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A bem da Nação

SE A MINHA ILHA SOUBESSE…

 

Aldeia da Cuada.jpg

 

Vá lá, confessa

Que te sabe bem recordar

As corridas sem fim

E o jogo das escondidas

Na velha casa das Lajes...

E a Avó Glória, de avental imaculado

Laço perfeito e rendas

Nas alças

A enfeitar a mesa

De hortências azuis e iguarias!...

 

Maria Mamede.jpg Maria Mamede

O PENSAMENTO ESTÁ DE FÉRIAS EM TEMPOS EMOCIONAIS

 

De um lado a Ideologia “santificada” e do outro a Ideologia “correcta”

 

Em tempo escuro, a sociedade moderna, ao luar da sua razão e da sua fé, só parece conhecer pecadores e puros.(1) A paixão pelo preto e branco deixou de reconhecer as cores do arco-íris conduzindo a sociedade à loucura. Vivemos numa sociedade caricata a viver de meias-verdades e a vendê-las como verdades inteiras.

 

A pressão do pensar politicamente correcto (2) é hoje de tal ordem que até gente académica, quando ouve falar das barbaridades, cometidas por extremistas islâmicos logo reage referindo a violência praticada pelos cristãos através da "Inquisição" como se, no caso, o que estivesse em causa fosse o cristianismo ou o Islão, como se os problemas inerentes à governação pudessem ser desculpados com a religião, ou com histórias dum passado não evoluído. Colocam-se as religiões como centro do furacão, quando o problema mais que religioso, no que diz respeito ao islamismo em via nos países europeus, é um fenómeno social consequência das políticas sociais, económicas e de imigração assumidas pelos Estados depois da segunda guerra mundial e ao mesmo tempo um problema acentuado com a queda da União Soviética.

 

A política falhada, o jacobinismo de ideologias combativas na opinião pública, a situação miserável de bairros sociais degradados são cenários que preparam uma sociedade minada. Os jovens que iniciam uma carreira terrorista e se deixam recrutar para a guerra islâmica fazem-no porque se sentem fazer parte de um grupo socialmente desfavorecido e porque têm a percepção pessoal de injustiça na política. Sentem-se vítimas da sociedade e como tal, ao não fazer parte dela, não encontram motivos para se identificarem com ela. Vêm geralmente de famílias débeis e de bairros de segregação social. Os jihadistas são produto da nossa sociedade que é secular; discriminação social fomenta o fanatismo. A luta por uma causa grande dá-lhes personalidade e respeito. Quem não tem nada a perder encontra na luta uma perspectiva ou uma saída para a vida.

 

Desde 2011, os terroristas adoptaram a táctica de alvos de assassínio específicos conseguindo atingir o nervo da sociedade de modo a provocar nela mais agressão contra os muçulmanos e deste modo levar os muçulmanos a fanatizar-se e assim a identificarem-se mais com os terroristas.

 

Por outro lado os crentes do pensar politicamente correcto consideram o Islão tabu bem como os temas de imigração e se alguém colocar perguntas legítimas sobre os guetos muçulmanos e o fundamento do terrorismo islâmico logo é apedrejado com o burgau de racista, intolerante, nazista. Há que distinguir entre as tendências estratégias da cultura árabe por hegemonia e os conflitos de origem religiosa e secular que se originam no meio das sociedades ocidentais.

 

Na opinião pública encontram-se muitos orientadores de diálogo inter-religioso, vítimas do “pensar correcto”, que parecem sofrer do complexo de paternalismo ou de inferioridade no diálogo com o Islão, ao encararem o parceiro dialogante com desculpas de mau pagador (como se houvesse a proibição de pensar um pouco mais além do que a delicadeza permite), ou por razões de ofício e ao equacionar os problemas inerentes à sociedade como problemas religiosos sem tocarem a auto-compreensão subjacente à filosofia islâmica, a luta entre as civilizações, as diferentes sociologias e antropologias.

 

Querer hoje desculpar as barbaridades dos terroristas islâmicos com as barbaridades da “inquisição” onde Estado e Igrejas lutavam contra ideias novas, é subestimar o que acontece hoje com as barbaridades islâmicas não só pelo desfasamento histórico mas pelo facto de então não poder ser ninguém condenado sem primeiro ser submetido a um processo do tribunal da “inquisição„ o que, apesar das barbaridades da inquisição, significou um progresso para o tempo, em termos de desenvolvimento do Direito, dado o indivíduo passar a ter direito a um processo com julgamento. O Islão é hoje tão responsável pela violência que acontece em seu nome, como o foi a antiga cristandade pelos crimes que operava com a Inquisição.

 

Como a religião não deve justificar o terrorismo, a instituição religiosa deveria reinterpretar frases do Corão e das Adith (numa linguagem compatível com os tempos modernos e sem bajulação da modernidade) para ninguém poder argumentar que o que faz em nome de Alá. No máximo poderia fazê-lo em nome do seu Alá mas não em nome ou defesa do Islão. (Aqui é bom mencionar a atitude exemplar de Francisco I, também em relação a outras religiões; o Papa coloca, a nível social, como primeira prioridade das religiões fomentar a paz social e internacional, mesmo correndo o perigo de descontentar pessoas orientadas por princípios dogmáticos).

 

O recurso directo ao Corão ou às Hadith/Hadiz do profeta para justificar, a guerrilha torna-se compreensível numa estrutura muçulmana religiosa, que prescinde de um organigrama institucional central responsável e, como tal, incontrolável e presente em todo o lado, sendo inviolável a nível global.

 

Num ambiente de desorientação e de incapacidade, uns argumentam que falta um papa ao Islão, e uma interpretação teológica geral e por isso cada líder ou grupo pode declarar guerra em nome do Corão. É porém também um facto que os protestantes, não tendo organização central, não se servem da guerrilha; o mesmo se diga do judaísmo ou do budismo. Os muçulmanos fundamentalistas, na falta de estruturas centralizadas do poder, mais afincadamente se agarram às escritas do Corão, às Hadiz e à sharia. Muitas vezes não será tanto a crença que os move mas a vontade de um poder incapaz que, ao não encontrar refúgio na fé, se apoia, desesperadamente, na violência da guerrilha (3). Também pode encontrar-se na motivação o reconhecimento que na luta, a nível de argumentos perderiam, pelo que importa apostar na violência.

 

Um estado moderno não se pode defender do terrorismo porque a única maneira de o combater seria a ditadura. Por outro lado o Islão é um sistema completo (não separa o poder secular do poder religioso) e encerrado em si, vê-se confrontado com uma sociedade aberta de governo democrático mas mais decadente e como tal sem resposta para um Islão inseguro.

 

A sociedade islâmica precisa de muitos grupos que reconheçam, “Nós devemos revolucionar a nossa religião”, como apelou o presidente egípcio Al-Sisi at Al-Azhar.

 

A sociedade ocidental também se encontra num estado crítico e precisa de grandes correcções. Os valores ocidentais não se deixam reduzir à vontade de maiorias democráticas, como demonstrou o final da República de Weimar, nem tão pouco a assombrosas manifestações sobrecarregadas de sentimento, como a de Paris. O princípio da maioria deve ser acompanhado e sempre corrigido pela consciência da liberdade em conexão com outros valores e dos direitos humanos individuais inalienáveis. O estado secular, sem se tornar religioso, deveria redescobrir os fundamentos da sua civilização e deixar de os combater.

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo

 

(1)   Também muitos jornalistas sentem a pressão do pensar correcto, além de, como profissionais, sentirem responsabilidade social não tocando determinados temas para não correrem o perigo de serem utilizados no sentido de apoiarem movimentos populistas que muitas vezes generalizam e não diferenciam.

(2)   Um exemplo de tabus do pensar politicamente correcto: Se uma pessoa disser “na Arábia Saudita prevê-se a pena de morte para quem for apanhado com uma bíblia, e também quem se converter a outra religião está sujeito à pena de morte”, o argumento motivador do diálogo em pensar correcto será “sim, mas na idade média havia pessoas condenadas à fogueira por razões de apostasia. Uma simples informação provoca o medo de saber.

(3)   Muitos jovens muçulmanos encontram-se na parte sombria da vida sem perspectivas de futuro material e humano, vendo por isso a oportunidade de dar sentido à própria vida dedicando-se a uma missão considerada nobre como a de fundar o Estado Islâmico. A UE tem mais de 4000 jhiadistas a combater pelo Estado Islâmico, quando o Egipto não gera sequer a metade.

O MAL NÃO ESTÁ NOS PARTIDOS

 

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 Quase todos se queixam dos maus políticos e dos partidos. Só não se queixam os que beneficiam do sistema. São inúmeros os escritos referentes a esse tema e, na maioria dos casos, pedem que os partidos se reformem, alterando o seu procedimento.

 

Na minha modesta opinião, essa forma de abordar um problema, que é real, não está correcta. O mal não está nos partidos. Há muito tempo que considero que o mal está na nossa Constituição e no absurdo poder, um poder absoluto, ditatorial, que dá aos partidos. Posso prova-lo, pois em 1979, já lá vão mais de trinta e cinco anos, apenas cinco anos após a revolução, publiquei no “Expresso” o artigo “Partidofobia e partidocratite”, que termina com o seguinte parágrafo;

“Da vivência destes 5 anos parece podermos dizer que, partidos como congregações de cidadãos com o mesmo credo político, sim! Partidos como órgãos de poder paralelo, não! E partidos como órgãos de poder ditatorial, três vezes não!!”

 

Para corrigir este mal, que a mim parece evidente mas que os portugueses aceitam como bom, na “Proposta de Alterações à Constituição”, que publiquei em 2002 na revista universitária “INUAF Studia”, propus as seguintes alterações dos Artigos 149º e 151º:

Artigo 149º

Alterar para:

Os Deputados são eleitos por círculos eleitorais uninominais, constituídos por um conjunto de freguesias adjacentes, somando um total de (40.000 a 50.000 ?) eleitores ou, no caso de haver freguesias com mais do que esse número de eleitores, por bairros adjacentes, de forma a situarem-se dentro daqueles limites.

Artigo 151º

1 - Alterar para:

As candidaturas serão apresentadas, nos termos da lei, por um grupo de não menos de X nem mais de Y eleitores do respectivo círculo eleitoral.

Definir os números X e Y. Pode considerar-se como referência a eleição para o cargo de Presidente da República, em que a proporção é de, aproximadamente, um a dois por cada mil eleitores. Para um círculo de 40.000 eleitores teríamos 40 a 80 proponentes, que parece ser número aceitável.

2 – Suprimir

 

Isto é aplicar à eleição dos deputados exactamente a mesma norma que se usa para a eleição do Presidente da República, a única democrática em Portugal. Os que se queixam do Presidente da República apenas podem lamentar-se de não terem sabido eleger um melhor, pois não eram obrigados a fazer o que os chefes dos partidos – os actuais ditadores – quisessem mandar, como somos obrigados a fazer nas eleições dos deputados.

 

Para as autarquias já se abriu o que chamei “uma pequena janela democrática” e é possível haver, também, candidatos independentes. (Os outros são “dependentes”). Mas assim deviam ser todos, e os partidos apenas com a função de apoiar os candidatos que entendessem. A existência dos partidos é perfeitamente correcta, mas nunca como órgãos de poder e muito menos como órgãos de poder ditatorial, que decidem quem pode ser candidato e até em listas de ordem fixa! Como já tenho dito, nunca fiz tenção de me candidatar a deputado, mas não tolero não ter esse direito, que considero inerente ao conceito de democracia.

 

Publicado no "Linhas de Elvas" de 29 de Fevereiro de 2015

 

Prof. Miguel Mota.jpg Miguel Mota

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