Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

AI PERNAS, QUANTO VOS QUERO!

 

Ronaldo e Marcelo.jpg

 

A entrevista de Marcelo Rebelo de Sousa a Cristiano Ronaldo devia ser gravada e levada às escolas, como propósito educativo de incutir na juventude coragem, confiança e vontade de progredir em qualidade e seriedade.

 

Fiquei admirada, pois apercebi-me de quanto Ronaldo evoluíra, não só nas suas qualidades desportivas que o levaram a tornar-se crack do futebol mundial, mas como ser humano que defende valores importantes de educação cívica.

 

Sem rebuço nem falsa humildade, considera-se o melhor naquilo que faz, mas explica que isso não está só no seu génio, mas no seu próprio esforço. Fez por atingir o máximo e vai continuar a fazê-lo, porque é isso que quer: ser o melhor no que faz. O êxito acompanhou-o, mas ele mereceu-o. E a sua passagem pelo mundo ensinou-o – em convicta expressão – a confirmar aptidões que já a infância revelara. Mais amadurecido, exprime-se bem, explicando quanto deve aos países onde esteve – Inglaterra e Espanha. Admira, nos Ingleses, a seriedade, o profissionalismo, a pontualidade, a decisão. (E tem razão, que tais atributos, entre outros, fizeram dos Ingleses o povo superior cuja língua avassalou o mundo, ao longo da sua expansão pela Ásia, África, América, Oceânia, além do seu próprio espaço na Europa: onde se implantou, deixaria poderosa marca civilizacional, que a sua língua universal atesta).

 

Ronaldo, todavia, escolheu Espanha, talvez por motivos práticos da sua própria ambição, talvez porque aí tenha encontrado um povo mais expressivo em afectos e entusiasmos que consolam, na ausência do espaço paterno.

 

O certo é que Ronaldo exprime bem a sua realidade de ser humano com objectivos máximos e que se esforça por os atingir, como fizeram os ingleses nas suas conquistas, os espanhóis nas suas navegações.

 

Uma entrevista, afinal, de uma pessoa inteligente – Marcelo Rebelo de Sousa – a um jovem que soube dar a resposta exacta, não só em relação a si próprio, mas como doutrina a seguir por todo aquele que se preze.

 

Os cépticos considerarão que o mundo deve tanto a tantos cérebros que o vão tornando cada vez mais requintado, quer nas perfeições quer nas imperfeições. E deve a muitos mais que, na obscuridade das suas vidas, vão fazendo por cumprir o que lhes é – ou não – exigido. Com o seu cérebro, com o seu corpo, com a sua vontade. Com visibilidade ou sem ela.

 

Mas as pernas contam muito, na visibilidade, o cérebro mantém-se na sua obscuridade, ante o espectáculo das pernas em campo de futebol, sobretudo quando pertencem a um génio. E dão dinheiro a valer, afinal o que mais conta.

 

É certo que há os casos dos cérebros superiores que entendem não precisarem de visibilidade para obterem dinheiro, até mais do que as pernas. Preferem mesmo a obscuridade concentrada e modesta, própria de um cérebro que se preze. Às vezes, também dão espectáculo. Mas posterior.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

ÍNDIA

 

Histórias da história – 3

 

  1. A função do “guarda-sol” e os Maharajadhiraja

 

FGA-1.jpg

 

Maharajadhiraja significa o “Grande Rei de todos os Reis”! Época obscura da história da Índia, relata ainda que Mahapadma Nanda, filho de um barbeiro, um dia se revoltou com a classe política dominante, os ksatriyas, os governantes, guerreiros, comandou o maior exército que teria chegado a 200.000 homens de infantaria, 20.000 cavaleiros, 2.000 carros de combate, as bigas, e 3 a 6.000 elefantes de guerra.

 

Ele e seus descendentes reinaram por cerca de cem anos, um deles por casamento com uma mulher Chandra dando origem à dinastia Maurya.

 

Mahapadma foi portanto um grande rei e o primeiro a ser descrito como o “Soberano de uma Umbrela”, (guarda-sol)! Um conceito que relaciona com a ideia budista de cakravartin, “governante do mundo”, associando a ideia de que toda a política lhe estaria subordinada, e os historiadores indianos passaram a considerá-lo o primeiro grande “imperador” do Norte da Índia.

 

Este hábito durou até ao começo do século XX quando alguns dos últimos Maharajas ainda se exibiam montados em elefantes ricamente enfeitados, a cavalo, num automóvel ou mesmo a pé, sempre alguém carregava sob sua cabeça o “guarda-sol real”, o símbolo do poder.

 

FGA-2.jpg

Maharaja Samarjitsinh Gaekwad

 

Com essa mania de grandezas os reis Kushanas, que terão vindo da Ásia, central também se davam o título, trazido da China, de Devaputra, filho de Deus!

 

O livro Mahabharata não é muito favorável aos reis, onde várias vezes aparece o adágio:

“Pior do que dez matadouros é uma prensa para óleo, pior do que dez prensas para óleo é uma hospedaria, pior do que dez hospedarias é uma meretriz e pior do que dez meretrizes é um rei.”

 

  1. A Utopia de Gupta

A visita de Fa Hian ou Fa-hsien, ou Faxian

 

A perfeição está atingida” declara a última das três inscrições em Junagadh, “enquanto ele, Skanda Gupta, está reinando, em verdade, nenhum homem entre seus súbditos cai longe do Dharma, não há ninguém que esteja aflito, na pobreza, na miséria, avaro, ou quem, digno de punição, é mais posto em tortura.” Uma representação tão brilhante da sociedade Gupta é de se esperar de um panegírico real.

 

No entanto isto é corroborado por um estrangeiro e presumivelmente imparcial testemunha ocular.

As pessoas estão muito bem, sem imposto ou restrições oficiais. Os reis governam sem punição corporal; os criminosos são multados de acordo com a circunstância, levemente ou fortemente. Mesmo nos casos de rebelião repetida, cortam apenas a mão direita. Os atendentes pessoais dos reis, que o guardam à direita e à esquerda, têm salários fixados. Em todo o país o povo não mata nenhum ser vivo, nem bebe vinho, nem comem alho ou cebolas, com excepção dos Chandalas apenas.”

 

Para Fa Hian (Fa-hsien, Faxian, etc.), um peregrino budista da China, que visitou a Índia entre 400-410 d.C., o reino de Chandra Gupta II era de facto algo como uma utopia. Descendo para a Índia, pela trilha de Karakoram, Fa Hian viajou toda da bacia do Ganges em perfeita segurança, como visitou todos os lugares associados à vida de Buda. Só no lote dos Chandalas encontrou nada invejável; párias devido ao seu degradante trabalho, como trituradores de mortos, eram universalmente afastados e tinham que dar aviso da sua abordagem quando se aproximavam de outras castas para que estas se pudessem abrigar. No entanto, nenhumas outras secções da população foram desfavorecidas, sem mais distinções de casta, atraíram o comentário do peregrino chinês, e nenhum sistema de casta opressivo adiante lhe provocou censura ou surpresa. Paz e ordem prevaleceram. E se a paz era a paz de conquistas passadas, e a ordem da hierarquia social rígida de varna e a exclusividade profissional de jati, ninguém reclamava.

 

De outras fontes, vislumbramos uma sociedade diligente, bem como contente. Essas associações altamente influentes (sreni) regulavam elaborados sistemas de controlo de qualidade, preços, distribuição e treinamento para cada ofício e profissão. Eles também agiam como banqueiros, até mesmo para a corte real; e seus sresthin, ou vereadores, reuniam-se regularmente em um Conselho comum que tem sido comparado a uma câmara de comércio. O comércio continuou a florescer, tanto na Índia como no exterior. Quando Fa Hian voltou à China, foi então não pela rota terrestre mas a bordo de um navio indiano velejando de Tamralipti em Bengala. Depois de um naufrágio próximo ao largo da costa de Burma chegou a ‘Ye-po-ti', que pode ser Java, Sumatra ou Malaya. Lá, como também na Indo-China, ele constatou que os brâmanes floresciam apesar da lei de Buda não ser muito conhecida. Depois de mais alguns percalços náuticos, chegou à China, sempre na companhia de brâmanes e, então, provavelmente, a bordo de um navio indiano.

 

No que Fa Hian conta da Índia, Magadha aparece como algo especialmente impressionante. Suas cidades eram maiores e o seu povo, o mais rico e mais próspero, bem como os mais virtuosos. Na verdade, budistas já exploravam alguns sítios arqueológicos. Kapilavastu, a antiga capital de Sakyas e o berço de iluminados, era como um grande deserto sem rei nem pessoas; e do Palácio da Ashoka em Pataliputra permaneciam apenas as ruínas. Mas para um budista também havia muito o que comemorar. Stupas aos milhares, algumas de muitos níveis e de proporções gigantescas, pontilhando a paisagem – tanto quanto fazem ainda hoje nos centros fora da Índia, como os pagãos na Birmânia. Então, ao contrário de agora, o budismo ainda recebia o apoio de grandes secções da opinião indiana. Os mosteiros foram bem dotados; os monges poderiam ser contados em milhares. Oito séculos depois de Buda, somente Sri Lanka era mais budista. Para Samudra Gupta foi particularmente gratificante receber uma embaixada do Sri Lanka, cujas ofertas, juntamente com um pedido de autorização para construir um mosteiro no lugar da “Iluminação” de Buda, no Buddha Gaya, ele recebeu os presentes como uma forma de homenagem.

 

Sem estar muito preocupado com assuntos políticos, Fa Hian nada diz do Tribunal Gupta, nem de Chandra Gupta II, o maharajadhiraja – “O Rei de todos os Reis”. Talvez, como era normal durante a estação seca, a corte estava em movimento, recebendo a reverência e a consumir os produtos dos seus reis subordinados ou na condução de hostilidades com os sátrapas. Em Pataliputra, que juntamente com Ujjain parece ter servido como o capital de Gupta, o visitante chinês ficou mais impressionado com um festival anual. Ele foi marcado por uma magnífica procissão de umas vinte stupas em cima de rodas cujas torres eriçadas acomodavam imagens dos deuses decorados com ouro e prata, bem como a sessão com figuras de Buda e com a presença de Boddhisatvas de pé. Quando a procissão se aproximava da cidade, Hian Fa assistiu aos brahmacharis virem adiante para oferecer seus convites.

 

Como entre os ortodoxos e as seitas heterodoxas, ecumenismo ainda era a norma, os Guptas, apesar de se identificarem com o Senhor Vishnu e realizando sacrifícios védicos, incentivaram doações aos estabelecimentos budista e brahman com munificência imparcial. Ainda a separação física das duas comunidades, como nos conta Fa Hian, pode ser significativa. Mosteiros budistas eram geralmente localizados fora do centro das populações e influência, mas suficientemente perto para receberem alimento e instruírem leigos, mas também suficientemente longe para terem tranquilidade e isolamento. Os brahmacharis por outro lado, tecnicamente estudantes brahamanes, mas num estabelecimento de todo o ensino brahman, estavam localizados dentro da cidade e perto da corte.

 

8.- Zero e pi ‘p

 

Muito se fala sobre os algarismos que hoje usamos e que de uma forma genérica se atribui aos árabes, o que, para um leigo, como eu, não parece uma boa verdade. Aliás não há boas verdades: ou são ou não são! Os números 1, 2, 3 e 9 ainda se parecem com os árabes – virando os primeiros três 90° para a esquerda – ٩, ٨, ٧, ٦, ٥, ٤, ٣, ٢, ١, ٠ (aqui mostrados do direita para a esquerda), mas os próprios árabes chamam-lhes numeração indiana.

 

Uma pequena comparação mostra bem que os indianos usavam quase os mesmos sinais matemáticos:

 

FGA-3.jpg

 

E, talvez o mais importante, foram eles que “inventaram” um novo sinal, o “zero”, representado por um ponto, e usado até hoje.

 

Desde há muitos séculos que a matemática indiana é conhecida. Já no século IV d.C. sabiam determinar o valor de p - pi – até à décima casa decimal.

 

No mundo ocidental, só no século XVIII é que William Jones um matemático galês, propôs o uso do símbolo π para representar a razão entre o comprimento da circunferência e seu diâmetro. Aliás foi esta a sua mais notável contribuição à matemática. Mais de mil e quinhentos anos depois de isso ser feito na Índia.

 

No século VI registaram-se exemplos do que antigos matemáticos gostavam de perguntar:

“Ó linda senhora, de olhos radiantes, diga-me, se você conhece o método de inversão, que número multiplicado por 3, depois adicionado com três quartos do resultado, a seguir dividido por 7, depois diminuído de um terço do resultado, depois multiplicado por si mesmo e diminuído de 52, extrai a raiz quadrada é depois de somar 8 divide por 10 e o resultado final é 2?”

 

A resposta parece complicada mas é fácil: é só seguir o caminho inverso:

 

[(2)(10)-8]2 + 52 = 196

√ 196 = 14

(14)(3/2)[70(4/7)] = 28

3

 

9.- Al Biruni na Índia – século XI

 

Como al-Biruni, o grande estudioso islâmico do século XI, expôs, os Hindus acreditam que não há nenhum país grandioso, só o deles, nenhuma nação como a deles, nenhum rei como o deles, nenhuma religião como a deles, nenhuma ciência, como a deles, e pensou que eles deviam viajar mais e misturar-se com outras nações; os seus antecedentes não eram tão intolerantes como a geração presente, acrescentou. Menosprezando atitudes do século XI, al-Biruni parece confirmar a impressão dada por escritores muçulmanos anteriores, que nos séculos VIII e IX, consideraram a Índia nada, quando comparada com tempos anteriores. Suas descobertas científicas e matemáticas, embora enterradas em meio a semântica e raramente lançadas para aplicação prática, foram prontamente apreciadas pelos cientistas muçulmanos e então rapidamente apropriadas por eles. Al-Biruni foi quem entendeu isso: a sua celebridade científica no mundo árabe deve muito a sua mestria de sânscrito e acesso à cultura indiana.

 

Aspectos da Índia do século XI, que al-Biruni omitiu nas suas críticas foram seu tamanho e sua riqueza. Ao contrário dos gregos de Alexandre, invasores muçulmanos estavam bem cientes da imensidão da Índia e imensamente animados pelos seus recursos. Além de produtos exóticos como especiarias, pavões, pérolas, diamantes, marfim e ébano, o país Hindu era famoso por seus fabricantes qualificados e seu movimentado comércio. A economia da Índia foi provavelmente uma das mais sofisticadas do mundo. Corporações regulavam a produção e forneciam crédito; as estradas estavam livres de assaltantes, portos e mercados cuidadosamente controlados e com tarifas baixas. Além disso, o capital era abundante e respeitável. Desde os tempos romanos, pelo menos o sub continente parece ter desfrutado uma balança de pagamentos favorável. Ouro e prata tinham vindo a acumular muito antes dos Guptas, e eles continuaram a fazê-lo. Figuras em Mamallapuram, esculturas e frescos de Ajanta são decoradas com jóias. Imagens divinas de ouro maciço são atestadas e os templos reais foram rapidamente se tornando tesouros reais, dotados com os frutos de suas conquistas.

 

O muçulmano devoto, embora aparentemente empenhado em converter os infiéis, encontraria seu “zelo” muito bem recompensado.

 

Jan. 2015

 

Francisco Gomes de Amorim

Francisco Gomes de Amorim

MAIS UM QUE “FUGIU”

 

 

Donald Tusk.png 

O próximo Presidente do Conselho Europeu será Donald Tusk, o actual primeiro-ministro da Polónia. Do artigo “O homem da esperança”, no “Público” de 1 de Setembro de 2014, da autoria do Embaixador da Polónia em Lisboa, Bronislaw Misztal, transcrevo:

 

“Portanto é com muita esperança, além de óbvio orgulho e humildade necessária que nós, os polacos, damos as boas vindas à nomeação do presidente da Europa. Donald Tusk, o primeiro-ministro da Polónia, é a escolha da esperança, confiança e valores comuns.”

 

Também não tenho dúvidas de que os dinamarqueses sentiram o mesmo “óbvio orgulho” quando o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Rassmunsen, deixou esse cargo para assumir o de Secretário-Geral da NATO, outro importante cargo internacional.

 

E em Portugal? Quando o primeiro-ministro Durão Barroso deixou esse cargo para ir exercer o de Presidente da Comissão Europeia, o chefe do executivo da União Europeia, outro cargo de muito grande importância internacional, o que é que se ouviu? Que ele “fugiu”, que não devia abandonar o cargo, que devia ficar para cumprir o seu mandato, etc. O “óbvio orgulho”? Os grupos que clamavam contra essa fuga não sabem o que isso é. E nós sabemos bem quem são, pois se mostram em bem orquestradas manifs.

 

E os que sabem, pois acredito que ainda existem? Com raras excepções, são a tal “maioria silenciosa”, que se deixa espezinhar e consente em chamar democracia a esta feroz ditadura partidocrática, responsável por delapidar Portugal, que continua a vender o país, principalmente a estrangeiros, continua a tirar aos pobres e remediados para dar aos ricos e clama que o país está melhor que em 1974, como se Portugal, no dia 25 de Abril desse ano, tivesse parado no tempo.

 

O primeiro-ministro português que “fugiu” foi António Guterres, a meio do seu segundo mandato. Do seu discurso em que anunciou a demissão, transcrevo:

“Se olhasse para estas eleições e passasse por elas como porventura seria integralmente o meu direito, continuando a exercer as funções de primeiro-ministro, o país cairia inevitavelmente num pântano político e minaria as relações de confiança entre governantes e governados, que são indispensáveis para que Portugal possa vencer o desafio que tem pela frente.

Nessas condições, entendo que é meu dever, perante Portugal e perante os portugueses, evitar esse pântano político. E por isso mesmo, pedirei ao Senhor Presidente da República que me receba, para lhe apresentar o meu pedido de demissão das funções de primeiro-ministro, querendo com isto contribuir para a criação duma situação que permita o pleno restabelecimento da confiança entre governantes e governados.”

 

Se o Eng.º Guterres foi eleito para um segundo mandato, foi graças às realizações já em meio, que recebeu do governo anterior e que lhe permitiram fazer um brilharete, com os exemplos típicos da Ponte Vasco da Gama e a Expo 98.

 

Quanto a esta última realização, não me canso de lembrar o que considero uma falha clamorosa, bem reveladora da ausência do “óbvio orgulho” nacional e que bastante prejudica a projecção de Portugal no mundo. O tema da Expo era “Os Oceanos” e a organização ignorou completamente o que considero o feito maior dos portugueses no século XX, a I Travessia Aérea do Atlântico Sul, por Sacadura Cabral e Gago Coutinho. Essa falha clamorosa fez o país perder uma oportunidade magnífica, como talvez não volte a haver, de mostrar ao mundo – visitaram a Expo muitos milhares de estrangeiros – esse feito notável dos portugueses.

 

Na minha modesta opinião, a Travessia devia ter um pavilhão a ela dedicado, com painéis a descrever o que foi essa epopeia, filmes – alguns da época – sobre esse feito, o hidroavião Santa Cruz ou uma réplica construída para o efeito, edição de livros antigos e de outros escritos para a ocasião, e uma série de palestras por pessoas qualificadas. Como nada se fez, o mundo continua a conhecer bem o nome de Charles Lindbergh – cuja Travessia, cinco anos depois, é um feito importante, mas muito menos importante que o dos nossos navegadores – e quase ninguém sabe quem eram Arthur de Sacadura Cabral e Carlos Viegas Gago Coutinho.

 

Voltando ao governo Guterres, convém notar que, no governo que o antecedeu, a economia portuguesa tinha crescido sempre acima da média europeia. A partir de 1995, começou a crescer menos do que a média europeia, sempre cada vez menos. Quando o PS voltou ao governo, em 2005, entrámos em recessão. Tudo consequência de políticas erradíssimas. E por muito que o governo actual apregoe melhorias – ao mesmo tempo que continua a cortar ordenados e pensões e a aumentar o número de milionários – as perspectivas de futuro, para a grande maioria dos portugueses, são muito negras.

 

Publicado no "Linhas de Elvas" de 13 de Novembro de 2014

 

Prof. Miguel Mota

Miguel Mota

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D