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A bem da Nação

TISA – ACORDO NO COMÉRCIO DE SERVIÇOS...

 ... PREPARADO ÀS ESCONDIDAS

 

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Mais um Passo na Globalização Comercial e de Serviços à custa das Regiões

 

2015 exige especial atenção e empenho, da opinião pública e dos políticos, não só no que toca à guerrilha política e religiosa internacional, mas também à guerra acentuada (em preparação) das grandes multinacionais da economia e finanças contra a economia regional das pequenas e médias empresas e dos Estados menos fortes.

 

A preparação dos acordos TTIP (Associação Transatlântica para o Comércio e a Inversão) e CETA (Acordo integral de Economia e Comércio) ainda não está concluída e já se encontra em negociação, sob sigilo absoluto (1), a TISA (Trade in Services Agreement = Acordo no Comércio de Serviços) entre a UE, EUA e 21 países.

 

TTIP e CETA pretendem a globalização da grande indústria e das multinacionais contra pequenas e médias empresas locais, até agora defendidas por regulações nacionais. Estes acordos acarretam consigo processos jurídicos especiais, e tornam inoperantes os tribunais independentes nacionais e o tribunal europeu. Conseguem assim sacudir concorrentes incómodos e utilizar a sua posição monopolista (mais sobre o assunto em http://antonio-justo.eu/?p=2962).

 

TISA segue a mesma filosofia neoliberal pretendendo a liberalização dos Serviços, no sentido de desregular e privatizar este sector. Este acordo em preparação terá grande influência no sector da energia, saúde, educação, abastecimento de água, transportes públicos e protecção de dados pessoais porque limita, mais ainda, a intervenção do Estado. A comercialização de serviços passa a ser regida pelo critério do lucro. A protecção de dados vai-se ao ar. Com o Acordo, empresas dos EUA podem, a partir da América, determinar o que acontece na Europa (Empresas de Internet americanas não precisariam de respeitar leis europeias). Deste modo só as grandes potências filiadas terão capacidade e proveitos… Depois, ter-se-á a nível comercial situações de países como a da Grécia e dos países do sul da Europa.

 

O acordo também prevê a abertura do mercado de trabalho para prestadores de serviços estrangeiros com direito a nomear trabalhadores estrangeiros para tarefas temporárias nos países signatários. (Problema do respeito de ordenados, tarifas e contratos sindicais!).

 

Falta transparência nas negociações que, nas suas consequências, abrangem propriamente todo o mundo até porque coloca os países não participantes sob pressão ao colocar as regras da Organização Mundial do Comércio fora de jogo. Só a Suíça, devido ao seu compromisso político-democrático com o povo, tem publicado resultados das conversações. Pelos vistos os participantes pretendem a publicação dos resultados para o público apenas cinco anos após celebração do contrato.

 

A filosofia subjacente à elaboração dos contratos referidos não tem em conta a defesa de pessoas e grupos mais frágeis. Vivemos num mundo desigual que precisa de instituições que defendam também os interesses dos mais fracos, doutro modo, só os fortes passam a não só ter o direito como até a impô-lo. Uma sociedade pautada apenas por valores económicos conduz à desumanização e à violência estruturada.

 

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António da Cunha Duarte Justo

NB: Estes acordos, sob a forma de um tratado internacional, estão a ser negociados entre a UE, os EUA, Canadá, Suíça, Japão, Chile, China Taipei, Hong Kong China, República da Coreia do Sul, Nova Zelândia, Noruega, Islândia, Israel, Colômbia, México, Costa Rica, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru e Turquia.

LES FEMMES SAVANTES E OUTRAS MITOLOGIAS

 

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Mais três artigos de Alberto Gonçalves (D.N. /4/1/15) que nos fazem atenuar um pouco o vazio que a ausência de Vasco Pulido Valente, do “Público”, nos tem imposto. Espero que não seja por doença, já que ele abusa do tabaco, explicou a minha irmã, que igualmente sente a magia dos seus escritos e receia as consequências do tabaco apontadas em grandes parangonas nos respectivos maços. Alberto Gonçalves diz-se sociólogo, é jovem, e escreve com a arrogância faceta da sua juventude corajosa e esforçada, fazendo nos seus escritos duros e certeiros prevalecer os seus dons de análise psicológica e sociológica. Vasco Pulido Valente, historiador, é menos jovem, e também escreve com a displicência e um saber que não poupa a estupidez “indígena”, apoiando os seus considerandos de aprazível informação histórica e psicológica. Ambos inteligentes, ambos originais, na precisão de um pensamento rigoroso e sério. A minha pena, no caso de Alberto Gonçalves, é que o DN me não deixe transferir os seus textos sem sacrifício pessoal - da escrita, com um dedo apenas – para o meu blog, e, enquanto espero pelos de Pulido Valente, fico erguendo uma prece pela sua saúde. Mas antes de continuar, e “já que estamos nas covas do mar”, ou seja, no capítulo das loas e dos entusiasmos admirativos, não vou eximir-me a citar um email que recebi ontem, de uma colega de faculdade – a Maria da Conceição Quadros de Morais Sarmento, de quem já falei, a respeito de uma conferência sua sobre Miguel Torga, que transcrevi no meu blog um dia. Os 2015 textos - correspondentes ao número do ano em curso - que nele estão já contidos, com que fui preenchendo os espaços das minhas emoções ou beatitudes a envelhecer, me levaram a considerar que, ainda que parasse agora, por razões óbvias dessa última fase da vida, esta síntese da minha colega seria um justo epílogo do meu blog. Todavia, contra este último agoiro só posso exclamar: “Lagarto! Lagarto! Credo!” Eis o email recebido:

«PASSEI A TARDE A LER O TEU BLOG. ESTÁS A MESMA BERTA. OBSERVAÇÃO PERSPICAZ. INTELIGÊNCIA, ESPÍRITO CRÍTICO, HUMOR. TIVE MUITO INTERESSE EM LER. OBRIGADA POR COMUNICARES ASSIM. ATÉ À PRÓXIMA. SAUDADES. M.C.»

Respondi-lhe assim:

«Querida Conceição, que surpresa agradável o teu comentário! Apetece-me usá-lo em autopromoção recriativa, mas receio algum calhau lançado sobre mim, embrulhado em um qualquer dístico do tipo "Gaba-te cesta rota", ouvido na minha infância a respeito de um deslize desse calibre, nosso ou alheio. Um beijinho e acrescento: Só tu, para o reconheceres tão desprendidamente, porque tens idênticos parâmetros e exigências de verdade e sinceridade, reconhecidos desde os nossos velhos tempos de Coimbra. Não são elogios lançados post mortem. Obrigada. B.»

E voltando à superfície, lá dessas covas do mar, retomemos Alberto Gonçalves e os seus textos desta semana:

De 4/1/15, o artigo “A ignorante orgânica” , sobre uma Raquel Varela que usa chavões de esquerda para aplicar nas suas causas, que facilmente se prova não passarem disso – de chavões – que nada têm a ver com uma real competência de visão política, num país de exibição de virtude apoiada em lugares comuns intelectuais da moda. Também esta noite captei, já a meio, um programa de mulheres “políticas”, no Canal 6, (dirigido por um homem), entre as quais reconheci Manuela Moura Guedes e a filha de Adriano Moreira, esta falando sobre o “discurso de início de ano de Cavaco Silva” em termos impertinentes e de banalidade “orgânica”, que não desligam dos tais chavões – neste caso, os da ligação de Cavaco ao governo ruinoso de Passos Coelho, para além doutros chavões sobre o passado governativo de Cavaco, em que todos esses cospem, depois de terem usufruído dos benefícios que nele colheram, por conta, é certo, de dinheiros vindos de fora. Pareceu-me uma menininha caprichosa e assanhada, contente de si e da “mala de cartão” dos seus tesouros arrebatadores, de dualidade semântica - pró-povo explorado, contra governo explorador e arruinador da Nação. O que fez Moura Guedes responder com acrimónia, lembrando dados positivos sobre Cavaco. Mas o que disseram, em alta grita, também já eu ouvira ou lera, pensando eu com os meus botões aquilo que muitos desses “críticos” não apontam, só desejosos de ostracizar para inglês ver, mas intimamente sabendo que Cavaco tem sido um elemento de coesão e força, com a sua sensatez, que mantém o equilíbrio e nos evita o charco, que o seria, caso ele seguisse esses pontos de vista de uma esquerda hipócrita e mais desejosa da anarquia, para reinar ela própria no espaço do caos e da crueldade. Como já se viu. E continua a ver-se, nesses prosélitos do nosso “jihadismo nacional”, próprios da “ignorante orgânica” que propõe Alberto Gonçalves para as nossas fraquezas estruturais de pensamento.

Mas já é tempo de me pôr a caminho, copiando os artigos de Alberto Gonçalves, de que a Internet me dá apenas parte do primeiro parágrafo:

«A ignorante orgânica»

por ALBERTO GONÇALVES (DN, 4/1/15):

«Uma senhora chamada Raquel Varela, que se diz investigadora universitária, celebrizou-se (digamos) quando, no Prós e Contras, discutiu com um garoto de 16 anos e perdeu a discussão. O garoto criara uma marca de roupa e a dona Raquel, que toma a iniciativa privada por sinónimo de exploração, não aprecia os "ricos" que oprimem o povo. Agora, em nova erupção da pequena dama, a dona Raquel mostrou que também não aprecia o povo, no caso representado pela família de Cristiano Ronaldo, gente capaz de entrar no Ano Novo a assistir à “Casa dos Segredos”. No entender do Facebook da dona Raquel, isso constitui “uma vergonha, uma piroseira (sic), uma monstruosidade”.

Se a importância da dona Raquel é proporcional à sofisticação das suas “causas”, a verdade é que perante as afirmações em causa, as ditas “redes sociais” fervilharam de ódio, e respeitáveis colunistas reduziram a criatura ao estereótipo da intelectual que fala em nome das massas enquanto sente repulsa por elas. Trata-se de um exagero.

Sendo dona Raquel um estereótipo, é apenas o da ignorante dissimulada que, por insegurança e arrivismo, ataca, porque é fácil, os que vivem bem com as próprias limitações. Uma espreitadela às intervenções da dona Raquel disponíveis na internet confirma o que ali vai: estribilhos marxistas (desacreditados por volta de 1880), ressentimento, a veneração da “cultura”, característica dos muito pouco cultos, exibição da “legitimidade” académica e, a julgar pelos escritos, o domínio da língua que a academia actual achará tolerável. Não aparenta ter mais coisas na cabeça do que os parentes de Ronaldo – excepto doses consideráveis do lixo que, em lugares subdesenvolvidos, passa por conhecimento.

Em larga medida, a abundância caseira de espécimes como a dona Raquel e os milhares de simplórios pedantes afins é que são uma vergonha, uma “piroseira” e uma monstruosidade. Ou uma explicação do nosso atraso. A “Casa dos Segredos” é só consequência.»

E o seu texto continua, enérgico, irónico, esclarecedor, o de 28 de Dezembro - «A caminho de Belém» - sobre a forma de criar mais um notável, neste caso António Guterres – o terceiro , de 2 de Janeiro - «O túmulo da democracia» sobre a forma de impor mais comunismo no mundo. Leiamos:

«A caminho de Belém»

«Como se inventa um “presidenciável”? Facílimo. Repare-se no que o “Público” fez com António Guterres, a quem dedicou um editorial aparentemente alusivo à sua década enquanto alto-comissário da ONU para os Refugiados. O texto, assinado pela “direcção editorial”, parece retratar um daqueles vultos que marcam a grande história, e não o engenheiro que, com alguma simpatia e bastante inépcia, governou a custo um país pequenino durante sete anos.

Atente-se na frase inicial: “Ouve-se António Guterres falar e sente-se o peso do mundo”. Muitos reservariam tão solene sentença para um ensaio sobre Lincoln, no mínimo. O Público esbanja-a no engenheiro que nos legou os estádios do Euro 2004. E prossegue: «O peso que se sente está nas suas palavras»; “Guterres tornou-se uma voz que incomoda, em particular na Europa”; “Ouve-se Guterres falar, e antecipa-se a angústia”; “Quando Guterres fala, todos aplaudem; etc.

O tema? Os desgraçados que fogem do horror do Terceiro Mundo, e que o eng.º Guterres gostaria de ver acolhidos com decência no Primeiro. Descontada a redundância da piedade (quem, excepto um tarado, se alegra com o infortúnio alheio?) sobram as restrições da realidade, ou o “fracasso” conforme admite o próprio “Público”: “Passaram dez anos e nada melhorou.”

Ou seja, aí está alguém que repete banalidades gentis, é exaltado por motivos insondáveis e, no fim de contas, não adianta nem atrasa, Num certo sentido trata-se do presidente ideal. Ou, se calhar, do presidente do costume.»

Eu diria, contudo, que o Presidente Cavaco é bem mais sóbrio na exposição da sua comiseração, mantendo uma verticalidade que o amor da Pátria essencialmente comprova.

«O túmulo da democracia»

«Anda por aí uma teoria optimista. Reza assim: o Syriza, partido de extrema-esquerda que lidera as sondagens na Grécia, vence as eleições, impõe a “ruptura”, escangalha de vez o que ainda resta de economia local, afasta o país do mundo civilizado, afunda os gregos na miséria e serve de exemplo a não seguir pelos demais estados europeus ameaçados por forças similares, as quais se dissolverão de seguida. É a teoria da vacina, em tempos defendida por Kissinger para o Portugal do PREC: o sacrifício de uns poucos servirá de escapatória a muitos. Um achado?

Acho que não. Se a prolongada experiência soviética, que aniquilou largos milhões de vidas, raramente funcionou como anticorpo dos marxismos disponíveis no Ocidente, não é plausível que a insignificante tragédia grega o faça. Mesmo descontando a URSS, a verdade é que o monumental fracasso cubano sempre alimentou os sonhos de idiotas, que os mesmos idiotas vêem no desastre bolivariano um modelo a seguir e que alguns dos idiotas não percebem, ou fingem não perceber, o que era o Cambodja e o que é a Coreia do Norte – isto para evocar evidências. A imunidade da idiotia às chacinas e à repressão não se deixará impressionar por uma quantidade anormal de atenienses a dormir ao relento.

Caso o Syriza chegue ao poder, a desgraça subsequente não prejudicará as ambições do Podemos e, a uma escala meramente simbólica, dos “movimentos” que, em Portugal, aguardam o colo do Dr. Costa. Para estes, tragédia nenhuma demonstrará a tradição do socialismo em arrasar, sem mesuras, tudo à sua volta. Por definição, o socialismo nunca perde. Por maldade, o capitalismo/reaccionarismo/liberalismo/fascismo é que conspira de modo a sabotar os amanhãs que cantam. Antes da Grécia perder o pio, a culpa já estará encontrada.»

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Berta Brás

AS VINHAS DO PICO

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Criação Velha (fonte: Wikipédia)

 

As terras da Ilha do Pico, nos Açores, são escassas e pedregosas. Ilha em forma de montanha ou vulcão, que o é, tem seu solo coberto quase que inteiramente por uma manta de lava negra e petrificada. Quando os primeiros povoadores lá chegaram abriram a braço e picão, com muito esforço, aquele chão. As pedras negras foram empilhadas formando verdadeiras mastabas para dar espaço para o cultivo. Currais de pedras de lava foram levantados para proteger e apoiar a vinha que desde cedo foi plantada e aí bem adaptada. O calor do sol, na laje negra guardado, a uva adocicava. Entre os donos e colonos a terra foi organizada e repartida. Canadas foram abertas; das cantarias denegridas e rociadas foram construídas vivendas, balcões, muros, igrejas. Varadouros na rocha viva foram talhados. A vinha fermentava em lagares de lajes inteiriças formados; da terra esfarelada, regada com muito suor, tiravam o pão.

 

Nos currais de lava plantou-se a Vidonia (ou a Verdelho). Vindas da Grécia, via Madeira, as cepas passaram aos Açores no século XV, provavelmente trazidas pelos frades franciscanos, carmelitas, jesuítas e capuchinhos que , nas ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge e Pico, tinham muitíssimas áreas de viticultura. Dominando eles as fórmulas das dosagens das castas, fizeram do Verdelho, no Pico, um vinho de excelência, generoso, suave, da cor de âmbar, apreciado pelos czares russos, cantado pelos historiadores insulares e muito apreciado pelos povos da América, no Novo Mundo. Riqueza que propiciou por muito tempo a construção de ermidas, morgadios, e tantas outras obras, não só no Pico, mas também no Faial, a ilha irmã, onde residia a maior parte dos senhores viticultores do Pico. No Concelho da Madalena, o ciclo do vinho se estendeu até os primórdios de 1852 quando a filoxera e o oidium destruíram os vinhedos e grande parte da economia da ilha.

 

Em 1880, pela iniciativa e perseverança de vários viticultores, com destaque para Manuel Maria Terra (Barão da Alagoa), do Faial, os vinhedos foram refeitos, desta vez com a introdução da uva Isabel (americana) mais resistente a pragas, mas que resultou num vinho comum, chamado pelos açorianos de “vinho de cheiro”, com menor valor comercial, porém que trouxe algum alento aos cultivadores da vinha.

 

Hoje, com tecnologia moderna, novas culturas e vinhos estão surgindo para resgatar um passado e património ilhéu, tombado pela UNESCO em 2004 (com destaque para os Lajeados da Criação Velha e Santa Luzia). Para nós, açorianos, a saga picoense será sempre lembrada, através das marcas deixadas naquela terra vulcânica pela tenacidade de um povo que a duras penas tirou da pedra vulcânica a sua sobrevivência.

 

Curiosidades históricas:

Conta-se que William Neyle Habersham, rico comerciante de vinhos da Geórgia (USA), fazia o disputado “RAINWATER” da combinação de vinhos claros com o Verdelho. Envelhecia-a e depois a vendia a preços exorbitantes na América.

 

Há na Austrália uma casta da uva Verdelho da Ilha da Madeira donde provém o Verdelho Australiano.

 

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Maria Eduarda Fagundes

 

Fonte dos dados:

- O Faial e a Periferia Açoriana nos séculos XV a XIX (Núcleo Cultural da Horta)

- A História do Vinho (Hugh Johnson)

- À Descoberta de Portugal (Seleções do Reader’s Digest)

«PORTUGUÊS, ESCRITOR, … ANOS DE IDADE”: UM HOMEM

 

«O misterioso caso do país que progrediu», mais um artigo semanal de Alberto Gonçalves (DN, 14/12/14), constituído ainda por «O verdadeiro crime» (11/12) e «Sobre a tortura em democracia» de 13/12.

Consiste o primeiro na referência à exposição televisiva de Ricardo Salgado. «capítulo de uma novela financeira e policial em simultâneo, por vários motivos entre os quais a sobrecarga de siglas ali usadas, variadas e obscuras, naturalmente só para descodificação dos “habitués” e tendentes a lançar baralhação nos espíritos, confundindo as pistas, de maneira que só depois da leitura do Financial Times de 4/12, é que o autor se diz elucidado. O que, de facto, não passa de bluff, já que “a velha ordem que perde fulgor”, feitas bem as contas, em arrecuas passadistas, aparentemente nunca existiu – a menos que a “velha ordem” segundo os Ingleses, que a seguem de modo correcto desde a Magna Charta, consista, entre nós, que não tivemos Magna Charta, na “santidade” dos tartufos de sempre, com as discrepâncias sociais em nós habituais, e mais…

Transcrevo os dois parágrafos iniciais directamente da Internet, e copio os dois seguintes, o DN, cioso das suas prerrogativas de autoria, não permitindo que o transcreva todo:

O misterioso caso do país que progrediu

As entrelinhas da alta finança são para mim tão insondáveis quanto os enredos dos filmes policiais (nos livros do género nem toco). Após quinze minutos já não faço ideia de que morreu a vítima, se a vítima é má ou boazinha, o que separa os amigos dos inimigos da vítima e a importância na trama da jeitosa de biquíni que enfeita o iate. Após vinte minutos, começo a duvidar de que haja mesmo uma vítima. Após meia hora, desligo o televisor e literalmente vou dar banho ao cão.

Não estranho, por isso, ter resistido a um mero pedacinho da audição parlamentar a Ricardo Salgado, capítulo de uma novela financeira e policial em simultâneo. À partida, já me sentia atordoado com a variedade de siglas em cena: uma pessoa que distingue com dificuldade o BES do BCP e o BPP do BPI nunca conseguirá acompanhar os segredos que palpitam atrás do ESI, do BESA, do ESFG e muito menos do GES. De seguida veio o violento uppercut, a cargo do jargão do ramo: alguém espera sinceramente que eu saiba o que é, por exemplo, o ring-fencing? Sei o que é o ringue, o lugar onde me estendia inanimado enquanto o árbitro contava até dez - dez horas, ao que consta a duração do desempenho do Sr. Salgado.

Contas feitas, fiquei com meia dúzia de impressões espremidas a partir do que os noticiários disseram, e que podiam ser partilhadas por qualquer motorista ou passageiro de táxi: a peculiar gestão do Banco Espírito Santo, a conveniente proximidade do BES ao regime, o antigo e o actual; a inconveniente chegada da troika, a estupefacção do Sr. Salgado por ver desabar um mundo que, com alguma propriedade (nos dois sentidos do termo), imaginava eterno: as extraordinárias acusações do Sr. Salgado ao poder que, pela primeira vez, lhe voltou as costas.

Quanto ao essencial, só o apanhei depois de espreitar o «Financial Times» do passado dia 4, que, a propósito da queda do Sr. Salgado, da prisão de José Sócrates e de uma ou duas coisinhas mais, resumiu a história assim: em Portugal, a velha ordem perde fulgor. Isto percebi. E se na vida houvesse finais, acho que este seria dos felizes.»

No texto seguinte - «O verdadeiro crime» - sobre a “Festa do Avante” no Seixal, revela a ilicitude da transação de 11 mil euros do BES para a dita festa, o que é uma ninharia, convenhamos, (mas que se estranha num partido sério e exigente de pureza sempre pronto a imputar crimes desses aos outros que têm governado). Desta forma, os crimes de provocação maldosa na dita festa, no alarde de iconografias sinistras da crueldade mundial, não são importantes, ao que parece, a quem permite que o façam impunemente. Esse da tal transacção supera os outros - dos retratos e grupos sinistros provocatórios, da dita festa -servindo apenas como mais uma balela de escândalo semanal para satisfazer os nossos apetites fofoqueiros. Os outros, das imagens ou presenças sinistras na festa, temos receio de as denunciar, que a esquerda é que está a dar, pertence à camada intelectual, promotora da virtude pretexto que também usaram, nos seus tempos. esses das iconografias nas bandeiras ou nas Tshirts. Temos medo… Alberto Gonçalves não teve.

Alberto Gonçalves.jpg O verdadeiro crime

«Na “Festa do Avante!” passeiam-se sujeitos com iconografia alusiva a Estaline, Lenine e Che Guevara? A Festa do Avante! acolhe embaixadas de agremiações de assassinos como as FARC colombianas? O Avante!, que organiza a Festa, publica desde há décadas textos em louvor dos mais sanguinários regimes disponíveis? O PCP, que é dono da Festa e do Avante!, possui uma história riquíssima em matéria de repulsa por qualquer vestígio de democracia ou liberdade?

Sem dúvida! Mas grave, grave, é que a pândega dos comunistas no Seixal tenha alegadamente recebido 11 mil euros do BES, para cúmulo de modo alegadamente ilícito. A transacção, que o partido nega e os jornais garantem, transformou-se no típico escandalozinho da semana. Por este andar, acabaremos a tentar linchar o Violador de Telheiras a pretexto de uma multa de estacionamento.»

«Sobre a tortura em democracia» refere as visitas a Sócrates, condenando-as na sua desumanidade, tanto dos que acham que é um gesto de amizade, como dos que as condenam como privilégio injusto. Copio o último dos três parágrafos, revelador de uma mente sensível e bem formada, além da argúcia habitual na análise e interpretação de cada caso da nossa vasta paleta de casos:

«Impressiona constatar que em pleno século XXI, não há aqui vestígio de comiseração ou pingo de humanidade. No PS inteiro, apenas António Costa e as novas figuras do secretariado hesitam em submeter o ex-chefe a tamanho sofrimento. Se não fosse absurdo, diria que os restantes parecem alinhar numa conspiração para que o prisioneiro 44 ceda ao desgaste emocional e confesse tudo. Por mim, sei que ante a perspectiva de aturar os ilustres que acorrem a Évora, confessaria até a sabotagem do Hindenburg. E sei não ser isto o que se espera de uma democracia digna do nome. Condenem ou libertem o homem, mas poupem-no à tortura. Haja confiança no mundo.»

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Berta Brás

HISTÓRIAS DA HISTÓRIA

 

Índia – 1

 

1.- A QUEBRA DAS ÁGUAS

 

Na tradição hindu, como na tradição judaica, na cristã e até nos maias, a história de uma antiguidade “gerenciável” começa com um dilúvio. Renovando as obscuridades de uma velha ordem, a inundação serve um propósito universal em que estabelece seu único sobrevivente como o fundador de uma sociedade nova e homogénea, em que todos partilham a descendência de um ancestral comum. Um novo começo é sinalizado.

 

Na Bíblia a inundação é o resultado de descontentamento divino. Enfurecido pela desobediência e maldade dos homens, Deus decide cancelar a sua criação mais nobre; só o justo Noé e seus dependentes são considerados dignos de sobrevivência e dar à humanidade uma segunda chance. Muito diferente, à primeira vista, é o dilúvio indiano. De acordo com o mais antigo de vários contos, a inundação que afligiu o povo da Índia foi um acontecimento natural.

 

Manu, equivalente a Noé, sobreviveu graças a um simples ato de bondade. E, surpreendentemente para uma sociedade que adorava deuses do vento e da tempestade, nenhuma divindade recebe menção.

 

Quando Manu foi lavar as mãos numa manhã, um pequeno peixe veio ter às suas mãos junto com a água. O peixe implorou a protecção de Manu dizendo ‘dá-me guarida”. Vou te salvar. A razão que apresentou foi que os peixes pequenos eram susceptíveis de ser devorados pelos maiores, e precisava de protecção até crescer. Ele pediu para ser mantido num frasco e, mais tarde, quando superou isso, voltou para uma lagoa e finalmente ao mar. Manu agiu em conformidade.

 

Um dia o peixe avisou Manu de uma inundação iminente e aconselhou-o a preparar um navio e entrar nele, quando veio o dilúvio. O dilúvio começou a surgir na hora marcada, e Manu entrou no navio. O peixe então nadou até ele, amarrou a corda do navio para seu chifre - talvez fosse um espadarte – e passaram rapidamente para a montanha lá do Norte. Aí Manu foi orientado para subir a montanha, depois de amarrar o navio a uma árvore, e desembarcar somente após a água ter abrandado.

 

Daí foi descendo, e, assim a encosta da montanha do Norte passou a chamar-se Manoravataranam, ou descida de Manu. As águas varreram todos os três céus, e Manu sozinho foi salvo.

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Manu salvo pelo peixe

 

Tal é a versão mais antiga do dilúvio conforme consta no Satapatha Brahmana, dentre vários apêndices prolixos para os hinos sagrados conhecidos como os Vedas, que eles próprios estão entre as composições religiosas mais antigas do mundo. Redigidos na língua clássica do sânscrito, alguns dos Vedas datam de antes do primeiro milénio a.C. Juntamente com obras posteriores como os Brahmanas, além de dois grandes épicos em sânscrito, o Mahabharata e Ramayana, eles constituem uma gloriosa herança literária de onde todo o conhecimento da história da Índia antes de a.C. 500 tradicionalmente tem sido derivada.

 

Directo e claro, a história de Manu e o dilúvio serviu seu propósito de introduzir um novo progenitor da raça humana e, a aproveitou-se para explicar o nome de uma montanha. Tal, no entanto, era uma interpretação demasiado modesta para as gerações posteriores. Mito, a fumaça da história, é visto para sinalizar significados novos e mais relevantes, quando visto à distância de milénios mais tarde. Em tempo, a situação dos pequenos peixes susceptíveis de serem devorados por peixes maiores tornou-se uma metáfora em sânscrito para um estado anárquico de assuntos (matsya-nyaya) equivalentes à lei da selva em português. O dilúvio de Manu, como Noé, veio a ser visto como o meio de acabar com este caos. E quem melhor para orquestrar a matéria e para salvar a humanidade do que o Senhor Vishnu? Uma divindade menor quando os Vedas foram compostos, Vishnu desde então subiu como o grande salva-vidas do mundo no panteão Hindu e o segundo membro da sua Trindade. Assim, oportunamente, a inundação se tornou um símbolo da ordem-fora-do-caos através de intervenção divina e o peixe (matsya) reconhecido como o primeiro (avatar) das nove encarnações do deus Vishnu. Mito, seja qual for e quão remoto, serve as necessidades do momento. Assim na história da Índia, como em outros lugares.

 

Alguns historiadores dataram a inundação muito precisamente em 3102 a.C., sendo este o ano em que, pela computação elaborada, concluem que a nossa era actual, o Kau Yug na cosmologia indiana, começou quando Manu se tornou o progenitor de um novo povo, bem como o seu primeira grande rei e doador de leis. É provavelmente a primeira data credível na história da Índia, e, mesmo sendo um dos tais improváveis de exactidão, merece respeito.

 

2.-AJATASHATRUS e a LINDA KOSHALAN

Século V a.C.

 

Licchavis e Koshalans eram dois povos do Norte da Índia na base das montanhas do Everest. Os Koshalans seriam de origem “além montanhas”, da área central da China.

 

Ajatashatrus, do grupo Magadha, sem ser contestado, e respeitado pela sua conduta, foi elevado a rei em 460 a.C., quando seu pai, velho, não tinha mais possibilidade de exercer o comando. Logo foi envolvido em uma guerra com Koshala e uma poderosa coalizão de repúblicas liderada pelos Licchavis. Magadha estava prestes a dar mais um passo gigante em direcção à hegemonia na região média do Ganges.

 

O problema com Koshala parece ter surgido sobre um pedaço de terra nos arredores de Varanasi que Maha-Koshala tinha passado a Bimbisara, rei de Magadha, talvez o mais poderoso raja da região, como dote da sua filha Devi, irmã de Prasenajit. Além desta, Bimbisara tinha outras “rainhas principais”, como Chetaka, filha do rajá Licchavi e uma terceira, Kema, filha do raja Madda de Punjab. Quando Devi morreu de desgosto pela morte de Bimbisara, Prasenajit de Koshala, seu irmão, revogou a concessão da terra e quis controlá-la. Ajatashatru, o filho de Bimbisara, tentou retomá-la, mas parece inicialmente ter sido derrotado. Sua reivindicação para o disputado enclave foi, no entanto, reforçada quando o Prasenajit envelhecido, foi presa fácil do seu próprio filho, a caminho de Magadha como um suplicante. Sozinho, o velho rei chegou as paredes de Rajagriha e lá, enquanto esperava a noite para abrirem os portões, morreu de exaustão e exposição. Apesar de suas diferenças, Ajatashatru de Magadha prontamente honrou a memória de Prasenajit e jurou vingar seu tratamento pelo Koshalans. Aguardou a ocasião para primeiro lidar com outra grande ameaça ao seu reino e em seguida se beneficiar com a aniquilação do exército Koshalan; acampado no leito seco do Rio Rapti, foi subitamente apanhado por uma enchente. Daí em diante, embora as fontes tenham silenciado sobre os detalhes, Ajatashatru parece ter superado Koshala, que prontamente desaparece dos registros.

 

Esta importante conquista foi viabilizada por uma vitória decisiva de Magadhan na luta prolongada com seu principal vizinho, a República de Licchavi. Os Licchavis, com capital Vaisali eram a cabeça de uma confederação de repúblicas, ao norte de Magadha. Aqui novamente, porém, o problema dos Magadhas parece ter começado no reinado de Bimbisara e de ter sido extremamente complicado por um assunto do coração... ou de saias! Aliás saris!

 

Como se poderia esperar numa república, a bela Amrapali (ou Ambara-pali) não era uma princesa. Na verdade, ela era uma cortesã cuja perfeição física e contornos proeminentes assegurara sua elevação ao estatuto de um património nacional. Em outras repúblicas realizavam-se concursos de beleza elaborados para selecionar a principal cortesã, e isto também pode ter sido o caso em Vaisali. Mas Amrapali, como convinha a uma das mais devotadas seguidoras de Buda, era astuta, bem como graciosa. Embora seus favores supostamente fossem reservados “exclusivamente” para os 7707 cavaleiros Licchavi-raja, ela também exercia grande influência política e tornou-se, com efeito, a primeira-dama dos Vaisalis.

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A bela Amrapali, cujos favores estariam “reservados” para 7707 nobres Licchavis!

 

Foi, portanto, um golpe esmagador na auto-estima de Licchavi quando se descobriu, no meio de uma luta com Magadha, que o rei de Magadhan entrara em Vaisali disfarçado e, sem ser detectado, ali estivera em amores na deliciosa companhia da lindíssima e generosa Amrapali. O rei Magadha teve que pagar por sua indiscrição, e os Licchavis multiplicaram seus ataques no território de Magadhan.

 

Reconhecidamente, o detalhe desta história sobrevive apenas em uma fonte mais tarde tibetana que certamente teria inspirado versos pungentes e libretos de óperas. Mas a partir de outros textos budistas é claro que Bimbisara realmente incorreu na ira dos Licchavis e que algo nocivo e prejudicial provocou seu filho Ajatashatru em busca de vingança. A subsequente guerra parece ter durado pelo menos doze anos. Inicialmente ela foi agravada por uma luta de sucessão entre Ajatashatru e um dos seus irmãos. O irmão, que residia na Anga (presumivelmente como seu governador), recusou uma oferta generosa para ceder um colar de valor inestimável. Ele também reteve um elefante ainda mais admirável, que tinha sido treinado para agir como uma mangueira de chuveiro, polvilhando as senhoras da casa Magadhan com um spray deliciosamente perfumado quando elas fossem tomar banho. Sem dúvida tanto o colar como o elefante foram visto como uma grande regalia e símbolos de poder. A aquisição deles por Ajatashatrus foi, portanto, essencial para maior legitimidade de seu governo. Mas o irmão permaneceu desafiador e, temendo qualquer ataque, refugiou-se em Vaisali onde garantiu o apoio dos Licchavis.

 

Outro conto diz que outro item de disputa era uma montanha de onde escorria um unguento altamente valorizado, porque muito perfumado; ainda outro parece indicar uma ilha disputada no Ganges, que formou a fronteira de Magadha-Licchavi.

 

Sabemos de tais detalhes porque Ajatashatru decidiu consultar o Buda sobre iminentes hostilidades, e comentaristas mais recentes, budistas, decidiram gravá-las, embora vários a tenham aprimorado. Escultores de budistas seguiram o tema. Num painel do segundo século em Barhut (agora no Museu de Calcutá), um recatado e mais pacífico Ajatashatru é retratado chegando num elefante com um séquito de esposas e depois fazer a reverência diante do trono do Buda. Bem preservado no arenito castanho-avermelhado de Barhut, esta cena eloquente pode ser taxada como a mais antiga representação na arte indiana de uma figura histórica genuína. Textos budistas também mencionam que na sua última viagem ao norte, Buda, após seu encontro com o rei, mas antes de cruzar o Ganges, passou num canteiro de obras onde um novo forte de Magadhan estava sendo erguido. O lugar chamava-se Pataligrama.

 

Dez. 2014

 

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Francisco Gomes de Amorim

PEGIDA

 

 

 

Alemanha sai à rua com medo do Islamismo

 

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Pegida é uma manifestação popular contra a islamização da Europa

 

 

Em muitas cidades alemãs reúnem-se, às segundas-feiras, milhares de manifestantes protestando contra a “islamização do Ocidente”. Sob o nome Pegida (Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente) são regularmente organizadas manifestações; entre outras, a de 15.12.2014, em Dresden contou com 15 mil manifestantes, cidade onde o movimento tem mais expressão.

Fenómeno novo é o facto de a organização e participantes provierem do centro da sociedade. Há um medo difuso que a “Alemanha se abula a si mesma” (Jardins infantis que deixaram de festejar o S. Martinho e lugares em que os tradicionais “mercados de Natal” mudam o nome para “Mercados de Inverno” supostamente para não ferir os sentimentos islâmicos). Desde que a Alemanha também começou a produzir islamistas (550 a combater pelo Estado Islâmico), a sociedade tornou-se mais inquieta, embora a polícia alemã tenha tido até agora conseguido impedir casos de terrorismo interno. É um facto que os extremistas islâmicos têm interesse em dividir as sociedades porque assim torna-se mais fácil para eles motivar e recrutar prole para as milícias terroristas do Estado Islâmico.

Segundo dados oficiais das estatísticas alemãs, em 2013 viviam na Alemanha 16,1 milhões de imigrantes (e descendentes) o que corresponde a 20,5% da população. Cerca de 4,3 milhões são muçulmanos, sendo de origem turca 2,5 milhões. 9,7 milhões de estrangeiros têm nacionalidade alemã ou dupla nacionalidade. Em 2013 imigraram 465.000 para a Alemanha. Além disso em 2013 entraram 110.000 solicitantes de asilo. Em 2014, até Novembro, foram registados 155.427 solicitantes e destes foram reconhecidos como refugiados 26.842; muitos dos não reconhecidos continuam a viver na Alemanha.

Embora os alemães façam muito pelos refugiados, o povo começa a insurgir-se contra a islamização do país, também porque este é o grupo que mais exigências especiais apresenta e porque não é propriamente possível ter-se conhecimento sobre a sua vida nos guetos. Radicais salafistas apoiam o Estado Islâmico enviando extremistas alemães para a “guerra santa”.

Paralelamente às manifestações de Pegida são organizadas contra manifestações de outras organizações. Um conflito de potenciais imprevisíveis! Segundo um inquérito 49% dos alemães mostra compreensão pelas manifestações de Pegida.

A classe política está preocupada pelo facto de se poder organizar uma corrente destabilizadora da política e dos partidos. Por enquanto, estes apelam a que não se deixem infiltrar por forças da extrema-direita. A política tem dormido e permitido a formação de verdadeiros guetos que, também devido à criminalidade entre solicitantes de asilo leva muitos a questionar-se se entre eles não há terroristas. Para complicar, também há alemães que vivem em certas regiões e se sentem como estrangeiros no próprio país. Por outro lado a Alemanha, devido ao trauma da guerra, tem muito medo e com razão, de movimentos populistas.

Razões para preocupação causam também os neonazis que se podem sentir estimulados com manifestações do género (numa casa prevista para refugiados deu-se um fogo com prejuízo de 700.000€ e que se presume ter sido fogo posto). Medos difusos e o medo dos guetos islâmicos parecem justificar a expressão popular de uma sociedade que até ao presente não se preocupou com uma política de imigração séria e em que as muitas mesquitas (na Alemanha há 326 mesquitas e cerca de 2.600 casas de culto, bem como inúmeras chamadas "mesquitas de quintal") não têm uma panorâmica sobre os seus frequentadores. Os políticos terão de pensar mais sobre a política de imigração se querem servir melhor os imigrados e a população em geral.

A Alemanha tem um problema que a política e os meios de comunicação social reprimiram pois contentavam-se com a designação de racista para quem se manifestasse criticamente contra certas protuberâncias sociais. Com o surgir de Pegida, esta receita, tal como fazer tabu de temas não chegará. Agora que surge uma inflação de manifestações em muitas cidades, admoestando para o perigo da infiltração islâmica, a sociedade-bem envergonha-se sem saber como reagir.

Parte da sociedade maioritária sente-se ameaçada pelo desenvolvimento e pela acção de grupos extremistas muçulmanos. Tipicamente, os vários grupos sociais, em vez de encarar objectivamente o problema, no sentido de dialogar em vez de julgar, opõem-se uns como manifestantes e outros como contra manifestantes, uns contra os outros, com se cada grupo quisesse, à sua maneira, salvar a nação. Este encontro na rua de grupos contrários pode contribuir para a escalada de um potencial de violência latente há muito reprimido, devido principalmente ao facto de a política ter dormido sem dar resposta para problemas pendentes. Seria irresponsável desqualificar as manifestações como resultado do medo perante culturas estranhas. Este é um processo que, a não ser encarado objectivamente atingirá toda a Europa e simplesmente pelo facto de antes ser um problema reduzido à classe desfavorecida e agora se tornar num problema da classe média, isto é, do centro da sociedade. O medo dos retornados da “guerra santa” excita o espírito de muitos que querem, em paz, conservar os bens e os direitos adquiridos.

Parte dos manifestantes querem ajudar os refugiados muçulmanos, outros têm medo deles devido à sua quantidade e coesão social e outros ainda da extrema-direita e da extrema-esquerda e de permeio Hooligans e fanáticos querem desacreditar as manifestações; entre eles também os há que se misturam entre os manifestantes com a única intenção de fazer barulho e desestabilizar o Estado. Expressões infelizes de representantes islâmicos onde se afirma que a Alemanha é contra o islão juntam mais fogo à chama da irracionalidade. De facto a Alemanha respeita o direito a manifestações e muitos manifestantes da Pegida são cidadãos conscientes e pessoas de boa vontade. De facto, muitos dos manifestantes em algumas cidades fazem parte do resto da sociedade, e o que move muitas pessoas é o medo do seu futuro dado este mostrar-se cada vez mais incerto para muitos e a Alemanha não ter uma política de imigração definida como acontece nos USA e no Canadá. Outros ainda não percebem a razão por que os pretendentes a asilo se dirijam sobretudo para a UE e não em direcção aos países ricos árabes.

Pegida é um fenómeno muito complexo para poder ser equacionado em sentenças políticas. Trata-se, na sua maioria, de ”cidadãos preocupados”; muitos sentem-se estrangeiros na própria terra, ou não vêem as suas preocupações tomadas a sério pela política. Todos os grupos sociais deveriam entrar em diálogo e não só para fazer reivindicações. O facto de em Dresden ter havido 15.000 manifestantes na última segunda-feira preocupa a chanceler alemã que não quer ver “arremetidas” ou propaganda contra estrangeiros que são bem-vindos à Alemanha. Por parte da opinião pública alemã, das igrejas, partidos e organizações há grande apreensão e receio sobre as consequências de um tal movimento que pode servir grupos extremistas.

Deste modo, os terroristas conseguem, com a sua estratégia, em nome do Islão destruir estados africanos e ao mesmo tempo começar a desestabilizar uma sociedade europeia tradicionalmente consensual.

 

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António da Cunha Duarte Justo

BISBILHOTICES

 

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Recebido por e-mail:

«As viagens do Mário Soares» Date: Thu, 1 Jan 2015

Ainda este artista se pavoneia pelas televisões!

Assunto: As viagens do Mário Soares

Bom, também não exagere: - NÃO FORAM 90 ANOS A ROUBAR OS PORTUGUESES. FOI UM POUCO MENOS: BASTARAM 10 ANOS

Com um PR deste quilate, viajando por tanto País e com caravanas de acólitos atrás, não há Nação que não afunde neste mar imenso que é a política que se tem vivido. E o povo aguentou tudo isto e agora é o que se vê, com os vencimentos da função pública e os aposentados e bem assim todo o povo anónimo a ver as suas algibeiras desfalcadas e de que maneira!.... Um milhão de Kms percorridos (22 vezes á volta do Mundo), não deve ser pêra doce nenhuma. E por isto que ele foi abraçar o amigo Sócrates, em sinal de solidariedade. Cada um sabe o que faz. Mas tudo isto é uma árvore abatida no meio duma floresta imensa que urge combater, sem armas, mas com os Tribunais a funcionar como baluartes duma bandeira de justiça a funcionar. Não sou economista e nem matemático, mas tanta saída para o estrangeiro, deve ter ficado num balúrdio difícil de saber-se. E ainda dizem que os nossos políticos não são corruptos. Será possível ter feito tanta viagem, com tantos protocolos e não haver corrupção? Não acredito! Agora é tarde demais para actuar. No entanto, acho que há nesta democracia que o 25 de Abril nos ofereceu, muita coisa para descobrir. Para mim, só Ramalho Eanes foi impoluto.

Para já não mencionar a descolonização vergonhosa que, à sua responsabilidade, vitimou imensos portugueses que criminosamente se viram espoliados do que conseguiram com o seu trabalho e muitos, infelizmente, da sua própria vida! E anda este cidadão a bramar contra a justiça

As viagens de Mário Soares:

ONDE PÁRAM AS PRENDAS QUE RECEBEU E SÃO PROPRIEDADE DA NAÇÃO ???

 

MÁRIO SOARES : Onde foram gastos milhões dos nossos impostos, só em viagens, com a sua comitiva?... Tudo pago pelo contribuinte! Só em ajudas de custo para ele e respectivas comitivas !

Façam as contas!

1986

11 a 13 de Maio - Grã-Bretanha

06 a 09 de Julho - França

12 a 14 de Setembro - Espanha

17 a 25 de Outubro - Grã-Bretanha e França

28 de Outubro - Moçambique

05 a 08 de Dezembro - São Tomé e Príncipe

08 a 11 de Dezembro - Cabo Verde

1987

15 a 18 de Janeiro - Espanha

24 de Março a 05 de Abril - Brasil

16 a 26 de Maio - Estados Unidos

13 a 16 de Junho - França e Suíça

16 a 20 de Outubro - França

22 a 29 de Novembro - Rússia

14 a 19 de Dezembro - Espanha

1988

18 a 23 de Abril - Alemanha

16 a 18 de Maio - Luxemburgo

18 a 21 de Maio - Suíça

31 de Maio a 05 de Junho - Filipinas

05 a 08 de Junho - Estados Unidos

08 a 13 de Agosto - Equador

13 a 15 de Outubro - Alemanha

15 a 18 de Outubro - Itália

05 a 10 de Novembro - França

12 a 17 de Dezembro – Grécia

1989

19 a 21 de Janeiro - Alemanha

31 de Janeiro a 05 de Fevereiro - Venezuela

21 a 27 de Fevereiro - Japão

27 de Fevereiro a 05 de Março - Hong-Kong e Macau

05 a 12 de Março - Itália

24 de Junho a 02 de Julho - Estados Unidos

12 a 16 de Julho - Estados Unidos

17 a 19 de Julho - Espanha

27 de Setembro a 02 de Outubro - Hungria

02 a 04 de Outubro - Holanda

16 a 24 de Outubro - França

20 a 24 de Novembro - Guiné-Bissau

24 a 26 de Novembro - Costa do Marfim

26 a 30 de Novembro - Zaire

27 a 30 de Dezembro - República Checa

 

1990

15 a 20 de Fevereiro - Itália

10 a 21 de Março - Chile e Brasil

26 a 29 de Abril - Itália

05 a 06 de Maio - Espanha

15 a 20 de Maio - Marrocos

09 a 11 de Outubro - Suécia

27 a 28 de Outubro - Espanha

11 a 12 de Novembro - Japão

1991

29 a 31 de Janeiro - Noruega

21 a 23 de Março - Cabo Verde

02 a 04 de Abril - São Tomé e Príncipe

05 a 09 de Abril - Itália

17 a 23 de Maio - Rússia

08 a 11 de Julho - Espanha 1

6 a 23 de Julho - México

27 de Agosto a 01 de Setembro - Espanha

14 a 19 de Setembro - França e Bélgica

08 a 10 de Outubro - Bélgica

22 a 24 de Novembro - França

08 a 12 de Dezembro - Bélgica e França

1992

10 a 14 de Janeiro - Estados Unidos

23 de Janeiro a 04 de Fevereiro - Índia

09 a 11 de Março - França

13 a 14 de Março - Espanha

25 a 29 de Abril - Espanha

04 a 06 de Maio - Suíça

06 a 09 de Maio - Dinamarca

26 a 28 de Maio - Alemanha

30 a 31 de Maio - Espanha

01 a 07 de Junho - Brasil

11 a 13 de Junho - Espanha

13 a 15 de Junho - Alemanha

19 a 21 de Junho - Itália

14 a 16 de Outubro - França

16 a 19 de Outubro - Alemanha

19 a 21 de Outubro - Áustria

21 a 27 de Outubro - Turquia

01 a 03 de Novembro - Espanha

17 a 19 de Novembro - França

26 a 28 de Novembro - Espanha

13 a 16 de Dezembro – França

1993

17 a 21 de Fevereiro - França 1

4 a 16 de Março - Bélgica

06 a 07 de Abril - Espanha

18 a 20 de Abril - Alemanha

21 a 23 de Abril - Estados Unidos

27 de Abril a 02 de Maio - Grã-Bretanha e Escócia

14 a 16 de Maio - Espanha

17 a 19 de Maio - França

22 a 23 de Maio – Espanha

01 a 04 de Junho - Irlanda

04 a 06 de Junho - Islândia

05 a 06 de Julho - Espanha

09 a 14 de Julho - Chile

14 a 21 de Julho - Brasil

24 a 26 de Julho - Espanha

06 a 07 de Agosto - Bélgica

07 a 08 de Setembro - Espanha

14 a 17 de de Outubro - Coreia do Norte

18 a 27 de Outubro - Japão

28 a 31 de Outubro - Hong-Kong e Macau

1994 02 a 05 de Fevereiro - França

27 de Fevereiro a 03 de Março - Espanha (incluindo Canárias)

18 a 26 de Março - Brasil

08 a 12 de Maio - África do Sul (Tomada de posse de Mandela)

22 a 27 de Maio - Itália

27 a 31 de Maio - África do Sul

06 a 07 de Junho - Espanha

12 a 20 de Junho - Colômbia

05 a 06 de Julho - França

10 a 13 de Setembro - Itália

13 a 16 de Setembro - Bulgária

16 a 18 de Setembro - - França

28 a 30 de Setembro - Guiné-Bissau

09 a 11 de Outubro - Malta

11 a 16 de Outubro - Egipto

17 a 18 de Outubro - Letónia

18 a 20 de Outubro - Polónia

09 a 10 de Novembro - Grã-Bretanha

15 a 17 de Novembro - República Checa

17 a 19 de Novembro - Suíça

27 a 28 de Novembro - Marrocos

07 a 12 de Dezembro - Moçambique

30 de Dezembro a 09 de Janeiro 1995 - Brasil

1995

31 de Janeiro a 02 de Fevereiro - França

12 a 13 de Fevereiro - Espanha

07 a 08 de Março - Tunísia

06 a 10 de Abril - Macau

10 a 17 de Abril - China

17 a 19 de Abril - Paquistão

07 a 09 de Maio - França

21 de Setembro - Espanha

23 a 28 de Setembro - Turquia

14 a 19 de Outubro - Argentina e Uruguai

20 a 23 de Outubro – Estados Unidos

27 de Outubro - Espanha

31 de Outubro a 04 de Novembro - Israel

04 e 05 de Novembro Faixa de Gaza e Cisjordânia

05 e 06 de Novembro - Cidade de Jerusalém

15 a 16 de Novembro - França

17 a 24 de Novembro - África do Sul

24 a 28 de Novembro - Ilhas Seychelles

04 a 05 de Dezembro - Costa do Marfim

06 a 10 de Dezembro - Macau

11 a 16 de Dezembro - Japão

1996 0

8 a 11 de Janeiro - Angola

 

Durante OS anos que ocupou o Palácio de Belém, Soares visitou 57 países (alguns várias vezes como por exemplo Espanha que visitou 24 vezes e a França 21 vezes), percorrendo no total 992.809 KMS o que corresponde a 22 vezes a Volta ao mundo...

Para quê?

Dr. Mário Soares:

Explique ao povo para que serviu tanta viagem…

Obrigou-nos a aceitar a Troika, duas vezes...

CARROS; SEGURANÇAS, CONDUTORES, GABINETES E A SUA FUNDAÇÃO (1.300 milhões ) QUE DE NADA SERVE E TODOS PAGAMOS

 

O autor desta extensa referência a um dos nossos heróis modernos mostra-se indignado com o percurso de um dos primeiros – (heróis) – destes quarenta anos de abocanhamento pátrio, esquecido de que as viagens sempre constituíram o fundamento da nossa glória histórica. Dantes, fazia-se com o sacrifício do povo aventureiro, por mares desconhecidos, onde muitos deixaram os ossos e o resto, mas que serviu para o enriquecimento de reis e nobres e clero e embelezamento territorial e literário, de que Camões e Pessoa se fizeram eco supremo. Nem resisto a retirar da “Mensagem” a “definição” desse trajecto:

 

«O Infante»

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.

Deus quis que a terra fosse toda uma,

Que o mar unisse, já não separasse.

Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

E viu-se a terra inteira, de repente,

Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.

Do mar e nós em ti nos deu sinal,

Cumpriu-se o mar, e o Império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal!

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Fernando Pessoa, in Mensagem

 

Ao viajante Soares não interessou a espuma, nem o clarear das orlas. Cumprido o mar, desfeito o Império, tratou de usufruir dos benefícios, que conquistou sem custo, lançando o padrão da nova moda, para fazer “cumprir-se Portugal”: passeatas de avião, empréstimos, negociatas, exploração, corrupção, defesa dos amigos de igual padrão… Em democracia, a liberdade como chave.

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Berta Brás

FOGO-DE-ARTIFÍCIO SEM BARULHO POR AMOR AOS ANIMAIS

 

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A tradição portuguesa do fogo de S. Silvestre não justifica foguetes barulhentos

 

Na passagem do ano, S. Silvestre, segundo as companhias de seguro alemãs, dão-se cerca de 12.000 incêndios por ano com um prejuízo de vinte e nove milhões de euros (isto na Alemanha).

Os alemães, na continuidade da tradição de antigas crenças germânicas, gastam na festa da passagem do ano cerca de 120 milhões de Euros em fogo-de-artifício.

Os fogos-de-artifício, segundo crenças animistas, com barulho e luzes, tinham a função de expulsar os "espíritos do mal"; hoje exprimem a alegria ansiosa do povo pelo novo ano. A garrafa de champanhe também testemunha isso em muitos lugares.

A festa também faz parte da nossa vida e tem um custo que não tem preço. Também é interessante verificar que, geralmente, nos bairros mais pobres das cidades, se observa mais brilho no ar.

O barulho do fogo na noite incomoda, não só bebés mas também, além de outros, pessoas com necessidade de repouso.

A mim dão-me pena, especialmente, os passarinhos, gatos e cães que, indefesos, não podem compreender o sentido de tanto barulho nem da festa.

Por isso seria de recomendar, a quem quiser manter a tradição, que o faça com fogo-de-artifício sem barulho, como recomenda a lenda portuguesa.

Naturalmente que a festa ainda seria mais completa, se, parte do dinheiro reservado para os foguetes, fosse aplicado em dar alegria a algum vizinho necessitado.

 

A Referência portuguesa da tradição do fogo-de-artifício na passagem do ano

O lançamento de fogos-de-artifício, na noite de S. Silvestre ou passagem-do-ano, tem uma nuance portuguesa que a liga a uma lenda sobre Nossa Senhora e S. Silvestre. Segundo relata a Wikipédia, nessa noite, a Virgem estaria inconsolável e muito triste a olhar para o Oceano Atlântico quando dela se aproximou São Silvestre e tentou consolá-la. A Virgem explicou-lhe que estava com saudades da antiga Atlântida e então o Santo disse-lhe que deviam fazer algo de alegre que ficasse na memória dos homens. Então a Virgem chorou e as suas lágrimas transformaram-se em “pérolas” no oceano, uma das quais foi a ilha da Madeira, a “pérola do Atlântico”; ao mesmo tempo, apareceram no céu lindas luzes, segundo o testemunho dos antigos”.

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António da Cunha Duarte Justo

AINDA A TEMPO

 

CANAIS… EM FINAL DE ANO

Falámos dos canais. A minha amiga tem preferência pelos que ensinam medicina, e é por isso que me atazana com perguntas que envolvem o cérebro, sobretudo das crianças que tomam comprimidos para forçar a atenção na escola, o que ambas condenamos, ou dos adultos com problemas depressivos, o que também já me sucedeu, mas de cuja medicação me desfiz voluntariamente, atribuindo o problema diagnosticado a uma crise passageira de baixa auto-estima, diagnóstico que se aponta hoje muito para as depressões, embora eu não ache que a tenha, reservando para a minha bolsa o problema da baixa. Mas não me seduzem os programas sobre doenças que põem a minha amiga a falar com tanta autoridade e insistência nessas questões mórbidas. Prefiro programas de disputas políticas, embora os problemas sociais do país me ponham, por vezes, à cata do canal Memória, que nos transmite realizações do passado bem concebidas, não esquecendo José Hermano Saraiva, para enterrar a cabeça na areia, como o avestruz. A minha irmã fala no segundo canal, e concordamos que tem programas magníficos. Falámos no Don Giovanni que ambas tínhamos visto na véspera, com Carlos Guilherme e outros cantores e cantoras de ópera, espectáculo realizado em Faro, e nesse mesmo dia – domingo - pude ver, com admiração, encanto e gratidão, o Bailado Pedro e Inês, da Companhia Nacional de Bailado, criação de Olga Roriz, de 2004,

 

https://www.youtube.com/watch?v=tq9DF-1OCho

 

que achei o máximo, tanto na concepção, como na coreografia, como no desempenho, provando que sabemos e podemos criar tantas coisas belas e modernas no universo artístico, que a televisão deveria divulgar mais. Um segundo Canal que eu própria me arrependo de não ver mais vezes, incitada por outros interesses como os de cinema ou os shows de maravilha da TV5, entre os quais o de Culinária antes do “Questions…” do Julien Lepers, seguindo uma linha de orientação sóbria, didáctica e educada, que me leva a comparar com o nosso espécime de “Bonjour Chef” do 1º Canal, em tudo seu avesso – profuso, impertinente, exibicionista e sem nível didáctico, a relembrar as botas de biqueira exagerada que Carlos da Maia encontra na sua passagem final por Lisboa, e que tanto definem o nosso catitismo provinciano. A par de espectáculos bem concebidos de canto ou bailados, permite-se, na TVI, contudo, um programa da Teresa Guilherme, com absoluta falta de nível, ao que me pareceu e que mais carrega de cores sombrias o problema educativo da nossa sociedade.

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Berta Brás

EMBAIXADOR ADRIANO DE CARVALHO

 

Dário Castro Alves e Adeiano de Carvalho.jpg 

Adriano de Carvalho era alto; Dário Castro Alves, não

 

Em 1953, quando, equipado com a licenciatura do ISCEF, entrei para o MNE, mediante concurso, fui colocado na DG dos Negócios Económicos, a "mercearia", como lhe chamava o Embaixador Teixeira de Sampayo, poder supremo nas Necessidades nos primeiro vinte anos da época salazarina e que, já como fantasma, continuou a reger o seu antigo feudo até ao final do mandato ministerial de Franco Nogueira. Havia, claro, o chefe da Repartição - aliás muito estimável pessoa - mas cedo me apercebi que Adriano de Carvalho, formado em Direito, dois anos mais antigo do que eu, beirão (da Meda), era quem ali pontificava. Adriano impunha-se pelo conhecimento que tinha dos assuntos em pauta e pelo seu bom companheirismo: bem disposto, apreciador de uma boa piada, sempre pronto a ajudar um colega momentaneamente a braços com qualquer dificuldade do ofício e sempre mais atento à pessoa do que ao assunto. Alto, corpulento, culto, sagaz, frontal nos seus juízos, Adriano dominava naturalmente qualquer meio em que estivesse inserido. Tais condições permitiam-lhe trilhar confiadamente a estreita senda que separa o colega do concorrente, a simpatia da disciplina e a amizade do serviço. Exigente consigo próprio e com os outros, em matéria de serviço não transigia, atitude que o fez geralmente respeitado mas levou alguns memorialistas da carreira diplomática a atribuir-lhe «mau feitio». Não era o caso, mas nem toda a gente aprecia o fino humor. Notava-se em Adriano de Carvalho também um fraco pelas mulheres bonitas o "que lhe ficava bem", no dizer de uma delas. Enfim, Adriano era a referência para os recém chegados. Mas não só. Quando, após muitas delongas e esquivas nossas, os aliados de II Guerra Mundial puseram o Governo português contra a parede e exigiram a abertura de negociações sobre a questão dos bens alemães aqui congelados no decurso da guerra, um arrepio de pavor percorreu a espinha dorsal do MNE. Matéria super complexa e super delicada. O dossier era uma montanha de caixas de arquivo que subia até ao teto no espaço que ocupava numa secção do Arquivo Histórico. Entre outras cousas, ali se contabilizava o ouro recebido em pagamento de fornecimentos de volfrâmio feitos aos alemães durante guerra. Estavam em jogo 44 toneladas de ouro reclamadas pelos países-vitima da ocupação nazi. Por despacho ministerial, o assunto foi confiado ao então segundo secretário Adriano de Carvalho e este, em pouco mais de um mês, escalpelizou toda aquela papelada, inventariou os bens, identificou os interessados e propôs uma estratégia de negociação que foi rigorosamente seguida e conduziu, três anos mais tarde, a um arranjo satisfatório para todas as partes envolvidas. A quase totalidade do ouro – mais de 90% – continuou no BdP.

Adriano de Carvalho – que nos deixou para sempre no dia de Natal tinha uma paixão: o Brasil. Não foi o último «brasileirista do MNE», como já li algures. A relação do MNE com o Brasil é um caso de amor naturalmente sujeito a constantes arrufos. Eles - brasileiros -, como bons filhos, culpam os pais por tudo o que de mal lhes acontece e nós portugueses sentimo-nos enganados perante tais sinais de ingratidão. Depois descobrimos ambos que afinal fizemos - e pudemos continuar a fazer - muito um pelo outro e voltamos a estreitar os laços de amizade. Adriano de Carvalho conhecia este fadário melhor do que ninguém. Sabia ler a acções dos homens; distinguia entre o superficial e o profundo e não se perdia como veleidades. Ao Brasil dedicou boa parte da sua carreira. Foi Cônsul Geral em São Paulo, conselheiro da Embaixada no Rio e por fim, o melhor embaixador português em Brasília. Por toda a parte, fez obra, cimentou amizades, conquistou respeito e deixou saudades

 

Luís Soares de Oliveira.jpg

Luís Soares de Oliveira

 

*****

 

Naquele tempo, antes de Schengen, chegados a Lisboa de avião, tínhamos de preencher aqueles irritantes papelinhos de entrada, com identificação pessoal e número do passaporte. Eu vivia ainda no encantamento "maçarico" de ter um passaporte diplomático (azul, de carneira, com os dados insertos à mão, com a letra magnífica de uma Senhora do Protocolo). Antes da aterragem na Portela, comecei a preencher a ficha. O cavalheiro ao meu lado, com quem viajara desde Genebra, acompanhado de um imensa família, nessa véspera de Natal de 1977 (eu vinha da Líbia), dedicava-se à mesma tarefa e tinha um passaporte idêntico. Olhámos um para o outro e apresentámo-nos: ele era o embaixador Adriano de Carvalho, nosso representante permanente junto das Organizações Internacionais, em Genebra.

 

Adriano de Carvalho era um nome consagrado na carreira. Especialista em questões multilaterais, tinha um historial de grande negociador. Três anos depois, voltaria a encontrá-lo em Oslo, quando por ali foi por questões da EFTA, a acompanhar o ministro português do Comércio. Tinha uma figura avantajada, um ar impositivo mas cordial, um à-vontade e uma autoridade profissional com que dominava claramente a delegação portuguesa. Ao que às vezes recordo, por uma imagem que guardo da ocasião, tinha o vício da fotografia.  

 

Passaram-se muitos anos. Cheguei a Brasília em 2005. Adriano de Carvalho saíra do cargo de embaixador no Brasil quase 20 anos antes. E, no entanto, não obstante muitos qualificados colegas que lhe sucederam e me haviam antecedido nesse posto, ele era, de longe, aquele de que mais pessoas ainda falavam, que havia deixado uma marca de qualidade e prestígio associado ao nome de Portugal. Fora, aliás, o primeiro do escasso número de portugueses a quem a Universidade de Brasília tinha atribuído um doutoramento "honoris causa". Quando saí daquele posto, tive um grande gosto em oferecer-lhe um livro que aí publiquei sobre os meus quatro anos no Brasil, que me agradeceu com grande amabilidade.

 

Leio agora, pelos jornais, que o embaixador Adriano de Carvalho faleceu, neste Natal. Ficará na história do Ministério dos Negócios Estrangeiros como um grande servidor público, frontal, exigente, mas de extrema competência. Fazem falta ao serviço diplomático português muitas figuras do seu calibre. À sua família, deixo uma mensagem de grande respeito e pesar.  

 

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Francisco Seixas da Costa

* * *  

Preparou-se a ida da missão diplomática portuguesa ao Brasil no quadro da Comissão Mista Luso-Brasileira. Mas houve um pequeno incidente. Um colega meu, Menezes Cordeiro irmão, quando se apercebeu da ida ao Brasil, tentou ultrapassar-me ou intrigar. Mas sem êxito! No Ministério dos Negócios Estrangeiros as intrigas são frequentes. Têm de ser muito bem feitas e subtis para serem eficazes. Neste caso não tive dificuldade em desmantelar a “tramóia” que me era preparada. Assim Menezes Cordeiro ficou em Lisboa e não muito bem visto em acção tão sórdida.

Todos os Ministérios brasileiros estavam já em Brasília. Mas o dos Negócios Estrangeiros, Itamaraty, continuava no Rio de Janeiro, bem como naturalmente todas as Embaixadas estrangeiras. Assim foi, felizmente, no Rio que se deu a reunião da Comissão Mista: O Embaixador português Bataglia Ramos estava ausente pelo que havia um Encarregado de Negócios a.i., Adriano de Carvalho, mais tarde Adjunto Económico e Embaixador em Brasília, pessoa com um feitio difícil e conhecido como tal.

Eu fui à frente para preparar a logística da reunião e a instalação da missão que era numerosa. Logo vi que ia ter problemas com o Adriano de Carvalho, como tive muito de início. Coisas pequenas, sem importância, mas incómodas e que poderiam prejudicar-me. Felizmente logo que o Calvet de Magalhães chegou e o Adriano de Carvalho viu como ele me tratava tudo se facilitou para mim e, em geral, para todos.

Da reunião pouco me lembro. Sinal de que não fora famosa e que iria ter – refiro-me á Comissão Mista – futuro pouco brilhante, como creio aconteceu, pois nunca mais ouvi falar de tal Comissão Mista nem de encontros luso-brasileiros periódicos e alternados.

Porém fomos a São Paulo, Santos, Belo Horizonte e, claro, Brasília. A estadia foi de cerca de 1 mês e estávamos de regresso para o Natal de 1966.

Guilherme Girão

 

 

3 comentários:

 Helena Sacadura Cabral disse...

Conheci razoavelmente o Embaixador Adriano de Carvalho um bom amigo do meu irmão mais velho. Tudo o que diz é verdade. Falta acrescenta o seu apurado sentido de humor e o seu apreço pelas mulheres bonitas! E inteligentes, claro.

26 de Dezembro de 2014 às 20:56

 

Domingos disse...

O Embaixador Carvalho era a última testemunha viva das negociações de Portugal com os Aliados, no post-WW2, relativas às dívidas do III Reich para com o nosso país.

27 de Dezembro de 2014

 

 

Anónimo disse...

Conheci bastante bem o Embaixador Adriano de Carvalho, que era amigo do meu Pai. Foi talvez o último "brasileirista" da carreira. Constava quando era Embaixador em Brasília que alguns altos dirigentes brasileiros o consultavam por vezes antes de tomar algumas decisões. Adriano de Carvalho era de Mêda, Guarda. Casou tarde. Quando vinha a Lisboa frequentava uma tertúlia de amigos da região, onde contava as suas histórias, como a de assistir ao Kruschev a bater com o sapato na mesa na Assembleia Geral da ONU, ou uma caso com uma princesa russa, ou outras cenas da vida diplomática. De permeio ia-se queixando das dificuldades que lhe causava o parco vencimento. Contava ele próprio que um amigo e bem remunerado notário na Guarda, o ouvia enlevado e dizia sonhador, "ganha-se mal, mas goza-se muito". Fernando Neves

28 de Dezembro de 2014 

In “DUAS OU TRÊS COISAS” – http://duas-ou-tres.blogspot.pt/

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