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A bem da Nação

SOU EMIGRANTE COM ASAS DE ARRIBAÇÃO

 

Portugal minha Nau Catrineta no alvorar de uma Terra já sem Ninhos

 

 

O emigrante é um ser estranho a viver na confluência de gravidades entre mundos; é estranho onde entra, é estranho onde está, e é estranho quando volta; passa a vida na meia-luz de um sonho que não acorda. De essência enjeitada, seu lar é caminho, de passarinho sem-abrigo, a riscar o ninho à borda da vida.


Há motivos para fugir, há razões para se ir embora, há vontade para bater a porta, e…, seguir a ânsia do sair do nada. Há sempre um momento e um repente para fazer da esperança uma vela onde o presente se aquece e alumia, na tentativa, de dar à luz um futuro não humano mas digno. Este futuro, filho do sofrimento, embora gerado na mágoa da saudade, é afagado por mãos parteiras do sonho, mãos singelas e puras, de familiares e amigos que segredam promessas onde ecoa a voz da terra. Esta voz do coração, este zumbido no ouvido, não se cala e mais se sente, a celebrar, em cada emigrante, o desassossego das águas do Cabo na luta por transpor o Bojador, de uma vida, toda mar.

 

Corri mundo a ver as suas luzes e nelas mais não vi que as sombras do velho Portugal! Agora que vivo, na penumbra de Portugal, onde o cheiro a povo não faz mal, sinto vontade de voltar para dizer: acorda povo, volta ao arraial, liga tu as luzes e faz a festa…

De volta à terra, nos pátios e caminhos, as crianças já não brincam; neles só sentimentos desfraldam ao vento; meus desejos, com o pó se vão, levados em nuvens de pensamentos; no longe da terra, vejo ainda, bandos de passarinhos negros, voando a mágoa de um caminho errado e de uma terra já sem ninhos.

 

Dançarino, agora, na linha do horizonte, feito de enganos já sem filhos, tornei-me acrobata da insónia a acenar para a vida de desejos grávidos, a voar ainda no sol das asas, mas já sem terra onde poisar.

 

Na bagagem da recordação saltitam sonhos meninos de uma vida retalhada a brincar com a vontade. A vontade de ir e vir sem poisar!

Sou povo a voar, nas asas de Portugal, a subir e a descer, as nuvens do sentimento, no Natal e em Agosto. Portugal, dentro e fora, anda a dias, a regar a Europa seca com lágrimas atlânticas.

 

Aquela parte do Portugal povo, não renegado, padece a outra parte que segue as pegadas duma Europa rica, mas de futuro aleijado. Meu povo, o nevoeiro vai passar, ainda não é tarde para voltares à fonte e reencontrares o sentido do caminho que é nosso: as sendas de Portugal. Estás grávido de bem e de humanidade; aguenta um pouco as dores, para dares à luz o novo Portugal.

 

Portugal, és a nau Catrineta que ainda tem tanto que contar! O teu destino tem andado, sem timoneiro, nas mãos de gajeiros iluministas que profanaram a nau para viverem do nevoeiro de fora e do vermelho dos bordéis dos camarotes, sem saudade nem desejo de avistar praias de Portugal.

 

Em Portugal transborda o mundo. Daí o carácter migrante de um povo não humilde mas modesto, onde germina a esperança que o faz andar, a teimar a vida, dentro e fora, num ânsia de arar Portugal para gerar fartura, para todos, regada com a chuva fértil do transcendente.

 

Portugal é a Nau Catrineta que vai arribar numa Terra bendita! Não te esqueças da tua missão; foi ela que te fez; a tua nau é pequena mas, como a gruta de Belém, tem a modéstia do viver e o fogo do amor, a aquecer todos os povos.

 

 António da Cunha Duarte Justo

“CAI NEVE NA NATUREZA”

 

 

Sempre estranhei a pena de morte como lei facinorosa de que o homem se arreigou como deus poderoso, sobretudo se praticada em países de grande tradição humanista e razoavelmente seguidora das práticas bíblicas inspiradas no Novo Testamento e já contidas no Velho, nos Mandamentos que Deus entregou a Moisés, em que o “Não Matarás” ocupa o 5º lugar (na sua feição final), a vida humana considerada no seu caráter de inviolabilidade, como algo sagrado, devido a um único criador, omnipotente, omnisciente, omnipresente.

 

É bem verdade que nunca esse facto incomodou grande coisa a criatura por Ele criada, pois sempre essa se entreteve a matar e a esfolar, a queimar, a crucificar, a fuzilar, a guilhotinar, a esfaquear…… E a instituir em lei a pena de morte. Entre nós também a houve, mas a nossa foi abolida no século XIX, o que não aconteceu noutros países mais poderosos, e os Estados Unidos não foram unânimes na sua abolição, por muito liberais que se mostrem, com uma bela estátua a demonstrá-lo.

 

Significa isso que também o homem se arma em omnipotente, emparelhando com o Deus que tudo criou, o Bem como o Mal.

 

Realmente, o homem cria vida, por meios artificiais, como um deus defeituoso, criando seres defeituosos, não naturais. Também descobre o remédio que cura e nisso é extremamente capaz, cada vez indo mais longe na descoberta científica.

 

E criou a sinistra eutanásia para extinguir o sofrimento, com a anuência do sofredor, embora poucos países sigam a prática criminosa.

 

Mas as crianças, Senhor?

Porque lhes dais tanta dor?

Porque padecem assim?

 

O facto é que padecem e isso choca muito, as crianças inocentes não devem sofrer. Talvez por isso alguns povos se arroguem do direito de praticar nelas a eutanásia, mesmo sem a sua anuência. É pôr os pais a assistir à morte e a consenti-la e a beijar o filho pequeno, que vai morrendo e deixando de sofrer. Mas os pais irão sentir-se para sempre criminosos. Filicidas. Prefeririam não intervir na morte do filho, e apenas minimizar-lhe o sofrimento. Mas há países civilizados que instituíram a eutanásia para adultos em lei e agora para crianças.

 

A eutanásia em crianças parece-me crime. O texto de António da Cunha Duarte Justo é bem explícito nisso, com os argumentos próprios. Eu só posso concluir com a “neve” que cai nos corações – da balada de Augusto Gil.

 

 Berta Brás

MATRIARCAS





Tuas mãos Mulher
lareira acesa
toalha e bragal
broa de milho
e o linho
e a lã;
na cama, o filho
e sobre a mesa
a horta
o pomar
e o jardim…
na adega
o vinho e a salga
na tulha, o trigo
fumeiro na cozinha
e o caldo
bebido pela malga
e a Páscoa
e o Natal
a doçaria
e a fome da vizinha
e a fartura de amor
porque és assim!...


 Maria Mamede



A PROPÓSITO DE MANDELA

 

 

O homem é simultaneamente incompreensível para o homem.

Blaise Pascal

 

 

Muito se tem escrito sobre o velho Madiba. O mundo (quase) todo elogia, curva-se perante a sua memória, dirigentes da “esquerda” e da “direita”, enquanto uns quantos “sabedores” de história malham no homem e fazem piada dizendo que agora o querem santificar.

 

Que ele foi comunista, que foi membro do PC, que mandou colocar bombas ali e mais além, etc. e com isto o tratam de bandido. Fez tudo isto, claro, e muito mais.

 

Alguém por acaso conhece alguém, em África, africano, que não tenha sido comunista, membro do PC, os únicos amigos, interesseiros bem sei, que os ajudaram em todas as lutas contra o colonialismo?

 

Quantos milhões de alemães aplaudiram Hitler quando este os tirou da miséria? Desses milhões quanto o abjuraram depois? E também se devem lembrar de Gorbachev, Premier da União Soviética que mandou o comunismo para o lixo.

 

E no chamado Ultramar português, quantos e quantos a ditadura salazarista, muda e queda para o diálogo, obrigou a se refugiarem nos países comunistas, que os acolheu, ensinou e treinou?

 

Lembro Amílcar Cabral que devia ter sido, quando estudou em Portugal tão comunista como eu, que continuo a abominar tal “receita”. E Eduardo Mondlane, o primeiro negro em toda a África a doutorar-se, MBA, nos EUA, também seria comunista, ou foi obrigado a receber o auxílio destes?

 

Sem o apoio da União Soviética e seus satélites, como Cuba, talvez ainda hoje Portugal fosse um Império Colonial, aliás eufemisticamente chamado de Ultramarino, a Zâmbia seria a Rodésia com Ian Smith a presidir, e a África do Sul com o apartheid nas mãos do africânderes. Quem sabe?!

 

Voltemos a Mandela. Filho de um soba, a nobreza local, obrigado a estudar em escolas só para negros e non-whites, a não poder entrar em cinemas, restaurantes, omnibus, etc. que eram só para brancos. Ele e os outros milhões de africanos a serem tratados como sub-humanos por causa da cor da pele.

 

Se eu, ou você que está a ler isto, tivesse vivido nas condições dele, e de todos os outros, o que faria para dar dignidade ao seu povo? O mundo ocidental a apoiar os brancos e a fingir que estava tudo bem, e só uma porta aberta para os apoiar: os soviéticos. Por muito anti comunista que fosse, eu não hesitaria em ligar-me a essa gente, também racista, sabendo que no ocidente o máximo que poderia obter seria levar com a porta na cara.

 

Lembro que os EUA só se deram conta que estavam a perder totalmente a “corrida” para os países africanos, que eles, na sua arrogante ignorância nem sabiam que existiam, quando viram a União Soviética já senhora da situação. Apoiaram o Congo e suas revoltas para não perderem o controle do cobre e, correndo, sempre asneirando na sua política externa, financiaram os maiores assassinos de Angola, a UPA.

 

Em qualquer altura a gente pode agradecer aos que nos apoiaram, e depois sair, mas terá que ficar sempre reconhecida pelo apoio recebido.

 

Certamente também se lembrarão do tipo de “diálogo” entre os africânderes e os incipientes partidos dos africanos: polícia, bordoada, chacinas no Soweto e muitos outros lugares, mortes às dezenas, centenas, milhares. Há como dialogar assim? Ou retorquir no mesmo tom? Foi o que aconteceu; Mandela e todos os outros partiram para actos chamado terroristas. Os objectivos, bem definidos, eram que não atingissem pessoas, mas numa revolução ou guerra subversiva, ou qualquer outra guerra, os civis são sempre, de longe, quem mais sofre. E morreram brancos e negros.

 

Os brancos, menos de dez por cento da população total, queriam eternizar-se no comando do país. Utopia! Como foi em toda a África, e ao fim de 50 anos de falta de diálogo, só conseguiram um interlocutor válido, sensato, e que lhes dizia exactamente o que fazia e continuaria fazendo se não se chegasse ao princípio “one man, one vote”. Esse homem foi Mandela.

 

Mandela que sabia do ódio aos brancos, mas que não podia, primeiro prescindir deles, e depois permitir uma guerra civil que seria uma imensa catástrofe, desacreditando os africanos, como aconteceu no Congo, Angola, Moçambique, Nigéria, etc.

 

Negociou hábil e educadamente a transição. Como era de se esperar foi eleito o primeiro presidente negro, e no fim do mandato declarou que não se queria reeleger.

 

E quando eleito, ao agradecer os aplausos entusiasmados de milhões, fez questão de agradecer levantando, junto com a sua, a mão do ex-presidente De Clerk.

 

Teve também aquela atitude sensacional no jogo de rugby que foi mais um passo importantíssimo para unir brancos e negros: sabendo que os africanos detestavam a equipa “nacional”, os Sprinboks, por ser uma equipa de brancos racistas, e por isso aplaudiam o adversário, ensinou os jogadores a entoar o hino, já africano, e foi assistir ao jogo com a camisa do clube. Acabou o jogo com brancos e negros se abraçando.

 

Há, em toda a história, de toda a África, alguém que se aproxime da grandeza de toda esta trajectória?

 

Podem pensar em Senghor; mas este não deu um tiro, não mexeu uma palha a favor da independência, foi um grande poeta, o pai, com Aimée Cesaire, do movimento literário que se chamou Negritude, porque escreviam de “dentro para fora de África”; só esteve preso durante a guerra e pelos nazis, um amigo da França e de Portugal, mas quando agarrou o poder ficou lá vinte anos.

 

Não há, nem em África, nem talvez em todo o mundo quem, com o prestígio que Mandela atingiu, uma vez no poder não tenha querido perpetuar-se: os ditadores, os pseudo democratas, em toda a Europa, no Brasil, nos Estados Unidos, China, etc.

 

Mandela, foi um jovem, como qualquer de nós, fogoso como poucos, lutador, inteligente e valente.

 

Lutou com os meios que pôde. Venceu.

 

Porque o mundo inteiro o aplaude e lamenta a sua perda?

 

Porque há tantos que insistem em querer mostrá-lo como “terrorista”?

 

Em todo o meu tempo, e já lá vai muito, houve dois GRANDES homens a quem presto a mais profunda homenagem: Ganhdi, o Mahatma (Grande Alma), e Nelson Mandela, o Madiba.

 

Eu vivi em África mais de vinte anos. Talvez no país onde as relações branco-negro eram as mais cristãs. Mas hoje, passados tantos anos já, reconheço que se eles não pegassem em armas...

 

Rio de Janeiro, 13/12/2013

 

 Francisco Gomes de Amorim

EMIGRAÇÃO E ECONOMIA

 

 

EUROPA DOS RICOS CONTRA A EUROPA DA PERIFERIA

O Povo nas Democracias representativas passou a ser uma Ficção

 

A União Europeia (EU) possibilitou os investimentos nas infra-estruturas em Portugal, mas levou-nos o nosso ganha-pão: as indústrias do calçado, dos têxteis e das pescas; a EU fê-lo para poder vender, em contrapartida, na China máquinas e automóveis; e agora, leva-nos também, os nossos académicos, homens e mulheres formados com o esforço da ajuda remediada dos seus pais. Estes, que queriam ver seus filhos a subir na vida, vêem-nos agora sair para um mundo, que nos rouba o futuro, a juventude e a massa cinzenta. A situação é de tal modo sem sentido e sem solução que povo e nação são reduzidos a meros espectadores da queda!

 

Um efeito secundário da crise é a fuga de académicos de Portugal: segundo as estatísticas, 20% de portugueses académicos qualificados, emigram, devido à política da austeridade sem capital para investir. Quem ganha são os países como a Alemanha que recebe gratuitamente uma camada social formada que vem engrossar a sua camada média baixa que assim é rejuvenescida e cultivada. Os países ricos com fraca natalidade concentram em si a produção sorvendo assim a inteligência e a juventude da periferia.

 

A Alemanha sabe que inovação é a palavrinha mágica que tudo transforma e dá sustentabilidade à nação. Sabe que o progresso não anda ligado a ideologias populistas mas ao trabalho proveniente da formação que cria inovação tecnológica e assegura assim a capacidade de concorrência no mercado. Deixa os outros falar de justiça e de valores éticos enquanto ela faz pela vida.

 

Países com Estado mas sem Soberania

 

A guerra dos custos (por peça) unitários do trabalho invade os Estados e arrasa-os. A periferia vê-se obrigada a comprar e a ver deixar partir a sua juventude para os países que ditam os preços e o andamento da economia. Aos países carenciados da zona Euro é-lhes impossibilitado o instrumentário necessário para darem a volta à crise: precisariam de capital disponível para investir (criar postos de trabalho) e de um euro fraco para poderem concorrer com os seus produtos contra as potências; mas os países ricos, com muito capital, são contra uma política de inflação e fazem tudo por tudo para manterem um euro forte e duro que os beneficia (na EU já não se trata de encontrar soluções mas de explorar até à última um sistema falhado). O Banco Central Europeu (BZE) também tem seguido a política financeira dos países do centro e norte, sendo impedido a subvencionar indirectamente os países do Sul (compra de acções moles do sul) porque isso corresponderia a uma política de enfraquecimento do euro (inflação). Por outro lado os Bancos privados só estão interessados em grandes especulações (mentalidade casino) que trazem fortes rendimentos a pouco prazo, dificultando o investimento na economia real que só rende a longo prazo. Neste sentido os países da periferia são obrigados a renunciar à sua soberania a favor da ditadura económica.

 

Destroem a solidariedade e não deixam margem para compromisso, dado, as lutas nacionalistas se darem na batalha do mercado e na economia à custa de um proletariado comum desprotegido.

 

O povo real, que mais sofre, encontra-se desesperado porque também sabe que com berrar e protestar não se eleva o bem-estar. Os beneficiados do poder económico e político, com o apoio dos Media, contentam-se em distrair o povo, rindo sinicamente da maneira como tudo ladra no ataque, a este ou àquele partido, a este ou àquele governo, enquanto a política e a economia se aproveitam do barulho do seu ladrar para ir buscar o seu e o dos que ladram. O povo não existe, é uma ficção, passou a ser uma ficção nas democracias representativas. De facto o que existe são grupos de interesse e uma estratégia em que os representantes se servem com uma ideologia do pensar politicamente correcto que apenas favorece ideologias e o poder económico.

 

Até a Liberdade parece favorecer os Fortes

 

O princípio ideológico e prático europeu da livre concorrência de bens e de circulação de pessoas, num mercado sem entraves, veio facilitar a hegemonia dos países fortes nórdicos sobre os do sul e das classes beneficiadas sobre as carentes (Isto é lógico porque quem desenvolve as teorias económicas liberais e tem na mão as empresas capazes de as efectuar são eles; o povo em geral, como a fome é tanta, não pensa com a cabeça mas apenas com o ventre, fortalecendo assim o sistema opressor que lhe deixa as migalhas da mesa).

 

Os países do centro e norte conseguem garantir a sua exportação de material caro e ao mesmo tempo, através de imigração qualificada, resolver o seu problema de envelhecimento da sociedade. Deste modo, os nórdicos estão sempre preparados para irem à conquista do mundo com as suas tecnologias de ponta, enquanto os do Sul continuarão a trabalhar para um euro forte, que os prejudica, para que a Europa continue a ser um mercado atractivo para os mercados do grande capital mundial.

 

Com a emigração da geração produtiva e jovem, os países do Sul criam uma grande hipoteca para as gerações vindouras, dado a população activa futura ser demasiado reduzida para poder produzir de modo a poder viver e pagar também as reformas e pensões de uma sociedade altamente envelhecida. Não será provável que os emigrantes então voltarão para gozar as reformas em Portugal, do tempo que trabalharam no estrangeiro. Então os países receptores saberão elaborar leis para impedir que o dinheiro saia dos seus países e Portugal lutará com o problema de alimentar os seus velhinhos!

 

A emigração de ontem estabilizava o regime de ontem, como a de hoje estabiliza o actual regime. “Tão ladrão é o que rouba como o que fica à porta”! Não será que, nós, que criticamos e louvamos, somos os ladrões da porta? Ontem como hoje as nossas vivas são a sangria duma nação entregue ao pensar económico dos países fortes. Se no tempo de Salazar havia muita gente à porta dos males do seu regime político, hoje não há menos à porta dos males do nosso. Ninguém é preso por isso, ontem como hoje. Hoje há muito boa gente a viver e muito bem à sombra das querelas do vizinho. Ontem como hoje todos continuamos, mais ou menos prisioneiros do passado e do presente, perpetuados numa mentalidade tacanha. Naturalmente não se deve ser perfeito; sim, porque o perfeito é inimigo do bom! Se fossemos perfeitos, coitados dos nossos vindouros que, se interrompêssemos a velha lógica, não teriam nada para criticar e, teriam assim, só o fim da História para declarar!...

 

Nós não declararemos o fim da História mas somos os testemunhos do fim de uma grande época. Depois da ditadura da economia e da ideologia talvez o Homem esteja maduro para se descobrir a si mesmo!

 

 António da Cunha Duarte Justo

COMO UM DOS REIS MAGOS…

 

 

Fui das pessoas que admirou Vítor Gaspar e que se assustou quando ele se demitiu, augurando consequências negativas da sua saída, como pessoa que sempre me parecera um travão necessário à nossa tosca prodigalidade de meninos malandros brincando aos governos. Gostava do seu ar inteligente, das suas explicitações de evidências, a tomar-nos por parvos, troçando da nossa imaturidade e ignorância de dissipadores desonestos, que era preciso pôr no bom caminho, numa forçada austeridade para pagamento de dívida, o que só lhe angariaria inimizades, visto que, meninos malandros vivendo em casa dos papás, sem a responsabilidade da sobrevivência, entendíamos que a fartura inabitual fora direito adquirido sem que a dívida nos devesse ser jamais colectada. E daí as troças da nossa vingança - o ar embatucado de Vítor Gaspar, a sua dificuldade de comunicação, o fino humor de algumas suas tiradas – talvez vingativas, talvez de superioridade desdenhosa – fizeram desencadear imitações caricaturais em frequentes sketches humorísticos reveladores da nossa sensibilidade vingativa e, afinal, da nossa capacidade de resposta à provocação, demonstrando que não somos tão parolos como ele quis fazer crer.

 

Mas Vítor Gaspar foi uma figura necessária, na tentativa que fez o governo de Passos Coelho de encontrar credibilidade junto ao estrangeiro que nos emprestou o dinheiro, para iniciarmos a recuperação económica do país que uma dívida monstruosa afundou. Deixou como sucessora uma mulher valente – Maria Luís Albuquerque – que continua na mesma linha de rigidez económica, cortando nos vencimentos e nas carreiras, a caminho, ao que se afirma, de uma ainda parca recuperação, mas que não convém perder.

 

Daí que se perceba o teor do artigo «Uma certa nostalgia de Vítor Gaspar», do jornalista Pedro Sousa Carvalho, baseado no livro de Maria João Avilez sobre o ex-ministro, e publicado no “Público” de 14/2, nostalgia que provém do apreço pelos critérios de hombridade, e por isso receosos das prodigalidades prometidas por alguns políticos para o pós-troika, prodigalidades de um pré-eleitoralismo insensato. A austeridade é para se manter, e Passos Coelho, que é a pedra chave do processo, garante-a. Ontem, os do seu partido aplaudiram-no, Paulo Rangel afirmou o novo apreço europeu por este país cumpridor. Assusta pensar em Seguro como seguidor de Passos Coelho, num governo PS. Daí a nostalgia de Vítor Gaspar, um Gaspar que, tal o outro, trouxe prendas para um pobre menino deitado em palhas. Mas ao contrário desse Menino que sempre soube o caminho, e por isso recebeu ouro e preciosidades do seu visitante, as prendas do nosso Gaspar foram o apontar do verdadeiro caminho da salvação nacional – o da contenção. É necessário continuá-la:

 

«Uma certa nostalgia de Vítor Gaspar»

 

Depois de seis meses de ausência, eis que Vítor Gaspar regressa, agora sob a forma de livro. Em conversa com Maria João Avillez, num estilo pergunta/resposta, o anterior ministro das Finanças coloca-se num elevado pedestal (intelectual, economista culto, estratega, negociador e visionário) e é de lá de cima que continua a olhar para a política e para os políticos, com um grande desdém. E esse foi o grande erro de Gaspar.

 

Percebe-se no livro que Gaspar não gosta da política (na acepção de Russel ou de Maquiavel, ou seja, a arte de conquistar e manter o poder), e diz que se vê como um espectador do “grande espectáculo da política”. Para Gaspar, a política sempre foi uma espécie de bug informático que fazia com que as suas contas no Excel nunca batessem certo. E para Vítor Gaspar, que diz que tende “a observar a política como um economista”, Paulo Portas deveria ser uma espécie de vírus informático que lhe estava sempre a "crashar" o portátil e a sua folha de Excel. Aliás, é com este desprezo profundo pela política que Vítor Gaspar justifica a sua saída de cena e as suas desavenças com Paulo Portas: “Não tenho qualquer vocação para resolver problemas de pura política.” Quando questionado sobre o comportamento do líder centrista na polémica questão da TSU dos pensionistas, o economista responde: “Não vou fazer comentários sobre o que poderão ter sido as motivações ou os processos mentais do Dr. Paulo Portas.” É como se Maria João Avillez lhe estivesse a pedir algum diagnóstico mental sobre algum doente do Júlio de Matos ou do antigo Conde Ferreira.

 

E esse foi o grande erro de Vítor Gaspar. Diz que sempre achou “imensa graça” ao processo político, e, até quando era mais novo, divertia-se a tentar “prever os resultados de eleições”. Maria João Avillez, talvez meio incrédula, pergunta-lhe: "Mas só gosta da política como uma espécie de jogo?" E Gaspar responde: "Tal qual, tal qual." E Gaspar escolheu Paulo Portas (ou Portas escolheu Gaspar) para jogar, e o líder do CDS-PP, o mais antigo líder partidário no activo, naturalmente ganhou. Nesta espécie de jogo de xadrez, segundo se lê nas entrelinhas da entrevista, o tabuleiro começou a pender para o lado de Portas quando a economia começou a dar os primeiros sinais de recuperação: “Como se veio a saber mais tarde, a actividade económica em Portugal tinha já fortemente recuperado no segundo trimestre. Isto mostra que a política e as percepções em política são um jogo de grande subtileza.” É Gaspar a reconhecer a inteligência política e o xeque-mate de Paulo Portas. Mas Gaspar tem a inteligência de reconhecer a importância da política: “A saída de Paulo Portas e o impacto que teve nos mercados mostram a força e a relevância da política.” E foi esse casamento entre a política e a economia que Gaspar nunca conseguiu fazer; eram dois softwares incompatíveis.

 

Gaspar não gosta da política, aborrece-o. Ainda todos se lembrarão da forma como Gaspar respondeu a Ana Drago no Parlamento – “Eu não fui eleito coisíssima nenhuma” –, como quem fazia questão de mostrar que ele e os deputados não eram feitos da mesma massa. A própria política sempre olhou para Gaspar como um corpo estranho, pela forma algo sobranceira como o antigo ministro olhava para o jogo da política.

 

Agora, Vítor Gaspar está a candidatar-se a um alto cargo no FMI, um lugar onde ele vai sentir-se em casa, no meio de tecnocratas iguais a ele, para quem a política é uma espécie de variável aleatória num modelo econométrico inventado nos corredores de Washington. Na hora da despedida, Maria João Avillez pergunta a Vítor Gaspar se os portugueses aprenderam alguma coisa com os erros do passado. E Gaspar responde, imagino que no seu tom pausado e mecânico, “é difícil dizer”.

 

Vítor Gaspar não vai deixar saudades. Mas quando se ouve Paulo Portas, já em pré-campanha eleitoral, a prometer que em 2015, ano de eleições, vai baixar o IRS, vá-se lá saber como, sente-se uma certa nostalgia. Vítor Gaspar exagerou na dose de austeridade. Mas quando se ouve Pires de Lima e o PSD-Lisboa a defenderem o aumento do salário mínimo nacional e uma descida do IVA, não se sabe muito bem com que dinheiro, sente-se uma espécie de nostalgia. Vítor Gaspar era um partidário da austeridade do custe o que custar.

 

Mas quando se ouve António José Seguro a prometer que quando chegar a primeiro-ministro vai reabrir todos os tribunais que o actual Governo vai fechar e revogar a lei que corta a reforma dos pensionistas, sente-se uma certa nostalgia. Vítor Gaspar era mais troikista do que a troika. Mas quando o PS propõe a reposição do horário de trabalho de 35 horas na função pública, mais nostálgicos ficamos.

 

Os dois grandes erros de Vítor Gaspar foram exagerar na dose da austeridade e desprezar a política (na acepção da "arte do possível").

 

Mas não é por fazermos precisamente o contrário do que ele propalava que os vamos corrigir. Pedro Sousa Carvalho

 

 Berta Brás

Eutanásia para Crianças na Bélgica – uma Ajuda que não ajuda

 

Acompanhar em vez de matar

 

A legislação belga permite matar crianças no caso de doença terminal. Pacientes menores, abaixo dos 18 anos, que não queiram sofrer mais, podem exigir aos médicos que os matem, tal como já é permitido aos adultos.

 

Na Bélgica a eutanásia para adultos é permitida desde 2012, tendo sido mortas 1.432 pessoas em 2012. Em toda a Europa, a eutanásia é considerada assassínio, com excepção da Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Apoio ao suicídio assistido é legal na Suíça e na Suécia.

 

A decisão de morrer, para menores, tem de ser expressa e documentada pelo paciente, por escrito e oralmente em dias diferentes; a doença tem de ser diagnosticada por diferentes médicos como grave e de dores insuportáveis. O projecto-lei elaborado por Liberais, Socialistas e Verdes foi agora aprovado (13.02.2014). Para a morte ser legal precisa da aprovação do paciente, dos familiares e do médico.

 

Em geral a eutanásia activa é considerada crime; na Alemanha, por exemplo, se alguém matar, a pedido de alguém, tem cadeia até 5 anos: a eutanásia passiva (interrupção de medidas de prolongamento de vida) é permitida desde que conste na disposição escrita previamente pelo paciente.

 

Na ideologia do politicamente correcto, a sociedade fala, aqui, do direito a morrer com dignidade. Parlamentos fazem leis à margem do pensar da maioria do povo. Neste caso, um sistema democrático consciente, deveria submeter tal decisão a um plebiscito nacional.

 

Porque querer ajudar com a morte e não com a medicina paliativa. Esta lei vem aliviar os médicos que antes se viam sozinhos quando confrontados com o desejo do paciente e no caso de o fazerem seriam assassinos.

 

Até que ponto a criança é livre na sua decisão? A contradição de uma argumentação enganadora: uma criança é menor, e como tal, incapaz de decisão em casos normais do dia-a-dia, mas no caso de doença incurável já é considerada adulta! O desejo de morrer da criança também pode vir do ver o sofrimento dos pais. A impotência destes apressa-os na ilusão de ajudar a criança; esta ” ajuda” é mais uma ajuda a si mesmos e uma desculpa de outras ajudas; o facto de disporem da decisão de impedirem as dores, dá-lhes a impressão de cuidarem do doente, quando este, o que talvez precisasse seria de companhia e carinho.

 

A medicina paliativa tem demonstrado que o que os pacientes precisam é de acompanhamento e apoio. A lei vem desculpar e desobrigar o que não é desobrigável. Numa sociedade cada vez mais anónima tudo se torna legal e comprável; tudo lava as suas mãos como Pilatos. As forças políticas e sociais escondidas sob o capacete do pensar politicamente correcto avançam no sentido de dessacralizar o ser humano para o poder tornar disponível aos poderes do Estado. Com a eutanásia quer-se irradiar a morte da vida; indivíduo e acompanhantes desresponsabilizam-se.

 

Um mundo utilitarista, que não crê em Deus, não pode dar consolação à criança falando da outra vida, nem de Deus a quem o paciente poderia recorrer e não estar só. Os médicos teriam sempre a hipótese de receitar mórfium e em certos casos poderiam desligar as máquinas que prolongam a vida mas matar activamente é sobrepor-se à vida.

 

As várias confissões religiosas são contra a lei da eutanásia. 129 Pediatras belgas, numa carta ao Parlamento, afirmaram que a lei não era, medicamente, necessária já que "equipes de tratamento paliativo são perfeitamente capazes de alcançar o alívio da dor tanto no hospital como em casa". Parlamentares do Conselho da Europa são do parecer que a lei "trai algumas das crianças mais vulneráveis na Bélgica" e "promove a crença inaceitável de que uma vida pode ser indigna de ser vivida, algo que desafia o próprio fundamento de uma sociedade civilizada".

 

 António da Cunha Duarte Justo

OS "LISBOETAS" DE ANTÓNIO

 

 

CARICATURAS NA ESTAÇÃO DE METRO DO AEROPORTO DE LISBOA

 

 

 

 

                       

Duarte Pacheco

Engenheiro e famoso Ministro das Obras Públicas de Salazar, grande impulsionador das obras do Estado Novo, falecido num acidente de viação.

(Loulé, 19 de Abril 1900 - Setúbal, 16 de Novembro de 1943)

 

 

Frederico Duarte Carvalho

                                                                                                                       

In http://paramimtantofaz.blogspot.pt/2012/07/os-lisboetas-de-antonio.html

ESTEREÓTIPOS?

 

No seu artigo do Público de 24 de Janeiro, “A tradição”, Vasco Pulido Valente, referindo-se à recente viragem política e económica de François Hollande, redutora das despesas democráticas das suas fictícias promessas eleitorais, referencia a história do socialismo como algo pontual, em tentativas frustradas, na realidade uma ideologia que serviu os interesses próprios e do capital, que, para despistar, ia “compensando aqui e ali os trabalhadores com o famoso Estado social, a que se reduziu em última análise a utopia do século e que hoje parece perigosamente perto da dissolução”.”

 

 

«A tradição»

 

Com lágrimas, com irritação, com desespero, a esquerda ouviu esta semana François Hollande renunciar ao socialismo. A esquerda tem má memória. Desde o princípio que o socialismo se reduziu a conceder alguns leves benefícios aos trabalhadores, que se foram acumulando, e que se devem em parte considerável à mais pura direita.

 

Quem começou esta política foi, de resto, o príncipe Bismarck, antes de 1890, para conter simultaneamente o SPD e o liberalismo alemão que pretendia renascer contra ele. Durante a Grande Guerra (a I), o partido de Lenine e Estaline estabeleceu uma ditadura que se dizia “comunista”, mas que no fundo não passava de uma nova tentativa de “modernização” do império do czar, executada com uma particular ferocidade.

 

Depois de 1918, ainda apareceram meia dúzia de imitadores. Na Hungria, Béla Kun inventou uma “República Soviética”, que durou cinco meses e quase não passou de Budapeste. Em Munique, também foi proclamado o “comunismo”, que provocou uma pequena guerra civil e desapareceu em menos de um mês. Pela Europa ocidental, as coisas continuaram na mesma. O trabalhista MacDonald governou a Inglaterra de Janeiro a Novembro de 1924 e, depois, em coligação com os conservadores, de 1929 a 1935, uma aventura que lhe valeu a expulsão do partido. Em Espanha, a URSS tomou o poder por interposta pessoa a partir de 1937 e em 1939 perdeu a guerra. E, em França, Léon Blum conseguiu aguentar um ano, meio paralisado pelos radicais da sua “Frente Popular”, mas sempre deixou à “classe operária” o dia de 8 horas, mais duas semanas de férias pagas.

 

Em 1945, a Europa de Leste ficou sob a tutela da URSS de que só se conseguiu livrar em 1989. No Ocidente passaram pelo governo, se a América aprovava, dezenas de partidos nominalmente “socialistas”, que sobretudo se esforçaram por promover a prosperidade do capitalismo, compensando aqui e ali os trabalhadores com o famoso Estado social, a que se reduziu em última análise a utopia do século e que hoje parece perigosamente perto da dissolução. O sr. Hollande não fez mais do que os seus predecessores. O “socialismo”, nas suas muitas variantes, nunca existiu e nunca chegou verdadeiramente a ser a ideologia dominante de nenhum Estado constituído. A retórica de intelectuais sem emprego não substitui a acção, como milhares de vezes se provou. O sr. Hollande assinou o último certificado de óbito da esquerda, seguindo, como lhe competia, a tradição.

 

Não sei se o Dr. Mário Soares gostou de ler o artigo de Pulido Valente - se é que o leu - pois para ele o socialismo existiu, sim, como sinónimo de combate à ditadura e de conquista da liberdade. Quanto à questão económica, não foi esse o ponto principal da sua doutrina, pelo menos relativamente ao povo da vila morena, que outros se encarregaram de defender, lutando com unhas e dentes pelas igualdades sociais que os abrangiam. Julgo que a ele e a outros como ele coube grande parte do bolo democrático, mais do que aos das liberdades por ele concedidas, a quem as migalhas bastavam, a liberdade sendo suficiente bem para esses, que puderam espojar-se, finalmente, em ditos e gritaria, abrindo o escape da mordaça anterior. E o resultado é que andamos todos para aqui hoje nas bolandas da penúria, tanto foi o esbanjamento de palavras e de dinheiros nacionais – os dos tempos da ditadura – e estrangeiros – os dos tempos da democracia.

 

É certo que agora, mais do que nunca, a ditadura se impõe – ditadura do capital, do patronato, do próprio Governo – com a perda de direitos, de empregos, como não havia na outra ditadura, apesar de existirem também muitas discrepâncias sociais, como é natural, nesta luta pela posse material, que já fez morrer Abel às mãos de Caim, e que semeia a guerra e o crime por esse mundo, de que a guerra de Tróia é exemplo lírico, pelo menos no pretexto, pois na realidade também assentou em questões de estratégia económica..

 

A verdade é que o capital comanda a vida, e François Hollande teve que largar os seus extremismos eleitorais de generosidade interesseira, convertendo-se à religião centrista, que impede as bondades da “esquerda democrática”, para se centrar mais numa moderação despesista do Estado gastador.

 

E Vasco Pulido Valente assim historia, sem ilusões e com saber, o socialismo europeu, deixando de lado Fidel Castro e Che Guevara que, em outros espaços, lutaram por um socialismo talvez mais autêntico mas sem liberdade.

 

 Berta Brás

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