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A bem da Nação

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

 Wahhabismo.jpg

Acto terrorista de Paris contra provocação satírica da revista

Charlie Hebdo

 

 

É uníssona a voz dos políticos ao denunciar o massacre de Paris como um ataque à democracia e à liberdade de imprensa.

 

Os três assassinos, agora mortos, estavam em ligação directa com al Qaida e com o “Estado islâmico”. Um interessante pormenor é o facto dos Serviços Secretos americanos estarem mais informados sobre os três jihadistas do que os Serviços Secretos europeus.

 

Várias instâncias dos Estados europeus estão imensamente preocupadas pelo facto da guerrilha islâmica ameaçar estender-se à Europa, especialmente através dos retornados jihadistas da Síria e do Iraque, bem preparados em estratégias de ataques terroristas.

 

O 7 de Janeiro foi um dia negro contra os jornalistas, o dia 9 foi um dia de alívio em que a polícia conseguiu matar os 3 terroristas que, em nome de um Deus, executaram, pelo menos, 16 pessoas.

 

O chefe redactor da revista satírica Charlie Hebdo dizia “prefiro morrer de pé do que viver ajoelhado”. Certamente uma crença que testemunha independência e nobreza de carácter mas, por outro lado, desconhece a realidade de que tudo se encontra entrelaçado. Quando os extremos se repelem, precisa-se de critério e capacidade para encontrar o meio-termo.

 

Vivemos numa sociedade aberta e a sátira vive da provocação. Certamente é legítimo criticar as instituições e seus representantes nos seus desvios, nas suas palavras e acções mas não é legítimo ferir os sentimentos dos fiéis quando se pretende apenas ridicularizar os fundamentos da sua fé, como fez a revista ao chacotear o mistério da trindade dos cristãos, desenhando provocadoramente pai-filho-espírito santo em comum acto sexual. Este já não é um acto de liberdade mas de libertinagem. A revista Charlie Hebdo provocava muitos sentimentos religiosos e mais que temas muçulmanos caricaturava temas Cristãos. Os cristãos já tinham metido a revista 14 vezes em tribunal por causa de abuso e ridicularização mas perderam todos os processos. Isto, porém, não legitima de longe o acto bárbaro praticado pelos extremistas islâmicos. É difícil uma justificação do uso das armas em certos conflitos bélicos mas nunca se justifica o uso de armas (violência física) contra caricaturas ou palavras.

 

O que para uns é expressão de liberdade para outros é libertinagem e como também aqui não há um meio-termo, não será fácil apaziguar os opostos.

 

Isto torna-se compreensível num tipo de sociedade interessada em dividir para dominar quando seria mais natural uma filosofia social que fomentasse o agir dos cidadãos num espírito inclusivo, convergente e de complementaridade; naturalmente com um espírito crítico, mas consciente de que cada qual é parte integral e necessária do mesmo todo. Extremismos revelam sempre falta de critério, de respeito e de empatia.

 

Por outro lado, o mesmo Estado laico (por exemplo a Alemanha) que defende a liberdade de expressão contra símbolos da religião, é implacável na luta contra gestos e sinais nazis (gestos de Hitler e cruz suástica) contra a democracia. Porquê esta diferença de pesos e medidas em questão de liberdade de expressão? Não será esta uma arma discriminatória do Estado secular?

 

Também é lícito perguntar-se porque é que crentes islâmicos reagem tão sentidos recorrendo às armas e crentes cristãos se retiram apenas magoados. Qual será a estratégica mais eficiente, a do crente muçulmano que usa o meio das armas ou a do crente cristão que se recorre das leis perdoando e rezando pelos inimigos porque acredita na ‘arma’ da oração?

 

O complexo de inferioridade não pode explicar tudo e menos ainda a nacionalidade. O ferimento dos sentimentos também não pode ser a medida para se erguer contra a liberdade.

 

Muitos admiram-se de em nome de Deus se ter praticado o massacre de Paris. O problema não está na crença em Deus; a dificuldade surge do facto da inspiração divina acontecer no Homem e este também ser definido pelo espaço geográfico e cultural.

 

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António da Cunha Duarte Justo

ÍNDIA

Histórias da história – 2

 

3.-RAMA-GUPTA e DHRUVADEVI

 

Um drama do século sexto conta a história de um Rama-Gupta, que se pensa ter brevemente sucedido a Samudra Gupta e quem tentou arrancar os sátrapas ocidentais de Malwa. A tentativa deu errado. Rama-Gupta foi derrotado, e preso, quando tentou se soltar, foi informado que o preço da fuga seria a rendição e entrega da sua rainha. De acordo com uma biografia muito mais tardia, o sátrapa de Shaka cobiçava ao máximo a adorável rainha Dhruvadevi. Sem dúvida ela tinha sido representada a ele com olhos de lótus, com coxas como hastes de bananeira e todos os outros atributos maduros da feminilidade desejável, como detalhado na tradição textual e ilustrada nas yaksi sedutoras das esculturas de Mathura e Sanchi. O tipo da “mulher-ideal” ou “simbolo sexual” da época! Em chamas, com o desejo, o lascivo rei de Shaka foi inflexível; Rama-Gupta, indigno de uma tão desejada consorte, irremediavelmente admitiu a derrota e concordou em entregar-lha.

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O “símbolo sexual”: a bela e tão desejada Dhruvadevi?

(Vejam bem a perninha estilo tronco de bananeira!)

 

Mas a ignomínia foi demais para o irmão mais novo de Rama-Gupta. Este irmão de alguma forma se disfarçou como Dhruvadevi, toda bem torneada, e foi dando entrada no campo inimigo onde prontamente matou o sátrapa. Ele também deve ter auxiliado a fuga de seu irmão Rama-Gupta, tendo este sido irrevogavelmente desonrado por este caso; era o irmão honrado que agora assumia as rédeas do Império como Chandra Gupta II. Ele pode ter tido que matar Rama-Gupta no processo; mas certamente, foi ele quem eventualmente ficou com a mão de escultural Dhruvadevi.

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Chandra Gupta II

 

Não surpreendentemente, a ofensiva principal de Chandra Gupta II foi uma continuação da luta contra os sátrapas de Shaka. A julgar pelas inscrições em torno de Sanchi ele parece ter sido de Malwa Oriental alguns anos antes, presumivelmente enquanto conduzia as necessárias campanhas. A sua paciência foi recompensada. No ano de 409 d.C. Chandra Gupta II emitiu moedas de prata para substituir as dos sátrapas. E depois de ouro. Os territórios de Shaka na Índia ocidental foram anexados aos Guptas, e dos sátrapas ocidentais não mais se ouviu falar.

 

Assim, os Guptas garantiram sua fronteira ocidental e herdaram tudo o que restou das tradições culturais estabelecidas pelo sânscrito Rudradaman e seus sucessores. Na evidência de um site arqueológico budista em Gujarat norte (Devnimori) que pode datar-se de cerca de 375 d.C., tem sido sugerido que a arquitectura e escultura Gupta deviam vários motivos e características de design ao oeste da Índia. Também pode ser significativo que as realizações culturais associadas geralmente aos Guptas são pouco em evidência no século IV e só se tornaram estabelecidas após a conquista dos sátrapas por Chandra Gupta II.

 

Este sucesso contra os sátrapas também deu aos Guptas acesso aos portos de Gujarat e aos lucros do seu comércio marítimo internacional.

 

4 ALEXANDRE e BUCÉFALO

 

Alexandre, como se sabe, foi o maior general de toda a história, de onde lhe vem o sobrenome, o Grande.

 

No seu caminho de batalhas e conquistas percorreu mais de 25.000 quilómetros, e acabou morrendo muito jovem, 32 anos, possivelmente por ferimentos recebidos num dos muitos combates que enfrentou quando descia o Hindus, hoje Paquistão, em barcos, descida essa que levou seis meses até ao mar, no regresso à Mesopotâmia, vindo a falecer na Babilónia. Uma seta ter-lhe-á acertado no peito e talvez tenha atingido os pulmões.

 

No mesmo dia em que Alexandre nasceu terá nascido um cavalo, magnífico, indomável que, segundo a tradição, havia sido comprado por Filipe II da Macedónia, pai de Alexandre, mas afastado por ordens do próprio rei pois não se deixava montar. Alexandre, depois de muito implorar, no dia em que fez treze anos, recebeu esse magnífico presente com permissão para tentar domá-lo, que parecia fadado a ser o grande companheiro do príncipe. Alexandre notou então que o cavalo se assustava com a própria sombra e o conduziu contra o sol de forma que ele não pudesse vê-la. Contra todas as expectativas conseguiu assim domar o cavalo, que ninguém conseguia. O cavalo só permitia ao seu treinador montá-lo mas, depois foi coberto por vestes reais, e permitia ser montado por Alexandre, e ainda se curvava para ajudar o rei.

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Alexandre Magno e seu cavalo Bucéfalo, na Batalha de Isso.

Mosaico encontrado em Pompeia, hoje no Museu Arqueológico Nacional, em Nápoles

 

Bucéfalo era o nome deste famoso cavalo de guerra de Alexandre, rei da Macedónia depois de, com a ajuda da mãe, ter assassinado o pai!

 

Com o seu dono percorreu milhares de quilómetros, sempre se impondo pela sua postura, força e elegância. Quando Bucéfalo ficou velho, Alexandre o poupava das actividades de menor importância: durante a revista das falanges, antes da batalha, Alexandre montava outros cavalos, apenas montando Bucéfalo na hora de atacar o inimigo.

 

Bucéfalo viria a morrer por ferimentos e pela idade durante a campanha de Alexandre no norte da Índia. No local de sua morte, o imperador prestou-lhe uma última homenagem, fundando a cidade de Bucéfala próxima a Taxila (30 km a NE de Islamabad), no actual Paquistão.

 

Taxila tem uma história incrível. Foi a capital de uma série de reinos, inclusive de Alexandre, e sabendo-se, pela arqueologia, que a sua fundação remonta a uns cinco milénios a.C., no século V a.C. tinha já uma universidade onde se ensinavam os princípios budistas. Hoje o sítio, espectacular, é Património Mundial da Unesco.

 

5.- Tanque

 

Se procurarmos a etimologia desta palavra tanque, nos vários dicionários de português, encontram-se as “probabilidades mais absurdas” que se possam imaginar. Dizem que “talvez” venha de “estancar”! Mas explicar... nada. Estancar a água?

 

A história calcula que os arianos terão chegado à Índia cerca de 1500 a.C., passados dois séculos da há pouco descoberta civilização Harapana. Civilização que se terá iniciado mais de 3.000 anos a. C.

 

Agricultores, já trabalhavam e transformavam de forma magnífica o algodão, que os arianos, espantados por que o desconheciam começaram por chamar de “lã vegetal”!

 

Poucos animais estavam domesticados de modo que sobreviviam, e bem da agricultura, e de alguns animais selvagens, como o porco.

 

Os remanescentes desta civilização ao longo do Hindus, se viram obrigados, possivelmente por desertificação da região, a mudar-se para as margens do Ganges, onde a agricultura se fazia com a fácil irrigação na planície gangética, entre os rios Ganges, Gahara e Jumuna, sempre cheios de água.

 

Quando mais tarde alguns governantes ou rajás, quiseram expandir-se para a região central da actual Índia, os povos dali sobreviviam mal à época inter monções. Chovia torrencialmente durante os meses das chuvas – entre Junho e Agosto – e depois no resto ano chegava uma canícula que tudo queimava.

 

Era preciso alimentar aquele povo.

 

O governante mandou construir uma série de tanques onde se pudesse guardar boa parte das chuvas imensas que depois eram utilizadas para regas e assim desenvolver a agricultura.

 

Quer isto dizer que tanque é uma palavra de origem indiana, levada para a Europa pelos portugueses e adoptada bem mais tarde pelos ingleses. Isto dizem os próprios ingleses.

Estes, quando começaram a fabricar umas novas “máquinas de guerra”, no início da I Guerra Mundial, criaram uma palavra código para se referirem a estas máquinas. O nome escolhido foi Tank.

 

Mas, até em Inglaterra, como em Portugal, a palavra tanque aqui, ou tank lá, significa um reservatório de água, por exemplo para lavar a roupa, ou o tanque de combustível dos veículos e só mais tarde se vulgarizou como a máquina de guerra!

 

FGA 4-tanques.jpg

 

Qual tanque você prefere?

23/12/2014

 

Francisco Gomes de Amorim, Junho 2013, Lisboa.jpg

Francisco Gomes de Amorim

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