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A bem da Nação

APT / TTIP – UMA CATÁSTROFE PARA A CULTURA SOCIAL DA EUROPA!?

 

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Um golpe na eficiência dos Sindicatos e o enjeitamento da Soberania – Único trunfo que os Estados nacionais pequenos ainda têm

A Qualidade de Vida baixará embora se consigam Produtos mais baratos

 

Consequências previsíveis em consequência do pretenso acordo APT / TTIP: As questões que aqui apresento fundamentam-se na filosofia do mercado livre e na análise de estudiosos do assunto, preocupados em defender o estandarte social adquirido, até há dez anos, na UE (União Europeia). Refiro os aspectos mais críticos atendendo à reserva da opinião pública sobre o assunto. Só informação crítica e variada pode levar à formação de uma ordem civil e elevada e acautelada.

As multinacionais obrigarão as pequenas empresas a fusões que irão favorecer as grandes empresas e provocar maior desemprego porque as grandes empresas racionalizam o trabalho. Lembre-se que as grandes empresas dão emprego a cerca de 20° do operariado. Os empregos não se desenvolverão no sentido da produção mas sim no dos serviços. As multinacionais regularão os conflitos entre si, de maneira soberana e interna, contra a soberania e interesses de estados secundários e organizações sindicais.

Padrões ecológicos e sociais elevados serão nivelados. Teremos uma outra agricultura. A agricultura de muitas nações será aniquilada. Até a agricultura latifundiária alemã sofrerá grande concorrência dos EUA, embora se encontre bastante bem preparada, mas terá de renunciar a subvenções estatais. A UE na sua política económica orientava-se pela sustentabilidade do produto enquanto a América não se interessa com isso limitando-se a tratar o produto, na fase final, com cloro. Os problemas das subvenções agrárias e outras com o caso entre Boeing e Airbus serão colocados já não em prol da defesa dos empregados nacionais mas serão subordinados aos interesses das multinacionais que, em certos ramos, passam a emigrar para os países de menores níveis de vida.

Os deputados do Parlamento Europeu serão fortalecidos em consequência da transplantação das competências dos deputados dos estados nacionais para a UE. Competências político-democráticas serão centralizadas em Bruxelas. Só os deputados europeus poderão ter uma certa visão global em matérias cada vez mais complexas. Os parlamentos nacionais não terão nada a dizer, pois tudo será da competência da comissão europeia e da Comissão de Comércio onde quase só se encontram representantes da liberalização. Um mercado interno onde tudo pode fluir leva na enxurrada os artesãos, sindicatos, protecção legal, etc.; então observar-se-á que as pessoas empregadas na Comissão irão encontrar emprego nas multinacionais; será uma catástrofe para a cultura social da UE que já se encontra em declínio rápido. Só os grandes países, onde se centram as sedes das grandes multinacionais, terão margem de manobra política. Também por isso os países em desenvolvimento bloqueiam com razão a vontade dos países ricos investirem.

Um tiro no próprio pé: os EUA preparam um outro acordo com os Estados do Pacífico ficando a UE fora e em consequência disso as Filipinas e outros países do grupo ficam excluídos da possibilidade de negociar directamente com a UE; o contacto será então feito por intermédio das firmas americanas que lá se encontram.

A protecção dos investidores dá preferência à defesa do capital em desproveito do investimento. Será dificultado o fomento das firmas regionais. Os concursos públicos passam a ter de ser publicados a nível europeu quando ultrapassam os 50.000€

Razões a favor do acordo

Os peritos prevêem, como efeito do acordo, um lucro de 120 mil milhões de euros para a UE e 95 mil milhões para os EUA.

Se pensarmos em termos globais e de blocos culturais concorrentes, muitas das leis que regulam o comércio e a indústria hodierno (leis aduaneiras, leis de defesa ao consumidor e protecção de dados, regulação e estratégia sindical) provêm ainda de tempos de pensamento nacional, dos anos 80, precisando de uma adaptação à nova política e economia arquitectada em termos de blocos de interesses.

A UE fundamenta a necessidade do acordo no reforço da Agenda de Lisboa que pretende competição, desregulamentação e fomento do mercado interno.

Os contratos obedecem a uma estratégia de afirmação e de defesa dos grupos perante a China e a Rússia.

Dar-se-á uma uniformização na indústria farmacêutica no que respeita a duração das patentes, ao diferente processo de aprovação, à divulgação de dados de teste, etc.

Quanto à vida cultural esta permanece protegida devido ao Acordo de Lisboa.

O positivo da questão na EU é que o acordo tem de passar no Parlamento da EU e no Conselho Europeu.

O único trunfo da soberania que os estados da periferia têm será descartado

A padronização do negócio tem como consequência muito menos empregados. Deste modo o trabalho e o trabalhador são nivelados e colocados ao nível dos países pobres. Haverá maior quota de desemprego a financiar pelos contribuintes. A nivelação do proletariado internacional e sua legislação disciplina o proletariado em todas as nações passando as migrações a dar-se a nível de pessoal qualificado dos países periféricos para os países fulcrais conseguindo os grandes núcleos peritos baratos que ao mesmo tempo disciplinam os peritos das grandes centros com os seus ordenados concorrenciais. Ao que tem dar-se-lhe-á e ao que não tem ainda se lhe tirará o pouco que tem. Isto criará grandes focos de descontentamento e levará à reacção natural do crescimento de movimentos nacionalistas; surgirão organizações tipo guerrilha como é próprio do Médio Oriente, se não houver e junção da política e da economia com as sociedades locais. Por outro lado a penúria dos estados marginais servirá de impedimento a protestos de exigência de melhoria da situação nos estados economicamente mais avançados.

A concorrência que nos espera é semelhante à concorrência que os Estados do Sul receberam com os chineses e com o Euro. Dar-se-á um efeito grande de disciplinação; sem princípios jurídicos claros dado privatizar-se também a parte do poder interpretativo.

Com esta estratégia a taxa de câmbio do dólar dos EUA continua a ser co-financiada pelo estrangeiro.

As negociações do acordo estão a ser organizadas antidemocraticamente e sem transparência porque, a opinião pública não discute, não negociam os Estados, o assunto permanece na comissão europeia. Com isto vão lucrar empresas e investidores de elite. Restam aos países as armas militares a arma do poder de compra. O único poder que ainda temos é fazer pressão nos parlamentos

Organização de Forças contra a Economia chinesa e Outras emergentes

O turbo-capitalismo passa a agir ainda de forma mais globalizada e mais garantida contra a economia chinesa que copia as tecnologias e métodos do mercado ocidental e uma vez que é regularizada de maneira central se serve, com sucesso, de uma matriz socialista-capitalista para concorrer com o Ocidente. O capitalismo ocidental e o capitalismo estatal chinês sabem aproveitar-se dos recursos de países ricos em matérias-primas, porque os capitalistas destes países investirão nas economias mais fortes através da sua participação nas multinacionais. Este sistema é perigoso porque lhe basta fomentar o bem de uma classe política provinda de uma democracia instrumentalizada bastando-lhe para isso controlar o fisco e as organizações policiais e militares e um sistema judiciário comprometido em estados onde a soberania passa a ser sonho. A massa e até a burguesia passam a sofrer a concorrência de grandes oligarcas distantes dos panoramas nacionais, agora proletarizados, porque sistematicamente lhes foi destruída a levedura da inteligência nacional antes guardada na classe média. Assiste-se a uma emigração da inteligência e do capital para os centros do poder. Interessa a rentabilidade e não a produção séria assistindo-se a uma emigração de pessoas e do capital na procura do lucro baseado no consumismo. O capitalismo serve-se da tendência humana a querer mais e a dominar.

Os países pequenos, tal como as pequenas e médias empresas, ficam sujeitos aos interesses das grandes potências e aos órgãos plurinacionais. O capitalismo estruturado em grandes centros hegemónicos passa a operar como o islão na África - de espírito latifundiário e de monoculturas - impedindo o desenvolvimento de estruturas nacionais autónomas. O capital financeiro dos bancos centrais dos EUA e EU, torna-se cada vez mais drástico fornecendo as grandes multinacionais com dinheiro quase de graça e o Estado, que por sua vez, cria as condições para o trabalho barato. Assiste-se a um canibalismo financeiro cada vez mais sistemático devido à união da força política à força do capital que se afirma à custa dos mais pequenos e dos estados.

Aos gabinetes jurídicos parasitários do Estado e servidores das classes políticas juntam-se os órgãos da justiça semi-privada paralela que regula os conflitos entre as grandes empresas. Com a APT / TTIP institucionaliza-se na UE órgãos de justiça privada passando a competência de julgamento em matérias conflituais sobretudo para as mãos das empresas. Os Estados das pequenas empresas estarão submetidos aos interesses das grandes empresas e correspondentes direitos que se sobrepõem interesses nacionais ou políticos. Daí a necessidade da UE não assinar tal clausula que privilegiaria as decisões de mediações em que os juízes privados das empresas se encontram em maioria e muitos deles sedeados nos EUA (tenha-se presente o caso da Argentina).

O Estado não deveria ser constituído sujeito devedor atendendo a que o fiador é o povo e ao facto corrente de os políticos se deixarem corromper pela classe financeira. Dar carta branca ao Estado corresponde actualmente a servir a ganância internacional e o bolso dos políticos e parasitas do Estado. Tudo isto fala em benefício de uma democracia directa (ex. Suíça) e não apenas representativa.

Quando os impostos sobre as energias, os automóveis, comunicações se torna a maior fonte de receita do Estado e não a receita proveniente do rendimento nacional, há fundamento para se temer o empobrecimento e o autoritarismo do Estado. O empréstimo financeiro a um estado obriga-o indefinidamente ao capital estrangeiro. Fomentam-se burocratas à custa da racionalização do trabalho e do emprego à custa de um desemprego a manter e à custa do parco salário.

São precisas regras globais com padrões elevados, de protecção social, ambiental e dos consumidores e não daqueles que atentam contra eles. Precisam-se regras globais que fomentem o trabalho digno e honrado e que integrem os diferentes interesses de cada grupo e sociedade.

Portugal já teve um exemplo comparável em que capitais subvencionados pela EU, passados os 5 anos de condicionamento às subvenções, emigraram para países mais baratos, tendo destruído as pequenas empresas e deixado o operariado indefeso e à deriva, como se encontra hoje, emigrando do país o cerne de Portugal. Esta é como sempre uma análise possível entre outras. A perspectiva lógica e a sua soma determinam o conjunto racional.

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António da Cunha Duarte Justo

 

SONHOS QUE NÃO MORREM

 

 

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Se sonhar é loucura,

Então sou louca varrida

Se sonhar é doçura

Sou de mel construída

 

Tantos sonhos que sonhei,

Todos eles de fantasia,

Mas um dia acordei,

Num sonho que existia,

 

No sonho do meu querer

Muito me faz sonhar

Se este sonho morrer,

Não voltarei a acordar

 

Conceição Henriques

NATAL É A FESTA DA FAMÍLIA HUMANA

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 NATAL NÃO É SÓ UMA “FESTA CRISTÓ

 

Tal como o catolicismo, num acto de aculturação e inculturação, assumiu muitos dos costumes, ritos e festas dos povos com quem esteve em contacto (p.ex.: as celebrações em torno do solstício de Inverno), também o mundo secular de hoje assume festas cristãs, nas suas festas irreligiosas, como se observa no Natal onde o aspecto religioso quase não se nota. Se antes se dava uma cristianização de costumes pagãos, hoje assiste-se à paganização de costumes cristãos. Assim, a nossa atenção perde-se, por vezes, no cheiro da canela, no vinho quente, nos bolinhos, rabanadas, luzes e velas.

Como se vê, pessoas crentes e mesmo ateias aprendem umas das outras muitas vezes, seguindo a força da rotina. Nestas condições, a religião corre o perigo de ser banida da vida ou relegada para um sector do quotidiano como o futebol ou o teatro, num pacote do tudo incluído na luta pela existência, pelo dinheiro e pela saúde.

Embora o Natal continue presente de várias formas, a religiosidade é um bem humano fundamental a perseverar e não perder.

No passado, a sociedade ocidental era determinada pela orientação religiosa, por vezes, moderada por alguns grupos irreligiosos. Este facto levava a pastoral eclesiástica a descurar estes grupos que, por outro lado, precisariam de cultivar o seu caracter religioso.

Entretanto, os grupos seculares assumem mais relevância o que obrigará a Igreja a encontrar formatos e maneiras de diálogo (por exemplo com a arte e com iniciativas locais) que sejam comuns ao mundo secular e religioso. O Padre terá de sair do seu gueto para que não se formem dois grupos (o religioso e o secular), ambos a caminhar paralela e solenemente um ao lado do outro. Será preciso criar sobreposições e pontos de encontro em acções comuns. Quem não reconhece que a realidade acontece no ponto de intersecção dos diferentes interesses, passa a vida a fugir dela ou a combatê-la.

A mensagem do Natal ensina que todo o ser humano veio ao mundo por vontade divina. Deus criou o mundo e viu que o que fez era bom. Quem reconhece no cristianismo um projecto de excelência para o mundo, deverá deixar o Espírito Santo actuar nele e deste modo descobrir-se e renascer continuamente. Ele é aberto e não limita, ele chama todos à comunidade da noite da consoada como o pai que não discrimina os nomes dos filhos. O fogo natalício de cada pessoa será a luz que poderá iluminar outros a descobrir o Nazareno e a iluminar a noite do mundo.

 

Tradição: Um Elo de União

Há tanta gente a queixar-se do stress natalício ou do consumismo em torno do Natal. Fazem lembrar a parábola do Evangelho das sete virgens prudentes e das sete virgens loucas!

O Natal é uma oportunidade para se romper com a normalidade da vida quotidiana; é o tempo das tréguas e da paz. Depois do tempo do jejum ou do stress que por vezes nos divide, todos se reúnem em torno de uma mesma mesa, todos juntos não só uns com os outros mas também com as gerações passadas, unidos na tradição de comidas e bebidas e na encenação com velas e no brilho emocional em tudo colocado na preparação da festa. A arte da rica culinária individualizada destes dias é também ela testemunha de carinho, dedicação e ligação às pessoas e à tradição; tudo isto nos demarca do dia-a-dia ou do consumo do supermercado. Esta magia do Natal não se deixa reduzir a sentimentalismos nem a lembranças da infância, como quereriam os agentes da razão. Em Belém junta-se a luz das alturas, a luz da razão, à luz do coração.

Saint Exupéry em “O Principezinho” constata que “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos". Alguns, para não terem de chorar preferem ficar no mirante de uma racionalidade fria não se deixando cativar como dizia ainda Saint Exupéry “A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar…” De facto, o presépio ensina que “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direcção...”.

 

Natal é família

As expressões familiares vão-se mudando mas a família permanece. Na família tudo se junta, passado e futuro, o divino e o humano.

A gruta de Belém dá à luz uma nova luz. Uma virgem torna-se mãe, também para nos dizer que na gruta de cada um de nós Deus pode nascer.

Também Deus não queria viver sozinho, por isso veio encontrar-se connosco na gruta de Belém para festejarmos e cantarmos com os seres celestes e terrestres o hosana nas alturas. Na metáfora do presépio, na origem da cristandade, participam não só pai, mãe e filho, mas também os anjos, os seres celestes, os pastores, o burro, a vaca e os reis magos. No presépio tudo se encontra e reconcilia para se tornar irmão e poder reconhecer-se no irmão Jesus. Jesus também nasce fora da família apetecida, fora da família da propaganda do chocolate.

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António da Cunha Duarte Justo

Teólogo

Ai balancé, balancé…

 

A moral de Florian,

Nesta história de uma glória

Que vai seguir-se,

Aplica-se

À mocidade estouvada

Habituada a definir-se

Pela contestação,

Sem nas regras se apoiar

Como balancé desprezado

Que a farão ir ao chão

Se para longe o atirar.

Vejamos a fábula já,

Que nos mostra que, como outrora,

A juventude de agora

Não mudou tanto, afinal,

E se mais recuarmos ainda

Veremos que a coboiada

Já entre os clássicos se via,

Para arrelia

Da velharia:

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«O dançarino da corda bamba e o balancé»

Sobre a corda esticada

Um jovem volteador

Aprendia a dançar e já a sua habilidade

Os seus fortes volteios

Plenos de agilidade,

Faziam aparecer muito espectador.

No seu estreito caminho de corda,

Vêem-no avançar,

A mão no balancé, em liberdade,

Corpo direito, ousado,

Hábil e ligeiro;

Ele eleva-se, desce,

Vai, vem, mais alto se lança.

Volta a subir, volta a cair

Em cadência.

E semelhante a certos animais

Que rasam voando

A superfície das águas,

O seu pé toca, sem que se veja,

Na corda que verga

E no ar o relança.

O nosso jovem dançarino

Vaidoso do seu talento

Disse um dia:

Para quê

Este pesado balancé

Que me cansa e me embaraça?

Se eu dançasse sem ele

Teria muito mais graça

Ligeireza e força.

Dito e feito! O balancé

Ao chão atirado,

O nosso estouvado

Estendeu os braços

Partiu o nariz, caiu

E toda a gente se riu.

Mocidade, mocidade,

Ninguém te disse

Que sem regras nem freio

Cedo ou tarde se sucumbe?

A virtude, a razão, as leis, a autoridade

Nos vossos desejos fogosos

Causam-vos alguma pena;

É o balancé que vos cansa

Mas que vos dá segurança.

 

Sabemos que tem razão,

Florian

Na crítica à mocidade,

Na sua tola autoridade

De contestação

Que a maior parte das vezes

Vai ao chão.

Não se passa assim connosco,

De mocidade já perdida

Nos volteios da sua vida

Sem pontes nem horizontes,

A não ser lá para fora,

Sem demora.

Aqui,

Os que atiram o balancé

Com força ao chão,

Significando aquele

Vileza de corrupção

No abandono das regras

Da educação,

São antes os que vão singrando,

Nas rodas do seu fervor

Apenas ávido de lucro

E enriquecimento mor,

Não geral mas pessoal.

 

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Berta Brás

GEOPOLÍTICA E HISTÓRIA

 

Amigo Henrique Salles da Fonseca,

1 - Grato, pela forma imerecida, como em Indochina 11, te referiste à minha pessoa. Repito: grato, mas não mereço.

2 - Tenho acompanhado os teus textos sobre a Indochina, porque escreves com o Rigor e Saber, de viajante atento, do tempo presente e do passado presente. Escrevo viajante. Porque são textos de viajante e não de turista. Volto a dizer: da minha parte, só agradecimentos. Porque o que escreveste vai directo ao espírito da Geopolítica e da História. E isso é o que me interessa.

3 - O Doutor António Barreto ao ler "Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico", do eminente Geógrafo português Orlando Ribeiro, escreveu: ler este livro é uma autêntica Festa para o Espírito. E é desta forma que encaro os teus escritos sobre a Indochina. Nada mais.

4 - E se Franceses e Americanos tiveram um Vietname, curiosamente outra potência, a URSS, teve depois o seu no Afeganistão. Não aprenderam com quem os antecedeu na Indochina. Um dia, quando puder, farei texto sobre isso, porque a figura lendária do Comandante Massoud, líder liquidado da Aliança do Norte e chamado "Leão do Panshir", foi um dos que se pode equiparar a GIAP, agora para contribuir para o desabar da Potência Soviética.

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5 - Poderia colaborar mais vezes com o teu blogue, mas como o respeito, só o faço com base em estudo e investigação. Como são exemplo disso todos aqueles que aí escrevem.

Aceita a Consideração e Estima do,

José Augusto Fonseca

José Augusto da Fonseca

BOAS FESTAS e UM 2015 À MEDIDA DESEJADA

 

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Nesta época, em que mais se expressam sentimentos e temas centrados na humanidade, aproveito a oportunidade para vos desejar umas festas natalícias felizes e um Ano Novo próspero. Todos fluímos no todo; todos trazemos o todo em nós e o completamos à nossa maneira.

De resto, somos mais que as ideias e crenças que expressamos. Onde se encontra uma pessoa lá se encontra um bocado do universo e certamente um vestígio do eterno para admirar.

Com amizade e reconhecimento

 

MUITOS NÃO SABEM!

 

Muitos não sabem

Que um Menino sonha neles

 

Muitos não sabem

Que o infante quer acordar neles

 

Muitos não sabem

Que são a alva de um sorriso

 

Muitos não sabem

Que o Sol brilha neles

 

Muitos não sabem

Que o Jesus quer nascer deles

 

Muitos não sabem

Que Cristo vive porque mora neles

 

Muitos não sabem

Que o Natal são eles!

 

 

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António da Cunha Duarte Justo

TODOS MORRERAM DESCALÇOS

 

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Este é o Ocidente do défice e da dívida, da população a envelhecer, do crescimento económico anémico. Não acreditamos em soluções ou compromissos precisos para, em democracia, tomar grandes decisões

 

A corrente campanha contra o ISIS é uma das janelas mais indiscretas sobre a alma ocidental. Nos EUA, o Presidente Obama não pediu autorização ao Congresso para intervir no Iraque e na Síria: preferiu supor que as licenças passadas a Bush em 2001 e em 2002 ainda estavam válidas (no caso da Síria, funciona a autorização de 2001 para atacar a Al-Qaeda enquanto responsável pelo 11 de Setembro, o que talvez explique a insistência do Governo americano em "filiar" o ISIS na Al-Qaeda). Alguns constitucionalistas alarmaram-se com o que entenderam constituir um abuso do poder executivo. Mas o Congresso não se mostrou interessado em discussões. Ninguém quer ir para as eleições legislativas de Novembro depois de uma votação sobre a guerra.

 

O Presidente e os legisladores conspiram assim, à face do público americano, para evitarem comprometer-se. O plano para equipar os rebeldes na Síria foi discutido e aprovado em 5 horas – um recorde. Como notou então o Senador Rand Paul, foi a maneira de evitar um debate completo sobre a guerra: "nesta casa, toda a gente está com medo, não do ISIS, mas do povo americano". Na Inglaterra, resolveu-se tudo salomonicamente: o Partido Trabalhista decidiu só votar metade da guerra — no Iraque, mas não na Síria, a principal base do ISIS.

 

Este é o Ocidente dos défices e da dívida, da população a envelhecer, do crescimento económico anémico, da polarização política. Não acreditamos em soluções, nem nos compromissos necessários para, em democracia, tomar grandes decisões. Temos aqui a medida das mudanças dos últimos anos: aquando do 11 de Setembro, ainda se pretendeu não apenas liquidar Bin Laden, mas erradicar as "origens do terror", "democratizar" o Médio Oriente. Hoje, não. Onde antes acreditava em tudo, o Ocidente passou a não acreditar em nada. Liquidar a Al-Qaeda? Aparece logo outra coisa pior, como o ISIS. Derrubar ditaduras, democratizar? É o caminho do caos.

 

Os vídeos dos refugiados nas montanhas e dos decapitados no deserto incomodam o público ocidental. É preciso fazer alguma coisa. Mas sem expectativa de fazer diferença. Vivemos uma época de "realismo", que é uma maneira de conceber a fraqueza como se fosse uma habilidade: combate-se o ISIS, mas devagar, porque gostamos de pensar que a sua ameaça até serve para distrair o Irão e os seus aliados na zona.

 

Enquanto isso, no terreno, o ISIS reestabeleceu a escravatura, e explicou aos cristãos a sua peculiar teoria de multiculturalismo: "quebraremos as vossas cruzes e escravizaremos as vossas mulheres". A questão é: quem, naquelas paragens, pode confiar nas potências ocidentais? No Afeganistão, os que se comprometeram com a ocupação pedem aos EUA mais uma oportunidade. Sem muita esperança: os EUA já se esqueceram do país e não se lembrarão dele enquanto os taliban não produzirem atrocidades televisivas.

 

Nada representa melhor este olhar fatalista do que a nova regra de ouro da guerra americana: tudo, menos "botas no chão", isto é, Infantaria. Guerra, só no ar: aviões, mísseis, drones. Quando muito, admite-se alguma "operação especial", de tipo relâmpago. Mas nada de desembarques e de ocupações. As vantagens são óbvias: evitam-se debates e baixam-se as expectativas. A guerra — remota, secreta e tecnológica — não existe na consciência pública e nada se espera dela. Bush, com 140 000 homens no terreno e o projecto de uma pacificação democrática do Iraque, esteve sempre exposto. Obama resguardou-se com os aviões e a ideia de uma guerra longa e indefinida. Ao contrário do filme de Raoul Walsh, aqui toda a gente vai morrer descalça.

 

 

Rui Ramos

APT / TTIP – UM PODER ECONÓMICO E COMERCIAL...

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...correspondente ao Poder militar da NATO? Vantagens e Desvantagens

 

O Euro desestabilizou o Sul da União Europeia e com o APT vai discipliná-lo

 

A União Europeia está a negociar o acordo de comércio livre APT / TTIP com os EUA e o acordo CETA com o Canadá. Estes acordos, vêm influenciar negativamente as leis europeias de protecção do ambiente e do consumidor. Certamente que terá efeitos semelhantes à introdução do Euro e à abertura ao mercado chinês.

APT (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento entre a UE e os USA) ou TTIP é uma iniciativa para se estabelecer um poder comercial e económico correspondente à zona de poder da NATO a nível militar. Só que enquanto a acção da NATO é determinada pelos USA e rectificada pelos países membros (Parlamentos / Estados) o APT / TTIP quer subtrai-se ao poder e à jurisprudência dos parlamentos nacionais para ser determinada unicamente pelos poderes económicos e comerciais das multinacionais em colaboração com as cúpulas políticas da UE e dos EUA. A nova geração de acordos de comércio livre servirá os interesses das grandes corporações e correspondentes potências na concorrência com os novos centros político-económicos emergentes.

Ambos os acordos vão desautorizar os parlamentos e as legislações nacionais porque contêm cláusulas de protecção, das multinacionais investidoras, que, a serem aceites, permitirão às corporações processar os estados por perdas e danos em negócios, se houver decisões políticas (leis nacionais) que venham a danificar o valor dos investimentos ou suas expectativas de renda.

Daí a importância e necessidade de uma discussão pública intensiva na UE sobre este assunto, porque os acordos irão determinar o modo de vida das próximas gerações. Passarei a referir-me apenas ao APT / TTIP devido ao maior impacto das multinacionais dos EUA na UE.

O APT / TTIP pressuporia uma organização laboral sindical a nível de UE e não apenas nacional

As Multinacionais monopolistas preparam-se para subornar a democracia, esvaziar o Estado social, destruir as soberanias nacionais e defraudar o Ambiente.

As grandes multinacionais conseguem titularizar direitos que as ilibam de responsabilidades laborais na sua política empresarial perante a maioria dos países.

Portugal passa a não poder determinar a sua política laboral, dado fazer parte dos países do acordo. Atendendo à ocupação predilecta da opinião pública portuguesa – a politiquice – Portugal terá de se deixar ir na enxurrada porque não lhe resta tempo para se ocupar e preparar para a realidade que move a UE e que determina o modo de estar de Portugal.

Para que a população europeia não se erga já e manifeste, as negociações do acordo dão-se propriamente em segredo, não a nível de Estados mas de lóbis políticas e económicas das cúpulas da UE e dos USA.

É de admirar que os sindicatos se mantenham tão calmos atendendo ao que lhes espera! Os egoísmos nacionais aliados ao atraso das instituições do operariado levaram os sindicatos a perderem o comboio da História da UE, ao não se terem já organizado a nível supranacional na zona Euro. Com a UE está-se a destruir a soberania dos Estados nacionais em favor da soberania centrada em torno das diferentes lóbis da UE e com o Acordo APT está a tentar explorar os recursos da população mas não em benefício da maioria. Onde se encontram os lóbis dos trabalhadores? Quem defende e como os seus interesses reais que a nova política exige? Dado a política encontrar-se sonâmbula em relação à economia, seria urgente um lóbi sindical a nível em Bruxelas. A hora em que nos encontramos é difícil para todos: cidadãos, organizações, estados e blocos de Estados porque o globalismo configura hoje os interesses em torno de blocos em concorrência brutal atendendo ao fanatismo do dinheiro. Isto exige de todos grande capacidade criativa que implica mudança.

As multinacionais pretendem ter mecanismos arbitrais próprios (tribunais do comércio com sede nas nações das multinacionais) de modo que, em caso de conflito, a mediação seja feita através das empresas sem se submeterem aos controles parlamentares nacionais. Assim multinacionais estrangeiras passam a adquirir um estatuto para-estatal.

Está-se perante a tentativa de uniformizar e fortalecer o capital e o poder militar centrado no ocidente a nível de potências UE e EUA. O poder económico configurado no APT / TTIP está interessado no uso dos instrumentos fiscais e no predomínio das multinacionais num conluio entre centrais de governos para que os Estados garantam a hegemonia das grandes empresas, sem leis sindicais ou laborais que as estorve. Este tratado está a ser negociado, quase em segredo, pelos poderes económicos, fora do âmbito público e do controlo democrático parlamentar em que os Estados menos fortes perdem voz activa política e influência económica pelo facto de não possuírem grandes multinacionais. Os estados e a política ficam de braços atados.

Se observarmos os acordos entre EUA-Canadá-México, os cereais americanos invadiram o México arruinando-lhe os agricultores. Temos também um precedente de um acordo semelhante entre o México e os EUA em que o México foi condenado a pagar às firmas de bebidas americanas a quantia de 90 milhões de euros por ter publicado uma lei reguladora das bebidas. Com esta lei, as firmas passaram a ter menos lucros que tiveram de ser compensados pelo estado mexicano. Na Guatemala deu-se coisas semelhantes com o preço da energia. Naturalmente a UE tem padrões de concorrência mais preparados para a competição.

Os países da UE terão de abdicar da qualidade em favor da internacionalização. A UE abdica de padrões elevados no direito ao trabalho em demandas trabalhistas, para facilitar a concorrência. Surgirá na UE uma base proletária mais igual a si mesma independentemente da riqueza do Estado em que se encontre. Dar-se-á uma emigração da classe média para uma classe baixa, mais alargada. Dado os standards sociais baixarem, haverá menos emigração de pobreza para os sistemas sociais dos Estados ricos.

 

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António da Cunha Duarte Justo

 O artigo continua em: APT / TTIP – Uma catástrofe para a cultura social da Europa

SÃO TOMÉ

 

 

21 de Dezembro, o dia que a Igreja dedica a São Tomé. “O que quis ver para crer”!

 

No Evangelho de S. João, 11.16, quando Lázaro morre, os discípulos resistem à decisão de Jesus para que retornem à Judeia, onde os judeus tentaram apedrejar Jesus. O Mestre está determinado, mas é Tomé que toma a palavra final: "Vamos todos, pois poderemos morrer com Ele".

 

Sabe-se muito pouco sobre as vidas dos apóstolos, grande parte delas são lendas não comprovadas historicamente. Mesmo os nomes por que são conhecidos provocam muita controvérsia.

 

Sabe-se que Tomé, chamado Didimo, pelos gregos, é uma palavra de origem aramaica, Tau'ma (תום),que significa gémeo.

 

Chamar-se-ia Judas, há quem o confunda ou misture com Judas Tadeu, irmão de Tiago, Tiago Menor, o que terá ido catequizar para a Península Ibérica. Tiago, Iacob, vem do hebraico Ia`qôb, “aquele que segura o calcanhar de seu irmão gémeo”. Tiago e Tomé eram gémeos?

 

Depois da morte de Cristo, quando os apóstolos tiraram à sorte quanto às suas respectivas missões, Tomé terá afirmado “qualquer que seja a Tua vontade, Senhor, assim o farei”, mas teria acrescentado que só para a Índia não iria! De pouco lhe valeram as orações! A tradição diz que São Tomé evangelizou os Partos, Medas e Persas e, talvez em tempo, Tomé, que seria um construtor experimentado, encontrou-se contratado por um comerciante indiano, Aban, que o levou para trabalhar no novo palácio de Gondophares, um Parto, mais tarde identificado como Gudnaphar, um rei indiano mencionado num primeiro texto cristão. Este texto está nos Actos de São Tomé, de que chegaram até aos nossos dias versões completas em siríaco e grego. Existem ainda muitos fragmentos preservados do texto em que diz que o apóstolo tenha mesmo assistido de facto à corte do rei, na cidade de Taxila, às margens do rio Hindus, Punjab, quase no limite norte da península, onde hoje fica Islamabad, no Paquistão.

 

Lenda do palácio de São Tomé para o rei Gudnaphar

 

Jesus tinha dito aos discípulos que deviam levar a sua mensagem para as pessoas de todo o mundo. Agora, aqui, estava Tomé na Índia muito longe de casa e onde nunca tinha querido estar! Tomé andava pelas ruas da cidade de Takshasila, no Punjab, de onde o rei Gudnaphar governava o Império. Tomé precisava de trabalho e perguntou se havia trabalho para um construtor, para que pudesse trabalhar com madeira e pedra.

 

Foi ouvido por um dos homens do rei: você é um construtor de Jerusalém? Que sorte! Meu mestre, o rei Gudnaphar quer um palácio construído bem como o Palácio do rei Solomão em Jerusalém. Você é o homem de que precisamos; então, Tomé foi levado perante o rei. - Diga-me o que é que você pode fazer, disse Gudnaphar.

 

- Em madeira, Vossa Majestade, posso fazer arados, jugos, saldos e polias, remos e mastros e navios. Em pedra posso fazer pilares, templos e palácios.

 

- Você é realmente o homem para o trabalho, disse o Rei encantado.

 

Gudnaphar levou o seu novo construtor para o lugar a algumas milhas da cidade onde o seu novo palácio devia ser construído. A terra estava coberta de árvores e algumas em área pantanosa.

 

- Quero que inicie imediatamente e me construa um palácio tão bonito como o famoso Palácio do rei Solomão.

 

- Posso construir um palácio, Vossa Majestade, mas não poderei começar até Novembro. Vou ter que terminar em Abril, no entanto.

 

- Isso seria um trabalho rápido com efeito, disse o rei, mas não pode trabalhar durante o Inverno. Você deve começar agora... enquanto o tempo está bom.

 

- Não tenho medo de nada, disse Tomé.

 

O Rei concordou e quando finalmente viu os planos do palácio que Tomé desenhou, ele sabia que seria um palácio que valia a pena esperar. Como Novembro se aproximava, o rei Gudnaphar enviou uma grande soma de dinheiro a Tomé para que ele pudesse empregar trabalhadores para começar limpando as árvores e para comprar as melhores madeiras e pedras para construir o seu maravilhoso palácio.

 

Mas assim que Tomé recebeu o dinheiro começou a andar pelas aldeias pobres nas proximidades, dando o dinheiro para alimentar os que tinham fome, ou a doentes para medicamentos; Tomé pagava casas para os desabrigados e certificou-se que órfãos, viúvas e idosos fossem devidamente cuidados.

 

Os meses foram passando, o dinheiro começou a esgotar-se, mas não havia sinal de qualquer palácio.

 

 

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Moeda com o “retrato” do rei Gudnaphar - I séc. d.C.

 

Gudnaphar enviou mais dinheiro para Tomé comprar ouro para as paredes, mármore para o chão, prata para as lâmpadas; e Tomé foi dando todas as coisas para as pessoas pobres das aldeias. Como Abril chegou, o rei partiu para ver o seu novo palácio construído para ele em tempo recorde por Tomé de Jerusalém. Gudnaphar não poderia pensar em mais nada. Você pode imaginar o choque quando ele chegou ao lugar onde deveria estar o seu palácio: viu as árvores ainda todas de pé e o solo pantanoso, mas não via nenhum sinal de um palácio.

 

Perguntou a um transeunte se ele tinha visto Tomé. O rei gostaria de falar com ele. - Quer dizer, Tomé, que tem dado dinheiro para os pobres e famintos, que cuida dos doentes e encontra casas para os desabrigados? Ele não come nada mesmo, só pão e água e viaja de aldeia em aldeia para falar às pessoas sobre Jesus.

 

- Isso é tudo muito bem mas eu não vejo nem sinal do meu palácio.

 

- Mas você não viu a felicidade nos rostos das pessoas por aqui, respondeu o homem.

 

Tomé foi logo encontrado pelos soldados do rei e levado perante ele. E quando o rei exigiu ver seu novo palácio, Tomé respondeu calmamente: - Você certamente verá o palácio que construí. Mas não é um palácio terreno. É um palácio nos corações dos povos, um palácio celestial que você não vai ver nesta vida.

 

Rei Gudnaphar ficou decepcionado e irritado. Ordenou que Tomé, o construtor, fosse levado para a prisão.

 

- Você tem-me feito de bobo e desperdicei meu dinheiro, disse Gudnaphar. Você vai morrer de uma morte horrível. Sua pele ficará pedaço por pedaço e então você vai ser queimado vivo.

Tomé foi levado embora dizendo: - Nada temerei, só acredito em Deus.

 

Naquela mesma noite, o Príncipe Gad, irmão do rei, de repente adoeceu seriamente e nas primeiras horas da manhã morreu. A sua alma foi levada para o céu onde os anjos lhe disseram que ele poderia escolher um palácio celestial para viver. Gad, Príncipe, olhou para todos os belos edifícios e logo percebeu que um era mais magnífico do que todo o resto.

 

- Gostaria de passar para sempre num palácio assim, disse Gad.

 

- O palácio foi construído para seu irmão Gudnaphar, por Tomé o pedreiro, que se importou com os pobres com o dinheiro de reis, disseram os anjos.

 

Enquanto o rei Gudnaphar ainda deitado, sonhando com seu irmão, o Príncipe Gad, este apareceu diante dele e disse-lhe que o maravilhoso Palácio que Tomé tinha construído para ele estava no céu. O rei compreendeu e saltou da cama para acordar seus guardas com ordens para deixarem Tomé livre imediatamente. A partir daquele dia Gudnaphar deu generosamente dinheiro aos pobres e continuou a construir o seu palácio no céu.

 

 

Uns historiadores dizem que ele foi recompensado pelo rei, outros que terá sido açoutado. Pela lenda, as duas situações podem ter acontecido!

 

Dali Tomé enceta a sua segunda jornada pela Índia, tendo chegado a um dos portos na região de Cranganore, como Cochim, hoje distrito de Kerala, bem no sul da Índia, onde fez muitas conversões e ainda hoje uma comunidade se diz descendente dos cristãos da Síria e são também chamados de Nasranis, que em malaio significa “seguidor de Nazaré”, de Jesus e Nazaré.

 

Daqui Tomé atravessou todo o Sul e foi estabelecer-se na Costa Leste, Costa do Coromandel, em Maliapor, na altura longe da cidade de Madras, hoje Chennai, vivendo na mesma humildade, numa caverna. Converteu muita gente à Boa Nova, e até hoje a caverna e o morro onde viveu e foi martirizado, se chama o Monte de S. Tomé e é venerado por multidões.

 

 

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Monumento em frente da igreja de São Tomé, em Chennai

 

Foi morto por lançadas que um rei, invejoso do sucesso da sua pregação, mandou matar.

 

Sepultado na mesma caverna, teria sido transladado para Edessa, hoje Orfa – ou Urfa – na Turquia perto da fronteira com a Síria. São João Crisóstomo (347-407) assinalava o seu túmulo como uma das quatro sepulturas conhecidas dos apóstolos. Na primeira metade do século VI um viajante chamado Cosme, num livro que escreveu sobre as suas peregrinações diz que encontrou uma igreja de cristãos com clérigos e um bispo ido da Pérsia. Certamente aqueles de que reza a primeira viagem de Vasco da Gama que diz ter encontrado os “cristãos de São Tomé”.

 

Quando os portugueses lá chegaram, ainda existia um pequeno templo,e os brâmanes asseguravam que lá se encontravam os ossos do Santo. Em 1522 D. Duarte de Menezes, governador da Índia mandou reconstruir o templo que havia sido feito séculos antes. Ao abrirem os alicerces encontraram uma tumba de pedra com ossos que foram tomados como relíquias de São Tomé e, inclusive, um pedaço de uma das lanças com as quais fora morto com o sangue ainda coagulado.

 

Hoje tem uma imponente igreja.

 

 

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Basílica de São Tomé, em Chennai, construida pelos portugueses em 1896

 

Um facto recente e muito curioso foi quando do tsunami de Dezembro de 2004 que devastou toda aquela região: o templo que guarda suas supostas relíquias ficou imune às ondas gigantescas que destruíram todas as construções adjacentes, tendo permanecido intacto.

 

Uma antiga tradição afirmava que um poste fixado pelo apóstolo limitaria até o fim dos tempos as águas, que jamais o ultrapassariam. Este poste existe até aos dias actuais e localiza-se exactamente na porta principal da igreja que guarda as suas supostas relíquias. Isto deixou os sacerdotes hindus desconcertados e os mesmos prometeram não mais perseguir e discriminar os cristãos daquelas regiões.

 

São Tomé ainda é honrado em Taxila num festival anual no começo de Julho, celebrado por milhares, celebrando a passagem dos seus ossos através de Taxila no seu caminho para Edessa (actual Saniurfa na Turquia).

 

Além disso, é o Padroeiro dos arquitectos da Índia e de outros.

 

 

21-Dez-2014, 1942 anos após o martírio de São Tomé.

 

Francisco Gomes de Amorim 

Francisco Gomes de Amorim

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