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A bem da Nação

A IMPORTÂNCIA DE UM MOSTEIRO NA ARTE OCIDENTAL

 

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Abadia de Cluny (actual)

Fonte: da foto Wikipédia

  

A capacidade de fazer ou construir alguma coisa com originalidade ou maestria sempre foi uma forma representativa de projectar uma ideia ou actividade humana. Através dela, a arte, procura-se atingir um objectivo seja filosófico, histórico, decorativo, utilitário, ou religioso, que dê prazer de se ver, ouvir, sentir ou rememorar. É ainda através da arte que avaliamos gostos, modos de vida e necessidades de uma população em determinada época da civilização. E os seus executores, os artistas, criam estilos que os identificam ao dar carácter próprio àquilo que fazem.

Na Idade Média, dois factos marcaram a vida e a arte da civilização ocidental na Europa. A fundação do Mosteiro de Cluny (Borgonha francesa) pelo Duque Guilherme da Aquitânia e o da Normandia (pelos normandos). Até essa época (séculos X, XI, XII) em que se reformulou a política da Igreja, alcançava-se a respeitabilidade, não só pela conquistas de terras, mas também pela dotação de igrejas por uma minoria aristocrática fundiária e influente, que tinha como objectivo deixar o benfeitor com poder temporal e ascendência sobre a instituição (mosteiro, conventos, igreja) e seus bens. Era uma forma de dar amparo patrimonial aos filhos mais novos. Para os outros devotos, menos aquinhoados, sem poder participativo, restava fazer peregrinações a lugares santos e obter relíquias de santos, nem sempre de forma edificante. No entanto, a consciência de que havia abusos e corrupção nesse meio levava a que homens mais cautelosos e previdentes se retirassem à vida monástica. Durante quase dois séculos (950-1150) os monges foram a elite espiritual da Igreja, responsáveis pelo rigor da doutrina com que aspiravam as graças divinas para si próprios, para os cristãos em geral e para os benfeitores da instituição em particular.

Mas a excessiva interferência dos laicos benfeitores nos mosteiros e entidades da Igreja despertou a necessidade desta se emancipar dessa secular influência. Assim é que do Duque Guilherme da Aquitânia, fundador do Mosteiro de Cluny, os monges obtiveram a abstenção de qualquer direito e reserva dele próprio ou de sua família sobre o mosteiro, que só ficaria submetido à autoridade do Papa. A partir daí os monges passaram a dirigir os mosteiros com padrão severo de regras, pompa e dignidade que se estendeu às demais fundações beneditinas e, com tempo, a uma reforma eclesiástica imune às dinastias feudais. Dentre os superiores, Hugo, tio-avô de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, foi prior de Cluny. A instituição, reformada, tornara-se isenta de obrigações normais de obediência política aos senhores feudais, dona e gestora do seu próprio património e depuradora do seu clero. A representação dos valores cristãos, passou a projectar a sua importância e grandeza através da construção de majestosas igrejas, abadias, mosteiros, da elaboração de ricos objectos de arte, em metal e pedras preciosas, da elaboração de magníficas liturgias, da obtenção de relíquias milagrosas, que atraíam peregrinos doadores de ofertas e pagadores de promessas. A Igreja enaltecida enriquecia. A arte e arquitectura românica são o marco material daquele momento da Igreja Medieval, onde os mestres obreiros deixavam escola e repetiam em diferentes lugares edifícios monumentais semelhantes, usando, no entanto, materiais regionais e adaptando influências culturais do local. As monumentais igrejas com arcos góticos com esculturas em pórticos, as ricas pinturas em vitrais e paredes, as cruzadas com perfil religioso-militar, são factos característicos dessa fase da história e da arte ocidentais.

Uberaba, 23/10/14

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Maria Eduarda Fagundes

A BÉLGICA INVADIU A ALEMANHA!

 

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Aproximava-se Clemenceau do fim da vida quando lhe perguntaram algo como:

- Na sua opinião, o que dirão no futuro os historiadores sobre esta questão embaraçosa e controversa que foi o início da Grande Guerra?

Ao que o velho «tigre» respondeu:

- Sobre isso nada sei mas do que estou certo é que eles não dirão que a Bélgica invadiu a Alemanha.

 

A questão nasce com a pergunta sobre se existirá algum facto independente da opinião e da interpretação. Realmente, é impossível dissociar os factos históricos das respectivas interpretações uma vez que no princípio do estudo está a extracção de algo que cada intérprete considere relevante dentre um caos de meros acontecimentos sendo que os princípios da escolha não são elementos do facto interpretado.

 

E aqui começa a confusão com cada intérprete a dizer o que lhe parece, muito provavelmente cada um a definir perspectivas totalmente antagónicas das dos outros e ainda com a agravante de eventualmente nenhum se aproximar do que efectivamente ocorreu.

 

Não há dúvida de que as ocorrências nem sempre são efectivamente alvo de descrições objectivas e que «quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto» mas seria intolerável que pactuássemos com quem deturpa a matéria factual pois uma coisa é a interpretação, outra o desvirtuamento da realidade. Nada justifica o esbatimento das linhas de demarcação entre o facto, a opinião e a interpretação.

 

Mesmo admitindo que cada geração tenha o direito de escrever a sua própria história, não se lhe pode outorgar o direito de recompor os factos de harmonia com a sua própria perspectiva atentando contra a própria matéria factual.

 

E se a perspectiva histórica, longínqua, deve sempre ser respeitadora dos factos objectivos, a interpretação desvirtuante de ocorrências recentes não passa de pura mentira. E é isto que frequentemente ocorre em modernas «ágoras» televisionadas. A liberdade de opinião nada tem a ver com interpretações abusivas que claramente pretendem manipular a opinião pública. Esses, os que por certo subscrevem o título de um livrinho que há dias topei num escaparate e que nem sequer folheei intitulado «A verdade e outras mentiras».

 

É que a manipulação da opinião consubstancia crime.

 

Lisboa, Outubro de 2014

 

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Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

  • Hannah Arendt, VERDADE E POLÍTICA, ed. Relógio d’Água, 1995, pág. 25 e seg.

SE A MINHA ILHA SOUBESSE…

 

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Se me disserem de ti,

Saber-te-ei em meio às hortências

Num qualquer lugar alcantilado

Em busca da perfeição da luz…

E sei também

Que um dia destes

Algum jornal há-de anunciar

Um prémio fotográfico

Com o teu nome…

 

Maria Mamede.png Maria Mamede

PERESTRELLO, SALAZAR E O PADRE

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Nos tempos de antes do «fascismo», o pai de António de Oliveira Salazar era feitor numa grande propriedade de um Senhor Perestrello situada lá para os lados de Santa Comba Dão.

 

Perestrello teve dois filhos, um rapaz e uma rapariga. A menina ainda foi namorada de Salazar e o rapaz, mais conhecido pelo Perestrello Vasconcellos, que cursou engenharia, quando Salazar chegou ao poder colocou-o como administrador da Casa da Moeda e posteriormente, em 1939, assumiu a gestão do Arsenal do Alfeite.

 

Perestrello Vasconcellos morreu em 1962 e deixou seis ou sete filhos, dos quais um deles foi engenheiro naval, na Lisnave e outro sentiu vocação para sacerdote e veio a ser capelão da Marinha.

 

Em 1959, o capelão Perestrello Vasconcellos fez parte da célebre conspiração "Caso da Sé", na qual participaram vários opositores ao regime, como Manuel Serra. Na eminência do capelão também ser preso, o Presidente do governo, Oliveira Salazar, chamou a S. Bento o pai do capelão Perestrello Vasconcellos e aconselhou-o a mandar o filho para o Brasil, para que não tivesse o desgosto de ver um filho na prisão. Tudo em consideração ao Senhor Perestrello de quem o pai de Salazar tinha sido feitor.

 

E foi assim que o Padre Perestrello Vasconcellos debandou para o Brasil.

 

Nos anos 70, com a Primavera marcelista do Primeiro Ministro Marcelo Caetano, o Padre Perestrello Vasconcellos regressou a Portugal e foi exercer o sacerdócio na Paróquia de Loures.

 

Num belo dia, o admirado e venerado Padre Perestrello Vasconcellos, em plena missa dominical, deixou os paroquianos atónitos e lavados em lágrimas anunciando que iria deixar o sacerdócio porque se apaixonara por uma Senhora da família Lorena.

 

O Padre passou à sua condição de cidadão com matrimónio e dessa união nasceu Marcos Perestrello Vasconcellos, o ex-vereador socialista da Câmara de Oeiras e Secretário de Estado da Defesa do Governo do Partido Socialista.  

 

Mais uma história da família Perestrello e do Dr. Salazar retirada da biografia escrita pelo Dr. Franco Nogueira:

 

O jovem Salazar – que pelos vistos era um mulherengo e não um misógino – gostava da jovem Perestrello e ela retribuía esse amor com paixão.

Até que a mãe se apercebeu e terminou com o namoro, não sem antes dizer de viva voz ao jovem Professor Universitário de Finanças Públicas que tinha muita consideração pela inteligência dele mas, sinceramente, namorar com a filha dela, uma Perestrello, era demais. Ele não se podia esquecer que era e seria sempre «o filho do caseiro».

Terminou assim o namoro.

Anos passados, já ele era 1º ministro e a Senhora Perestrello telefonou-lhe para lhe pedir um favor. O telefonista passou a chamada e ela anunciou-se: "Daqui fala Perestrello" e Salazar respondeu "Daqui fala o filho da caseiro".

Isto só prova que a vingança  não se serve fria, como muita gente pensa, mas gelada.

 

2 de Novembro de 2009 

 

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Carlos Cruz Oliveira 

ROMANCE GRAMATICAL

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Texto de uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.

 

 

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.

Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.

Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.

Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.

Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.

Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.

Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.

Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.

Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisto a porta abriu-se repentinamente.

Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.

Que loucura, meu Deus!

Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.

Só que, as condições eram estas:

Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

 

Fernanda Braga da Cruz

A BORBOLETA BRANCA

 

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Esta história verdadeira, dedico-a à Catarina que tanto gostava da avó Pureza e fez um lindo texto no primeiro aniversário da sua morte, que reproduzi no meu blog. A Catarina no domingo jantou cá em casa e tirou uma foto com o seu telemóvel de uma das fotos da bisavó que tenho no meu computador, o que me enterneceu. Para além disso, a Catarina é, ela mesma, uma força valente e ingénua, que trata toda a gente com muita ternura, sempre na brincadeira. Excepto quando entristece. E as angústias fazem-na vomitar. Avó Pureza, protege a Catarina! E os outros netos e bisnetos também, claro! Creio nisso.

A história foi-me contada pelo Ricardo. Está numa aldeia das faldas da Serra da Estrela, de férias, a apanhar uvas, transportá-las no carro, fazer vinho na prensa. Tem direito a um quarto, onde dormem também a Nina e o Óscar, um dálmata de um amigo que morreu e lhe deixou o encargo de cuidar do cão. Este já precisou de cuidados veterinários e os vizinhos cotizaram-se para pagar o tratamento do Óscar, felizes por o Ricardo ter ficado com ele. Gente boa, que estima os cães. Estes estão nas suas sete quintas, correndo no monte, e o Ricardo também está feliz, sem televisão, sem computador, sem civilização, a natureza como palco dos seus encontros com outros mosaicos de pensamentos de liberdade e grandeza.

Mas mantém o telefone e às vezes conta da sua felicidade: – Vê lá que até rezo o terço, com as pessoas da casa!! Só sei o Pai Nosso e a Avé Maria, mas digo o final: -Assim como era no princípio…

-Sicut erat in principio, et nunc, et semper et in saecula saeculorum, Amen.… citei eu, no meu tom didáctico que ele sacudiu logo de si, como fazia nos seus tempos de filho rebelde que desistiu da vida recomendada, a partir da adolescência, atido à sua própria orientação pessoal mais pautada pela libertação do esforço e por um carpe diem não isento de critérios de responsabilidade e amor. Aproveitei para lhe dizer que uma das reivindicações da avó, para quando morresse, é que lhe rezassem missas, como ela mandava rezar por alma dos seus queridos – os pais, o marido, o tio Afonso, a tia Clara… A lista seria acrescentada com a tia Lisete, a penúltima dos sete irmãos a morrer, e a que já não pôde assistir e fazer-nos assistir, à minha irmã e a mim, dadas as contingências da sua saúde final, presa à cama e à cadeira de rodas. Mas tenho esse peso na consciência de não mandar rezar as missas pela minha mãe, embora saiba que as minhas primas Celeste e Amarílis a incluem nas suas. Então o Ricardo disse que ia informar as suas hospedeiras, que logo se comprometeram a incluí-la nos seus responsos vesperais.

E o Ricardo telefonou-me esta noite a contar da borboleta branca que saiu da blusa de uma das senhoras que invocou o nome da minha mãe, e a segunda vez, quando dela falaram, a borboleta estava em cima das suas cabeças. O Ricardo concluiu que era a alma da minha mãe - segundo o comentário das senhoras amigas – que estava presente ali, ao ser invocada. É claro que me ri, incrédula às coisas da transcendência concretizada, mas o Ricardo garantiu que a minha mãe estava lá. E por isso me lembrei da Catarina, pedindo em espírito a intervenção da borboleta branca pairando sobre aquela, que muito gostava da avó.

Mas a propósito da borboleta branca, lembrei-me do que a minha mãe me costumava dizer, quando estávamos separadas por dois oceanos, o Atlântico e o Índico, embora Coimbra se pudesse apenas consolar com o Mondego que lhe passava ao meio. Dizia a minha mãe, na Lourenço Marques que eu deixei, que quando havia borboleta branca no ar, era sinal de carta minha. Infalível, garantia.

Será que o Ricardo acredita mesmo que as duas borboletas brancas significam a alma da minha mãe, feliz? Tenho que mandar rezar as missas de que a minha mãe me falava, triste, sabendo que as filhas não são de missas, mais pendentes de uma fé íntima, feita de alegrias de reconhecimento ou de tristezas de súplica. A minha irmã ainda vai mantendo a campa bonita, onde estão o meu pai, a tia Clara e agora a minha mãe, de um lado, o marido do outro. Quanto a mim, fiz da casa que foi dos meus pais o santuário onde estão alguns dos quadros com a família que eles por cá dispuseram, a que se juntaram as fotos dos meus e de amigos meus que passaram e ainda estão, ou já não. Esses e os livros são os companheiros da vida feliz. E a minha mãe é a face do meu computador que me acompanhará até sempre, necessária como presença de uma recordação inapagável.

Oxalá que as borboletas brancas sejam sinal da presença alada, como disse o Ricardo e isso o fez feliz.

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 Berta Brás

O REMADOR É UM INCOMPETENTE

(Esta “história” é velha, mas sempre actual, e lembra muito alguns governos de países que estão em crescimento, mais ou menos, zero)

 

Lê-se numa crónica que no ano de 94 se celebrou uma competição de remo entre duas equipas, uma composta por trabalhadores de uma empresa publica brasileira e outra pelos seus congéneres japoneses.

 

Dada a partida, os remadores japoneses começaram a destacar-se desde o primeiro instante, chegando à meta em primeiro lugar. A equipa brasileira chegou com uma hora de atraso.

 

De regresso a casa a directoria da empresa reuniu-se para analisar as causas de tão desastrosa actuação e chegaram à seguinte conclusão: detectou-se que na equipa japonesa havia um chefe de equipa e dez remadores, enquanto que na brasileira havia um remador e dez chefes de serviço, situação que teria que ser alterada no ano seguinte.

 

No ano de 95 após ser dada a partida, rapidamente a equipa japonesa começou a ganhar vantagem. Desta vez a equipa brasileira chegou com duas horas de atraso.

 

A directoria voltou a reunir após forte reprimenda do governador do estado, do ministério competente e do congresso, e constataram que na equipa japonesa havia um chefe de equipa e dez remadores, enquanto que a brasileira, após as eficazes medidas adoptadas sobre o fracasso do ano anterior, era composta por um director de serviços, dois deputados, três assessores especiais, três chefes de secção e um remador.

 

Após minuciosa análise chegou-se à conclusão seguinte:

 

O REMADOR É UM INCOMPETENTE

 

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No ano de 96, a equipa japonesa ganhou terreno desde a largada. A embarcação brasileira, que este ano tinha sido encomendada ao departamento de novas tecnologias, chegou com quatro horas de atraso.

 

No final da competição, e para avaliar os resultados alcançados, celebrou-se uma reunião ao mais alto nível, no ultimo piso do edifício da administração, chegando-se à seguinte conclusão; a equipa japonesa era composta por um chefe de equipa e dez remadores.

 

A equipa brasileira, após uma auditoria e um assessoramento especial do departamento de informática, tinha optado por uma formação mais vanguardista, composta por um senador, dois deputados, dois directores da receita federal, dois assessores políticos da directoria e um massagista que controlavam a actividade do único remador, ao qual se tinha aberto um processo disciplinar e retirado todos os bónus e incentivos, devido ao fracassos das competições.

 

Nota: no Brasil negam que isso se tenha passado com a equipa deles. Dizem que houve um caso destes, sim, mas com uma equipa portuguesa!

 

Aqui para nós: parece que foi com ambas, só que os portugueses disputaram com os alemães.

 

 

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Francisco Gomes de Amorim

A LENDA DA MANI OCA

 

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(Em 2001 ofereci seis meses do meu tempo à “Obra da Rua – Casa do Gaiato”, em Moçambique. Foi uma experiência de valor imenso. O que abaixo vai escrito é dessa época, vão já 13 anos!)

 

Moçambique é um dos grandes produtores de mandioca. No entanto não é fácil encontrar-se, em restaurantes, pratos com base neste produto que, pela sua larga utilização, podia considerar-se nacional. (Hoje, 2014, em praticamente todo o lado, no Brasil, se encontra a mandioca, mesmo em restaurantes caros.)

 

A palavra mandioca (Manihot esculenta, Grantz) poderá ter a sua origem numa lenda brasileira. De qualquer modo parece ser planta oriunda da América do Sul. OCA em língua tupi, da maioria dos índios do Brasil, significa casa. A lenda conta que MANI era o nome da filha dum cacique, um chefe:

 

Em tempos antigos... a filha dum cacique apareceu grávida. O cacique quis punir quem desonrara a sua filha e ofendera o seu orgulho, mas, por mais que castigasse a filha, esta sempre afirmava que não tinha conhecido nenhum homem. Em face desta teimosia o cacique decidiu matar a filha. À noite, enquanto dormia, apareceu-lhe em sonhos um homem, duma raça que ele nunca tinha visto, dizendo-lhe que não matasse a filha porque ela era, de fato, inocente.

 

Passado o tempo, a filha do cacique deu à luz uma menina lindíssima, muito branca, que a todos surpreendeu. Puseram-lhe o nome de Mani.

 

Mani andou e falou muito precocemente, não dormia nunca, nem tinha dores. Ao fim de um ano morreu.

 

Foi enterrada dentro da própria casa, e regada diariamente conforme o costume daquela tribo. Ao fim de algum tempo brotou da cova uma planta inteiramente nova, desconhecida. Cresceu, deu flores e frutos, e vieram os pássaros que comeram os frutos e ficaram embriagados, o que fez aumentar a superstição sobre esta planta.

 

Um dia a terra fendeu-se. Cavaram-na. Os índios julgaram ver nas grossas raízes o corpo, já seco, de Mani.

 

Num ritual sagrado comeram-no, gostaram e multiplicaram-no.

 

MANI OCA. A Casa da Mani. Mesmo que seja só uma lenda, é bonita.

 

A mandioca é como a Mani da lenda: planta-se, rega-se e ela oferece-nos um magnífico alimento!

 

A mandioca tem sido desde tempos que se perdem na memória, uma das mais importantes culturas das regiões tropicais, tornando-se numa das suas principais fontes de energia alimentar, e ocupa o quarto lugar em área plantada, no mundo, sendo cultivada em mais de noventa países.

 

O cultivo da mandioca, sob o ponto de vista agrícola, apresenta uma série de vantagens, que fazem dela uma das culturas de maior importância nos trópicos, sendo para muitos povos o alimento preferido e quase insubstituível. Tem uma elevada tolerância a períodos de seca relativamente prolongados, produz satisfatoriamente em solos de baixa fertilidade, e é muito rústica, oferecendo grande resistência a pragas. Além disso, uma das suas importantes qualidades é a possibilidade de ficar armazenada no próprio solo, por um bom espaço de tempo, o que significa, entre outras vantagens, não ter custos de armazenagem e ficar defendida da maioria dos predadores.

 

Segundo alguns historiadores, depois que a mandioca foi levada para África foi nítido o aumento da população, porque se alimentava melhor.

 

Por todas estas razões e por tradicionalmente a mandioca ser um dos produtos base de grande parte de Moçambique, a FAO, o organismo das Nações Unidas para a alimentação, continua a incentivar a sua cultura por todos os países de clima tropical. A Casa do Gaiato, pela sua idoneidade e capacidade, foi escolhida para colaborar com este programa, e tem estado a multiplicar esta planta que depois é enviada para outras regiões onde as variedades estão ou degeneradas ou em carestia. Com alguma regularidade técnicos da FAO vão acompanhar a evolução da cultura, estudar o seu estado sanitário e de desenvolvimento, para garantir a distribuição de plantas saudáveis e de boa qualidade.

 

Entre os técnicos que ali apareceram, chegou um nigeriano, homem maduro e experiente, professor universitário, um mestre. Analisou as plantas com cuidado e minúcia enquanto agachado e sem tirar os olhos das mesmas dava as suas instruções a duas Técnicas que o acompanhavam. Uma delas observou:

 

- Mas nesse caso não conseguimos obter um rendimento de 100%.

- 100%? Mas eu não quero 100% para nada. 20% já é muito bom. O que eu quero é dar de comer às populações que neste momento nada têm.

 

Até que enfim! Apareceu um homem sensato. Inteligente. Ao contrário de tantos sábios que continuam inutilmente agarrados a compêndios universitários, alheios às realidades da terra e social das populações.

 

Enquanto

 

Há um imenso abismo entre a agricultura na Europa ou nos Estados Unidos, de grande extensão, subsidiada, e agricultura de subsistência ou pouco mais, dos povos de África, sem qualquer apoio, nem sequer do São Pedro que lhes alterna os anos normais com outros calamitosos. Este é um dos profundos calcanhares de Aquiles nas relações Norte-Sul.

 

2001, revisto em 13-out-14

 

Francisco Gomes de Amorim

Francisco Gomes de Amorim

AS ÂNCORAS DE PORTUGAL

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Sim, o mundo é redondo e a Lusitânia armilar.

Mas há quem se sinta a remar contra a maré.

Poucos os que têm a nossa perseverança e muitos os que se desligam durante longos períodos da nossa luta contra o hedonismo reinante e contra a diluição de Portugal. Mas, por vezes, regressam. E até há os que dão um ar da sua graça comentando os que por cá andamos.

Fazem-me lembrar o que se passava comigo quando andava entre África e Portugal e, cá chegando, encontrava as mesmas pessoas a fazerem o mesmo que faziam quando as vira pela última vez. E eu pensava que elas deveriam ser umas tristes pois, entretanto, eu já dera a volta a meio mundo e elas continuavam ali sentadas no mesmo local...

E passados estes anos todos, muitos ainda lá estão, mais velhotes, a fazer o mesmo.

E eu hoje penso que eles é que são as âncoras do nosso Portugal enquanto eu não passava dum andarilho saltimbanco, meio azougado e leviano.

E como o mundo é redondo, somos nós que hoje cá estamos, perseverantes, a fazer sempre o mesmo. Só que não nos limitamos a limpar o estrume éguariço nem a ir para o jardim público jogar à batota enquanto alguém não fecha as tábuas à nossa volta: defendemos publicamente os Valores em que cremos dissecando as andanças da Nação a que pertencemos e de que tanto gostamos.

E há quem cá venha espreitar o que fazemos. Não chegam todos hoje, alguns só amanhã cá espreitarão e assim será enquanto houver dedos para teclar...

Eu cá estou na senda da Lusitânia armilar!

Continuemos…

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Henrique Salles da Fonseca

MAIS COSTA, MENOS COSTA…

 

Ouvi hoje as sondagens da Universidade Nova, que, mal António Costa foi eleito, se apressou a fazê-las e a revelar os resultados, que a RTP transmitiu, com o suspense e a satisfação habitual de mexerico importante para mexer connosco e ficarmos cientes do futuro próximo – na escalada que foi a vertiginosa subida do grande Costa, apoiado pelos antigos parceiros que têm a mesma força sobre o partido como sobre o próprio povoléu da passada – mas nunca ultrapassada – Grândola, que essa dura e perdurará até que a voz lhes doa – aos velhinhos e aos descendentes dos cantadores, que os há em barda no nosso país de fadistas e de samaritanos, por outro lado sempre pronto a atacar Portas, que desce no cômputo das sondagens, não se percebe bem porquê, talvez por ser inteligente e educado e a gente não admitir disso no nosso escol de preferências, nós cá é a soco, como pretendia o Damasozinho Salcede, engasgado com a proposta de se desdizer de uma atoarda contra Carlos da Maia ou de se bater em duelo - “Qual bater-me! Eu sou lá homem que me bata! Eu cá é a soco. Que venha para cá, não tenho medo dele, arrombo-o...” É o que vamos continuar a fazer, com os Mários Nogueiras da nossa lavra, a estender os punhos para arrombar.

Entretanto, por dever de ofício, ando debruçada sobre o manual de História de Portugal do 5º e 6º anos, que está organizado segundo um pensamento de combate à exploração – dos escravos africanos – por altura dos Descobrimentos e dos tempos áureos de D. João V, e do povo pedinte, que abandonava as terras na mira da côdea vinda do Ultramar, e que pululava pela Lisboa do monopólio comercial, que recebia bens do além-mar e os vendia à Europa a troco dos cereais e das armas europeias. E os textos que acompanham as informações do manual são de documentaristas que informaram sobre o que se passava, e muitas vezes também exprobravam o que via. E os questionários orientados são dirigidos à sensibilidade e à inteligência das crianças, sobre o que pensam dessas formas de procedimento que mostram provocadoramente os contrastes entre a opulência de uns e a miséria de outros, com fotos ou imagens expressivas. 

História do Matoso.jpg"A História do Matoso"

Nos meus tempos do liceu, a História Nacional era contada por um José Matoso, que os rapazes intelectuais da altura, que já andavam às voltas com a PIDE, costumavam execrar, pelo tom glorificador do seu nacionalismo, na velha linha de exaltação pátria que a mim nunca incomodou, pois nisso era acompanhada por escritores que também amaram a pátria e jamais a conspurcaram com ditames derrotistas, embora fizessem muitas vezes sentir as críticas do seu desassombro humanista. Ao ler as páginas do 5º e 6º anos de História de Portugal actual, julgo estar a ouvir o despejar de afrontas dos blocos de esquerda dos bons sentimentos da fraternidade colhidos na reviravolta francesa. Ainda não cheguei aos tempos de Salazar, mas não duvido de que lhe não reconhecerão virtude, os autores do manual, e o 25 de Abril vai ser um fartote épico, semeado de cravos rubros. Afinal, entre o tom glorificador de Matoso, mas com objectividade q.b., e o tom de diatribe venenosa que ignora nesse passado o “Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal, prefiro, sem dúvida, o Matoso que, apesar de tudo era mais extenso em dados, além de não pretender instigar nos alunos sentimentos de tanto negativismo em relação aos feitos dos antepassados.

Tudo isto vem a propósito de mais um texto que li no DN de hoje, 17/10, sobre António Costa e a sua escalada ascensional, à sombra dos muitos adeptos, já a cair da tripeça - que a cadeira tão troçada donde caiu Salazar chega para todos - de um Professor Universitário – Paulo Pereira de Almeida – que se expande sobre as inépcias do Costa, já como Presidente da Câmara, já como futuro Primeiro Ministro, a esconder na manga as suas políticas, porque as não tem, sabendo que joga com subterfúgio e cinismo, ao querer destruir o Governo de sujeição a uma dívida de atrocidade, numa política de sacrifício que ele próprio terá que seguir também, comandado pelos europeus do empréstimo.

E a sondagem mostra que o povo está de esperanças, e os comentários torpes e toscos dos comentaristas de Paulo Pereira de Almeida na Internet e o alarde televisivo dos abraços de Costa e ao Costa, além das pesporrências sábias de Pacheco Pereira na Quadratura, bruxuleando em torno de Costa, e com esgares vitriolados para Passos, revelam como no país renasceram as certezas de um novo Abril.

O texto de Paulo Pereira de Almeida:

Pensar a Segurança

As recentes afirmações de altos responsáveis da Câmara Municipal de Lisboa (CML) sobre as inundações em vários pontos centrais da cidade constituem – em si mesmas – uma ameaça à segurança e à garantia de uma acção eficaz da parte da Protecção Civil.

E foi com uma enorme surpresa e incredulidade que pudemos, na passada terça-feira desta semana, assistir a um conjunto de "esclarecimentos" de diferentes dirigentes da CML que apontavam - de um modo certamente concertado - para a "inevitabilidade" da ocorrência de acumulações massivas de água da chuva na capital portuguesa. Foi assim que - de uma maneira que é bem reveladora da sua serena incompetência - o presidente da CML e actual líder do Partido Socialista (PS) António Costa surgiu nos principais meios de comunicação social a admitir que "nada" pôde, poderia, ou poderá, vir a ser feito para evitar a repetição do caos em segurança urbana e protecção civil que Lisboa viveu na passada segunda-feira.

Ora acontece que – para além de serem profundamente preocupantes – as afirmações de António Costa só podem deixar muito intranquilos todos os que habitam, trabalham, circulam e vivem a cidade. Vejamos – pois – de uma maneira mais concatenada, as razões de preocupação para cada um destes grupos de cidadãos. Em primeiro lugar, e para os que trabalham e comutam todos os dias entre as suas casas (muitas vezes fora de Lisboa) ficámos a saber que – em caso de chuvas fortes e de outras intempéries - não está garantido que consigam aceder ao seu local de trabalho ou regressar a sua casa depois do trabalho; será, a todos os títulos e ironicamente, uma espécie de "greve self-service" sem hora marcada dos potenciais transportes, o que só encontra paralelo em cidades do terceiro mundo. Depois, em segundo lugar, e para os que fazem das ruas de Lisboa o seu local de comércio e que já vivem actualmente sobrecarregados de impostos e numa enorme crise, ficámos a saber que a CML nada lhes garante em termos da segurança e da protecção dos seus bens e dos seus espaços comerciais; ora para o presidente da maior autarquia do País (e agora candidato a primeiro-ministro) só poderá ser contraditório defender os mesmos comerciantes quando se trata de lhes pedir o voto e agora, no momento em que se adivinham outras ambições, deixá-los à sua sorte. Por fim, em terceiro lugar, e para os turistas e todos os que circulam e vivem a cidade de diversas formas e em diferentes condições sociais, ficámos ainda a saber que Lisboa tem um presidente que nada faz (ou, pelos vistos, fará) para garantir a segurança de circulação e a preservação dos espaços públicos. É que - note-se bem - se com uma chuvada intensa mas curta Lisboa fica transformada no caos que se pôde observar na segunda-feira, nem quereremos imaginar o que poderá suceder com uma verdadeira tempestade, ou com um potencial nevão.

António Costa é um político de uma escola que - aparentemente - não olha a meios para atingir os seus fins. Para quem tem memória política, ainda se recordará dos tempos em que Costa era ministro da Administração Interna e prometia que os registos das câmaras de vídeo vigilância nas estradas serviriam como prova para punir as infracções dos condutores; e também se lembrará de quando, já presidente da CML, Costa não hesitou em colocar em causa o trabalho do seu colega de governo do PS Rui Pereira, então ministro da Administração Interna, em nome de uma Lisboa mais segura.

Ironias à parte, merecíamos melhor como candidato a futuro primeiro-ministro.

 

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Berta Brás

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