de mesquitas) defensora da corrente fundamentalista wahabita. Atrás de estabelecimento de relações económicas junta-se o contrabando de ideologias. Uma premissa nos deve levar à contenção na discussão: Portugal, com 0,4% de muçulmanos, não tem razão para alarmismos e entretanto o Islão renovar-se-á.

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

(1)  Como tudo elabora a sua razão em nome do bem contra o mal, o passo consequente e imediato é a luta, a luta dos melhores contra os piores; como cada qual só conhece o miradouro da sua verdade, não há verdade mista, os maus são os outros. Tudo luta pela sua verdade e pela sua paz e por isso divide a realidade em duas partes: a verdadeira e a falsa, a boa e a má, a nossa e a dos outros; este facto faz de todos delinquentes, uns em relação aos outros. A guerra passa a ter razão porque esta nasce na cabeça; como cada um quer o melhor, torna-se lógica a luta pela vitória do “bem”.

 

A QUESTÃO GREGA E OS RESULTADOS DO EUROGRUPO

Grécia.jpg

 

O insuspeito “Le Monde” (ed. 21-22 Fev), um jornal conotado com a esquerda, comenta com este título o resultado da reunião do Eurogrupo de sexta-feira "Entre Bruxelles et la Grèce, un accord sans confiance", sublinhando " A atitude do Sr. Varoufakis, ministro grego das finanças, reúne a desconfiança dos seus homólogos", o que é sintomático do modo como se processaram as negociações. Estas, de acordo com aquele jornal francês, foram difíceis, dada a inexperiência e o estilo do novo poder grego que irritaram os europeus. Com efeito, sublinha o "Le Monde", o estilo Varoufakis não passa. A sua atitude arrogante caiu mal junto dos seus homólogos da união monetária.

 

Mais interessante, porém, é leitura da edição inglesa do jornal grego “Ekthamirini” A chave está aqui, creio eu: "Tsipras blinked on Friday night when it became clear that a bank run was gathering pace and capital controls would need to be imposed within days unless he did a deal with his euro zone creditors. The government itself would have gone bust in weeks" (ver http://www.ekathimerini.com/4dcgi/_w_articles_wsite3_1_22/02/2015_547541).

 

Mais. Desmentindo claramente a ideia de uma vitória para os gregos ou das perspectivas do copo meio vazio ou do copo meio cheio ou, ainda do que na Teoria dos Jogos se chama o equilíbrio de Nash, o PM grego teve de aceitar virtualmente tudo o que os seus credores, liderados pela Alemanha, exigiram. Não obstante Atenas obteve garantias firmes para uma concessão potencialmente importante: poderá propor a sua própria lista de reformas. Tsipras teve de engolir remédios muito amargos, designadamente uma monitorização pela impopular Comissão Europeia, BCE e FMI, ou seja a “troika” eufemisticamente designada, ao gosto helénico, como as “instituições”. Já, agora, também na nova terminologia o “MoU” (memorando de entendimento) chama-se, agora, o “actual acordo”.

 

José Manuel Fernandes refere no “Observador” de hoje, afirma: “A Grécia teve de ceder em quase tudo. De tal forma que pouco sobra das principais bandeiras eleitorais do Syriza. Porque a realidade é a realidade. E porque, ao negociar, a arrogância é má conselheira”.

 

O diário económico espanhol “Expansión” (na sua edição on-line, também de hoje) coloca o problema de uma forma curiosa: uma força imparável (Syriza) choca contra um objecto inamovível (Europgrupo) sendo impossível que ambos coexistam no mesmo espaço (Grexit). Todavia vai mais longe: “Los ministros de Finanzas de la zona euro pergeñaron el viernes una solución menos traumática: una prórroga de cuatro meses del rescate actual, siempre y cuando Grecia presente el lunes un plan de reformas que debe ser aprobado por la troika. Pero olvídense de lecturas buenistas. Grecia ha cedido en prácticamente todo. No por convicción, desde luego, sino porque el desaguisado que tiene montado en casa le obliga a pedir ayuda a sus socios. Pero eso estaba claro desde hace semanas. La gota que ha colmado el vaso es la fuga de depósitos bancarios y las advertencias del BCE sobre los límites de las líneas de liquidez de emergencia. Si Draghi desenchufa a la banca griega, lo primero que se encontrarían los ciudadanos griegos es un corralito y después, a poco que se ponga el Gobierno de turno, una emisión de nuevos dracmas.” Esta visão corrobora de algum modo a perspectiva do “Ekhtamirini”: a ameaça de bancarrota estava iminente e, a meu ver, está por ora adiada.

 

Tudo o que precede é já suficientemente claro para se fazer uma ideia do que se passou em Bruxelas e do que se vai seguir. Como sempre disse e repito: a cadeia rebentou pelo elo mais fraco, mas, à boa maneira bruxelense, compôs-se o quadro, com 3 ou 4 pinceladas de última hora. Resta saber que medidas serão apresentadas pelo lado grego, se serão necessárias e suficientes e como tal aceites pelo Eurogrupo, em que a unanimidade a 18 constitui a regra de ouro.

 

Por outro lado, não é menos certo que se assistiu a uma triangulação prévia à reunião de sexta-feira. Hollande terá convencido Merkel a não deixar cair a Grécia, ao que aquela terá aquiescido concedendo tempo, porém sob condições. Os dois terão, cada um por seu turno, obtido de Tsripas algumas garantias quanto ao respeito das regras do jogo e os compromissos assumidos pelo Estado grego.

 

Hollande terá, penso eu, tido receio de se aventurar no desconhecido e deixar cair Atenas de qualquer maneira, sem embargo da aparente solidez da moeda única e do Eurogrupo. O risco parecia-lhe demasiado grande, uma vez que se tratava de uma situação sem precedentes Merkel terá anuído para alguma exasperação do seu ministro das Finanças.

 

O folhetim continua.

 

Francisco Henriques da Silva.jpg

 Francisco Henriques da Silva

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