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A bem da Nação

800 ANOS DA LÍNGUA PORTUGUESA

TESTAMENTO DE D. AFONSO II – 27 DE JUNHO DE 1214

 

Apesar de ser rei e soberano absoluto, D. Afonso II, em 27 de Junho de 1214, escreveu um texto que não é um Decreto. Ele obviamente não disse: “Decreto hoje fazer esta língua. E fica feita.” Não, D. Afonso II escreveu apenas o seu testamento; limitou-se a usar uma língua que obviamente já existia e já era usada pelo seu povo, antes de ele a usar também. O simbolismo deste momento e desse marco é que é a primeira vez que isso foi feito. Nunca antes dele, um Rei, um Estado, um soberano usara a nossa língua, escrevera oficialmente a nossa língua.    

 

Existem dois exemplares deste testamento: a cópia que foi enviada ao arcebispo de Braga e aquela que foi enviada ao arcebispo de Santiago.

linha 1
En'o nome de Deus. Eu rei don Afonso pela gracia de Deus rei de Portugal, seendo sano e saluo, temëte o dia de mia morte, a saude de mia alma e a proe de mia molier raina dona Orraca e de me(us) filios e de me(us) uassalos e de todo meu reino fiz mia mãda p(er) q(ue) de

linha 2
pos mia morte mia molier e me(us) filios e meu reino e me(us) uassalos e todas aq(ue)las cousas q(ue) De(us) mi deu en poder sten en paz e en folgãcia. P(ri)meiram(en)te mãdo q(ue) meu filio infante don Sancho q(ue) ei da raina dona Orraca agia meu reino enteg(ra)m(en)te e en paz.
E ssi este for

linha 3
morto sen semmel, o maior filio q(ue) ouuer da raina dona Orraca agia o reino entegram(en)te e en paz. E ssi filio barõ nõ ouuermos, a maior filia q(ue) ouuuermos agia'o ...

 

 Pedro Aguiar Pinto

«A PATRÍCIA DO 8.º G»

 

Há quarenta e tal anos, já o problema da educação sexual era focado em algumas conversas de sala, não ultrapassando, todavia, o comedimento retraído ou indiferente de grande parte, exceptuada a intelectualidade progressista condenatória das hipocrisias da moral social de convenções e tabus, como ela as apelidava com saber e distância. De facto, nesses tempos “tenebrosos”, sem os conhecimentos mediáticos que a televisão e mais ainda a Internet, hoje em dia fornecem em superávite, eram apenas os livros ou o cinema os difusores de conhecimentos que, quando excediam as normas do tal comedimento puritano, a Censura – e não só entre nós, julgo – se apressava a eliminar. Mas os meios mediáticos, além da nossa revolução dos cravos, deram largas entre nós às ânsias da renovação, e tais temas, como esse da educação sexual nas escolas, proliferaram em estardalhaço, em liberalização de costumes e paralelismo com o mundo da selva que o National Geographic tanto e tão bem se esforçou por nos mostrar, na majestade e beleza de uma natureza sem artifício, embora as demonstrações sexuais da natureza humana sejam exibidas – pelo menos durante uns tempos foram – com todo o artificialismo da incontinência do desbragamento e da falsa luxúria. Apenas o refiro, porque julgo que, tal como os filmes de violência, esses filmes libidinosos causam certamente um impacto muito negativo, sobretudo numa juventude pouco propensa a uma formação mais equilibrada, como é a juventude portuguesa, desatenta e preguiçosa - com aquelas ressalvas que nos enchem de bem-estar.

 

O texto de Alberto Gonçalves, contido em “Dias Contados – O Pensamento Mágico” no DN de 22/6, entre os diversos temas da sua mordacidade, constitui feroz sátira, que poderia servir de apelo à atenção dos responsáveis pelas políticas de Educação:

 

Quarta-feira, 18 de Junho

 

 

O sexo e a idade

 

Uma Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde realizou um estudo sobre a implementação da educação sexual nas escolas. Os resultados são dúbios. Por um lado, de acordo com o Jornal de Notícias, "os alunos do ensino secundário gostariam ainda de estar mais envolvidos nas actividades relativas à educação sexual nas escolas, manifestando disponibilidade para serem "mentores, em actividades informativas e formativas com colegas mais novos"". Por outro lado, os alunos em geral sentem-se desmotivados – sempre uma maçada nestas questões – e "criticaram a forma "idêntica e sem progressão" de apresentação" dos assuntos. Vamos por partes.

 

Desde logo, é bom sinal que os petizes mais crescidos pretendam ser "mentores" (um óbvio eufemismo) dos mais pequenitos no que toca ao sexo. Sempre indicia que a existência dos adolescentes contemporâneos não se esgota na PlayStation e no Facebook conforme se chegou a temer. Pelo menos alguns percebem que, em matéria de possibilidades reais, a Patrícia do 8.º G é preferível a Lara Croft.

 

Em contrapartida, talvez não se aconselhe ouvir as recomendações de crianças a propósito das disciplinas a sério. No caso da Educação Sexual, que não serve para nada, excepto para preencher horários e convencer pedagogos da sua própria modernidade, o problema não se põe. Mas imagine-se que se passa a ouvir os meninos e as meninas acerca dos conteúdos e dos processos de ensino em Matemática, Física e coisas assim: na perspectiva optimista, arrasa-se num ápice com o que resta da exigência educativa. Na perspectiva pessimista, essa exigência faleceu há muito, pelo que ouvir crianças, pais, tios, sindicatos, professores, tutelas ou os órgãos sociais da Associação Recreativa de Massarelos não faz diferença nenhuma.

 

Cito, para confronto de tempos, um artigo dos velhos tempos, contido em «Pedras de Sal» (1974) - este em 2ª edição em “Cravos Roxos” (Croniquetas verde-rubras) (1981) que, mostrando diferenças de actuação, revelam, todavia, mentalidades masculinas que não diferem muito das dos novos tempos, como a do sociólogo Alberto Gonçalves, ao deixar implícita uma feroz condenação, pela sua inanidade e desperdício de tempo – para além de perigosas consequências comportamentais, de libertinagem e misérias sociais – que tais programas escolares poderão provocar – num mundo cada vez mais sem travão:

 

«Educação Sexual» (Pedras de Sal)

 

A Mãe explica que tem dois filhos fortes e saudáveis, inteligentes e estudantes excepcionais. Como são excepcionais, requerem muito silêncio na sua casa, e não deixam a sua mãe viúva fazer barulho, para eles poderem estudar com sossego e despotismo. A mãe torna-se pequenina e doce para os filhos, toda ela é beleza e doçura. E os filhos exigem sempre mais. E criticam-na pela falta de informação sexual que lhes deu. Parece que aos onze anos ainda acreditavam no Pai Natal dos sapatinhos, e não perdoam à mãe essas crenças passadas, com reflexos notórios sobre as ideologias presentes.

 

O Jorge protesta. Condena a crueldade dos rapazes, por acusarem a Mãe, não vê outra razão que a justifique senão excesso de mimo e de facilidades.

 

E o Cândido, com ares de autodidacta profundo e convicto, esclarece que não precisou das lições dos pais para a sua informação sexual. Sentiu sempre o máximo prazer em explorar sozinho esse atraente ramo do conhecimento humano.

 

O Jorge compartilha inteiramente o seu ponto de vista. Depreende-se que também se fartou de explorar o mesmo ramo sem ideias preconcebidas. Acrescenta até que esses prazeres secretos se desvaneceriam em parte se fossem explicados sensaboronamente por um pai ou uma mãe amigos de explicar tudo.

 

Pôs-se, entretanto, o problema das escolas mistas que todos foram unânimes em apoiar, em desabono das especificamente femininas ou masculinas. O convívio entre os sexos não só desenvolve a camaradagem, como a próprias faculdades intelectuais, pelo espírito de emulação que cria.

 

E a Órea refere que na África do Sul um colégio feminino, dirigido por freiras, se caracterizava pelo excesso de fecundidade das donzelas, (com digna exclusão das freiras), engravidando com extrema facilidade, o que não sucedia no colégio misto da Órea, onde as raparigas não engravidavam.

 

À pergunta científica do Jorge sobre se já teriam conhecimento da pílula, a Órea informa eficientemente que nessa altura ainda se não usava disso. A pureza das donzelas resultava da sã camaradagem existente entre rapazes e raparigas, estimulante de um respeito mútuo.

 

Também se falou da Suécia e na educação sexual incutida nas suas escolas. As senhoras presentes dum modo geral sentem-se inibidas. Parece que o amor deverá sempre possuir um certo cunho de mistério para ser mais significativo. Todas gostaram de ter sido iniciadas nele pelos respectivos maridos. Os maridos também se sentem felizes e realizados por terem iniciado as respectivas esposas. O excesso de iniciação destas tê-los-ia atordoado e esmorecido.

 

Quanto às perguntas embaraçosas dos filhos, eu não tive grandes problemas. Expliquei-lhes sempre serenamente aquilo que poderia explicar, sem ferir a sua sensibilidade nem a minha, nem jamais insistir nesses assuntos e sobretudo sem adoptar o ar malandro ou humorístico que se toma perante eles, o que origina na criança um acréscimo de curiosidade também malandra, embora inicialmente natural e simples.

 

Tenho notado, com efeito, que os pais são muitas vezes os responsáveis pelos ares sabidos e finórios dos filhos, encarando o amor e os problemas sexuais como pecados em que se não deve falar senão com ar de mistério.

 

Dificilmente esses jovens se habituarão a tratar o sexo oposto com camaradagem e respeito.

 

Para o complemento da educação sexual dos meus filhos, dei-lhes um livro precioso: “Donde vêm os meninos?” do escritor alemão Kurt Seelmann, no qual o problema da criação, explicado em paralelo na planta e na pessoa, se desenrola de uma maneira simples, natural e honesta, como deveriam fazê-lo sempre o pai ou a mãe que se debruçam sobre a curiosidade ingénua dos seus filhos.

 

O problema de hoje, que Alberto Gonçalves ironiza na sua crónica, consiste também na inapetência para a leitura, os estudantes demasiado absorvidos com as suas playstations e os seus facebooks onde esgotam as suas faculdades ledoras, donde o livro aconselhado entre outros que se poderiam aconselhar, nem sequer faz sentido, quarenta anos depois.

 

 Berta Brás

ENTRE A VERGONHA E O ORGULHO

 

 

Ao contrário do que muitos julgam, não basta assumir uma culpa para nos vermos livres dela… como se a exibição isentasse de qualquer castigo.

 

Desde a saudável modéstia até à condenação absoluta de si – por uma espécie de fantasma de culpa criado e alimentado pela própria vítima, a vergonha é uma das formas mais íntimas, duras e afiadas de medo.

 

É natural e desejável que a consciência nos oriente através de juízos de valor a respeito de tudo quanto fizemos, fazemos e do que poderemos vir a fazer.

 

Um homem (bem formado) é capaz de reconhecer a diferença que separa as boas das más intenções. O bem do mal. A virtude de conhecer os seus deveres, omissões e erros.

 

A vergonha pode ser, nalguns casos, um tipo de veneno que ataca as fundações do espírito… colocando a pessoa à mercê de um hipotético julgamento dos outros, uma espécie de sentença tão injusta quanto inevitável.

 

Mas há quem tenha uma postura oposta em relação à culpa… sentindo-se orgulhoso de tudo o que faz. Mesmo do mal que faz. Mas, também aqui se comete um erro grande na medida em que, ao contrário do que muitos julgam, não basta assumir uma culpa para nos vermos livres dela… como se a exibição isentasse de qualquer castigo. Pode parecer coragem, mas é apenas uma cobardia requintada!

Ter orgulho no mal que se protagoniza só pode ser uma forma de tentar, de modo muito infantil, enfrentar uma vergonha autêntica e que até poderia ser benéfica enquanto reconhecimento humilde e redentor.

 

A perfeição encontra-se entre os males da vergonha e do orgulho. Importa pois que, no segredo dos teatros do nosso coração, não permitamos nem que a vergonha funcione como um elemento corrosivo que nos destrói a dignidade; nem, tão-pouco, que a euforia da exibição bruta nos impeça de compreendermos que também o pudor, por vezes, faz parte do caminho do perdão.

 

A cultura passa dos mais velhos para os mais novos, tornando-os capazes de ir criando, em si mesmos, mecanismos que lhes permitem sancionar-se em nome do comum. É aqui que aparecem os caminhos da vergonha como castigo e do orgulho como prémio. No entanto, há gente mal formada que visa o controlo e a agressão das consciências alheias através da violação subtil e eficaz da intimidade, manipulando quem assim passa a sentir-se inferior face a estes diabos (que, tal como todos os outros, têm sempre aparência de anjo).

 

Os que são verdadeiros culpados só raríssimas vezes sentem a sua profunda desonra… também os que se sentem desprezíveis sem redenção quase sempre são, na verdade, apenas vítimas inocentes de uma maldade, alheia ou própria…

 

É essencial que saibamos defender e promover a nossa intimidade. Nem tudo é para todos. Muitos são os tesouros que perdem boa parte do seu valor… porque quem os devia guardar os revela a quem não deve.

 

Este pudor maligno rebaixa a pessoa ao ponto de ela se sentir obrigada a cavar um buraco, a fim de ir viver lá para dentro… escondida daqueles de quem teme o pior – um mal terrível que o seu medo não deixa sequer imaginar.

 

Esta vergonha de quem não fez mal algum é um problema sério na medida em que nos impede de ser quem somos… tal como se fosse um buraco negro que vai apagando, uma após outra, as estrelas do nosso céu interior.

 

Só há culpa depois de uma escolha, nunca antes. A vergonha só faz sentido depois de uma escolha má, e apenas na proporção da falta e das possibilidades de a ter evitado. Uma acção será tanto mais vergonhosa quanto maior for o mal que provoque e mais fácil tivesse sido evitá-lo.

 

A vergonha coloca quem a sente entre o vazio de uma solidão remota e a confusão de um caos sem sentido. Um isolamento diante de uma multidão imaginária de gente que aponta e grita acusações tremendas como se fossem verdades.

 

21 de Junho de 2014

 

    José Luís Nunes Martins

REDUÇÕES E BANDEIRAS

 

Brasil – século XVII

 

Em Março de 1549, chegaram ao Brasil os primeiros padres jesuítas que de depararam com enormes dificuldades em iniciarem o processo de catequização indígena em massa.

 

Não tardou muito a perceberem o interesse dos portugueses em escravizar os índios, e o modo de melhor os defenderem foi migrarem as missões para cidades interioranas. Além de ensinar a doutrina católica, os jesuítas iniciaram o trabalho de orientação agrícola para que vivessem independentes e afastados dos colonizadores portugueses.

 

Os índios, que viviam como nómadas percorrendo grandes distâncias em busca do melhor lugar para ficarem, passaram a sedentários com o cultivo da terra, já que conseguiam alimentar tribos inteiras com o trabalho agrícola.

 

Entretanto, graças a isso, os colonizadores descobriam e mandavam prender e torturar grandes aldeias, que se chamaram às missões de “reduções”, na intenção de obterem mais escravos para negociarem.

 

A esses ataques de rapina humana passou a chamar-se “bandeiras”.

 

Na época em que Portugal e Espanha estavam governados por um mesmo rei, foi publicada a partir de 1607 uma série de decretos que protegiam as missões, dando-lhes total autonomia desde que houvesse ali um representante da Coroa. Ao mesmo tempo se proibiu o acesso de mestiços e negros, e se deram salvaguardas para os índios reduzidos a fim de que não pudessem ser capturados pelos encomenderos, os caçadores de escravos. O resultado dessas novas medidas foi que grande número de indígenas buscou protecção dentro das reduções, num período em que crescia aceleradamente a demanda por escravos, e os ataques ilegais aos aldeamentos também se multiplicavam. Calcula-se que somente na década de 1630 tenham sido mortos ou aprisionados cerca de 30 mil nativos na região do Paraguai. Em todas as reduções foram aldeados muitos indígenas, atingindo 10.000 almas a de São Cristóvão e em outras a 8 e 7 mil.

 

As reduções jesuíticas no território riograndense chamaram a aten­ção dos bandeirantes que viram nesses centros de população viveiros de indígenas propícios às suas caçadas.

 

Era, além disso, voz corrente na época, que o solo riograndense encerrava ricas minas de metais preciosos.

 

Para ali se dirigiu e penetrou a primeira bandeira paulista, em 1636, pelo «caminho marítimo», como dizem duas grandes autoridades nesse assunto.

 

A bandeira que penetrou no território riograndense era chefiada pelo famoso paulista António Raposo Tavares. Saíra de São Paulo em Janeiro, constituída por 120 paulistas e 1.000 tupis, tendo sido engrossada na sua travessia.

 

Em Novembro penetrou no território que demandava e a 3 de Dezembro seguinte atacou a redução de Jesus Maria, onde penetrou triunfante, depois de seis horas de encarniçada e sangrenta luta. Os habitantes da redução, que orçavam em cerca de 10.000, retiraram-se em desordem.

 

Avançou em seguida para São Cristóvão, que foi abandonada pre­cipitadamente.

 

Aí retornaram os padres, à frente de grande número de neófitos, e travaram a 25 de Dezembro formidável combate com os bandeirantes. Estes obtiveram vitória no fim de cinco horas de luta, já ao cair da noite, de cujas sombras se aproveitaram os vencidos para hábil retirada.

 

Os governadores de Buenos Aires e do Paraguai negaram-se a socorrer os jesuítas e, por isso, estes, sem elementos para uma resistência eficaz, resolveram abandonar as povoações que haviam estabelecido nas margens do Jacuí e dos seus afluentes e foram-se localizar com os catecúmenos que puderam salvar, na mesopotâmia argentina (entre os rios Uruguai e Paraná).

 

Em Junho de 1637 já estava Raposo Tavares de regresso a São Paulo, com enorme botim e grande número de aborígenes apresados durante a sua aterradora incursão.

 

A segunda bandeira rumo ao Sul, foi a de Francisco Bueno que, saindo de São Paulo em começo de 1637, penetrou, em Maio, no território riograndense e em Dezembro atacou a redução de Santa Teresa, que ofereceu fraca resistência.

 

Os indígenas, pelo temor que tinham dos paulistas, preferiram fugir ou entregar-se, sem combater.

 

Daí marchou o chefe bandeirante para as reduções localizadas nas margens dos tributários orientais do Uruguai, atacando, no começo de 1638, Todos os Santos, São Carlos, Candelária, e São Nicolau, onde houve sangrento combate, o último dessa cruzada que obrigou os jesuítas a abandonarem todas as povoações do Noroeste riograndense, para, com os seus catecúmenos se localizarem, juntamente com os que abandonaram as do Jacuí, entre os rios Uruguai e Paraná, no actual território da Provín­cia de Comentes, na República Argentina.

 

Uma parte desta bandeira voltou para São Paulo em fins de 1638 e a outra em começo de 1639, tendo, assim, permanecido nos sertões cerca de dois anos, em lutas contínuas com o homem e com a natureza.

 

Foi a bandeira de Francisco Bueno que anulou o poderio dos jesuí­tas e a posse espanhola na margem esquerda do Uruguai ou seja no terri­tório que havia de constituir mais tarde a Capitania de São Pedro.

 

Outras bandeiras penetraram no território riograndense no decurso do século XVII – entre elas a que teve como chefes Domingos Cordeiro e Pascoal Leite Pais. este irmão do Caçador de Esmeraldas e que foi derro­tado pelo cacique Nicolau Nienguirú, no combate travado em Caaçapa-guassú em 1639 onde morreu o padre Alfaro.

 

Este sacerdote, que era dotado de espírito combativo, vendo a indecisão e receio do governador paraguaio Pedro de Lugo, que procurava evitar combate com o inimigo à vista, enfrentou este, a cavalo, encora­jando os indígenas. Foi por essa ocasião atingido por uma bala no olho esquerdo e teve morte instantânea.

 

Esse acontecimento encheu de cólera os indígenas e, sob as ordens de Nienguirú, como feras raivosas, caíram sobre os bandeirantes e os des­troçaram completamente.

 

A bandeira de Jerónimo Pedroso, derrotada no Mbororé a 11 de Março de 1641, transitou pelo território riograndense, embora não fosse este o seu objectivo nem aí o seu campo de acção, como asseveram alguns historiadores, na suposição de que o Mbororé corre, como eles dizem, «no sertão sulino do Rio Grande».

 

Aquele arroio é tributário da margem direita do Uruguai. Aí foram, mais tarde, atacados pelos indígenas capitaneados pelos jesuítas.

 

As razias dos bandeirantes convenceram aos jesuítas de que lhes era impossível manterem-se no território da margem esquerda do Uruguai e, por isso, tomaram a resolução de abandonar essa região, levando os indígenas para as reduções na Argentina.

 

O aborígene riograndense teve então oportunidade de revelar entra­nhado apego ao solo natal.

 

Tão forte era nele esse sentimento que, a despeito da obediência servil em que fora educado, desatendeu aos padres, recusando-se a segui-los, preferindo o cativeiro sob o domínio dos paulistas ou o retorno às selvas, ao abandono da terra em que nascera e vivia.

 

Este sentimento tão altamente revelado e que tanto impressionou. os padres foi por estes explorado mais tarde, para se oporem ao tratado de 1750, originando esse procedimento a guerra guaranítica.

 

Foi um espectáculo impressionante e selvagem o abandono daquele território: as povoações foram incendiadas pelos próprios habitantes que, em seguida, dirigidos pelos padres, iniciaram a retirada, tardos, tristonhos, chorosos, como um rebanho tangido pelos padres.

 

Muitos se desgarraram durante a marcha e se internaram nos matos, onde foram respirar desafogados e satisfeitos, pela liberdade e pela alegria de ficarem.

 

Outros levaram a desobediência até ao sacrilégio, como aconteceu. com os que eram conduzidos pelo padre Alfaro, que chegaram ao ponto de quebrar o altar portátil deste sacerdote.

 

Um tuxava da redução de São José ameaçou de morte o padre Cataldino, que se prostrou de joelhos, entregando-se ao golpe que o cacique não quis desferir, impressionado com aquela atitude ou condoído da humildade.

 

Os que maior resistência ofereceram ao abandono da terra natal foram os da Província do Tape.

 

Foi uma luta tenaz e hercúlea a dos jesuítas durante esta emigração e, a despeito da energia inquebrantável, da coragem inexcedível, da grande ascendência que tinham sobre os indígenas, poucos, relativamente ao nú­mero de aldeados, foram os que chegaram à margem direita do Uruguai.

 

A maioria ficou no território natal, refugiada, dos padres e dos ban­deirantes.

 

Aí retornaram os jesuítas, durante alguns anos, com o seu notável e jamais igualado poder de persuasão, a fim de convencerem os recalci­trantes ao abandono da terra natal.

 

O resultado dessa tenacidade sem par, não foi nulo - mas não cor­respondeu ao esforço empregado.

 

O apego do aborígene à terra do nascimento obrigou os jesuítas a transportarem-se novamente para a margem esquerda do Uruguai.

 

Aí fundaram, a partir de 1687, os sete povos de Missões, onde desen­volveram notável progresso industrial e agrícola, com a utilização do braço indígena.

 

Foi adoptada uma planta única para todas as reduções: uma praça quadrada, com 250 metros em cada face. A frente ficava para o Norte. Na face do Sul erguia-se o templo, sumptuoso, de 3 ou 5 naves, ficando a entrada voltada para a parte interna da praça.

 

O templo era ladeado pelo cemitério e pelo Colégio, onde residiam os padres e ao seu lado estavam as oficinas, os asilos, a sala de música e os depósitos. Ao fundo, abrangendo em largura as repartições mencionadas, ficava a horta.

 

Do lado oposto, isto é: no alinhamento do cemitério, ou seja na face de leste, fica­vam: o hospital, a cadeia e o quartel. Tanto na face da entrada da praça como nas que lhe eram laterais ficavam os alojamentos dos indígenas, com amplas salas sem repartições, destinadas às famílias, que aí dormiam e preparavam os seus alimentos.

 

As reduções eram constituídas por seis, doze e até mais quadras ou quarteirões paralelos, com diversas ruas.

 

Os quarteirões eram de cem metros de frente por quinze de fundo. Tinham duas frentes e em cada uma destas vinte salas, com uma porta e uma janela. Essas salas eram separadas no sentido longitudinal por uma parede de um metro de espessura, onde assentava a cumeeira. Os quartei­rões eram circundados por alpendre. Os edifícios eram cobertos de telha.

 

Na sede das estâncias de cada redução havia pequenos ranchos para o alojamento do pessoal aí destacado. Todas as estâncias tinham a sua capela, construída de pedra e coberta de telha.

 

Nas reduções, antes de clarear o dia, rufavam-se os tambores para despertar os indígenas, mas somente uma hora depois lhes era permitido deixarem o leito. Fazia-se isso em observância aos preceitos que Tomás Campanella julgava necessários para o aperfeiçoamento da raça!

 

Ao ser tangido, porém, o sino grande do campanário, todos se levan­tavam para as suas orações matinais e iam depois tomar o primeiro alimen­to, isto é, o mate e em seguida fumar.

 

Às 7 horas no verão, e às 8 no Inverno, todos principiavam a traba­lhar: os artífices nas diversas oficinas, sendo as mulheres nos teares.

 

Os trabalhadores agrícolas reuniam-se em frente à igreja e daí partiam incorporados para a lavoura, conduzindo em andor a imagem de Santo Izidro – o padroeiro dos agricultores.

 

O regresso e o retorno eram também feitos em procissão. Ao meio-dia todos almoçavam nas suas casas. Finda a refeição retornavam ao trabalho, até ao pôr-do-Sol.

 

Cada casal dispunha de pequeno trecho de terra onde trabalhava para si dois dias na semana.

 

A sobra do fruto que aí colhia, não podia vendê-la – era trocada com seus irmãos de raça ou recolhida aos depósitos da redução.

 

Os indígenas sob o domínio dos jesuítas não possuíam dinheiro.

 

Depois do toque de silêncio na redução, às 8 horas no Inverno, e às 9 no verão, não era permitido o trânsito pelas ruas e ninguém saía dos seus dormitórios.

 

É longa e triste a história destas reduções e das bandeiras. Todo o magnífico trabalho dos missionários terminou quando foram expulsos da colónia portuguesa do Brasil em 1759 através de um decreto do Marquês de Pombal.

 

N.- Texto recolhido do trabalho “A Capitania de São Paulo” do escritor, historiador e general brasileiro Emílio Fernandes de Sousa Docca (1884-1945)

 

Rio de Janeiro, 22/06/2014

 

 Francisco Gomes de Amorim

PAPA FRANCISCO EXCOMUNGA A MÁFIA

 

 

O Papa Francisco não tem medo de missões desagradáveis. A sua viagem à região de Calábria, bastião da criminalidade organizada da Itália, demonstra coragem. No sul da Itália encontram-se radicadas as grandes organizações da Máfia: Cosa Nostra, Camorra e Ndrangheta.

 

O Papa visitou a prisão de Castrovillari onde se encontram os familiares de uma criança de três anos (Cocó) que, nascida na prisão, tinha sido assassinada em Janeiro com o avô e sua parceira em acto de vingança entre grupos mafiosos. Em Março, o Papa já tinha recebido em audiência 900 familiares de vítimas da Máfia.

 

Na boca do lobo, o pontífice Francisco confronta os grupos mafiosos e as estruturas sociais que os apoiam dizendo: „Aqueles que escolhem o falso caminho, como os mafiosos, não se encontram em comunhão com Deus. São excomungados.“ Como “seguidores do mal” não podem pertencer à Igreja Católica.

 

Na missa perante mais de 100.000 fiéis, o Papa referiu-se directamente à Ndrangheta, uma das organizações da Máfia com 7.000 membros que inclui cerca de 90 clãs ou quadrilhas organizadas familiarmente.

 

O Santo Padre adverte: “Quando a admiração por Deus é substituída pela admiração do dinheiro, então abre-se a estrada do pecado, do próprio interesse e da repressão”. “A Ndrangheta é exactamente isso – a admiração do mal, o desprezo do bem-comum. Contra este mal tem de se combater.”

 

A Ndrangheta tem um volume de negócios anual avaliado em € 53 bilhões ou seja, 2,7 % do PIB italiano, proveniente, sobretudo, do negócio com drogas (80% da cocaína da Europa passa pelo porto calabrês de Gioia) e armas, descarte de resíduos ilegais, prostituição, tráfico de seres humanos, lavagem de dinheiros e extorsões. A organização mafiosa Ndrangheta está activa não só na Itália mas também no norte da Europa, na América latina, nos USA, etc.

 

 António da Cunha Duarte Justo

ANESTESIA SEM CIRURGIA

Antigamente as cirurgias eram feitas a frio, sem adormecer o paciente. Nos estertores da dor muitos morriam da cura. As modernas anestesias tornaram tudo mais sereno e eficaz, mas trouxeram novos problemas. Confundindo alívio com saúde, alguns evitam o tratamento incómodo, morrendo por descuido terapêutico. É isso que se passa na economia internacional.

 

Quando há 85 anos rebentou a bolha bolsista de 1929, as autoridades deixaram os bancos cair para os punir das evidentes loucuras de especulação. O resultado foi o colapso da circulação monetária. Falindo os bancos, os depósitos desapareceram; as pessoas, sem dinheiro, não gastavam, o que arruinou as empresas, deixando muita gente sem emprego e sem dinheiro; isso falia novas empresas, recomeçando a espiral arrasadora. Foi a "grande depressão", maior catástrofe económica da História.

 

Um impacto tão evidente ensinou a lição. O mundo não só exigiu mais dos bancos centrais, mas criou fundos internacionais para amortecer as dores. Quando em 2008 rebentou nova bolha, as autoridades fizeram com rapidez aquilo que deviam ter feito em 1929. A súbita e vasta injecção de moeda pelos bancos centrais segurou a generalidade do crédito, enquanto programas de ajustamento do FMI e UE apoiavam as economias frágeis. Até em Portugal os custos foram muito inferiores à depressão. Estamos já a amortecer os terríveis efeitos da explosão de bolhas.

 

 

Aí surgiu novo perigo. Desequilíbrios de pagamentos e orçamentos são mero sintoma de dramas mais profundos, pois o problema do mundo não é financeiro mas económico. A anestesia apenas cria uma janela de conforto para realizar a cirurgia drástica que, essa sim, elimina o mal. Quando bancos centrais e autoridades europeias adormecem as dores, fazem o seu dever. Quando os responsáveis nacionais e empresariais usam esse alívio para esquivar medidas duras, matam o doente.

 

Os exemplos são evidentes. Em Portugal a ajuda da troika evitou o colapso de um défice orçamental de 11,5% do PIB em 2010, após décadas a fingir normalidade. O alívio de três anos permitia medidas indispensáveis, mas o tempo foi passando sem verdadeiras reformas. Apesar da suposta austeridade, esta oportunidade de cura foi realmente desperdiçada. Portugal discutiu, barafustou, inventou desculpas e bloqueou cortes, medidas e programas fazendo muito pouco. O défice de 5,8% em 2013 mostra que ainda não sustentamos o Estado que temos. As taxas de juro da dívida pública estão baixas, mas isso deve-se à anestesia da liquidez mundial, sem revelar verdadeira confiança dos mercados. Assim se caminha alegremente para uma catástrofe muito maior do que a evitada há três anos.

 

O que se diz do Estado pode afirmar-se da banca. Repletas de dinheiro barato emitido pelos bancos centrais, as instituições de crédito europeias sobrevivem sem dificuldades, apesar dos erros que acumularam nos anos de facilidade. Mas poucas aproveitam a folga para colmatar os buracos e limpar o lixo do balanço. Limitam-se a rodar créditos incobráveis, alimentando empresas fantasma que fingem sobreviver. O doente está ligado à máquina mas sem tratamento e sem realmente recuperar.

 

Quando no fim de 2008 os bancos centrais encharcaram as economias com liquidez, pensavam tratar-se de um expediente de alguns meses, simples ajuda para permitir o ajuste das economias sem cair em ruínas. Passados quase seis anos, o dinheiro não só não saiu mas continua a jorrar a taxas alucinantes. A terrível doença, a desconfiança, permanece e até se agravou. A ajuda temporária perpetua-se e pode transformar-se na pior das armadilhas. A culpa não é das autoridades monetárias, meros anestesistas, mas nas reformas evitadas, ilusões cómodas, sobretudo na suspeita geral que todos alimentam, sem perceber que serram o tronco onde se sentam.

 

Nunca a economia viveu tanto tempo alagada em tanta liquidez. Sob a inundação endémica surgem novos sintomas, deformidades e maleitas que ninguém conhece. Assim se vai comodamente preparando a desgraça que enfrentaremos daqui a uns tempos.

 

24 de Junho de 2014

 

 JOÃO CÉSAR DAS NEVES

ANÚNCIO

 (*)

Trago os olhos naufragados
Em poentes cor de sangue...
 
Trago os braços embrulhados
Numa palma bela e dura
E nos lábios a secura
Dos anseios retalhados...
 
Enrolada nos quadris
Cobras mansas que não mordem
Tecem serenos abraços...
E nas mãos, presas com fitas
Azagaias de brinquedo
Vão-se fazendo em pedaços...
 
Só nos olhos naufragados
Estes poentes de sangue...
 
Só na carne rija e quente,
Este desejo de vida!...
 
Donde venho, ninguém sabe
E nem eu sei...
 
Para onde vou
Diz a lei
Tatuada no meu corpo...
 
E quando os pés abram sendas
E os braços se risquem cruzes,
Quando nos olhos parados
Que trazem naufragados
Se entornarem novas luzes...
 
Ah! Quem souber,
Há-de ver
Que eu trago a lei
No meu corpo...

Alda Lara

(*) Augusto Penteado

2 a 2

 

http://www.record.xl.pt/Futebol/Internacional/mundial2014/interior.aspx?content_id=890556 

 

Fui espreitando e admirei-me com o 1 a 0, em inesperado espanto de euforia. Passei a espreitar mais vezes, no receio do empate, que uma das espreitadelas confirmou. Deprimida, considerei que iam perder, o que posteriormente aconteceu. Desisti de espiar, convicta da derrota que eu própria anunciara a quando do empate. Mas, decidi vencer o medo e liguei novamente o 1º canal. Tinham acabado de empatar, por 2-2.

 

Fiquei muito feliz. O sentimento de derrota é tão castrador, eu estava de tal modo convicta de que a nossa parolice festivaleira por antecipação, exibicionista e devidamente exacerbada na inanidade facunda dos comentaristas, de extraordinário apoio mediático, iria ter por consequência o que já acontecera no primeiro jogo, que não pensei que o dois a um pudesse ser alterado, tanto mais que acreditara humildemente no destino tecido para nós, na declaração arrogante de um da selecção americana: eles «iriam pôr os adversários no seu lugar.»

 

Mas o empate me fez admirar, agora, a selecção portuguesa. Achei que fora um milagre do mesmo Deus de Ourique, do Santo António, ou da própria Senhora de Fátima, que bastamente nos têm comandado as existências, apesar do provérbio do nosso pendor reaccionário “fia-te na Virgem e não corras”. Lembrei os três golos suecos do Ronaldo que nos catapultaram para a copa, outro milagre na corda bamba do nosso deslizar de precariedade.

 

O resto é silêncio. Dizem-me que basta um empate aos Estados Unidos e à Alemanha e que o Gana está de boa saúde. Não temos qualquer hipótese, para mais com tantas lesões nos jogadores. Mas o milagre do empate inesperado deu-se. Esse serviu, pelo menos, na minha opinião de rancor, para pôr o tal norte americano no seu lugar - que é excelente, claro, mas com sabor a provérbio também: quem muito fala pouco acerta; quem ao mais alto sobe… ou, mais prosaicamente, costumava a minha mãe dizer, “gaba-te, cesta rota”. Não foi assim tão fácil, o tal lugar.

 

 Berta Brás

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